Terça-feira, 1 de Dezembro de 2009
Andropausa – Disfunção Eréctil, Viagra e Ajuda Psicológica

O aparecimento do Viagra veio facilitar muito a forma como os homens abordam este tema e “quebrar” o tabu de falar sobre as dificuldades sexuais, às vezes, mesmo em menor percentagem, numa idade mais jovem.

Penso que também a partir dai os homens começaram, com maior facilidade, a procurar ajuda terapêutica junto de um psiquiatra, quando o problema não releva da parte orgânica, mas sim de outros problemas que é a Psiquiatria a quem compete ajudar, não é?
 
Allen Gomes (psiquiatra): Sim, mas é preciso salientar que em parte foi o facto da disfunção eréctil ter ficado “visível” e digna. Passou a ser um quadro digno e passou também a interessar aos médicos, quer ao nível da cardiologia, quer da parte vascular.
Diz-se que a disfunção eréctil pode ser uma “sentinela”, porque pode prever uma doença coronária no futuro.
Quando se diz que para haver qualidade de vida é preciso haver uma função sexual satisfatória, então realmente tirou-se a disfunção eréctil de um tabu. Foi essa dignificação da disfunção eréctil que acarretou essa transformação e também foi muito importante para o cidadão sénior, que passou a ser um consumidor.
 
É muito interessante quando ouvimos aquele homem na reportagem, António Rodrigues da Silva, porque ele não tem uma disfunção eréctil; ele tem algumas alterações, normais com o envelhecimento. Alterações que fazem surgir os 48% (de portugueses que em algum momento da sua vida têm disfunção eréctil). Se desses 48% retirarmos as ligeiras alterações, sobram 13% de disfunções erécteis.
Se não, estávamos a falar de 500 mil portugueses com disfunção eréctil, o que não é o caso.
 
As pessoas ficam mais velhas, têm mais maleitas, sentem ameaça; têm que passar a ter atenção com a alimentação, com o álcool e com o tabaco para poderem preservar a sua saúde, mas já há uma ameaça porque o próprio envelhecimento assusta, porque nos faz aproximar da morte. E tudo isto também faz tocar uma campanha dentro do nosso sistema nervoso.
E depois a nível sexual os homens têm sido muito protegidos, porque o nosso envelhecimento físico não nos tem tirado capacidade de atracção: a ruga porque dá experiência, os cabelos brancos dão charme, etc. Mas esse charme ao jantar às vezes não tem o seguimento que devia ter na noite que se aproxima.
 
Tudo isto cria um determinado nível de ansiedade/execução que ás vezes transforma um pequeno problema, num problema tremendo. Mas se houver uma coordenação de esforços relativamente à parte arterial, hormonal e psicológica, então pode-se envelhecer mais razoavelmente.
 
Com mais tranquilidade…
 
Rodrigues Guedes de Carvalho (urologista): A disfunção eréctil não tem só a ver com a idade. Cada vez temos mais miúdos de 17, 18, 20 anos, com ansiedade de execução e que têm que recorrer a estas substâncias para ganharem confiança, porque são muitas vezes “mutilados” – passo a força da expressão – pelas namoradas, quando estas dizem: “vai-te tratar porque A, B ou C não é assim”. Isto é um traumatismo tenebroso, que ninguém fala! E cada vez mais me aparecem indivíduos com problemas deste tipo.
 
Muito jovens…
 
Rodrigues Guedes de Carvalho (urologista): Isto não se compadece com uma Medicina Clínica de “tens isto, tomas aquilo e ficas bem”. O que está a desaparecer neste país – tem que ser dito – é a função do médico. O médico tem que ser um indivíduo que ouve e olha, olhos nos olhos, os doentes e que está atento ao que os doentes estão a dizer.
 


publicado por servicodesaude às 17:33
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