Terça-feira, 1 de Dezembro de 2009
Andropausa – Influência de Medicamentos no Desejo Sexual e Orgasmo (II)

Telefonema de Francisco Oliveira, 42 anos, bancário, de Aveiro: Há cerca de cinco anos tive um problema pessoal de divórcio. Sei que existem estudos sobre a forma como a morte de um cônjuge, ou de um filho, pode ser causadora de grandes ansiedades.

Gostava de saber se a medicação pode mais tarde vir a provocar andropausa ou disfunção eréctil?
 
Está a referir-se a medicamentos que as pessoas tomam para combater uma grande dor?
Francisco Oliveira (42 anos): Sim, ansiolíticos, antidepressivos, etc.
 
Allen Gomes (psiquiatra): É de facto muito importante porque os modernos medicamentos antidepressivos não têm influência na disfunção eréctil, mas em termos de perturbação do desejo e de perturbação do orgasmo, sim. Às vezes nas mulheres até é mais grave.
Há de facto que ter muita atenção à medicação e fazer uma comparação para ver como era a actividade sexual da pessoa antes e depois da terapêutica.
Não pode haver uma cura isolada da depressão, se essa cura tiver um preço que é o sacrifício da sexualidade de uma pessoa. Não pode.
Mas o que é importante é que a pessoa que está em sofrimento e que tem este problema, vá falando com o médico e vá dizendo: “esta terapêutica está a fazer-me certo efeito, portanto se calhar tem que ser substituída”, não é?
Allen Gomes (psiquiatra): Tem que se habituar a exprimir os seus sentimentos, as suas emoções…É uma cura hedonista.Prescrever um medicamento não muda uma atitude. Ora, se temos determinados problemas porque tivemos determinadas atitudes que não eram as mais indicadas, quer em termos físicos, quer psicológicos, então é bom dar o medicamento e mudar a atitude. Agora, só prescrever o medicamento não resolve.
 
O António Rodrigues da Silva, de Matosinhos, dizia na reportagem que hoje precisa de estar com uma companheira que lhe dê uma certa confiança e um certo afecto.
 
Allen Gomes (psiquiatra): É a melhor pastilha.
 
Rodrigues Guedes de Carvalho (urologista): Ele dizia: “eu com as mulheres dos meus amigos não tenho problemas nenhuns”. Acho que isto diz tudo, a nível psicológico.
O problema é que a disfunção é um conjunto de situações muito vasto. Não é só tomar a “pílula”.
Hoje o português quer uma pílula para cada coisa: para engordar, para emagrecer e depois come anormalidades. Vejoindivíduos obesos que não modificam o seu estilo de vida. E os médicos deviam dizer-lhes: vamos fazer um teste: “o senhor vai emagrecer 20 quilos e a sua tensão vai para o normal”. Mas em vez disso…
 
Fazer exercício físico…
 
Rodrigues Guedes de Carvalho (urologista): Agora não vamos estar a dar pílulas a indivíduos que não querem cumprir as regras básicas.


publicado por servicodesaude às 16:43
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