Terça-feira, 9 de Fevereiro de 2010
Sexualidade Feminina II - Introdução (por Maria Elisa Domingues)

A Sexualidade Feminina volta a ser o tema do Serviço de Saúde de hoje.

Na passada semana foram levantados, quer pela nossa reportagem, quer através de telefonemas de telespectadoras, questões da maior importância para a saúde sexual a que não houve tempo de responder.
 
As disfunções sexuais, a vivência da sexualidade na doença crónica, as consequências da menopausa, são alguns aspectos da sexualidade feminina que hoje iremos analisar com os meus convidados Drs. Allen Gomes, Lisa Vicente, Eduardo Mendes e Ana Carvalheira.
 
Fomos de novo ouvir mulheres de todas as idades, na região Centro e do Norte do país, desde muito jovens – 16 anos – até aos 70, para termos o testemunho, na primeira pessoa, das suas vivências. De forma empírica, mas muito viva, eis uma demonstração expressiva de como o país mudou nas últimas décadas. Pelo menos, no que toca à sexualidade feminina…
 
Reportagem


publicado por servicodesaude às 23:05
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Sexualidade Feminina II - Apresentação dos Convidados
Dr. Francisco Allen Gomes – Psiquiatra, foi chefe do serviço de psiquiatria e responsável pela consulta de Sexologia dos Hospitais da universidade de Coimbra, até 2001
 
Dra. Ana Alexandra Carvalheira – Doutorada em psicologia da sexualidade, psicóloga clínica e investigadora no campo da sexualidade feminina, em Portugal e no Canadá
 
Dr. Eduardo Mendes – Médico de família, director executivo do Agrupamento de Centros de Saúde do Oeste Sul
 
Dra. Lisa Vicente – Especialista em Ginecologia e Obstetrícia, pós graduada em Medicina Sexual e responsável pela Consulta de Medicina Reprodutiva da Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal e, actualmente, chefe da divisão de Saúde Reprodutiva, da Direcção-Geral de Saúde

 



publicado por servicodesaude às 22:07
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Sexualidade Feminina II - Falta de Desejo ou de Iniciativa?

Nos anos 70 e 80, a falta de desejo não era uma queixa comum. As questões que os pacientes colocavam aos médicos dirigiam-se sobretudo à forma de obter prazer e excitação, porque havia muita ignorância.

 
“A partir de certa altura começaram a aparecer cada vez mais mulheres - e cada vez mais jovens -, a dizer que não lhes apetece ter relações sexuais, embora não tenham quaisquer dificuldades”, conta Allen Gomes.
 
“Quando as têm é óptimo, sem inibições e os companheiros apreciam. Portanto, é como dizer: são capazes, mas não lhes apetece. Ou, pelo menos, com determinada frequência.
As próprias dizem sentir um certo "desconforto”, porque, dizem: “eu não era assim”, reafirma o psiquiatra,   
 
No livro “Disfunções sexuais”, da autoria do psicólogo Pedro Nobre, são abordados vários estudos sobre o tema.
Enquanto disfunção sexual, estima-se que a falta de desejo possa afectar cerca de 30% de mulheres; ou seja, quase um terço do total de mulheres abordadas nesses estudos.
 
Lisa Vicente, ginecologista, percepciona o fenómeno de outra forma: “As mulheres vêm muitas vezes o seu desejo sexual diminuído mas relativamente a um padrão do que deverá ser o seu desejo normal, veiculado pela informação que lhes é disponibilizada”.
 
E explica: "Muitas vezes o “eu não tenho desejo”, deve ler-se “eu não tenho a iniciativa” e, durante muito tempo, isso foi classificado como uma disfunção sexual.
Existem muitos estudos que demonstram que mesmo em relações em que as mulheres consideram satisfatórias, 30% afirma que o seu desejo não é espontâneo, ou seja, que não são elas a tomar a iniciativa".
 
Por isso, a ginecologista reforça que essas mulheres, devidamente estimuladas, e num certo contexto, depois entusiasmam-se e a relação sexual corre bem.
 

Ana Carvalheira, psicóloga, concorda com o facto de o fenómeno ser complexo e de sofrer a interacção de diversas variáveis, entre as quais o processo de educação e socialização. Admite que a perda do interesse sexual é a queixa mais frequente, no entanto avança que "As disfunções sexuais são raras; o que existem são determinados problemas”.

 
“Um grande número de mulheres de facto inicia a actividade sexual sem ter vontade e depois de estimulada passa a ter. No entanto, quanto mais tempo se interrompe a actividade sexual, mais difícil é. Na actividade sexual, quanto menos se faz, menos apetece fazer; quanto mais se faz; mais apetece fazer”, acrescenta Eduardo Mendes.
 
O médico de família explica ainda que em determinados níveis culturais, uma infecção ginecológica vulgar (como fungos ou uma candidíase, por exemplo), pode ser entendido como tendo sido "pegado” o que, por si só, pode causar um certo estigma na mulher e na forma como encara a sua sexualidade.


publicado por servicodesaude às 21:08
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Sexualidade Feminina II - Idade e Desejo Sexual (tel.)

Telefonema de Maria Palma, 55 anos de Odivelas

Depois de se divorciar teve uma paixão “colorida” e só nesse momento é que considera ter aprendido a gostar de fazer amor e sexo.
Entretanto, fez uma histerectomia, ou seja, tirou o útero e os ovários. E também encontrou um novo amor, que designa de “mais calmo”. E diz ter fantasias com frutas, cheiros, perfumes, lingerie… E pergunta: “Será que é demais, que é doença?”
 
A ginecologista Lisa Vicente diz que ouve este tipo de relato vezes sem conta, em mulheres com 50, 60 ou 70 anos, que julgam não ser normais apenas por continuarem a ter desejo sexual numa certa idade: "Há um prazer inegável que esta mulher sente e um desejo de uma determinada performance".
 
A psicóloga Ana Carvalheira considera ainda existir um grande peso da tradição judaico-cristã, já que mesmo assim a telespectadora demonstrou sentir vergonha pelo facto de continuar a sentir desejo.
 
A ginecologista diz ainda que é comum em mulheres de uma certa idade já se sentirem mais confortáveis com o seu corpo e, se tiverem um parceiro de longa duração, também adquirem um certo conforto com o corpo do parceiro, conhecem-no e já sabem o que gostam e o que não gostam de experimentar.
 
Allen Gomes chama atenção para o facto da telespectadora ter tirado todos os órgãos femininos e, esse motivo, não ter implicado falta de desejo sexual: “Há outros factores psicológicos e relacionais que se sobrepõem a essas carências, insuficiências e alterações hormonais; inclusive uma boa vivência da sexualidade no passado”.
 


publicado por servicodesaude às 20:23
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Sexualidade Feminina II - Esposa com carcinoma

 
Telefonema de Óscar Rosas, 61 anos, de Oeiras:
O testemunho do marido conta que a esposa teve um carcinoma na mama há oito anos à qual se sucedeu uma mastectomia radical. E conta como o seu aspecto relacional e sexual se manteve inalterado.
Estão casados há 35 anos e têm dois filhos. Diz que nunca a deixará de apoiar e considera “uma crueldade o abandono da companheira num momento assim, em que esta se encontra particularmente frágil”.
 
Testemunho importante para se perceber que não existe um comportamento padrão e que as mulheres com uma doença deste tipo não são necessariamente abandonadas pelo seu parceiro, afirmaram todos os profissionais de saúde presentes em estúdio.



publicado por servicodesaude às 19:30
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Sexualidade Feminina II - Reacção e relação com o médico de família

De que forma é que um médico lida com a sexualidade de uma mulher que teve, por exemplo, um carcinoma da mama, tendo em conta que o seu primeiro objectivo é salvar vidas?

 
Eduardo Mendes, médico de família diz que há dez anos este tipo de questão passava despercebida nos serviços de Oncologia hospitalares. "Hoje já há consultas dirigidas para este tipo de problemas e mesmo os médicos de família estão muito mais alerta. As próprias mulheres colocam a questão em cima da mesa, não há como fugir".
 


publicado por servicodesaude às 18:33
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Sexualidade Feminina II - Falta de Desejo, Diabetes e Histerectomia (tel)

Telefonema de Margarida Gonçalves, 58 anos, do Seixal:

Tem imensa dificuldade em ter relações sexuais, apesar da boa relação com o marido.
Evita o contacto inventando desculpas como ter dores de cabeça, uma má digestão e ao ir deitar-se tardiamente, de forma propositada.
Nunca falou a médicos sobre o seu problema, nem ao de família. Questiona-se se estará relacionado com o facto de ter diabetes e de ter feito uma histerectomia há cerca de 12 anos.
Nunca tomou nenhum medicamento para a menopausa precoce que teve.
 
A ginecologista Lisa Vicente aponta o facto da senhora ter entrado em menopausa e ver-se subitamente privada de estrogéneos: “Basta ter dor e a lubrificação estar diminuída para a mulher evitar ter relações. Por outro lado, a própria diabetes também concorre com as questões da lubrificação".
 
Eduardo Mendes faz, por outro lado, questão em realçar: "Vi milagres com lubrificantes, apesar do pudor ainda existente. Cremes vaginais, com estrogéneos, para a secura do trato vaginal, ainda vá, agora quando se recomenda um lubrificante... ainda existem muitas barreiras a ultrapassar".


publicado por servicodesaude às 16:37
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Sexualidade Feminina II - Falta de Desejo, Diabetes e Histerectomia (tel)

Telefonema de Maria, 55 anos, de Parenhas da Beira

Relato de ausência de desejo e actividade sexual devido à existência de dores após mastectomia (efectuada há 10 anos).
O marido também teve um carcinoma mas continua a sentir desejo. Ela é que não, e sente um grande desconforto com esse facto. Nunca falou com nenhum profissional de saúde sobre o problema, nem mesmo com o seu médico de família.
 
Perante casos destes, de falta de actividade sexual durante tantos anos, Eduardo Mendes reforça a ideia de que "Há uma necessidade de reaprender a intimidade”.
 
Afirmação que valeu a concordância da psicóloga Ana Carvalheira: "Viu muitos médicos mas a situação não ficou resolvida. E é natural que esta mulher tenha a sua autoestima e a percepção sobre o corpo, muito abaladas. Há, efectivamente, uma grande necessidade de reapreender a viver em intimidade".


publicado por servicodesaude às 15:43
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Quinta-feira, 4 de Fevereiro de 2010
Gripe A - Ministério reduz encomenda de vacinas de seis para quatro milhões de doses

 A gripe A (H1N1) já matou 104 pessoas em Portugal. O número foi revelado no mesmo dia em que o Ministério da Saúde anunciou o cancelamento da encomenda de dois milhões de vacinas contra o vírus H1N1, de um total de seis milhões que tinham sido reservadas.

Segundo a tutela e a empresa fornecedora, a GlaxoSmithKline, não foram exigidas contrapartidas ao ministério por cancelar parte da encomenda, embora o contrato não antecipasse essa opção.
 
O número de doentes com gripe atendidos no Serviço Nacional de Saúde tem descido desde Novembro e na semana passada ficou-se pelas 2517. Mas o número de vítimas mortais já ultrapassa as 100: atingiu ontem as 104. Entre as seis novos mortos estão dois homens, de 42 e 54 anos, que eram saudáveis. Os restantes tinham factores de risco. Aliás, uma percentagem elevada das vítimas eram doentes de risco que se deviam ter vacinado, diz a tutela. É que dos 1,6 milhões de vacinas que chegaram ao País só foram usadas cerca de 500 mil.
 
Portugal encomendou seis milhões de vacinas, para proteger 30% da população, numa altura em que se pensava que seriam precisas duas doses por pessoa. Como só é necessária uma, o Governo reduziu a encomenda.
 
Amanhã vão fechar portas os três Serviços de Atendimento de Gripe A (SAG), da Madeira, porque a actividade do vírus "diminuiu drasticamente", justificou o Governo Regional. O mesmo tem vindo a acontecer noutros pontos do País, como Lisboa, onde os SAG encerraram ou reduziram o horário.
 

Fonte: Diário de Notícias

 


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publicado por servicodesaude às 17:16
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Terça-feira, 2 de Fevereiro de 2010
Sexualidade Feminina - Introdução (por Maria Elisa Domingues)

Não é vulgar referir a saúde sexual quando se fala de saúde em geral. Quanto muito isso acontece se existem problemas graves provocados por disfunções sexuais, em particular, dos homens.

 
A sexualidade feminina, mais reservada é, nos últimos anos, remetida para as páginas das revistas, muitas das quais a tratam com uma banalidade desconcertante e inconsequente, porventura bem longe das vivências da maioria das mulheres portuguesas que continuam com dificuldade em verbalizar as suas experiências no campo sexual.
 
Talvez por essa razão é raro lermos notícias sobre as listas de espera para as consultas de sexologia, embora todas as especialidades médicas sejam objecto de constantes críticas por tal razão.
 
No entanto, sabemos que a saúde é um todo, que o físico e o psíquico interagem de forma estreita. E se é inegável que o 25 de Abril, décadas atrás, trouxe novos comportamentos e atitudes às gerações mais velhas, os meios de comunicação, em particular a Internet, modificaram por completo a forma das mais novas encararem o sexo.
 
Hoje organizam-se reuniões de mulheres para vender objectos eróticos como antes se faziam para vender Tupperwares. Mas haverá na população feminina, em geral, novos comportamentos? E, se assim for, terá essa alteração contribuído, de forma positiva, para a saúde sexual das mulheres, tal como definida em 75 pela Organização Mundial de Saúde?
 
Fomos ouvir mulheres dos 18 aos 60 anos, com formação sociocultural diversa e de diferentes zonas do país. O resultado não terá validade científica mas é francamente curioso.


publicado por servicodesaude às 23:05
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Sexualidade Feminina - Apresentação dos Convidados

Dr. Francisco Allen Gomes – Psiquiatra, foi chefe do serviço de psiquiatria e responsável pela consulta de Sexologia dos Hospitais da Universidade de Coimbra, até 2001

 
Dra. Ana Alexandra Carvalheira – Doutorada em psicologia da sexualidade, psicóloga clínica e investigadora no campo da sexualidade feminina, em Portugal e no Canadá
 
Dr. Eduardo Mendes – Médico de família, director executivo do Agrupamento de Centros de Saúde do Oeste-Sul
 
Dra. Lisa Vicente – Especialista em Ginecologia e Obstetrícia, pós graduada em Medicina Sexual e responsável pela Consulta de Medicina Reprodutiva da Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal e, actualmente, chefe da divisão de Saúde Reprodutiva da Direcção-Geral de Saúde
 
 


publicado por servicodesaude às 22:09
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Sexualidade Feminina - Mudanças nos últimos anos - desejo, virgindade, masturbação

Hoje existe uma grande desinibição a falar de sexo e a utilizar brinquedos sexuais, eróticos, por parte das mulheres. Uma situação pouco expectável há cerca de 10 ou 15 anos.

 

No entanto, as mulheres parecem menos confortáveis quando se fala de desejo sexual.

Nenhuma mulher admite ter desejo apenas por ver um homem que considera interessante. Atitude porventura muito diferente da dos homens.
 
“Houve uma mudança brutal nos últimos anos”, considera o psiquiatra Allen Gomes. Mais: "As mudanças são estruturais, porque antes a virgindade da mulher era uma questão importante; hoje não é!"
 
O psiquiatra considera a existência de gerações charneira, as que agora rondam os 40, 50 anos, que se "libertaram". E salienta dois aspectos interessantes, o primeiro refere-se ao desejo espontâneo: "Muitas mulheres não o admitem ou apenas nos seus grandes períodos de paixão".
 
Há 10 anos, por outro lado, "diria que era mais fácil no contexto de intimidade de um consultório, uma mulher revelar uma relação extraconjugal do que uma masturbação".
 
Este comportamento não traduz apenas a acção da testosterona – que as mulheres também têm – mas houve uma transformação da sexualidade feminina mediada pelos afectos. "Agora, uma mulher masturba-se deliberadamente para obter prazer", admite o psiquiatra.
 
Lisa Vicente, ginecologista, diz que as pessoas não falam disso directamente numa consulta médica. E quando lhes é perguntado muitas dizem que não a praticam. "Depende muito da relação que cada um tem com o corpo", admitindo porém que hoje as mulheres já  procuram ter prazer sozinhas.

 

Há 20 anos não era fácil abordar este tema com as mulheres. Havia duas oportunidades; nas consultas de planeamento familiar (cuja idade média das mulheres começou a descer) e na gravidez. "A sexualidade durante a gravidez, po exemplo, sempre foi um tabu", comenta Eduardo Mendes, médico de família.

 



publicado por servicodesaude às 21:11
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Sexualidade Feminina - Doença incapacitante e outras formas de ter sexo

Telefonema Fátima Silva, 61 anos, do Porto

Marido tem uma doença: esclerose lateral miotrófica, doença rara que atrofia os músculos e que o afectou sexualmente. Há cerca de um ano e meio que não tem relações sexuais porque ele fica nervoso e muito cansado. Ela, ao saber disso, também fica nervosa, revoltada e angustiada. E prefere que o marido não lhe toque já que sente uma grande ansiedade e antecipa que a relação sexual irá correr mal.
 
“Uma coisa é a busca do prazer, da erecção e do orgasmo. Outra, é a busca da intimidade, de estar junto, de acariciar, da afeição”, diferencia Lisa Vicente, ginecologista.
 
“Em termos biológicos é inquestionável que a doença é incapacitante. No entanto, está a trabalhar-se para as expectativas de “como costumava ser”, “quase todos os dias”. E aí, com esta ou outra patologia, há uma frustração constante e a “antecipação da falha”, conclui, chamando atenção para a importância do casal poder falar do assunto, por exemplo, em terapia sexual.
 
“As pessoas podem não ter a sexualidade que tinham quando estavam bem, mas ainda há uma margem grande para os afectos, para o toque e para a satisfação sexual. Agora se a única forma paradigmática for o coito, em posição de missionária, ele provavelmente não pode fazê-lo”, acrescenta Allen Gomes.
 
Eduardo Mendes resume: “A sexualidade não se pode centrar na genitalidade. Os homens, ao contrário do que muita gente pensa não têm apenas prazer com a erecção, a penetração, o orgasmo e a ejaculação. É necessário explorar novas formas de satisfação e, acima de tudo, não estar um ano sem ter qualquer tipo de relação sexual – num sentido muito amplo – porque quebra o ciclo e cada vez vai ser mais difícil e maior o sofrimento” O médico de família deixa ainda um conselho: “ Aproveitem cada momento com o prazer que cada momento lhes dá”.


publicado por servicodesaude às 20:56
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Sexualidade Feminina - Rejeição sexual pelo marido (tel.)

Telefonema Maria, 48 anos, Paços de Ferreira

Foi operada no ano passado e a partir daí começou a notar que o marido a rejeita.
“Diz que já não sirvo para nada, que estou a ficar velha e isto magoa-me muito”.
Está a ter acompanhamento psicológico mas ainda não falou a nenhum médico sobre o que se passa a nível sexual porque não se sente à vontade.
 
Ana Alexandra Carvalheira, psicóloga, considera o contexto retratado de alguma hostilidade e agressividade. “Se o problema é central na vida dela ela tem mesmo que falar com o psicólogo ou o técnico que a acompanha e, eventualmente, convidar o companheiro a participar numa sessão conjunta”, diz, especulando ainda sobre a possibilidade de já existirem problemas na relação anteriores à cirurgia.
 
“Esse é apenas o móbil que justifica o afastamento físico, após a cirurgia, como acontece com outras doenças. Em cerca de 90% dos casos em que isso acontece há uma degradação prévia da relação”.
 
Quer o cancro da mama, quer a depressão, vão induzir na mulher uma maior dificuldade no relacionamento sexual, confirma Allen Gomes. “É um período de reajustamento, porque são doenças que acontecem muitas vezes num grupo etário que já está em crise; e o aparecimento da doença é demolidor”.


publicado por servicodesaude às 18:57
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Sexualidade Feminina - Efeitos da Depressão e das Cirurgias (mama ou ginecológica)

Lisa Ferreira Vicente, ginecologista, explica que a depressão tem dois lados. “A pessoa tende a relacionar-se menos com o meio, e com os outros, portanto, o relacionamento sexual fica diminuído”.

Depois, associado à depressão podem ainda estar sentimentos de diminuição da auto-estima, essencial no relacionamento, porque esta percepção interfere na sua imagem erótica e sexual.
No entanto, a ginecologista afirma que “nem todos os antidepressivos produzem necessariamente a diminuição do desejo”.
 
“Sabe-se que a depressão afecta o dobro das mulheres relativamente aos homens e que enquanto os antidepressivos podem até ter um efeito benéfico - de estabilizador da ejaculação - no caso dos homens; nas mulheres podem ter um efeito catastrófico”, contrapõe o psiquiatra Allen Gomes.
 
“Para além do cancro da mama e da depressão, a própria cirurgia ginecológica afecta certos imaginários. E muitas vezes o inicio da actividade sexual tarda”.


publicado por servicodesaude às 17:17
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Sexualidade Feminina - Desejo e Relação Extraconjugal (tel.)

Telefonema de Ana Simões, 50 anos, da Figueira da Foz:

Diz que tem um casamento feliz mas assume que continua a sentir um desejo espontâneo  fora da relação. Acha que é normal e sente-se bem. E diz que concretiza esse desejo, ou sozinha ou com a pessoa que é objecto do seu desejo.

Ou seja, admite que tem relações extra-conjugais, neste caso, uma. Diz que não se sente afectada, nem no seu casamento, mas questiona-se simultaneamente se será normal sentir-se assim aos 50 anos.
 
Allen Gomes acha que ela está satisfeita, logo, não precisa de ser consultada. Já a ginecologista Lisa Ferreira Vicente chama a atenção para uma pergunta recorrente; “Eu sou normal?”
 
Ana Alexandra Carvalheira, psicóloga pôe a enfâse no facto deste ser habitualmente um comportamento visto como masculino e desconfia que por detrás do que a telespectadora descreveu exista um certo sentimento de culpabilidade. "As mulheres hoje perseguem o seu objecto de desejo mas no fundo ainda persistem alguns padrões".
 
Padrões que, na sua opinião, são evidentes em certas áreas: "Isso é claro com o tema da masturbação. A mulher é educada duma forma muito mais restritiva e o homem é socializado de uma forma muito mais permissiva. Isto tem consequências ao nível do sexo".
 
Segundo a psicóloga isto gera nas mulheres mais sentimentos de culpa, vergonha e  embaraço. Para além de que " não se masturbam com tanta frequência e se o fazem, não assumem. E dessa forma deixam de conhecer o seu corpo".


publicado por servicodesaude às 16:28
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Sexualidade Feminina - Desejo e Excitação: “A Resposta Sexual das Mulheres – Um Estudo Português”

“As mulheres com prática da masturbação desde a adolescência têm uma possibilidade acrescida de alcançar o orgasmo com maior facilidade. Uma amostra com 3700 mulheres demonstrou isso e que tinham uma maior excitação sexual”, explica Ana Alexandra Carvalheira, psicóloga e autora de “A Resposta Sexual das Mulheres – Um Estudo Português”.

 
O estudo baseou-se numa amostragem de 3687 mulheres. A autora não considera que tenha o valor de amostragem porque foram recrutadas apenas mulheres que utilizam a Internet.
 
Entre as conclusões a que chegou salienta o facto de haver uma percentagem importante de mulheres que inicia a relação sexual sem ter vontade. “A vontade surge depois de a relação ter começado”.
 
Relativamente ao desejo, ele é, inquestionavelmente, muito mais flutuante nas mulheres. A diminuição do desejo sexual é a queixa mais frequente.
 
Por outro lado, salienta, “há uma certa sobreposição entre desejo e excitação sexual, que as mulheres têm dificuldade em distinguir”. Isto, apesar de existir a crença de que se deve iniciar a relação sexual quando se tem desejo e quando estão reunidos vários factores: sentirem-se queridas, compreendidas, terem mimos.
 
“Mas também não haver rotina, não estarem cansadas, bem dormidas, bem alimentadas, bem dispostas e com emoções positivas. Só quando estão reunidas um certo número de condições é que estão disponíveis para a actividade sexual”, remata a psicóloga..
 
Allen Gomes acrescenta que as mulheres têm multitarefas e, como tal, distraem-se com mais facilidade e saltam mais de uma tarefa para a outra. Ou seja, sexualmente, distraem-se muito.
 
E explica uma teoria sua: “Qualquer mulher, em qualquer idade e sociedade, tem que ser mais cautelosa porque numa relação sexual, a todos os níveis, a mulher corre riscos que o homem não corre: podem pagar o sexo com a morte – os homens só começaram a pensar nisso agora com o problema da SIDA e mesmo assim as mulheres têm uma maior probabilidade de serem tocadas - , elas é que engravidam, é que fazem o aborto e que têm que parir. E ainda são elas, muitas vezes, que perdem a reputação, porque se falou delas…”.
 
Por outro lado, diz ainda o psiquiatra, “as mulheres também sabem que quanto mais interessante e estimulante o parceiro é, mais riscos corre. Por conseguinte a distracção faz parte da sua defesa. Sabem que se deixam envolver, a certa altura, há um certo ponto sem retorno”.


publicado por servicodesaude às 15:55
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Sexualidade Feminina - Paraplégica e a descoberta da Internet e do Cybersexo

Telefonema de Joana Cruz, 35 anos, paraplégica, de Matosinhos:

É paraplégica há cerca de dois anos, devido a um acidente. No inicio preocupava-a a adaptação a uma nova realidade.
Tentou abordar algumas questões sobre sexo com enfermeiros e outros profissionais de saúde mas pensa que, para alguns, ainda constitui um tabu.
Foi educada segundo a religião judaico-cristã, transmitida pela mãe, na qual não deverá haver sexo sem amor.
Considera que muita gente, particularmente os jovens, não se apercebem que pessoas deficientes, por exemplo as que tiveram acidentes, ou os idosos, têm vida sexual.
 
"Através da Internet e depois de ter perdido a vergonha do meu corpo,  comecei a explorar,  a obter prazer através da masturbação. Depois de contactar com vários homens, não fisicamente, pela Internet, reparei que não havia um preconceito tão grande como estava à espera relativamente à minha limitação", conta.
 
Considera-se uma mulher atraente, recuperou a auto-estima e sente que também sabe conquistar e fazer o jogo da sedução. E diz ter algum sucesso. "Sei que tenho uma resposta positiva".
 
Ana Alexandra Carvalheira, psicóloga, e o psiquiatra Allen Gomes têm um estudo sobre o Cybersexo. Nesse estudo poderam concluir que cerca de 44% da amostragem são mulheres e 55% homens; talvez uma percentagem porventura diferente da esperada.
 
Ana Alexandra Carvalheira, psicóloga, considerou o testemunho da telespectadora extraordinário, "uma aprendizagem, uma descoberta excelente a partir da Internet, que considero um excelente instrumento para quem é portador de estigmas".
 
Bibliografia: “Paixão, Amor e Sexo”, da autoria de Francisco Allen Gomes, da editora Dom Quixote


publicado por servicodesaude às 14:57
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Terça-feira, 26 de Janeiro de 2010
Paralisia Cerebral - Introdução (por Maria Elisa Domingues)

O Serviço de Saúde de hoje vai debruçar-se sobre a Paralisia Cerebral, situação que atinge dois em cada mil nascidos em Portugal e nos outros países desenvolvidos e sete em países em desenvolvimento como o Brasil.

 
A paralisia cerebral consiste numa perturbação do controle, da postura e do movimento em consequência de uma lesão ou de uma anomalia que afecta o cérebro  em período de desenvolvimento.
 
Associadas às perturbações motoras, existem muitas vezes outros deficits, em particular visuais e auditivos e dificuldades de comunicação pela fala.
 
Ao contrário do que alguns possam pensar, por falta de informação, 40% das pessoas com paralisia cerebral têm uma inteligência igual ou superior à média, podendo assim concluir com êxito cursos superiores ou carreiras com grande responsabilidade.
 
As crianças com paralisia cerebral necessitam de cuidados especiais de acordo com a situação de cada uma, visto que não há dois casos iguais, mas que incidem sobretudo na fisioterapia, no exercício físico, na estimulação sensorial e cognitiva de forma a torná-las capazes de se relacionarem com os outros e dar-lhes uma maior autonomia possível.
Mas também as famílias, para quem o nascimento deste ser diferente representa uma alteração profunda, necessitam de orientação e apoio.
 
Miguel Braga e Catarina Fernandes fizeram a reportagem na Associação de Paralisia Cerebral de Lisboa, a primeira a surgir no nosso país há exactamente 50 anos.


publicado por servicodesaude às 23:03
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Paralisia Cerebral - Apresentação dos Convidados

Prof. Maria da Graça Andrada – pediatra, especialista em reabilitação e neurodesenvolvimento e Coordenadora do Programa Nacional de Vigilância de Paralisia Cerebral

 

Dr. José Barros – pedopsiquiatra e presidente da Federação das Associações de Paralisia Cerebral e presidente e co-fundador da Associação de Paralisia Cerebral de Coimbra
 
Teresa folha – enfermeira, especialista em saúde e pediátrica e no Centro de Reabilitação de Paralisia Cerebral da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, faz apoio a crianças, jovens e adultos.
 
Dr. Daniel Virella – neonatologista no Hospital Dona Estefânia, em Lisboa e coordenador do Programa Nacional de Vigilância de Paralisia Cerebral, com a função de presidente da Unidade de Vigilância Pediátrica e representante da Sociedade portuguesa de Neonatologia


publicado por servicodesaude às 22:20
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Paralisia Cerebral - Importância da Reabilitação precoce

Um das coisas mais importantes para as crianças com paralisia cerebral é aquilo que a fisioterapia e também o desporto – nos casos em que essas actividades sejam possíveis - podem proporcionar.

Maria da Graça Andrada, pediatra, relembra que a Associação Portuguesa de Paralisia Cerebral faz 50 anos e que esta foi sempre uma das principais preocupações. A criança com paralisia cerebral é fundamentalmente uma criança como as outras, ou seja, precisa de brincar e de praticar actividades desportivas.
“A reabilitação é muito importante, mas é necessário ir além da reabilitação. É muito importante que cada criança tenha a sua vida própria. Todas as crianças são diferentes e quando são jovens é preciso tirar partido da sua plasticidade mental, justamente com a ajuda de equipas multidisciplinares: fisioterapia, terapia ocupacional, terapia da fala, apoios psicológicos, o desporto, a dança (que conta com um excelente grupo em Lisboa), o teatro (que em Coimbra tem uma excelente companhia) e a música que, no Porto, conta com um grupo já premiado: a “Quinta Puncada”.


publicado por servicodesaude às 21:23
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Paralisia Cerebral - Centros de Reabilitação e Ajudas Tècnicas

Estima-se que existam cerca de 20 mil pessoas com paralisia cerebral em Portugal. Os 15 centros de reabilitação existentes são fundamentais para apoiar os pais e as famílias,e servem uma população de sete mil pessoas.

 
O Centro de Paralisia Cerebral de Lisboa é hoje uma entidade que pertence à Segurança Social e tem à volta de mil crianças e adultos. N a opinião da enfermeira Teresa Folha isto significa "um volume enorme de pessoas e muitas dificuldades ao nível de recursos humanos e técnicos".
 
A vice-presidente da Associação de Paralisia Cerebral de Lisboa, Maria José, vai mais longe ao afirmar que o centro foi um centro de excelência a nível mundial, quando representado pela Dra. Maria da Graça, "mas hoje é uma lástima. Desde 2005 saíram 45 técnicos, que não foram substituídos". Por este motivo diz que "a situação é muito grave".
 
A vice-presidente da Associação de Paralisia Cerebral de Lisboa considera que esta população está a ser destituída de um direito que lhes assiste: "parece que estão todos curados… o centro só funciona umas horas por dia. Esta população está a ser negligenciada pelo Estado Português".
 
As dificuldades que as pessoas com paralisia cerebral enfrentam suscitam uma necessidade de interpretação por parte dos pais e dos profissionais.
Mas também no campo das ajudas técnicas, ainda não temos um sistema que responda atempadamente: "Existem aparelhos de síntese da fala, que se ligam ao computador. Estas ajudas técnicas são fundamentais mas ainda chegam tarde no nosso país", aponta Graça Andrada, coordenadora do Programa Nacional de Vigilância de Paralisia Cerebral.

 



publicado por servicodesaude às 20:40
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Paralisia Cerebral - Causas e Factores de Risco

Ao professor Daniel Virella, pediatra neonatologista, cabe-lhe a identificação dos factores de risco em recém-nascidos, sobretudo prematuros.Podem ser bebés que nasceram com anomalias congénitas ou fruto de problemas que surgiram durante a própria gravidez ou parto.

 

"Em todas as unidades de Neonatologia existe a área de Medicina Física e de Reabilitação cuja intenção primordial é a intervenção precoce, ou seja, começar a actuar logo que possível para proporcionar a melhor evolução. Podem não ter paralisia cerebral mas podem estar em risco de vir a ter".
 
A Paralisia Cerebral é uma doença com múltiplas causas. A causa mais frequente no mundo Ocidenta,l e também em Portugal, é a prematuridade, que é responsável por cerca de metade dos casos de paralisia cerebral. No entanto, cerca de 20% das crianças até aos cinco anos, com paralisia cerebral, em Portugal, têm causas pós-neonatais.
 
"Não se nasce com paralisia cerebral. Ela surge devido a lesões ou malformações que ocorrem durante a vida fetal ou acidentes que acontecem com a criança no período de desenvolvimento do seu sistema nervoso: afogamentos, meningites, acidentes e infecções graves que podem ocorrer após o nascimento", explica o pediatra.
 
Graça Andrada, pediatra, especialista em reabilitação e neurodesenvolvimento e Coordenadora do Programa Nacional de Vigilância de Paralisia Cerebral esclarece que "o tratamento e o apoio às crianças com a paralisia cerebral são muito importantes, mas o que hoje mais interessa é a prevenção dos factores de risco, em termos de cuidados perinatais".
A razão é simples: "Há 50 anos, quando começámos, os factores de risco estavam muito relacionados com o trabalho de parto. Hoje já não é assim, por isso falamos mais em cuidados perinatais".

 



publicado por servicodesaude às 20:29
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Paralisia Cerebral - Dianóstico e Causas (telefonema)

Telefonema Edison Ramos, 29 anos, do Porto:

 
Pai de bebé com 19 meses, que nasceu de cesariana e algo terá corrido mal. O bebé nasceu com mais de cinco quilos, teve convulsões, e esteve na neonatologia. Actualmente, ainda não anda e, se estiver deitado de costas, não se consegue sentar sozinho. O pai estranha os sinais da criança, que já está a ser acompanhada por uma pediatra do desenvolvimento e por um neurologista.
À nascença fez uma ressonância magnética e vários electroencefalogramas mas os médicos não conseguem detectar exactamente o que se passa.
 
Jorge Virella, pediatra neonatologista, admite que "é muito difícil obter e dar um diagnóstico final de paralisia cerebral antes dos quatro ou cinco anos de idade". No entanto, adianta:
 
"Não é normal um bebé nascer com mais de cinco quilos, e quando isso acontece é quase sempre devido a uma diabetes durante a gravidez (com certeza não diagnosticada, neste caso)".
 
O médico explica que devido ao transtorno hormonal da mãe, o feto tem um estimulo de crescimento excessivo o que leva a um nascimento mais difícil. Depois, "partindo do princípio que estava num ambiente cheio de açúcar, quando sai da barriga da mãe, tem uma hipoglicémia, por falta de açúcar, e daí as convulsões. E a ressonância magnética realizada precocemente pode não dar nenhuma anomalia neste tipo de lesões".
 
Apesar de ainda não haver diagnóstico é extremamente importante a intervenção precoce, salienta Graça Andrada, "para estimular as potencialidades que um cérebro em desenvolvimento tem".Como não há possibilidade de regeneração das células,não pode haver cura da lesão. Pode-se sim tirar partido da plasticidade cerebral.
 
Esta criança poderá ser avaliada na Associação de Paralisia Cerebral do Porto.


publicado por servicodesaude às 19:55
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Paralisia Cerebral - Centros de Reabilitação Nacionais e no Estrangeiro (telefonema)

Telefonema Maria João, 24 anos, de Gaia:

 

Mãe de criança de dois anos com paralisia cerebral. Terá corrido algo mal no parto. Questiona-se sobre a qualidade dos Centros de Reabilitação nacionais e sobre a possibilidade de se deslocar ao estrangeiro.
Ouviu dizer que na Florida, nos EUA, e também na Alemanha, já existem técnicas mais eficazes de tratamento em que são retiradas células tronco, posteriormente injectadas por punção lombar até ao cérebro.
 
"Técnicas sob investigação, mas que não devem levantar falsas expectativas aos pais", diz Graça Andrada. "Não há milagres e a deficiência motora é a que predomina na paralisia cerebral. E essas não podemos eliminar. Podemos ajudar o cérebro a desenvolver-se dentro do potencial de cada um, dependentemente das áreas do cérebro lesionadas.
Estamos a par dessas experiências internacionais e os neurologistas conhecem-nas. Ir a uma clínica apenas por dois meses não faz sentido porque o mais importante nesta patologia é a continuidade e não intensificar tratamentos que, para as crianças, são trabalhos forçados", afirma a pediatra, especialista em reabilitação e neurodesenvolvimento e Coordenadora do Programa Nacional de Vigilância de Paralisia Cerebral.


publicado por servicodesaude às 17:06
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Terça-feira, 19 de Janeiro de 2010
Doenças do Fígado - Introdução (por Maria Elisa Domingues)

Depois de termos abordado na passada semana, os consumos abusivos do álcool e de drogas ilícitas, vamos hoje falar das doenças do fígado, até porque há uma estreita ligação entre aqueles consumos e estas patologias.

 

As principais doenças do fígado, um órgão essencial a grande parte das funções do nosso organismo, são as hepatites, as cirroses e os tumores.
 
Entre as hepatites, são especialmente graves a B e a C: sabia, por exemplo que a hepatite B é 100 vezes mais perigosa que a SIDA? È esse facto que torna a prevenção e o rastreio tão importantes, já que uma grande parte dos casos não está sequer diagnosticada.
 
Por outro lado, a cirrose alcoólica é a que mais mata em Portugal, visto que somos dos maiores consumidores de etanol do mundo. Sendo o álcool cancerígeno, é fácil perceber por que razão tantas cirroses se transformam em cancro.
 
Estas e outras doenças do fígado, menos frequentes mas também perigosas, levam a que o nosso país tenha um número de candidatos a transplante do fígado muito elevado. E como, felizmente, temos muitos dadores, fazemos, com êxito, um número assinalável de transplantes.
 
A reportagem de hoje leva-nos a Viseu e ao Porto, para conhecer as histórias de Joaquim, de Catarina e de Ana, três doentes para quem o transplante representa a possibilidade de viver.
 


publicado por servicodesaude às 23:57
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Doenças do Fígado - Resumo Reportagem

Em Portugal os candidatos a transplante de fígado são doentes com patologia hepatobiliar progressiva e não reversível, não passível de tratamento, ou que constitua a única forma de tratamento alternativo para a sua doença. E desde que não haja contra-indicação para o transplante.

 

E apesar de o álcool ser o principal responsável pela cirrose, doença que pode causar a morte e evoluir para o cancro do fígado, existem outros factores que podem levar à necessidade do transplante.
 
Portugal é o líder mundial no transplante de fígado por milhão de habitantes e o segundo em colheita de órgãos, também por milhão de habitantes.
 
A Sociedade Portuguesa de Hepatologia já alertou para a necessidade de rastreio da Hepatite C em grupos de risco sublinhando que na próxima década esta doença pode fazer aumentar a incidência da cirrose e do tumor do fígado em 62%. E apesar de não existirem números actualizados e fidedignos, estima-se que cerca de 1,8 milhões de pessoas estejam afectadas em Portugal por alguma forma de doença hepática.


publicado por servicodesaude às 22:01
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Doenças do Fígado - Apresentação dos Convidados

Dr. Eduardo Barroso – Cirurgião e director do Centro Hepatobiliopancreático e de Transplantação do Hospital Curry Cabral, em Lisboa, e ex director-geral da Autoridade para os Serviços de Sangue e de Transplantação

 
Dr. Guilherme de Macedo – Director do Serviço de Gastrenterologia do Hospital de São João, no Porto e professor na faculdade que aí funciona, além de ser actualmente o presidente da Sociedade Portuguesa para o Estudo do Fígado
 
Dr. Eduardo Mendes - Médico de família e actualmente director do Agrupamento de Centros de Saúde do Oeste-Sul
 
Dr. Jorge Daniel – Director do Programa de Transplantação Hepática do Hospital de Santo António, no Porto e também professor auxiliar da cadeira de Clínica Cirúrgica, no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar.


publicado por servicodesaude às 21:04
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Doenças do Fígado - Diagnóstico precoce de Hepatites, Cirroses e Tumores

Há um grande número de casos de doenças do fígado por diagnosticar em Portugal, hepatites e outras, ou seja, necessitamos de fazer uma detecção mais precoce e mais alargada.

 

Eduardo Mendes, médico de família, reconhece que é aos consultórios como o seu que os doentes primeiro chegam, pelo que os médicos de família devem estar alertados para a necessidade de fazerem um diagnóstico precoce e de avaliarem o funcionamento hepático dos doentes, sobretudo os de maior risco.
 
Quando são detectadas patologias os doentes devem ser encaminhados para especialistas nos hospitais centrais; os melhor apetrechados para o efeito, para despistar o que se passa.
A maior parte das doenças do fígado são silenciosas, mas “os médicos de família percebem quando é que há um grupo com comportamentos de risco, ou seja, abuso de álcool, de drogas ou com práticas sexuais pouco seguras e, sobre esses, deve exercer uma maior vigilância”.
 
Por outro lado, as próprias análises de rotina, embora não permitam um diagnóstico, “permitem pelo menos despistar algumas alterações da função hepática e alertar para a necessidade de investigar mais, o que pode passar pela biopsia hepática”.
 
Quando se encontram alterações da função hepática que não têm um carácter agudo e que têm o risco de se tornar crónicas, então o médico de família encaminha os doentes para um gastrenterologista ou hepatologista.
 
Consequências da detecção tardia
Guilherme Macedo, gastrenterologista e presidente da APEF (Associação Portuguesa para o Estudo do Fígado) diz que a maior parte das doenças do fígado, entre elas as hepatites víricas, ocorrem de forma muito discreta, “debaixo do pano”, silenciosamente, embora possam ser detectadas de forma muito fácil, se fossem pesquisadas.
 
Há análises, testes, relativamente simples e muito baratos - provas sanguíneas -, que permitem identificar se há um ou mais problemas no fígado. “O melhor truque é as pessoas não esperarem por nenhum sintoma: em relação às doenças de fígado não se deve esperar, deve-se procurar”, aconselha, por isso, o gastrenterologista.
 
A sobrecarga de peso, ou a obesidade, deve ser um critério para investigar porque é uma causa comum de alterações das provas do fígado.
 
Além disso, em Portugal, estima-se que existam cerca de 170 mil pessoas com hepatite C e cerca de 130 mil hepatites B. No caso da primeira, por exemplo, pensa-se que apenas um terço estará identificado. Ou seja, no caso da hepatite C, existirão cerca de 80 mil pessoas, com sinais discretos, mas que não sabem que têm a doença.
 
“Inflamação para nós é uma má notícia já que pode indicar a presença de um problema mais sério. Por isso o nosso grande objectivo é, em primeiro lugar, conseguir anular ou reduzir a inflamação. Em relação à obesidade, de facto a sobrecarga de peso provoca muitas vezes inflamação no fígado”.
 
Tal como os vírus das hepatites, que provocam inflamação crónica no fígado, uma cicatrização excessiva e a perda da função hepática, cria-se uma estrutura anormal – aquilo que se chama de fígado cirrótico – e que é favorável ao aparecimento de uma das complicações mais temíveis: o cancro do fígado.

 



publicado por servicodesaude às 20:06
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Doenças do Fígado - Funções do Fígado e Terapias diferenciadas

Eduardo Mendes, considera o fígado é "um órgão interessantíssimo; o nosso maior órgão, pesa cerca de um quilo e meio".

 

Algumas hepatites poderão ser tratadas apenas com anti-virais. Ao contrário de outros órgãos como o coração, o rim, ou o pulmão, o fígado não pode ser auxiliado pela tecnologia. Quando o fígado entra em falência, ou é substituído ou então é muito complicado.
 
O fígado tem mais de cinco mil funções; está incluído no sistema circulatório e recebe cerca de 25% do sangue que o nosso coração bombeia.
 
Quando tomamos um medicamento é muito difícil ser absorvido pelo organismo da forma como o tomamos. É absorvido e degradado no fígado; transforma-se em varias coisas e se calhar só duas ou três é que têm efeito terapêutico.
 
Por isso os médicos aconselham a não tomar bebidas alcoólicas com medicamentos. “Há uma sobrecarga hepática com o medicamento e se o tomamos com álcool a sobrecarga é ainda muito maior. Para além disso, a absorção do medicamento também é menor e mais lenta", explica Eduardo Mendes.
 
O médico de família adianta que "o fígado também é o órgão do nosso corpo que mais facilmente se regenera. E por isso é que pode ser transportado aos bocados, não é preciso transplantá-lo por inteiro".
 
É também o caso da hepatite A, que se cura normalmente sem nenhum tratamento específico.
Há, aliás, muitas doenças hepáticas que têm cursos benignos. Existem outras, contudo, que exigem formas terapêuticas extremamente agressivas, como é o caso do transplante.


publicado por servicodesaude às 19:15
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Doenças do Fígado - Transplante Hepático e Doação em Portugal

Quando as técnicas terapêuticas não chegam e a pessoa está em risco de vida, é necessário fazer um transplante; transplante que se faz com grande êxito em Portugal. Da mesma forma, também se pode afirmar que a doação é um sucesso devido ao elevado número de dadores entre nós.

 

Questionado sobre a existência de doentes que morrem por falta de dador, em Portugal, Eduardo Barroso, cirurgião e director do Centro Hepatobiliopancreático e de Transplantação do Hospital Curry Cabral, em Lisboa, admite que sim, já que “os dadores nunca são em número suficiente em parte nenhuma do mundo”. No entanto, reconhece, “temos um suplemento de fígados que os outros países não têm”.
 
"Nos últimos dois anos fizemos uma média de 130, 140 transplantes, mas 40 ou 50 desses transplantes foram feitos com fígados de doentes com Paramiloidose que, amavelmente, os cederam. Esta foi uma ideia do Dr. Linhares Furtado, que iniciou esta técnica de transplante sequencial em Portugal.
 
Pedro Magalhães Ribeiro representa uma das associações ligadas ao fígado, neste caso, “Um Fígado pela Vida”, e pertence ao núcleo dirigente da Associação Portuguesa de Paramiloidose (doença dos Pezinhos).
 
"Herdei a doença através do meu pai. Os primeiros sintomas, por volta dos 30 anos, foram os de um doente com Paramiloidose, ou seja, perca de sensibilidade, perda de peso, perda de força muscular e arritmias. Tive a felicidade de ser um desses doentes. De ser dador e também receptor".
 
Pedro Magalhães Ribeiro Admite que passou uma fase de negação da doença e alerta as pessoas para que quando detectem os primeiros sinais se desloquem ao médico para efectuarem o diagnóstico.


publicado por servicodesaude às 18:21
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Doenças do Fígado - Perfil e acompanhamento psicológico do doente

Jorge Daniel, cirurgião, fala sobre a doente abordada na reportagem: "Tem 19 anos e até há dois meses era absolutamente saudável. É portadora duma doença genética associada a um cromossoma, o 13; doença esperada na população portuguesa com uma incidência de um para 30 mil".

 

A doença foi detectada através de análises sanguíneas. Normalmente, evolui para cirrose ou então para uma insuficiência hepática aguda; o fígado entra em falência.
 
Nestes casos há um apelo a nível nacional para encontrar um fígado: "Esta paciente entrou em contacto connosco no Hospital de Santo António 48 horas antes de ser transplantada. O apoio psicológico é fundamental e irá acontecer agora no pós-operatório. Esta paciente tem uma rede social, composta pelos pais e esse apoio social e psicológico é muito importante nestes doentes, nomeadamente no pré-transplante".
.
Eduardo Barroso, cirurgião e co-autor da "Abordagem Psiquiátrica do Doente Transplantado", salienta que "é obrigatório, para que muitos dos doentes possam entrar numa lista activa, que tenham o aval da pequena equipa constituída por uma psicóloga e por um psiquiatra, que se desloca ao Curry Cabral três vezes por semana".
 
"Procura-se avaliar a capacidade do doente cumprir escrupulosamente a medicação no pós-operatório, nomeadamente os imunodepressores que se seguem à operação".
 
O transplante hepático é uma operação cara`(custa cerca de 100 mil euros ao Serviço Nacional de Saúde) e os órgãos são escassos, logo, por muito que sejamos generosos na doação em Portugal, vão sempre faltar órgãos para outros doentes.
 
Por exemplo, em relação aos alcoólicos, é exigido um determinado tempo de abstinência, para se ter a certeza que o doente não vai cair novamente nos factores de risco e perder o novo fígado.
 
Mesmo assim, a taxa de recaída do alcoolismo,  após a cirurgia de transplante hepático, é de cerca de 30%, o que continua a ser um número expressivo. "Temos que ter a certeza que a pessoa que vai receber o novo fígado o merece".
 
Jorge Daniel, director do Programa de Transplantação Hepática do Hospital de Santo António, no Porto, diz que neste hospital é traçado um perfil psicológico a quem vai receber o transplante.
 
"É importante porque o doente muda e torna-se mais fácil perceber como é que vai ser o seu comportamento perante as complicações hipotéticas no pós-operatório e ajudá-lo nesse sentido".


publicado por servicodesaude às 17:26
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Doenças do Fígado - Tumor nas Vias Biliares e Cirurgia (tel.)

Telefonema de Joana Brito, 26 anos, das Caldas da Rainha

A sua mãe com 58 anos está internada no hospital. Tinha pedra na vesícula e ao retirá-las foi detectado um tumor nas vias biliares. Deram-lhe três meses de vida porque o tumor já tinha alastrado, mas já passaram sete meses. Para além disso disseram-lhe que tinha o fígado obstruído.
A doente nunca bebeu álcool, sempre teve uma alimentação equilibrada. A filha gostava de saber se valeria a pena a mãe efectuar um transplante de fígado.
 
Eduardo Barroso diz que não se fazem transplantes por tumores malignos da vesícula (também está incluída nas vias biliares), nem das vias biliares extra-hepáticas: "O transplante não resulta porque as pessoas recidivam rapidamente. Portanto, neste caso, não está indicado o transplante".
 
No entanto, em certos casos de tumores nas vias biliares existem outras operações, sem ser o transplante, que podem ser feitas, mais uma vez "com grande sucesso, e com uma taxa de sobrevida até superior à do transplante, mas que devem ser feitas apenas em grandes hospitais - de referência -, porque são cirurgias muito mais complexas que o transplante", explica o cirurgião.
 
Só no ano passado, o Centro Hepatobiliopancreático e de Transplantação do Hospital Curry Cabral, em Lisboa, fez cerca de 300 cirurgias do fígado e das vias biliares, fora dos transplantes ao fígado, que foram 126. E fora as muitas cirurgias efectuadas ao pâncreas.
 
"Os centros de referência como o nosso permitem a discussão caso a caso, com todos os especialistas na mesma sala, ou seja uma equipa multidisciplinar com todas as valências e muita experiência", admite Eduardo Barroso.


publicado por servicodesaude às 16:53
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Doenças do Fígado - Hepatite C crónica e Biópsia (tel.)

Telefonema de José Ribeiro, 45 anos, de Viseu

Portador de Hepatite C crónica. No ano passado fez tratamento farmacológico, e teve várias oscilações da carga viral. Está a ser acompanhado no Curry Cabral e aguarda para fazer uma biopsia.

Foi-lhe dito pelo Dr. Rui Perdigoto, que o acompanha, que iria sair um novo tratamento em 2010 e não sabe se deve aguardar ou se deve partir para um transplante.
 
Guilherme de Macedo, gastrenterologista e director do Serviço de Gastrenterologia do Hospital de São João, no Porto, diz que o tratamento irá efectivamente sair, “resta saber é quem é que vão ser os candidatos e se há necessidade de serem candidatos”.
 
"Há tratamento, há cura para a Hepatite C mas, em alguns casos, significativos, alguns doentes não conseguem resolver essa infecção, não se consegue matar o vírus e acabar com a inflamação no fígado".
 
E acrescenta: "este é um exemplo paradigmático; em que há uma resposta parcial. A carga vírica baixa muito, mas passado algum tempo a infecção reaparece"
.
O médico relembra que se pode ter o vírus em circulação e nem sempre isso quer dizer que se tenha sempre o fígado muito doente. Daí muitas vezes haver a necessidade de fazer uma biopsia, para ver em que estado está o fígado, perceber o grau de inflamação e de cicatrização que já tem. Mas uma percentagem significativa dos doentes diagnosticados com Hepatite C, genotipo 1ou 3, com infecção resistente, têm grandes hipóteses de cura.
 
"A meu ver a possibilidade de transplantação não se põe neste caso; mas sim e apenas em situações terminais; quando não existe nenhuma outra possibilidade".
Este senhor ainda tem várias possibilidades de tratamentos antivíricos, nomeadamente com novas moléculas que estão a aparecer em todo o mundo e Portugal está perfeitamente actualizado nesta área", garante o gastrenterologista..
 
 

 



publicado por servicodesaude às 15:01
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Doenças do Fígado - Hepatite B e outras - Riscos, Prevenção e Tratamento

A Hepatite B é cerca de 100 vezes mais contagiosa do que a SIDA e, portanto, é muito importante falar-se de prevenção.

 
A maior parte das hepatites, aliás, são de carácter infeccioso e são hepatites por hepatotoxicidade: medicamentos, álcool e drogas que provocam uma grande toxicidade hepática.
 
"Os médicos conhecem esses fármacos e têm cuidado. Por exemplo quando há tratamentos prolongados com anti-fúngicos os doentes têm que ser acompanhados de perto", garante Eduardo Mendes. 
 
“É preciso prevenir as infecções por hepatite B e C e sabe-se que a primeira é cem vezes mais contagiosa que a SIDA e apanha-se da mesma maneira: através da partilha de sangue, objectos pessoais infectados, como seringas, lâminas, escovas de doentes.
Além disso transmite-se por via sexual; é hoje considerada uma DST (doença sexualmente transmissível), nomeia Eduardo Mendes, médico de família.
 
Mas hoje existe uma vacina que protege da hepatite B e ainda por cima está integrada no Plano Nacional de Vacinação.
 
A própria Hepatite A também se previne, muito pela higiene; através da lavagem dos alimentos e das mãos, porque também se transmite pela contaminação da água, alimentos e objectos.
 

 

Guilherme de Macedo, gastrenterologista, diz existir uma grande estigmatização da pessoa que tem hepatite, devido ao aspecto de transmissão sexual, e que esta deve ser desmontada:
 
“Quando alguém tem hepatite, pensa-se logo que terá tido algum comportamento sexual de risco. Ora a hepatite B, sobretudo na fase da infância pode ser assintomática e não ter nada a ver com o comportamento sexual. O perfil epidemiológico da Hepatite B em Portugal sugere que a doença é sobretudo adquirida na infância e não em adulto e quando acontece até são muito sintomáticas”.
 
O médico de família Eduardo Mendes coloca a questão de forma inversa: “A prevenção da hepatite B em Portugal, por via sexual, é determinante e o uso do preservativo é fundamental. Não só previne a Hepatite B, a SIDA como ainda o cancro do colo do útero”, sendo por isso obrigação dos médicos aconselhar o seu uso, diz.


publicado por servicodesaude às 14:19
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Doenças de Fígado - Cirroses, Tumores e Tratamento

Eduardo Barroso considera a Hepatite C um problema de saúde pública em Portugal. Até porque depois temos as cirroses e os tumores. "E os tumores do fígado gostam muito de cirroses".

 

Há outros tumores no fígado, contudo, muito mais frequentes, que são as metástases hepáticas – ramificações dos tumores primitivos – que, em relação ao cólon e ao recto, têm tratamento:

 
"Podem ser ramificações do tumor, no cólon e no recto, e por isso Eduardo Barroso pede: “por favor, referenciem-nos estes doentes porque em muitos casos têm solução e a única hipótese de viverem um longo tempo é fazerem estas operações”.
 
As regras oncológicas têm é que ser as correctas e não se devem fazer transfusões de sangue por norma, nestes casos já que, mais tarde, facilitam o reaparecimento dos tumores.
 
O cirurgião sublinha que “este tipo de intervenções devem ser feitas apenas em Centros de Referência, como o do Hospital Curry Cabral, "onde a taxa de sobrevida aos cinco anos é excelente e até melhor que as taxas europeias”.
 


publicado por servicodesaude às 13:26
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Terça-feira, 12 de Janeiro de 2010
Dependências - Introdução (por Maria Elisa Domingues)

Muitas famílias portuguesas debatem-se com problemas de álcool ou droga no seu agregado familiar. O consumo destas substâncias não afecta apenas os próprios, mas também os seus familiares e toda a sociedade, visto que o tratamento das doenças associadas a esses consumos – quando é possível – vai pesar, de forma brutal, no orçamento da Saúde. Sem contar com as vidas perdidas na estrada, pela violência provocada pelo álcool, nas capacidades, nas carreiras, nas esperanças destruídas pelo uso de drogas. O mesmo acontece com o tabaco, também ele na origem de muitas patologias e mortes.

 
Ainda na última semana, três pessoas apareceram mortas no distrito de Coimbra, pensa-se que devido a overdose. Se o consumo de heroína está a diminuir, o da cocaína, da cannabis e de outras drogas continua a crescer.
 
Mais aceite socialmente, o consumo de álcool causa no entanto estragos irreparáveis na nossa sociedade e desencadeia inúmeras doenças. O mais grave é que o seu consumo cresce junto dos mais jovens, às vezes perante o divertimento ou, pelo menos, a indiferença geral.
 
É destas dependências que vamos falar hoje.


publicado por servicodesaude às 23:46
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Dependências - Reportagem (resumo)

O álcool é o terceiro factor de risco e de morte prematura nos países europeus. E de todas as substâncias que causam dependência, o álcool é a mais socialmente aceite.

 
Ana Feijão, directora da Unidade de Alcoologia de Coimbra, chama atenção para o facto de que “se um pai souber que o seu filho fumou um charro, se calhar entra em pânico, mas se sair à noite e apanhar uma bebedeira, até pode comentar “já é crescidinho”.
 
Sem real consciência dos perigos do álcool, cada vez mais jovens começam a beber cada vez mais cedo.
 
De acordo com Ana Feijão, as estatísticas são claras: “Um em cada quatro jovens que morrem na União Europeia, entre os 15 e os 25 anos, morre de causas associadas ao álcool: em acidentes de viação, em cenas de violência – em brigas -, estando ainda muito ligado a doenças sexualmente transmissíveis e à gravidez não desejada, na adolescência.
 
Portugal é, por outro lado, dos países mais permissivos relativamente à legislação sobre o álcool. A venda de bebidas alcoólicas é permitida a jovens de 16 anos; isto no mesmo país onde só é permitida a venda de tabaco a maiores de 18.
 
A directora da Unidade de Alcoologia de Coimbra acrescenta que enquanto o consumo de vinho desceu; o consumo de cerveja aumentou imenso, mais de 400%. O mesmo aconteceu com o consumo de bebidas destiladas, tais como “shots”.
 
Nos adultos os consumos implicam uma desestruturação grande da vida; problemas laborais, familiares e sociais e pode levar ao aparecimento de problemas psiquiátricos.
 
Apesar de haver cada vez mais mulheres com problemas de álcool, os homens com idade média de 40 anos continuam a ser o maior grupo com dependência alcoólica. Mais de 60% são casados, cerca de 65% têm o 6º ano de escolaridade e a maior parte trabalha no sector secundário. Mais de 80% tem problemas laborais e familiares e cerca de 77% já estiveram envolvidos em acidentes de viação.
 
Existem cerca de 580 mil alcoólicos em Portugal. Segundo dados da APAV (Associação Portuguesa de Apoio à Vítima), 25% dos agressores no nosso país são dependentes de álcool. E segundo a Comissão de Protecção de Crianças e Jovens, nos processos relativos a agregados familiares, em 44% dos casos, ambos os progenitores são dependentes da bebida.
 
Outras estatísticas nacionais indicam que os jovens têm o seu primeiro contacto com a bebida aos 11 anos de idade. Já com outro tipo de drogas, o primeiro contacto costuma ser um pouco mais tarde.
Comparativamente ao álcool, as chamadas drogas psicoactivas afectam menos pessoas - cerca de 50 mil -, mas os problemas associados são, geralmente, mais complicados.
 
O consumo de substâncias psicoactivas ditas legais, como as benzodiazepinas, é também uma nova realidade do país. Não há grandes conflitos sociais associados e a fonte de abastecimento costuma ser a própria família.
Enquanto um consumidor de heroína precisa de 40 euros por dia; um consumidor de benzodiazepinas precisa de muito pouco, porque obtém as receitas através do Sistema Nacional de Saúde e com todos os descontos.
 
Apesar de tudo há redução de consumos nas populações mais jovens, nomeadamente o consumo de drogas injectáveis e a diminuição do VIH/SIDA, entre a população toxicodependente.


publicado por servicodesaude às 22:50
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Dependências - Apresentação dos Convidados

Dr. João Goulão – Presidente do Instituto da Droga e da Toxicodependência (IDT) e Coordenador Nacional da Luta Contra a Droga

 
Dr.ª Marta Pratas – Técnica do IDT, licenciada em Serviço Social, terapeuta e gestora dos doentes internados
 
Dr. Eduardo Mendes – Médico de família e, actualmente, director executivo do Agrupamento de Centros de Saúde do Oeste Sul
 
Prof. Domingos Neto – Psiquiatra, com uma tese de doutoramento sobre o tratamento das toxicodependências; foi director regional do Sul; do Centro de Estudos e Profilaxia da Droga e também director regional de Alcoologia de Lisboa e Vale do Tejo, até à integração do serviço no IDT.


publicado por servicodesaude às 21:00
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Dependências - Balanço do fenómeno da Droga em Portugal

Só numa semana morreram três pessoas no distrito de Coimbra, ao que se pensa, devido a overdose.

Para João Goulão, presidente do Instituto da Droga e da Toxicodependência (IDT), o problema da droga continua a ser central na sociedade portuguesa, mas enquanto há 10, 12 anos, os inquéritos de rua revelavam que o tema estava entre as preocupações centrais dos portugueses, actualmente o problema surge bem mais para baixo.
(As autoridades julgam que deverá haver alguma substância adulterada à venda em Coimbra, o que não quer dizer que o problema não exista).
 
Vivemos durante quase três décadas uma verdadeira epidemia relacionada com a heroína e com fenómenos de marginalidade e exclusão. Actualmente, João Goulão garante que “ao nível das substâncias ilícitas temos respostas relativamente eficazes ao nível do tratamento, da redução de danos, da prevenção e da reinserção social, que são satisfatórios e têm permitido avanços significativos nesta área”.
 
Algo que pode ser perverso, já que pode existir a tentação de desinvestir nesta área. “O fenómeno está longe de estar dominado; está apenas controlado”, explica o presidente do IDT.


publicado por servicodesaude às 20:02
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Dependências - Assumir a dependência do Álcool e procura de tratamento

Segundo Eduardo Mendes, médico de família, a questão central nas "dependências", de quaisquer substâncias, é o doente assumir que tem um problema: “Se isso não acontecer não é fácil iniciar-se um tratamento”.

 
Por vezes o marido, e mais frequentemente a mulher, queixa-se de problemas de alcoolismo na consulta com o médico de família, mas o marido nega. Há uma certa impotência para lidar com o problema e, por vezes, muita agressividade.
 
Por este motivo, Eduardo Mendes considera fundamental a atitude do médico de família: “Não pode ser, nem cauteloso de mais, nem precipitado, já que o pior que pode acontecer é a família perder o apoio do médico ou o doente deixar de vir à consulta”.
 
Existem 580 mil doentes alcoólicos em Portugal e 750 mil bebedores excessivos.
Para além disso, habitualmente existem policonsumos, ou seja, quem bebe em excesso também fuma, por exemplo..
 
Domingos Neto, psiquiatra, reconhece que muitas das pessoas não admitem a sua adição e, antes de as levar a admitir, parece ser necessário terem sofrido as consequências das atitudes que tomaram.
 “Muitos dos doentes alcoólicos só quando lhes cai literalmente a casa em cima é que decidem procurar ajuda e muitas vezes não assumem o tratamento. Ou só dois ou três meses depois de estarem em abstinência”.
 
O alcoolismo é uma doença com grandes implicações sociais, a começar pelo sofrimento provocado na mulher, nos filhos e nos pais, mas também aos empregadores e aos colegas…
 
“A família deve mobilizar-se para levar esta pessoa a tratar-se ou, em último caso, criarem medidas de segurança para si próprios”, admite o psiquiatra.


publicado por servicodesaude às 19:09
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Dependências - Consumo de Álcool pelos jovens e Plano de Redução governamental

Encontra-se em fase de aprovação governamental um Plano de Redução de Consumo de Álcool, que vem acrescentar algumas medidas, nomeadamente, vem propor a proibição do consumo de álcool, em locais públicos, a menores de 18 anos.

Neste momento estamos nos 16 anos, mas sabemos que o consumo se inicia por vezes muito antes, aos 14, 15, ou mesmo antes. Mas a revisão foi entregue ao Governo em Maio e ainda não foi transposta para lei.
 
João Goulão garante que a aprovação do plano, concebido pelo Instituto da Droga e da Toxicodependência, com outros parceiros, está “eminente”.
 
“O plano contempla a criação de uma rede de referenciação para tratamento de pessoas com problemas ligados ao álcool, envolvendo numa primeira linha os médicos de família e os centros de saúde. Depois, a rede contará também com todas as unidades ligadas ao IDT, as Unidades de Alcoologia – os antigos Centros Regionais de Alcoologia - e ainda gostaríamos de envolver as respostas da Saúde Mental, como os serviços de psiquiatria dos hospitais”, explica o presidente do Instituto da Droga e da Toxicodependência.
 
Relativamente à questão da idade, é sabido que quanto mais precoces são os consumos, maior a probabilidade de no futuro se desenvolver uma dependência. Do ponto de vista orgânico, os jovens não metabolizam o álcool da mesma forma que um adulto e, portanto, há o risco acrescido de desenvolvimento de doenças.
 
"Hhoje começamos a ver jovens com menos de 30 anos com cirroses hepáticas, doença anteriormente associada a pessoas na casa dos 50 ou 60 e tal anos”, acrescenta.
 
Nos últimos anos assistimos à alteração dos padrões de consumo do álcool: para além dos bebedores “clássicos”, da taberna, existem estes consumos muito precoces, em idades muito baixas, caracterizados por um consumo excessivo esporádico – muito ao fim de semana e ocasiões especiais -, intercalados por períodos de quase abstinência que, pela repetição, vão deixando marcas.
 
Domingos Neto, psiquiatra, adianta que “estes consumos são perigosos porque estão ligados a uma mortalidade muito forte, a relações sexuais não protegidas e a acidentes de viação; a principal causa de morte entre os jovens”.
 
O Brasil conseguiu impor uma espécie de “Lei Seca”, na opinião do psiquiatra, “porque a taxa de alcoolemia é zero e devido a uma grande mobilização nacional”. Os resultados ao nível da sinistralidade automóvel são espantosos; uma redução em cerca de 40%.
 
“Porque é que não funciona em Portugal? Eu diria que tem a ver com a brandura dos nossos costumes e da tradição de estarmos colocados em oitavo, nono ou décimo lugar, entre os países que mais consomem álcool globalmente”.
 
“Quando se fala do Plano de Redução do Álcool que o IDT pretende implementar, e da possibilidade de beber apenas a partir dos 18 anos, o problema é que o governo ainda não regulamentou o anterior, o Plano Nacional de Luta Contra o Alcoolismo. E continua-se a beber antes dos 16 anos nas discotecas e em todo o lado, o que é muito grave”, acusa Domingos Neto.
 
“Não há muita, nem pouca fiscalização; diria que não há nenhuma. E pode haver danos irreparáveis para o desenvolvimento, tendo em conta que o cérebro na adolescência não está completamente formado”, conclui.


publicado por servicodesaude às 18:20
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Dependências - Doente alcoólico que recusa tratamento

Marta Pratas, presidente dos "Alcoólicos Anónimos", diz que quando há um doente alcoólico, toda a família padece do mesmo problema. A família é um sistema e basta alguma das peças se alterar para todo o sistema se alterar.  "Às vezes até é necessário recebermos outras pessoas antes do próprio, para trabalharmos a sua firmeza perante o doente e para se ajudarem a elas próprias".

 
Domingos Neto é da opinião que os internamentos compulsivos não são indicados nestes casos, a não ser em situações muito extremas. E explica: "Existem antagonistas que podem ser tomados e que fazem a pessoa sentir-se mal quando bebe álcool".
 
O psiquiatra aponta as elevadas taxas de abstinência que este tipo de medicação permite; a rondar os 30%, embora esclareça que os fármacos têm que ser dados com ética: "Não podem ser postos na sopa do doente; ele tem que saber exactamente o que está a tomar e assinar um consentimento informado".
 
O álcool é responsável por 7,4% das incapacidades e mortes prematuras na União Europeia. E Portugal ocupa o oitavo lugar a nível mundial, com uma média de 9,6 litros per capita/ano, quando a meta da Organização Mundial de Saúde, até 2015, pretende fazer recuar esse número até aos seis litros per capita/ano.
 
João Goulão diz que "para além do caminho a percorrer, seria bom, para já, se fosse possível inverter a tendência de aumento para oito litros até 2012, no nosso país".


publicado por servicodesaude às 17:37
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Dependências - Política dos CATUS e toxicodependência (tel)

Perante a questão, colocada por um telespectador, da necessidade de dotar  os CATUS de uma maior agilidade - uma vez que os doentes têm que esperar três a quatro semanas por uma consulta -, o presidente do Instituto da Droga e da Toxicodependência reconheceu que o acesso é um pouco desigual a nível nacional. Mas avançou: "É difícil encontrar outra especialidade mais célere. E o tempo médio de espera por uma consulta ronda as duas semanas", afirmou João Goulão.

 
O mesmo telespectador referiu ainda que, após a consulta, lhe terá sido sugerido a toma de metadona como terapia de substituição, tendo o internamento apenas sido aconselhado passados quatro anos.
 
A este respeito, o presidente do Instituto da Droga e da Toxicodependência clarificou que "em 2008, encontravam-se em tratamento cerca de 38 mil doentes nas estruturas do IDT: cerca de 50 e tal por cento estavam em terapia de substituição; os outros 40 e pouco, em tratamentos chamados “livres de drogas”.


publicado por servicodesaude às 16:41
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Dependências - Riscos associados ao consumo de Álcool pelos jovens

Os jovens bebem muitas vezes por questões de integração, para socializarem, o que já acontecia antes. Hoje, contudo, de acordo com Eduardo Mendes, médico de família, o fenómeno adquiriu características distintas.

 

“Bebem muito, num curto espaço de tempo e álcool de péssima qualidade, o que agrava significativamente os danos físicos e metabólicos dos jovens que, fisicamente, são ainda imaturos”.

 
Além disso, tem-se verificado um consumo acrescido da cerveja que, a partir dos anos 80, entrou com enorme força no nosso mercado. E regista-se mesmo, um certo “orgulho” em consumir a bebida em doses enormes, aos fins-de-semana e em certos eventos, nomeadamente, nas Queimas das Fitas, em várias localidades do país.
 
Domingos Neto reforça a gravidade do fenómeno, esclarecendo os números existentes em Portugal relativos ao consumo de álcool: “os portugueses consomem em média cerca de 96 litros de vinho por ano e cerca de 200 litros de cerveja”.
 
O psiquiatra explica que, enquanto algumas pessoas bebem moderadamente, para outros o álcool é uma droga extremamente perigosa, não se escusando a dizer que “talvez mesmo mais perigosa do que todas as drogas ilícitas juntas”.
 
Neste capítulo, os meios de comunicação social não têm ajudado muito. Ou porque associam o consumo de álcool a um certo poder de atracção ou por falta de eficácia das campanhas de sensibilização.
 
“As campanhas estão muito mais desenvolvidas relativamente ao tabaco do que ao álcool, em que há uma unanimidade social muito maior. O álcool ainda anda envolvido numa espécie de manta de retalhos de interesses”, reconhece.
 
João Goulão concorda que ainda existe uma grande complacência social relativamente ao consumo do álcool. E se no caso da droga as responsabilidades encontram-se concentradas, por exemplo, na figura do presidente do IDT, relativamente ao álcool essa figura ainda não existe. Logo, também não existe uma fiscalização efectiva.
 
A Declaração de Estocolmo de 2001, sobre jovens e álcool, diz explicitamente que “as politicas de saúde sobre álcool devem ser formuladas com base no interesse da Saúde Pública e sem a interferência de interesses comerciais”.
 
E João Goulão diz ter consciência de que haverá um momento em que os interesses se revelarão antagónicos. "Aumentar a idade mínima legal para o consumo de álcool dos 16 para os 18 anos só é possível havendo fiscalização e sabemos que vai ser difícil porque mexe com vários interesses”.


publicado por servicodesaude às 15:56
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Dependências - Consumo de Álcool na Queima das Fitas

Eduardo Mendes admite que o consumo de álcool em Portugal é uma questão cultural muito forte e que tem que ser tida em conta na formação dos jovens.

 
"Em muitos locais do país, as crianças ainda vão para a escola meio alcoolizadas porque ingerem as célebres "sopas de cavalo cansado" ao pequeno-almoço. E mesmo nos meios mais cultos, como o dos jovens universitários, bebem-se quantidades astronómicas de álcool, por exemplo, durante os nove dias em que decorre a Queima das Fitas".
 
Irma Brito, doutorada em Ciências da Enfermagem e especialista em Saúde Comunitária, iniciou e coordena o programa “Antes que te Queimes”, que antecede a Queima das Fitas em Coimbra. O programa surgiu em 2006, por iniciativa de jovens e para jovens, razão pela qual "está a ser bem recebido", diz a enfermeira..
 
O programa baseia-se em mensagens de rua e no aconselhamento que é feito durante as festas académicas: "Estes jovens são como os outros: uns bebem mais, outros menos, mas receberam formação para se dirigirem aos seus pares em contexto recreativo e tentam passar uma mensagem do género: “sabes o que estás a fazer?”, "devias agir com responsabilidade".
 
Este projecto de investigação/acção tem como parceria o Governo Civil de Coimbra, a Administração Regional de Saúde de Coimbra, o Instituto da Droga e da Toxicodependência e a Comissão de Queima das Fitas.
 
Foi mobilizado um espaço em que é possível efectuar a medição da alcoolemia. Antes, é perguntado aos jovens quanto é que ingeriram e como podem chegar ao cálculo da mesma. São também prestados conselhos, como por exemplo, “se beberes água entre as bebidas alcoólicas, não ficas tão alcoolizado e reduzes o número de vezes que vais à casa-de-banho".
Para quem bebeu efectivamente demais, é assegurado transporte para o regresso a casa ou prestados os primeiros socorros.
 


publicado por servicodesaude às 14:21
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Dependências - CATUS ou Unidades de Tratamento para Toxicodependentes e Alcoólicos (tel.)

Telefonema de José Teixeira, 43 anos, ex-toxicodependente, de Guimarães:

Gostava de saber qual o papel dos CATUS. Está abstinente de drogas já há quatro anos, mas tratou-se numa Instituição Particular de Solidariedade Social.
A sua principal preocupação é ver os jovens a sair e a recair na droga, em parte porque ficam rotulados de "drogados" e a sociedade não lhes dá uma segunda chance.
 
João Goulão diz que os CATUS eram centros de atendimento a toxicodependentes. A partir do momento em que o Instituto da Droga e da Toxicodependência (IDT) passou a ter responsabilidades, também na área do álcool, o nome alterou para Unidades de Tratamento.
 
Estas Unidades de Tratamento são a porta de entrada para o sistema e é aí que os doentes são acompanhados em ambulatório. Funcionam como centros de saúde, onde são prestados cuidados médicos, psicológicos, psiquiátricos e psicosociais.
 
"Hoje, há uma panóplia alargada de respostas, entre as quais terapêuticas de substituição, medicamentosas, ou não", explica o presidente do IDT.
 
Para além disso, estas Unidades de Tratamento constituem também a porta de entrada para sistemas convencionados de Unidades de Desabituação e de Comunidades Terapêuticas.
 
"Temos uma Rede de Comunidades Terapêuticas com um total de 1200 camas, em que os custos do internamento são suportados em 80% pelo Estado. Os 20% residuais ficam a cargo da família ou do toxicodependente. Em caso de insolvência, podem ainda ser suportados pela Segurança Social", esclarece João Goulão..


publicado por servicodesaude às 12:47
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Segunda-feira, 11 de Janeiro de 2010
Gripe A - DGS avalia campanha de vacinação (5 Janeiro)

A Direcção-Geral de Saúde fez a avaliação da campanha de vacinação contra a gripe A, no dia 5 de Janeiro de 2010, desde que esta teve início a 26 de Outubro de 2009.

 

Em comunicado, a DGS refere que "foram distribuídas pelos serviços de saúde 470.000 doses de vacinas no Continente e Regiões Autónomas. Até 5 de Janeiro do ano em curso foram administradas, na rede de agrupamentos de centros de saúde, 261.129 vacinas correspondentes à imunização de 247.499 cidadãos, uma vez que foram administradas 13.630 segundas doses a crianças de idade inferior a 10 anos e a doentes imunodeprimidos".
 
A DGS estima ainda que "tendo em atenção as vacinas administradas nos hospitais e a outros grupos profissionais, que o total de pessoas vacinadas seja de 320.000,
das quais 73.750 crianças até aos 12 anos de idade. Foram, assim, utilizadas, no Continente, 67% das doses (0,5 ml) disponíveis nos serviços".
 (Fonte: Direcção-Geral de Saúde)

 


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publicado por servicodesaude às 11:15
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Domingo, 10 de Janeiro de 2010
Gripe A - Vários países europeus querem livrar-se do excesso de vacinas

A Suiça comprou 13 milhões de doses. Agora uma parte deverá ser doada ou vendida ao exterior, a outra será mantida em stock para uma eventual próxima pandemia.

Da mesma forma, a França anunciou na passada segunda-feira que cancelaria a compra de 50 milhões das 94 milhões de doses que havia encomendado.

Inicialmente, o país tinha previsto gastar 869 milhões de euros com 94 milhões de doses da vacina, estimando que cada cidadão receberia duas doses. Mas apenas 5 milhões dos 65 milhões de franceses se vacinaram, e as autoridades europeias de saúde disseram que uma dose é suficiente.

Paris seguiu decisões semelhantes tomadas no mês passado pela Suíça, Espanha, Alemanha e Holanda de reavaliar as encomendas de vacinas que haviam feito no início da pandemia.

A Suíça, que tem uma população de 7,7 milhões de habitantes, encomendou 13 milhões de doses de vacina da britânica GlaxoSmithKline (GSK) e da empresa nacional Novartis, no valor de 84 milhões de francos.

Apenas 3 milhões de doses foram enviadas aos estados. A Secretaria Federal de Saúde (SFS) ainda não sabe quantas foram usadas. Algumas autoridades estaduais falam de índices de vacinação entre 15 e 30% da população (no cantão de Berna, por exemplo, 13 a 15%).

Em Dezembro, o governo disse que planejava doar à Organização Mundial da Saúde (OMS) ou vender a outros países cerca de 4,5 milhões de doses excedentes da vacina contra a gripe A, devido à pouca procura pela população.

"Estão em curso negociações com vista à venda ou doação dos nossos stocks", disse o porta-voz da SFS, Jean-Louis Zurcher, à swissinfo.ch.

Zurcher não revelou que países estariam interessados e não confirmou se a Suíça, como a França e a Alemanha, negocia com empresas farmacêuticas o cancelamento de pedidos ou a devolução das vacinas excedentes.

"Muito dinheiro foi investido nas vacinas, mas a situação de pandemia poderia ter sido muito pior", acrescentou.
 
Cancelamentos
A Alemanha também está a tentar dispensar os excedentes e renegociar as encomendas feitas durante a fase inicial da onda de gripe A(H1N1). Na quinta-feira passada, Berlim começou a negociar com a GSK um corte de metade das 50 milhões de doses da vacina Pandemrix encomendadas.

A Holanda já tinha anunciado em Novembro que iria vender 19 milhões das 34 milhões de doses encomendadas.

A Espanha tenta devolver vacinas não utilizadas, argumentando que seus contratos com a Novartis (22 milhões de doses), a GSK (14,7 milhões) e a Sanofi-Aventis (400 mil) incluem cláusulas que permitem a devolução de excedentes.

Um porta-voz do Ministério da Saúde britânico disse à agência France Presse, no domingo, que seu país também considera a possibilidade de vender as vacinas não utilizadas.
 
Mina de ouro
Diante disso, os analistas estão cada vez mais pessimistas quanto à receita dos fabricantes de vacinas e as perspectivas de lucros com a pandemia da gripe A(H1N1), que já era considerada uma mina de ouro do sector.

As vendas de vacinas contra o vírus H1N1 tem sido uma benção para as empresas farmacêuticas. A GSK poderá ser a maior beneficiária, com vendas previstas no valor 3,7 bilhões de francos até o final do primeiro trimestre de 2010, segundo analistas. A Sanofi e a Novartis previram lucros estimados em 1,1 bilhão e 628 milhões de francos, respectivamente.

Os últimos cancelamentos de pedidos na Europa podem reduzir esses números. Mas um porta-voz da Sanofi disse que sua empresa deverá compensar a queda de vendas na França com encomendas de outras partes do mundo.

A Glaxo recusou-se a comentar o eventual impacto comercial das últimas decisões, mas um porta-voz disse que o grupo britânico estava a discutir as encomendas com os governos.

"A Novartis irá avaliar caso a caso os pedidos dos governos, no âmbito dos acordos contratuais que consideramos vinculativos", disse Eric Althoff, director de relações com a mídia da gigante farmacêutica suíça.
 
"Fiasco extravagante"
A decisão do governo francês veio depois de fortes críticas de políticos e cientistas. O Partido Socialista, na oposição, descreveu a campanha nacional francesa como um fiasco "extravagante" e exigiu uma investigação parlamentar.

Países-membros do Conselho da Europa avaliam a possibilidade de criar uma comissão de inquérito para analisar a influência das empresas farmacêuticas sobre a campanha global da gripe A.

A campanha da " falsa pandemia" da gripe, encenada pela Organização Mundial da Saúde e outros institutos em benefício da indústria farmacêutica, foi "um dos maiores escândalos da medicina no século", disse o médico alemão Wolfgang Wodarg, presidente da Comissão de Saúde Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, que apresentou a proposta a ser debatida em 25 de Janeiro.

(Fonte: Swissinfo.ch)
 

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publicado por servicodesaude às 11:02
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Sábado, 9 de Janeiro de 2010
Gripe A - Conselho da Europa debate possibilidade das farmacêuticas terem fomentado o pânico

A gripe A (H1N1) já fez 83 vítimas mortais em Portugal. A Direcção-geral de Saúde (DGS) revelou ontem que nos dois últimos dias houve mais duas mortes: duas mulheres, de 43 e 51 anos, ambas com factores de risco. Mesmo assim, comparando com outros anos, a mortalidade continua abaixo do esperado para época de gripe.

 
No entanto, o Centro Europeu para Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC) alertou ontem que a redução da onda da pandemia de gripe A provavelmente será seguida por novas e ainda desconhecidas variedades da gripe sazonal.
 
"O padrão histórico das gripes humanas é que depois das pandemias, o mundo passa por uma nova mistura de vírus", escreveu o especialista Angus Nicoll, na revista Eurosurveillance.
Além disso, lembra que nas pandemias de 1957/58 e 1969/70 a transmissão abrandou no Natal e recomeçou no ano seguinte. Por isso, aconselha os países a não baixarem as defesas.
 
Entretanto, um grupo de parlamentares do Conselho da Europa propôs uma investigação à suposta pressão exercida pelas companhias farmacêuticas sobre os países para que comprassem vacinas contra a gripe A, disse ontem uma porta-voz do Executivo comunitário. A iniciativa, que será debatida em Estrasburgo, afirma que as farmacêuticas "influenciaram os cientistas e organismos oficiais" para alarmar os Governos, com vista a promover as suas vacinas e medicamentos contra a nova gripe, diz a agência EFE.
 
Segundo o último balanço da Organização Mundial de Saúde (OMS), a pandemia causou pelo menos 12 799 mortes em todo o mundo, desde que surgiu no México na Primavera de 2009. A OMS assinala que o vírus "actualmente está mais activo" na Europa central, de Leste e Sudeste, no Norte de África e no Sul da Ásia.
 
A OMS considerou também a que os países do Hemisfério Sul atingidos pela gripe H1N1 no ano passado estão agora bem protegidos contra novas infecções, devido à imunidade adquirida na primeira onda.
 

(Fonte: Diário de Notícias)

 
 
 
 

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publicado por servicodesaude às 10:54
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Sexta-feira, 8 de Janeiro de 2010
Gripe A - Disponíveis 150 mil doses para vacinação

Portugal recebeu apenas metade do milhão de vacinas contratado até fim de Dezembro.

Das 470 mil doses de vacinas contra a gripe A recebidas por Portugal tinham sido administradas até ao passado dia 5 cerca de 320 mil. A Direcção-Geral de Saúde continua a apelar às pessoas para que se imunizem, em especial às grávidas e doentes crónicos.
 
"Estamos longe do que queríamos atingir" em termos de cobertura vacinal contra o vírus H1N1, admitiu ontem a subdirectora-geral de Saúde, ao fazer o balanço da imunização iniciada no final de Outubro. Graça Freitas congratulou-se, contudo, com a afluência de crianças em idade escolar nos últimos dias de Dezembro: a 29 e 30 foram aplicadas dez mil doses nos centros de saúde.
O director-geral de Saúde, Francisco George, atribui a menor procura da vacina face ao esperado ao facto de a actividade gripal não ter sido intensa neste Outono e Inverno.
 
Vírus não desaparece
Há tendência para que este seja o vírus dominante na outra estação. Diz Graça Freitas: "Mesmo que a actividade gripal desapareça, isso não acontece com o vírus". Aliás, segundo Francisco George, "a estirpe do vírus dominante é a nova, tendo-se registado um eclipse das outras estirpes de gripe que circulavam". É, assim, de prever que a gripe sazonal do próximo Outono/Inverno seja de H1N1. Tal previsão assenta também na observação do que se passou no Hemisfério Sul, para cuja estação fria a vacina sazonal já inclui a nova estirpe.
 
As contas da Direcção-geral de Saúde relativas ao território continental indicam que as mais de 261 mil doses aplicadas imunizaram cerca de 247 mil pessoas. A diferença de números explica-se pelo uso de duas doses a 13.650 crianças e doentes imunodeprimidos. A DGS faz subir o número de 247 mil pessoas para 320 mil ao estimar que houve vacinas aplicadas nos hospitais, nomeadamente a médicos e enfermeiros.
 
Muito em breve (uma a duas semanas), anunciou ontem Francisco George, a Comissão Técnica de Vacinação alargará o critério de imunização a jovens adultos sem patologias, dado ser este um grupo em que a incidência da gripe A é elevada, acarretando por vezes complicações sérias. Mas a preocupação maior centra-se nas grávidas. Graça Freitas voltou a apelar a que elas se vacinem. A DGS não possui, no entanto, números quanto à taxa de vacinação das grávidas (nem dos profissionais de saúde), dado que eles não são incluídos no sistema informático automático do Ministério.
 
Ontem, na conferência de imprensa convocada pelos dois responsáveis pela Direcção-geral de Saúde, Francisco George garantiu que "Portugal não tem excesso de vacinas" nem irá ter. Recorde-se que foram encomendados três milhões de vacinas (que incluiam duas doses, para 30% da população que se estima ter problemas crónicos). Esses três milhões acabam por valer por cerca de seis milhões, dado ter sido provado entretanto que para a maioria das pessoas a imunizar uma dose bastaria. George diz que o caso de França, que se apresta a vender parte das reservas, é diferente, na medida em que encomendou vacinas para 75% da sua população. O fármaco tem prazo de validade de dois a três anos.
(Fonte: Jornal de Notícias)

 


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publicado por servicodesaude às 18:44
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Quinta-feira, 7 de Janeiro de 2010
Gripe A - Já foram vacinados 320 mil portugueses

Cerca de 320 mil portugueses foram vacinados contra a gripe A, dos quais 74 mil foram crianças. O balanço foi feito esta manhã, quinta-feira, pelo director-geral da Saúde, Francisco George.

 

Portugal recebeu até agora 470 mil dos seis milhões de doses de vacinas para a gripe A (H1N1) encomendadas, cerca de 67 % das quais foram administradas, anunciou Francisco George.
 
Os dados da campanha de vacinação indicam que até 5 de Janeiro foram administradas na rede de agrupamentos de centros de saúde 261 129 vacinas, correspondentes à imunização de 247 499 cidadãos, uma vez que foram dadas 13 630 segundas doses a crianças de idade inferior a 10 anos e a doentes imuno-deprimidos. No grupo C, foram vacinadas 73 750 crianças até aos 12 anos.
 
Francisco George estimou que o total de pessoas vacinadas seja de 320 mil, tendo em conta as vacinas administradas nos hospitais e a outros grupos profissionais. Agora, anuncia que dentro de uma a duas semanas poderá ser alargada a vacinação a outros grupos, de acordo com as propostas formuladas pela Comissão Técnica de Vacinação.
 
Até agora estava prevista a chegada de um milhão de doses, mas apenas chegaram 470 mil. A DGS deverá reunir-se hoje com o laboratório que fornece as vacinas para definir o plano de entregas para o início do ano.
 
“Portugal não tem excesso de vacinas”, disse o director-geral de Saúde. "Teríamos excesso se tivéssemos encomendado vacinas para 100% da população”, detalhou Francisco George. França, que cancelou uma segunda encomenda de 50 milhões de vacinas, Alemanha e Holanda estão a vender já o excendente de vacinas para a Gripe A, dada fraca adesão das pessoas à vacinação.
 
Também presente na conferência de imprensa, a sub-directora-geral da Saúde, Graça Freitas, lamentou que as grávidas continuem a ser o grupo que menos tem aderido à vacinação.

(Fonte: Jornal de Notícias)


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publicado por servicodesaude às 15:58
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Gripe A - Número de Óbitos sobe para 81 em Portugal

                               

Fonte: Direcção-geral de Saúde:

Número de óbitos, sexo, idade, data em que foi reportada a ocorrência, factores de risco, local do óbito

                                                                                       

78
M
48
02-Jan
Sim
ARS Algarve
79
M
78
05-Jan
Sim
ARS Norte
80
M
57
04-Jan
Sim
ARS Centro
81
M
73
02-Jan
Sim
ARS Lisboa e Vale do Tejo


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publicado por servicodesaude às 12:27
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Quarta-feira, 6 de Janeiro de 2010
Gripe A: Ponto da situação da DGS - Vítimas ascendem a 78 (6 de Janeiro)

Na semana de 28 de Dezembro a 3 de Janeiro de 2010, foram observados nos serviços de saúde 4.811 doentes com sintomas de gripe, independentemente da confirmação laboratorial dos vírus em causa.

 

Neste período, verificou‐se uma desaceleração no que se refere ao número de novos casos.
A distribuição da gripe estendeu‐se a quase todo o território do Continente, mantendo‐se, no entanto, heterogénea.
 
No último dia da semana em referência (domingo), estavam internados 73 doentes, dos quais 18 em Unidades de Cuidados Intensivos. No mesmo período registaram‐se 6 óbitos, sendo de 78 o total acumulado de óbitos (este total contabiliza 3 óbitos ocorridos na 52ª semana mas reportados na 53ª).
 
Nesta semana não foram notificados clusters em escolas.
 

(Fonte: Direcção-Geral de Saúde)


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Segunda-feira, 4 de Janeiro de 2010
Gripe A - DGS - Até agora 71 óbitos confirmados em Portugal


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publicado por servicodesaude às 11:16
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Quarta-feira, 30 de Dezembro de 2009
Gripe A - DGS confirma diminuição do número de novos casos

Na semana de 21 a 27 de Dezembro, foram observados nos serviços de saúde 6.419 doentes com sintomas de gripe, independentemente da confirmação laboratorial dos vírus em causa.

Neste quadro, registou‐se uma diminuição no que se refere ao número de casos novos, mantendo‐se a tendência de maior incidência em indivíduos menores de 30 anos. Em resultado desta situação a procura de serviços de saúde diminuiu de forma regular durante todos os dias da semana.
A distribuição da gripe continua a estender‐se a quase todo o território do Continente, sendo, no entanto, heterogénea.
Na semana em análise, estiveram internados 58 doentes, dos quais 20 em Unidades de Cuidados Intensivos. No mesmo período, registaram‐se 7 óbitos, sendo 69 o total acumulado de óbitos.
No que se refere aos clusters (focos) em escolas, registou‐se um total nacional de 10, todos eles registados em estabelecimentos de ensino da Região Autónoma da Madeira.
 
(Fonte: Direcção Geral de Saúde / 30 Dezembro)
 

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publicado por servicodesaude às 11:20
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Quarta-feira, 23 de Dezembro de 2009
Gripe A - DGS -Tabela de óbitos ascende a 58 vítimas - 23 Dezembro

De acordo com a Tabela de Óbitos hoje actualizada pela Direcção-Geral da Saúde (DGS), faleceram até ao momento 58 pessoas vítimas de gripe A em Portugal.

 

As últimas sete mortes reportadas pela DGS dizem respeito a três homens, com 57, 63 e 64 anos; a três mulheres, com 54 anos (sem factores de risco associados), 57 e 70 anos e, ainda, a um jovem de 14 anos que faleceu na Região Autónoma dos Açores e que possuía factores de risco associados.

(Fonte: Direcção-Geral da Saúde)


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publicado por servicodesaude às 15:38
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Gripe A - Governo dos Açores abre inquérito à morte de jovem de 17 anos

Conforme a nota ontem divulgada pela secretaria da Saúde, o jovem já tinha sido observado no Hospital de Angra do Heroísmo, e mandado para casa, na passada sexta-feira, tendo falecido quatro dias depois.

A directora-regional da Saúde, Sofia Duarte, diz que o inquérito nada tem a ver com o facto do jovem ter sido mandado de volta para casa: "o inquérito é, apenas, um procedimento normal nestes casos", afirmou a governante.

O Governo abriu um inquérito mas não tem dúvidas sobre o procedimento correcto, adoptado pelos médicos do Hospital de Angra do Heroísmo.

O certo é que o referido jovem deu entrada ontem, já sem vida, no Serviço de Urgência do Centro de Saúde da cidade da Praia da Vitória.

Para além da Gripe A, o jovem de 17 anos de idade "sofria de uma condição clínica debilitante", lê-se no comunicado da Secretaria Regional da Saúde.
(Fonte: RTP e Carlos Tavares com Redacção da Antena 1 / Açores)

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publicado por servicodesaude às 15:34
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Segunda-feira, 21 de Dezembro de 2009
Gripe A - EMEA e Infarmed reafirmam os benefícios da vacina e do Tamiflu comparativamente aos riscos da pandemia

Actualização da informação relativa aos medicamentos usados na pandemia da gripe

Circular Informativa N.º 241/CD Data: 2009-12-18

Para: Público e Profissionais de Saúde

Contacto no INFARMED: Centro de Informação do Medicamento e dos Produtos de Saúde (CIMI); Linha do Medicamento - 800 222 444; Tel. 21 798 7373 Fax: 21 798 7107; E-mail: cimi@infarmed.pt

A Agência Europeia de Medicamentos (EMA) reviu os dados relativos às vacinas contra a gripe pandémica (Celvapan, Focetria e Pandemrix) e ao medicamento antiviral Tamiflu. Até à data, cerca de 26 milhões de pessoas foram vacinadas na União Europeia e cerca de 13 milhões de pessoas tomaram Tamiflu a nível mundial.
Na sequência dessa avaliação, considera-se importante salientar o seguinte:

1. Os benefícios destes medicamentos (vacinas e Tamiflu) continuam a ser superior aos riscos no contexto da pandemia da gripe pelo vírus H1N1.

2. A vacina deve continuar a ser administrada de acordo com o esquema recomendado pela Direcção-Geral da Saúde, ou seja, uma dose da vacina é suficiente para a imunização de adolescentes e adultos.

3. A segurança da vacina mantém-se, sendo que a maioria das reacções adversas reportadas têm sido as expectáveis, não graves e de evolução benigna.
Conforme habitual, o Infarmed continuará a acompanhar, e a divulgar, todas as informações pertinentes relativas a esta matéria.
(Fonte: Direcção-Geral da Saúde)

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publicado por servicodesaude às 18:31
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Gripe A - OMS - Já morreram 10.582 pessoas a nível mundial. Transmissão do vírus continua na Europa

De acordo com o último comunicado emitido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a 18 de Dezembro, mais de 208 países e territórios ou comunidades ultramarinas em todo o mundo tinham reportado casos confirmados de gripe pandémica H1N1, tendo-se registado, pelo menos, 10.582 mortes.

A OMS está a monitorizar activamente o progresso da pandemia através de consultas frequentes às suas delegações regionais e aos Estados-membros, bem como a partir de múltiplas fontes de dados.
 

Regiões
Óbitos
OMS - África 
109
OMS - Américas
Pelo menos 6.335
OMS - Mediterrâneo Oriental
572
OMS - Europa
Pelo menos 1.654
OMS - Sudeste Asiático
892
OMS - Pacífico Ocidental
1.020
Total
Pelo menos 10.582

(Fonte: Organização Mundial de Saúde) 
 
Na Europa, continua a registar-se uma disseminação geograficamente generalizada de transmissão do vírus de gripe pandémica na maior parte do continente. No entanto, pelo menos dez países, sobretudo a oeste e a norte, reportam um recrudescimento nas doenças respiratórias. A actividade continua a crescer ou está a estabilizar num número limitado de países: República Checa, Estónia, Hungria, Montenegro e Suíça. Entre 28 a 71% das amostras respiratórias sentinela foram positivas para a gripe nestes países.
 
Em algumas partes do norte e do sudeste da Europa do Norte e da Federação Russa, foi reportada intensa actividade no que se refere às doenças respiratórias. Cerca de 99% dos subtipos do vírus da gripe na Europa foram associados à pandemia H1N1 2009. A detecção de vírus sincicial respiratório tem vindo a crescer, nas últimas cinco semanas, sendo parcialmente responsável pela elevada actividade gripal entre as crianças de alguns países.
 
Nas regiões temperadas do hemisfério norte, a pandemia da gripe mantém-se activa e geograficamente disseminada. No entanto, já atingiu ou ultrapassou o seu pico de actividade em muitas regiões, sobretudo na América do Norte. A actividade gripal continua a aumentar em regiões afectadas posteriormente, como o centro e o sudeste europeu e o sul e o sudeste asiático.
 
Nos EUA e Canadá, a transmissão de gripe mantém-se activa, mas as doenças com sintomas gripais associados continuam a diminuir. Nos EUA, a mortalidade associada a pneumonia e gripe manteve-se consistentemente elevada, acima do limiar da epidemia, nas últimas dez semanas. No entanto, os valores semanais de hospitalizações e mortes confirmadas laboratorialmente diminuíram no mês passado.
 
A análise preliminar dos dados dos países do hemisfério norte que já passaram por toda uma estação de gripe de Inverno indica que a taxa de mortalidade se encontra nos mesmos níveis dos países das regiões temperadas do hemisfério sul durante a sua estação de Inverno. Tal parece indicar que a gravidade global da epidemia não se alterou, embora a proporção de população infectada tenha sido muito mais elevada nos países temperados do hemisfério norte durante a sua estação de Inverno face à circulação observada durante o Verão.
 
Na Ásia Central e Ocidental, a transmissão de vírus de gripe permanece activa. Os sintomas gripais e as infecções respiratórias agudas continuam a aumentar no Cazaquistão e Quirguistão, mas já atingiram o pico no Afeganistão, Israel e Omã. O vírus da pandemia da gripe continua a circular no Irão, Iraque, Jordânia, Egipto e em grande parte da região circundante, mas já deverá ter atingido o pico em algumas zonas.
 
Na Ásia Oriental, a transmissão da gripe mantém-se activa, mas aparenta um comportamento global de abrandamento. No Japão, a actividade gripal atingiu um pico e começou recentemente a recuar. As doenças respiratórias continuam a descer, mas mantêm-se elevadas no norte e no sul da China, no Taipé Chinês e na Mongólia. No sul da Ásia, a gripe continua a aumentar nas regiões norte da Índia, Nepal, Sri Lanka e Maldivas.
Na região tropical da América Central e do Sul e do Caribe, a transmissão da gripe permanece geograficamente disseminada, mas a actividade global da doença tem vindo a diminuir.
 
Na África Oriental e do Norte, o vírus H1N1 2009 parece ser o vírus da gripe predominante a circular. Na África Ocidental, foi detectada uma mistura de vírus de gripe sazonal e de gripe pandémica. Os vírus sazonais incluem os sazonais H1N1 e H3N2, com predominância do primeiro.
Na região temperada do hemisfério sul foram notificados casos esporádicos de pandemia da gripe nas últimas semanas, mas não foi observado nenhum surto.
(Fonte: Portal da Saúde - Ministério da Saúde)

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publicado por servicodesaude às 14:29
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Gripe A - Mais quatro vítimas em Portugal: 52 até ao momento

De acordo com a Tabela de Óbitos da Direcção-geral de Saúde, faleceram mais quatro pessoas vítimas da gripe A no período entre 1 e 19 de Dezembro: dois homens de 50 e 79 anos e uma mulher de 55, registados na zona Norte do país, e um homem de 63 anos, na Região Autónoma da Madeira. Todos possuíam factores de risco associados.
Com mais estas quatro mortes, sobe para 52 o número total de óbitos devido à gripe A no país.

(Fonte: Direcção-Geral de Saúde)

 

 

 


 


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publicado por servicodesaude às 10:41
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Gripe A - Vacinação de crianças até aos 12 anos começa hoje

Todas as crianças até aos 12 anos podem começar hoje a ser vacinadas contra a gripe A (H1N1), bastando que os pais contactem o centro de saúde, já que não é necessária qualquer declaração médica.

As autoridades de saúde iniciam, assim, a campanha de vacinação do Grupo C, com prioridade às crianças até aos 12 anos.
Segundo um comunicado do Ministério da Saúde, "os pais [devem] contactar o seu centro de saúde, no sentido de acordarem a melhor forma de proceder à vacinação, não sendo necessária qualquer declaração médica".
(Fonte: Lusa)

 

 


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publicado por servicodesaude às 10:33
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Domingo, 20 de Dezembro de 2009
Gripe A: Portugueses baixam a guarda mas é necessário reacender a ideia de vacinação

A banalização da gripe A e a não concretização dos piores cenários relacionados com a doença estão a levar os portugueses a «baixar a guarda» e a «um afrouxamento das medidas necessárias face a uma pandemia», diz o director da Escola Nacional de Saúde Pública.

«O que nós observámos foi diferentes níveis de alertas nos últimos meses, que foram desembocar na grande discussão sobre vacinas, que em termos sociais ainda é inconclusiva», disse Constantino Sakellarides à agência Lusa.
Depois disso, assistiu-se a «uma espécie de abrandamento». «Estamos numa fase em que a questão da gripe foi bastante banalizada e há um afrouxamento dos comportamentos e das medidas que são necessárias face a uma pandemia», sustentou.
Para o responsável, esta situação deve-se ao «longo período de indução [da doença], à sensação de que o pico da primeira onda já passou e, ao contrário do que se temia, a pandemia não ter provocado grande disfunção social».
«As escolas não fecharam, as empresas não tiveram grandes dificuldades e os transportes continuaram a funcionar», ao contrário do que aconteceu em alguns países, nomeadamente o México.

Sakellarides apela no entanto aos portugueses para não «baixarem a guarda» e, sobretudo, para aderirem à vacinação: «O que nos vai proteger de uma segunda onda [de pandemia] é termos uma boa percentagem de pessoas vacinadas».
Para o responsável, é preciso «reacender a ideia de que a vacinação, seguida da comunicação, continua a ser a principal arma, não só para abreviar esta onda pandémica, mas para evitar a segunda ou, pelo menos, minimizá-la».
A pandemia trouxe dois ensinamentos que é preciso aplicar, diz. O primeiro é dar mais informação a nível local e criar um modelo envolvente de informação com a população.
«Era importante a informação a nível local para que os profissionais de saúde, as pessoas, as empresa, as escolas e outras entidades fizessem um retrato imediato do que está a acontecer localmente», sustentou, lembrando que, actualmente, essa informação é agregada a nível nacional.
 
O «segundo ensinamento» é que o »modelo tradicional de emergência em saúde pública» não se aplica numa pandemia, porque «não é um fenómeno espontâneo», como um terramoto.
Uma pandemia tem um período de indução e expansão de meses. Nestes casos, «as pessoas não obedecem àquilo que as autoridades e os técnicos querem que elas façam e apenas fazem o que pensam que devem fazer».
«A vacina foi uma questão óbvia», observou, comentando que, pela primeira vez na história, «foi possível ter uma vacina pandémica a tempo e as pessoas não se vacinam».
«É necessário perceber melhor o que as pessoas pensam e tentar precocemente trabalhar com elas no sentido da sua resposta ser mais baseada no conhecimento e menos baseada nalgumas impressões erróneas que são criadas pelos novos métodos comunicacionais, como a Internet».
(Fonte: Diário Digital / Lusa)
 
 

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publicado por servicodesaude às 12:03
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Sábado, 19 de Dezembro de 2009
Gripe A - Portugal pode ficar com milhões de vacinas na prateleira

Portugal não assegurou a possibilidade de reduzir a encomenda de vacinas contra a gripe A ou de devolver as que sobrarem no contrato que fez com o laboratório GlaxoSmithKline (GSK), segundo fonte governamental e da própria farmacêutica. Por isso, corre agora o risco de ficar com milhões de doses por usar... e muitos milhões de euros de prejuízo.

 

No total, o País gastou 45 milhões de euros em seis milhões de doses e desde 26 de Outubro e até à semana passada tinham sido usadas apenas 240 mil. Mesmo que por mês, até Março, se consiga vacinar igual número de pessoas ficam cinco milhões de vacinas na prateleira - o que corresponde a mais de 30 milhões de euros de prejuízo.
 
Tentar renegociar o contrato, tal como Alemanha e Espanha estão a fazer, é uma das opções em cima da mesa, disse ao DN fonte governamental. A mesma fonte confirmou não existir uma condição que permita a devolução de vacinas. Aliás, a GSK não terá aceite essa cláusula nos contratos que fez, confirmou fonte da farmacêutica.
 
No entanto, a ministra da Saúde espanhola garantiu ao jornal El Pais que os contratos que fez - com a GSK, mas também com a Novartis e a Sanofi-Pasteur - "incluíam cláusulas que permitiam devolver" as vacinas não usadas.
 
Por esta altura já não há muitas dúvidas que vão sobrar doses. A possibilidade tornou-se óbvia nos países que encomendaram vacinas para mais de 50% da população - como a Alemanha - , a partir do momento em que se soube que só seria necessária uma dose para proteger um adulto. Em Portugal, que encomendou para 30% da população, percebeu-se que afinal há vacinas para seis milhões. E o que seria uma boa notícia, há três meses, é hoje um problema, porque nem os grupos prioritários parecem interessados em vacinar-se.
 
Além disso, à medida que o número de casos de gripe A desce e as autoridades confirmam que a doença é menos agressiva, mais difícil será convencer os portugueses. Isto, apesar de as autoridades continuarem preocupadas com a segunda onda da pandemia.
 
Por enquanto, a estratégia da tutela é "tentar utilizar ao máximo as vacinas", diz Joana Réfega, assessora do Ministério da Saúde. "É ainda prematuro decidir o que fazer. Vamos alargar a vacinação a todas as crianças e a mais doentes e ver como corre", acrescenta. Assim, já a partir de segunda-feira, todas as crianças até aos 12 anos podem começar a ser vacinadas contra a gripe A. Basta os pais contactarem o seu centro de saúde para combinar a data e não é necessária qualquer declaração médica. Estas, ao contrário dos adultos, precisam de levar um reforço, três semanas depois.
 
Outra hipótese para minimizar as perdas é vender ou doar a outros países - se houver interessados. Na semana passada, a ministra Ana Jorge referiu também a possibilidade de passar a vender a vacina nas farmácias.
(Fonte: Diário de Notícias - DN portugal)
 
 

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Sexta-feira, 18 de Dezembro de 2009
Gripe A - INSA faz análises aos casos suspeitos. Vírus H1N1 sem mutação em Portugal

A Direcção-Geral da Saúde e o Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA) negaram ontem ao CM a existência de casos de mutação de resistência do vírus da gripe A em Portugal. De acordo com o infecciologista Jaime Nina, do INSA, são realizadas regularmente várias análises a casos suspeitos de mutação.
 

"Fazemos análises a todos os doentes falecidos por gripe A, aos pedidos dos hospitais que suspeitam de algum caso e também analisamos amostras aleatoriamente". Até quarta--feira "não havia um único caso confirmado de mutação de resistência do vírus da gripe A". De acordo com o director-geral da Saúde, Francisco George, estão em análise dois casos.
Jaime Nina explicou que uma eventual mutação do vírus poderá levar à falta de eficácia do antiviral Tamiflu, administrado aos casos graves de gripe A.
 
O médico de saúde pública Mário Carreira, da DGS, explica que "os doentes que morreram com gripe A tomaram Tamiflu e a morte ocorreu porque tomaram o antiviral tarde demais, pois o tratamento perde eficácia se não for feito nas 48 horas após surgirem os primeiros sintomas gripais, ou porque os danos causados pelo vírus foram tão graves que não resistiram". Segundo o especialista, os doentes podem ficar em coma depois da destruição do vírus. Actualmente há um paciente em coma desde o Verão. O número de óbitos por gripe A aumentou para 48, com a morte de um homem de 41 anos, e de uma mulher, de 47 anos, ambos com factores de risco.
A morte de André Dang, de 14 anos, continua por explicar. A família não acredita que a causa de morte tenha sido a gripe A.
 
A Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo instaurou um inquérito para apurar responsabilidades sobre um eventual erro de diagnóstico a uma mulher que está em estado crítico no Hospital Curry Cabral (Lisboa) depois de ter sido mandada para casa por dois médicos. A doente é suspeita de ter contraído o vírus H1N1, fonte hospitalar diz que a suspeita ainda não foi confirmada. "Antes de ser internada foi devidamente assistida. É uma mulher com elevado risco de insuficiência respiratória. É fumadora, sofre de obesidade mórbida e cancro na tiróide", disse Rui Sousa Santos, presidente da ULSBA. Maria Nobre, 46 anos, luta contra uma pneumonia bilateral e falência pulmonar. Estava em casa em Garvão, Ourique, quando começou a ter tosse e dores no corpo. Em 24 horas foi à Urgência em Castro Verde e à médica de família, em Ourique. O marido, Manuel Fernando, vai apresentar queixa às autoridades de saúde.

(Fonte: Correio da Manhã)


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publicado por servicodesaude às 14:15
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Gripe A - DGS contabiliza 48 mortes em Portugal

De acordo com a Tabela de Óbitos da Direcção-geral de Saúde faleceram mais duas pessoas em Portugal, vítimas de gripe A. Uma mulher de 47 anos morreu no dia 10 de Dezembro, na região Norte e um homem de 41 anos, no dia 15 de Dezembro, na região Centro do país.

Ambos integravam os chamados "grupos de risco", ou seja, possuiam factores de risco
associados.

Com estas duas mortes sobe para 48 o número total de vítimas do vírus H1N1.


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publicado por servicodesaude às 10:56
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Quinta-feira, 17 de Dezembro de 2009
Gripe A - DGS - Ponto da situação: desaceleração do número de novos casos (16 Dezembro)

Na semana de 7 a 13 de Dezembro, foram observados nos serviços de saúde 14.518 doentes com sintomas de gripe, independentemente da confirmação laboratorial dos vírus em causa.

Neste período, verificou‐se uma desaceleração no que se refere ao número de novos casos. A distribuição da gripe estendeu‐se a quase todo o território do Continente, mantendo‐se, no entanto, heterogénea.
Na semana em referência, estiveram internados 133 doentes, dos quais 25 em Unidades de Cuidados Intensivos. No mesmo período registaram‐se 9 óbitos, sendo o total acumulado até domingo, dia 13 de Dezembro, de 45 óbitos.
 
Nesta semana foram notificados 65 clusters em escolas. A actividade gripal continua predominantemente centrada em ambiente escolar, tal como nas semanas antecedentes.
 
A Gripe A é uma doença benigna que se trata, na maioria dos casos, com antipiréticos e com a permanência em casa. É importante que cada um faça a vigilância da evolução da febre e de outros sinais e sintomas, nomeadamente da dificuldade respiratória.
 
Em caso preocupação ou alteração dos sintomas ligue para o seu Centro de Saúde, para o seu médico assistente ou para a Linha de Saúde 24 (808 24 24 24) e siga as indicações que lhes são dadas.
Semanalmente, pode consultar o ponto de situação da evolução da infecção da Gripe A no site do Ministério da Saúde (http://www.portaldasaude.pt/) e no Microsite da Gripe, no site da Direcção‐Geral da Saúde (http://www.dgs.pt).
Lisboa, 16 de Dezembro de 2009

(Fonte: Direcção-geral de Saúde)


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publicado por servicodesaude às 23:05
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Gripe A - Vacinação do Grupo C tem início dia 21 de Dezembro - prioridade para as crianças até aos 12 anos

Direcção-Geral da Saúde - Circular Normativa

Assunto: Vacinação do Grupo C
Campanha de vacinação contra infecção pelo vírus da gripe pandémica (H1N1) 2009
 
Para: Todos os médicos e enfermeiros
 
1. Vacinação do Grupo C
A vacinação das pessoas incluídas no Grupo C (Anexo I) tem início dia 21 de Dezembro, com prioridade para as crianças de idade ≤ 12 anos.
 
2.Critérios para vacinação
Além dos critérios já referidos na Circular Normativa nº 17A/DSPCD de 13-11-2009 (versão actualizada) há a referir:
• sempre que o critério para vacinação seja a idade, não é exigível a apresentação de declaração médica;
• as crianças com mais de 6 meses de idade e nascidas a partir de 1 de Janeiro de 1997 têm direito a vacinar-se;
• relativamente aos dadores de sangue aceita-se como comprovativo para vacinação a apresentação do Cartão Nacional de Dador de Sangue.
 
3.Utilização de todas as doses
Pretende-se, com esta Campanha, vacinar o mais rapidamente possível as pessoas dos Grupos A, B e C, evitando o desperdício de doses.
Assim, se perto das 24 horas após a reconstituição de um frasco multidose ainda restarem doses e na impossibilidade de convocar, em tempo útil, um utente incluído nos grupos prioritários definidos (A, B ou C), deverão ser vacinadas pessoas não incluídas naqueles grupos. O registo no SINUS é extensível a estes casos.
 
4.Instruções para a preparação da vacina
Para além das instruções referidas no ponto 2.4 da Circular Normativa nº 17A/DSPCD de 13-11-2009, refere-se ainda:
 
• só deverá iniciar-se a reconstituição da vacina (introdução da agulha no frasco de emulsão – adjuvante), pelo menos 15 minutos após a retirada do frigorífico de ambos os frascos, mantendo-os à temperatura ambiente;
 
• se a vacina reconstituída for colocada no frigorífico, deve também respeitar-se um período mínimo de 15 minutos à temperatura ambiente antes de retirar qualquer dose.
Alameda D. Afonso Henriques, 45 - 1049-005 Lisboa - Portugal - Tel 218 430 500 - Fax: 218 430 530 - Email: geral@dgs.pt 1
 
5.Pessoas com insuficiência renal
À semelhança da vacinação contra a gripe sazonal, os insuficientes renais crónicos (inclusive dialisados) com idade ≥ 10 anos, deverão ser vacinados apenas com uma dose de Pandemrix®.
 
Exceptuam-se os doentes com patologia associada que cause imunodepressão (Anexo I).
Francisco George - Director-Geral da Saúde

(Fonte: Direcção-geral da Saúde)


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publicado por servicodesaude às 22:47
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Quarta-feira, 16 de Dezembro de 2009
Gripe A - Crianças até aos 12 anos vão poder ser vacinadas este mês

As crianças até aos 12 anos, incluídas no grupo C e cuja vacinação estava prevista para Janeiro, vão poder ser vacinadas contra a gripe A este mês, anunciou hoje a ministra da Saúde.

 

De acordo com Ana Jorge, que falava no final de uma cerimónia em Lisboa sobre os 25 anos da Revista Portuguesa de Saúde Pública, este grupo alvo para a vacinação contra o H1N1 estava prevista para Janeiro do próximo ano. Contudo, esclareceu a ministra, sobraram vacinas, pois os adultos previstos nos outros grupos prioritários só receberam uma dose e não as duas inicialmente previstas.


O grupo C, que poderá assim começar a ser vacinado já este mês, inclui doentes com seis meses ou mais, não incluídos nos grupos A e B, com doenças crónicas, à semelhança do recomendado para a gripe sazonal, obesos, crianças até aos 12 anos, dadores regulares de sangue, estudantes de medicina e enfermagem e profissionais que desempenhem funções essenciais.

As crianças irão continuar a receber duas doses da vacina, de acordo com a ministra da Saúde, que anunciou para breve uma avaliação da campanha de vacinação que está prestes a completar dois meses.
(Fonte: Público/Lusa)

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publicado por servicodesaude às 18:56
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Gripe A – DGS - 46 vítimas até ao momento

De acordo com a Direcção-geral de Saúde faleceu ontem, dia 15 de Dezembro, mais uma pessoa devido à gripe A. A 46ª vitima do vírus H1N1 foi um homem de 88 anos, proveniente da zona Norte do país e que tinha factores de risco associados.

(Fonte: Direcção-geral de Saúde)
 
Segundo o jornal Correio da Manhã, uma mulher de 46 anos, suspeita de ter contraído o vírus H1N1, está internada em estado crítico no Hospital Curry Cabral, em Lisboa, depois de ter sido vítima de um erro de diagnóstico de dois médicos.
Maria Nobre, que luta contra uma pneumonia bilateral e falência pulmonar, estava em casa em Garvão, Ourique, quando começou a ter tosse e dores no corpo. Quinta-feira foi à Urgência em Castro Verde, mas foi mandada para casa com medicação.
"Como os sintomas se agravaram acabei por levá-la à médica de família na manhã seguinte, mas mandou-a para casa com antibióticos. À tarde já não se mexia e foram necessárias 24 horas para ser encaminhada para o Hospital de Beja", diz o marido, Manuel Fernando, que acusa os dois clínicos de negligência e vai expor o caso às autoridades da Saúde.
(Fonte: Correio da Manhã)

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publicado por servicodesaude às 18:54
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Terça-feira, 15 de Dezembro de 2009
Obesidade Infantil - Introdução (Por Maria Elisa Domingues)

A obesidade e a pré-obesidade nas crianças e nos adolescentes é um problema cuja dimensão tem vindo a aumentar a um ritmo assustador. De tal forma, que é hoje em Portugal a doença pediátrica mais comum, constitiuindo assim um grave problema de saúde pública.

A doença surge em crianças cada vez mais novas, às vezes ainda bebés.

 

Uma criança ou um adoescente com excesso de peso é mais vulnerável a outras doenças graves, como as cardiovasculares, a diabetes tipo II, a hipertensão arterial, a asma, mas também perturbações do sono e do foro psíquico, menor rendimento escolar e dificuldades de relacionamento social.

 

As causas da obesidade podem ser genéticas, mas só uma percentagem reduzida. O que torna as crianças demasiado gordas é o tipo de alimentação - tanto em casa, como na escola - e a falta de actividade física, a vida demasiado sedentária em frente à televisão ou ao computador.

 

A globalização do mercado alimentar, a publicidade, a urbanização das cidades - onde os espaços públicos são cada vez menos -, são os grandes responsáveis pela situação que absorve 4% do orçamento do Serviço Nacional de Saúde.

 

Por isso, estas crianças e adolescentes correm o risco, pela primeira vez em cem anos, de virem a ter uma esperança de vida inferior à dos pais. Mas são os pais, a família, as escolas, as autarquias, quem pode e deve alterar atitudes e comportamentos.



publicado por servicodesaude às 23:07
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Obesidade Infantil - Resumo Reportagem

Em Portugal, 18 crianças já colocaram um balão intra-gástrico. O objectivo é travar a evolução da obesidade numa fase essencial da vida, em que ainda se consegue alterar comportamentos.

 

De acordo com Carla Rego, doutorada em obesidade pediátrica e responsável pela consulta  da especialidade no Hospital de São João, no Porto, "as crianças têm que ser muito bem seleccionadas por uma equipa multidisciplinar. Esta equipa tem que obter a garantia que houve uma mudança nos hábitos de vida e que, tanto a criança como a família, irão aderir à terapia no período em que o balão vai ser introduzido".

 

Desde 1980 que a prevalência da obesidade pediátrica triplicou nos países europeus. Portugal ocupa uma posição preocupante, com mais de metade da população adulta com excesso de peso, cerca de 30% das crianças com peso a mais e 10% obesas.

 

Peso a mais na infância aumenta o risco de outras patologias no futuro. "As crianças obesas denotam uma maior agressividade em casa e têm um menor rendimento escolar.  Depois, se têm uma personalidade extrovertida são os divertidos do grupo. Mas quando isto não acontece, isolam-se e o problema acaba por dexar marcas na sua trajectória futura em termos de saúde mental.

 

Apesar das escolas estarem rodeadas de ofertas calóricas, a Organização Mundial de Saúde estabeleceu como objectivo que qualquer criança que nasça no novo milénio deva estar livre de doenças cardiovasculares, pelo menos até aos 65 anos.



publicado por servicodesaude às 22:21
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Obesidade Infantil - Apresentação dos Convidados

Prof. Dr. Júlio Martins - doutorado e docente em Ciências do Desporto
Prof. Dra. Carla Rego - doutorada em obesidade pediátrica e coordenadora da consulta de obesidade pediátrica no Hospital de São João, no Porto
Dr. Eduardo Mendes - médico de família e director do Agrupamento de Centros de Saúde do Oeste Sul
Dra. Teresa Sancho - nutricionista na ARS do Algarve; responsável pelo gabinete de nutrição e por vários programas de combate à obesidade infantil na região algarvia

 



publicado por servicodesaude às 21:49
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Obesidade Infantil - Balão Intra-gástrico em crianças

O balão intra-gástrico é um processo inovador a nível mundial, que não implica cirurgia. O gastroenterologista pediátrico introduz o balão através de um endoscópio.Tal como no caso dos adolescentes e adultos, o balão permanece cerca de seis meses e depois é retirado.

 

O processo implica uma selecção rigorosa das crianças por parte duma equipa multidisciplinar que avalia a adesão à terapia por parte quer da criança, quer da família, mas também as características do tecido adiposo da criança.

 

 



publicado por servicodesaude às 20:54
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Obesidade Infantil - Hábitos alimentares e o papel das famílias e da escola

“Faz sentido falar em “obesidades”, já que há indivíduos que têm uma maior susceptibilidade para engordarem e, outros, que não tendo nenhum factor de risco específico, também engordam, apenas devido a factores comportamentais”, afirma Carla Rego, doutorada na área da obesidade pediátrica. E adianta que “a susceptibilidade genética não é facilmente definível”.

 
Segundo Eduardo Mendes, médico de família, “a obesidade é o resultado da sociedade em que vivemos e da forma como produzimos os alimentos”, logo,” tem que ser enquadrada enquanto questão civilizacional”.
 
“Hoje, as famílias facilitam muito em termos alimentares e os miúdos são sujeitos a uma enorme pressão, visível no período concedido pelas televisões à publicidade de produtos alimentares”, reflecte o médico, não deixando de chamar atenção para o facto de nas cantinas escolares as ementas ainda incluírem fritos em excesso, com demasiada gordura e calorias.


publicado por servicodesaude às 19:46
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