Quinta-feira, 10 de Dezembro de 2009
Gripe A - Primeira onda epidémica deve terminar depois do Natal

"Mais três semanas e voltamos à linha de base", afirma Mário Carreira, coordenador da Unidade de Emergência de Saúde Pública da Direcção-Geral da Saúde (DGS), mostrando a curva que contabiliza os casos de contágio no país.

Esta é a previsão das autoridades de saúde para a totalidade do território nacional - através do sistema informático de emergência de saúde pública instalado na DGS, é possível medir quase em tempo real a afluência de doentes aos hospitais e centros de saúde.

 

O vírus está a circular a várias velocidades e só agora começa a chegar ao Interior e ao Sul. Ao mesmo tempo, há regiões como a Grande Lisboa ou Leiria que começam a tornar-se zonas livres de H1N1 - foram as primeiras afectadas e entraram já na fase de declínio do contágios. Juntando todo o território, a primeira onda da epidemia terá uma duração total que ronda as seis semanas e tem um fim anunciado ainda para Dezembro.

Os especialistas não conseguem garantir, no entanto, que este será o fim da epidemia em Portugal, "porque pode haver uma segunda onda", com data imprevisível. Mas o primeiro ataque do novo vírus H1N1 está a terminar, deixando duas certezas: a intensidade é semelhante à gripe sazonal, o perfil dos doentes é diferente.

 

"O número de casos é muito semelhante ao de uma gripe normal, com uma taxa de ataque entre os 7 e os 10%", refere Mário Carreira. O que, em números absolutos, representa entre 700 mil a um milhão de portugueses com gripe A, tendo-se registado 32 mortes até agora.

A diferença em relação ao vírus sazonal está na população afectada - a esmagadora maioria dos casos são crianças e jovens - e na forma como se propaga. "A gripe A é muito heterogénea. Afectou principalmente o litoral e o Norte. E só agora começam a surgir alguns casos no Alentejo, em Bragança ou no Algarve", refere o especialista. O facto de serem zonas pouco habitadas, com uma população envelhecida, tem poupado estas regiões ao contágio. Por contraponto, os centros urbanos, onde existem mais jovens, registam a maior prevalência de gripe pandémica. Como o vírus ataca de forma diferente, a afluência de doentes às urgências também tem sido muito desigual. "Em algumas unidades, está abaixo dos valores registados há um ano com a gripe sazonal", admite o responsável da DGS.

"Ou ficamos por aqui, ou teremos uma segunda onda", refere Mário Carreira. Mas o surgimento de uma nova vaga dependerá de vários factores, entre eles o número de pessoas vacinadas. Quanto mais pessoas imunizadas - por terem sido vacinas ou por terem tido gripe A -, menor a possibilidade de o vírus ressurgir. Até agora, são 115 mil os portugueses que receberam a vacina nos centros de saúde. A adesão tem subido nas últimas semanas, mas está ainda longe do desejado - a ministra diz que é de 51%.

Ontem, no Parlamento, Ana Jorge foi confrontada com o risco de sobrarem vacinas (que custaram 45 milhões ao país). E respondeu afirmando que está a ser estudada a hipótese de imunizar em massa todas as crianças e todos os jovens - incluindo os que não têm factores de risco. E se, mesmo assim, sobrarem? "Se, ainda assim, não forem usadas os 6 milhões de doses, poderemos fornecer a outros países, é uma hipótese a ser estudada", admitiu a ministra.

(Fonte Jornal "I")


Temas:

publicado por servicodesaude às 12:09
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Fevereiro 2010
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9
10
11
12
13

14
15
16
17
18
19
20

21
22
23
24
25
26
27

28