Terça-feira, 9 de Fevereiro de 2010
Sexualidade Feminina II - Falta de Desejo ou de Iniciativa?

Nos anos 70 e 80, a falta de desejo não era uma queixa comum. As questões que os pacientes colocavam aos médicos dirigiam-se sobretudo à forma de obter prazer e excitação, porque havia muita ignorância.

 
“A partir de certa altura começaram a aparecer cada vez mais mulheres - e cada vez mais jovens -, a dizer que não lhes apetece ter relações sexuais, embora não tenham quaisquer dificuldades”, conta Allen Gomes.
 
“Quando as têm é óptimo, sem inibições e os companheiros apreciam. Portanto, é como dizer: são capazes, mas não lhes apetece. Ou, pelo menos, com determinada frequência.
As próprias dizem sentir um certo "desconforto”, porque, dizem: “eu não era assim”, reafirma o psiquiatra,   
 
No livro “Disfunções sexuais”, da autoria do psicólogo Pedro Nobre, são abordados vários estudos sobre o tema.
Enquanto disfunção sexual, estima-se que a falta de desejo possa afectar cerca de 30% de mulheres; ou seja, quase um terço do total de mulheres abordadas nesses estudos.
 
Lisa Vicente, ginecologista, percepciona o fenómeno de outra forma: “As mulheres vêm muitas vezes o seu desejo sexual diminuído mas relativamente a um padrão do que deverá ser o seu desejo normal, veiculado pela informação que lhes é disponibilizada”.
 
E explica: "Muitas vezes o “eu não tenho desejo”, deve ler-se “eu não tenho a iniciativa” e, durante muito tempo, isso foi classificado como uma disfunção sexual.
Existem muitos estudos que demonstram que mesmo em relações em que as mulheres consideram satisfatórias, 30% afirma que o seu desejo não é espontâneo, ou seja, que não são elas a tomar a iniciativa".
 
Por isso, a ginecologista reforça que essas mulheres, devidamente estimuladas, e num certo contexto, depois entusiasmam-se e a relação sexual corre bem.
 

Ana Carvalheira, psicóloga, concorda com o facto de o fenómeno ser complexo e de sofrer a interacção de diversas variáveis, entre as quais o processo de educação e socialização. Admite que a perda do interesse sexual é a queixa mais frequente, no entanto avança que "As disfunções sexuais são raras; o que existem são determinados problemas”.

 
“Um grande número de mulheres de facto inicia a actividade sexual sem ter vontade e depois de estimulada passa a ter. No entanto, quanto mais tempo se interrompe a actividade sexual, mais difícil é. Na actividade sexual, quanto menos se faz, menos apetece fazer; quanto mais se faz; mais apetece fazer”, acrescenta Eduardo Mendes.
 
O médico de família explica ainda que em determinados níveis culturais, uma infecção ginecológica vulgar (como fungos ou uma candidíase, por exemplo), pode ser entendido como tendo sido "pegado” o que, por si só, pode causar um certo estigma na mulher e na forma como encara a sua sexualidade.


publicado por servicodesaude às 21:08
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