Terça-feira, 12 de Janeiro de 2010
Dependências - Reportagem (resumo)

O álcool é o terceiro factor de risco e de morte prematura nos países europeus. E de todas as substâncias que causam dependência, o álcool é a mais socialmente aceite.

 
Ana Feijão, directora da Unidade de Alcoologia de Coimbra, chama atenção para o facto de que “se um pai souber que o seu filho fumou um charro, se calhar entra em pânico, mas se sair à noite e apanhar uma bebedeira, até pode comentar “já é crescidinho”.
 
Sem real consciência dos perigos do álcool, cada vez mais jovens começam a beber cada vez mais cedo.
 
De acordo com Ana Feijão, as estatísticas são claras: “Um em cada quatro jovens que morrem na União Europeia, entre os 15 e os 25 anos, morre de causas associadas ao álcool: em acidentes de viação, em cenas de violência – em brigas -, estando ainda muito ligado a doenças sexualmente transmissíveis e à gravidez não desejada, na adolescência.
 
Portugal é, por outro lado, dos países mais permissivos relativamente à legislação sobre o álcool. A venda de bebidas alcoólicas é permitida a jovens de 16 anos; isto no mesmo país onde só é permitida a venda de tabaco a maiores de 18.
 
A directora da Unidade de Alcoologia de Coimbra acrescenta que enquanto o consumo de vinho desceu; o consumo de cerveja aumentou imenso, mais de 400%. O mesmo aconteceu com o consumo de bebidas destiladas, tais como “shots”.
 
Nos adultos os consumos implicam uma desestruturação grande da vida; problemas laborais, familiares e sociais e pode levar ao aparecimento de problemas psiquiátricos.
 
Apesar de haver cada vez mais mulheres com problemas de álcool, os homens com idade média de 40 anos continuam a ser o maior grupo com dependência alcoólica. Mais de 60% são casados, cerca de 65% têm o 6º ano de escolaridade e a maior parte trabalha no sector secundário. Mais de 80% tem problemas laborais e familiares e cerca de 77% já estiveram envolvidos em acidentes de viação.
 
Existem cerca de 580 mil alcoólicos em Portugal. Segundo dados da APAV (Associação Portuguesa de Apoio à Vítima), 25% dos agressores no nosso país são dependentes de álcool. E segundo a Comissão de Protecção de Crianças e Jovens, nos processos relativos a agregados familiares, em 44% dos casos, ambos os progenitores são dependentes da bebida.
 
Outras estatísticas nacionais indicam que os jovens têm o seu primeiro contacto com a bebida aos 11 anos de idade. Já com outro tipo de drogas, o primeiro contacto costuma ser um pouco mais tarde.
Comparativamente ao álcool, as chamadas drogas psicoactivas afectam menos pessoas - cerca de 50 mil -, mas os problemas associados são, geralmente, mais complicados.
 
O consumo de substâncias psicoactivas ditas legais, como as benzodiazepinas, é também uma nova realidade do país. Não há grandes conflitos sociais associados e a fonte de abastecimento costuma ser a própria família.
Enquanto um consumidor de heroína precisa de 40 euros por dia; um consumidor de benzodiazepinas precisa de muito pouco, porque obtém as receitas através do Sistema Nacional de Saúde e com todos os descontos.
 
Apesar de tudo há redução de consumos nas populações mais jovens, nomeadamente o consumo de drogas injectáveis e a diminuição do VIH/SIDA, entre a população toxicodependente.


publicado por servicodesaude às 22:50
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