Terça-feira, 19 de Janeiro de 2010
Doenças do Fígado - Diagnóstico precoce de Hepatites, Cirroses e Tumores

Há um grande número de casos de doenças do fígado por diagnosticar em Portugal, hepatites e outras, ou seja, necessitamos de fazer uma detecção mais precoce e mais alargada.

 

Eduardo Mendes, médico de família, reconhece que é aos consultórios como o seu que os doentes primeiro chegam, pelo que os médicos de família devem estar alertados para a necessidade de fazerem um diagnóstico precoce e de avaliarem o funcionamento hepático dos doentes, sobretudo os de maior risco.
 
Quando são detectadas patologias os doentes devem ser encaminhados para especialistas nos hospitais centrais; os melhor apetrechados para o efeito, para despistar o que se passa.
A maior parte das doenças do fígado são silenciosas, mas “os médicos de família percebem quando é que há um grupo com comportamentos de risco, ou seja, abuso de álcool, de drogas ou com práticas sexuais pouco seguras e, sobre esses, deve exercer uma maior vigilância”.
 
Por outro lado, as próprias análises de rotina, embora não permitam um diagnóstico, “permitem pelo menos despistar algumas alterações da função hepática e alertar para a necessidade de investigar mais, o que pode passar pela biopsia hepática”.
 
Quando se encontram alterações da função hepática que não têm um carácter agudo e que têm o risco de se tornar crónicas, então o médico de família encaminha os doentes para um gastrenterologista ou hepatologista.
 
Consequências da detecção tardia
Guilherme Macedo, gastrenterologista e presidente da APEF (Associação Portuguesa para o Estudo do Fígado) diz que a maior parte das doenças do fígado, entre elas as hepatites víricas, ocorrem de forma muito discreta, “debaixo do pano”, silenciosamente, embora possam ser detectadas de forma muito fácil, se fossem pesquisadas.
 
Há análises, testes, relativamente simples e muito baratos - provas sanguíneas -, que permitem identificar se há um ou mais problemas no fígado. “O melhor truque é as pessoas não esperarem por nenhum sintoma: em relação às doenças de fígado não se deve esperar, deve-se procurar”, aconselha, por isso, o gastrenterologista.
 
A sobrecarga de peso, ou a obesidade, deve ser um critério para investigar porque é uma causa comum de alterações das provas do fígado.
 
Além disso, em Portugal, estima-se que existam cerca de 170 mil pessoas com hepatite C e cerca de 130 mil hepatites B. No caso da primeira, por exemplo, pensa-se que apenas um terço estará identificado. Ou seja, no caso da hepatite C, existirão cerca de 80 mil pessoas, com sinais discretos, mas que não sabem que têm a doença.
 
“Inflamação para nós é uma má notícia já que pode indicar a presença de um problema mais sério. Por isso o nosso grande objectivo é, em primeiro lugar, conseguir anular ou reduzir a inflamação. Em relação à obesidade, de facto a sobrecarga de peso provoca muitas vezes inflamação no fígado”.
 
Tal como os vírus das hepatites, que provocam inflamação crónica no fígado, uma cicatrização excessiva e a perda da função hepática, cria-se uma estrutura anormal – aquilo que se chama de fígado cirrótico – e que é favorável ao aparecimento de uma das complicações mais temíveis: o cancro do fígado.

 



publicado por servicodesaude às 20:06
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