Domingo, 20 de Dezembro de 2009
Gripe A: Portugueses baixam a guarda mas é necessário reacender a ideia de vacinação

A banalização da gripe A e a não concretização dos piores cenários relacionados com a doença estão a levar os portugueses a «baixar a guarda» e a «um afrouxamento das medidas necessárias face a uma pandemia», diz o director da Escola Nacional de Saúde Pública.

«O que nós observámos foi diferentes níveis de alertas nos últimos meses, que foram desembocar na grande discussão sobre vacinas, que em termos sociais ainda é inconclusiva», disse Constantino Sakellarides à agência Lusa.
Depois disso, assistiu-se a «uma espécie de abrandamento». «Estamos numa fase em que a questão da gripe foi bastante banalizada e há um afrouxamento dos comportamentos e das medidas que são necessárias face a uma pandemia», sustentou.
Para o responsável, esta situação deve-se ao «longo período de indução [da doença], à sensação de que o pico da primeira onda já passou e, ao contrário do que se temia, a pandemia não ter provocado grande disfunção social».
«As escolas não fecharam, as empresas não tiveram grandes dificuldades e os transportes continuaram a funcionar», ao contrário do que aconteceu em alguns países, nomeadamente o México.

Sakellarides apela no entanto aos portugueses para não «baixarem a guarda» e, sobretudo, para aderirem à vacinação: «O que nos vai proteger de uma segunda onda [de pandemia] é termos uma boa percentagem de pessoas vacinadas».
Para o responsável, é preciso «reacender a ideia de que a vacinação, seguida da comunicação, continua a ser a principal arma, não só para abreviar esta onda pandémica, mas para evitar a segunda ou, pelo menos, minimizá-la».
A pandemia trouxe dois ensinamentos que é preciso aplicar, diz. O primeiro é dar mais informação a nível local e criar um modelo envolvente de informação com a população.
«Era importante a informação a nível local para que os profissionais de saúde, as pessoas, as empresa, as escolas e outras entidades fizessem um retrato imediato do que está a acontecer localmente», sustentou, lembrando que, actualmente, essa informação é agregada a nível nacional.
 
O «segundo ensinamento» é que o »modelo tradicional de emergência em saúde pública» não se aplica numa pandemia, porque «não é um fenómeno espontâneo», como um terramoto.
Uma pandemia tem um período de indução e expansão de meses. Nestes casos, «as pessoas não obedecem àquilo que as autoridades e os técnicos querem que elas façam e apenas fazem o que pensam que devem fazer».
«A vacina foi uma questão óbvia», observou, comentando que, pela primeira vez na história, «foi possível ter uma vacina pandémica a tempo e as pessoas não se vacinam».
«É necessário perceber melhor o que as pessoas pensam e tentar precocemente trabalhar com elas no sentido da sua resposta ser mais baseada no conhecimento e menos baseada nalgumas impressões erróneas que são criadas pelos novos métodos comunicacionais, como a Internet».
(Fonte: Diário Digital / Lusa)
 
 

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publicado por servicodesaude às 12:03
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