Sábado, 19 de Dezembro de 2009
Gripe A - Portugal pode ficar com milhões de vacinas na prateleira

Portugal não assegurou a possibilidade de reduzir a encomenda de vacinas contra a gripe A ou de devolver as que sobrarem no contrato que fez com o laboratório GlaxoSmithKline (GSK), segundo fonte governamental e da própria farmacêutica. Por isso, corre agora o risco de ficar com milhões de doses por usar... e muitos milhões de euros de prejuízo.

 

No total, o País gastou 45 milhões de euros em seis milhões de doses e desde 26 de Outubro e até à semana passada tinham sido usadas apenas 240 mil. Mesmo que por mês, até Março, se consiga vacinar igual número de pessoas ficam cinco milhões de vacinas na prateleira - o que corresponde a mais de 30 milhões de euros de prejuízo.
 
Tentar renegociar o contrato, tal como Alemanha e Espanha estão a fazer, é uma das opções em cima da mesa, disse ao DN fonte governamental. A mesma fonte confirmou não existir uma condição que permita a devolução de vacinas. Aliás, a GSK não terá aceite essa cláusula nos contratos que fez, confirmou fonte da farmacêutica.
 
No entanto, a ministra da Saúde espanhola garantiu ao jornal El Pais que os contratos que fez - com a GSK, mas também com a Novartis e a Sanofi-Pasteur - "incluíam cláusulas que permitiam devolver" as vacinas não usadas.
 
Por esta altura já não há muitas dúvidas que vão sobrar doses. A possibilidade tornou-se óbvia nos países que encomendaram vacinas para mais de 50% da população - como a Alemanha - , a partir do momento em que se soube que só seria necessária uma dose para proteger um adulto. Em Portugal, que encomendou para 30% da população, percebeu-se que afinal há vacinas para seis milhões. E o que seria uma boa notícia, há três meses, é hoje um problema, porque nem os grupos prioritários parecem interessados em vacinar-se.
 
Além disso, à medida que o número de casos de gripe A desce e as autoridades confirmam que a doença é menos agressiva, mais difícil será convencer os portugueses. Isto, apesar de as autoridades continuarem preocupadas com a segunda onda da pandemia.
 
Por enquanto, a estratégia da tutela é "tentar utilizar ao máximo as vacinas", diz Joana Réfega, assessora do Ministério da Saúde. "É ainda prematuro decidir o que fazer. Vamos alargar a vacinação a todas as crianças e a mais doentes e ver como corre", acrescenta. Assim, já a partir de segunda-feira, todas as crianças até aos 12 anos podem começar a ser vacinadas contra a gripe A. Basta os pais contactarem o seu centro de saúde para combinar a data e não é necessária qualquer declaração médica. Estas, ao contrário dos adultos, precisam de levar um reforço, três semanas depois.
 
Outra hipótese para minimizar as perdas é vender ou doar a outros países - se houver interessados. Na semana passada, a ministra Ana Jorge referiu também a possibilidade de passar a vender a vacina nas farmácias.
(Fonte: Diário de Notícias - DN portugal)
 
 

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publicado por servicodesaude às 11:50
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