Terça-feira, 1 de Dezembro de 2009
Andropausa - Mulheres: Papel nas disfunções sexuais masculinas
 

Qual poderá ser o papel das mulheres nestas dificuldades sexuais que os homens podem ter?

Allen Gomes (psiquiatra): Eu acho que, de forma geral, a mulher de um homem que tem uma disfunção eréctil bem estabelecida, são mulheres muito cautelosas, muito preocupadas em não agravar a situação, mas que também contribuem para a paragem do contacto.
Eles param porque não se querem dar mal; não se aproximam delas para elas não pensarem que….
 
Para não haver expectativas...
Allen Gomes (psiquiatra): Exacto. E elas fazem exactamente o mesmo: param, para eles não pensarem que… E é isso que provoca o afastamento entre o casal.
Por vezes estão ali duas pessoas que ainda têm o afecto mas está parado devido a esta dinâmica do casal. Então é fundamental que a mulher seja envolvida no processo tearapêutico.
 
Rodrigues Guedes de Carvalho (urologista): E há cada vez mais mulheres que vêm com os maridos às consultas.
Primeiro, eles começam a verbalizar coisas que não têm nada a ver com o seu real problema (queixam-se da próstata, por exemplo), e são as mulheres a dar o toque ao companheiro para que ele fale com o médico, porque também elas estão interessadas em ajudar os maridos e sofrem por causa da sua disfunção.
 
Há muitos casos em que o homem tem uma disfunção eréctil com a companheira de toda a vida, ou de muitos anos, e depois porque procura uma pessoa diferente, vai ver um filme pornográfico ou porque procura outro tipo de diversão, já consegue funcionar sexualmente, de uma forma “normal”?
Rodrigues Guedes de Carvalho (urologista): Há as duas coisas. Os que conseguem ter relações fora de casa e não dentro e os que conseguem dentro, mas não conseguem fora de casa.
 
Allen Gomes (psiquiatra): Das coisas que eu acho mais espantosas nas diferenças sexuais, quando se fala de género e se procura ver os estereótipos de cada género, é que os homens muitas vezes falham fora de casa, perante uma amante a quem estão ligadíssimos, e continuam a funcionar regularmente com a esposa, que já não apreciam e relativamente a quem até sentem por vezes alguma hostilidade.
Com as mulheres é ao contrário: quanto mais emoção, fora de casa, melhor funcionam. Ou seja, a emoção muitas vezes ao homem, paralisa-o.
 
Mas não sempre…?
Allen Gomes (psiquiatra): Não sempre.
 
Rodrigues Guedes de Carvalho (urologista): No outro dia tive um caso de um doente que me disse: “Não tenho qualquer desejo ou qualquer prazer, no entanto, funciono e tenho relações normalmente”.
 
Funciona tudo mecanicamente?
 
Rodrigues Guedes de Carvalho (urologista): Ele disse-me: “Funciona tudo bem. Tenho erecção e tudo, mas não tenho desejo, nem prazer, nem orgasmo”.
Não anda a tomar nada em termos de medicamentos e não tem nenhuma patologia.
 
Deve ser muito raro. Como é que se explica. E porque é que continua a tê-las? Para manter uma vida sexual?
 
Allen Gomes (psiquiatra): Eu já tive casos assim. E muitas vezes a pessoa continua a ter relações com a esperança que a questão passe. Agora, resta saber porque é que não sente prazer.
 
Rodrigues Guedes de Carvalho (urologista): Ele disse-me que isso lhe aconteceu há cerca de dois anos, quando estava ter uma relação sexual e ouviu um estalo dentro da cabeça; tipo fusível a rebentar. E que depois, passado um ano, voltou a sentir o mesmo.
Acho que este indivíduo deve fazer um estudo, nomeadamente um TAC (tomografia axial computurizada), porque este indivíduo pode ter qualquer coisa neurológica.
 
Allen Gomes (psiquiatra): Pode ser, ou não, psicológico.
 
Jose Maria Aragués (endocrinologista): Sabemos que é preciso manter níveis normais de testosterona para ter uma boa erecção. É curioso não ter libido, não ter desejo, e ter uma boa erecção. O doente não perdia nada em ver como está a sua parte hormonal.


publicado por servicodesaude às 07:42
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