Terça-feira, 19 de Janeiro de 2010
Doenças do Fígado - Perfil e acompanhamento psicológico do doente

Jorge Daniel, cirurgião, fala sobre a doente abordada na reportagem: "Tem 19 anos e até há dois meses era absolutamente saudável. É portadora duma doença genética associada a um cromossoma, o 13; doença esperada na população portuguesa com uma incidência de um para 30 mil".

 

A doença foi detectada através de análises sanguíneas. Normalmente, evolui para cirrose ou então para uma insuficiência hepática aguda; o fígado entra em falência.
 
Nestes casos há um apelo a nível nacional para encontrar um fígado: "Esta paciente entrou em contacto connosco no Hospital de Santo António 48 horas antes de ser transplantada. O apoio psicológico é fundamental e irá acontecer agora no pós-operatório. Esta paciente tem uma rede social, composta pelos pais e esse apoio social e psicológico é muito importante nestes doentes, nomeadamente no pré-transplante".
.
Eduardo Barroso, cirurgião e co-autor da "Abordagem Psiquiátrica do Doente Transplantado", salienta que "é obrigatório, para que muitos dos doentes possam entrar numa lista activa, que tenham o aval da pequena equipa constituída por uma psicóloga e por um psiquiatra, que se desloca ao Curry Cabral três vezes por semana".
 
"Procura-se avaliar a capacidade do doente cumprir escrupulosamente a medicação no pós-operatório, nomeadamente os imunodepressores que se seguem à operação".
 
O transplante hepático é uma operação cara`(custa cerca de 100 mil euros ao Serviço Nacional de Saúde) e os órgãos são escassos, logo, por muito que sejamos generosos na doação em Portugal, vão sempre faltar órgãos para outros doentes.
 
Por exemplo, em relação aos alcoólicos, é exigido um determinado tempo de abstinência, para se ter a certeza que o doente não vai cair novamente nos factores de risco e perder o novo fígado.
 
Mesmo assim, a taxa de recaída do alcoolismo,  após a cirurgia de transplante hepático, é de cerca de 30%, o que continua a ser um número expressivo. "Temos que ter a certeza que a pessoa que vai receber o novo fígado o merece".
 
Jorge Daniel, director do Programa de Transplantação Hepática do Hospital de Santo António, no Porto, diz que neste hospital é traçado um perfil psicológico a quem vai receber o transplante.
 
"É importante porque o doente muda e torna-se mais fácil perceber como é que vai ser o seu comportamento perante as complicações hipotéticas no pós-operatório e ajudá-lo nesse sentido".


publicado por servicodesaude às 17:26
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Fevereiro 2010
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9
10
11
12
13

14
15
16
17
18
19
20

21
22
23
24
25
26
27

28