Terça-feira, 12 de Janeiro de 2010
Dependências - Consumo de Álcool pelos jovens e Plano de Redução governamental

Encontra-se em fase de aprovação governamental um Plano de Redução de Consumo de Álcool, que vem acrescentar algumas medidas, nomeadamente, vem propor a proibição do consumo de álcool, em locais públicos, a menores de 18 anos.

Neste momento estamos nos 16 anos, mas sabemos que o consumo se inicia por vezes muito antes, aos 14, 15, ou mesmo antes. Mas a revisão foi entregue ao Governo em Maio e ainda não foi transposta para lei.
 
João Goulão garante que a aprovação do plano, concebido pelo Instituto da Droga e da Toxicodependência, com outros parceiros, está “eminente”.
 
“O plano contempla a criação de uma rede de referenciação para tratamento de pessoas com problemas ligados ao álcool, envolvendo numa primeira linha os médicos de família e os centros de saúde. Depois, a rede contará também com todas as unidades ligadas ao IDT, as Unidades de Alcoologia – os antigos Centros Regionais de Alcoologia - e ainda gostaríamos de envolver as respostas da Saúde Mental, como os serviços de psiquiatria dos hospitais”, explica o presidente do Instituto da Droga e da Toxicodependência.
 
Relativamente à questão da idade, é sabido que quanto mais precoces são os consumos, maior a probabilidade de no futuro se desenvolver uma dependência. Do ponto de vista orgânico, os jovens não metabolizam o álcool da mesma forma que um adulto e, portanto, há o risco acrescido de desenvolvimento de doenças.
 
"Hhoje começamos a ver jovens com menos de 30 anos com cirroses hepáticas, doença anteriormente associada a pessoas na casa dos 50 ou 60 e tal anos”, acrescenta.
 
Nos últimos anos assistimos à alteração dos padrões de consumo do álcool: para além dos bebedores “clássicos”, da taberna, existem estes consumos muito precoces, em idades muito baixas, caracterizados por um consumo excessivo esporádico – muito ao fim de semana e ocasiões especiais -, intercalados por períodos de quase abstinência que, pela repetição, vão deixando marcas.
 
Domingos Neto, psiquiatra, adianta que “estes consumos são perigosos porque estão ligados a uma mortalidade muito forte, a relações sexuais não protegidas e a acidentes de viação; a principal causa de morte entre os jovens”.
 
O Brasil conseguiu impor uma espécie de “Lei Seca”, na opinião do psiquiatra, “porque a taxa de alcoolemia é zero e devido a uma grande mobilização nacional”. Os resultados ao nível da sinistralidade automóvel são espantosos; uma redução em cerca de 40%.
 
“Porque é que não funciona em Portugal? Eu diria que tem a ver com a brandura dos nossos costumes e da tradição de estarmos colocados em oitavo, nono ou décimo lugar, entre os países que mais consomem álcool globalmente”.
 
“Quando se fala do Plano de Redução do Álcool que o IDT pretende implementar, e da possibilidade de beber apenas a partir dos 18 anos, o problema é que o governo ainda não regulamentou o anterior, o Plano Nacional de Luta Contra o Alcoolismo. E continua-se a beber antes dos 16 anos nas discotecas e em todo o lado, o que é muito grave”, acusa Domingos Neto.
 
“Não há muita, nem pouca fiscalização; diria que não há nenhuma. E pode haver danos irreparáveis para o desenvolvimento, tendo em conta que o cérebro na adolescência não está completamente formado”, conclui.


publicado por servicodesaude às 18:20
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