Terça-feira, 1 de Dezembro de 2009
Andropausa - Falta de Erecção e Desejo (Tel. jovem de 20 anos)

Telefonema de “Filipe”, 20 anos, desempregado, da Lousada:

Tenho 20 anos e tenho uma namorada há seis. O problema é que não consigo manter a minha erecção durante muito tempo. Não tenho desejo sexual e não acho que seja normal, já que tenho 20 anos. Gostaria de saber se é normal, ou não.
 
Não tem desejo sexual pela sua namorada ou por ninguém?
“Filipe” (20 anos): Por ninguém.
 
O resto da sua vida, neste momento, decorre com normalidade?
Filipe” (20 anos): Já tive uma namorada no ano passado e, apesar de não ter desejo sexual, conseguia manter-me erecto e ter relações com ela.
 
Fez uma interrupção nessa relação mais longa e, numa relação mais casual, conseguiu ter desejo. O resto da sua vida é agradável?
“Filipe” (20 anos): Não muito.
 
Sente-se deprimido?
“Filipe” (20 anos): Se calhar não tenho a vida que queria mas isso não tem nada a ver com a minha vida sexual. Acho que sou muito novo e tenho problemas em ir ao médico e, provavelmente, muitos jovens têm o mesmo problema e não vão ao médico.
 
O Filipe não tem mais nenhum problema de saúde?
“Filipe” (20 anos): Tenho epilepsia, mas acho que não tem nada a ver.
 
E está medicado para a epilepsia?
“Filipe” (20 anos): Exacto.
 
Eduardo Mendes (médico de família): Gostava de perguntar ao Filipe o que é que ele quer dizer quando refere que não consegue manter a erecção.
Não consegue manter uma erecção por um tempo suficiente para haver penetração e para atingir a ejaculação? 
 
“Filipe” (20 anos): Enquanto estou nos preliminares com a minha namorada consigo a erecção, mas quando tiro a roupa, perco a erecção.
 
E não chega a haver acto sexual por causa disso?
“Filipe” (20 anos): Não.
 
Rodrigo Guedes de Carvalho (urologista): Este é o tal problema que eu referi, que é frequente em jovens. Na minha opinião isto é uma situação de ansiedade/execução. E para assegurar a sua performance sexual este indivíduo está indicado para tomar substâncias vasoactivas. Não continuamente, porque depois vai certamente resolver o problema.
 
Allen Gomes (psiquiatra): Ele diz coisas importantíssimas. De facto, uma disfunção eréctil numa idade como a dele, 20 anos, é rara. Estatisticamente, é rara.
Mas enquanto um homem mais velho vai ao médico porque pode ter diversas patologias e a disfunção eréctil é mais frequente - logo, há uma maior atenção -, um homem mais novo está “esmagado” por aquilo que ele contou. E, portanto, ir ao médico é um acto de humilhação para um jovem.
 
Pode haver alguma relação com os medicamentos que toma para a epilepsia, ou não?
Allen Gomes (psiquiatra): Pode. Mas há aqui uma coisa muito importante: ele tem erecção nos preliminares e falha na “hora da verdade”. E mais: quando está vestido tem erecção; quando se despe, perde a erecção. Ou seja, ele está sem confiança, está com medo de falhar e antecipa o falhanço.
 
Se querem ver uma disfunção de carácter psicológico, num jovem, é quando ele está num local público, ao pé da namorada e não há possibilidade nenhuma de terem uma relação sexual. Ele toca-lhe, dá-lhe a mão, faz-lhe uma carícia e fica erecto. Quando tem a possibilidade de estar com ela numa cama, tira a roupa e fica a suar frio.
 
Rodrigo Guedes de Carvalho (urologista): Este é o tal problema do mecanismo vasoactivo que aqui está funcionante e, portanto, ele deverá ter uma erecção nocturna. Ele não tem nenhum problema físico; ele tem um problema psicológico.
O problema das substâncias vasoactivas é que é preciso falar com os miúdos e dizer. “vais tomar isto que te vai dar seguramente uma erecção", mas depois é igualmente necessário explicar o mecanismo da erecção e que não têm que ficar agarrados aquilo.
 
Então acha que ele devia tomar um medicamento do tipo Viagra?
Rodrigo Guedes de Carvalho (urologista): Sim, tem que tomar um vasodilatador.
 
Allen Gomes (psiquiatra): Ele tem que ultrapassar o problema que teme. Está desanimado, descrente, infeliz e está desempregado. Na história da disfunção sexual sempre houve uma taxa de prevalência de disfunção eréctil nos desempregados. Sempre, sempre.
 
Por isso é que eu lhe perguntei se tem a vida que queria. E ele disse que não exactamente.
 
Allen Gomes (psiquiatra): Mas isso pode fazer com que ele deixe arrastar o problema no tempo. E ele pode procurar ajuda, com privacidade. Provavelmente, sem ter que pagar por isso.
 
Já procurou ajuda de algum psiquiatra, por exemplo?
“Filipe” (20 anos): Não. Porque é difícil para um jovem de 20 anos procurar ajuda para este tipo de problemas.
 
Allen Gomes (psiquiatra): Eu dava-lhe a sugestão de procurar, por exemplo, na Internet.
Se for ao site da Sociedade Portuguesa de Sexologia Clínica, encontrará os locais onde existem consultas. E também irá verificar algo interessante: outros jovens da sua idade, com problemas semelhantes e que, a certa altura, apenas pelo facto de terem começado a falar sobre o assunto, e saberem que os outros também os têm, muitos resolveram o seu próprio problema.
Quando os problemas ficam na cabeça são como uma bola de pingue-pongue.
 
Eduardo Mendes (médico de família): Tenho quase a certeza que o “Filipe” não tem nenhum problema. O problema do "Filipe "é na esfera dos afectos e com a sua auto-estima. Provavelmente, com uma certeza quase absoluta, ele vai resolver o seu problema.
Para o Filipe e para quase todos os ouvintes, estamos habituados a este tipo de situações e não há qualquer razão para ter qualquer tipo de medo ou receio.
 
Mas há realmente uma grande vergonha, sobretudo no caso dos jovens, em abordar esta questão.
Allen Gomes (psiquiatra): Tem aqui o exemplo da condição masculina.
 
Rodrigo Guedes de Carvalho (urologista):  Nós ouvimos este tipo de coisas todos os dias, por isso não há que ter vergonha em falar com técnicos, que só falam destas coisas. Nem medo, nem receio de nada.


publicado por servicodesaude às 12:10
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