Terça-feira, 12 de Janeiro de 2010
Dependências - Riscos associados ao consumo de Álcool pelos jovens

Os jovens bebem muitas vezes por questões de integração, para socializarem, o que já acontecia antes. Hoje, contudo, de acordo com Eduardo Mendes, médico de família, o fenómeno adquiriu características distintas.

 

“Bebem muito, num curto espaço de tempo e álcool de péssima qualidade, o que agrava significativamente os danos físicos e metabólicos dos jovens que, fisicamente, são ainda imaturos”.

 
Além disso, tem-se verificado um consumo acrescido da cerveja que, a partir dos anos 80, entrou com enorme força no nosso mercado. E regista-se mesmo, um certo “orgulho” em consumir a bebida em doses enormes, aos fins-de-semana e em certos eventos, nomeadamente, nas Queimas das Fitas, em várias localidades do país.
 
Domingos Neto reforça a gravidade do fenómeno, esclarecendo os números existentes em Portugal relativos ao consumo de álcool: “os portugueses consomem em média cerca de 96 litros de vinho por ano e cerca de 200 litros de cerveja”.
 
O psiquiatra explica que, enquanto algumas pessoas bebem moderadamente, para outros o álcool é uma droga extremamente perigosa, não se escusando a dizer que “talvez mesmo mais perigosa do que todas as drogas ilícitas juntas”.
 
Neste capítulo, os meios de comunicação social não têm ajudado muito. Ou porque associam o consumo de álcool a um certo poder de atracção ou por falta de eficácia das campanhas de sensibilização.
 
“As campanhas estão muito mais desenvolvidas relativamente ao tabaco do que ao álcool, em que há uma unanimidade social muito maior. O álcool ainda anda envolvido numa espécie de manta de retalhos de interesses”, reconhece.
 
João Goulão concorda que ainda existe uma grande complacência social relativamente ao consumo do álcool. E se no caso da droga as responsabilidades encontram-se concentradas, por exemplo, na figura do presidente do IDT, relativamente ao álcool essa figura ainda não existe. Logo, também não existe uma fiscalização efectiva.
 
A Declaração de Estocolmo de 2001, sobre jovens e álcool, diz explicitamente que “as politicas de saúde sobre álcool devem ser formuladas com base no interesse da Saúde Pública e sem a interferência de interesses comerciais”.
 
E João Goulão diz ter consciência de que haverá um momento em que os interesses se revelarão antagónicos. "Aumentar a idade mínima legal para o consumo de álcool dos 16 para os 18 anos só é possível havendo fiscalização e sabemos que vai ser difícil porque mexe com vários interesses”.


publicado por servicodesaude às 15:56
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