Terça-feira, 30 de Junho de 2009
Sugestões

Deixe-nos aqui as suas sugestões sobre os temas que gostaria de ver abordados no programa Serviço de Saúde da RTP 1.


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publicado por servicodesaude às 23:59
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VIH/SIDA - Introdução (por Maria Elisa Domingues)

O programa Serviço de Saúde, da RTP 1, do dia 30 de Junho de 2009, debruçou-se sobre o tema HIV/SIDA.

Tal como na actualidade política, cada nova guerra nos faz esquecer outras bem mais mortíferas e prolongadas, também na saúde tiram-se da agenda mediática patologias da maior gravidade, em parte porque ás vezes parece nada mais haver a dizer sobre elas.
A não ser quando alguma nova polémica, como aconteceu na semana passada com as equipas móveis do programa “Cuida-te”, as traz, momentaneamente, para a ribalta.
A Sida é, como já perceberam, o nosso tema central de hoje.
Para Portugal, os números são bastante razoáveis. Estamos em quinto lugar entre os países mais afectados da União Europeia, com a Grã-Bretanha, a Bélgica, o Luxemburgo e a Irlanda, com índices mais elevados.
Há no entanto aspectos preocupantes na nossa realidade, como a maior percentagem de infectados serem heterossexuais e os casos entre os homossexuais estarem a aumentar.
 
A existência de novos medicamentos de maior eficácia, diminuiu o número de mortos pelo vírus VIH mas, por outro lado, terá provocado uma sensação de falsa segurança em muitas pessoas que deixaram por isso de se proteger. E apesar de todos os esforços de prevenção, o estigma e o preconceito associados à doença levam muitas pessoas a viver em processo de negação, procurando, tardiamente, os cuidados médicos.
 
A nossa equipa de reportagem esteve no Hospital Garcia da Horta, em Almada e no Porto, no Hospital de São João, onde também acompanhou uma equipa de rua: a “Arrimo”.
 

 


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publicado por servicodesaude às 20:00
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VIH/SIDA - Reportagem

"Não se vive com a Sida, quando muito pode-se sobreviver com a Sida…"

"É uma vida muito mais limitada do que a de qualquer outra pessoa…"
"Diariamente somos descriminados nos centros de saúde, nos hospitais, dentistas; em tudo e mais alguma coisa…"
"As pessoas ainda pensam que o estar a falar com elas, um cumprimento… que isto ainda se pega assim…"
"É uma injustiça. Perguntamo-nos tantas vezes: porquê?"
 
Em Portugal, a 31 de Dezembro de 2008, havia cerca de 35 mil casos notificados de VIH/SIDA. Cada um destes casos revela uma história diferente mas cada um deles tem um ponto em comum: pelo menos um comportamento de risco, em algum momento da vida.
 
Joana tinha apenas 12 anos quando iniciou o sinuoso caminho rumo ao álcool e à droga: “Comecei a usar drogas aos 12, a beber copos, a fumar charros e, aos 16, drogas injectáveis. Tudo o que ganhava, gastava rapidamente em cocaína e heroína. Os trabalhos acumulavam-se para suportar o vício.
 
Chegou a trabalhar numa secretaria duma prestigiada universidade de Lisboa e aos 23 anos voltou à escola para fazer um curso técnico-profissional de cabeleireira. Nos exames médicos que foi obrigada a fazer, recebeu uma notícia inesperada. Estava grávida de 5 meses: “Resolvi fazer uma paragem na minha vida e uma paragem com as drogas, para o meu filho não nascer ressacado”.
 
Ingressou no centro de desintoxicação, mas ao fim de três semanas, o vício foi mais forte: “Estive um mês e meio em Coimbra, a pedir. Na altura davam muito dinheiro. Com uma grande barriga, a pedir de porta à porta, a dizer que não tinha dinheiro e que morava na Cova da Piedade. Aquilo rendia 30 a 40 contos por dia e era o que eu queria. Estive lá um mês e meio assim”.
 
Com 23 anos, grávida de oito meses e dependente de drogas, descobriu que era seropositiva. Foi nesta altura que o médico de família a encaminhou para o Hospital Garcia de Horta.
“Caí no hospital de pára-quedas, aos oito meses e meio de gravidez, sem nunca ter feito um exame sequer, uma só ecografia, uma análise… Eu tinha vindo de Viseu sem o meu processo - e que era muito pouco - mas aqui no hospital foram impecáveis. Praticamente andaram comigo ao colo”.
Foi neste hospital que foi acompanhada até ao final da gravidez e também o filho de Joana, hoje com 13 anos, é uma criança saudável.
 
Actualmente, se forem seguidos alguns cuidados básicos, como não amamentar e cumprir a medicação, a percentagem de bebés infectados pelas mães não ultrapassa os 3%.
Neste hospital, nos últimos três anos, 57 mulheres seropositivas deram à luz e nenhum destes bebés foi infectado.
 
Isabel Soares (Hospital Garcia de Horta): “O filho de uma seropositiva, a partir do momento em que tivermos confirmado que não houve transmissão, é uma criança igual a todas as outras que nascem”. A confirmação chega por volta dos 18 meses.
“Só entre os 12 e os 18 meses é que temos a certeza que ela perde os anticorpos da mãe e se surgissem anticorpos positivos eram dela e, portanto, estaria infectada”.
 
O HIV é implacável e basta apenas uma oportunidade para tomar conta das nossas vidas. É o caso de Daniel. Bastou-lhe uma vez. Sabe exactamente o dia em que foi infectado: “Foi nessa tarde de domingo, no final do Euro 2004, e a única vez que tive uma relação sem protecção. Foi a única vez. Nunca pensei que fosse fatal”.
 
Mas foi fatal. E a 12 de Fevereiro de 2007, o teste confirmou o pior: “Mudou a minha forma de pensar, mudou a minha forma de lidar com as outras pessoas. Confesso que me tornei numa pessoa mais fria; confesso que me tornei numa pessoa mais revoltada”.
No início era seguido de três em três meses, agora, cada quatro semanas vai ao hospital para fazer análises. A doença evoluiu e as defesas de Daniel atingiram níveis muito baixos.
 
Os médicos prescreveram-lhe medicação, mas Daniel resiste: “Provoca-me efeitos que me impossibilitam ter uma vida normal. A medicação, a doença, ter que lidar com ela todos os dias, é uma tortura lenta. É algo que não estava habituado a fazer nestes últimos dois anos”.
Apesar dos efeitos secundários, a medicação que Daniel tem hoje à sua disposição é responsável pelo aumento do tempo de vida de pessoas infectadas pelo VIH.
 
Luís faz parte deste primeiro grupo de doentes a receber esta combinação de anti-retrovirais. Os sintomas começaram com 33 anos mas o diagnóstico só chegou cinco anos depois.
Luís Mendão (51 anos): “O último ano antes de ser diagnosticado foi tão deprimente que fiquei quase aliviado por haver uma razão biológica para o que se passava comigo. E portanto disse para comigo: não estou doido, não enlouqueci”.
 
Quando lhe diagnosticaram a infecção pelo VIH, Luís fez as contas. E pensou que lhe restavam apenas de seis meses a um ano de vida. Organizou tudo nesse sentido mas, mais uma vez, a vida surpreendeu-o: “Bom, agora não sei mesmo o que é que hei-de fazer. Já tenho vergonha de atender o telefone porque ainda cá estou, já me despedi de toda a gente, reformei-me, vendi a casa, as coisas estão prontas e agora o que vou fazer?
E depois a vida começou a ser uma vida em aberto, como a de toda a gente.”
 
As fases agudas da doença deixam muitas vezes marcas profundas. Manuel ficou com o rosto desfigurado, devido ao consumo de drogas e ao muito tempo de doença, sem qualquer acompanhamento. Todos os dias sentia o peso da descriminação no olhar das pessoas:
Manuel (48 anos): “O pior era sentar-me, às vezes só existir aquele lugar desocupado, e as pessoas preferirem ir em pé, do que sentarem-se ao meu lado”.
 
Foi no Hospital de São João, no Porto, que apagou do rosto as marcas de abandono às drogas e à doença. A cirurgia plástica foi o melhor método para a reintegração social.
 
Álvaro Silva (cirurgião plástico): “Querem melhorar a sua aparência, a sua auto-estima e é uma maneira de passarem mais despercebidos na sociedade. Mas também de se sentirem mais integrados e não lhes fazerem tantas perguntas, como acontece noutro tipo de patologias e com outros doentes”.
“Fiquei muito contente. Foi a melhor notícia que me podiam ter dado, melhor do que se tivesse recebido a notícia que tinha recebido o Euromilhões”.
 
Mas a sorte não bate à porta de todos e a equipa de rua da Cooperativa “Arrumo” sabe bem disso. Todos os dias percorrem as ruas do Porto e têm contacto com situações de extrema precariedade. Quando há um caso de VIH diagnosticado, o trabalho centra-se na aproximação dos doentes aos cuidados de saúde.
 
Vanessa Branco (psicóloga): “Nos casos de HIV, tentamos trabalhar muito as consultas, a reaproximação ao médico, aos serviços de saúde e a uma rotina de vida diária, necessária para manter uma condição de vida saudável para uma pessoa infectada com HIV. Para isso trabalhamos muito com metadona, temos um programa de baixar o limiar, que pretende exactamente melhorar as condições de vida destes utentes aos serviços de rede.
 
O número de infectados continua a aumentar todos os anos. E ainda não há uma cura. A única arma eficaz contra a doença continua a ser a prevenção.

E assim, fica o conselho: “Use preservativo…”


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publicado por servicodesaude às 18:01
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VIH/SIDA - Convidados do programa

Drª Ana Jorge - Ministra da Saúde, pediatra; dirigiu o Serviço de Pediatria do Hospital Garcia da Horta, em Almada e, antes, tinha sido presidente da Administração Regional de Lisboa e Vale do Tejo.

Prof. Dr. Henrique de Barros - Coordenador Nacional para a Infecção VIH/Sida, além de doutorado em Medicina e professor de Epidemiologia na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.

Dr. Kamal Mansinho – Chefe do Serviço de Doenças Infecto-contagiosas, do Hospital Egas Moniz (Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental).

E três associações, das mais representativas dos doentes com VIH: a Abraço, a Positivo e o GAT (Grupo Português de Activistas sobre Tratamentos de VIH/SIDA).

 

Outros convidados:

Dr. Álvaro de Carvalho - Coordenador Nacional de Saúde Mental, convidado residente em todos os programas.
Drª Rosário Malheiro - Estomatologista, responde às questões sobre Saúde Oral (programa anterior).

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publicado por servicodesaude às 18:00
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VIH/SIDA - Prevenção Primária: escolas, discotecas e festivais de música

Sr.ª Ministra, Dr.ª Ana Jorge, quando nos lembramos apenas dos 35 mil doentes com Sida no nosso país – e mesmo assim já é um número muito elevado – esquecemo-nos que a Organização Mundial de Saúde estima que, em 2010, haverá 40 milhões de crianças em todo o mundo, órfãos de pai, mãe ou ambos.

E também que cerca de um terço das pessoas infectadas no mundo têm entre 15 e 24 anos, o que torna desde logo fundamental a prevenção, nomeadamente nas escolas e em todo os locais onde seja possível chegar aos jovens, para lhes lembrar, não só que a Sida existe, mas também que continua a aumentar.

O que difere um pouco são os grupos de risco; pelo que penso que a sua maior preocupação seja, realmente, a prevenção?
Dr.ª Ana Jorge (Ministra da Saúde): É muito importante aumentar a sensibilização para o facto da Prevenção Primária ser de facto o mais eficaz. Há neste momento possibilidades de tratar e de, através de todos os cuidados, tornar a doença numa doença crónica mas, como vimos na reportagem, é difícil viver com a SIDA e o VIH.
E seria fundamental que todos tivéssemos as atitudes e os comportamentos que levassem à prevenção. E essa sensibilização tem que começar muito cedo. É importante falar com as crianças cedo, claro, de acordo com as suas idades, sensibilidades e etapas de desenvolvimento. Mas falar abertamente.
Penso que um dos problemas que Portugal teve durante demasiado tempo foi o de não se falar abertamente em SIDA. Havia algum tabu e isso levou a esconder o problema.
No Ministério da Saúde temos um protocolo com o Ministério da Educação, de desenvolvimento de programas em comum, nas escolas, com os professores, para que possamos todos juntos aumentar a consciência para a importância deste problema: a prevenção primária. 
A propósito desse protocolo, e do Programa “Cuida-te!” ligado ao Instituto Português da Juventude, na semana passada houve uma polémica que a meu entender terá sido mais um mal-entendido, porque o que saiu para a opinião pública é que haveria a ideia de se fazer testes de Sida, a todos os jovens, desde os 12 anos.
Ora eu penso que a ideia base desse programa é esclarecer: ter cinco unidades móveis nas escolas, junto das discotecas e dos grandes festivais de música; nos locais onde os jovens se concentram para os poder informar acerca dos perigos…
Dr.ª Ana Jorge (Ministra da Saúde): Estamos a falar de dois programas completamente diferentes. Há este, de prevenção nas escolas, de prevenção primária, que acabei de falar, que resulta do protocolo com o Ministério da Educação, e que é feito dentro das escolas, com os professores. E este outro, de que falou, o “Cuida-te!”; um programa que foi desenvolvido com o Instituto da Juventude.
O que é essencial é que possamos ter informação e, obviamente, a presença de unidades móveis junto dos locais onde estão mais jovens. É um sinal de alerta e também um meio de facilitação para lhes chegar informação. É preciso passar a mensagem de que nesses festivais é obrigatório o uso do preservativo e haver disponibilidade disso.
Não se trata de um programa de fazer rastreios ou um diagnóstico precoce, embora tenha havido o desejo de que o possamos providenciar. Mas por iniciativa das pessoas, nos centros de diagnóstico, sempre com confidencialidade.
Houve de facto um mal-entendido. E estes dois programas são de facto fundamentais para podermos ter menos doentes infectados e uma maior sensibilização, pelo que este ruído à volta desta questão não vem ajudar em nada.

 


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publicado por servicodesaude às 17:00
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VIH/SIDA - Grupos de Risco e Efeitos da Medicação

A existência desta nova geração de medicamentos extremamente eficazes – os anti-retrovíricos, que prolongam a vida das pessoas e que não deixaram, em muitos casos, que esta se tornasse uma doença mortal, para se tornar uma doença crónica – poderá ter despoletado em muitas pessoas a ideia: “a SIDA já não é perigosa, posso correr o risco, porque a seguir tenho os medicamentos para me tratar… “

Isso pode ter acontecido?
Prof. Henrique de Barros (Coordenador Nacional para a Infecção VIH/Sida): Isso pode ter acontecido. Mas apenas para lembrar os números portugueses, é que a infecção não é igual em todos os lugares.
A forma como se transmite às pessoas mais vulneráveis, a forma como são afectadas, e a resposta, é muito diferente, conforme os países e as regiões.
 
E o primeiro papel de um coordenador para a infecção VIH/SIDA é conhecer as características da população infectada, em cada país, para encontrar as respostas mais adequadas?
Prof. Henrique de Barros: Exactamente. A própria Organização Mundial de Saúde tem dito “Conheça a sua epidemia, saiba qual é a realidade do seu país, onde é que a infecção mais se transmite, como é que podemos estancá-la, quais é que são as barreiras no acesso aos cuidados”.
É necessário haver uma Educação para a Saúde, uma Educação para a Cidadania, para se poder resolver muitos problemas no futuro. Mas não se resolve o problema actual. E o problema da epidemia actual é que está a acontecer em populações com vulnerabilidades especiais.
Temos que ir ao seu encontro e fazer delas nossos parceiros na prevenção. Por exemplo, as pessoas que usam drogas perceberem que não podem partilhar material relacionado com as injecções; as pessoas que praticam sexo de forma comercial perceberem que têm que usar o preservativo. Isto tem que ser do conhecimento de todos.
Mas a questão dos medicamentos é muito importante. Entram como uma resposta para quem está infectado e doente. Mas também são uma importante arma de prevenção porque se as pessoas que contraíram o vírus estiverem bem tratadas isso também diminui as probabilidades de contagiarem outros.
Agora, estar doente implica algumas complicações e não apenas ter que tomar a medicação. Surgem sempre efeitos secundários indesejáveis.

É importante que as pessoas percebam que se infectarem não é o fim do mundo, mas que essa não é a boa opção.


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publicado por servicodesaude às 15:28
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VIH/SIDA - Combater o estigma: dar a cara e recorrer aos tribunais

Saber que se tem VIH não é o fim do mundo mas é, com certeza, um processo difícil, traumático e, como ouvimos dizer na peça, muito estigmatizante. Vimos muitas pessoas infectadas a não quererem dar a cara e a aparecerem em silhueta, numa sociedade que infelizmente ainda descrimina e que ás vezes ainda pensa que a infecção se pega por um aperto de mão, um beijo na face, e por outras vias completamente inócuas…

Prof. Henrique de Barros: Há pessoas que ainda pensam assim, é verdade. Mas era fundamental que do ponto de vista da prevenção fossemos capazes de falar abertamente sobre isto.
E os países onde as coisas avançaram mais foram aqueles em que as figuras públicas - líderes de opinião, em determinados sectores da sociedade – deram o rosto e disseram: “estou infectado”, e funcionaram como motor para a própria prevenção. É o caso de muitos desportistas, actores, etc.
 
O que nunca aconteceu em Portugal, pois não?
Não, mas estão-se a dar alguns passos. O próprio compromisso das empresas portuguesas de assumirem o princípio da não descriminação é importante, mas todos nós, como sociedade, devíamos assumir este compromisso perante todas as pessoas infectadas.
 
As próprias empresas, quando contactadas pela Coordenação Nacional para a Infecção VIH/SIDA, assinam protocolos de não descriminação. O que não quer dizer que se as empresas souberem, na sua contratação diária, que a pessoa é seropositiva, não façam descriminação. Isso, não podemos garantir, de maneira nenhuma?
Não podemos garantir. Mas não nos cansamos de dizer que é fundamental que esses casos sejam publicitados, conhecidos, até porque as leis portuguesas são suficientemente boas na protecção das pessoas. Algumas das quais até são exemplares.
Outra coisa é o medo e a incapacidade de dar a cara.
 
O problema em Portugal normalmente não são as leis, são os tribunais… que não resolvem atempadamente os problemas das pessoas.
Precisamos fazer mais, para que as pessoas se sintam seguras a exigir os seus direitos.

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publicado por servicodesaude às 14:21
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VIH/SIDA - Associações de doentes: Abraço, Positivo e GAT

As principais associações de doentes com VIH/SIDA estão aqui presentes: a Abraço, a Positivo e o GAT (Grupo Português de Activistas sobre Tratamentos de VIH/SIDA)

O Luís Mendão é formado em Bioquímica, é presidente do GAT, pertence à Comissão Directiva do VIH, em Portugal e é, ainda, o vice-presidente do European Aids Treatment Group.
Ouvimo-lo  dizer na reportagem que as pessoas continuam a ser estigmatizadas e descriminadas…
Luís Mendão: Uma das coisas que na área do VIH se tem vindo a pôr em prática é a necessidade de integrar na discussão e, em pé de igualdade, os representantes das associações de doentes ou que prestam cuidados na área do VIH/SIDA.
 
Mas tanto quanto sei, o GAT participa nas discussões da Coordenação Nacional para a Infecção do VIH/SIDA?
Sim, temos um Fórum Nacional da Sociedade Civil, que é um organismo composto pelas várias organizações que têm como objecto social o vírus VIH/SIDA e que têm um papel sobretudo de monitorização do programa.
Acho que foram dados passos qualitativos mas quanto a mim estamos longe de chegar à situação ideal.
 
Qual é que seria, para si, a situação ideal?
Que os vários parceiros intervenientes nesta área sejam reconhecidos como parceiros e tenham mecanismos institucionais permanentes de acordo, de condições de trabalho.
Num estado democrático os governos decidem mas também manda a boa governança que haja verificação dos compromissos e processos de monitorização.
Da Suíça à França, da Alemanha à Inglaterra, os modelos de resposta à SIDA têm integrado mais os diferentes parceiros.
 
O Prof. Henrique de Barros é o Coordenador Nacional para a Infecção VIH/SIDA. De certa forma, o que disse Luís Mendão é uma crítica: o que é que se poderia fazer mais para integrar as associações de doentes nas plataformas de decisão?
Dr. Henrique de Barros: Eu penso que se têm dado passos. E que ainda existirão alguns aspectos por resolver. Penso que tem a ver sobretudo com a existência duma estrutura muito formalizada de monitorização do programa, na qual os representantes das Organizações Não Governamentais (ONG´s) – de doentes, ou não – têm um papel activo real.
Por outro lado, demorámos a fazer esta integração – é inequívoco – e penso que neste momento ainda não transferimos para as ONG´s, a quantidade de responsabilidades que elas devem e podem assegurar. E que asseguram melhor…
 
Porque estão no terreno e muitas vezes conhecem melhor a realidade…
Mas quem é que está mais atrasado? É o Estado ou são os empregadores?
Luís Mendão: Ainda voltando à questão da descriminação. Eu pertenço ao grupo de pessoas que a partir de certa altura decidiu aparecer publicamente como uma pessoa que vive com o VIH e, no meu caso, também com SIDA, para além de estar infectado com o vírus da Hepatite C.
De facto tem que se entender porque é que figuras públicas ou mesmo individualmente, não sendo figuras públicas, as pessoas não assumem essa diferença. Tenho aqui ao meu lado o Amílcar que, quando assumiu publicamente que era seropositivo, foi despedido.
Conheço várias pessoas que trabalhavam, gente qualificada que, quando os empregadores souberam que eram seropositivos, alegaram a falta de confiança, que nunca os teriam empregado, com o motivo de que não haviam sido leais. Este problema é real e de um enorme peso.
É preciso ter uma grande coragem, não ter medo de nada ou se ser inconsciente para se assumir que se é seropositivo. Também porque, a partir daí, a família, os amigos, todo um círculo de pessoas, fica afectado. E as pessoas passam-nos a ver primeiro com a doença, do que como uma pessoa, que vive com aquela doença. Há muito a fazer nesta área.
 
Embora isso não aconteça apenas no caso do doente com Sida… Há muitas outras pessoas, com muitas outras patologias, em relação ás quais nos esquecemos que são pessoas, e passam muitas vezes a ser apenas pessoas com cancro, cegos, velhos...
Mesmo a idade pode ser uma enorme segregação…
Luís Mendão: Há uns dias fomos ao Grupo Permanente para o VIH/SIDA, à Assembleia da República, que finalmente foi constituído… (ao fim de 20 anos de trabalho!…) e que conta com representantes de todos os partidos políticos. Está interessante, activo, com vontade de trabalhar.

Fomos entregar uma declaração onde fazíamos algumas recomendações, quer ao Governo, quer à Assembleia da República, como também às forças políticas que vão concorrer às eleições. Um dos nossos pedidos é que quando houver um processo de revisão constitucional, a não discriminação baseada no estado de saúde seja incluída. E não o facto de se ter VIH/SIDA. Sabemos que este objectivo abarcará muitas outras situações.


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publicado por servicodesaude às 13:36
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VIH/SIDA - Reforma sendo seropositivo

Telefonema de Pedro Caetano, 47 anos, economista, de Lisboa:

Fui reformado porque tinha uma lesão na coluna e não por ser seropositivo.
O que eu gostaria de saber é quais é que são os parâmetros de avaliação para um caso destes. Reformaram-me com uma reforma menor do que teria, não tendo sido levado em consideração pela junta médica o facto de ser seropositivo. Gostaria de saber porquê, com base na lei, nomeadamente o Dec. Lei 336/93.
 
O Pedro tinha ou não condições para exercer a sua profissão?
Não, não tinha. Fui reformado depois da questão da coluna, mas já sabiam que era seropositivo. E a minha reforma seria outra. A Srª Ministra sabe perfeitamente disto.
 
A Sr.ª ministra não deve estar a par das tabelas salariais relativas às reformas… Talvez o Dr. Henrique de Barros possa responder.
Dr. Henrique de Barros: Há vários anos, desde o princípio da infecção, quando o prognóstico era pior e diferente do que é actualmente, era mais fácil obter a reforma, por causa da infecção.
Os valores não são extraordinários, mas também as coisas estão a mudar e hoje em dia as pessoas vivem com a infecção, podendo exercer a sua profissão, o seu trabalho.
Se a detecção da infecção for feita o mais cedo possível, durante um largo período a pessoa até nem tem que fazer tratamento nenhum, tem apenas que fazer vigilância como qualquer outra pessoa.
 
Drª Paula Policarpo (jurista e vice-presidente da associação Abraço): Acho que tenho uma ideia do que este telespectador quis dizer. É que o facto de ser reformado através desta legislação, tem uma fórmula de cálculo superior, e não é assim tão pouco Dr. Henrique de Barros...
Acontece-nos muitas vezes na Associação Abraço, as pessoas serem seropositivas e terem outros problemas de saúde associados e não conseguirem reformar-se.
Agora a doença pode ou não ser incapacitante, isso depende dos casos. Muitas vezes as pessoas que querem reformar-se entendem que é através desse decreto de lei, mas as juntas médicas entendem que não.

Há uns anos era comum; hoje é muito difícil, as pessoas obterem a reforma com o dec.lei antigo. Não estou a dizer que é má vontade dos médicos. É porque entendem que os critérios clínicos não impossibilitam as pessoas da sua actividade, pelo facto de terem a infecção.


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publicado por servicodesaude às 12:44
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VIH/SIDA - A epidemia hoje: Protecção e Risco (1/2)

Queria mostrar um livro, o “Manual Prático para a Pessoa com VIH

(Autores: Dr. Kamal Mansinho, António Vieira, Francisco Antunes, Amílcar Soares e Pedro Silvério Marques. Edição: Penalptier Portugal).

Esta edição não encontrarão à venda, mas foi financiada por um laboratório farmacêutico – Boehringer Ingelheim - TEL: 21 313 53 00, que disponibiliza o livro. O livro tem conselhos extremamente práticos, desde conselhos médicos ás disposições jurídicas, acerca da SIDA e é de consulta muito fácil.
 
Na primeira parte falámos no preconceito e estigma ligados à doença. Acha que esse estigma continua a ser o principal obstáculo – mesmo quando as pessoas se apercebem de que poderão estar infectados – a que mais rapidamente se dirijam ao médico e comecem a receber os tratamentos necessários…
Dr. Kamal Mansinho: De facto o estigma e também a negação da doença, numa fase inicial, são factores importantes que inibem a primeira iniciativa de quem teve um comportamento de risco de se dirigir a um estabelecimento de saúde e propor que seja feito o diagnóstico.
 
O facto de se ter ou não um comportamento de risco é algo polémico. De facto, segundo o último relatório publicado pelo Instituto Nacional Dr.Ricardo Jorge, diminuíram bastante os casos de pessoas infectadas na sequência da toxicodependência, mas aumentaram, por outro lado, nomeadamente no último ano, o número de pessoas infectadas através de relações homossexuais e também heterossexuais.
O número de homens é muito maior que o número de mulheres, mas muitas vezes (sobretudo no caso das mulheres, quando estão numa relação estável e o companheiro tem um comportamento de risco) há um dos parceiros que não está informado.
Aí não se trata de um comportamento de risco
Dr. Kamal Mansinho: A epidemia foi evoluindo ao longo do tempo. Numa fase inicial conseguíamos definir muito bem alguns comportamentos de risco e a doença esteve associada durante algum tempo a esses comportamentos de risco.
Durante quase 30 anos a epidemia e os comportamentos das pessoas evoluíram muito.
Hoje certas associações vão ficando mais esbatidas, pelo aumento da longevidade dos doentes com VIH, pelos avanços na terapêutica e porque muitas pessoas adquiriram a sua autonomia física, profissional e social, e acabaram por readquirir as suas competências para prosseguir os seus projectos pessoais.
Nessa perspectiva, a probabilidade de haver encontro, por via sexual, entre a comunidade das pessoas infectadas e a comunidade das pessoas não-infectadas, vai sendo cada vez maior. E esta diferença entre comportamentos de risco começa a esbater-se. Estamos numa fase da epidemia em que o “factor de risco” pode apenas ser-se monógamo e o nosso parceiro não ter conservado essa reciprocidade.
 
E sobretudo não se ter protegido nessa relação extraconjugal…
Dr. Kamal Mansinho. A questão da protecção é muito importante. Devemos ter em atenção contudo que, por vezes, incidimos demasiado nessa questão, desenquadrando-a, isto é, a protecção, o preservativo, é uma entre várias medidas que têm que ser disponibilizadas para que a epidemia comece a ficar controlada.
A protecção pelo preservativo é essencial. Mas também é preciso dizer que, como qualquer dispositivo de segurança, pode provocar danos e pode falhar.
Sem querer, a comunidade “leu”, entendeu, que o preservativo seria uma protecção absoluta, o que não é verdade. O preservativo pode romper, pode ser mal utilizado, pode estar sem eficácia, por estar fora de prazo ou porque foi submetido a altas temperaturas, por exemplo, por ter estado algumas horas num tablier de um carro… Logo, é preciso dizer que esta protecção não oferece “risco zero” às pessoas, até porque isso não existe na vida.
É muito importante a indicação de utilização do preservativo e aqui as equipas de rua têm um papel importante. Em algumas comunidades as mensagens não passam pelas vias tradicionais, pelo que terá que haver medidas suplementares para comunidades que estão à margem.
 
Num artigo seu sobre as relações entre a Sida e a Pobreza lembra que a falta de alimentação e de acesso a cuidados médicos são factores que podem propiciar o contacto com a infecção…
É, mas a relação entre ambas é uma relação bidireccional, isto é, em termos de pobreza as pessoas que têm menos recursos estão mais predispostas a contrair uma infecção por VIH, uma infecção por tuberculose, ou outra…
As pessoas infectadas por VIH vão ter repercussões alargadas, primeiro na sua vida pessoal e depois na sociedade, porque habitualmente são infectadas no auge da sua vida produtiva, profissional, familiar e social. São adultos jovens e estão no auge dos seus projectos pessoais.

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publicado por servicodesaude às 11:49
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VIH/SIDA - A epidemia hoje: Protecção e Risco (2/2)

Hoje, Prof. Henrique de Barros, o centro da pandemia está a caminhar para a Europa Oriental, nomeadamente para a Rússia, dada o enorme consumo de drogas nessas regiões…

Prof. Henrique de Barros: Há uma mudança de facto preocupante, que não é ainda evidente, é quase subterrânea mas que se traduz num aumento brutal do VIH em países como a Ucrânia, a Rússia, onde se colocam problemas que Portugal já conheceu. Por exemplo, o não facilitar a diminuição dos danos, permitindo que haja seringas limpas para as injecções ou que haja clínicas de injecção opiáceas.
Concordo com o Dr. Kamal Mansinho no que ele diz sobre o preservativo mas gostava também de dizer que a melhor forma de um preservativo não funcionar “é não ser usado”.
Mesmo nos EUA, onde se tentou passar a ideia de abstinência, de fidelidade e então depois a do uso do preservativo, os profissionais da saúde perceberam que existiam outras letras nesse abecedário.
Em Portugal a infecção ainda está muito focalizada nos homens, o que quer dizer que há seguramente muito sexo entre homens que não é assumido, que não é admitido.
Mas a promoção do preservativo feminino é muito importante para as mulheres, porque significa elas próprias tomarem a decisão sobre a sua defesa. Isto merece ser sublinhado.
A nossa sociedade pode até estar a descobrir coisas que outras sociedades já descobriram há mais anos. O primeiro programa de educação sexual surgiu na Suécia em 1957 e nós ainda estamos a discutir isto no ano de 2009, em Portugal.
O turismo sexual, por exemplo, começou noutros países europeus há mais anos e começa-se agora a falar dele em Portugal. E a própria longevidade, a qualidade de vida e um tempo maior para a sexualidade, vâo pôr certamente outras idades em risco, pelo que falar sobre as formas de protecção é essencial.

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publicado por servicodesaude às 10:39
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VIH/SIDA - Telefonema - Crédito à Habitação sendo seropositivo

Telefonema de Jorge, 35 anos, empregado de hotelaria, de Almada:

Tenho VIH desde o ano 2000; há nove anos. Quero fazer um crédito à habitação e não é aprovado. E quero fazer um seguro de vida que também não é aprovado, por ser seropositivo. Gostava de saber se isto é descriminação, já que estou óptimo, tenho uma vida activa, estou a trabalhar…
Deparam-se muitas vezes com casos como este, em que os créditos à habitação são negados?
Dr.ª Paula Policarpo (jurista e vice-presidente da Associação Abraço): Sim. Os créditos à habitação superiores a certo montante implicam uma determinada bateria de testes, entre os quais ao VIH. Temos vários casos em que o crédito foi negado ou em que o spread foi agravado. E aí tentamos negociar com os bancos.
Mas há uma lei, a 24/2006, que é muito boa, e que proíbe a descriminação de pessoas num estado agravado de doença nos serviços públicos, bancos e entidades empregadoras. O que inclui obviamente as pessoas com SIDA (embora ter VIH, não quer dizer que já se contraiu a doença).
Compreendo que para as seguradoras seja um risco. Mas valeria a pena, sem querer descriminar, que se chamasse a pessoa para aprofundar a sua situação. Há pessoas que vivem com o VIH 30 e 40 anos.
A lei está regulamentada e acho que as pessoas devem efectuar as suas reclamações junto das associações, dos ministérios, do Instituto Português dos Seguros e do Dr. Henrique de Barros, ou seja, da Coordenação Nacional para a Infecção VIH/SIDA.
Percebo ambos os lados e acho que tem que haver uma solução de compromisso.

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VIH/SIDA - Ass. Positivo - Projecto Red Light (apoio profissionais do sexo)

O Amílcar Soares é presidente da associação Positivo, licenciado em Belas Artes, está actualmente a fazer o mestrado em “Sexualidade Humana” e coordena o projecto Red Light, que se dirige fundamentalmente aos profissionais do sexo, porque acharam que haveria aí um vazio no apoio e orientação a estas pessoas…

Amílcar Soares: Estamos situados no Cais do Sodré e, de facto, não havia nenhum projecto de apoio numa zona onde já é praticamente tradicional, o comércio em termos de sexo.
O projecto Red Light tem funcionado bem e não só na zona do Cais do Sodré mas noutras zonas onde temos estado a implementar o projecto.
Apesar da associação Positivo ter sido criada inicialmente como local de encontro entre pessoas seropositivas, o que em 1990 era muito difícil, hoje, nos Grupos de Ajuda já não se fala de como é que vamos “aprender a morrer”, mas de como é que vamos “aprender a viver” com a doença, com a terapêutica, de forma positiva e com qualidade de vida.
O projecto Red Light foi criado para dar respostas a pessoas que se encontram em situação muito fragilizada. Não é apenas uma questão de pobreza, é também uma questão social, o que acontece às pessoas que trabalham com o sexo.
Elas prestam um serviço e socialmente não são aceites. Se não houvesse este tipo de apoio - o sexo -, se calhar havia mais revolta nas nossas sociedades. O sexo funciona como escape para muitas situações… e apercebemo-nos muito bem do tipo de pessoas que procura sexo, porque vêm chateados com o trabalho, com a família, com o chefe, com os colegas. O sexo é uma forma de descompressão.
Começámos por trabalhar com elas, as prostitutas, não no sentido de as retirar daquela vida, mas no sentido de as alertar e de lhes conceder uma maior qualidade de vida. E, neste sentido, é importante cuidarem do próprio corpo para que possam continuar a trabalhar.

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publicado por servicodesaude às 08:02
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VIH/SIDA - Caso Daniel Martins - Efeitos da medicação anti-retrovírica

O Daniel Martins tem 26 anos. Teve um único comportamento de risco na vida.

É azar, mas agora teve a coragem de assumir publicamente que tem este problema.
Mas tem um outro: os medicamentos, hoje de enorme eficácia, provocam-lhe um enorme mal-estar e nem sempre os toma…
Daniel Martins: Tentei durante mais ou menos 15 dias e fiz um grande esforço para me habituar aquela rotina que a medicação exigia. E apesar de perceber a importância de toda aquela rotina para a minha continuidade, não consegui habituar-me aos efeitos secundários, porque me impediam de ter uma vida normal.
 
O que é que sentia?
Enjoos, dores de estômago intensas e um cansaço brutal, ao ponto de dormir constantemente. O médico deu-me medicação – um a dois comprimidos – para tomar antes e “forrar” o estômago, tentou ainda alertar-me para o facto de serem os efeitos secundários normais, variáveis de pessoa para pessoa e, ainda, que provavelmente no primeiro ou segundo mês desapareceriam. E fiz um esforço muito grande, mas não consegui adaptar-me à rotina da medicação, porque não conseguia sair de casa, trabalhar…
 
E agora?
Agora não, porque decidi suspender o tratamento e as consultas.
 
O que é que pode acontecer ao Daniel, nesta situação?
Dr. Kamal Mansinho: Pode acontecer várias coisas. O facto de ter tomado a medicação durante alguns dias, exerceu alguma pressão sobre o vírus, mas pode ter-se tornado resistente a acertos medicamentos.
A doença pode continuar a progredir e, dependendo da sua situação, do ponto de vista da contagem das células CD4 – as responsáveis pela suas defesas e pela sua carga viral - deverá fazer um acompanhamento com o seu médico assistente.
 
É indispensável fazer um tratamento, não pode é estar sem tomar nada…
E há de certeza soluções terapêuticas que encontrará com o seu médico assistente, na certeza porém de que não há medicamentos inócuos. Este efeito de mal-estar quando as pessoas começam a fazer tratamento anti-retrovírico é um efeito delimitado no tempo.
As queixas são uma reacção muito individual, variam de pessoa para pessoa e de acordo com a fase em que encetam o tratamento. Existem outras soluções terapêuticas que o Daniel terá que encontrar com o seu médico mas habitualmente após 4 a 6 semanas os doentes só se lembram da medicação quando abrem o frasco para a tomarem.

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publicado por servicodesaude às 07:05
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VIH/SIDA - Telefonema - A prevenção nas escolas

Telefonema de Alexandra Pereira, 46 anos, directora de Marketing, de Leiria:

Gostava de perguntar o que é que a Coordenação Nacional para a Infecção VIH/SIDA pretende fazer para que a prevenção nas escolas portuguesas seja uma realidade sistemática e universal.
Digo isto porque este ano houve um concurso a todos os níveis excepcional, promovido pela Coordenação, em que se davam prémios invulgares às escolas, num total de 60 mil euros. Este concurso, que se chamava “A Minha Escola e a Prevenção de VIH/SIDA”, teve apenas 200 e poucos projectos concorrentes o que, no universo de uns milhares de escolas, parece-nos pouco.
Por outro lado, no que toca estas questões, que podem ser abordadas na “Educação para a Saúde” (uma área recente nas nossas escolas), os editais deste último ano lectivo revelam que houve apenas 50% de adesão, o que significa que só metade das escolas portuguesas concorreram a projectos de financiamento na área da “Educação para a Saúde” que é, por si só, muito mais abrangente que apenas a prevenção do VIH/SIDA.
 
A questão é que as escolas não estão a tratar este assunto de forma sistemática e universal, por isso pergunto: O que é que a Coordenação Nacional para a Infecção VIH/SIDA pensa fazer para que a prevenção chegue a todos os alunos em Portugal?
 
Prof. Henrique de Barros: É natural, que nuns pontos seja melhor que noutros. A lógica da resposta à infecção é multissectorial. Ou seja, cada área da vida, cada sector, tem que encontrar formas de resolver o problema. E, obviamente, a Educação é um deles.
Claro que interagimos. Antes de haver este projecto havia um outro que mobilizou milhares de estudantes. De acordo com uma avaliação externa teve um enorme impacto. Estamos a usar um spot publicitário que foi feito por jovens no âmbito desse projecto.
Falou-se numa adesão de mais de 200 e tal escolas, ou seja, também estamos a falar de muitos professores que aderiram e muitas centenas de alunos envolvidos.
A imaginação, a vontade de aderir não se faz por decreto de lei. Tem que ser estimulada. E penso que está a ser.

O Ministério da Educação também tem programas nesta área. Mas há dificuldades, por exemplo, os profissionais nas escolas entenderem que esta é uma área fundamental.


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publicado por servicodesaude às 06:08
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VIH/SIDA - Mães seropositivas, descriminação e cirurgia plástica

Sr.ª Ministra, como sabe há mulheres infectadas com o vírus do VIH e que, ao mesmo tempo, sofrem de problemas de infertilidade.

Algumas destas mulheres poderão beneficiar dos tratamentos, a que todas têm direito, mas nem sempre os serviços médicos e a própria sociedade, verão isso com bons olhos. A própria sociedade diz: “Porque é que aquela, que está infectada, há-de querer ter um filho?”
A pessoa que está infectada tem todo o direito a ter o seu projecto de vida e, neste caso, a ter um filho. Pode garantir que não há qualquer descriminação por parte dos serviços de saúde em relação às mulheres que estejam nesta situação?
Dra Ana Jorge (Ministra da Saúde): Não há discriminação, mas há alguma dificuldade nos tratamentos. Como sabe, é no Programa da Procriação Medicamente Assistida – e não estamos a falar de todos os tratamentos da Infertilidade – que existem maiores dificuldades, porque implica que as instituições que possuem este tipo de tratamentos tenham condições especiais para garantir, em primeiro, segurança: quer às mulheres infectadas, quer às mulheres que recorrem a esses tratamentos.
Neste momento, a Maternidade Alfredo da Costa, que fez obras recentemente, tem excelentes condições, também criadas para que possa haver tratamentos a mulheres infectadas e que possam ter esta opção. E assim terem um ou mais filhos, mesmo estando infectadas.
Existe algum tempo de espera para estes tratamentos e estamos a desenvolver um programa exactamente para os diminuir.
Sabemos que é hoje muito frequente, mulheres infectadas com o VIH terem o segundo e o terceiro filho, sabendo que são seropositivas e que os filhos nascem sem qualquer contaminação. Fazem o seu tratamento e o seu seguimento durante a gravidez e a criança tem que nascer em ambiente hospitalar, bem protegido.
 
Outra questão que diz respeito à comunidade médica e que tem a ver com a recusa, ou pelo menos grande resistência, de alguns serviços de cirurgia plástica em operarem doentes com as deformações próprias desta infecção – as chamadas lipodistrofias – e que resultam da acumulação de gordura em partes do corpo, como o pescoço ou zona abdominal, ou o contrário; pessoas que ficam com falta dessa massa gordurosa e que se tornam, por esse facto, facilmente reconhecíveis, ainda que queiram manter o seu anonimato já que podem, pelo seu aspecto, deixar de ter vida social ou sentirem-se descriminadas…
Sabe-se que no Hospital de São João, no Porto, estas operações se fazem, mas não será com esta facilidade em todos os sítios?
Dra. Ana Jorge (Ministra da Saúde): Pode haver alguma descriminação e alguma dificuldade em operar estes doentes.
A protecção, embora válida para qualquer outra cirurgia, aqui tem que ser maior. Por outro lado, este tipo de intervenção ainda é considerada por alguns como uma cirurgia “estética” e, portanto, não prioritária.
Mas há situações na área da cirurgia estética que são de tal ordem importantes para o bem-estar e auto-estima das pessoas - e por isso para a sua integração em sociedade -, que têm que ser consideradas.

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publicado por servicodesaude às 05:12
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VIH/SIDA - Questões psicológicas: sexo e vida afectiva

O Amilcar lembrava, a propósito do trabalho desenvolvido pela Associação Positivo junto da zona dos Cais do Sodré, em Lisboa, com os trabalhadores do sexo, que “o sexo é, muitas vezes, um escape”. E que, “se não fosse o sexo, haveria muito mais revolta e tensões na sociedade”...

De algum modo, também se pode ver assim a prática do sexo? Ter uma vida sexual faz parte da Saúde Mental?
 
Dr. Álvaro de Carvalho (psiquiatra, Coordenação Nacional Saúde Mental): Sim, mas há várias formas de vivenciar a sexualidade. Há uma forma que tem a ver com uma vida afectiva e emocional significativa entre duas pessoas; um compromisso, uma relação.
Outra forma é vivenciar o sexo de uma forma mais instintiva. A sexualidade é uma das vertentes instintivas da natureza humana que tem mais força. É uma área muito sensível e por isso é que tem tantos tabus, anedotas, problemas e “telenovelas”.
 
Quando a sexualidade é vivida como um escape, numa relação não afectiva, as questões de saúde mental dos intervenientes são particularmente importantes.
Alguém que está nessa prespectiva se calhar está a correr mais riscos, ou porque está numa situação de desespero, de solidão, ou com ideias de suicídio, e pode-lhe ser indiferente usar ou não preservativo.
 
E depois temos aquelas situações que têm muito a ver com a educação cívica - e que sabemos, infelizmente, que em Portugal são muito comuns – em que as pessoas têm uma vida conjugal e sexual bastante estável, mas têm contactos de risco, e não tomam os cuidados necessários. E depois voltam a ter relações sexuais com o seu companheiro.
 
E essa será uma das razões pela qual o HIV/SIDA está a aumentar entre os heterossexuais? Seguramente.
 

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publicado por servicodesaude às 04:36
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VIH/SIDA - Gripe A – Prevenção, Grupos de Risco e Vacinas

Gostava de destacar o programa “Vá de férias”, mas os portugueses vão de férias num cenário muito pouco tranquilo. Não é tanto a situação da gripe em Portugal que nos preocupa mas o facto da Organização Mundial de Saúde ter decretado uma “pandemia” pela primeira vez em 40 anos e por chegar informação, de todo o lado, que Outubro poderá ser um mês difícil para todos nós.

Poderá haver uma grande parte da população com gripe e existem algumas publicações que dão o conselho para as pessoas começarem a fazer os seus kits.

Como podemos ir de férias sem ter qualquer preocupação, ou temos, mesmo, que ficar muito preocupados com o que aí vem?
Dra. Ana Jorge (Ministra da Saúde): Neste momento,vamos tendo progressivamente mais casos positivos, mas até agora são todos casos de pessoas que viajaram e que estiveram em países onde já existe uma maior disseminação do vírus H1N1, da Gripe.
Recomendamos hoje que, perante os sintomas da gripe – e do ponto de vista sintomático é igual às outras gripes – sobretudo no caso das pessoas que tenham feito qualquer viagem, em qualquer pais do mundo, que contactem, de imediato, a Linha de Saúde 24, pelo telefone: 808 24 24 24, para saberem o que hão-de fazer e, assim, também ajudarem a conter a disseminação.
Não sabemos ainda quando é que em Portugal podemos atingir níveis de grande disseminação do vírus, mas do ponto de vista da epidemiologia o que se pensa é que Portugal também vai ter muitos casos de Gripe.
Neste momento não é considerada, contudo, clinicamente grave, pelo menos se se comportar como até aqui e não houver nenhuma mutação genética. Abrange é uma população que normalmente não é a mesma que costuma abranger no Inverno; atingirá, pensamos, uma população mais jovem (não sabemos ainda a razão).
Apesar de abranger um grande número de pessoas, na maior parte dos casos as pessoas poderão tratar-se em casa. Serão muito poucos os casos que precisarão de internamento hospitalar.
 
As vacinas vão chegar, em número?
Não sabemos quando vão chegar e não sabemos que número vai ser necessário. E também não sabemos quando é que as empresas as podem fabricar em número suficiente em todo o mundo. E também não sabemos sobre eficácia total da vacina, porque ela não está comprovada.
São muitas incertezas. O que aconselhamos é que as pessoas tomem todas as medidas que envolvem a sua protecção: lavarem as mãos, não andarem em ambientes muito fechados…
 
Os aviões são ambientes péssimos…
São ambientes fechados e as viagens por vezes são longas. Pode acontecer isso, mas hoje as viagens de avião são tão frequentes e tão necessárias para a vida das pessoas, que não podemos pôr limitações. Mas as pessoas devem saber que o risco existe, aguardar e prevenir.
Estamos a acompanhar progressivamente a disseminação e a transmitir a informação às pessoas. Não sabemos se será em Outubro, Setembro, ou mais tarde; sabemos que vai chegar… Não sabemos se será maior ou menor, mas vamos estar atentos e alertar as pessoas.
Pensamos ser uma doença “benigna” para a maior parte das pessoas, com excepção das pessoas com as chamadas doenças crónicas e, essas, têm que ter mais cuidado.

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publicado por servicodesaude às 04:14
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VIH/SIDA - Ficha Técnica

Autoria, Coordenação e Apresentação

Maria Elisa Domingues
 
Convidados
Ana Jorge
Henrique de Barros
Kamal Mansinho
Álvaro Carvalho
Rosário Malheiro
 
Pesquisa
Alexandra Figueiredo
Miguel Braga
 
Reportagem
Buenos Aires Filmes
 
Produção
Miguel Braga
 
Jornalistas
Teresa Mota
Raquel Amaral
 
Gestão e Edição de Conteúdos
na Web (portal Sapo)
Natacha Gonzaga Borges
 
Imagem
Gonçalo Roquette
Daniel Ruela
Arquivo RTP
 
Edição e pós-produção vídeo
Sara Nolasco
 
Pós-produção aúdio
Miguel Van Der Kellen
  
Câmaras
Nuno Freitas
Mário Piteira
Luís Gomes
Duarte Guimarães
Adelino Nogueira
 
Mistura e Imagem
Filipe Costa
 
Controlo de Imagem
Alfredo Marques
 
Som
João Carrasco
Nunes Cachado
Luís Bento
 
Iluminação
Rui Pimpim
 
Electricista
João Martins
 
Técnicos de Electrónica
José Borges
Rui Loureiro
 
Assistentes de Operações
Orlando Aurélio
Pedro Gonçalves
Flávio Trindade
 
Caracterização
Fátima Tristão da Silva
Ana Filipa
 
Registo Magnético
Rita Sousa
 
Gerador de Caracteres
Luís Pereira Torres
 
Teleponto
Filipe Oliveira
 
Genérico e Grafismo
Nicolau Tudela
Teresa Martins
 
Música Genérico
Ari de Carvalho
 
Assistente de Realização
Filipe Vasconcelos
 
Anotadora
Eva Verdú
 
Chefe Técnico de Produção
João Martins
 
Criação Cenográfica
Gil Ferreira
 
Execução Cenográfica
Isabel Rodrigues
 
Produção
Filipa Azevedo
 
Realização
Jorge Rodrigues

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publicado por servicodesaude às 00:02
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VIH/SIDA - Links

O que é a SIDA?

Perguntas Frequentes sobre VIH/SIDA

Coordenação Nacional Para a Infecção VIH/SIDA
Centros de Atendimento e Detecção do VIH (CAD)
 
Manual Prático para a Pessoa com VIH
(Autores: Dr. Kamal Mansinho, António Vieira, Francisco Antunes, Amílcar Soares e Pedro Silvério ) Boehringer Ingelheim - TEL: 21 313 53 00
 
Associações Portuguesas de Doentes com Sida
Abraço
GAT
Positivo  - Projecto Red Light – Apoio aos Profissionais do Sexo
AIDS Portugal
 
Prevenção/Formas de Transmissão/Viver com Sida
Usar Preservativo
Programa “Cuida-te” - Institituto Português da Juventude
Proximidade aos Grupos de Risco
 
Ministério da Educação
Educação para a Saúde 
Educação para a Cidadania
 
Anti-retrovíricos
Adesão à Terapêutica Anti-Retrovírica na Infecção VIH/SIDA
 
Lipodistrofias nos doentes com SIDA
Cuidados nos doentes co-infectados por VIH e Vírus da Hepatite C  
 
European Aids Treatment Group
Organização Mundial de Saúde – VIH/SIDA
Secretário-geral das Nações Unidas – VIH/SIDA
 
 

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Terça-feira, 16 de Junho de 2009
Saúde Oral - Introdução (por Maria Elisa Domingues)

O programa Serviço de Saúde, da RTP 1, do dia 16 de Junho de 2009, debruçou-se sobre a Saúde Oral

Saude OralApesar do Serviço Nacional de Saúde (SNS) ser uma das grandes realizações do regime democrático, a Saúde Oral foi sempre a sua parente mais pobre. Os portugueses habituaram-se a recorrer aos médicos de família ou aos hospitais quando têm problemas de saúde, e aí ser tratados de forma quase gratuita, e… a ir ao dentista, particular, quando sofrem dos dentes, sabendo que a conta pode ser alta. Por isso, um grande, grande número de pessoas sem recursos resignou-se a perder cedo os dentes ou, no máximo, a pagar para lhe arrancarem os que mais as incomodavam, suportando largos anos de dificuldades em mastigar, de placas velhas e desajustadas e de doenças relacionadas com estas limitações.

Até há pouco tempo atrás, se um político resolvesse anunciar a saúde oral entre as suas prioridades, seria considerado ingénuo ou tonto.
Felizmente esses tempos mudaram. A atribuição dos cheques-dentista a grávidas, aos idosos com complemento solidário e agora a crianças e jovens até aos 16 anos, vem demonstrar que a saúde oral é de extrema importância. E que prevenir, desde cedo, as doenças dos dentes, é muito mais barato que tratar, mais tarde, as complicações associadas. Além de que evitará o absentismo, nas escolas e nos empregos, relacionados com os dentes.
Mas irão os cheques-dentista resolver todos os problemas? Serão suficientes os valores atribuídos? Muitos pensam que não mas que este pode ser um importante ponto de partida.
A reportagem do Serviço de Saúde foi ver as bocas de alguns dos portugueses para quem se pode ter aberto aqui uma luz de esperança.
 
Peça Jornalística
Se há área que tem sido sucessivamente esquecida pelos governos, essa área é a Saúde Oral. Comparativamente há 30 anos, o SNS tem hoje menos estomatologistas e soluções para tratar os cidadãos, excepto em causa de patologias mais graves e que necessitem de acompanhamento hospitalar.
O recurso mais liberal, os seguros privados, são muitas vezes insuportáveis para os bolsos de muitos portugueses, o que quer dizer: ou tem dinheiro, ou terá que arranjar fundos para tratar dos dentes e da boca.
 
Uma vez que Portugal está na cauda da Europa no que diz respeito à boca dos seus cidadãos, em 2000 o governo pôs em andamento o Programa Nacional de Saúde Oral que, em linhas gerais, desenha uma estratégia global de prevenção assente na promoção da saúde, prevenção e tratamento das doenças orais. Também desde o ano 2000 que as crianças e jovens até aos 16 anos têm algum apoio nesse programa.
Mas a novidade chama-se cheque-dentista e está em vigor desde 2008. Este cheque incide em três segmentos da população:
  
Crianças (dos 7 aos 15 anos)

15,3 Milhões de Euros 

Grávidas  

 6,8 Milhões de Euros

Idosos (+ de 65 anos, com complemento solidário)

 3,6 Milhões de Euros

Total 25,4 Milhões de Euros

 

 
 
 
 
 
 
Como é perceptível o grande alvo da prevenção são os mais novos, com um investimento total de 15,3 milhões de euros.
 
A Organização Mundial de Saúde tem como objectivo que, pelo menos até 2020, 80% das crianças com seis anos estejam livres de cáries, embora em Portugal essa percentagem não ultrapasse os 50%.
 
O segundo grupo de risco são as mulheres grávidas. Estudos recentes indicam uma associação entre o nível oral da grávida e a ocorrência de certas patologias.
Para este grupo está previsto um investimento de 6,8 milhões de euros e pensa-se que possa vir a atingir cerca de 60 mil grávidas.
 
No terceiro grupo, os idosos com complemento solidário, cujo processo de envelhecimento requer maiores cuidados, serão aplicados 3,6 milhões de euros.
Os mais velhos têm ainda a posssibilidade de reembolso até 75% da despesa em própteses dentárias removíveis, até um valor máximo de 250 euros. Porém, na maioria dos consultórios, as próteses são muito mais caras.
 

 



publicado por servicodesaude às 16:00
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Saúde Oral - Convidados do programa
Dr. Rui Calado - Especialista em Saúde Pública, coordenador do grupo de Saúde Oral da DGS que tem monitorizado o Programa Nacional de Promoção de Saúde Oral, do Ministério da Saúde.

 

Drª Rosário Malheiro - Estomatologista, fundadora da Unidade de Estomatologia Pediátrica do Hospital D. Estefânia, em Lisboa; foi representante da Ordem dos Médicos, na Comissão Técnico-Científica do departamento do Programa Nacional de Promoção de Saúde Oral entre 2005 e 2007 e, actualmente, é a representante da Ordem dos Médicos, do Colégio de Especialidade em Estomatologia, na Comissão Externa de Acompanhamento do SISO (Sistema de Informação para a Saúde Oral).
 
Dr. Paulo Melo - Docente da Faculdade de Medicina Dentária da Universidade do Porto e membro do Conselho Directivo dessa mesma faculdade, além de ser o representante da região Norte, no Conselho Directivo da Ordem dos Médicos Dentistas.
 
Prof. Francisco Salgado - Estomatologista, professor de Cirurgia Oral e Maxilo-facial da Faculdade de Medicina de Lisboa e director do Hospital de Stª Maria, em Lisboa, além de presidente da Federação Europeia de Saúde Oral.
 
 


publicado por servicodesaude às 15:00
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Saúde Oral - Prevenção: passado e presente

A Saúde Oral tem sido o parente pobre da Saúde Pública em Portugal... contemplada de uma forma diminuída no SNS, uma vez que existem muitos hospitais onde não existe qualquer serviço de Estomatologia e, em outros, ele existe, mas não é suficiente para as necessidades, assim como acontece nos centros de saúde...

Esta intervenção mais directa, dos cheques-dentista e continuando o programa de saúde oral que já existia, vem permitir aos portugueses, nomeadamente aos mais desfavorecidos, efectuar as intervenções mais urgentes?
Dr. Rui Calado: O que vimos na peça é o resultado de muitos anos de negação da doença. Não havia resposta no nosso país.
Não sei se a saúde oral foi a parente pobre da saúde pública. Lembro-me que a saúde pública em Portugal tinha outros parentes pobres e o país progrediu nos últimos anos. Em função desse progresso foi preciso criar as condições para que a saúde oral pudesse aparecer.
Em 1974 não havia médicos dentistas em Portugal, estavam a iniciar a sua formação; não havia higienistas orais...
 
Mas havia estomatologistas...
Dr. Rui Calado: Os estomatologistas sempre foram médicos preparados para os hospitais, não para prestarem os cuidados básicos de saúde oral às populações. Portugal precisava de profissionais habilitados a efectuar estes tratamentos básicos, que são hoje feitos pelos dentistas.
Hoje já existem em número suficiente, o que nos permitiu avançar em 2000 com programas em que já se incluía a referenciação das pessoas com problemas de saúde oral para os médicos dentistas.
 
Hoje estamos na situação inversa; temos quase 20% de dentistas desempregados?
Dr. Rui Calado: Não sei qual a percentagem de desempregados, mas sei que o rácio que Portugal tem de médicos dentistas, neste momento, relativamente à sua população, é um rácio médio quando comparado com a União Europeia.
Sem profissionais de saúde, não se pode fazer saúde. Em 2000 já havia em número suficiente para dar o salto para a referenciação em medicina dentária.
Mas já antes, em 1985, a Direcção Geral de Saúde iniciou a promoção e a prevenção de doenças e organizou uma divisão – a Divisão de Saúde Oral – que fazia a prevenção primária nas escolas. Mas nesta altura havia muito poucas possibilidades de se tomarem medidas gerais para a população.
 
Essa continua, porventura, a ser uma das medidas mais importantes; a de fazer educação nas escolas para a promoção da saúde oral...
Dr. Rui Calado: Seguramente. Temos que aprender a higienizar a boca, a ter cuidado com os alimentos que são prejudiciais e temos ainda que aprender que existem produtos que tornam os dentes muito mais resistentes às agressões. Só assim os níveis de doença poderão diminuir.
O enfoque inteligente, numa sociedade normal e evoluída, deve ser na prevenção primária. Os casos de doença acumulada, que a prevenção não consegue resolver, também devem, contudo, ter resposta.
E a resposta começa a ser dada em Portugal e de forma organizada, para atingir grupos populacionais que são mais vulneráveis e que, de uma forma clara, estamos interessados em previligiar no primeiro acesso.
Estou-me a referir às grávidas que, por motivos diversos, são pessoas mais receptivas a mensagens. Não apenas às que se referem a questões de higiene oral mas também àquelas que as preparam para o nascimento do novo filho. Uma grávida preparada em termos de saúde oral, vai-nos seguramente preparar crianças com muito melhores dentições.
Por outro lado, uma pessoa que adquire bons hábitos de higiene e de alimentação durante os primeiros 15, 16, anos, vai mantê-los durante toda a vida, tendo condições para manter uma excelente dentição durante muitos anos.


publicado por servicodesaude às 14:00
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Saúde Oral - Grávidas: balanço do cheque-dentista

Temos neste momento cerca de um ano de aplicação deste novo Programa do cheque-dentista. Qual é o balanço das consultas efectuadas, por exemplo, no caso das grávidas?

Dr. Rui Calado: O processo tem sempre início nos centros de saúde. É a partir do médico de família ou clínico geral, que o possa substituir, que a pessoa obtém a sua referenciação para um médico dentista.
Este ano já foram emitidos 60 mil cheques para grávidas, nos quais cerca de 75% corresponderam a consultas de Medicina Dentária.
 
Isso significa que a taxa de execução é boa e que não se trata apenas de um primeiro entusiasmo. Continuam a tratar-se...
Dr. Rui Calado: Felizmente neste programa houve uma grande aderência dos profissionais: dentistas e estomatologistas. Temos cerca de três mil pessoas inscritas a nível nacional, o que prova uma distribuição normal, em função da própria distribuição da população: mais em Lisboa e Porto e, de forma geral, mais no Litoral.
 
Mas há uma maior concentração no Norte do país?
Dr. Rui Calado: Sim, temos mais médicos inscritos no Norte. Mas pela primeira vez temos uma rede de médicos que possibilita ao sector público o desenvolvimento de programas com critérios de equidade.
 
No entanto, reparei que as taxas de execução eram menores no caso das grávidas, nas regiões do Sul, nomeadamente no Alentejo... Certamente pelas distâncias serem maiores, entre o local onde moram e os centros urbanos, e as suas dificuldades de locomoção também serem maiores.
Nem toda a gente tem um carro à sua disposição para se deslocar e, em alguns casos, o transporte pode ser quase mais caro que o cheque-dentista. Há, por isso, dificuldades...
Dr. Rui Calado: Pode acontecer, mas ainda não tivémos tempo para que todas essas situações estejam devidamente estudadas.
A taxa de adesão das pessoas tem sido extremamente elevada. Nunca conseguiremos chegar a uma taxa de 100%, nem muito perto, porque há sempre o intervalo em que a pessoa recebe o cheque no centro de saúde e o utiliza no médico dentista.
Mas a taxa de execução é encorajadora, o que quer dizer que hoje as pessoas valorizam mais a sua saúde oral.
 


publicado por servicodesaude às 13:00
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Saúde Oral - Idosos e Crianças: balanço do cheque-dentista

A propósito de equidade, só os idosos com acesso ao complemento solidário – os mais carenciados, dos carenciados – ou seja, só cerca de 210 mil, é que podem servir-se do cheque-dentista.

No entanto, temos cerca de um milhão de idosos com pensões inferiores a 400 euros de salário mínimo. Ou seja, há uma larga faixa de quase 800 mil idosos que não conseguem, certamente, com o dinheiro das suas pensões, frequentar um dentista...
O número vai ser alargado?
Dr. Rui Calado: Não faço uma análise dessa forma, tão linear. Quando observamos os estudos feitos, por exemplo, o Inquérito Nacional de Saúde 2005-2006, percebemos que a grande maioria dos portugueses, entre nove a 10 milhões já algum dia frequentaram o dentista. E também que cerca de quatro milhões de portugueses vão ao dentista pelo menos uma vez por ano.
Também sabemos que existem subsistemas de saúde...
 
Subsistemas de saúde a que a maioria dos portugueses não tem acesso...
Dr. Rui Calado: Um funcionário público, um bancário ou alguém que trabalhe nos correios terá sempre acesso até que a sua vida termine.
Existe uma tradição em Portugal, de alguns empregos públicos ou semi-públicos terem subsistemas de saúde que incluem alguns cuidados médicos nesta área. Naturalmente, não são suficientes.
O que se passa é que não havia nada em Portugal. Começámos a trabalhar com grávidas e idosos agora. Chamamos ao que estamos a fazer de “Alargamento do Programa Nacional de Saúde Oral”, porque a finalidade agora é alargar o programa com cuidados prestados por profissionais de saúde oral, especializados, a todas as crianças que estão nas escolas públicas. E esse alargamento é brutal relativamente ao que se fez no passado.
Entre 2000 e 2005, com muito empenho, nunca conseguimos enviar mais de 50 mil crianças, das escolas, a Estomatologia e Medicina Dentária. Agora, queremos quadriplicar esse número.
Relativamente às grávidas e aos idosos é a primeira vez que o estamos a fazer.


publicado por servicodesaude às 12:00
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Saúde Oral - Telefonema grávida: o cheque-dentista

Telefonema telespectadora Tânia Costa 32 anos, licenciada em Física, de Palmela:

Estou grávida de cinco meses e dirigi-me ao meu médico de família e solicitei-lhe um cheque-dentista, o que foi feito com a máxima prontidão.
Entretanto marquei o dentista, sabendo que teria que estar incluído na lista dos médicos que têm acordo com o Estado. Mas lá disseram-me que tinham parado de aceitar cheques-dentista porque o Estado não os pagava desde Julho de 2008 e que, enquanto não fossem reembolsados dessas verbas, não poderiam voltar a aceitar doentes.
Gostava de saber quando é que a situação fica resolvida, para ainda poder aproveitar o cheque que tenho guardado.
 
É uma situação de que tenha conhecimento?
Dr. Rui Calado: É uma péssima informação. Quando se começa um processo destes nem sempre corre tudo bem. Há sempre dificuldades, obstáculos.
Quero no entanto dizer, que nos pagamentos – sobretudo os de Novembro e Dezembro – em que havia um processo automático de envio por email aos médicos dentistas, houve um problema técnico (os emails não saíam) que, neste momento, já está completamente resolvido.
Nos últimos dias foram pagos 300 mil euros e portanto os pagamentos passaram a ser feitos com toda a normalidade. O que pode acontecer é não termos conseguido pagar em 30 dias, conforme prometemos e queremos.
O sistema de informação que estamos a utilizar para montar todo este processo está a ser desenvolvido com a Universidade de Aveiro, o SISO (Sistema de Informação para a Saúde Oral) e funciona perfeitamente.
É absolutamente novo as ARS (Administrações Regionais de Saúde) pagarem em 30 dias os tratamentos efectuados. Estas são as excepções à regra, que precisam ser desmontadas.
Esta senhora que telefonou tem uma lista com quase três mil dentistas à sua disposição e pode consultar o que quiser.
 
Era bom que fosse na sua área de residência...
Sim, certamente que terá à volta da sua área de residência, dezenas e dezenas de dentistas que a podem servir.


publicado por servicodesaude às 11:00
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Saúde Oral - Prevenção "dentes de leite" e cheque-dentista

Esta solução do cheque-dentista veio, de algum modo, perturbar o Programa Nacional de Saúde Oral que estava em curso e que talvez enfatizasse mais a prevenção junto das escolas...

Drª Rosário Malheiro: Eu penso que há dois aspectos muito importantes neste programa, no que diz respeito à área infantil. Quando se torna um programa de maior proximidade e maior acesssibilidade, facilita-se a saúde.
Porém, na minha prespectiva sim, perturbámos a evolução no grupo etário dos quatro, cinco anos, que já encontrava neste programa algum tipo de protecção.
 
Mas neste programa do “cheque-dentista” também há algum tipo de apoio; existindo cerca de 20 mil cheques para tratar os chamados “dentes de leite” das crianças...
Drª Rosário Malheiro: É verdade, mas tenho a ideia de que já se tinha uma visão mais clara e definida sobre a necessidade de actuar na área profiláctica: quando pretendemos evitar uma doença, devemo-nos aproximar mais da origem do problema e, assim, da época do primeiro dente.
Há doença dentária e periodental a partir do momento em que existem dentes, ou seja, a partir dos 6 meses. Se considerarmos que os dentes erupcionam nessa altura, temos que considerar que a informação e as boas práticas de saúde oral devem ser implementadas cada vez mais perto desse momento zero, da existência dos dentes.
 
Já vimos noutros programas desta série do “Serviço de Saúde”, que as cáries estão a aparecer cada vez mais cedo, resultado das “festinhas” de aniversário no primeiro ano escolar e nos infantários em que, infelizmente, as crianças começam logo a comer gomas, bolos de chocolate...
Vimos isso num programa sobre a Obesidade, nomeadamente sobre Obesidade Infantil. Confirma isso...
Drª Rosário Malheiro: É verdade e isso é um problema global. De facto, em todos os países – dos mais ricos aos mais pobres – o compromisso da dentição de leite está a aumentar, o que reforça a necessidade de prevenção desta dentição neste Programa Nacional de Promoção da Saúde Oral. Gostava de a ver mais protegida, não só pela implementação ainda mais precoce de bons hábitos de vida, como também mais focada.
Hoje são internacionalmente reconhecidas como um grupo de risco, as crianças das idades mais baixas, devido à sua dentição de leite.
A minha sensibilidade relativamente a este programa – que festejo sobre muitos pontos de vista – relaciona-se com a minha inserção no mundo infantil. Gostaria de ver potenciada esta preocupação com as idades muito baixas, que considero ser um dos melhores investimentos em saúde pública.
 


publicado por servicodesaude às 10:00
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Saúde Oral - Prevenção nas escolas: escovagem e flúor

Há algum tempo, nos infantários e nas escolas primárias, ensinava-se às crianças muito pequenas a escovar os dentes. E elas faziam-no. Depois, não sei se foi decretado, ou se simplesmente passou a ser assim, passou a circular uma noção de perigo, de que as crianças poderiam ser cantagiadas com doenças como hepatites, Sida, ou outras, através da troca de escovas.

E as crianças deixaram de escovar os dentes nos infantários, nas escolas, nos colégios... Mas, na verdade, como sabemos, os bebés agarram as chupetas uns dos outros, apanham coisas do chão e pôem na boca, não havendo um acompanhante para cada criança em cada infantário.
Haverá alguma vantagem em desincentivar a escovagem dos dentes nos infantários e nas escolas?
Drª Rosário Malheiro: Não, penso mesmo que é das situações mais graves do ponto de vista da saúde pública. Existem vantagens conhecidas – e que constituem uma evidência científica – sobre a relevância de escovar os dentes pelo menos duas vezes por dia, utilizando pastas com flúor, desde a existência do primeiro dente. Logo, é evidente que é um retrocesso brutal relativamente a todas as crianças que já não tenham esse tipo de cuidados.
É uma falsidade que essa prática não deva ser seguida; pelo contrário. E foi durante muitos anos uma prática incentivada pela DGS, a de implementar estas medidas de uma forma tão extensa quanto possível. Para além disso, são brutais os ganhos em saúde que se obtêm com a implementação destas práticas.
As crianças devem ter nas escolas a sua escova de dentes, a sua pasta de dentes fluoretada, para terem os dois factores de protecção bem geridos.
 
O melhor factor de protecção é então escovar os dentes com uma pasta que contenha flúor?
Drª Rosário Malheiro: O recurso ao flúor é o maior factor de protecção das superfícies dentárias. Os fluoretos são factores de remineralização dos dentes e são factor de um eventual estacionamento e protecção das cáries. O contacto com o flúor é de facto uma grande medida de saúde pública.
 
Mas não estamos propriamente a falar de tomar comprimidos de flúor ou de bebidas que dizem conter flúor, apenas por uma questão de marketing?
Drª Rosário Malheiro: O mundo está por assim dizer dividido em duas facções científicas. Nos E.U.A., por exemplo, continua a advogar-se a fluoretação das águas e com demonstrações de sucesso. A visão europeia da questão, que assenta em estudos epidemiológicos, não tem essa leitura.
Na verdade, se a criança não tiver nenhum tipo de protecção com fluoretos na sua pasta de dentes, certamente lucrará alguma coisa com a água fluoretada, se isso constituir o seu único contacto com o flúor. Mas se a pasta contiver flúor, é evidente que será mais eficaz.
 


publicado por servicodesaude às 09:00
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Saúde Oral - Telefonema médica dentista: o cheque-dentista

Telefonema telespectadora Maria da Conceição Monteiro, médica dentista, da Guarda

Apesar do Dr. Rui Calado dizer que o pagamento dos cheques-dentista às grávidas já está resolvido, no prazo de 30 dias, não é verdade. Desde o dia 3 de Fevereiro de 2009 que estou à espera de pagamento e nunca recebi sequer um email de validação, referente a pelo menos dois lotes de cheques enviados. Apesar da minha constante persistência junto das entidades responsáveis: a ARS Centro, à qual pertence a minha área - Coimbra -e à DGS, a quem já telefonei por diversas vezes.
 
Acedeu prontamente a este protocolo?
Maria da Conceição Monteiro: Sim. E continuo a efectuar o atendimento a grávidas com cheques-dentista, apesar de nunca ter recebido nenhum tipo de pagamento.
 
Dr. Rui Calado: As coisas irão decorrer com a normalidade possível depois de termos resolvido o problema do servidor dos emails da Administração Central do Sistema de Saúde, que é onde está localizado o nosso servidor.
Houve um problema técnico, informático, e os emails de que a telespectadora fala não saíam automaticamente para os médicos dentistas e, sem isso, não era possível efectuar o processo de pagamento.
A médica dentista que telefonou irá receber o seu dinheiro. Quero ainda dizer que já pagámos 1 milhão e 334 mil euros e que todos irão receber, naturalmente, o seu dinheiro.
Este é um processo novo, temos as nossas dificuldades, mas estamos a tentar ser o mais eficazes possíveis, para satisfazer quer os prestadores como os beneficiários do sistema.
 


publicado por servicodesaude às 08:00
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Saúde Oral - Prevenção de cáries: os bairros sociais

Drª Sandra Ribeiro

(Higienista oral, docente na Faculdade de Medicina Dentária da Universidade de Lisboa e vice-presidente da Associação Portuguesa de Higienistas Orais.

 
Conhece experiências que evitam uma eventual perigosidade decorrente da troca de escovas entre as crianças, nas escolas?
Drª Sandra Ribeiro: Sim, existem algumas boas práticas no que toca a manter fora de contacto umas escovas com as outras. Uma colega higienista trabalha no programa “Óbidos a Sorrir”, que é o resultado de uma parceria entre a câmara municipal, algumas empresas e as escolas, em que foi criado um sistema de aproveitamento das embalagens das garrafas de plástico que depois são colocadas num suporte, o que permite que cada criança tenha a sua escova e a sua pasta própria para escovar os dentes. E existem muitas outras experiências deste género.
Penso, no entanto, que a escovagem não foi desincentivada. Pelo contrário, ela é cada vez mais incentivada. Se por acaso se deixou de fazer em algumas escolas é porque houve má informação, ou informação que não se sabe de onde é que apareceu. Reconheço que ela apareceu, hà alguns anos, mas não tem qualquer fundamento. Desde que sejam mantidas as condições de higiene, a escovagem pode e deve manter-se nas escolas.
 
É um objectivo da Organização Mundial de Saúde que, em 2020, 80% das crianças não tenham cáries. Os números em Portugal oscilam entre os 33% e os 50%...
Dr. Rui Calado: O número de crianças portuguesas sem cárie é de 51% aos seis anos, de acordo com o último Estudo Nacional de Prevalência de Doenças Orais, feita em parceria entre a DGS e as faculdades de Medicina Dentária.
 
Relatou-me uma experiência interessante que fez no Bairro Padre Cruz, em Lisboa, em duas escolas públicas. Qual foi a realidade que encontrou?
Drª Sandra Ribeiro: Os rastreios que efectuámos são muito recentes, de Abril. E quero lembrar que o Bairro Padre Cruz é um bairro social, inserido numa realidade difícil, em que os valores de existência de cárie dentária são muito mais elevados: menos de 30% das crianças não têm cárie, o que é um número muito elevado comparativamente à média nacional.
Outras experiências que realizámos noutras escolas mostram médias igualmente muito superiores, com muitas crianças que já perderam os dentes molares, os dentes definitivos, aos 10 anos. E também se vêm muitas em que se tiverem 10 dentes de leite, 10 dentes estão careados. A gravidade de cárie na dentição de leite é realmente elevada.
 

 



publicado por servicodesaude às 07:00
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Saúde Oral - Boas práticas de higiene escolares

Drª Helena Amaral

(Higienista oral no Centro de Saúde de Sete Rios)
 
Também é esta a realidade que conhece; crianças com uma elevada percentagem de cáries dentárias?
Drª Helena Amaral: A nossa realidade é um pouco diferente, talvez porque o Programa de Promoção Oral está a funcionar há muito tempo.
Também temos algumas escolas inseridas em bairros sociais, mas noutras temos uma elevada percentagem de crianças sem cárie; que estão habituadas a lavar os dentes e que têm hábitos de higiene oral desde muito cedo.
Penso que isso também se deve ao facto do nosso centro de saúde ter um programa muito efectivo ao nível da saúde escolar, com muitos profissionais a trabalhar este tema há alguns anos. Refiro-me não apenas à saúde oral mas também ao tema da alimentação, em que tentamos passar a ideia de que só temos uma boa saúde oral se tivermos uma alimentação correcta.
Também falamos com as grávidas; nos cuidados a ter logo que a criança nasce e, depois, com o aparecimento do primeiro dente.
No jardim de infância tentamos incentivar à escovagem e que, nas tais “festinhas” de aniversário, em vez de se porem gomas e chocolates nos saquinhos, porque não oferecer uma escova ou uma pasta de dentes? Pode de facto ser qualquer coisa didáctica e em benefício da saúde oral, em vez de serem alimentos cariogénicos.
 
É claro que os vossos grandes aliados são os professores?
Drª Helena Amaral: Sim, porque estão diariamente com as crianças.
 
Os higienistas vão às escolas de quanto em quanto tempo?
Drª Helena Amaral: A nossa equipa, como abrange um grande parque escolar, tenta ir pelo menos uma vez por semana a cada escola. Ou sempre que a escola solicite o nosso apoio: ou para prestar informação ou para verificar alguma situação urgente que possa surgir.
 
Também reforça a ideia de que é extremamente importante escovar os dentes...
Drª Helena Amaral: Devido à azáfama do dia-a-dia, muitas crianças saiem de casa, de manhã, sem escovar os dentes, ou vão dormir sem escovar os dentes.
Por isso a escovagem na escola, a seguir à refeição, ao almoço, era de extrema importância. Assim teríamos a certeza de que seria feita. Por isso estamos a incentivar os professores para que ela faça parte do currículo diário da criança na escola.


publicado por servicodesaude às 06:00
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Saúde Oral - Telefonema médico dentista: integração no SNS e cheque-dentista

Telefonema Telespectador João Pimenta, médico dentista, 51 anos, de Barcelos

Fiz parte da secção de Medicina Dentária da Ordem dos Médicos, que por sua vez daria origem à Ordem dos Médicos Dentistas.
Sempre lutámos pela integração dos médicos dentistas no Serviço Nacional de Saúde, quer a nível hospitalar, como nos centros de saúde. A insensibilidade política que encontrámos foi sempre total e absoluta.
O cheque-dentista é, na minha opinião, uma medida enganosa; uma tentativa de camuflar uma falta de assistência pública notória e evidente. E gostava de ver os políticos com os famosos 75 ou 80 euros por ano a tratarem da sua saúde oral.
Na minha opinião, a solução passaria pela integração dos médicos dentistas no SNS.
 
Onde é que acha que deviam estar os médicos dentistas em maior número?
João Pimenta: Essencialmente nos centros de saúde, mas também deviam estar integrados a nível hospitalar.
A saúde oral foi sempre o parente pobre da saúde pública e vai continuar a ser.
 
Mas não acha que para as pessoas que não tinham nada e que já recorreram ao cheque-dentista, esta medida significa o princípio de alguma coisa?
João Pimenta: É um princípio, mas é um mau princípio. O Dr. Rui Calado sabe que é nos centros de saúde que os médicos dentistas deviam estar integrados.
 
Essa questão não é mais uma questão de classe, corporativa, da vossa legítima intenção de incorporarem o SNS, do que uma questão que tenha a ver com a saúde oral dos portugueses?
João Pimenta: Não. Gostava de saber quantas cáries se podem tratar, utilizando boas práticas clínicas, com 80 euros; que é o valor do cheque-dentista. Ou se 250 euros serão suficientes para fazer uma prótese...
 
Partilha esta opinião, de que os médicos dentistas deviam estar integrados no SNS?
Dr. Paulo Melo: É uma questão que, como foi dito, pela qual lutamos praticamente desde o aparecimento dos médicos dentistas. Durante muito tempo pugnámos por isso: como todos os médicos, também devíamos estar integrados no SNS.
Eu e o actual bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas, o Dr. Orlando Monteiro da Silva, tentámos perceber qual a sensibilidade política relativamente a esta questão. E estávamos a ver a deterioração da saúde oral da população.
A verdade é que durante todos estes anos (e já faço parte da direcção da Ordem dos Médicos Dentistas há 8 anos), não encontrámos nenhuma abertura política.
Mas também, a realidade nacional mudou muito. Neste momento, temos instalada por todo o país uma quantidade de meios significativa, disponíveis a toda a população. Seria completamente desadequado obrigar o SNS a gastar um grande volume de recursos, ou em equipamento ou em pessoal, quando tudo isso já está instalado e os profissionais já estão em campo.
Mas é um facto que o Plano Nacional de Saúde 2004-2010 continha no seu conteúdo uma indicação de que os médicos dentistas deveriam ser integrados nos hospitais.
 
Há inclusivé hospitais novos, a serem criados de raíz, sem serviço de Estomatologia. O que é algo dificil de perceber...
Dr. Paulo Melo: É dificil perceber. As pessoas estão internadas, têm problemas de saúde oral e veêm, eventualmente, as suas intervenções retardadas, mesmo tendo uma infecção facilmente tratável. Ou seja, poupava-se em internamentos...
De facto há, na nossa opinião, uma necessidade de integração hospitalar e de criação de uma carreira hospitalar para os médicos dentistas..
 
Mas qual é a sua opinião sobre o cheque-dentista?
Dr. Paulo Melo: Entendemos que existem deficiências e a questão dos pagamentos preocupa-nos, mas também entendemos que é um programa que se está a iniciar e que poderá ter alguns problemas. A meta de pagamento ao fim de 30 dias é uma meta audaz e que pode ser concretizada a breve trecho.
Em termos de estratégia de Saúde Oral, entendemos que o cheque-dentista é um passo inicial, não é de forma alguma a resposta às necessidades da população.
É óbvio que os passos seguintes têm que ser o acompanhamento das crianças pelo médico-dentista, anualmente, até aos 16, 17, 18 anos, e só isso é que faz sentido.
Andamos a dizer isto desde 2000; desde que fazemos parte destes grupos de trabalho da DGS, mas também o alargamento aos idosos e a outros grupos, até agora excluídos.
É o caso dos diabéticos, que têm necessidades preementes ao nível da sua saúde.
 


publicado por servicodesaude às 05:00
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Saúde Oral - Exclusão de grupos do cheque-dentista e doenças orais

O Dr. Francisco Salvado tem sorte de ter uma equipa alargada de 10, 12 pessoas no Hospital de Stª Maria, na medida em que não é uma situação comum a outros hospitais.

A Drª Rosário, por exemplo, tem apenas três estomatologistas a trabalhar consigo, naquele que é um dos hospitais de referência, em Lisboa e não só.

O que pensa desta política do cheque-dentista?
Dr. Francisco Salvado: Não podemos perder mais tempo a falar do cheque-dentista. Estamos a monopolizar um programa que, na realidade, só abrange um milhão de pessoas.
Quanto a mim, estes programas têm que ser integrados na saúde geral, holística. Ou seja, não se pode prever um programa de saúde oral, sem prever a integração dos clínicos gerais; dos médicos de medicina geral, famíliar.
O Hospital de Stª Maria trabalha com alguns centros de saúde e quando se diz que o médico de família está incluido no programa do cheque-dentista, não é isso que tenho visto. Só está integrado porque é ele que entrega o cheque.
 
Mas é o médico de família que referencia o doente. Isso é importante...
Dr. Francisco Salvado: Não quero dizer que o cheque-dentista é uma má política, acho que é um bom princípio. O meu receio é que se gastem demasiados recursos com o alargamento do cheque-dentista e que se abandonem os outros campos: a saúde escolar e, nomeadamente, o desenvolvimento da saúde oral nos centros de saúde, através do clínico geral o que, na minha opinião, é obrigatório. A saúde oral pertence à saúde geral, não é algo à parte, feito pelos dentistas.
E, finalmente, é necessário estabelecer uma escala de referências. Na verdade, onde é que são tratados os deficientes que não podem ser tratados pelo cheque-dentista? Onde é que são tratados os idosos que não se podem deslocar? A não ser que haja um cheque-dentista para o transporte...
 
O que também se aplica às grávidas que não se podem deslocar...
Dr. Francisco Salvado: Há pouco falou-se dos diabéticos. Mas existem muitas outras doenças e situaçõoes preementes. Onde é que são tratados os doentes oncológicos que fazem citoestática? E os que fazem radioterapia? Então e os doentes que têm tumor da cavidade oral? Esses doentes não estão incluídos na Saúde Oral?
 
E as doenças da cavidade oral estão a aumentar?
Dr. Francisco Salvado: Estão, todos os anos aumentam. É o caso do cancro oral que, ainda por cima, tem uma característica perigosa: todos os anos aumenta a mortalidade associada, numa doença que, aparentemente, até é uma doença relativamente fácil de prevenir.
 
Quais são os maiores factores de risco?
Dr. Francisco Salvado: O tabaco e o álcool que, se andarem juntos, então fazem uma mistura explosiva.
Mas, o que nos interessa perceber é qual é a capacidade instalada. Não concordo exactamente com o Prof. Paulo Melo, porque não é por termos muitos consultórios que os vamos integrar nos centros de saúde. Isso seria óptimo para os hospitais privados... Também não é a política correcta.
Como disse, tenho a experiência do Hospital de Stª Maria e a sorte de ali se apostar na Estomatologia. Atingimos cerca de 25 mil consultas por ano – o que é muito, até para a capacidade instalada e profissionais existentes – mas a experiência que temos é que a grande dificuldade não são apenas os mais carenciados economicamente, são também outro tipo de pessoas. São todos aqueles que não podem ser tratados no consultório dentário. E esses são cada vez mais.
É aqui que passamos para o idoso. Na realidade, o idoso é hoje um idoso diferente... Hoje as pessoas têm uma velhice mais duradoura e precisam por isso de cuidados especiais.


publicado por servicodesaude às 04:00
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Saúde Oral - Custos elevados, próteses e falta de dentes

Volto à mesma questão com que abri o programa, chamando à Saúde Oral de "parente pobre" da Saúde Pública. Por exemplo: os portugueses hoje se têm uma doença cardíaca grave, fazem uma intervenção no coração – que é extremamente onerosa -, se têm uma doença do foro hematológico, da mesma maneira, e com toda a justiça.

Mas não têm ninguém que lhes pague uma prótese que vá além dos 250 euros...
Dr. Francisco Salvado: Por uma razão muito simples: é que a doença oral não é considerada doença. “O mais que pode acontecer é ficarmos sem dentes e como os dentes não fazem falta nenhuma...”
 
Como médico, pode explicar, de forma breve, toda a falta que os dentes fazem...?
Dr. Francisco Salvado: Os dentes fazem parte da homeostase geral. Se não mastigar bem vou ter um certo tipo de patologias, se tiver infecções orais, irei ter outro tipo de consequências. Hoje está provado, por exemplo, que a patologia dentária gera partos prematuros. E sabemos das suas consequências, para além do factor económico.
Sabemos que a incidência de doença cardíaca é aumentada quando temos patologia periodental; patologia nas gengivas.
Se sabemos que todas estas patologias pertencem à saúde em geral, porque é que as separamos? Porque é que não integramos a saúde oral na saúde geral?
 
Não quero falar de classes. O sistema deve ser vertical e integrar o profissional de medicina oral e o de medicina geral e familiar, que continuará a ser o pivot de todo o processo. A medicina é humana, não se pode basear apenas em números.
 
A propósito de números, relativamente aos que ficam de fora da assistência na saúde oral... De fora ficam os mais de 400 mil portugueses que não têm médico de família já que, se não têm médico assistente, não podem ser referenciados para os médicos dentistas...
Dr. Francisco Salvado: É ainda um outro problema, mas também penso que se irá resolver.
Quando falou há pouco das despesas; fala-se muito que os estomatologistas, os higienistas e a medicina dentária, em geral, envolve tratamentos muito caros.
Mas tudo isso tem a ver com algo muito importante, que é a percepção do custo.
 
Quando os portugueses vão aos hospitais e pedem para fazer TAC´s, ressonâncias magnéticas, não sabem quanto é que custam...
Dr. Francisco Salvado: Porque só pagam um bocadinho, o resto é pago pelo Estado. Nos dentistas, como pagam a totalidade dos tratamentos, é que têm a percepção geral do custo.
O Estado que somos todos nós, e que nos esquecemos, às vezes...
 


publicado por servicodesaude às 03:00
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Saúde Oral - Caso de grávida: cheque-dentista

Muitos problemas orais podem dar origem a partos prematuros. A Estela Araújo tem 32 anos e está grávida, pela primeira vez, de sete meses. E teve a necessidade de recorrer ao cheque-dentista. Conseguiu tratar os problemas que tinha?

Estela Araújo: Sim, consegui tratar as cáries.
 
Mas a Estela tem outros problemas que não podem ser tratados pelo cheque-dentista. Quais?
Estela Araújo: Sim, tenho outro problemas; precisava de fazer implantes.
 
O que é que a Estela precisava fazer que o cheque-dentista não permite?
Drª Filipa Palma:  A Estela tem falta de quatro dentes e precisava de fazer implantes dentários; algo mais definitivo do que a placa que neste momento tem.
 
Para lhe permitir uma boa mastigação ou apenas por uma questão estética?
Drª Filipa Palma: A placa funciona para a mastigação e, ao nível da estética, é razoável. Mas o ideal é sempre o que queremos alcançar e, neste momento, seriam os implantes.
Convém realçar que as próteses ou outros tratamentos restauradores, como as coroas, também não estão contemplados; não são comparticipados dentro do cheque-dentista, quer para os idosos, quer para as grávidas. E são tratamentos básicos e prioritários nesta altura, por exemplo, da gravidez.
 


publicado por servicodesaude às 02:00
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Saúde Oral - Ficha Técnica

Autoria, Coordenação e Apresentação

Maria Elisa Domingues
 
Convidados
Rosário Malheiro
Paulo Melo
Francisco Salvado
Rui Calado
 
Pesquisa
Alexandra Figueiredo
Miguel Braga
Teresa Mota
 
Reportagem
Buenos Aires Filmes
 
Produção
Miguel Braga
 
Jornalistas
Miguel Braga
Teresa Mota
Raquel Amaral
 
Edição de Conteúdos
na Web (portal Sapo)
Natacha Gonzaga Borges
 
Imagem
Gonçalo Roquette
Daniel Ruela
Arquivo RTP
 
Edição e pós-produção vídeo
Sara Nolasco
 
Pós-produção aúdio
Miguel Van Der Kellen
 
Atendimento telefónico
Nuno Gaibino
Manuel Rocha
 
Câmaras
Carlos Duarte
Jorge Guerreiro
Elias Barbosa
 
Mistura e Imagem
Ana Claúdia Gageiro
 
Controlo de Imagem
Alfredo Marques
 
Som
João Carrasco
Joana Perucho
Tiago Romão
 
Iluminação
Armindo Caneira
 
Electricista
João Martins
 
Técnicos de Electrónica
José Borges
Rui Loureiro
 
Assistentes de Operações
Carlos Vieira
Daniel Comédias
Luís Rodrigues
 
Caracterização
Fátima Tristão da Silva
Ana Filipa
 
Assistente de guarda roupa
Paula Sousa
 
Registo Magnético
João Barradas
 
Gerador de Caracteres
Manuel Barreiros
 
Teleponto
Filipe Oliveira
 
Genérico e Grafismo
Nicolau Tudela
Teresa Martins
 
Música Genérico
Ari de Carvalho
 
Assistente de Realização
Pedro Valadas Preto
 
Anotadora
Dinah Costa
 
Chefe Técnico de Produção
Gaspar Fiúza
 
Criação Cenográfica
Gil Ferreira
 
Execução Cenográfica
Isabel Rodrigues
 
Produção
Filipa Azevedo
 
Realização
Jorge Rodrigues 
 
Agradecimentos
Associação Portuguesa de Higienistas Orais
Centro Médico de Estomatologia e Ortodontia


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Saúde Oral - Questões colocadas telespectadores

Alexandra Matos diz que tem uma filha de três anos que tem umas “pintinhas”pretas nos dentes da frente, que se estão já a alastrar aos dentes de trás. Tem sido acompanhada pelo pediatra que lhe disse para não se preocupar porque deveria ser acidez da boca e que não precisava de ir ao dentista. Tem dúvidas e gostava de ver esclarecida esta questão.

Dra. Rosário Malheiro (estomatologista, fundadora da Unidade de Estomatologia Pediátrica, do Hospital Dona Estefânia): As “pintinhas pretas” podem ser muita coisa. É relevante observar para se ter a noção do que é que se passa. Mas é muito frequente em crianças, assim pequenas, às vezes até terem umas linhas junto das gengivas.
Esses pequenos pontos correspondem muitas vezes a placa bacteriana que tem características especiais. E é capaz de ir buscar ferro da saliva e formar sais desse ferro, que não se dissolvem e dão essa coloração aos dentes.


publicado por servicodesaude às 00:30
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Saúde Oral - Links
Função dos dentes
Higiene oral e Saúde Oral
Escova de dentes e Flúor
Dentição de Leite: os primeiros dentes
 
Cárie dentária 
Patologia periodental
Cancro oral
Tratamentos restauradores
Implantes dentários
 
Programa Nacional de Saúde Oral
Alargamento do Programa Nacional de Saúde Oral
Programa Cheque-dentista
Estudo Nacional de Prevalência de Doenças Orais
Associação Portuguesa de Higienistas Orais
Ordem dos Médicos Dentistas
Sociedade Portuguesa de Pediatria  
Hospital de Stª Maria: Serviço de Estomatologia
SISO (Sistema de Informação para a Saúde Oral)
 
Plano Nacional de Saúde 2004-2010
Inquérito Nacional de Saúde 2005-2006
 
 


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Terça-feira, 9 de Junho de 2009
Doenças Hematológicas - Introdução (por Maria Elisa Domingues)

O programa Serviço de Saúde, da RTP 1, do dia 9 de Junho de 2009, debruçou-se sobre as Doenças do Sangue, em particular as mais frequentes, como as anemias, a hemofilia, as leucemias e os linfomas.

 

Apenas os nomes, em alguns casos, despertam legítimos terrores. No entanto, a esperança de vencer estas patologias, mesmo as mais graves, não pára de aumentar.

Todos recordam a resposta mobilizadora que o país deu ao drama da pequena Marta, de 5 anos, que precisava desesperadamente de um dador de medula. Já antes, casos como o de Inês Botelho, em 2003, suscitaram grandes movimentos de adesão de dadores. Mas subsistem dúvidas, temores e, sobretudo, todos os dias, aqui ou em qualquer parte do mundo, novos doentes esperam ansiosamente a generosidade de alguém para não morrer.
Antes de debatermos as questões de fundo, vamos ver a nossa reportagem que nos levou, entre outros locais, ao Hospital de Vila Real.



publicado por servicodesaude às 23:59
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Doenças Hematológicas - Convidados do programa

Prof. Dr. António Parreira - Hematologista, director do Departamento de Hematologia do IPO de Lisboa, presidente do Conselho Científico da Associação Portuguesa Contra a Leucemia, além de professor de Hematologia na Faculdade de Ciências Médicas de Lisboa.

Drª Inês Nolasco - Hematologista pós-graduada. Foi chefe de Serviço de Hematologia do IPO de Lisboa até 2007, quando se reformou.
Drª Letícia Ribeiro - Hematologista, presidente da Sociedade Portuguesa de Hematologia e directora do Departamento de Hematologia do Centro Hospitalar de Coimbra.
 
Outros convidados:
Dr. João Nascimento - Director clínico do Instituto de Retina e Diabetes Ocular de Lisboa, que responde às perguntas relativas ao programa anterior, sobre doenças oftalmológicas.
Dr. Álvaro de Carvalho - Coordenador Nacional de Saúde Mental, convidado residente em todos os programas.


publicado por servicodesaude às 23:58
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Doenças Hematológicas - Escassez de hematologistas em Portugal: causas

A abertura do serviço de Hematologia no Hospital de Vila Real, corresponde a um colmatar de escassez de hematologistas que existe no país ou, pelo menos, à sua distribuição harmoniosa...

Prof. Dr. António Parreira: Temos de facto poucos hematologistas; somos provavelmente cerca de 100 por todo o país, o que é um número relativamente menor, se compararmos com a maior parte dos países europeus. A Grécia, que possui uma população comparável à nossa, possui cerca de 600 hematologistas.
O problema está relacionado com diversas circunstâncias, mas essencialmente porque os centros de formação nesta especialidade estão muito centralizados nos três grandes centros populacionais: Lisboa, Porto e Coimbra, onde se situam os hospitais universitários e os IPO.
É uma especialidade que tem tido pouco recrutamento no país. Uma das dificuldades está relacionada em particular com a área de Oncologia. A componente emocional invariavelmente se traduz numa taxa de desistência importante comparativamente a outras especialidades. No internato constatamos que entram com grande entusiasmo mas depois, durante a formação, concluem que preferem outras áreas.
 
Também tem a ver com o facto de ser uma actividade que envolve grandes recursos financeiros e que só pode ser desenvolvida em grandes centros urbanos. Para além disso, parece ser pouco atractiva do ponto de vista financeiro...
Prof. Dr. António Parreira: Tem a sua importância. A Hematologia é uma especialidade essencialmente hospitalar e a actividade no domínio privado é relativamente escassa.
Depois também é uma actividade muito exigente do ponto de vista da multidisciplinariedade que os hospitais têm que ter para que os doentes sejam tratados de forma adequada, o que envolve o esforço de muitas especialidades.
 
É exigida uma disponibilidade total em termos de horários?
Prof. Dr. António Parreira: Sim, os especialistas da área hematológica trabalham muitas horas por semana já que, para além do trabalho normal, todos eles têm que fazer urgências.
Por exemplo, qualquer serviço que faz transplante de medula óssea tem que ter uma escala de médicos permanente de 24 horas; por vezes com dois médicos de serviço para dar uma resposta adequada, porque as primeiras horas que se seguem a um transplante são absolutamente críticas.
 
Como presidente da Sociedade Portuguesa de Hematologia, estão a pensar dinamizar as coisas de forma a captar novos hematologistas, tão necessários no nosso país?
Drª Letícia Ribeiro: Tem entrado pouca gente e muitos estão à beira da aposentação, portanto o problema é altamente preocupante. A Sociedade Portuguesa de Hematologia não tem um papel determinante na decisão, apenas de influência. Esse tipo de decisões passa mais pela Ordem dos Médicos e pelo Colégio da Especialidade. Queixamo-nos da dificulade imensa que temos para fazer passar esta mensagem mesmo junto destas entidades.
Para além da especialidade ser pouco atractiva, pelos motivos já focados, também não são abertas novas vagas, o que é um contrasenso. Não há especialistas suficientes nos hospitais centrais, que são no fundo os de última linha, mas também estão cheios de doentes que podiam ser tratados em hospitais distritais.
 
No Algarve há um hematologista; no Alentejo há um hematologista. É uma situação complicada porque é muito difícil exercer hematologia sozinho. Tem que haver uma equipa, pois para além do peso emocional que estes doentes representam, é absolutamente necessário discutir com os colegas as melhores opções porque os próprios tratamentos não são lineares. Por isso não é de todo aconselhável um hematologista trabalhar sozinho.
A situação no país é muito grave e isso vai ficar aqui demonstrado quando a Drª Inês Nolasco mostrar que, além do mais, este tipo de doenças não pára de aumentar.


publicado por servicodesaude às 23:00
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Doenças Hematológicas - Caso Diogo Monteiro e Marta

Portugal regista, anualmente, mil novos casos de leucemia. E uma das variantes mais agudas tem elevada incidência em jovens e crianças.

 
Caso Diogo Monteiro
Tem 14 anos; tinha 12 quando detectou um caroço no pescoço. Era um tumor linfático e Diogo seria encaminhado para o IPO de Lisboa.
Em 2007, conta o pai, Afondo Monteiro, o Diogo sofreria um AVC. E, apesar de ter recuperado de um coma e do AVC, ficaria com epilepsia. 
Desde então, não pode ficar sozinho. Pôs os livros de lado por algum tempo e a falta de defesas provocadas pela leucemia não o deixam sair de casa. É através do computador e do telemóvel que fala com os amigos.
Passaram dois anos desde o aparecimento do tumor linfático que, entretanto, evoluiu para uma leucemia. Agora precisa de um transplante de medula.
À semelhança de muitos outros casos, uma elevada percentagem de doentes com leucemia precisa de um transplante de medula óssea como recurso terapêutico final que lhe garanta a sobrevivência.
 

Caso Marta

A Marta passou pelo mesmo processo. Com apenas quatro anos foi-lhe diagnosticada leucemia.
Amigos e família iniciaram uma campanha on-line para conseguir um dador compatível. Uma corrente de solidadriedade fantástica que, a 22 de Maio, acabou por conseguir encontrar um dador compatível junto do Centro de Histocompatibilidade do Sul e do Registo Português de Dadores de Medula Óssea.
O dador da Marta não é português, foi encontrado através desta rede de solidariedade mundial que reúne todos os registos nacionais de dadores de medula óssea e que se traduz num universo de mais de 13 milhões de pessoas.
Com o slogan “Solidários até à Medula”, a Associação Portuguesa Contra a Leucemia, criada pelo Dr. Duarte Lima - que se inspirou numa fundação congénere, do tenor Josep Carreras -, tem promovido várias iniciativas de dádiva e recolha por todo o país.


publicado por servicodesaude às 22:00
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Doenças Hematológicas - Casos Marco Araújo e Maria Rosário Augusto

Caso Marco Araújo

Marco tem 30 anos. Não foi preciso encontrar um dador. Depois de muitos tratamentos de quimioterapia, foi um autotransplante de medula, efectuado há 15 meses, que o ajudou a vencer um linfoma de células T. Esteve à morte, agora encontra-se numa fase de remissão.
O hematologista Manuel Cunha explica que o transplante foi feito no IPO do Porto, mas foi no Serviço de Hematologia do Hospital de Vila Real (que abrange as populações de Bragança, Vila Real e uma parte de Viseu, num total de 450 mil habitantes), que foi seguido desde o início. Estas são localidades onde a população é muito envelhecida e que regista uma maior incidência de doença hematológica.
Só em 2008 efectuaram-se mais de seis mil consultas, tendo-se produzido cerca de 250 diagnósticos de novos doentes hemato-oncológicos. A principal dificuldade, como em outros hospitais portugueses, é a falta de meios humanos médicos.
 
Caso Maria do Rosário Augusto
Tem 73 anos e sofre de uma aplasia medular; doença rara que a acompanha há mais de 25 anos. Como Marco, a sua doença também é crónica. Ambos vão ter que ser seguidos sempre.


publicado por servicodesaude às 21:00
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Doenças Hematológicas - Leucemia e Linfomas: incidência a aumentar

 As leucemias e os linfomas estão a aumentar, apesar de se irem encontrando soluções terapêuticas cada vez mais avançadas para responder a um grande número de novos casos...

Drª Inês Nolasco: Tenho aqui um gráfico que representa estudos epidemiológicos feitos no National Cancer Institute, nos E.U.A., e que se referem a um período dos últimos 30 anos, mais precisamente entre 1975 e 2006 (dados actualizados em Maio de 2009).
Percebemos que o gráfico tem uma curva perfeitamente ascendente, que nunca pára de crecer e que se refere à incidência de linfomas por mil habitantes. O estudo foi dividido por raça e sexo, mas todos eles evoluem da mesma forma.
Esta incidência praticamente duplica o número de casos em 30 anos, o que é preocupante. Mais em Portugal que, como vimos, não possui médicos hematologistas suficientes para tratar este tipo de patologias.
Mas o gráfico também traz uma mensagem de esperança e optimismo reais, já que se olharmos para a curva que representa a mortalidade por linfoma, verificamos que nos últimos 30 anos a mortalidade está mais ou menos ao mesmo nível, quando a incidência praticamente duplicou.
Muitas destas doenças – linfomas e leucemias – tornaram-se curáveis, graças ao transplante de medula óssea, embora nem todas. Por outro lado, também tem havido um aumento do número de ferramentas terapêuticas para as combater.
Há de cada vez uma medicação mais vasta, não só a clássica quimioterapia mas também outro tipo de fórmulas que por vezes não chegam para curar, mas que vieram tornar estas patologias nas chamadas “doenças crónicas”.
As pessoas vivem com o seu linfoma ou leucemia como uma doença crónica ao longo dos anos, de forma controlada, com intervalos em que estão livres das suas manifestações, o que lhes permite uma qualidade de vida normal.


publicado por servicodesaude às 20:00
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Doenças Hematológicas - Linfomas: o que são?

Telefonema da telespectadora Ana Dantas, 37 anos, estudante, da Falagueira

Gostava de saber, em concreto, o que são os linfomas.
Prof. Dr. António Parreira: Os linfomas são doenças potencialmente malignas. No fundo, são formas de cancro que atingem as células do sistema linfático (e que resultam do crescimento anormal destas células), que por sua vez faz parte da medula óssea.
A medula óssea é um órgão muito importante. Está espalhado por todo o nosso esqueleto – no fundo é o tutano dos ossos – e produz todas as células do sangue, incluindo as células do sistema imunitário, que são as células linfáticas.
Depois, estas células distribuem-se por órgãos periféricos: os chamados gânglios linfáticos, presentes em todos os pontos do organismo e, inclusivamente, até fora dos próprios gânglios (aquilo a que se chama de sistema linfático extra) e, em todos esses locais, podem surgir células que crescem desordenadamente e que dão origem a linfomas.
Genericamente, podemos dizer que os linfomas – que incluem também as leucemias – representam cerca de 10% a 15% dos tumores existentes; de todos os cancros humanos.
É claro com as suas particularidades de incidência, de distribuição, que variam consoante os tipos e os grupos etários. Mais em...
 


publicado por servicodesaude às 19:00
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Doenças Hematológicas - Leucemias e Linfomas: frequência com a idade

Os linfomas e as leucemias surgem mais em que faixas etárias?

Drª Inês Nolasco: Depende do tipo de linfoma. Se olharmos de uma maneira geral para as doenças hemato-oncológicas, elas vão aumentando a sua frequência com a idade. No entanto, há certo tipo de linfomas e leucemias que são mais frequentes em idades jovens e, alguns, em crianças.
Linfomas são um mundo de doenças de diferentes etiologias. Têm uma origem comum: o sistema linfóide, mas depois as manifestações clínicas, as formas de tratamento e os prognósticos são completamente diferentes.
As pessoas deviam ter esta noção para aliviar certas angústias que os doentes e as famílias sentem quando lhes é dado um diagnóstico como este.

Contudo, se uns doentes podem, em certos casos, esperar pela terapêutica; outros não podem esperar mais do que algumas horas. Uns fazem quimioterapia, outros transplantação, outros não. Mas todos deviam ser esclarecidos pelo seu médico relativamente à tipologia do seu linfoma.



publicado por servicodesaude às 18:00
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Doenças Hematológicas - Leucemias e Linfomas: hereditárias?

Uma dúvida que surge frequentemente é se estas doenças – linfomas e leucemias – são hereditárias...

Prof. Dr. António Parreira: Não é óbvio, nem fácil, responder a essa questão. Temos a presunção de que há determinadas famílias que possuem uma constituição genética que torna mais provável o aparecimento deste tipo de doenças. Por vezes constatamos pela história clínica de que existe mais que um membro na família que sofre deste tipo de doença.
Mas não é uma doença hereditária, já que não existe um padrão que nos diga: esta pessoa tem um linfoma, logo, os filhos também irão ter. De forma nenhuma.


publicado por servicodesaude às 17:00
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Doenças Hematológicas - Caso telespectadora: linfoma e sono

Telefonema da telespectadora Maria Gonçalves, 62 anos, reformada, de Carcavelos:

O marido tem um linfoma cutâneo e graves perturbações de sono. É seguido no IPO e já fez vários tratamentos: quimioterapia, fototerapia, mas os problemas de saúde continuam a agravar-se, nomeadamente o problema do sono. Mesmo com medicação, não consegue dormir.
Gostava de saber se existe alguma relação entre o centro neurológico da doença e do sono.
Prof. Dr. António Parreira: Não é possível que haja uma relação directa. Trata-se de uma variedade de linfoma cutâneo que, em alguns doentes, afecta essencialmente a pele e tem manifestações incómodas como prurido permanente. Às vezes, é muito dificil de controlar medicamente e isso pode ser um factor de desassossego permanente, já que o doente pode não conseguir dormir.
Mas pode haver outras situações, do ponto de vista neurológico, que possam estar na base das perturbações do sono.

Aqui está um bom exemplo da necessidade de multidisplinariedade da acção médica, com a contribuição de especialistas de várias áreas que nos ajudam a resolver problemas muito concretos, complexos e que podem surgir mesmo com os próprios tratamentos.



publicado por servicodesaude às 16:00
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Doenças Hematológicas - Criopreservação Sangue do Cordão Umbilical: eficaz contra a leucemia?

Telefonema da telespectadora Mara Lourenço, 25 anos, animadora sócio-cultural, de Turquel. Está grávida de 33 semanas e pergunta se a criopreservação das células estaminais do sangue do cordão umbilical, no momento do parto, pode ou não ser uma esperança para uma criança com leucemia...

Prof. Dr. António Parreira: A opinião quase generalizada dos especialistas que trabalham especificamente nesta área do transplante do sangue do cordão umbilical é que será aconselhável o desenvolvimento de bancos de sangue de cordão umbilical, mas para utilização pública.

Não é provavelmente muito útil fazer a criopreservação de células estaminais do cordão umbilical para utilização própria, porque a probabilidade dessas células virem a ser úteis é muito remota.
Basta lembrar que o efeito do tratamento anti-leucémico que se obtém com o transplante de medula óssea alogénica vem exactamente da diferença de constituição genética do dador e a do doente; o receptor.
É necessário que se crie essa reacção - a que chamamos de enxerto contra o hospedeiro – para obter um efeito terapêutico anti-leucémico.
Quando transplantamos um doente com células geneticamente iguais às suas, já não há um efeito terapêutico adequado. Isso foi verificado há muitos anos com a transplantação em gémeos. Se um dos gémeos tem uma leucemia e recebe um transplante de outro gémeo saudável, esse transplante não tem eficácia terapêutica.

O transplante tem que ser de uma pessoa diferente, mas não muito diferente, para que o efeito desejável se desencadeie.



publicado por servicodesaude às 15:00
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Doenças Hematológicas - Campanha "Ajudar a Marta"

Recentemente surgiu o caso extremamente mediático da pequena Marta, que já tem dador, mas que despoletou um grande movimento de solidariedade de pessoas, que ocorreram em massa aos centros de recolha de medula óssea.

O Pedro Coelho, do movimento “Ajudar a Marta”, é um amigo da família que se juntou espontaneamente a outros durante a época da Páscoa, a partir do momento em que recebeu um email. Hoje estão empenhados em não parar, mesmo depois de encontrado um dador compatível para a Marta. O objectivo é que surjam mais e mais dadores...
Pedro Coelho: Somos recentemente chegados a esta causa, já que tudo surgiu num curto espaço de tempo, por causa da filha de um amigo que não encontrava um dador compatível de medula óssea entre as suas duas irmãs.
Organizámo-nos espontaneamente pela Internet, mas foram surgindo também organizações espontâneas dentro de empresas, perfazendo um total de 120 locais de recolha, como centros comerciais, escolas...
O Centro de Histocompatibilidade do Sul sentiu um pico de afluência de dadores - mesmo uma avalanche, a certo momento - mas obtivémos a melhor das respostas.

Depois começámos a utilizar a Internet de forma mais estruturada e por via do Facebook – que é uma rede social -, conseguimos que cerca de 14 mil pessoas se associacem a esta causa. Hoje, já estamos igualmente presentes no Hi5 e no Second Life.



publicado por servicodesaude às 14:00
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Doenças Hematológicas - Campanha "Juntos pela Teresa"

Este é também uma caso como o de Diogo, falado na reportagem. E temos um amigo, o José Farinho, também aluno da Escola Secundária Diogo de Gouveia, em Beja, com o mesmo objectivo: arranjar mais dadores de medula óssea e assim, um dador compatível com a Teresa...

José Farinho: A Teresa tem 17 anos. Em Setembro, descobriu que tinha uma leucemia linfoblástica aguda que foi logo considerada grave. Fez um primeiro ciclo de quimioterapia e como não respondeu da melhor forma foi considerada uma doente de muito elevado risco. Sabíamos que havia a necessidade de encontrar um dador compatível para fazer o transplante de medula óssea.
Em Outubro criámos panfletos e distribuimos pela escola. Depois o movimento ampliou-se; criámos vídeos e colocámo-los no Youtube. E passámos a campanha para os jornais e para as televisões com o slogan “Juntos pela Teresa”.

Hoje, a totalidade dos vídeos no Youtube já chega às 18 mil visualizações e a nossa caixa de email "explodiu".

Muitas dúvidas que nos chegam continuam a referir-se a se “Posso, ou não, ser dador de medula óssea?”



publicado por servicodesaude às 13:00
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Doenças Hematológicas - Ass. Port. de Luta Contra a Leucemia: fundação e objectivos

Pode acontecer a qualquer um, que se sinta absolutamente saudável e que um dia vai fazer análises – por exemplo para efectuar um seguro de vida – e de repente descobre que tem um grave problema de saúde.

Foi isso que aconteceu ao Dr. Duarte Lima, que depois acabou por fazer uma grande obra; a criação da Associação Portuguesa Contra a Leucemia, que nos recordará como essa experiência o alterou enquanto ser humano...
Dr. Duarte Lima: Não se passa indiferentemente sobre a experiência do cancro quando se sobrevive. É uma experiência transformadora, não tanto por nós, que sobrevivemos (no meu caso tive a sorte de descobrir a tempo, de ter uma excelente equipa clínica e de ter um irmão cem por cento compatível comigo), mas também por causa dos verdadeiros heróis desta causa, que são aqueles que morreram, porque não encontraram um irmão compatível ou um dador numa base mundial que, na altura tinha 6,5 milhões de pessoas e que hoje, felizmente, tem cerca de 13 milhões.
A associação acabou por nascer por acaso. O Rui Veloso visitava-me com frequência e também uma outra criança que estava no quarto ao lado do meu. Um dia essa criança já lá não estava, tinha partido. Tal como eu, ele também ficou muito impressionado.
As possibilidades de ter um irmão compatível são de uma em quatro. Então dissémos: todos temos que pensar nisto. Contei-lhe que o Dr. António Parreira (que foi quem me recebeu no IPO) e o Dr. Abecassis (que me transplantou), diziam que já há muitos anos queriam criar uma associação ou uma fundação "que ajudasse a sociedade civil a ajudar", e a lidar com todas as dificuldades reais que a área hematológica tem.
E decidimos. Inspirámo-nos na Fundação José Carreras, que aliás convidámos a estar presente no nosso primeiro concerto.
 
A criação da Associação Portuguesa Contra a Leucemia tinha, e tem, um triplo objectivo:
1) Sensibilizar a opinião pública portuguesa para a doação de medula óssea e para a desmistificação da doação, que muita gente ainda hoje confunde com “espinal medula” e que, até então, era ainda considerado algo de perigoso.
Hoje existem técnicas novas que fazem da doação de medula óssea um processo simples, indolor, fácil e rápido.
2) Um segundo objectivo era criar, em Portugal, um verdadeiro registo de dadores benévolos de medula óssea.
Existe hoje uma tendência para as famílias serem nucleares, dos pais terem apenas um ou dois filhos. Ou seja, é muito difícil encontrar um dador compatível no seio da própria família. Quando era necessário um transplante alogénio e não havia um irmão, as células vinham sempre do estrangeiro.
O nosso segundo objectivo era, assim, o de ajudar as instituições públicas, nomeadamente os Centros de Histocompatibilidade do Norte, Centro e Sul, nesta tarefa.
3) O terceiro grande objectivo era também o de apoiar a investigação científica na área das doenças hemato-oncológicas.
Tudo anda ligado. É muito importante a doação de medula óssea mas esta não resolve tudo. A montante existe a investigação e os médicos podem fazer tanto melhor, quanto melhor for o progresso da ciência.
 
Mas os grandes heróis são os que já partiram: a Inês Botelho, o Tiago Norton – pessoas que conheci e que deram o exemplo de um heroísmo extraordinário e que não encontraram um dador compatível. É a eles que dedicamos este trabalho.

Existe uma associação, a Associação Inês Botelho, com o nome da menina que não encontrou em vida um dador compatível de medula óssea, e que prossegue os mesmos objectivos que a Associação Portuguesa Contra a Leucemia, criada pelo Dr. Duarte Lima.



publicado por servicodesaude às 12:00
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Doenças Hematológicas - Ass. Port. de Luta Contra a Leucemia: espectáculo "Solidários até à Medula", de recolha de fundos

 São de grande importância os espectáculos que a Associação Portuguesa de Luta Contra a Leucemia promove, como o que irá decorrer no próximo dia 2 de Julho, intitulado "Solidários até à Medula", no qual o Dr. Duarte Lima tem vindo entusiasticamente a investir o seu tempo...

Dr. Duarte Lima: Este concerto é a nossa grande iniciativa de recolha de fundos. Mais uma vez o evento vai ser coberto pela RTP e tem mais uma vez o alto patrocínio do Sr. Presidente da República. Vai contar com a participação do José Cura, do Rui Veloso, da Mariza, do Camané, do Luís Represas, do Pedro Caldeira Cabral e da Orquestra Sinfónica do Teatro São Carlos.

Ao longo do dia haverá uma linha telefónica solidária da PT (Portugal Telecom), para que as pessoas que queiram ajudar possam fazer chamadas que revertem a favor da Associação Portuguesa de Luta Contra a Leucemia.
Por forma a garantir aos portugueses que os recursos postos à disposição da associação – que é uma entidade auditada – são correctamente utilizados, criámos um conselho de acompanhamento desta iniciativa.
Este conselho é composto por três antigos ministros das Finanças – o Prof. Eduardo Catroga, o Prof. Luís Campos e Cunha e o Prof. Bagão Félix e, ainda, um representante da Procuradoria-Geral da República, justamente o seu vice-presidente, o Dr. Mário Gomes Dias; a quem fornecemos um relatório de execução, de três em três meses, relativamente à área científica, à área de registo de dadores e à área de ajuda social aos doentes, para não existir qualquer tipo de dúvida sobre a forma de como os recursos são aplicados.

Pensamos que é um exemplo de uma ONG (Organização Não-Governamental) que não utiliza os recursos do Estado e que faz questão em não utilizar, porque achamos que o Estado não tem a obrigação de fazer tudo e que a sociedade civil tem muito que fazer.

Linha Solidária da PT: 760 20 70 80

 

 



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Doenças Hematológicas - Ass. Port. de Luta Contra a Leucemia: atribuição de bolsas de investigação

Como já foi referido, existe em Portugal uma grande falta de especialistas na área hematológica e uma das funções que a Associação Portuguesa Contra a Leucemia se atribui foi também a de proporcionar bolsas de estudo, de investigação científica, nesta área...

Prof. Dr. António Parreira: Sim, achamos que a formação científica é fundamental. Estabelecemos uma parceria com a Fundação Calouste Gulbenkian, que nos financia o nosso programa de formação para técnicos de saúde que queiram fazer estágios, de curta ou média duração no estrangeiro, para aprender tecnologias diferenciadas.
Qualquer técnico de saúde, que esteja integrado numa equipa e que apresente um projecto coerente para adquirir uma especialização particular, pode concorrer.
E criámos um programa de bolsas de investigação científica que tem vindo a crescer significativamente desde 2003, principalmente porque tivémos a preocupação que esse programa de atribuição de bolsas tivesse um conselho científico internacional de grande credibilidade.
Tivémos o previlégio de contar com grandes figuras da ciência hematológica e da actividade científica mundial, como é o caso do Prof. António Coutinho, do Prof. Eduardo Guimarães - que é professor de Hematologia na Universidade do Porto - e, ainda, com grandes personagens do mundo da hematologia: o Prof. John Goldmund, o Dr. Henrique Carrera e o Prof. Joaquim Lococo, da Universidade de Roma.
Este conselho científico tem a função de nos fornecer orientações na atribuição de bolsas em áreas em que vale a pena investir no nosso país, em termos de investigação, tendo em conta a nossa realidade.
Todos os anos temos esse prazer: existem muito mais projectos a candidatarem-se do que o número de bolsas que podemos atribuir.
 
Ainda relativamente à investigação científica, há um programa, talvez dos mais importantes que a Associação Portuguesa de Luta Contra a Leucemia tem em curso, com o Departamento de Biotecnologia e Engenharia do Instituto Superior Técnico, o IPO de Lisboa, a Lusotransplante e a José de Mello Saúde, que é um projecto que visa, em termos correntes, dar resposta à rejeição dos transplantes que, nas formas mais graves não tem cura e que, em último caso, provoca a morte.
Em Portugal, este programa já foi testado com grande sucesso no IPO, em sete doentes.


publicado por servicodesaude às 10:00
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Doenças Hematológicas - Caso Sofia Norton de Matos (linfoma)

Caso Sofia Norton de Matos (arquitecta)

Companheira do Dr. Duarte Lima, passou por um processo semelhante ao seu. Quando tinha acabado de ter um bebé, há oito anos, descobriu que tinha um linfoma de Hodgkin...
Tive a sorte de ser seguida pela Drª Inês Nolasco, no IPO. Mas não foi fácil. Numa primeira fase fiz quimioterapia e radioterapia e parecia que tudo caminhava bem, mas menos de um ano depois do primeiro diagnóstico tive uma recaída e a equipa do IPO achou que deveria fazer um transplante de medula óssea.
Tive sorte porque a minha medula estava boa e pude efectuar um autotransplante.
O facto de ter um bebé em casa à minha espera deu-me imensa força e foi fundamental a corrente de solidariedade dos amigos e da família. E tive casos muito graves perto de mim. Por exemplo, o caso do Tiago Norton, meu primo direito, a quem foi diagnosticada uma leucemia grave, cerca de dois meses depois de me terem diagnosticado o linfoma.
O Tiago acabou por falecer dois meses depois de eu ter ido para transplante. E mesmo na noite em que fui internada, morreu uma menina de 9 anos, o que foi, para mim, muito complicado.

Só soube uns meses depois que tinha menos de 50 por cento de probabilidades de sobreviver, mas disse a mim própria: “Vou sair daqui”. E saí!...



publicado por servicodesaude às 09:00
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Doenças Hematológicas - Posso ser dador de medula óssea?

Sabemos que o processo é hoje mais fácil e totalmente indolor, mas como pode alguém ser dador de medula óssea?

Drª Inês Nolasco: As pessoas deverão dirigir-se aos Centros de Histocompatibilidade do Norte, Centro e Sul, através do telefone ou do email, onde lhes será dada toda a informação de como podem ser dadores.



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Doenças Hematológicas - Pergunta telespectadora: doar medula tendo epilepsia

Telefonema da telespectadora Ana Dantas, 37 anos, estudante, da Falagueira

Aos 18 anos, depois de ter desmaiado, foi-lhe diagnosticada epilepsia. Mais tarde deu à luz um menino com uma malformação congénita no fígado, que acabaria por falecer cinco anos depois. Na altura foi-lhe dito que não podia dar sangue.
Agora, gostaria de saber se tendo epilepsia pode, ou não, ser dadora de medula óssea.
Prof. Dr. António Parreira: A maior parte dos centros de recolha de sangue e de medula óssea só aceita, por definição, pessoas que sejam estritamente saudáveis. É uma regra geral, mesmo que se assuma que a epilepsia não é uma doença transmissível.

Os centros de recolha partem do princípio que a pessoa dadora não tem antecedentes médicos. Logo, provavelmente isso não será possível.



publicado por servicodesaude às 07:03
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Doenças Hematológicas - Anemias: leite em excesso e outras causas

A propósito das anemias, muitas pessoas, muitos pais, não sabem que podem estar a fazer mal aos seus filhos se lhes derem leite em excesso...

Drª Letícia Ribeiro: A anemia por falta de ferro é muito frequente em duas faixas etárias: em crianças muito pequenas, nos dois primeiros anos de vida, ou em raparigas adolescentes, porque perdem sangue nas menstruações e não conseguem ingerir ferro em quantidade suficiente.
No caso das crianças muito pequenas, os motivos são diversos: parasitoses, ou outras doenças, como a celíaca, por exemplo, embora a maior parte esteja relacionada com déficites alimentares.
Constatamos que as crianças bebem demasiado leite. No primeiro ano de vida devem apenas ingerir, ou leite de fórmula ou leite materno, mas depois podem ingerir o leite de pacote normal. Mas esse leite tem um elevadíssimo teor de cálcio e fósforo, o que faz com que o ferro seja menos bem absorvido pelo organismo.
As pessoas, os pais e os avós, fazem-no com a melhor das intenções, muitas vezes porque a criança não comeu bem e depois esta habitua-se e ela própria passa a exigi-lo.

Dar leite às crianças após as refeições pode ser extremamente nocivo e ter, inclusivé, repercussões para toda a vida, nomeadamente no que toca ao seu desenvolvimento cognitivo. Ou seja, a criança pode ficar com menos capacidades para a aquisição de conhecimentos.



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Doenças Hematológicas - Anemias: o que são?

A sua área de especialidade, as anemias, tal como os linfomas, são uma enorme família de diferentes doenças...

Drª Letícia Ribeiro: É uma família enormíssima. Inclui a simples anemia, por falta de ferro, mas também as anemias mais complexas e complicadas para os doentes.
Existem anemias que são doenças do sangue, como sejam as anemias congénitas e depois há todo um enorme conjunto de anemias que são uma manifestação de outras doenças.
A anemia, por definição, é uma baixa dos níveis de hemoglobina, quando comparada com os valores normais em indivíduos do mesmo sexo e idade. Mas podem estar associadas a um grande conjunto de doenças, umas mais graves que outras.


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Doenças Hematológicas - Anemia por deficiência de ferro (1/2)

Anemia por deficiência de ferro

O organismo recicla o ferro: quando os glóbulos vermelhos morrem, o ferro presente neles volta à medula óssea para ser reutilizado na formação de novos glóbulos vermelhos. O corpo perde importantes quantidades de ferro quando se perdem grandes quantidades de glóbulos vermelhos durante uma hemorragia.
O défice de ferro é uma das causas mais frequentes de anemia. Nos adultos, este défice deve-se essencialmente à hemorragia, enquanto nos bebés e crianças, que precisam de mais ferro por estarem em idade de crescimento, a causa principal deste défice é uma dieta pobre em ferro. Nas mulheres durante a pós-menopausa e nos homens, o défice de ferro indica habitualmente uma perda de sangue pelo aparelho gastrointestinal.
A hemorragia menstrual pode causar défice de ferro em mulheres durante o período pré-menopáusico. Habitualmente o ferro contido numa dieta considerada normal não pode compensar a perda do mesmo por uma hemorragia crónica, já que o corpo tem uma reserva muito pequena de ferro. Por conseguinte, o ferro perdido deve ser reconstituído com suplementos.
As mulheres grávidas tomam suplementos de ferro porque o feto em desenvolvimento consome grandes quantidades deste elemento.
Nos países desenvolvidos, a dieta média contém aproximadamente 6 mg de ferro por cada 1000 calorias de alimento, pelo que a pessoa consome uma média de 10 mg a 12 mg de ferro por dia. Muitos alimentos contêm ferro, mas a carne é a sua melhor fonte. As fibras vegetais, os fosfatos, o farelo e os antiácidos diminuem a absorção do ferro ao uniram-se a este. A vitamina C (ácido ascórbico) pode aumentar a absorção do ferro. O corpo absorve de 1 mg a 2 mg de ferro diariamente por meio dos alimentos, que é praticamente igual à quantidade que o corpo perde normalmente todos os dias.


publicado por servicodesaude às 04:31
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Doenças Hematológicas - Anemia por deficiência de ferro (2/2)

Sintomas e Diagnóstico

A anemia pode chegar a causar fadiga, falta de ar, incapacidade para fazer exercício e outros sintomas. O défice de ferro pode produzir os seus próprios sintomas, como a malacia (apetência por elementos não alimentícios como gelo, terra ou amido puro), a inflamação da língua (glossite) e cortes nas comissuras da boca (queilose) e nas unhas, que se deformam, adoptando uma forma semelhante a colheres (coiloníquia).
Para diagnosticar uma anemia efectuam-se análises de sangue e também provas para detectar o défice de ferro. No sangue, determinam-se os valores do ferro e da transferrina (proteína que transporta o ferro quando ele não se encontra nos glóbulos vermelhos) e comparam-se entre si. Se menos de 10 % da transferrina se encontrar saturada com ferro, é provável que exista um défice de ferro.
Contudo, a análise mais sensível para detectar o défice deste é a avaliação da quantidade de ferritina (proteína que armazena o ferro). Um valor baixo da ferritina indica um défice de ferro. No entanto, por vezes detecta-se um défice de ferro apesar de os valores de ferritina serem normais, porque estes podem aumentar artificialmente devido a uma lesão do fígado, uma inflamação, uma infecção ou um cancro.
Em alguns casos, são precisas análises mais sofisticadas para se chegar ao diagnóstico. A análise mais específica é um exame das células da medula óssea no qual se examina ao microscópio uma amostra destas células para determinar o seu conteúdo em ferro.
 
Tratamento
Sendo a hemorragia excessiva a causa mais frequente do défice de ferro, o primeiro passo é localizar a sua origem e deter a hemorragia. Os medicamentos ou a cirurgia podem ser necessários para controlar a hemorragia menstrual excessiva, para tratar uma úlcera sangrante, para ressecar um pólipo do cólon ou para tratar uma hemorragia renal.
Habitualmente, o tratamento inclui a reposição do ferro perdido. A maioria dos comprimidos de ferro contém sulfato ferroso, gluconato férrico ou um polissacárido. Esses comprimidos são melhor absorvidos quando se ingerem 30 minutos antes das refeições.
Em geral, um comprimido de ferro por dia é suficiente, mas por vezes são precisos dois. Sendo limitada a capacidade do intestino para absorver ferro, é um desperdício dar doses maiores, que, além disso, podem causar indigestão e prisão de ventre. O ferro quase sempre escurece as fezes (um efeito secundário normal e não prejudicial).
A correcção da anemia por défice de ferro com suplementos deste metal demora entre 3 e 6 semanas, mesmo depois de a hemorragia ter cessado. Depois de corrigida a anemia, o indivíduo deve continuar a tomar suplementos de ferro durante 6 meses para repor as reservas do corpo. Efectuam-se análises de sangue de forma periódica para garantir que o suplemento de ferro ingerido é suficiente e que a perda de sangue foi estancada.


publicado por servicodesaude às 04:30
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Doenças Hematológicas - Hemofilia: o que é?

O que é a hemofilia?

A hemofilia é um distúrbio hemorrágico hereditário. O sangue contém muitas proteínas, chamados factores de coagulação que actuam para parar a hemorragia. As pessoas com hemofilia têm níveis baixos ou ausência de um destes factores da coagulação no seu sangue.
As pessoas com hemofilia não sangram mais rápido do que as outras pessoas, e não se esvaem em sangue até à morte devido a um corte ou ferimento menor. O principal problema são as hemorragias internas, essencialmente nas articulações e músculos.
A hemofilia é bastante rara. Cerca de uma em cada 10 mil pessoas nasce com hemofilia A e cerca de uma em cada 50 mil nasce com hemofilia B.
 
Diferença entre hemofilia A e B
Existem dois tipos de hemofilia: hemofilia A e hemofilia B (chamada por vezes doença de Christmas). Ambas causadas por um baixo nível ou ausência das proteínas do sangue (factores) que controlam as hemorragias.
A hemofilia A é causada por uma deficiência de factor VIII e a hemofilia B é causada por uma deficiência de factor IX. Não existe nenhuma diferença entre os dois tipos de hemofilia, excepto que a hemofilia B é cerca de cinco vezes mais comum do que a hemofilia A
Existem ainda diversas diferenças de factor que também causam hemorragias anómalas. Estas incluem deficiência dos factores I, II, V, VII, X, XI, XII e o factor von Willebrand. As formas mais graves destas deficiências são ainda mais raras do que a hemofilia A e a hemofilia B.
A hemofilia é uma deficiência genética, que é normalmente hereditária. Não pode ser contraída ou transmitida, excepto por transmissão hereditária, de pais para filhos.
Cerca de um terço de novos casos são causados por uma nova mutação do gene na mãe ou na criança. Nestes casos não existe história prévia de hemofilia na família.
As formas mais graves de hemofilia afectam maioritariamente os homens. Mas as mulheres que têm o gene da hemofilia são chamadas portadoras e podem transmiti-lo aos seus filhos. Quando a mãe é portadora e o pai é normal, para cada criança que nasce existe uma probabilidade de 25% de ser um rapaz e ter hemofilia e 25% de ser uma rapariga e ser portadora.
 
Precauções antes de engravidar
É importante que o hematologista de uma mulher portadora, esteja envolvido no acompanhamento da gravidez e que exista alguma ligação com o obstetra antes do parto.
Não é necessário realizar um diagnóstico pré-natal só para acompanhar a gravidez, no entanto este é feito quando o casal coloca a hipótese de interrupção da gravidez. 
 
A hemofilia pode ser adquirida?
Em casos raros, uma pessoa pode, mais tarde, desenvolver hemofilia. A maioria dos casos envolve pessoas de meia-idade ou mais velhas, ou mulheres jovens que tiveram recentemente um bebé ou que estão no último estádio da gravidez.
A hemofilia adquirida é normalmente causada pelo desenvolvimento de anticorpos ao factor VIII (o sistema imunitário do corpo destrói o seu próprio factor VIII, produzido naturalmente).
 
 
 


publicado por servicodesaude às 01:15
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Doenças Hematológicas - Ficha Técnica

Autoria, Coordenação e Apresentação

Maria Elisa Domingues
 
Convidados
Inês Nonasco
António Parreira
Letícia Ribeiro
Álvaro Carvalho
João Nascimento
 
Pesquisa
Alexandra Figueiredo
Miguel Braga
Teresa Mota
 
Reportagem
Buenos Aires Filmes
 
Produção
Miguel Braga
 
Jornalistas
Teresa Mota
Raquel Amaral
 
Gestão e Edição de Conteúdos
na Web (portal Sapo)
Natacha Gonzaga Borges
 
Imagem
Gonçalo Roquette
Daniel Ruela
Arquivo RTP
 
Edição e pós-produção vídeo
Sara Nolasco
 
Pós-produção aúdio
Miguel Van Der Kellen
 
Atendimento telefónico
Ana Marta Coelho
Nuno Gaibino
Manuel Rocha
 
Câmaras
Rui Machado
Pedro Emanuel Pereira
Bruno Rosado
João Melo
 
Mistura e Imagem
Claúdia Gageiro
 
Controlo de Imagem
Cecília Furtado
 
Som
Rafael Braz
Manuel Machado
Rui Ventura
 
Iluminação
Armindo Caneira
 
Electricista
João Martins
 
Técnicos de Electrónica
José Borges
Rui Loureiro
 
Assistentes de Operações
José Araújo
Orlando Aurélio
Samuel Ribeiro
Alexandre Silva
 
Caracterização
Fátima Tristão da Silva
Ana Filipa
 
Registo Magnético
Maria João Fragateiro
 
Gerador de Caracteres
Filipe Oliveira
 
Teleponto
Sofia Van Dunen
 
Genérico e Grafismo
Nicolau Tudela
Teresa Martins
 
Música Genérico
Ari de Carvalho
 
Assistente de Realização
Carlos Cid Carmo 
 
Anotadora
Paula Macedo
 
Chefe Técnico de Produção
Moreira Nunes
 
Criação Cenográfica
Gil Ferreira
 
Execução Cenográfica
Isabel Rodrigues
 
Produção
Filipa Azevedo
 
Realização
Paulo Resende


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Doenças Hematológicas - Links


publicado por servicodesaude às 00:30
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Doenças Hematológicas - Questões colocadas telespectadores

Alda Caldeira, de Évora

Diz que tem um irmão com linfoma de Hodgkin e várias pessoas na família que faleceram com diversos tipos de cancro. Pergunta qual é, para si, o peso da hereditariedade?
Dr. Manuel Abecassis (Director do Serviço de Transplantação de Medula Óssea do IPO de Lisboa): Não é fácil responder a essa pergunta. Penso que pode haver um factor de coincidência. Quando diz que tem vários familiares com tumores, estes podem ser em condições muito variadas: um cancro de pulmão, um cancro da mama...
Se haverá algum tipo de fio condutor entre todas essas doenças, o estado actual da ciência não nos permite dizer que sim.
Gostaria de dizer que não vejo motivo para estar especialmente preocupada. O aumento das doenças neoplásicas explica-se também pelo próprio aumento da esperança de vida.
Há que estar atento a sintomas e sinais que podem ser indiciadores de uma doença neoplásica maligna, mas não tem que estar preocupada com essa incidência que poderá parecer um pouco anormal na sua família.
 
António Santos, 43 anos, do Montijo
Teve um mieloma múltiplo e fez um autotransplante. Pergunta qual a relação e a diferença entre o linfoma e o mieloma?
Dr. Manuel Abecassis: São doenças completamente diferentes. Mas são doenças cuja origem celular tem alguma proximidade, apesar de terem uma evolução e um tratamento diferente.
Existem dezenas de tipos de linfomas, cuja gravidade é muito variável. Existem linfomas graves e outros que quase dispensam tratamento.
 
Maria Gonçalves, 42 anos de Carcavelos
O marido sofre de linfoma de Hodgkin e tem muita dificuldade em dormir. Pergunta qual é a relação entre a doença e o centro doo sono?
Dr. Manuel Abecassis: Não há nenhuma relação. É natural quando as pessoas têm alguma doença que as preocupa, terem dificuldades em dormir. E poderão até necessitar de algum acompanhamento na área da psicoterapia, que é hoje uma área cada vez mais importante.
Na minha opinião trata-se sobretudo de um factor psicossomático que está na base de não conseguir dormir e não tem nada a ver com o linfoma de Hodjkin.
 
Alzira Pacheco, 40 anos, da Maia
O marido também tem 40 anos; as “plaquetas baixas”e os glóbulos vermelhos altos. Pergunta até que ponto é grave, tendo em conta que tem dores e hematomas no corpo?
Dr. Manuel Abecassis: A exposição é pouco específica. Acho que a primeira coisa a fazer é consultar o seu médico assistente, de família, para que este faça a observação clínica e veja os resultados das análises.
Pode ser, e é provável, que tenha que recorrer a uma consulta de especialidade, de Hematologia, mas primeiro deverá consultar o seu médico de família.
(Quando as pessoas dizem que têm as plaquetas baixas, isso pode ser relativo. O normal é as plaquetas situarem-se entre as 150 mil e as 450 mil, mas há uma variação relacionada com as técnicas laboratoriais que fazem essa determinação).
 
Inês Rodrigues, 42 anos, do Porto
Devido a várias intervenções cirúrgicas já fez muitas transfusões de sangue. Pergunta se um número elevado de transfusões pode provocar leucemias, linfomas, ou outras doenças do foro hematológico?
Dr. Manuel Abecassis: Definitivamente não. Pode estar tranquila. Pode haver outros problemas relacionados com transfusões – se são em número muito elevado, em que há uma acumulação de ferro no organismo -, mas não há uma relação causal entre transfusões e leucemias ou linfomas.
 
Fátima Beirão, de Vila Franca de Xira
Tem um número muito baixo de glóbulos brancos e infecções com muita frequência. Pergunta se é motivo de preocupação?
Dr. Manuel Abecassis: Éuma situação que tem obrigatoriamente que ser vista com muita atenção. O meu conselho é que consulte o seu médico de família e lhe mostre o resultado das análises.
Glóbulos brancos baixos pode querer dizer muita coisa. Temos alguns patamares pré-definidos a partir dos quais temos protocolos de investigação. Mas o primeiro passo é ir ao seu médico assistente para ele observar os resultados laboratoriais e depois, provavelmente, ir a uma consulta de hematologia.
 
No caso do jovem, o Diogo, que está à espera de um dador, acho que ele deu a impressão que não está desesperado, mas está, e há uma frase em que ele diz: “Ponho todos estes problemas para trás das costas". Como se fosse possível a qualquer um de nós, pôr para trás das costas um problema desta dimensão, em que não sabe se vai ter a possibilidade, ou não, de viver.
As pessoas nestas circunstâncias precisam concerteza de um grande acompanhamento psicológico e até psiquiátrico...
Dr. Álvaro Carvalho (Coordenador Nacional de Saúde Mental): Sobretudo apoio psicológico. E estou-me a lembrar do que já falámos sobre a psico-oncologia e sobre o conjunto de profissionais da área de saúde mental que dão apoio específico às pessoas com problemas oncológicos, ou de natureza crónica grave.
Efectivamente, temos a capacidade dentro dos nossos recursos psicológicos, de tentar por os problemas para trás das costas, mas as preocupações vão-se manifestar por insónias, ansiedade, alterações do apetite, hipertensão, ou seja, de múltiplas formas, quer a nível físico como emocional.
Se a área dele é Sesimbra, e se está fechado em casa, devia ver-se a possibilidade de encontrar um psicólogo ou um profissional da área de saúde mental que o pudesse acompanhar.
 
É um desafio que deixamos às associações aqui presentes, que possam dar apoio a este jovem.
 


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Terça-feira, 2 de Junho de 2009
Doenças Oftalmológicas - Introdução (por Maria Elisa Domingues)

No programa Serviço de Saúde, da RTP 1, do dia 2 de Junho, falou-se sobre as Doenças Oftalmológicas, em particular daquelas que mais preocupam os portugueses, por constituirem as principais causas de cegueira nos países ocidentais:

- a Retinopatia Diabética

- a Degenerescência Macular da Idade (DMI)

- o Glaucoma

- as Cataratas

 

Falar destas doenças implica necessariamente falar de listas de espera. Mas é justo sublinhar que o Ministério da Saúde conseguiu bons resultados com o programa especial que lançou hà um ano para combater as listas de espera para as cirurgias, havendo neste momento grandes hospitais onde esse problema pura e simplesmente desapareceu.

Mas nem tudo se está a resolver tão bem como as cirurgias. Quanto às primeiras consultas de Oftalmologia, a situação é mais complicada e, sobretudo, muito desigual entre distritos, ou apenas de Centro de Saúde para Centro de Saúde.

Para muitos portugueses, desde o momento em que começam a ver mal até chegarem à consulta de especialidade, o calvário continua a ser longo.

Porque não temos médicos suficientes? Não, às vezes apenas porque os circuitos administrativos não comunicam, estão de costas voltadas uns para os outros, esquecendo que trabalham para doentes que são pessoas reais, que sofrem e que até correm o perigo de cegar.

É o caso do Sr. Manuel Jesus, cuja história vamos conhecer na nossa reportagem. E de muitas crianças com problemas nos olhos, por vezes mais complicados do que uma simples miopia. Vamos conhecer alguns destes casos e ver como uma intervenção atempada é decisiva.

 

 



publicado por servicodesaude às 19:00
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Doenças Oftalmológicas - Convidados do programa

Dr. Joaquim Carlos Neto Murta

Director do Departamento de Oftalmolgia, Hospital Universidade de Coimbra - 2008

Chefe Serviço de Oftalmologia, Hospital Universidade de Coimbra - 2000
Doutoramento, Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra -1990
Responsável da Secção Córnea,  Departamento de Oftalmolgia, do Hospital Universidade de Coimbra - 1989 - presente

Rsponsável pelo Banco Olhos, da mesmo hospital - 1988 - presente

 
Dr. Eduardo José Gil Duarte Silva

Doutoramento em Oftalmologia pela Universidade de Coimbra (Genética do Desenvolvimento Ocular) - 2003

Professor Auxiliar da Faculdade de Medicina de Coimbra. Chefe do Centro de Excelência de Doenças Genéticas Oculares e Sector de Oftalmologia Pediátrica e Estrabismo dos Hospitais da Universidade de Coimbra.

Investigador do IBILI (Instituto Biomédico para a Investigação da Luz e Imagem) nas áreas da genética do desenvolvimento ocular e patologia genética da retina.

 

Dr. José Pita Negrão   

Responsável pelo Serviço de Oftalmologia do Hospital S. José - 2006 a 2008

Director do Serviço de Otalmologia do Centro Hospitalar de Lisboa Central (Hospital S.José; Hospital Santo  António dos Capuchos e Hospital D. Estefânia), desde 2008

Coordenador da Cirurgia Implanto-Refractiva de Portugal - 1992-1994
Secretário Geral da Sociedade Portuguesa de  Oftalmologia - 1994-1998
Coordenador da Cirurgia  Vitreo-Retiniana -1999-2001 
 
Dr. Luís Gardete Correia

Endocrinologista e presidente da Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal

 

ASSOCIAÇÃO PROTECTORA DOS DIABÉTICOS DE PORTUGAL

A APDP é uma Instituição Particular de Solidariedade Social, fundada em 13 de Maio de 1926 por Ernesto Roma, reconhecida como a mais antiga Associação de Diabéticos do mundo e é Decana da Federação Internacional de Diabetes (IDF).

A APDP desenvolve as suas actividades, quer na luta contra a diabetes, procurando conhecer melhor a doença e explorando novas formas de tratamento, como também no apoio à pessoa com Diabetes, criando estruturas capazes de dar resposta aos diversos problemas que envolvem a patologia.

Desde a sua criação mantém como objectivo primeiro a " Educação da Pessoa com Diabetes" tendo por base uma estrutura associativa que, ao longo de mais de 70 anos, tem procurado adaptar-se às novas conjunturas científicas, sociais e políticas, funcionando como uma clínica, com todas as valências consideradas necessárias no apoio à pessoa com Diabetes

 

 



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Doenças Oftalmológicas Pediátricas - Rastreio Infantil

Importância do Rastreio Oftalmológico Infantil

Os problemas oftalmológicos mais frequentes nas crianças são os erros refractivos: miopia, astigmatismo e hipermetropia. Esses erros refractivos requerem correcção através do uso de óculos e de lentes de contacto.

A miopia ocorre quando a imagem se forma num ponto anterior à retina, ou seja, o míope não vê com nitidez à distância.

No astigmatismo há anormalidades na curvatura da córnea que ocasionam vários pontos focais sobre a retina, provocando uma imagem distorcida.

A hipermetropia ocorre quando a imagem se forma num ponto atrás da retina, ou seja, quando se tem dificuldade em ver ao perto.

A seguir, vêm problemas mais raros, como o estrabismo (facilmente identificável pelo desvio de um, ou ambos os olhos), as cataratas pediátricas, o glaucoma congénito e os tumores malignos.

“As crianças podem nascer com cataratas”, salientou Eduardo Silva, e “só uma intervenção atempada poderá evitar sequelas que poderão permanecer para toda a vida”.

O rastreio oftalmológico é possível logo a partir do primeiro ano de vida, mesmo que os pais da criança não detectem qualquer indício preocupante.

A Academia Americana de Oftalmologia e a Academia Americana de Pediatria recomendam a realização do primeiro rastreio entre os 12 e os 18 meses de vida.

O segundo rastreio deve ser feito por volta dos três anos e, ainda, outro por volta dos seis.

A realização de rastreios ajuda a identificar desde os problemas mais simples até aos mais graves, como as cataratas e o retinoblastoma. Mas em Portugal, ainda há muitas crianças que, quando chegam ao oftalmologista já apresentam problemas em fases tardias.

 



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Doenças Oftalmológicas Pediátricas: Sinais de Alerta

Sinais de Alerta

Existem diversos sinais que devem indicar uma ida ao oftalmologista, tais como uma sensibilidade excessiva à luz, um lacrimejo que persiste para além do choro normal, uma alteração visível do brilho dos olhos, ou mesmo alterações comportamentais. Por exemplo, a criança não estabelecer contacto visual com a mãe; não lhe prestar atenção, ou a sua aproximação exagerada ao écran da televisão.

A fotossensibilidade excessiva pode significar uma conjuntivite alérgica, uma alteração da retina ou mesmo glaucoma. Tal como uma intensidade diferente nos reflexos dos olhos pode ser sinal de cataratas, miopia, hipermetropia ou até de um tumor.

 



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Doenças Oftalmológicas Pediátricas - Prevenção e Riscos

Prevenção e Riscos

Não existe nenhuma evidência científica que a exposição solar possa provocar lesões oftalmológicas, tal como não existe nenhuma evidência que os olhos claros possuam uma sensibilidade acrescida à luz.

Porém, se a criança mostrar sinais de fotossensibilidade grave ou moderada, poderá ajudar a aquisição de um par de óculos de parafarmácia, que possuem lentes polarizadas.

No caso das lentes de contacto, existe por vezes um risco associado à sua prescrição a crianças, sobretudo se são muito activas, hiperactivas ou praticam desporto. Mas tudo depende da independência demonstrada pela própria criança.

Habitualmente as raparigas já possuem a responsabilidade exigida ao manuseamento das lentes a partir dos 10, 11 ou 12 anos; enquanto nos rapazes ela ocorre um pouco mais tarde.

 

 

Há uns meses a Sociedade Portuguesa de Oftalmologia chamou atenção para o facto dos computadores “Magalhães” possuirem um écran e letras muito pequenas, o que poderia acentuar o risco de miopia. Mas os especialistas garantem que qualquer visão continuada para perto, independentemente de se tratar de um computador, uma televisão ou uma consola de jogos, poderá propiciar uma tendência para a miopização.

Tudo se resume a uma questão de bom senso no que toca às horas despendidas pelas crianças em frente aos écrans de televisão, computadores e consolas de jogos. A nova geração destes écrans já vem preparada para filtrar as radiações nocivas, por isso não penaliza mais, nem menos, a visão que a leitura de um livro.

 



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Doenças Oftalmológicas Pediátricas - Caso Mariana Neto (Amaurose Congénita de Leber)

Caso Mariana Neto (criança de 7 anos, com Amaurose Congénita de Leber)

Sofia Neto explicou que a sua filha Mariana nasceu com uma patologia rara que envolve uma forma de visão extremamente baixa e que exige uma estimulação precoce acentuada, de forma a evitar perturbações ainda mais sérias no futuro.

Durante a gestação, entre o 7º e o 8º mês, foi-lhe detectada uma malformação quística no cerebrelo, que indiciava um problema neurológico grave. Um dos sinais detectados por Sofia Neto é que, ao dar de mamar, a criança nunca encontrava o seu olhar.

A mãe da Mariana chamou a atenção para a importância da intervenção precoce e multidisciplinar no acompanhamento da sua filha que, para além dos problemas visuais já referidos, também é afectada por problemas motores.

Hoje, considera a sua filha uma criança perfeitamente adaptada, muito graças ao facto de estar no Centro Helen Keller há cerca de dois anos.

Neste centro, que é uma Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS), a Mariana tem acesso a todas as terapias incluídas no ensino especial, na mesma escola: terapia ocupacional, terapia da fala, orientação na mobilidade e, ainda, os primeiros passos na aprendizagem do Braille.

Apesar da mensalidade rondar os 360 euros/mês, a Segurança Social comparticipa este valor. Para além disso, Sofia Neto gozou durante quatro anos de uma licença especial no trabalho, concedida igualmente pela Segurança Social, tendo recebido cerca de 70 por cento do seu vencimento, durante o tempo que permaneceu em casa.

A Amaurose Congénita de Leber é uma patologia muito rara. Em Portugal existirão no total 30 a 35 casos. O diagnóstico exige uma abordagem multidisciplinar que envolve um oftalmologista, um neuropediatra, um pediatra e um especialista em imagem; um neuroradiologista pediatra.

 



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Doenças Oftalmológicas nos Adultos - Importância do Rastreio

Rastreio Oftalmológico: Importância da Consulta

Uma observação oftalmológica permite ver o fundo do olho, o nervo óptico e medir a tensão ocular, diagnosticando por estas vias diversos problemas na visão.

Mas muitas vezes as pessoas não se apercebem que estão a perder a visão periférica e chegam aos oftalmologistas já em fases tardias.

Homens e mulheres devem efectuar o rastreio numa consulta oftalmológica, a partir dos 30, 40 anos, já que pelo menos nesta idade irão quase sempre sofrer de “vista cansada”. E uma ida ao oculista é manifestamente insuficiente para detectar outro tipo de patologias.

 

 



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Doenças Oftalmológicas nos Adultos - Cataratas

Cataratas

Os especialistas chamam “catarata” a qualquer tipo de opação do cristalino, seja ela mais ou menos acentuada.

O cristalino possui a capacidade de acomodação da visão, ao perto e ao longe. Mas ninguém tem o mesmo cristalino aos 20 e aos 40 anos e a diminuição da sua transparência provoca uma diminuição da visão.

A cirurgia às cataratas é a forma de tratamento mais eficaz e mais utilizada, com uma eficácia de recuperação da visão que ronda os 100 por cento.

O programa do Ministèrio da Saúde relativamente à Oftalmologia conseguiu acabar com as 100 mil cirurgias em lista de espera; 80 por cento das quais referiam-se às cataratas. “Nunca foi uma lista de espera grave; hoje é deficitária”, garante o Dr. Pita Negrão. Mais em...

 

 

 



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Doenças Oftalmológicas nos Adultos - Glaucoma

Glaucoma

O glaucoma é uma doença ocular que se caracteriza pela morte progressiva das fibras do nervo óptico, que rouba a visão muitas vezes sem que o doente se aperceba.

Apesar de se tratarem de patologias diferentes, é relativamente frequente os pacientes registarem os dois tipos de patologias (cataratas e glaucoma) em sobreposição.

Os medicamentos utilizados no tratamento do glaucoma também podem provocar uma diminuição da transparência do cristalino e uma opacidade progressiva.

O glaucoma é sobretudo controlado de forma medicamentosa – através de gotas -, e constitui, habitualmente, uma doença “para toda a vida”. Se for detectado precocemente poderá ter uma solução cirúrgica. No entanto, a via cirúrgica é hoje menos utilizada que há uns anos, devido ao aumento da eficácia dos medicamentos.

 

 

 



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Doenças Oftalmológicas nos Adultos - Degenerescência Macular da Idade

Degenerescência Macular da Idade

A Degenerescência Macular da Idade (DMI) não tem, à partida, cura. A excepção recai em determinado tipo de tumores, que só podem ser resolvidos em três ou quatro locais da Europa, por exigirem elevados recursos financeiros.

Existem duas formas de DMI; na forma atrófica não existe recuperação. No entanto, existe um tratamento que envolve a administração de um líquido intravenoso, que trava a evolução do processo, desde que diagnosticada precocemente.

A DMI atinge cerca de 45 mil portugueses na sua forma tratável. Regista cerca de 3 mil novos casos por ano, em Portugal, e constitui a primeira forma de cegueira a partir dos 65 anos.

Trata-se de uma patologia altamente incapacitante, que impossibilita muitas vezes a continuidade da vida profissional, a realização de tarefas simples e que pode afectar seriamente a capacidade de relacionamento social.

 

Ao contrário do glaucoma, em que há uma perda da visão periférica; na DMI ocorre uma perda da visão central. Isto quer dizer que os pacientes conseguem, a maior parte das vezes, caminhar na rua, auxiliados pela sua visão periférica.

Contudo, existe uma perda da visão central, discriminativa: Ou seja, é frequente os pacientes não conseguirem ver televisão ou até a face dos seus familiares.

 

 



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Fevereiro 2010
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