Sexta-feira, 30 de Outubro de 2009
Gripe A: Suiça proibe administração da vacina usada em Portugal, a grávidas e menores de 18 anos

A Suíça impôs hoje restrições à administração da vacina Pandemrix, também usada em Portugal, no que se refere às grávidas, crianças e jovens até aos 18 anos e adultos com mais de 60 anos.

A decisão deve-se à presença do adjuvante AS03 na composição da vacina do laboratório GlaxoSmithKline. "Dispomos essencialmente de dados sobre adultos, mas ainda não temos nenhum dado quanto às mulheres grávidas e muito poucos em relação às crianças", lê-se num comunicado da autoridade suíça de regulação dos medicamentos, a Swissmedic.
Consequentemente, a "Swissmedic não autorizou ainda a administração de Pandemrix nas mulheres grávidas, nas crianças e jovens com menos de 18 anos e nos adultos com mais de 60 anos".
A vacina Pandemrix foi aprovada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e escolhida pela Agência Europeia do Medicamento para ser usada na União Europeia, a que a Suíça não pertence.
Recentemente, soube-se que a vacina Pandemrix não foi aprovada pelos Estados Unidos devido à presença do adjuvante esqualeno na sua composição, que alegadamente poderia causar danos à saúde dos que a tomam.
A Autoridade Nacional do Medicamento (Infarmed) esclareceu terça-feira que aquele adjuvante tem sido utilizado noutras vacinas sem que tenha sido identificado qualquer risco significativo.
Em comunicado, o Infarmed afirma que “mais de 22 milhões de vacinas contendo esqualeno (adjuvante) foram já administradas sem que tenha sido identificado qualquer risco significativo”.
Segundo este organismo, os adjuvantes (também conhecidos como imunomoduladores ou potenciadores da resposta imunitária) são um componente utilizado em vacinas há décadas para melhorar a resposta imunitária aos antigénios presentes.
(Fonte: Lusa e RTP)

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Quarta-feira, 28 de Outubro de 2009
Gripe A - Autoridades garantem chegada de nova onda da pandemia

As autoridades europeias calculam que um terço da população europeia poderá ser infectada pelo vírus da gripe A. O alerta partiu dos peritos do Centro de Prevenção e Controlo de Doenças da União Europeia (UE), que dizem ser preciso "estar alerta face a uma nova onda da pandemia".

"Em muitos países, está a avaliar-se uma recente intensificação da pandemia", confirmou Angus Nicoll, do Centro de Prevenção e Controlo de Doenças da UE. "Não sabemos quantas novas ondas do vírus vão chegar, a sua gravidade nem quanto durarão. Mas é seguro que virão e que isso acontecerá mais depressa do que se julga", alertou Nicoll. Ainda segundo o investigador, "a maioria dos contagiados pelo vírus ultrapassarão a doença por si sós e com sintomas leves", enquanto "uns poucos" poderão ser afectados de forma mais grave "e inclusive morrer".
Tommi Asikainen, outro especialista do Centro de Prevenção e Controlo de Doenças da UE, sublinhou que a não é verdade que a nova gripe seja "mais leve" do que a sazonal. "Existe uma confusão entre o que significa uma pandemia leve e uma doença com sintomas leves. O vírus H1N1 não é mais leve do que a gripe sazonal, é diferente, já que provoca sintomas mais graves em jovens e grávidas", disse Asikainen.
"Os políticos repetem a mensagem de que a maioria das pessoas supera a doença sem problemas mas, às vezes, esquecem que 20% das mortes afectaram jovens sem problemas de saúde conhecidos", sublinhou.
A comissária europeia da Saúde, Androulla Vassilou, lembrou que um terço da população europeia poderá ser infectada pelo vírus da gripe A. Alertas que vão chegando à medida que em Portugal se põe em marcha o programa de vacinação contra o H1N1.

(Fonte: Jornal de Notícias)


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publicado por servicodesaude às 15:38
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Gripe A - EUA recusam vacina usada na Europa: Infarmed desmente existência de substâncias nocivas

A vacina contra a gripe A que está a ser usada em Portugal, a Pandemrix, não foi aprovada nos Estados Unidos. Em causa está uma substância que compõe a vacina, o escaleno, que alegadamente provoca alterações do sistema imunitário.

As autoridades de saúde norte-americanas chumbaram a vacina Pandemrix – a mesma que foi escolhida pela Agência Europeia do Medicamento para ser usada em todos os países da União Europeia.

Apesar de aprovada pela Organização Mundial de Saúde (OMS), a Pandemrix foi rejeitada pelas autoridades norte-americanas por conter escaleno e tiomersal, substâncias que, alegadamente, provocam alterações no sistema imunitário.

Segundo avança o ‘Diário de Notícias’, o Infarmed – a Autoridade Nacional do Medicamento – reconhece a existência de ambas as substâncias na Pandemrix, mas defende que «as afirmações sobre o tiomersal e o escaleno não são, de facto, nem correctas nem verdadeiras».

«Durante o processo de avaliação foram ponderados todos os aspectos relativos à qualidade, segurança e eficácia de um medicamento, sendo estabelecida uma relação benefício-risco. Na situação em apreço, o benefício foi considerado superior ao risco, razão pela qual a Agência Europeia emitiu uma posição favorável à autorização do medicamento», garante o Infarmed.


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publicado por servicodesaude às 15:25
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Terça-feira, 27 de Outubro de 2009
Dor - A sua dor é real e tem um nome - 2 a 8 Novembro no Colombo

Entre 2 e 8 de Novembro os visitantes do “Espaço Dor” no Centro Colombo podem informar-se e tirar dúvidas sobre a dor neuropática e os sintomas sugestivos desta doença. Os interessados têm a oportunidade de responder a um questionário que ajuda a reconhecer se a pessoa tem sintomas que indicam a presença de dor neuropática. O “Espaço Dor” vai estar na Praça dos Navegantes, no Piso 0, de segunda a domingo das 10h às 24h.
 
Esta acção de sensibilização surge no âmbito da campanha “A sua dor é real e tem um nome”, que pretende alertar a população para uma doença que mais de 70% dos portugueses nunca ouviu falar.
 
A campanha pretende também desvendar e incentivar a utilização de uma linguagem comum para descrição dos sintomas sugestivos da dor neuropática. A sensação de PICADA, FORMIGUEIRO, QUEIMADURA ou CHOQUES ELÉCTRICOS, podem querer dizer que a pessoa sofre da doença, altamente incapacitante.
 
Esta é uma campanha da Associação Portuguesa para o Estudo da Dor (APED), do Instituto Português de Reumatologia (IPR), da Sociedade Portuguesa de Medicina Física e de Reabilitação (SPMFR) e da Pfizer.


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Dor - Introdução (por Maria Elisa domingues)

Hoje vamos falar de um tema familiar a todos os telespectadores: a dor.

Para 30% dos que estão a ver-nos neste momento, ela é mesmo uma doença constante, muitas vezes desvalorizada pelos médicos, sobretudo quando a sua causa não tem indícios físicos.
 
Um dos objectivos deste programa é sensibilizar os doentes para os seus direitos: desde 2003, a Direcção-Geral da Saúde considera que “o controlo eficaz da dor é um dever dos profissionais de saúde, um direito dos doentes que dela padecem e um passo fundamental para a humanização das Unidades de Saúde”.
 
Sabemos, infelizmente, que estas recomendações nem sempre são observadas, em particular se a doença é de difícil diagnóstico e o doente se apresenta de boa cara. Isso explicará, em parte, que só 1% dos doentes que sofrem de dor crónica chegue às Unidades de Dor; mais de 50 espalhadas pelo país.
A nossa própria cultura leva muitos doentes a encarar a dor como algo inevitável, que têm de viver com resignação, como se uma fatalidade se tratasse.
 
Vamos ver na reportagem como um tratamento adequado da dor pode dar sentido a uma vida que se julgava perdida e também como as redes de apoio social, a começar pela família, podem ser determinantes: Reportagem

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publicado por servicodesaude às 23:54
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Dor - Reportagem

Leonor Matias: “Sentia muita comichão, não conseguia dormir… e os meus pés estavam realmente maus…, tinha que estar deitada na cama, com os pés para cima…”.

 
Sandra Matias (mãe da Leonor): Ela só dizia: “tenho muitas saudades de andar…” e, realmente, dói muito ver uma criança assim. Queremos sempre o melhor para os nossos filhos; não foi nada fácil! O único tempo que não estava com ela era para dar atenção às outras duas crianças que também tenho. Não foi nada fácil, senti muito medo!”.
 
Este ano Leonor Matias venceu o primeiro prémio da APED - Associação Portuguesa do Estudo da Dor. Desde muito pequena que sofre de alergias mas foi este ano, em Julho, que as coisas pioraram. Uma picada de mosquito provocou uma estranha infecção:
Sandra Matias (mãe da Leonor): “Tinha muitas dores, muito inchaço. Ela precisava de ajuda para comer, para ir à casa de banho... Uma criança com 10 anos, que é super independente para tudo, precisava de ajuda para as mais pequenas coisas…”.
 
Os remédios, as comichões e os hospitais são agora recordações dolorosas, mas talvez por isso Leonor, como a mãe, também sente medo:
 
Leonor Matias: “Tenho um bocadinho…”.
 
De acordo com o estudo “Dor na Europa, estima-se que em Portugal uma em cada cinco pessoas sofra de dor crónica, moderada a intensa.
A dor da Leonor foi mais aguda mas nem por isso se deve menosprezar o que sentiu. Ainda para mais porque a dor pediátrica é tantas vezes esquecida.
Um outro estudo da APED revelou que cerca de 30% dos portugueses sofre de dor crónica:
 
Prevalência da Dor Crónica em Portugal
Dor Crónica – 31% (2.700.000 pessoas)
Dor Moderada a Forte – 14,3% (1.240.000 pessoas)
 
As regiões em que se situam as populações mais afectadas são o Litoral Alentejano e a Beira Alta.
As razões principais da dor crónica foram identificadas e entre elas estão as patologias osteo-articulares, como as lombalgias ou a própria osteoporose. Traumatismos, artrite reumatóide ou cefaleias constantes, são outro tipo de dor prevalente na população portuguesa.
Por isso mesmo, de acordo com o Programa Nacional de Controlo da Dor, existem cerca de 50 unidades especializadas onde os doentes habitualmente chegam, depois de esgotarem outras hipóteses do circuito hospitalar e sempre encaminhados pelo médico de família.
 
Foi isso mesmo que aconteceu a Laurinda Santos. Apesar de submetida a três operações à coluna, as dores continuaram:
 
Laurinda Santos: “Se eu me tentar vestir da cintura para baixo tenho que pedir ajuda e sentar-me numa almofada dentro de guarda-fatos. Não me consigo dobrar e a certa altura as dores são insuportáveis, até ao ponto de não conseguir andar”.
 
Esta foi apenas a terceira visita de Laurinda à Unidade de Dor do Hospital dos Capuchos. Tal como outros doentes, Laurinda é observada por uma equipa multidisciplinar que, em conjunto, tentará minorar a sua dor:
 
Ana Carina Resina (Unidade Terapêutica da Dor): “Tentar perceber um pouco como é que a pessoa está do ponto de vista emocional, nomeadamente do ponto de vista do controlo da dor; de adaptação psicológica à dor. Aquela é uma pessoa que aprendeu a conviver com a sua dor, ou não? O que é que é preciso mudar para ter um confronto mais adaptativo à sua dor?”.
 
Telmo Barroso (dietista da Unidade Terapêutica da Dor): “Um dos vértices do problema nestes doentes é normalmente a obesidade ou o excesso de peso. Portanto, tentamos que melhorem nesse aspecto; que percam peso. Muitas vezes existem problemas osteoarticulares graves associados, que impedem a mobilidade, e até que saiam de casa. E metem baixas... Tudo isso faz com que a vida não corra habitualmente bem”.
 
Numa sociedade cada vez mais tecnológica, estas unidades têm também um forte elemento humano nas consultas, permitindo aos doentes serem ouvidos por quem melhor os compreende:
 
Teresa Patto (coordenadora da Unidade Terapêutica da Dor): Muitas vezes dizemos que fazemos uma medicina mais humana do que técnica mas a medicina deve ser assim. Um doente não é um sintoma; é uma pessoa, uma realidade familiar e social. E se não se intervém em vários campos, não se melhora aquilo que pretendemos, que é a dor crónica”.
 
Marco é enfermeiro e há 13 anos sofreu um grave acidente de viação:
 
Marco Gomes (enfermeiro do Centro de Saúde Nº2, Vila Real): “Daí resultou uma fractura-luxação, paraplegia - sem controlo dos esfíncteres - e o resultado foi uma cadeira de rodas. Passo a minha vida há mais de 13 anos numa cadeira de rodas”.
 
Depois do acidente, Marco tinha dores nos membros inferiores, sobretudo no joelho direito e os médicos não o convenceram que sofria da chamada “dor fantasma”. Por isso, da médica de família foi encaminhado para a Unidade da Dor do Hospital de Vila Real, onde chegou com a dor e a revolta à flor da pele:
 
Marco Gomes (enfermeiro do Centro de Saúde Nº2, Vila Real): ”A dor era lancinante, tipo choques eléctricos, picadas tipo agudas, e impedia-me de fazer a minha actividade naquela altura”.
 
Rosário Abrunhosa (responsável pela Unidade da Dor, Vila Real): Foi um caso interessante porque quando o Marco veio à consulta já era uma pessoa com um determinado grau de cultura e já conhecia determinado tipo de fármacos: os mais fortes e os outros, mais fracos.
O Marco chegou e disse: “Dêem-me morfina senão eu vou buscá-la onde ela existe…”.
 
A verdade é que nos dois anos que se seguiram, o Marco tem sido um doente exemplar, conseguindo inclusive dominar a dor com a ajuda da medicação:
 
Rosário Abrunhosa (responsável pela Unidade da Dor, Vila Real): “Creio que o Marco hoje, dois anos depois de andar na nossa consulta, é um profissional activo, que faz a sua medicação, que gere a sua medicação duma forma já muito cuidada e madura.
Quando está melhor pergunta-me se pode reduzir o opióide que faz. E há alturas em que está melhor e podemos reduzir e alturas em que está pior e temos que aumentar.
Mas já não há nada daquele pânico inicial, em que dizia “ou me dá algo…”.
Colocam-se sempre alguns problemas no início, sobretudo quando está em causa o uso dos opióides, em doentes não oncológicos. Tem que se fazer uma avaliação psicológica importante”.
 
A dor crónica atinge 30% da população portuguesa, mas apenas 1% é seguido em Unidades de Dor, talvez porque muitos doentes passam por um longo percurso até conseguirem chegar aqui.
Foi o que aconteceu a Manuel António. Há dois anos, uma dor na anca levou-o a procurar um médico. Esteve internado e, já sem dores, voltou para casa convencido que sofria de ciática. Porém, o caso era mais grave e Manuel voltou ao hospital, onde ficou internado um mês:
 
Manuel António Meireles: “Cheguei ao Hospital de Santo António e o médico disse-me logo de caras o que era. Disse-me que tinha um problema muito grave, que era um linfoma sanguíneo.
 
Antigo electricista, Manuel está de baixa há dois anos, tal foi a massa muscular que perdeu na perna direita. Hoje, divide o tempo entre a sua arte e momentos em que apenas contempla a beleza da sua região. O importante, diz, é que ao menos agora a dor está controlada.
 
Manuel António Meireles: “Para mim a Unidade da Dor foi funcional em todos os aspectos. Foi, no fim de contas, o que me pôs a andar. Tirou-me a dor e além disso deu-me funcionalidade. Quando tinha as dores não conseguia movimentar a perna. E só quando a dor abrandou é que comecei a ter os primeiros movimentos”.
 
De volta a Lisboa e à Unidade de Dor do Hospital dos Capuchos. Aqui entram cerca de 3 mil doentes por ano.
 
Nuno Mendes é hoje uma presença habitual. Trabalhava na construção civil mas um acidente obrigou-o a mudar de vida. Tinha fortes dores na zona lombar:
 
Nuno Mendes: “Aquilo revoltou-me de tal maneira, porque eu não conseguia suportar a dor. Era uma dor muito intensa. Em casa tornei-me agressivo… verbal, e então encaminharam-me para a Unidade da Dor”.
 
Na Unidade da Dor teve acompanhamento psicológico, foi medicado e fez vários tratamentos, como infiltrações ou choques eléctricos. Obrigado a deixar a sua actividade na construção civil, Nuno foi aconselhado a apostar na sua formação. Assim fez e actualmente é técnico da TV Cabo.
A poucos dias de ser pai pela segunda vez, recorda como o apoio da família também foi importante na sua recuperação:
 
Nuno Mendes: “Tive muito o apoio da minha família, principalmente da minha esposa, que andou sempre comigo para todo o lado. Foi sempre o meu apoio, porque eu bati mesmo lá no fundo”.
 
Apesar das limitações impostas pela dor na sua vida, Nuno está feliz com a família e com o seu novo rumo. E este acaba também por ser o grande objectivo destas Unidades de Dor. E Laurinda espera um dia poder vir a acordar assim:
 
Laurinda: Só quero ter alguma coisa que me ajude, por exemplo a fazer a vida de casa. Que eu me levante da cama e diga “hoje não me dói nada”.
 

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publicado por servicodesaude às 22:58
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Dor - Apresentação dos Convidados

José Romão - Anestesiologista, coordenador da Unidade de Dor Crónica do Hospital de Santo António, no Porto e, actualmente, presidente da Associação Portuguesa para o Estudo da Dor (APED).

 
Rui Cernadas – Médico de família, actualmente director clínico do Agrupamento de Centros de Saúde de Espinho e Gaia.
 
Viviana Tavares – Reumatologista do Hospital Garcia da Horta, em Almada, e também presidente da Associação Nacional Contra a Osteoporose. É ainda vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Reumatologia.
 
José Manuel Castro Lopes – Professor catedrático na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, é também o coordenador do Estudo sobre a Prevalência da Dor Crónica em Portugal e o presidente da Comissão Nacional de Controlo da Dor, da Direcção Geral de Saúde.

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publicado por servicodesaude às 21:00
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Dor - Pediátrica e nos Idosos – A consulta no médico família

Começaria pela reportagem e pelos desenhos em que as crianças tentam traduzir a sua dor. Alguns deles muito curiosos - uns mais exuberantes, outros mais tristes - até pela forma muito simples em que se apresentam, como aquela menina que está a pentear-se no espelho e que tem um cancro e que, por isso, revela o que para si é o sinal mais triste: a queda do cabelo.

A dor pediátrica é muito difícil de gerir, de tratar? Por um lado as crianças muito pequeninas têm muita dificuldade de se expressar, por outro, porque quando o fazem, têm tendência para uma certa fantasia.
Como é que um médico se orienta no mundo da dor pediátrica?
 
Rui Cernadas (médico de família): É obviamente uma situação particular, até pelo escalão etário, pelas dificuldades que enumerou e pela situação de integração familiar dessa criança, que coloca problemas de características diversas.
Do ponto de vista da prática clínica temos não só que ver a criança do ponto de vista da sua individualidade mas no contexto da relação que tem com os seus pais.
É muito difícil colocar questões às crianças na nossa prática nos centros de saúde, sem que os pais se antecipem à criança e dêem uma resposta. Nem deixam a criança falar. Muitas vezes há aqui um algum esforço de tradução, que nos desvia do essencial ou nos perturba o entendimento da queixa inicial. E isso acontece de forma geral em todos os fenómenos de sintomatologia dolorosa.
Sempre que o doente vem acompanhado por familiares ou amigos, há uma tentativa da parte de quem o acompanha de tentar traduzir através de outras nuances o sintoma inicial.
 
Penso que depois isso volta a ter uma grande expressão nos doentes idosos. Quando vão ao médico acompanhados, os acompanhantes também têm tendência a substituir-se ao doente, como se este já fosse incapaz de se exprimir, não é?
 
Rui Cernadas (médico de família): Isso também é verdade. E muitas vezes acontece com o idoso uma situação peculiar: o idoso queixa-se quando está só, porque quando está acompanhado não quer importunar, não quer incomodar. E isto pode resultar numa subavaliação do contexto da sintomatologia do doente.
 
Nesses casos o que é que o médico faz? Pede ao familiar para sair?
Rui Cernadas (médico de família): Julgo que essa situação tem que ser bem gerida. No âmbito da Medicina Familiar acabamos por lidar com a família durante anos e, portanto, conseguimos nos aperceber duma forma mais fácil, do que no âmbito, por exemplo, da Medicina Hospitalar, em que há uma menor proximidade e dificuldade no acesso. Embora tenha que haver algum cuidado na gestão desta relação.
 
Em muitas situações acho que o médico – dentro dos princípios da cortesia e da clareza -, deve informar que numa fase preliminar a consulta incluirá a presença de terceiros mas que, depois, será necessário consultar a pessoa sozinha.

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publicado por servicodesaude às 20:01
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Dor - Crónica e Causas Reumáticas: lombalgia, cervicalgia e artrose

A sua especialidade – Reumatologia – contribui de uma forma muito significativa para a quantidade de doentes que sofrem de dor. E de dor crónica em particular.

Estima-se que cerca de 30% dos portugueses sofram de dor crónica; mais de 3 milhões de pessoas, o que é algo de brutal. Muitos desses doentes vêm da Reumatologia que, em si, congrega um número enorme de doenças. Quais são as patologias mais vulgares?
 
Viviana Tavares (vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Reumatologia): As patologias mais vulgares que provocam dor crónica são a lombalgia e a cervicalgia. As chamadas “dores nas costas” e “dores no pescoço”, como as pessoas identificam. E também as doenças relacionadas com a artrose: do joelho, da anca, dos dedos das mãos, ou mesmo a artrose na coluna.
Depois serão, provavelmente, as doenças reumáticas inflamatórias, como a artrite reumatóide e a espondilite ancilosante . Ou seja, o grosso das patologias que provocam dor crónica está relacionado com as dores nas costas e com a osteo-artrose.
 
As dores nas costas podem ser provocadas pelas mais diversas patologias, portanto, primeiro procura-se a causa, não é?
Viviana Tavares (vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Reumatologia): Primeiro procura-se a causa. Procurar a causa é um princípio fundamental para a dor, já que esta é um sintoma de que alguma coisa está mal.
Muitas vezes conseguimos identificá-la, mas no caso das dores nas costas e pescoço, por vezes não há uma causa aparentemente visível. Pode ser uma contractura muscular…
As dores na coluna são as mais difíceis de identificar e tratar porque têm múltiplas razões.
A dor relacionada com a artrose, ou outra doença reumática, é habitualmente mais fácil de identificar. E as pessoas podem ter artrose e não terem dor.
A dor não tem sempre as mesmas características. E para quem já tem uma causa de dor, muitas vezes pode existir, na mesma região, uma dor com outra causa.
 
Acha que os médicos acreditam naquilo que os doentes lhes dizem?
Viviana Tavares (vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Reumatologia): Claro que acreditam, é um princípio básico acreditar naquilo que o doente diz. É evidente que a dor é uma experiência que não se vê. Cada um sente de maneira diferente.
 
E o grau de tolerância à dor também é diferente, bem como as circunstâncias em que se sente a dor, não é?
Viviana Tavares (vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Reumatologia): Ograu de tolerância à dor é diferente, as circunstâncias em que se sente a dor também.
A dor é um fenómeno que tem muito de emocional e de social; é um fenómeno muito próprio de cada um.
 
Mas não deixa de ser dor e de existir, não é?
Viviana Tavares (vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Reumatologia): A pessoa até pode estar com um ar sorridente e feliz e ter uma dor crónica. Não é preciso estar sempre com um ar infeliz e desgraçadinho.
O que acontece muitas vezes com a patologia músculo-esquelética - as doenças reumáticas - é o próprio doente, ao sugerirmos algum tipo de tratamento, como tomar um simples analgésico ou um anti-inflamatório, dizerem: “eu aguento a dor, ou “só tomo na última”.
 
Ouve-se muito: “Eu não gosto de tomar remédios, só tomo na última”.
Viviana Tavares (vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Reumatologia): Dizem-nos: “consigo aguentar”. E quando perguntamos: “Tem feito a medicação?”, respondem-nos: “já são muitos medicamentos”.
Há por vezes a tendência para desvalorizar a dor quando podia ser fácil tratar enquanto estava localizada, acabando por vezes por se tornar uma dor mais generalizada e difícil de tratar.

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publicado por servicodesaude às 19:03
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Dor - Medicação ou tolerância

Porque é que tantos doentes não querem tomar medicamentos?

Castro Lopes (coordenador do Programa Nacional de Controlo da Dor): A dor crónica atinge 30% da população; há poucas patologias que atingem tanta gente no país.
Em relação ao aspecto que focou, no estudo epidemiológico que fizemos, perguntávamos às pessoas se tomavam medicamentos. E perante aquelas que respondiam não, perguntávamos porque é que não tomavam medicação. Chegámos a conclusões curiosas. Em primeiro lugar, é que cerca de 75% das pessoas tomam medicação. Apenas um pequeno grupo não quer tomar. Ou porque acham que os medicamentos lhe fazem mal, ou porque já tomam muitos medicamentos.
As pessoas com dor crónica são muitas vezes de uma certa idade, que são polimedicadas e já têm por exemplo o medicamento para a tensão, outro para o colesterol, para a diabetes, etc., e é mais um medicamento que têm que tomar.
Outros não tomam porque entendem que a medicação não é eficaz e, em alguns casos, provavelmente estão mesmo a receber medicação que não é eficaz.
Outros ainda, não tomam por questões culturais. É o tal: “eu aguento, não preciso tomar nada porque ainda sou capaz de suportar esta dor”. E esse aspecto cultural vai ainda demorar muito a combater.
Ainda temos aquele fatalismo: “tenho 70 anos e reumatismo; que remédio tenho?” ou “fui operado, cortaram-me a barriga, tem que me doer”.
É um aspecto sociocultural que está enraizado nos países do sul da Europa, não existe apenas em Portugal.
 
O que tem certamente a ver com a nossa raíz, a nossa matriz judaico-cristã, com o nosso tipo de educação que, de algum modo, fazia a apologia do sofrimento.
Castro Lopes (coordenador do Programa Nacional de Controlo da Dor): Valorizava, valorizava o sofrimento.
Nas apresentações que faço mostro muitas vezes um slide que mostra um pedaço de azulejo que encontrei na capela mais antiga de São Miguel, nos Açores, onde se pode ler: “Se a dor te dilacera, não desesperes nunca. Ora, confia e espera”. Isto é precisamente o contrário do que a medicina moderna nos diz para fazer.
 
Nas cerimónias de Fátima vimos aquelas pessoas que vão cumprir promessas de joelhos, embora muitas delas sejam doentes, e depois obviamente esses sintomas não podem deixar de se agravar após aquelas caminhadas.
Não devia também haver aqui uma intervenção de bom senso, por parte dos médicos?
Castro Lopes (coordenador do Programa Nacional de Controlo da Dor): As pessoas devem ter a liberdade de fazer aquilo que querem, desde que estejam informadas das consequências dos seus actos.
 
Mas estarão informadas?
Castro Lopes (coordenador do Programa Nacional de Controlo da Dor): Pois, eu penso é que não estarão suficientemente informadas. Enquanto um soldado está num campo de batalha não sente a dor. Depois, quando está na retaguarda, só quer ser evacuado. Há múltiplos factores que influenciam a percepção da dor.
E essas pessoas que estão a cumprir promessas provavelmente não sentem tanta dor enquanto estão a cumprir aquele acto…
 
O fervor religioso funciona um pouco como no caso do soldado no campo de batalha, o que lhes dá uma outra percepção da dor.

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publicado por servicodesaude às 18:05
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Dor - Pós-operatória - controlo e grau de dor

Falou também da dor pós-operatória, que afecta muitas pessoas.

Lembro-me que fui operada à coluna cervical, não há muitos anos, e toda a gente me assustou imenso com as dores horríveis que ia ter a seguir à operação. E não tive dores nenhumas, felizmente. Penso que isso ainda depende realmente dos anestesistas.
Hoje é perfeitamente possível que as pessoas não tenham dor, não é?
 
Castro Lopes (coordenador do Programa Nacional de Controlo da Dor): Pelo menos que tenham uma dor controlável. A ausência de dor não pode ser nunca um objectivo. Aliás, a dor é um sinal de alarme fundamental, mas tem que ser suportável e absolutamente controlável.
No caso da dor aguda pós-operatória é realmente difícil de perceber como é que essa dor não é controlada, porque sabemos que vai acontecer, porquê e como a devemos combater. Portanto, eticamente, é a mais reprovável de não ser tratada.
Mais uma vez a culpa não está só no sistema, está um bocadinho nos doentes: os doentes não se queixam, aguentam. Por vezes, se o médico os visita dizem que não sentem nada e, depois, vem o enfermeiro e dizem que estão cheios de dores e que precisam de um analgésico.
 
É muito importante a norma que instituiu a dor como um sinal vital em Portugal. Norma em que fomos pioneiros e na qual somos talvez o primeiro país da Europa, e até do mundo, que a instituiu como mecanismo generalizado. Isto faz com que em todos os serviços de saúde, nomeadamente nos hospitais, seja obrigatório que os enfermeiros perguntem ao doente a intensidade da sua dor; e que a avaliem e registem, para além dos outros “quatro sinais vitais”: pressão arterial, frequência cardíaca, frequência respiratória e temperatura corporal.
 
Através de uma escala?

Castro Lopes (coordenador do Programa Nacional de Controlo da Dor): Sim, há escalas que estão padronizadas. E isso torna a dor visível. Mesmo que o doente não queira queixar-se, se o enfermeiro lhe pergunta, é muito mais difícil que o doente não diga. Mas, infelizmente, a norma ainda não está aplicada em todos os serviços de saúde.

 
Também tive a oportunidade de o comprovar. Quanto muito perguntam: Está com dores? Não me lembro de ninguém me perguntar numa escala de 1 a 10, qual era o grau da minha dor…
Castro Lopes (coordenador do Programa Nacional de Controlo da Dor): Eu tenho a experiência contrária. Também fui operado e vieram-me explicar.
 
E não sabiam que era médico, professor de medicina?
Não sei se sabiam, mas se calhar nem alguns professores de medicina sabem as escalas da dor.

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publicado por servicodesaude às 17:07
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Dor - Queixa ou desvalorização

Porque é que os doentes ainda não se queixam de dor no pós-operatório? É porque têm medo dos médicos?

José Romão (presidente da Associação Portuguesa do Estudo da Dor): Há uma cultura instituída, não só em Portugal mas em todo o mundo, de desvalorização da dor.
Aquele “não deve doer tanto como está a dizer”, ou “lá está; se doesse tanto não usava saltos altos…”.
É uma cultura difícil de desmontar e que se reflecte, por um lado nos profissionais e, por outro, nos doentes, nos familiares e na população, de um modo geral. Do lado dos clínicos começa logo na faculdade.
Quando nos andamos a preparar para ser médicos não saímos da escola devidamente sensibilizados para o assunto nem devidamente “armados” com os conhecimentos, que deveríamos ter. Portanto, começa logo de pequenos. Depois, a partir daí, é tudo mais difícil.
 
ESCALA da DOR
0
1-2-3 – Dor Ligeira
4 -5-6 – Dor Moderada
7 -8-9 – Dor Intensa
10 – Dor Insuportável
 
Do lado dos doentes há também medo dos efeitos colaterais dos medicamentos e alguns mitos: “não quero tomar para não ficar dependente”, “não me quero intoxicar” ou “quero deixar mais para o fim, para quando verdadeiramente precisar”. Como se, por ventura, pudéssemos saber quando é que vai acontecer esse fim.
Acredito que uma boa parte de nós acredita nos seus doentes, mas tenho a certeza que muitos de nós duvida permanentemente dos seus doentes. E ouve-se muito dizer: “O meu médico não acredita em mim”.

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Dor - Encaminhamento Unidades de Dor (telefonema)

Telefonema de Alice Nogueira, 54 anos, doméstica, de Marinhais:

A minha médica de família não me quer encaminhar para um serviço de Reumatologia ou de Dor.
Gostaria de saber o que é que posso fazer e onde me posso dirigir, porque tenho imensas dores e as minhas mãos a ficarem todas tortas. Durante a noite, muitas vezes não consigo dormir com dores nas pernas e nos joelhos e ela não me encaminha. Como é que posso evitar tantas dores?
 
Qual é a justificação que a sua médica de família dá para não a encaminhar?
Alice Nogueira (54 anos): Simplesmente, que as análises não acusam nada de reumatologia, nem artroses, nem nada.
 
Não tem, obviamente, dinheiro para ir a uma consulta privada; tem que ir ao médico através do Sistema Nacional de Saúde?
Alice Nogueira (54 anos): Exactamente.
 
Porque é que um médico de família toma esta atitude, já com a doente a apresentar deformações e a queixar-se constantemente de dor? Lá está: não acreditam na doente…
Rui Cernadas (médico de família): Provavelmente, há uma certa desvalorização da dor perante este perpetuar da queixa, que muitas vezes leva a que o médico não equacione outras pistas de diagnóstico.
A senhora falou em análises… Deve discutir outra vez com a sua médica de família num contexto mais alargado. Até pode haver de facto razão para o médico de família não referenciar a doente para uma consulta de Reumatologia.
O médico obedece a um conjunto de regras definidas: o hospital de referência tem que estar definido; a especialidade, em função do diagnóstico da situação clínica. Aí o médico irá solicitar ao hospital o tratamento ou o esclarecimento do diagnóstico. Mas pode acontecer que esta senhora não tenha critérios de referenciação para uma consulta específica de Reumatologia.
Mas há provavelmente outras hipóteses, como uma Unidade de Dor, que pode ajudar.
 
Para acabar com o seu mau estar e as dores que sente.
Rui Cernadas (médico de família): E privilegiar a relação entre o doente e o seu médico de família, que é de facto o objectivo da Medicina Familiar.

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publicado por servicodesaude às 15:18
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Dor - Medidas não farmacológicas e Unidades de Dor (tel.)

Telefonema de Maria José, 70 anos, reformada, de Lisboa:

Estou reformada do Ministério da Cultura. Desde os 40 anos que sofro com imensas dores. Os meus médicos são do SAMS. Cada vez que digo que quero ir a um médico da “dor” ele ri e diz-me para tomar mais qualquer coisa.
Não consigo estar muito tempo deitada, nem de pé. Levo imensa cortisona, estou com 94 Kg neste momento, o que me está a afectar muito as pernas e os joelhos, que estão cheios de injecções.
 
Tem algum diagnóstico de doença feito?
Maria José (70 anos): Tenho fibriomialgia.
 
E receitaram-lhe cortisona para a fibriomialgia?
Maria José (70 anos): Para as dores. Mas também tenho asma. Em Fevereiro tive uma crise e tive que ir para o hospital e levei cortisona.
 
Então o que é que pretendia? Acha que ir a uma Unidade de Dor a podia ajudar?
Maria José (70 anos): Queria saber como é que eu chego a um médico de “dor”.
 
Tem um médico reumatologista?
Maria José (70 anos): Tenho um médico de família e, neste momento, uma consulta de Reumatologia marcada. Já fui acompanhada por um reumatologista mas tive dias de tomar três comprimidos Benuron de 1gr. Até que o fisiatra me disse que eu não podia tomar tantos Benuron, porque isso também me ia dar cabo do fígado.
 
Portanto faz algum tipo de fisioterapia?
Maria José (70 anos): Tenho feito, há três meses que não faço. Às vezes parece que venho de lá pior. Andei bastante tempo na hidroterapia, na piscina, mas como tenho problemas de asma fazia-me mal. E continuo com muitas dores, apesar de ser uma pessoa com muita genica.
 
E têm-na mantido dos 40 aos 70 anos?
Maria José (70 anos): Sim, reformei-me há três anos. Mas ainda estive dois ou três anos com o meu ortopedista, que me disse que já não podia fazer aquele horário todo e passei a sair às 15h30.
Tenho ADSE e SAMS e queria saber se me posso dirigir directamente a um médico da “dor”.
 
Estamos perante um caso de fibriomialgia mas também de asma. Cortisona…
Viviana Tavares (vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Reumatologia): Penso que esta senhora poderá ter fibriomialgia mas não terá sido por esse motivo que terá feito aqueles tratamentos ou o motivo porque tem tantas dores.
Pelo que foi dito provavelmente esta senhora terá uma artrose nos joelhos, se calhar com indicação operatória que, por qualquer motivo, não avançou, mas para a qual tem feito infiltrações. O peso não está a ajudar nada e portanto deve perder peso.
 
Há pouco falava-se de medidas não farmacológicas e há muitas que devem ser tidas em atenção quando falamos em artroses. Mas muitos doentes acabam por recusá-las como recusam certos medicamentos para a dor. Por exemplo: usar uma canadiana para descarga. É uma medida simples que pode ajudar muito os doentes a reduzir a dor.
O exercício físico vai ajudar a perder peso e a fortalecer a musculatura e, tudo isso, é essencial para reduzir a dor.
 
E uma ida a uma Unidade de Dor podia ajudá-la, ou não?
Depende também do que ela já fez em termos de medicação. Se só tomou o Paracetamol (Benuron) – numa dose perfeitamente aceitável e normal (3 gr/dia); se já fez anti-inflamatórios ou opióides, mesmo os mais fracos, como por exemplo o Tramadol. Evidentemente se não conseguiu tratar a dor, poderá ser necessário passar para uma outra fase.
A cirurgia é por vezes uma hipótese que os doentes não consideram logo mas hoje a cirurgia de substituição articular é muito mais simples, tem uma recuperação muito mais rápida e é altamente eficaz.
Vivemos cada vez mais anos. Pôr uma prótese aos 70 ou 80 anos é, hoje em dia, algo de perfeitamente normal. Quando os doentes a recusam deviam pensar que, se calhar, ainda irão viver mais 20, 30 ou 40 anos e, aí, com uma péssima qualidade de vida.
 
Rui Cernadas (médico de família): Queria sublinhar este aspecto; de que a prótese ortopédica é muitas vezes uma solução. É verdade que aqui há uma condicionante que é o peso, o que também reforça a necessidade de movimento e de manutenção de função.
 
Gostava ainda de esclarecer a dúvida que esta senhora tem, e que se calhar é partilhada por muita gente, que é a ideia de médico da “dor”. 
O que estamos aqui a falar é de Consultas da Dor e de Unidades de Dor. Ou seja, estamos a falar da participação de vários profissionais, de várias áreas disciplinares, de vários níveis de intervenção, e não de um médico específico.
A solução que esta senhora pede é trocar o seu médico por outro, o que não resolve. Só uma abordagem global.
 
No seu caso, que precisa perder peso, e estando já provavelmente martirizada por 30 anos de dor, precisaria talvez de um psicólogo, pelo que a ida a uma Unidade de Dor não me parece totalmente despropositada...
 
José Romão (presidente da Associação Portuguesa do Estudo da Dor): Que não se pense também que as Unidades de Dor são santuários, onde as pessoas entram doentes e saiem curadas. Os profissionais são como os outros, dominam alguns conhecimentos nesta área, um pouco melhor que outros colegas, mas têm as suas limitações.
A medicina tem limitações. Vivemos muitos anos e é quase inevitável que um dia venhamos a ter este tipo de problemas.
 
Algumas avarias na máquina…
José Romão (presidente da Associação Portuguesa do Estudo da Dor): Como um carro, mas não somos propriamente um, em que tiramos uma peça e metemos outra…
As Unidades de Dor têm à sua disposição recursos enormes e por vezes imensamente eficazes para reduzir e tratar completamente a dor, mas nem sempre isso é possível, ou, pelo menos, na totalidade.

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publicado por servicodesaude às 14:20
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Dor - Cancro e Unidades de Dor Crónica

 Não podemos acabar o programa sem falar da dor ligada ao cancro…

Castro Lopes (coordenador do Programa Nacional de Controlo da Dor): Aproveito para desmistificar a associação directa da dor crónica à dor do cancro.
É um facto que o cancro, sobretudo na fase avançada da doença, dá dor e, por vezes, muito intensa. A dor crónica existe na dor do cancro mas é uma fracção pequena.
 
Fala-se muito deste tipo de dor porque é intensa, em fases avançadas, mas também porque o cancro é uma doença prevalente - é a segunda causa de morte em Portugal – e, ainda, porque muitas vezes é uma dor que requer meios avançados. Aqui sim, é por vezes necessário recorrer às Unidades de Dor Crónica.
 
As Unidades de Dor Crónica não são, contudo, a solução universal. Um dos princípios orientadores do Plano Nacional de Controlo da Dor é precisamente esse: o tratamento diferenciado da dor.
Há 30% de portugueses com dor crónica. Se todos fossem às Unidades de Dor, tendo em conta que em Portugal temos pouco mais de cem médicos com conhecimentos de Medicina da Dor, isso significaria que cada médico teria 30 mil doentes, o que era impossível. E indesejável.
É através do médico de família e dos Cuidados de Saúde Primários que os doentes têm que ser tratados; mesmo a dor oncológica. Obviamente, têm que ser referenciados e esse é um dos aspectos que o Programa Nacional de Controlo da Dor está a trabalhar. Tem que haver uma rede de referência para que os doentes com determinados critérios e características não andem perdidos quando querem ir a uma Unidade de Dor. As Unidades de Dor não são contudo uma panaceia, embora permitam uma qualidade de vida aceitável.

 


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publicado por servicodesaude às 13:22
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Dor - Ficha Técnica

Autoria, coordenação e apresentação

Maria Elisa Domingues
 
Convidados
Rui Cernadas
Castro Lopes
José Romão
Viviana Tavares
 
Reportagem
Buenos Aires Filmes
 
Produção
Miguel Braga
 
Pesquisa
Alexandra Figueiredo
Miguel Braga
 
Jornalistas
Miguel Braga
com Catarina Fernandes e Raquel Amaral
 
Imagem
Gonçalo Roquette
 
Edição
Teresa Mota
 
Pós-produção vídeo
Sara Nolasco
 
Pós-produção Audio
Miguel Van Kellen
 
Gestão e edição de conteúdos
(Portal Sapo)
Natacha Gonzaga Borges
 
Atendimento telefónico
Tiago Matos
Sara Cerdas
Pedro Canastreiro
Renato Nogueira
 
Câmaras
Eduardo Jorge
Elias Barbosa
Rui Cardoso
Fernando Andrade
Adelino Nogueira
 
Mistura de Imagem
Fátima Duarte
 
Controlo de Imagem
Alfredo Marques
 
Som
João Delgado
Nunes Cachado
 
Iluminação
Rui Prates
Electricista
Jorge Carvalho
 
Técnicos de Electrónica
José Borges
Rui Loureiro
 
Assistentes de Operações
José Fernandes
Álvares Nunes
António Almeida
Pedro Gonçalves
 
Caracterização
Fátima Tristão da Silva
Ana Filipa
 
Assistente de guarda-roupa
Paula Silva
 
Assistentes de Artes Visuais
Bruno Silva
Eurico Lourenço
Luís Marques
 
Registo Magnético
Paulo Múrias
 
Gerador de Caracteres
Sílvia Santos
 
Teleponto
Sofia Van-Dunem
 
Genérico e Grafismos
Nicolau Tudela
Teresa Martins
 
Música genérico
Ari de Carvalho
 
Assistente de Realização
Filipe Vasconcelos
 
Anotadora
Paula Macedo
 
Chefe Técnico de Produção
João Martins
 
Criação cenográfica
Gil Ferreira
 
Execução cenográfica
Isabel Rodrigues
 
Produção
Paula Paiva
 
Realização
Jorge Rodrigues

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publicado por servicodesaude às 12:24
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Dor - Links e Bibliografia

Bibliografia

 

“A Dor Cancerosa e o seu Tratamento – Abordagem Global em Cuidados Paliativos”, de Lucie Hacpille, Edições Piaget.
 
Links
 
Dor Neuropática (tipo queimadura, formigueiro, picada ou choque) - www.dormisteriosa.com.pt
 
Associação Portuguesa para o Estudo da Dor (APED) - http://www.aped-dor.org/scid/apedweb/
 
Unidades de Tratamento da Dor -  http://comunidadedor.org/index.php?option=com_qcontacts&view=category&catid=70%3Aunid-tratamento-dor&Itemid=61
 
Associação Nacional Contra a Osteoporose - http://www.aporos.pt/
 
Sociedade Portuguesa de Reumatologia - http://www.spreumatologia.pt/
 
Instituto Português de Reumatologia - http://www.ipr.pt/
 
Sociedade Portuguesa de Medicina Física e de Reabilitação - http://www.spmfr.org/
 
Direcção-Geral de Saúdewww.dgs.pt
 
Comissão Nacional de Controlo da Dor - http://www.min-saude.pt/portal/conteudos/a+saude+em+portugal/noticias/arquivo/2008/9/comissao+dor.htm
 
Programa Nacional de Controlo da Dor (2008) - http://www.min-saude.pt/NR/rdonlyres/6861126B-C57A-46E1-B065-316C0CF8DACD/0/ControlodaDor.pdf
 
Plano Nacional de Luta Contra a Dor (2001) http://www.dgs.pt/upload/membro.id/ficheiros/i005651.pdf
 
Dor na Europawww.painineurope.com/
http://translate.google.pt/translate?hl=pt-PT&langpair=en|pt&u=http://www.painineurope.com/&prev=/translate_s%3Fhl%3Dpt-PT%26q%3DDor%2Bna%2BEuropa%2B2003%26tq%3DPain%2Bin%2BEurope%2B2003%26sl%3Dpt%26tl%3Den  (Estudos comparativos)
 
Dor Cancerígena (Estudo Europeu 2007) - http://translate.google.pt/translate?hl=pt-PT&langpair=en|pt&u=http://www.painineurope.com/&prev=/translate_s%3Fhl%3Dpt-PT%26q%3DDor%2Bna%2BEuropa%2B2003%26tq%3DPain%2Bin%2BEurope%2B2003%26sl%3Dpt%26tl%3Den
 
Dor Crónica no Idoso (A Dor Crónica de Origem Não Maligna) http://www.dgs.pt/upload/membro.id/ficheiros/i005647.pdf http://www.app.com.pt/seminario-controlo-da-dor-cronica-no-idoso

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publicado por servicodesaude às 11:25
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Dor - Estudo revela que 30% dos portugueses sofre de dor crónica (1)

Um estudo realizado por investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade do
Porto, coordenado pelo Prof. José M. Castro Lopes, revelou que mais de 30% da população portuguesa sofre de dor crónica.

Neste estudo, realizado integralmente por um grupo de investigadores da Faculdade de
Medicina da Universidade do Porto e financiado através de um protocolo estabelecido entre
aquela Faculdade e as empresas Grünenthal, Janssen-Cilag e Laboratórios Pfizer, foram
entrevistados em todo o país mais de 5.000 indivíduos maiores de 18 anos.


Cerca de 31% dos entrevistados referiram ter dor várias vezes por mês nos últimos 6 meses, e em quase metade destes a intensidade média da dor era moderada ou forte (igual ou superior a 5, numa escala de 0 a 10). A dor atinge significativamente mais as mulheres e os indivíduos mais idosos (ver quadro 1)

 

Quadro 1 – Distribuição da prevalência da dor crónica moderada ou forte de acordo com o sexo e a idade.

 

A população do Litoral Alentejano e parte da Beira Alta apresenta uma prevalência maior de
dor crónica moderada ou forte, a qual é mais baixa na região do Ave, Entre Douro e Vouga,
Baixo Vouga, Ribatejo e Alto Alentejo (ver quadro 2).

 

 


Quadro 2 – Prevalência da dor forte moderada ou forte nas várias regiões do país.


À semelhança do que se passa nos outros países desenvolvidos em que foram feitos estudos semelhantes, as causas principais da dor crónica são as patologias osteoarticulares, em particular as lombalgias que atingem mais de 40% dos indivíduos. A osteoporose é também uma causa frequente de dor crónica, seguindo-se os traumatismos, a artrite reumatóide e as cefaleias (dores de cabeça).

 

Ao contrário da ideia mais ou menos generalizada, a dor provocada pelo cancro representa apenas 1% das dores crónicas, percentagem semelhante à da fibromialgia e atrás da dor crónica que surge em consequência de cirurgias (3%).
O estudo debruçou-se também sobre a interferência da dor crónica na qualidade de vida dos
doentes. Quase 50% dos indivíduos com dor crónica referiu que esta interferia de forma
moderada ou grave nas actividades domésticas e laborais. A este propósito, 4% dos
indivíduos perdeu o emprego e 13% teve mesmo a reforma antecipada por causa da dor.
Refira-se ainda que foi diagnosticada depressão a 17% dos indivíduos com dor crónica, e mais de 20% refere que não tem prazer na vida a maior parte do tempo ou sempre (ver quadro 3).

 


Quadro 3 – Resposta dos indivíduos com dor crónica à pergunta “Sente-se incapaz de gozar (sentir prazer) a sua vida?”.


Os doentes procuram maioritariamente o seu médico de família para o tratamento da dor,
22% recorrem a especialistas, mas apenas 1% são seguidos em Unidades de Dor.
Cerca de 3/4 dos doentes com dores crónicas toma medicamentos regularmente, mas estes medicamentos são muito ou completamente eficazes no alívio da dor em menos de metade dos doentes que tomam a medicação, sendo que 28% dos doentes refere que mesmo com os medicamentos têm dores muito frequentemente ou sempre (ver quadro 4).

 


Quadro 4 – Resposta dos indivíduos com dor crónica à pergunta “Com que frequência sente dor sob a acção dos medicamentos?”


Para além dos medicamentos, muitos doentes utilizam outras modalidades de tratamento,
como o exercício físico, a massagem, o calor, a fisioterapia ou a acupunctura.
Por fim, refira-se que, de uma forma geral, 35% dos doentes considera que a sua dor não está a ser bem tratada ou controlada, na maior parte devido à ineficácia dos medicamentos, mas também devido à pouca importância que o seu médico dá ao controlo da dor.

As principais conclusões do primeiro estudo epidemiológico sobre a dor crónica realizado em Portugal foram apresentadas dia 12 de Junho de 2008, na abertura do Forum Dor das Ilhas Atlânticas, que decorreu no Funchal até ao dia 14, data em que se assinala o Dia Nacional de Luta Contra a Dor.


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publicado por servicodesaude às 10:57
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Dor - Estudo sobre a Prevalência da Dor Crónica em Portugal (2)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


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publicado por servicodesaude às 10:55
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Gripe A - Ponto da situação Global (excepto Europa) - 27 Outubro

Até ao dia de hoje, 27 de Outubro, o Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças contabilizou um total de 280 casos fatais na Europa e 5 642 no resto do mundo, devido à pandemia de gripe A.

 

América do Norte

Canadá - 86

México - 314
EUA  - 1004
Total - 1404

 

América do Sul
Argentina - 585
Bolívia - 56
Brasil - 1368
Chile - 136
Colombia - 118
Ecuador - 70
Paraguai - 52
Peru - 162
Uruguai - 33
Venezuela - 93
Total - 2673

 

América Central e Caraíbas
Bahamas - 4
Barbados - 3
Ilhas Caimão - 1
Costa Rica - 38
Cuba - 7
República Dominicana - 22
El Salvador - 22
Guatemala - 13
Honduras - 16
Jamaica - 5
Nicarágua - 11
Panamá - 11
Saint Kitts e Nevis - 1
Suriname - 2
Trinidad eTobago - 5

Total - 161

 

África
Gana - 1
Madagascar - 1
Mauricías - 8
Moçambique - 2
Namíbia - 1
Sao Tomé & Príncipe - 2
África do Sul - 91
Sudão - 1
Tanzânia - 1
Total - 108

 

Mediterrâneo e Médio Oriente
Bahrain - 6
Egipto - 3
Irão -16

Iraque - 4

Israel - 34
Jordânia - 3

Kuwait - 12

Líbano - 3
Palestinina - 1
Oman - 24
Qatar - 3
Arabia Saudita - 39
Síria - 2
Turkia - 1
Emirates Árabes Unidos - 6
Iemen - 13
Total - 170

 

Nordeste e Sul Asiático
Bangladesh - 6

China - 3
Hong Kong (China) - 33

India - 444
Japão - 27
Macau (China) - 1
Mongólia - 1

Coreia do Sul - 25
Taiwan -25
Total - 565

 

Sudeste Asiático

Brunei - 1
Cambodja - 3
Indonésia - 10
Laos - 1
Malasia - 77

Filipinas - 30
Singapura - 18
Tailândia - 176

Vietnam - 32
Total - 348

 

Austrália e Pacífico
Austrália - 186
Ilhas Cook - 1
Ilhas Marshall - 1
Nova Zelândia - 19
Samoa - 2
Ilhas Solomon - 1
Tonga - 1
Total - 211

 

TOTAL Global - na Europa e no resto do Mundo - 5922 


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publicado por servicodesaude às 10:50
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Gripe A - Ponto da situação na Europa (27 Outubro)

Até ao dia de hoje, 27 de Outubro, o Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças contabilizou um total de 280 casos fatais na Europa e 5 642 no resto do mundo, devido à pandemia de gripe A .

 

Óbitos Na Europa

Bélgica - 5
Bulgária - 1

República Checa - 1 

Finlandia - 1
França - 36a
Alemanha - 3
Grécia - 3
Hungria - 4
Islândia - 1

Irlanda - 9
Itália - 4
Luxemburgo - 1
Malta - 5
Holanda - 6

Noruega - 11
Portugal - 3
Espanha - 54
Suécia - 2

Reino Unido - 130
Total - 280

 

Sérvia - 1
Moldavia - 1
Total - 2

 


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publicado por servicodesaude às 10:48
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Segunda-feira, 26 de Outubro de 2009
Gripe A - Campanha de vacinação arranca e director-geral da Saúde dá o exemplo

As primeiras vacinas destinadas aos portugueses já começaram a ser distribuidas pelos Centros de Saúde. Para serem vacinadas, as pessoas têm que apresentar uma delaração onde consta que pertencem ao grupo-alvo de risco.

O director-geral da Saúde, Francisco George, vacinou-se no Centro de Saúde de Alvalade, em Lisboa, onde, perante os jornalistas, apresentou o documento que o identifica como profissional de saúde "imprescindível" e, por isso, incluído no primeiro grupo prioritário para receber a vacina.

Francisco George, que foi o 11.º profissional do Ministério da Saúde a receber a vacina, reiterou a confiança na segurança do medicamento e explicou que esta sua exposição teve como objectivo "servir de exemplo" aos seus colegas profissionais da área da saúde, bem como à população em geral.
A subdirectora-geral da Saúde, Graça Freitas, especialista em vacinas, foi igualmente vacinada no mesmo centro de saúde. Estes dois elementos "imprescindíveis" do Ministério da Saúde irão receber a segunda dose da vacina no próximo dia 16.
 
Portugal iniciou hoje a sua campanha de vacinação contra o vírus H1N, com 54 mil doses da vacina. A meta do governo é ter até ao final do ano, meio milhão de portugueses imunes à pandemia deste século. No espaço de seis meses deverão ser vacinados três milhões de pessoas.

Esta primeira tranche de vacinas é destinada a 15 mil profissionais de saúde com funções consideradas essenciais, cerca de 10 mil grávidas no segundo e terceiro trimestre, com patologias graves associadas, e quase 30 mil profissionais considerados "essenciais" ao normal funcionamento da sociedade, como as forças de segurança e os fornecedores de serviços vitais à população (electricidade, comunicações, saneamento, por exemplo).


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Sábado, 24 de Outubro de 2009
Gripe A - EUA declaram emergência nacional devido à pandemia

O presidente Barack Obama decretou sexta-feira o estado de emergência nacional, depois do país ter ultrapassado as mil vítimas mortais causadas pela gripe A, entre as quais pelo menos 100 crianças.

A medida visa a flexibilização da resposta das unidades hospitalares, nomeadamente uma mais rápida triagem dos doentes e a improvisação de instalações médicas suplementares.
A Casa Branca sublinhou que a declaração do estado de emergência constitui sobretudo uma medida preventiva, que permitirá aos profissionais de saúde ultrapassar certas leis federais no caso de um verdadeiro desastre pandémico e que precauções semelhantes foram tomadas no passado, por exemplo antes da passagem de furacões nas zonas costeiras do país.
“Como nação, estamos preparados a todos os níveis governamentais, enquanto indivíduos e comunidades, e colocámos em prática medidas sem precedentes para combater a pandemia”, afirmou Obama na declaração efectuada ao país.
Os Estados Unidos enfrentam uma época gripal particularmente severa. Os casos de gripe já atingiram este ano o pico da gripe sasonal habitual, mais cedo devido ao virus H1N1. E a maioria dos especialistas acredita num agravamento das infecções causadas pela pandemia no decorrer dos próximos meses e durante a Primavera de 2010.
Depois das vacinas começarem a ser disponibilizadas à população, mas sobretudo depois da declaração de emergência nacional por parte do presidente Obama, tem-se registado uma corrida aos centros de saúde, clínicas e hospitais e em muitas regiões do país a vacina esgotou.
Inicialmente o governo norte-americano esperava que até meio de Outubro poderiam ser disponibilizadas 120 milhões de doses, mas o processo sofreu alguns atrasos e, a meio da semana passada, apenas foram entregues cerca de 11 milhões de doses.
O governo americano espera agora a chegada de 50 milhões de doses até meados de Novembro e mais 150 milhões no mês de Dezembro.

(Fonte: The Guardian)


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publicado por servicodesaude às 20:50
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Sexta-feira, 23 de Outubro de 2009
Gripe A - Ministério quer registo dos doentes que recusem a vacina

Se uma pessoa cumprir os critérios para receber a vacina contra a gripe A e o recusar, essa decisão irá ficar registada na sua ficha clínica. A orientação é dada pela Direcção-Geral de Saúde na circular sobre a campanha de vacinação que começa nos dia 26 de Outubro.

 

A subdirectora de Saúde, Graça Freitas, explicou que se trata de "um acto de boa prática médica", porque é uma informação relevante. Apesar de em Portugal o número de óbitos ser pouco expressivo até ao momento, as autoridades de saúde alertam que a fase mais grave ainda está para vir, com a chegada do Inverno e do tempo frio.

 

Uma das principais preocupações das autoridades de saúde é o facto da gripe pandémica provocar pneumonias graves que obrigam mais ao uso de ventilação artificial. E de poderem não existir ventiladores ou profissionais de saúde, que os saibam operar, em número suficiente.

A Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares alertou que algumas unidades ainda não estão preparadas para substituir profissionais doentes.

 

 

 

(Fonte: Diário de Notícias)


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Gripe A - Enfermeiros divididos quanto à vacina

A maior parte dos 200 enfermeiros que trabalham no atendimento telefónico da linha Saúde 24 não quer ser vacinado contra a gripe A, com o argumento que a vacina não terá sido suficientemente testada.

Estes profissionais de saúde integram o grupo prioritário de vacinação, e apesar das autoridades de saúde nacionais e internacionais garantirem a segurança da vacina, estes enfermeiros alegam que a vacina ainda levanta dúvidas.

 

Entretanto, face às notícias que têm vindo a público, "e que dão conta  de uma suposta recusa generalizada dos enfermeiros de se vacinarem contra a gripe A", a Ordem dos Enfermeiros, emitiu um comunicado, onde admite que:

"A decisão é do foro individual e ninguém pode ser coagido a efectuá-la". Por outro lado, "as vacinas existentes no mercado foram objecto de um rigoroso processo de controlo de qualidade e aprovadas pelas entidades reguladoras competentes", pelo que "até ao momento, não há evidência científica de contra-indicações susceptíveis de abalar os benefícios que a vacinação contra a gripe A proporciona".

 

Face ao exposto, a Ordem dos Enfermeiros acredita que "os seus membros saberão agir responsavelmente de modo a proteger a sua saúde e a saúde da comunidade, bem como garantir a segurança na prestação de cuidados".

 


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Quinta-feira, 22 de Outubro de 2009
Gripe A - Links Úteis actualizados (22 Outubro)

Links Nacionais

 
Direcção-Geral de Saúde (microsite Gripe A – H1N1) - www.dgs.pt
http://www.min-saude.pt/portal/conteudos/enciclopedia+da+saude/saude+publica/gripe/virus+h1h1.htm#a14
Toda a informação: relatórios semanais, comunicados da DGS e da Ministra da Saúde, recomendações (alimentação, empresas, escolas, grávidas e amamentação, idosos, viajantes, instituições e outros); plano de contingência e notícias.
 
Portal da Saúde Ministério Saúde / DGS - www.min-saude.pt/...da.../gripe/virus+h1h1.htm
 
Plano de Contingência Nacional do Sector da Saúde para a Pandemia de Gripe. Direcção-Geral da Saúde - http://www.min-saude.pt/NR/rdonlyres/2E032C69-37E0-4FCB-A0D2-E2B70EE436F4/0/plano.pdf
 
Blog "Agir Contra a Gripe" - http://agircontraagripe.blogspot.com/
 
Livro digital "O Nuno escapa à Gripe A" , produzido pelo Plano Nacional de Leitura, no âmbito do Projecto "Ler +, Agir contra a Gripe, informa as crianças, de forma divertida e desdramatizada - http://www.clube-de-leituras.pt/elivrostemp/elivro.php?id=h1n1
 
Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal - http://www.apdp.pt/detalhe_noticia.asp?id=64
Associação Portuguesa de Asmáticos - http://www.apa.org.pt/
Sociedade Portuguesa de Neurologia - http://www.spneurologia.org/
Sindicato dos Enfermeiros Portugueses - http://www.sep.org.pt/
Sindicato Independente dos Médicos - http://www.simedicos.pt/
 
Instituto Gulbenkian de Ciência - http://www.gripenet.ptAutoridade Nacional de Protecção Civil - http://www.proteccaocivil.pt/Pages/gripe.aspx 

 
Deco Proteste (Gripe) - http://www.deco.proteste.pt/saude/gripe-a-respondemos-as-suas-duvidas-s562971.htm
 
Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge
http://www.insa.pt/sites/INSA/Portugues/Paginas/portalInicio.aspx
 
Autoridade Nacional de Protecção Civil (gripe A)
http://www.proteccaocivil.pt/Search/Results.aspx?k=gripe%20A
 
Links Internacionais
 
Vacinas (OMS): http://www.who.int/csr/disease/influenza/vaccinerecommendations/en/index.html
Organização Mundial de Saúde  (OMS) http://www.who.int/csr/disease/swineflu/en/ Notícias, relatórios e mapas actualizadas sobre a pandemia de Gripe A, a nível mundial, por região do planeta:
Europa - http://www.who.int/csr/disease/swineflu/en/
Américas http://new.paho.org/hq/index.php?option=com_content&task=blogcategory&id=805&Itemid=569  
Mediterrâneo Oriental - http://www.emro.who.int/csr/h1n1/  
África - http://www.afro.who.int/,
Sudeste Asiático - http://www.searo.who.int/EN/Section10/Section2562.htm
Pacífico Ocidental - http://www.wpro.who.int/health_topics/h1n1/
 
Observatório OMS/Europa - www.euroflu.org
Dados referentes a todos os Estados Membros da Organização Mundial de Saúde da Região Europeia. Médicos, epidemiologistas e virologistas de 53 países constituem uma rede em torno da EuroFlu. Publica um relatório semanal.
 
Mapas Actualizados OMS /Europa -www.euroflu.org/html/maps.html           
(Intensidade, Dispersão Geográfica e Impacto da Gripe A na Europa, com pesquisa por país)
 
Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC) - http://ecdc.europa.eu/
European Influenza Surveillance Scheme (EISS) - http://www.eiss.org/
 
Vacinas - Agência Europeia do Medicamento -
http://www.emea.europa.eu/influenza/home.htm (novo)
http://www.emea.europa.eu/influenza/vaccines/pandemrix/pandemrix.html (novo Vacina Pandemrix)
http://www.emea.europa.eu/htms/human/pandemicinfluenza/novelflu.htm
 
Health Protection Agency (Reino Unido) http://www.hpa.org.uk/webw/HPAweb&page&HPAwebAutoListName/Page/1240732817665?p=1240732817665
 
Centers for Disease Control and Prevention (E.U.A) - http://www.cdc.gov/h1n1flu/
Site do governo americano - www.pandemicflu,gov (E.U.A)
Food and Drug Administration – FDA - http://www.fda.gov/
 
Publicações científicas de Saúde
 
The Lancet - www.thelancet.com/H1N1-flu 
British Medical Journal http://pandemicflu-bmj.com   
 
 
 
 

 


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Quarta-feira, 21 de Outubro de 2009
Gripe A - Ponto de situação em Portugal (DGS) - 21 Outubro

Na semana que decorreu entre 12 e 18 Outubro foram observados nos serviços de
saúde 3.044 doentes com sintomas de gripe, independentemente dos vírus em causa.
Na semana em causa, estiveram internados 15 doentes, dos quais 2 em unidade de
cuidados intensivos. Um destes doentes já estava internado na semana anterior.
Registou‐se, nesta semana ‐ dia 12 de Outubro ‐, uma morte provocada pelo vírus
H1N1.
Relativamente à situação clínica, a maioria dos novos casos diagnosticados não teve
gravidade.
O Ministério reforça a indicação aos cidadãos para que, em caso de sintomas de gripe,
contactem de imediato a Linha de Saúde 24 (808 24 24 24) e sigam as indicações que
lhes são dadas.
O Ministério da Saúde faz, semanalmente, o ponto de situação da evolução da
infecção da Gripe A no seu site (http://www.portaldasaude.pt/). A mesma informação
pPonto de situação da evolução da Gripe A em Portugal
Semana 42.ª, entre 12 e 18 de Outubro de 2009
Na semana que decorreu entre 12 e 18 Outubro foram observados nos serviços de
saúde 3.044 doentes com sintomas de gripe, independentemente dos vírus em causa.
Na semana em causa, estiveram internados 15 doentes, dos quais 2 em unidade de
cuidados intensivos. Um destes doentes já estava internado na semana anterior.
Registou‐se, nesta semana ‐ dia 12 de Outubro ‐, uma morte provocada pelo vírus
H1N1.
Relativamente à situação clínica, a maioria dos novos casos diagnosticados não teve
gravidade.
O Ministério reforça a indicação aos cidadãos para que, em caso de sintomas de gripe,
contactem de imediato a Linha de Saúde 24 (808 24 24 24) e sigam as indicações que
lhes são dadas.
O Ministério da Saúde faz, semanalmente, o ponto de situação da evolução da
infecção da Gripe A no seu site (http://www.portaldasaude.pt/). A mesma informação
pode também ser consultada no Microsite da Gripe, no site da Direcção‐Geral da
Saúde (http://www.dgs.pt).
Lisboa, 21 de Outubro de 2009

(Fonte: Direcção-Geral de Saúde)


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Terça-feira, 20 de Outubro de 2009
Gripe A - Circular DGS: Entidades Empregadoras - Vacinação Trabalhadores

Direcção-Geral da Saúde -Circular Informativa
DATA: 20/10/09

Para: Entidades empregadoras - Contacto na DGS: Dr.ª Etelvina Calé


Irá iniciar-se, a partir de 26 de Outubro de 2009, a primeira fase da Campanha de Vacinação contra a infecção pelo vírus da gripe pandémica (H1N1) 2009.

A vacina foi aprovada pela Agência Europeia do Medicamento (EMEA) e pela Comissão Europeia.


A Circular Normativa N.º 17/DSPCD de 14/10/09, da Direcção-Geral da Saúde define os
grupos alvo para vacinação com o objectivo de minimizar o risco de desenvolver
complicações pós-infecção, bem como garantir o desempenho de funções essenciais.
Tendo em conta o número de doses disponíveis para a primeira fase, foram definidos
grupos prioritários para vacinação.


Os profissionais considerados essenciais devido aos serviços relevantes que prestam à
sociedade serão vacinados no respectivo agrupamento de centros de saúde (ACES),
mediante a apresentação de declaração emitida ou pela Direcção-Geral da Saúde (DGS),
ou pela Administração Regional de Saúde (ARS) ou, ainda, pelas Direcções Regionais de
Saúde dos Açores e Madeira e validada pela entidade empregadora a que pertençam.
A declaração pode ter um dos seguintes formatos:
- Nominal emitida em nome do profissional como sucede para os trabalhadores da
Linha Saúde 24.
Ou
- Unitária (com o nome do trabalhador em branco) que será entregue à entidade
empregadora e deverá ser completada e validada com carimbo e assinatura de um
responsável daquela.


Direcção-Geral da Saúde Circular Informativa
Alameda D. Afonso Henriques, 45 - 1049-005 Lisboa - Portugal - Tel 218 430 500 - Fax: 218 430 530 - Email: geral@dgs.pt


Em ambos os casos os trabalhadores deverão contactar o serviço de vacinação do
Agrupamento de Centros de Saúde da área de residência, munidos da declaração, a fim de
serem vacinados.
Em situações excepcionais, os trabalhadores poderão ser vacinados em outro local,
mediante acordo entre a entidade empregadora e a Administração Regional de Saúde da
área geográfica respectiva.
Francisco George (Director-Geral da Saúde)
(Fonte: Direcção-Geral de Saúde)


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Quarta-feira, 14 de Outubro de 2009
Gripe A - DGS - Campanha de Vacinação (médicos e enfermeiros)

Direcção-Geral da Saúde Circular Normativa - 14/10/09

Assunto: Campanha de vacinação contra a infecção pelo vírus da gripe pandémica (H1N1)Para: Todos os médicos e enfermeiros

Contacto na DGS: Dr.ª Ana Leça
 

A vacina contra a infecção pelo vírus da gripe pandémica (H1N1)2009 foi aprovada, para
uso na Europa, pela Agência Europeia do Medicamento (EMEA) e pela Comissão Europeia,
em Setembro de 2009.
A aquisição da vacina pandémica está prevista no Plano de Contingência Nacional do
Sector da Saúde para a Pandemia de Gripe (Direcção-Geral da Saúde, 2007)1, no âmbito da
Reserva Estratégica de Medicamentos.
Por Resolução de Conselho de Ministros2, foi autorizada a aquisição de seis milhões de
doses, para a vacinação, em regime de campanha, de 30% da população residente.
Foi adquirida a vacina Pandemrix®, para vacinação com duas doses3, prevendo-se que o
fornecimento e a distribuição sejam efectuados de forma faseada ao longo dos primeiros
meses da Campanha.
A Campanha de Vacinação terá início no dia 26 de Outubro de 2009.


1. Norma
1.1. Finalidade e objectivos
A principal finalidade da Campanha de Vacinação é reduzir a probabilidade de ocorrência de
casos graves e a taxa de letalidade.
A vacinação, destinada a uma população-alvo superior a 3 milhões de pessoas4 (30% da
população), tem por objectivos a protecção dos cidadãos mais vulneráveis, de modo a
reduzir a morbilidade e a mortalidade, assegurar a continuidade dos serviços fundamentais
e, ainda, reduzir a transmissão e a velocidade de expansão da doença (Quadro I).
1 Acessível em http://www.dgs.pt/upload/membro.id/ficheiros/i010835.pdf
2 Resolução do Conselho de Ministros nº 61/2009 (Diário da República, 1.ª série, n.º 140, de 22 de Julho de 2009)
3 Qualquer alteração a esta recomendação levará à revisão desta circular
4 Atendendo a que a dose infantil é metade da dose de adulto.
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Quadro I – Objectivos da vacinação e respectiva população-alvo


1.2. Grupos-alvo para a vacinação
Tendo em atenção o risco para o desenvolvimento de complicações pós-infecção, bem
como o desempenho de funções essenciais e a disponibilidade de vacinas, foram definidos5,
por ordem decrescente de prioridade para a vacinação, três grupos-alvo: A, B e C, descritos
no Anexo 1.
Uma vez que na primeira remessa de vacinas estarão disponíveis apenas 48 000 doses, foi
necessário definir, dentro do Grupo A, os primeiros cidadãos a vacinar (prioritários), em
função da sua vulnerabilidade e/ou do seu papel vital na resposta à pandemia. Assim, a
vacinação será iniciada pelos subgrupos discriminados no Anexo 1 – Grupo A, fase 1.
Apesar de os fornecimentos serem faseados, a estratégia vacinal prevê que seja garantida a
administração das segundas doses 3,6.
Após a vacinação do Grupo A com 2 doses, ou em simultâneo, iniciar-se-á a vacinação do
Grupo B, com o objectivo de proteger o maior número de pessoas elegíveis, o mais
rapidamente possível.
É necessário ter ainda em atenção que, em cada mês, cerca de 9 000 grávidas transitam do
1.º para o 2.º trimestre da gravidez e que devem ser vacinadas.


2. Informação sobre a vacina
2.1. Indicações, contra-indicações e precauções
2.1.1. Indicações
Na profilaxia da gripe em situação de pandemia, a vacina está indicada para pessoas com
idade ≥6 meses.
Recomenda-se a sua administração a grávidas com tempo de gestação superior a 12
semanas.
5 Proposta efectuada com base na opinião de peritos da DGS, da Comissão Técnica de Vacinação, de Sociedades Científicas e de outros
peritos, nomeadamente de Obstetrícia
6 O cronograma definitivo da Campanha de vacinação será posteriormente divulgado. O cronograma provisório foi remetido por oficio às
ARS e às DRS dos Açores e da Madeira.
Objectivos
􀂃 Proteger os cidadãos mais vulneráveis devido:
- ao risco acrescido de desenvolverem complicações
- à maior probabilidade de adquirirem infecção
􀂃 Assegurar os serviços essenciais vacinando os profissionais:
- de saúde
- de outros sectores relevantes para a sociedade
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A vacina é, também, recomendada para as mulheres que amamentam e para as crianças
com idade ≥6 meses, desde que cumpridos os critérios de inclusão nos grupos-alvo (ver
1.2).
Um diagnóstico prévio de gripe (H1N1)2009, baseado apenas em critérios clínicos, sem
confirmação laboratorial, não contra-indica a vacinação.


2.1.2. Contra-indicações e precauções
A vacinação não é recomendada a crianças de idade <6 meses.
Uma pessoa com diagnóstico prévio de gripe (H1N1)2009, com confirmação laboratorial,
não tem indicação para vacinação, uma vez que já existe imunidade natural contra a mesma
estirpe do vírus.
A vacina está contra-indicada em pessoas com reacção anafiláctica anterior a qualquer dos
constituintes ou resíduos da vacina (ver 2.3).
Em pessoas com história anterior de hipersensibilidade a qualquer dos constituintes ou
resíduos da vacina (incluindo o ovo), a administração deve ser ponderada e efectuada em
meio hospitalar, à semelhança do procedimento adoptado para as vacinas do Programa
Nacional de Vacinação.
Deverá estar disponível, no local da vacinação, o equipamento e a terapêutica para
tratamento de uma reacção anafiláctica, de acordo com as boas práticas e o recomendado
no Programa Nacional de Vacinação 2006 (Orientações Técnicas n.º 10 da DGS, Anexo II,
página 84).


2.2. Apresentação
A vacina é fornecida em multidoses (frascos separados com 10 doses), sendo necessária a
mistura do antigénio com o adjuvante na altura da sua administração (Figura 1). A vacina
administra-se exclusivamente por via intramuscular.
Figura 1 - Vacina pandémica (H1N1)2009: apresentação com adjuvante e antigénio em frascos separados.
A cada caixa com 50 frascos de antigénio correspondem 2 caixas de 25 frascos de
adjuvante.
Deve ser dada toda a atenção às embalagens que contêm os dois tipos de frascos, pois o
número de lote do frasco de antigénio tem de corresponder ao número de lote do frasco de
adjuvante.
Adjuvante (emulsão)
Antigénio (suspensão)
Frasco multidose - 10 doses
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2.3. Descrição da vacina
􀂃 A vacina contra a infecção pelo vírus da gripe pandémica (H1N1)2009 adquirida por
Portugal tem a designação comercial de Pandemrix®;
􀂃 É uma vacina inactivada de viriões fragmentados com adjuvante AS03, composto por
esqualeno, DL-α-tocoferol e polissorbato 80;
􀂃 É constituída (Figura 1) por uma suspensão (antigénio) e por uma emulsão (adjuvante).
A suspensão é um líquido opalescente claro e a emulsão é um líquido esbranquiçado
homogéneo. A mistura tem o aspecto de uma emulsão esbranquiçada;
􀂃 Contém traços residuais de proteína do ovo, ovalbumina, formaldeído, sulfato de
gentamicina e desoxicolato de sódio;
􀂃 Após a mistura da emulsão (adjuvante) com a suspensão (antigénio), obtém-se o volume
de 5ml, correspondente a 10 doses. Uma dose (0,5 ml) contém:
− viriões fragmentados, inactivados com conteúdo antigénico equivalente à estirpe-tipo
A/California/7/2009 (H1N1)v (X-179A), propagado em ovos - 3,75 microgramas de
hemaglutinina;
− 5 microgramas de tiomersal 7.
2.4. Instruções para a preparação da vacina
A Pandemrix® apresenta-se em dois recipientes (Figura 1):
􀂃 Suspensão: frasco multidose (10 doses) contendo o antigénio.
􀂃 Emulsão: frasco contendo o adjuvante para as 10 doses.
O adjuvante (emulsão) e o antigénio (suspensão) têm de ser misturados antes da
administração da vacina.
Antes de misturar os dois componentes, a emulsão e a suspensão devem ficar à
temperatura ambiente, ser agitados e inspeccionados visualmente para verificar a eventual
existência de qualquer matéria ou aparência anormais.
Preparação da vacina
1. A vacina é misturada retirando com uma seringa/agulha o conteúdo do frasco da
emulsão (adjuvante) e adicionando-o ao frasco da suspensão (antigénio);
2. Após a adição da emulsão à suspensão, a mistura deve ser bem agitada. A mistura tem
o aspecto de uma emulsão esbranquiçada;
3. O volume de Pandemrix (5 ml), após a mistura, corresponde a 10 doses de vacina, que
devem ser usadas no período de 24 horas e mantidas a temperatura <25ºC durante este
lapso de tempo;
4. O frasco deve ser bem agitado antes de cada administração;
5. Cada dose de 0,5 ml é retirada do frasco multidose para uma seringa, imediatamente
antes da sua administração;
7 Circular Informativa N.º 052/CA de 18/05/2004, do INFARMED: utilização de tiomersal em vacinas de uso humano
(http://www.infarmed.pt/portal/pls/portal/docs/1/21443.PDF)
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− No frasco da mistura multidose, adapta-se uma agulha de 20 gauge e vai-se
retirando para seringas de 2 ml (ou de 1 ml para as doses de 0,25 ml para as
crianças ≤9 anos) o número de doses individuais necessárias para várias
administrações sucessivas, idealmente, as 10 doses (esgotando o frasco);
− Se o número de doses retiradas não esgotar o frasco, a agulha de 20 gauge deve
ser removida e, quando for necessário retirar mais doses, adapta-se nova agulha de
20 gauge, respeitando o prazo definido no ponto 3 (<24 horas a < 25ºC);
6. As vacinas são administradas com uma agulha adequada para injecção intramuscular
(23 gauge);
7. Qualquer produto não utilizado deve ser eliminado de acordo com os procedimentos
adequados.


2.5. Armazenamento
A vacina deve ser armazenada no frigorífico, entre 2ºC e 8ºC, não podendo sofrer
congelação. Deve ser mantida na embalagem original, para estar protegida da luz.


2.6. Dosagem e Administração
􀂃 Idade ≥ 10 anos
0,5 ml da mistura por via intramuscular no músculo deltóide do braço esquerdo.
􀂃 Crianças com idade ≥ 6 meses e ≤9 anos
Os poucos dados disponíveis sugerem que a administração de metade da dose (0,25
ml) é suficiente:
− Crianças de idade <12 meses - 0,25 ml da mistura por via intramuscular na região
antero-lateral da coxa esquerda;
− Crianças de idade ≥12 meses - 0,25 ml da mistura por via intramuscular no
músculo deltóide do braço esquerdo.


2.7. Esquema cronológico recomendado
O esquema vacinal completa-se, de acordo com as actuais recomendações3, com duas
doses, a administrar com um intervalo mínimo de três semanas.


2.8. Compatibilidade com outras vacinas
Não existem estudos de compatibilidade referentes à administração concomitante de outras
vacinas. Teoricamente, uma vacina inactivada pode ser administrada simultaneamente ou
em qualquer data antes ou depois de outra vacina (viva ou inactivada).
Por questões relacionadas com a farmacovigilância, nomeadamente a identificação de
reacções adversas, é aconselhável um intervalo mínimo de quatro semanas entre a
administração desta vacina e qualquer outra (viva ou inactivada), incluindo a vacina contra a
gripe sazonal.
No entanto, se for considerada necessária a administração concomitante de outra vacina ou
com um intervalo inferior a quatro semanas, esta deve ser efectuada em locais anatómicos
diferentes, com registo do local de cada vacina, de acordo com as normas de boa prática.
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3. Vacinação em circunstâncias especiais
3.1. Alterações imunitárias
A resposta à vacina em doentes com imunodepressão pode estar diminuída.
Em relação a estes doentes, mesmo quando vacinados, deverá manter-se um elevado
índice de suspeita clínica perante sinais e sintomas sugestivos de síndroma gripal, com ou
sem febre.


3.2. Alterações da coagulação
As pessoas com risco de diátese hemorrágica, trombocitopénia, alterações da coagulação
ou que fazem terapêutica anticoagulante apresentam risco acrescido de hemorragia com
injecções intramusculares.
Nessas situações, devem ser tomadas as seguintes precauções, de acordo com o
recomendado no Programa Nacional de Vacinação 2006 (Orientações Técnicas n.º 10 da
DGS):
􀂃 Utilizar uma agulha de calibre 23 gauge ou mais fina;
􀂃 Exercer pressão no local da injecção durante cerca de 5 minutos, sem friccionar;
􀂃 Administrar a vacina após a terapêutica com factores da coagulação ou outra, se
indicado.


4. Reacções adversas e farmacovigilância
􀂃 Reacções muito comuns - reacção local (edema, induração, dor, eritema); febre;
fadiga; cefaleias; artralgia e mialgias;
􀂃 Reacções menos comuns - equimose no local da injecção; síndroma gripal;
linfadenopatia;
􀂃 Menos frequentemente foram reportadas reacções cutâneas generalizadas, incluindo
urticária e, muito raramente, choque;
􀂃 Após a vacinação poderão verificar-se, transitoriamente, resultados falso-positivos,
pelo método ELISA, para VIH, vírus da hepatite C e, especialmente, HTLV-1, que
serão negativos com o Western Blot. Estes achados resultarão, provavelmente, da
produção de IgM em resposta à vacinação.
As reacções adversas possivelmente relacionadas com a vacinação devem ser declaradas
ao INFARMED pelos profissionais de saúde (enfermeiros, médicos, farmacêuticos) através
do preenchimento correcto dos formulários específicos para cada grupo profissional e seu
envio ao Sistema Nacional de Farmacovigilância (disponíveis em www.infarmed.pt)
8 De acordo com estudos efectuados com a vacina mock-up [estirpe A/Vietnam1194/2004 (H5N1) com o adjuvante AS03]. Está disponível informação mais
completa e detalhada no Resumo das Características do Medicamento (RCM) da Pandemrix®.
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5. Aspectos operacionais da Campanha de Vacinação
5.1. Aspectos gerais
A vacinação decorrerá em regime de campanha através dos serviços de vacinação dos
centros de saúde. Tanto quanto possível, pelo menos durante o ano de 2009, em que o
número de doentes a vacinar não será excessivo, deve seguir-se uma metodologia idêntica
à da vacinação contra a gripe sazonal.
As vacinas serão distribuídas pelas ARS e DRS9 aos agrupamentos de centros de saúde
(ACES)/centros de saúde, aos hospitais e a outros serviços de saúde (ex: Instituto
Português do Sangue, Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge) para vacinação dos
seus profissionais de saúde e, quando aplicável, dos doentes internados (hospitais).
A continuidade da cadeia de frio terá de ser assegurada em todos os passos, desde a
distribuição até ao seu armazenamento, nos locais de vacinação, à semelhança do que se
verifica com as vacinas do Programa Nacional de Vacinação.
Para a 1.ª fase do Grupo A, e atendendo ao número limitado de pessoas elegíveis para
vacinação (alguns profissionais essenciais e grávidas de 2.º e 3.º trimestres com patologia
grave associada) e ao número de vacinas disponíveis, recomenda-se que, sempre que
pertinente, a vacinação nos cuidados de saúde primários seja concentrada na sede dos
ACES, de forma a evitar uma excessiva repartição das doses e reduzir a probabilidade de
desperdício de doses.


5.2. Vacinação dos doentes, das grávidas nos 2.º e 3.º trimestres, dos profissionais
essenciais e de outros grupos
A vacinação destas pessoas decorrerá, em regra, nos serviços de vacinação do Serviço
Nacional de Saúde.
A vacinação dos doentes dos grupos-alvo, nos centros de saúde, será feita mediante
apresentação de uma declaração médica que ateste que o doente integra um dos grupos (A,
B ou C) e, dentro do Grupo A, quando aplicável, que o doente deve ser vacinado na 1.ª fase.
Os doentes internados (hospitais, unidades de cuidados continuados integrados) deverão
ser vacinados na instituição em que se encontram.
Os hospitais e unidades de cuidados continuados devem fazer uma estimativa do número
de doentes internados que integram cada grupo-alvo, e que deverão ser vacinados no
decurso do internamento, dando dela conhecimento às ARS e DRS.
A eventual recusa da vacina por doentes que cumprem os critérios para vacinação deverá
ser registada pelo médico na ficha clínica.
Declaração de inclusão num grupo-alvo
A operacionalização da emissão das declarações médicas para os doentes dos grupos-alvo
a vacinar nos serviços de vacinação dos cuidados de saúde primários será decidida a nível
de cada ARS e DRS.
A aplicação informática SAM e outras utilizadas em cuidados de saúde primários permitirá o
acesso a um modelo de declaração específico para a vacinação pandémica, que é emitido,
caso a caso, por indicação do médico, para os doentes que cumprem os critérios que os
incluem no Grupo A, B ou C. Dentro do Grupo A, quando aplicável, o médico deve ainda
mencionar que o doente deve ser vacinado na 1.ª fase.
9 Direcções Regionais de Saúde das Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira
Direcção-Geral da Saúde Circular Normativa
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Tanto quanto possível, o processo deverá ser simplificado, não implicando,
necessariamente, uma consulta médica. Por exemplo, grávidas portadoras de “Boletim de
Saúde de Grávida” (Grupo A) e doentes diabéticos portadores do “Guia do Diabético”, em
que seja mencionada terapêutica actual com insulina (Grupo B), podem apresentar-se para
vacinação no período de vacinação do respectivo grupo-alvo.
Os profissionais considerados essenciais, devido aos serviços relevantes que prestam à
sociedade, serão vacinados no respectivo centro de saúde, mediante a simples
apresentação de declaração emitida pela DGS ou DRS e validada pela empresa ou
organismo a que pertençam.


5.3. Vacinação dos profissionais de saúde
A vacinação dos profissionais de saúde será, preferencialmente, feita no âmbito da medicina
do trabalho/saúde ocupacional de cada instituição de saúde.
Os procedimentos organizativos e operacionais da vacinação destes profissionais,
salvaguardados os critérios de prioridade definidos especificamente para esta vacina,
decorrerão nos mesmos moldes da vacinação com as outras vacinas recomendadas aos
profissionais de saúde (ex: gripe sazonal).
Os serviços de saúde devem fazer listas nominais (por categoria profissional) dos
profissionais que forem considerados elegíveis para vacinação em cada Grupo (A, B ou C),
de acordo com os critérios definidos. Nestas listas, à frente do seu nome, o profissional
selecciona a opção SIM ou NÃO, de acordo com a sua vontade de ser ou não vacinado, e
assina/rubrica.
Os serviços de Saúde Ocupacional organizarão a vacinação em função destas listas.
Selecção dos profissionais de saúde para vacinar
Todos os Hospitais (públicos e privados), Agrupamentos de Centros de Saúde (ACES) e
instituições de saúde, como, por exemplo, o Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge
(INSA), o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) ou o Instituto Português do
Sangue (IPS), farão a selecção dos profissionais de saúde essenciais e prioritários para
vacinação com a vacina Pandemrix®, na 1.ª fase do Grupo A.
Todos os outros profissionais de saúde com contacto directo com doentes pertencem ao
Grupo B para vacinação.
Grupo-alvo A – 1.ª fase
Os critérios para selecção de profissionais para a primeira fase de vacinação são a
especialização e especificidade da actividade desenvolvida e a dificuldade para a sua
substituição, caso venham a adoecer. São ainda considerados prioritários os profissionais
que prestam cuidados a doentes de alto risco (ver Anexo 1).
Listas de profissionais de saúde prioritários
As listas nominais de profissionais a vacinar devem ser enviadas às ARS e Direcções
Regionais de Saúde.


5.4. Registo da vacinação
As vacinas administradas nos centros de saúde aos utentes e aos profissionais devem ser
registadas no módulo de vacinação do SINUS e no Boletim Individual de Saúde (BIS), com
aposição do autocolante que acompanha as vacinas.
Direcção-Geral da Saúde Circular Normativa
Alameda D. Afonso Henriques, 45 - 1049-005 Lisboa - Portugal - Tel 218 430 500 - Fax: 218 430 530 - Email: geral@dgs.pt 9
Para agilizar o processo, aos utentes que não apresentem o BIS pode ser entregue a ficha
de vacinação do SINUS impressa, em alternativa à emissão de uma 2.ª via do BIS.
As vacinas administradas a profissionais de saúde devem ser alvo de um registo específico
no âmbito da Saúde Ocupacional, de forma a permitir calcular a cobertura vacinal por grupo
profissional.


5.5. Avaliação
Em cada instituição de saúde deverá ser feita a avaliação da cobertura vacinal por grupo
profissional e por serviço, que será enviada para o Departamento de Saúde Pública da ARS
respectiva.
A avaliação da cobertura vacinal da população por grupo etário será feita através do módulo
de vacinação do SINUS.
Francisco George (Director-Geral da Saúde)
(Fonte: Direcção-Geral da Saúde)


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publicado por servicodesaude às 16:24
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Gripe A - Circular DGS - Grupos-alvo para vacinação - Fases

Critérios de inclusão nos grupos-alvo para vacinação por ordem de prioridades (Grupo A, B ou C), tendo em atenção o desempenho de funções essenciais, o risco para complicações pós-infecção e a disponibilidade de vacinas.


Grupo alvo A

1.ª fase


Profissionais de saúde:
− que, pelo seu número, pela especialização e especificidade das suas funções, sejam dificilmente substituíveis;
− que prestem cuidados a doentes de alto risco (por ex. em unidades de transplantes);
− do INEM e ambulâncias do Sistema Integrado de Urgência Médica (profissionais envolvidos na prestação directa de cuidados);
− do Instituto Português do Sangue (profissionais envolvidos na colheita de sangue);
− da Linha Saúde 24 (enfermeiros agentes de linha);
Grávidas nos 2.º e 3.º trimestres (> 12ª semana de gestação), com patologia associada;
Titulares de órgãos de soberania e profissionais que desempenhem funções essenciais


2.ª fase
Pessoas com <65 anos

Asma moderada a grave, sob terapêutica crónica (pelo menos 3 meses, nos últimos 12 meses, com corticóides inalados em doses médias/altas4 ou sistémicos5 e/ou internamento por asma em 2009
Obesidade mórbida actual
⋅ Crianças ≥10 anos: IMC≥25
⋅ ≥10 anos e ≤18 anos: IMC≥35
⋅ Adultos: IMC≥40
Doença respiratória crónica desde a infância (ex: fibrose quística, displasia broncopulmonar)
Doença neuromuscular com compromisso da função respiratória (ex: distrofia neuromuscular)
Imunodepressão: transplantação, terapêuticas biológicas ou neoplasias hematológicas.
Grávidas dos 2.º e 3.º trimestres (>12ªsemana)
Coabitantes de crianças com idade < 6 meses portadoras de doença grave

• Excepcionalmente, outras pessoas portadoras de doença crónica grave, por analogia com as situações contempladas nos pontos anteriores


Grupo alvo B
Diabetes mellitus em tratamento com insulina
Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) e outras doenças respiratórias crónicas com
insuficiência respiratória crónica (ex: fibrose pulmonar, sequelas de tuberculose, pneumoconioses)
Doença cardiovascular: cardiopatia congénita, isquémica, hipertensiva, insuficiência cardíaca congestiva; excluindo hipertensão arterial isolada
Doença hepática: atrésia biliar, cirrose, hepatite crónica com alteração da função hepática e/ou terapêutica anti-viral
Doença renal: insuficiência renal crónica, principalmente em doentes em diálise
Doença hematológica: hemoglobinopatias major
Asma (doentes não integrados no Grupo A)
Terapêutica mantida com salicilatos em pessoas com idade ≤ 18 anos (ex: doença  reumática auto-imune, doença de Kawasaki)
Imunodepressão: primária, secundária (VIH), doentes não integrados no Grupo
• Excepcionalmente, outras pessoas portadoras de doença crónica grave, por analogia com as situações contempladas nos pontos anteriores.
• Profissionais de saúde em contacto directo com doentes
• Profissionais que esempenham funções essenciais (2.ª linha)

Grupo Alvo C
Doença crónica, à semelhança do recomendado para a vacinação contra a gripe sazonal
Obesidade (IMC≥29)
Crianças com idade ≤12 anos (ou ≤5 anos)
Dadores regulares de sangue
Estudantes de medicina e enfermagem (anos clínicos)
Profissionais que desempenham funções essenciais (3.ªlinha)

• Excepcionalmente, outras pessoas portadoras de doença crónica grave, por analogia com as situações contempladas nos pontos anteriores.

A declaração para os profissionais que desempenham funções essenciais é emitida pela DGS ou ARS ou DRS dos Açores e da Madeira.
Duas dádivas nos últimos 12 meses – Declaração emitida pelo Serviço de Sangue onde habitualmente faz a dádiva.


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publicado por servicodesaude às 15:14
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Gripe A - Ponto da situação em Portugal (DGS) - 14 Outubro

Na semana que decorreu entre 5 e 11 Outubro foram observados nos serviços de
saúde 2476 doentes com sintomas de gripe, independentemente dos vírus em causa.
Na semana em causa, estiveram internados 20 doentes, dos quais 4 em unidades de
cuidados intensivos. Estes 4 doentes já estavam internados na semana anterior.
Registou‐se, nesta semana ‐ dia 11 de Outubro ‐ uma morte provocada pelo vírus
H1N1*.
Relativamente à situação clínica, a maioria dos novos casos diagnosticados não teve
gravidade.
O Ministério reforça a indicação aos cidadãos para que, em caso de sintomas de gripe,
contactem de imediato a Linha de Saúde 24 (808 24 24 24) e sigam as indicações que
lhes são dadas.
O Ministério da Saúde faz, semanalmente, o ponto de situação da evolução da
infecção da Gripe A no seu site (http://www.portaldasaude.pt/). A mesma informação
pode também ser consultada no Microsite da Gripe, no site da Direcção‐Geral da
Saúde (http://www.dgs.pt).
* A morte registada a 12 de Outubro será considerada no próximo ponto de situação.
Lisboa, 14 de Outubro de 2009 (Fonte: Direcção-Geral de Saúde)


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Terça-feira, 13 de Outubro de 2009
Gripe A (H1N1): Introdução (por Maria Elisa Domingues) e Convidados

O programa Serviço de Saúde (2ª série) do dia 13 de Outubro debateu pela segunda vez o tema da gripe A.

Apesar do Outono ter chegado apenas no calendário e a maior parte do país continuar com temperaturas de Verão, a gripe A fez ontem a sua terceira vitima: uma jovem mãe de 32 anos, que estava nos cuidados intensivos do Hospital Curry Cabral, em Lisboa, há quase dois meses.

Era uma pessoa perfeitamente saudável, tal como o paciente que morreu no Hospital de São João, no Porto, há três dias, o que prova quão diferentes são os alvos e o comportamento deste vírus, em relação aos da gripe sazonal.
 
Ao mesmo tempo, nos últimos dias multiplicaram-se declarações de profissionais de saúde sobre a decisão de não serem vacinados, devido à alegada falta de segurança da vacina, que é no entanto fabricada segundo processos em tudo idênticos aos da vacina contra a gripe sazonal. O próprio bastonário da Ordem dos Médicos criticou “o excesso de alarme e de zelo” na resposta à gripe A, considerando-a “uma doença banalíssima”.
 
Estas atitudes daqueles que, pelo menos aos olhos da opinião pública, são os mais informados sobre a pandemia exigem, em nossa opinião, um debate esclarecedor com verdadeiros especialistas na matéria. Até porque o plano de vacinação começa no próximo dia 26 e muitas das pessoas incluídas nos grupos de risco – como, por exemplo, as grávidas – podem estar confundidas com a disparidade do que ouvem e do que lêem.
 
Os convidados de hoje são:
 
- A Pof. Dr.ª Cristina Sampaio, neurofarmacologista especialista em Farmacologia Clínica e directora da Unidade de Farmacovigilância de Lisboa e Vale do Tejo;
 
- O Dr. António Diniz, pneumologista, coordenador da Unidade de Imunodeficiência do Hospital Pulido Valente e, também, colaborador da DGS (Direcção-Geral de Saúde) e da ARS (Administração Regional de Saúde) de Lisboa e Vale do Tejo, especificamente na área da gripe.
 
- O Dr. Mário Freitas, médico de Saúde Pública, actualmente a fazer um doutoramento em Saúde Comunitária e delegado de saúde pública na ilha de São Miguel, nos Açores;
 
- O Dr. Rui Cernadas, médico de família, director clínico do Agrupamento dos Centros de Saúde Espinho-Gaia, que mais uma vez nos acompanha.

 

 

Vamos recordar o que pensam algumas das classes profissionais chave no combate à gripe A, e que influência essas pessoas; essas opiniões, podem exercer: Reportagem


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Gripe A (H1N1) - Reportagem "Vacina Gripe A" - Opiniões diferem na classe médica

Apesar da temperatura continuar alta, todos os dias ouvimos falar da gripe A. O vírus H1N1 é mais resistente com o frio, onde tem mais tempo de vida e, por isso, este São Martinho antecipado poderá estar a atrasar a propagação da doença.

Mesmo assim, aumenta o número de pessoas infectadas e, pouco a pouco, Portugal também tem contribuído para as estatísticas mundiais de mortalidade causada por este vírus.
Mas apesar de todos os avisos e planos de contingência, surgem algumas vozes discordantes, críticas relativas ao papel desempenhado pelas autoridades de saúde, desvalorizando inclusivamente a importância da gripe A:
 
“Nós estamos a falar tanto de uma doença que não passa de uma gripe. Ou seja, que é uma doença banal, pouco letal” – Pedro Nunes, Bastonário da Ordem dos Médicos (cortesia Antena 1).
 
Independentemente desta posição, as instruções da Organização Mundial de Saúde foram claras: em toda a parte, os profissionais de saúde devem ser os primeiros a receber a vacina contra o vírus H1N1.
 
A grande questão é que alguns dos profissionais essenciais para o funcionamento dos hospitais e, consequentemente, do Plano Nacional de Contingência, rejeitam ser imunizados. Entre outras questões, argumentam que têm medo dos possíveis efeitos secundários da vacina.
 
Guadalupe Simões (vice-coordenadora nacional dos Sindicatos dos Enfermeiros Portugueses): “A percepção que temos, é que haverá cerca de 50% dos enfermeiros que tomarão a decisão de não serem vacinados. É uma questão ética, da posição individual de cada um dos enfermeiros. E, portanto, ninguém pode ser obrigado a tomar a vacina.”
 
José Azevedo (Sindicato dos Enfermeiros): “Vacinas, nós não aconselhamos, nem há grupos prioritários para nós. E os enfermeiros, por aquilo que chega até nós, sem dúvida que não estão sensíveis a tomar a vacina.”
Do outro lado está o Sindicato Independente dos Médicos e a confiança que as autoridades de Saúde Pública fizeram todos os testes para garantir a segurança da vacina:
 
Carlos Santos (Sindicato Independente dos Médicos): “Houve com esta vacina e há com todos os medicamentos.
A FDA (Food and Drug Administration), a autoridade americana, obrigou que a vacina passasse por todas as etapas necessárias para a sua aprovação. A autoridade sanitária da União Europeia (EMEA) fez rigorosamente a mesma coisa. Portanto, não consigo compreender como é que qualquer profissional de saúde tem a ousadia de ir contra aquilo que está determinado por autoridades de seguro e reconhecido mérito científico, como é a FDA e a autoridade sanitária da união Europeia.
 
Posição que é partilhada pelos representantes de outros grupos prioritários:
 
João Valsassina (director do colégio Valsassina): “Penso que neste caso de prevenção da gripe há todo um conjunto de procedimentos que se alterou na escola mas que também se alterou no comportamento das crianças. E acho que são absolutamente saudáveis, que têm a ver com questões de higiene pessoal, que são importantes e válidas e que têm sido levadas “à risca” por todos.
Acho que apesar da polémica que pode haver com a vacinação, há uma coisa que não vai desaparecer, que é a prevenção. Acho que começa a estar na cabeça de toda a gente. Acredito nos pediatras, temos óptimos médicos e penso que aquilo que eles disserem deve ser seguido pela população portuguesa”.
 
Miguel Paiva (Associação Portuguesa de Asmáticos): “ Neste momento as pessoas devem é preocupar-se em fazer a vacinação, porque penso que neste momento não há um verdadeiro risco que deva alarmar as pessoas”.
 
Seja por este confronto de opiniões, seja por um excesso de informação, a poucos dias de começar o plano de vacinação contra a gripe A, em Portugal, as opiniões dividem-se entre aqueles que estudam medicina e enfermagem:
 
 “Provavelmente acho que optaria por tomar a vacina, mas acho que é uma decisão individual; de cada um”;
“Algumas pessoas podem não querer ser protegidos…, ou já tiveram…. É como todas as outras vacinas”;
“É uma gripe, que não é um vírus sazonal. É um vírus que até agora… É uma variante que ainda não era conhecida, por isso é normal que ainda não se saibam todas as complicações que o vírus possa vir a trazer”;
“ O pior é quando o médico diz que não tem a certeza se faz mal ou não; depois é ver ou não se compensa o risco”;
“Por agora, na minha opinião o melhor seria esperar e continuar com as medidas de prevenção, em vez de avançar já com uma vacina em massa”;
“Como aluno, e num ano que tenho contacto clínico hospitalar, também não me estou a ver a ir fazer a vacina, sinceramente.”
 
Em território nacional, estas dúvidas surgem numa altura em que em países como os Estados Unidos da América ou a Inglaterra, já vacinaram milhões de pessoas. E convém relembrar que até 4 de Outubro a Organização Mundial de Saúde tinha confirmado mais de 4500 mortes relacionadas com a gripe A:
 
Casos confirmados de Morte por Gripe A:
Europa – 193
América - 3292
Total Mundo – 4525 (4 de Outubro de 2009)
Fonte: Organização Mundial de Saúde (OMS)
 
Como se vê no mapa, a doença está literalmente nos quatro cantos do mundo e, por isso, a maioria dos países elaborou planos de vacinação em massa. Apesar dos avisos das autoridades de saúde nacionais e internacionais, ouviram-se ecos de dúvidas relativamente à segurança da vacina:
 
João Sequeira Carlos (presidente da Associação de Médicos Portugueses de Clínica Geral): “Para a gripe A – e ainda estamos numa fase de grande incerteza relativamente à vacina e em relação à própria doença, é preciso não esquecer; é natural que se instalem algumas dúvidas relativamente à vacinação. Se elas existem para outras doenças, é natural que no caso da gripe A também surjam estas dúvidas, numa fase de eminência de iniciar o programa de vacinação.”
 
Segundo a OMS, os resultados dos testes feitos até ao momento, sugerem que as vacinas contra a gripe A são tão seguras quanto as vacinas contra a gripe sazonal e que os efeitos secundários são também semelhantes.
Apesar dos argumentos, alguns profissionais de saúde defendem que a escolha da vacinação poderá caber a cada um. Outros, lembram o risco dessa decisão individual:
 
António Vaz Carneiro (Centro de Estudos de Medicina Baseada na Evidência): “O grande foco de infecção não está nos profissionais de saúde, está no público em geral.
É obvio que os profissionais de saúde ao lidarem com as pessoas mais doentes têm que ter mais cuidado.
A minha recomendação seria: “Sim senhor, vacinem-se!”, mas não vejo necessariamente como negativo ou reprovável que a pessoa não se queira vacinar”.
 
Margarida Tavares (infecciologista do Hospital da Luz): “Se um profissional de saúde puder ser vacinado e não se vacinar tem o risco acrescido de ter a doença e, por isso, tem também um risco acrescido de transmitir a doença aos seus doentes, às pessoas com quem contacta e até à sua família”.
 
Em Portugal, é no Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge que se estuda a evolução e possível mutação do vírus. Ensaios recentes sugerem que a vacina que vai começar a ser administrada é de facto a mais adequada.
 
Cristina Furtado (epidemiologista INSA Instituto Ricardo Jorge): Tanto quanto sabemos o vírus da gripe pandémica continua estável. Aliás, como Laboratório Nacional de Referência, mandamos as amostras clínicas e fazemos o isolamento do vírus que circula em Portugal e tivemos indicações da OMS, que o vírus que temos neste momento em circulação no nosso país é um vírus que foi, e que está a ser, produzido para a vacina.
 
Mas a gripe A também trouxe de volta à memória colectiva um episódio único na história de vacinação da gripe. Em 1976, um surto de gripe suína ocorreu numa base militar norte-americana, em New Jersey. O então presidente Ford, temendo uma nova onda de gripe como a gripe espanhola, e a fim de combater a doença, determinou a vacinação em massa da população. Foram vacinados cerca de 40 milhões de norte-americanos e pouco tempo depois surgiram relatos de centenas de pessoas que tinham sido vacinadas e que desenvolveram uma doença chamada de Síndrome de Guillain-Barré. No total, 25 mortos causados pela vacina.
De 1976 até hoje, o processo de fabrico das vacinas e seus testes evoluiu de tal forma que é um erro comparar as duas situações.
 
José Vale dos Santos (vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Neurologia): “Em relação à vacina os dados são um pouco contraditórios. Temos esse exemplo, no caso de 1976, que legitima essas preocupações, mas não vamos extrapolar esses dados para a nossa realidade de agora. É uma mera especulação. Não podemos fazer uma correlação directa”.
 
António Vaz Carneiro (Centro de Estudos de Medicina Baseada na Evidência): Se o argumento é, como já ouvi dizer – que a vacina é perigosa -, não é verdade. Gostava de alertar as pessoas para isso. Não temos nenhuma evidência científica que nos diga que esta vacina tem algum perfil de risco superior às vacinas que tomamos todos os Invernos.
A OMS aconselha todos os países que vão administrar as vacinas a realizar um acompanhamento intensivo e a relatar possíveis efeitos adversos.
No próximo dia 26 de Outubro, em Portugal, terá início a campanha de vacinação contra o vírus H1N1. Numa primeira remessa, estão disponíveis para Portugal 49 mil doses. Falta agora saber como vão agir os profissionais de saúde e qual a mensagem que estas opiniões contraditórias vão passar à população.


publicado por servicodesaude às 22:17
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Gripe A (H1N1) - Opiniões contraditórias das autoridades de Saúde

Gostava de fazer a todos a mesma pergunta. Depois de verem a reportagem e de ouvirem opiniões de médicos, de enfermeiros e as declarações do vosso bastonário – que não se disponibilizou para fazer mais declarações para esta reportagem – que efeito é que estas declarações podem ter no grande público?

Mário Freitas (especialista em Saúde Pública): Penso que neste momento a informação que a população tem recebido de diversos meios já lhe permite “distinguir o trigo do joio”.
Já toda a gente percebeu que estamos a viver uma situação preocupante a nível mundial. Mas isto é uma pandemia, não é um “pandemónio”. Requer preocupação e esforços conjuntos da sociedade e é fundamental que a comunidade intervenha.
Foi um grande passo que se deu, trabalhar com as escolas, porque sabemos que as crianças e as escolas constituem um dos principais meios de contágio. Também o readquirir hábitos de higiene vai ter benefícios secundários inevitáveis.
 
Ou seja, desvaloriza as opiniões de profissionais de saúde - quer de médicos, quer de enfermeiros - que dizem que não vão vacinar-se porque consideram que a vacina não é suficientemente segura?
Mário Freitas (especialista em Saúde Pública): Temos que valorizar as opiniões credenciadas e baseadas em evidências científicas.
E penso que em termos de evidências, a OMS é uma entidade suficientemente respeitável para acreditarmos quando esta declara uma Fase 6, de uma Pandemia.
Penso que o director-geral da Saúde e a senhora ministra da Saúde são pessoas com provas dadas e de reconhecida competência, que não nos andariam a fazer andar a perder tempo, com planos de contingência e outras medidas se isto não merecesse realmente atenção.
 
E o Comité Científico da Agência Europeia do Medicamento também tem a mesma opinião, não é?
Mário Freitas (especialista em Saúde Pública): Exactamente.
 
No entanto, este fenómeno não existe só em Portugal. Estas reacções contra a vacina surgiram noutros países, é preciso que se diga, nomeadamente em Inglaterra e em França.
No entanto, alguns desses países já tomaram medidas, como é caso do EUA e nem sempre as decisões dos órgãos colectivos da classe médica foram no sentido daquilo que aconteceu aqui em Portugal...
Mário Freitas (especialista em Saúde Pública): A comunicação é um aspecto muito importante. Não podemos esquecer que a comunicação em Saúde nunca pode ser contraditória.
Há aspectos de saúde pública que é preciso respeitar e as entidades de saúde pública nacionais e internacionais têm sido muito claras na mensagem que têm transmitido.
É preciso ter muito cuidado porque há pessoas que têm um papel na sociedade, demasiado relevante para dizerem informações completamente contraditórias relativamente ao que as instituições internacionais têm dito.
 
É também essa a sua opinião?
António Diniz (pneumologista no Hospital Pulido Valente): Estou de acordo com o meu colega.
Tenho a impressão em que há períodos em que se começa a instalar, de forma insinuosa, na sociedade, uma certa tranquilidade excessiva relativamente a esta questão.


publicado por servicodesaude às 21:06
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Gripe A (H1N1) - Certezas: pandemia diferente da gripe “sazonal” (1)

António Diniz (pneumologista no Hospital Pulido Valente): Gostaria de lembrar três ou quatro aspectos relacionados com as características deste novo vírus. Até para depois darmos o passo para a vacinação.

O que é que este vírus tem de diferente da gripe sazonal? É que é uma doença que, no essencial, é benigna. Os portugueses e o resto da humanidade podem ficar descansados que, com os dados já existentes e com a passagem do vírus pelo hemisfério sul, já se percebeu que, no essencial esta doença é benigna.
 
Há outro dado que se assemelha à gripe sazonal, é que é um vírus democrático, no sentido que afecta homens e mulheres e pode afectar crianças e idosos. Agora as semelhanças acabam aqui, porque não é assim tão democrático quanto isso.
 
O facto de ser uma nova estirpe faz com que as pessoas não estejam preparadas. Como nunca tiveram contacto com esse vírus não existe imunidade em ninguém. Isto é, aquilo que afasta este vírus da gripe sazonal é que habitualmente as pessoas conservam sempre alguma imunidade dos anos anteriores. Neste caso, a taxa de ataque – a percentagem de pessoas que num determinado período vão ser infectadas pelo vírus -, estima-se que possa ir até aos 30% da população, enquanto que na gripe sazonal anda por volta dos 10%.
 
Depois, ainda por ser um vírus novo, e pelo facto de não termos imunidade o vírus, propaga-se com muito mais facilidade e, nomeadamente, entre a população mais jovem.
 
Que é justamente aquela que circula mais?
António Diniz (pneumologista no Hospital Pulido Valente): Exactamente por isso; desde as crianças nas escolas, os jovens são os que mais viajam...
Cerca de 80% dos casos desta gripe pandémica ocorrem até aos 30 anos. Acima dos 65 anos até agora há apenas 2% de infectados. Portanto, estamos a falar de grupos etários completamente diferentes.


publicado por servicodesaude às 20:08
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Gripe A (H1N1): Certezas: pandemia diferente da gripe “sazonal” (2)

O que eu acho estranho nas declarações que algumas pessoas fizeram acerca da perigosidade da vacina é o facto de ninguém referir os estudos que já foram feitos com base no que aconteceu no hemisfério sul, em que houve países que já tiveram uma experiência de alguns meses de convivência com esta estirpe, nomeadamente a Austrália, a Nova Zelândia e alguns territórios sob administração francesa.

 
No caso da Austrália, por exemplo, acabou-se por concluir que a idade média das pessoas que morreram foi de 53 anos, o que é algo de diferente do que nos têm dito até agora…, embora numa gripe normal, costume ser de 83. 
António Diniz (pneumologista no Hospital Pulido Valente): Exactamente. Há pouco tempo tive acesso a um estudo dos resultados preliminares de mortalidade da gripe sazonal, em Portugal, feito por colegas do INSA (Instituto Nacional de Saúde dr. Ricardo Jorge) e 82% dos casos de mortalidade ocorreram acima dos 75 anos.
Numa gripe pandémica a faixa em que se prevê que haja ocorrências situa-se, no máximo, entre os 20 e os 49 anos. Não tem nada a ver.
É também sabido que mesmo relativamente à gripe sazonal as grávidas são mais susceptíveis, devido a perturbações hormonais e imunitárias, mas atenção: a gripe sazonal não tem a taxa de complicações que tem a gripe pandémica.
 
Isto não é assustar as pessoas, é dar a informação que já se dispõe, porque devemos todos colaborar. Não são só as estruturas de saúde que têm a obrigação de participar neste esforço.
Neste caso uma grávida tem o mesmo risco de contrair uma gripe pandémica que uma jovem não grávida, mas no caso de contrair essa gripe, o risco de ter complicações é quatro vezes superior. E isto deve levar as pessoas a adoptar medidas de saúde individual que contribuam para o colectivo.

 



publicado por servicodesaude às 19:15
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Gripe A (H1N1) - Vacinação: protecção individual e social

Fazer-se vacinar é proteger os outros, não é?

Rui Cernadas (médico de família): É isso exactamente que me leva a discordar da nota introdutória de hoje. Desde logo, porque a vacina tem exactamente essa característica. Quando preparamos uma viagem a um país com preocupações especiais em matéria de saúde temos que atempadamente preparar um conjunto de vacinas, sem as quais não nos deixam entrar no território.
 
É importante sublinhar que não estamos só a falar da protecção da pessoa que opta por fazer determinada vacina; estamos a falar da possibilidade de protecção que essa vacina oferece ao resto da comunidade. E esse é o aspecto que me preocupa mais. Os profissionais de saúde deviam ser os primeiros empenhados na prevenção da doença e na promoção da saúde.
 
Fiquei portanto preocupado com o que ouvi. Mas não deixo de destacar as afirmações na peça introdutória, do Dr. Carlos Santos, que é um prestigiado cirurgião e dirigente sindical. Ele falou em “ousadia” de não fazer a vacina, relativamente aos profissionais de saúde. Seria tão inconcebível hoje imaginarmos um cirurgião num bloco operatório a operar sem luvas, máscara ou touca – peças de protecção individual mas também do paciente que está do outro lado -, que aqui a vacina pode ser colocada num confronto muito semelhante.
 
Tive ocasião de ler dois estudos, um feito no Japão e outro em França. Este último em 40 lares (estamos agora a falar da população mais idosa) e, no caso de serem tratadas por pessoas que não se tinham vacinado, a possibilidade de contraírem a doença e, eventualmente, virem a morrer, duplicava. É uma enorme responsabilidade saber isto…
Rui Cernadas (médico de família): Se pensarmos que vamos a uma cafetaria comer e que a pessoa que nos vai servir não lava as mãos…. É claro que essa pessoa tem o direito de não o fazer, mas…
 
Essa questão das pessoas terem o direito de não serem vacinadas, pergunto-me se não se coloca a mesma situação para os jornalistas no que toca às fontes. Nós temos que proteger as fontes, devemos citá-las, mas nunca denunciá-las.
 Não seria mais consensual se os profissionais de saúde que não desejam ser vacinados, não o fizessem, mas que não o comunicassem publicamente, já que podem estar a influenciar o grande público que pensa que eles sabem mais?
Rui Cernadas (médico de família): Claro. E o que é preocupante é este espírito contraditório entre profissionais de saúde relativamente a alguns aspectos; o da vacinação inclusive.
Ainda a propósito da imagem de banalidade que se pode deixar transparecer, o Dr. António Diniz dizia há pouco que as duas gripes – a sazonal e esta – são diferentes. Até porque esta gripe não é sazonal; não temos um mês em que não haja milhares de casos em todo o planeta. Mesmo os países do hemisfério que não estavam a ser mais bombardeados, estiveram a sê-lo, tal como os que estiveram menos, continuam a sê-lo.
 
E apesar da doença ser pouco letal, o número de casos é de tal ordem importante que pode por em causa a própria resposta dos serviços de saúde.
Imaginar uma resposta fragilizada do SNS e ainda por cima com profissionais mais expostos, por prescindirem da vacinação, é altamente traumatizante para uma sociedade que aposta nos seus serviços de saúde.
 
Na Austrália, apesar de só ter havido 11% de hospitalizações de pessoas infectadas, o número de complicações foi tão grande e tão grave que os serviços de reanimação estiveram à beira da ruptura e as operações tiveram muitas delas que ser suspensas, nomeadamente aquelas que precisavam dos serviços de reanimação…
Rui Cernadas (médico de família): O próprio termo que se utiliza, de “onda pandémica” demonstra exactamente essa preocupação: num curto espaço de tempo, termos uma elevada taxa de ataque do vírus na população em geral.
É como se estivéssemos a falar que toda a chuva de um Inverno vai cair aqui numa semana e que vai dar inundações para as quais a sociedade não está preparada.


publicado por servicodesaude às 18:25
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Gripe A (H1N1) - Vacina: segurança, testes e fabrico

É na sua área, da neurologia e da neurofarmacologia, que se põem os maiores problemas, quando algumas pessoas dizem que não sentem segurança relativamente à vacina. E lembram que no passado algumas vacinas despoletaram algumas doenças do foro neurológico, como por exemplo o Síndrome de Guillain-Barré.

E nos E.U.A., há até (penso que não será mais do que um rumor) quem ligue algumas vacinas ao autismo, havendo hoje muitos pais que preferem não vacinar os filhos e esperar que estes venham a adquirir as suas próprias imunidades.
Cristina Sampaio (especialista em Farmacologia Clínica): Relativamente à gripe pandémica e à vacina, há aspectos que são muito particulares e que são absolutamente distintos da vacinação em geral.
Os preparativos feitos pela sociedade para ter vacinas prontas a tempo, obrigaram obviamente a medidas de excepção. E o público em geral devia-se congratular pelo facto das tecnologias estarem hoje disponíveis e por ser possível executar essas medidas de excepção. 
Mas hoje isso reverte numa das maiores críticas, que é: “a vacina foi feita à pressa, não foram feitos suficientes testes”…
Cristina Sampaio (especialista em Farmacologia Clínica): Não há dúvidas que existiram medidas de excepção. Posso explicar, porque sou membro do Comité da Agência Europeia do Medicamento que aprovou estas vacinas.
Não sou especialista em vacinas e o comité é generalista. Ou seja, tem outros grupos especializados nestas áreas e que informam o comité. Depois o comité toma decisões com base em peritos que têm um elevado grau de especialização.
Mas não há dúvidas que foram tomadas decisões com base em estudos preliminares, ninguém o nega.
 
Mas houve muitos testes e milhares de voluntários, tanto quanto sei…
Cristina Sampaio (especialista em Farmacologia Clínica): Houve, mas convém sublinhar que estes voluntários foram expostos a um vírus que não é o H1N1. Os testes foram feitos com o vírus H5N1, de forma a ter um vírus muito parecido mas que não é o vírus actual. Isto foi feito com base em simulações o mais próximas possíveis com a realidade.
Neste momento estão a ser produzidos dados e à medida que forem sendo disponibilizados irão substituir os dados que foram produzidos por simulação. Isto está a ser produzido praticamente em tempo real.
A informação que existe é a melhor informação possível; suficiente para se poder dizer que podem ser administradas com a segurança necessária.


publicado por servicodesaude às 17:34
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Gripe A (H1N1): Locais públicos e planos de contingência

Telefonema de Susana Castro, 38 anos, professora, de Lisboa:

Tenho um filho com seis anos e por indicação da pediatra foi-lhe indicado fazer natação através da escola, com mais alguns colegas. E agora foi desaconselhado, porque segundo ela, neste momento as piscinas são locais onde mais facilmente ele pode apanhar o vírus da gripe A. Mas estranhei, porque na escola fui a única mãe que levantou essa questão e a própria escola não tinha essa situação prevista. Pergunto se esta situação constitui de facto algum perigo?(Até para as escolas estarem alertadas e poderem informar melhor os pais). E pergunto ainda se as pessoas que tiveram gripe asiática - que penso ter ocorrido em 1950 e tal - se estão agora imunes ao vírus da gripe A?  (Tenho uma mãe com 76 anos e gostava de saber se está ou não imune contra a gripe A).
 
As piscinas são centros de incubação do vírus?
Dr. Mário Freitas (especialista de de Saúde Pública): Estamos a falar de uma realidade em concreto, não conhecemos o caso em particular do filho desta senhora. A colega pediatra poderá ter dado essas indicações com base nas características clínicas que essa criança tem e que não temos aqui presentes.
Em termos de saúde pública não há nenhum perigo em frequentar uma piscina, não maior do que estar num avião ou aqui neste estúdio. O importante neste momento é que todas as estruturas públicas tenham o seu plano de contingência. Toda a gente tem que estar preparada. E é mesmo toda a gente: as microempresas e as grandes empresas.
 
Quando sabemos que as grávidas têm um risco acrescido de terem complicações, isso implica por exemplo que, numa empres e numa fase de maior pico da doença, que se tenha que colocar essas mulheres a trabalhar em backoffice (retaguarda do trabalho, a partir de casa, por exemplo) e não em frontoffice. Isto é gestão de risco em Saúde. E só se faz com informação; se todos estivermos informados.
 
Somos um país de PMEs (pequenas e médias empresas). Se não informarmos maciçamente a população, não vão haver planos de contingência preparados para dar resposta à situação. As escolas têm. As piscinas, os ginásios e todos esses locais têm que ter planos de contingência, têm que estar preparados.


publicado por servicodesaude às 16:46
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Gripe A (H1N1) - Idosos com alguma imunidade

Quem pode responder à questão relativa à senhora com 76 anos e sobre se terá imunidade contra o vírus da gripe A?

António Diniz ((pneumologista no Hospital Pulido Valente): Durante uma boa parte da vida desta senhora com 76 anos, circulou mundialmente um vírus do tipo H1N1. É natural que permaneça algum resíduo de imunidade nessas pessoas.
Essa é uma das justificações para o facto de haver tão poucas pessoas afectadas pela gripe A em grupos etários mais elevados. Agora atenção: “algum” resíduo de imunidade, sublinho.
Relativamente à mãe daquela telespectadora: terá que avaliar junto do seu médico de famíliaqual é a sua situação, porque pode haver alguma questão sua, especial, que aconselhe a vacinação. Embora uma pessoa da sua idade, à partida, não esteja integrada nos grupos prioritários para vacinação.


publicado por servicodesaude às 15:56
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Gripe A (H1N1) - Opinião profissionais e estudantes de saúde

Ontem, num Conselho de Ministros da União Europeia, realizado no Luxemburgo, foram analisadas estas temáticas, e uma das recomendações que saíram do conselho, é que em termos de informação se evite, a todo o custo, o conflito de mensagens para o público. Tal facto pode ter uma grande importância naquilo que a opinião pública deve e tem necessidade de conhecer acerca de gripe A.

 
Na assistência estão vários estudantes de medicina. Ouviste a opinião de alguns colegas teus, estudantes de medicina e enfermagem, que não querem ou têm dúvidas se devem ou não ser vacinados. Qual é a tua opinião?
Tiago (estudante de Medicina): A minha primeira opinião é que as pessoas devem informar-se; o que não faltam é artigos. A própria Direcção Geral de Saúde tem uma página na Internet - www.dgs.pt - sempre bem actualizada.
Viémos para esta profissão para ajudar a sociedade, nomeadamente na área da saúde, isso significa estarmos preparados para a ajudar em qualquer situação.
Neste caso estamos a falar de uma pandemia e todos devemos estar preparados para actuar se necessário. E está previsto que possamos vir a actuar, caso os médicos existentes não sejam suficientes, não apenas como médicos, mas noutras funções, por exemplo na medicação.
 
Também és aluno do 4º ano e já tiveste contacto com casos clínicos...
Nuno (estudante de Medicina): O curso de Medicina é divido em vários ciclos; neste momento já estamos no ciclo clínico. Vamos estar durante todo o ano em contacto com os doentes.
 
Isso significa um acréscimo de responsabilidade, neste caso, o poder optar ou não pela vacina?
Nuno (estudante de Medicina): Penso que sim, que seja um acréscimo de responsabilidade. Mas neste momento todos os alunos de Medicina devem estar cientes do problema de Saúde Pública que hoje enfrentamos em Portugal e a uma escala mundial, como está demonstrado.
Na reportagem ouvimos opiniões divergentes entre os alunos de medicina e enfermagem. No entanto, é claro que todos estão cientes que o problema é global e que afecta a sociedade transversalmente.
Desta forma, penso que todos os alunos estão atentos a este problema e informados acerca da situação. Tentaram que o Plano de Contingência abrangesse todos os alunos não apenas pela luta contra o vírus mas para prevenir a contaminação de outras pessoas. Pensamos não apenas nas pessoas que nos contactam, mas também naquelas com que vamos contactar a seguir, já que passarmos a maior parte da nossa vida de estudante num hospital universitário.


publicado por servicodesaude às 13:03
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Gripe A (H1N1) - Grávidas – Segurança do Tamiflu e da Vacina

Telefonema de Carla Mogas, 35 anos, grávida, operadora de máquinas de venda automática, do Cacém:

Tenho um sobrinho com 15 anos que foi diagnosticado com gripe A. O resultado da análise soube-se hoje. Estive em contacto com ele durante toda a semana.
A minha irmã contactou com o delegado de saúde e ele perguntou se havia alguma grávida na família que tivesse estado em contacto com ele, e a minha irmã disse que sim. E o delegado disse que me contactaria porque eu teria que fazer a prevenção.
Entretanto, não fui contactada e liguei para a minha ginecologista e ela disse-me que eu teria que fazer o Tamiflu. E disse que ia proceder nesse sentido mas, entretanto, ligou-me a dizer que ninguém garante que eu possa tomar o Tamiflu, porque não sabem se poderá atingir o feto.
A minha questão é se ninguém sabe se é seguro até aos três meses de gravidez, o que é que poderei fazer? Ou até no caso de estar infectada?
 
António Diniz (pneumologista no Hospital Pulido Valente): Habitualmente não gosto de tecer considerações sobre casos concretos. Não vou contrariar as opiniões expressas, nomeadamente da obstetra que segue a senhora, porque podem existir vários factores que determinem a atitude que foi tomada.
 
O que posso dizer em geral – não me referindo a este caso em particular -, é que no final de Setembro a OMS colocou uma questão, que fez sair para a comunidade internacional e para a comunidade científica, em que já não aconselharia o Tamiflu profilacticamente.
E isto porque apesar de serem poucos os casos de resistência ao Tamiflu que foram detectados, a verdade é que numa percentagem significativa, esses casos de resistência ocorreram em pessoas que tinham usado o Tamiflu profilacticamente.
E a OMS, numa atitude de defesa, preferiu adoptar uma outra atitude estratégica que é seguir de muito perto as pessoas que fazem parte dos grupos de risco e, ao menor sinal de infecção, não fazer a profilaxia. Mas confirmar a existência da infecção e iniciar imediatamente o tratamento. Este procedimento é um procedimento igualmente seguro.
 
Repito: isto não se aplica ao caso concreto da senhora que telefonou, porque podem existir outras questões que, à distância é impossível conhecer. Mas qualquer que seja a medida adoptada, convém dizer que é seguro fazer o Tamiflu. O Tamiflu não induz problemas para o feto. Pode estar tranquila, vai tudo correr bem.
 O risco de complicações nas grávidas, caso contraiam a gripe A -, vai aumentando com o período de gravidez e é maior no segundo e no terceiro trimestre.
 
E é por isso que neste primeiro contingente de vacinas que começa no dia 26 de Outubro não estão contempladas as grávidas no primeiro trimestre; só as do segundo e terceiro.
 
António Diniz (pneumologista no Hospital Pulido Valente): Exacto. E só estão contempladas neste primeiro contingente - das tais 49 mil doses -, as grávidas que ainda acumulem outro factor de risco. Ou seja, as grávidas que tenham patologia associada. As outras vão ser logo a seguir vacinadas.


publicado por servicodesaude às 12:11
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Gripe A (H1N1) - Pandemia geradora de pneumonias violentas

António Diniz (pneumologista no Hospital Pulido Valente): Estamos na primeira pandemia do século XXI e estamos na primeira pandemia da era da Internet…

É bom e é mau.
António Diniz (pneumologista no Hospital Pulido Valente): É, mas acho que fundamentalmente é bom.
Mas as pessoas também vão buscar certos receios a blogues que são alimentados por vezes de forma menos judiciosa e científica…
 
António Diniz (pneumologista no Hospital Pulido Valente): Sim, masnão tenho dúvida nenhuma que o Serviço Nacional de Saúde vai mostrar o que vale.
É também a primeira pandemia que tem tratamento. Não é só o facto de a vacina ter uma metodologia completamente diferente da que foi usada anteriormente. É a informação que circula muito mais rapidamente; é o tratamento que é pela primeira vez disponibilizado.
Dos casos que infelizmente tiveram um desfecho fatal (segundo um estudo que ontem li no Journal England of Medicine – uma referência para nós médicos); que se reportam a Abril/Junho, nos EUA, uma das conclusões mais interessantes é que as pessoas que tiveram complicações mais graves, incluindo a morte, não fizeram o Oseltamivir ou Tamiflu, nas primeiras 72 horas.
Daí a tranquilidade que nos pode dar: se uma pessoa tiver sintomas, e estiver infectado, mas iniciar logo o tratamento, é a garantia que poderá ter uma evolução favorável.
 
Embora haja várias excepções, não é? Daqui a pouco estamos na versão do Dr. Bastonário, de que isto é “uma doença banalíssima…” e que corre tudo bem. Nem medo a mais, nem alarmismo. Mas não esquecer que ao mais pequeno sinal deve-se contactar imediatamente as autoridades de saúde.
Estas pessoas que morreram em Portugal, e que têm morrido nos outros países, têm morrido com pneumonias, do tipo viral, e por isso muito mais difíceis de combater. Li descrições de médicos australianos, com 35 ou 40 anos na área da reanimação e dos cuidados intensivos, que dizem que nunca viram casos com tanta violência noutro tipo de gripes.
Penso que a grande diferença entre esta gripe e a sazonal é que embora a sazonal dê complicações e muitas mortes todos os anos, como sabemos, dá pneumonias que no geral são de origem bacteriana, apesar de tudo bastante mais fáceis de combater.
A gripe A tem tendência a, quando origina pneumonias, serem de origem viral, extremamente rebeldes e que, mesmo em pessoas saudáveis, algumas não conseguem sobreviver. Julgo que esta é uma diferença que se pode estabelecer. Está correcta?
António Diniz (pneumologista no Hospital Pulido Valente): Está, no essencial.


publicado por servicodesaude às 11:26
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Gripe A (H1N1): Vacina – segurança e efeitos secundários

Há aqueles casos de pessoas que não querem ser vacinadas porque têm medo de síndromas do foro neurológico, descritos em situações diversas, como aquele caso que ocorreu nos anos 70, nos EUA, em que 25 pessoas acabaram por morrer devido a esse síndroma de Gillian-Barré. Mas agora é tudo diferente, é preciso esclarecer.

Cristina Sampaio (especialista em Farmacologia Clínica): Antes de mais, a síndroma de Gillian-Barré é uma “doença” neurológica, com determinados sintomas.
As pessoas perdem a força, têm um conjunto de sensações esquisitas e uma alteração na sensibilidade. E têm uma alteração no sistema nervoso autónomo. Ou seja, perdem a capacidade de controlar a tensão arterial mas, sobretudo, o que é mais grave, é que a falta de força vai progredindo - dos membros inferiores até aos membros superiores - e atinge também os músculos que são responsáveis pela respiração.
Muitas vezes, quando chegam a esse ponto, as pessoas precisam de ser ventiladas. E podem obviamente morrer, não só pela dificuldade respiratória – que pode ser superada pelo ventilador – mas também pelo descontrolo do próprio ritmo cardíaco e da tensão arterial. É, portanto, uma situação globalmente grave.
 
Hoje em dia é possível ser tratada e é raro que se atinjam estas complicações todas. Quando as pessoas são internadas e tratadas em serviços qualificados, de um modo geral não se atingem todas estas complicações e as situações são controladas.
 
A síndroma de Gillian-Barré não é específica de quadros vacinais. É muito raro que aconteça numa situação pós-vacinal. E quando estamos a falar de vacinas, estamos a falar de qualquer vacinação, não exclusivamente da gripe.
Contudo, os casos que aparecem nos serviços de neurologia - e todos os anos aparecem -, vêm na sequência de um stress, normalmente infeccioso, e a bactéria que mais causa a síndrome de Gillian-Barré, causa uma gastroenterite.
 
É uma doença neurológica bastante conhecida; rara. Calcula-se que em Portugal haja um em 100 mil casos, portanto haverá cerca de 20 casos por ano.
No Serviço de Neurologia do Hospital de Santa Maria, onde trabalho, há cerca de um a dois casos, o que corresponde ao que é esperado.
 
É muito mais possível que a síndrome surja como consequência de uma gastroenterite do que propriamente no seguimento da vacina contra a gripe A.
Cristina Sampaio (especialista em Farmacologia Clínica): Sem dúvida. Na vacina da gripe A neste momento não há experiência. Veremos. Neste momento a expectativa é que não exista nenhum.
 
O que aconteceu nos EUA, nos anos 70, é que foram vacinados cerca de 40 milhões de americanos num espaço extremamente curto. E de facto foram registados cerca de 500 casos com a síndrome de Gillian-Barré, dos quais morreram 25 pessoas. Isto foi um resultado considerado inusitado porque correspondeu a mais 10% dos casos do que se esperaria, naquele ano. Mas depois de estudos feitos, concluiu-se que afinal teriam sido apenas duas a três vezes superiores. E ainda está por explicar o que de facto terá causado esta subida do número de casos.
 
De qualquer forma, actualmente o processo de fabrico é completamente diferente. E desde aí nunca mais se observou qualquer subida de casos da síndrome associados a qualquer programa de vacinação.
Não se registaram nenhuns casos associados à gripe sazonal e esta é produzida exactamente da mesma forma que a vacina da gripe A.
 
E são dadas cerca de 400 milhões de vacinas, todos os anos, nos dois hemisférios, tanto quanto sei; ou seja, 800 milhões de vacinas todos os anos.
Cristina Sampaio (especialista em Farmacologia Clínica): Exactamente. Existem imensos estudos quer no sistema de registo americano, quer no sistema de registo europeu; e são concordantes.
 
Por isso, neste momento e de acordo com a nossa melhor informação, não esperamos que possa haver um aumento desta síndrome em virtude da vacinação contra a gripe A. E estamos a monitorizar, obviamente. Mas não estamos focados nesta síndrome como se fosse a nossa maior preocupação.
 
Vamos monitorizar a segurança da vacina em parceria com os seus produtores. Existe um programa de gestão de risco da segurança da vacina, que está bem planeado, porque não esperamos que o risco seja zero. Isso seria ridículo.
Todas as vacinas têm uma taxa de possíveis efeitos adversos, absolutamente razoáveis. E esperamos confirmar se as nossas expectativas estão certas. Se não esperássemos qualquer efeito adverso a vacina seria completamente ineficaz.


publicado por servicodesaude às 10:38
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Gripe A (H1N1): Vacina para pandemia ou antipneumocócica

Telefonema de Alda Baptista, 40 anos, empregada doméstica, da Bairrada:

A minha filha já teve várias pneumonias, entre as quais uma pneumonia atípica, não muito bem explicada, depois outra, que a médica disse que era uma espécie de teias de aranha nos pulmões. E ainda uma terceira.
Na altura o médico aconselhou a fazer a Pneumo 23 que tem uma validade de cinco anos, e foi feita. Gostaria de saber se devo reforçar novamente com a Pneumo 23 ou se seria mais aconselhável a vacina da gripe A?
 
Rui Cernadas (médico de família): Relativamente à Pneumo 23, a validade da vacina é por cinco anos, portanto, para termos verdadeiramente um indivíduo com taxas de imunidade razoáveis terá que haver revacinação de cinco em cinco anos.
Relativamente à vacina da gripe sazonal elas deverão ser aplicadas em conjunto, uma vez que têm características especiais. Se não houver o cuidado de as fazer em simultâneo terá que haver um espaçamento de pelo menos quatro ou cinco semanas entre elas.
 
No que toca à vacinação contra o vírus da gripe A, se só tiveram estes antecedentes, provavelmente não corresponderão aos grupos prioritários.


publicado por servicodesaude às 09:39
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Gripe A (H1N1) - Elevado número de casos nos Açores

Porque é que houve tanta gente infectada nos Açores? Penso que temos um universo de cerca de 20 mil pessoas infectadas no país e praticamente 2 mil pessoas só nos Açores, o que em termos de população parece um número muito elevado.

Sabe-se que o vírus se propaga com mais facilidade com o frio e com a humidade e sabemos que os Açores possuem uma grande humidade. É esse o factor explicativo ou são outras as causas?
 
Dr. Mário Freitas (especialista em saúde Pública): São outras causas. O que aconteceu e o que acontece é que quem vai daqui para lá se calhar enfrenta um risco menor do que se vier dos Açores para aqui.
A intervenção na comunidade exige uma vigilância epidemiológica muito atenta. Mesmo no que toca à gripe sazonal os Açores comportam-se habitualmente de forma diferente relativamente ao continente. A curva epidémica nos Açores tem sempre um atraso de duas ou três semanas.
Aqui passou-se algo de semelhante. Houve um aumento do número de casos no mês de Agosto no Continente e nos Açores foi em meados de Setembro. Isso teve a ver com o regresso às aulas e também com alguma falta de vigilância epidemiológica por falta de recursos humanos, que não permitiu uma determinada actuação a tempo e horas. Isso aconteceu apenas num determinado local da ilha, tendo sido encerrada uma turma. Mas essa decisão que tomei acabou por revelar-se de uma eficácia extrema.
 
Inicialmente apareceram três casos, em tudo semelhantes: pertenciam à mesma turma, jogavam na mesma equipa de futebol e viviam perto uns dos outros. Quando aparece um quarto caso, que não tem as mesmas características mas é da mesma turma, resolvemos suspender as aulas durante cinco dias. Ao quinto dia de incubação, há mais um aluno que aparece contaminado.
O que temos que pensar é que, se não tivéssemos suspendido aquela turma, tinha havido uma sucessão, como acontece epidemiologicamente nestas situações.
As pandemias nunca surgem tipo praga de gafanhotos; vão surgindo… uma sala, depois outra sala, depois a sala ao lado... e a determinada altura já são tantas salas que já não é possível controlar.
 
É preciso agir com atenção e atempadamente, não é?
Dr. Mário Freitas (especialista em saúde Pública): Para aquelas pessoas que sistematicamente desvalorizam o trabalho que todos estamos aqui a fazer, dizem: “esta gripe é menos importante que a gripe sazonal”.
Contudo, acho que já valeu a pena, porque está-se a dar valor às complicações e à mortalidade associada à gripe sazonal. E nunca, como hoje, se receitou tanto a vacina antipneumocócica, que é uma vacina que salva muitas vidas em determinados grupos etários e que é fundamental que seja dada aos grupos de risco.
 
 


publicado por servicodesaude às 08:43
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Gripe A (H1N1) - Ficha Técnica

 

Autoria, coordenação e apresentação
Maria Elisa Domingues
 
Convidados
Cristina Sampaio
António Diniz
Rui Cernadas
Mário Freitas
 
Reportagem
Buenos Aires Filmes
 
Produção
Miguel Braga
 
Pesquisa
Alexandra Figueiredo
Catarina Fernandes
Miguel Braga
 
Jornalistas
Miguel Braga
Catarina Fernandes
Raquel Amaral
 
Imagem
Gonçalo Roquette
Filipe Lopes graça
Arquivo RTP
 
Edição
Teresa Mota
 
Pós-produção vídeo
Sara Nolasco
 
Pós-produção Audio
Miguel Van Kellen
 
Gestão e edição de conteúdos Internet
(Portal SAPO)
Natacha Gonzaga Borges
 
Atendimento telefónico
Marta Abreu
João Serôdio
Lúcia Farracho
Rita Silva
 
Câmaras
Nuno Freitas
Elias Barbosa
João Melo
Adelino Nogueira
João Sardinha
 
Mistura de Imagem
João trindade
 
Controlo de Imagem
José Manuel
 
Som
Nunes cachado
Tiago Correia
 
Iluminação
Armindo Caneira
 
Electricista
Jaime Correia
 
Técnicos de Electrónica
José Borges
Rui Loureiro
 
Assistentes de Operações
Carlos Pereira
José Araújo
José Machado
 
Caracterização
Fátima Tristão
Ana Filipa
 
Assistente de guarda-roupa
Paula Silva
 
Assistentes de Artes Visuais
Bruno Silva
Eurico Lourenço
Luís Marques
 
Registo Magnético
Vasco Rio Ferreira
 
Gerador de Caracteres
Manuel Barreiro
 
Teleponto
Luís Pereira Torres
 
Genérico e Grafismos
Nicolau Tudela
Teresa Martins
 
Música genérico
Ari de Carvalho
 
Assistente de Realização
Pedro Valladas Preto
 
Anotadora
Dinah Costa
 
Chefe Técnico de Produção
Melo Pereira
 
Criação cenográfica
Gil Ferreira
 
Execução cenográfica
Isabel Rodrigues
 
Produção
Paula Paiva
 
Realização
Pedro Miguel Martins


publicado por servicodesaude às 07:47
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Terça-feira, 6 de Outubro de 2009
Cancro colo-rectal: Introdução (por Maria Elisa Domingues)

O cancro do cólon e do recto é a primeira causa de morte por cancro em Portugal.

Trata-se do único país no mundo ocidental onde tal acontece.

Todos os dias 10 pessoas morrem devido ao cancro colo-rectal, que constitui assim um grave problema de saúde pública no nosso país.
 
O que mais surpreende nestes números é que este tipo de cancro é, em princípio, uma das neoplasias mais fáceis de ser prevenidas; logo, evitadas.
 
Este tumor começa por ser um ou vários póliplos benignos, que demoram muitos anos a tornarem-se malignos e que, mesmo então, se detectados num estádio precoce, têm grandes hipóteses de ser curados.
 
Porque não param então os casos de aumentar e há cada vez mais portugueses a morrer? Por falta de prevenção, apenas isso.
 
A quantos de vós, com 50 anos ou mais, o médico de família já mandou fazer o rastreio de cancro colo-rectal? Muito poucos, como pudemos constatar, colocando a questão a algumas dezenas de pessoas. E, no entanto, tal como a mamografia ou o exame da próstata, a partir desta idade, 50 anos, o exame devia ser obrigatório.
 
Só agora a Administração Regional de Saúde da Região Centro arrancou com um plano de rastreio que decorrerá por fases, ao longo de vários anos, e depois se estenderá ao resto do país. Antes, houve experiências de rastreio restritas, desenvolvidas com esforço por serviços locais e que nem sempre resistiram às adversidades, como foi o caso de Mirandela e do Hospital Egas Moniz, em Lisboa; e também no IPO da capital, e no Serviço de Gastrenterologia do Hospital de Faro, onde ainda prossegue.
 

Antes do debate com especialistas e doentes, vamos contar algumas histórias da vida antes do rastreio e como poderá mudar depois: Reportagem



publicado por servicodesaude às 23:53
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Cancro colo-rectal: Reportagem

 

Maria dos Santos nunca imaginou que estivesse reformada aos 52 anos. Mulher do campo, sempre encontrou na fé a força necessária para lutar contra as adversidades da vida.
Há dois anos, recorda, começou por sentir-se cansada, mas atribuiu a falta de energia ao peso da idade. O problema começou com uma ida à casa de banho:
 
Maria dos Santos (52 anos): Um belo dia, perto da Páscoa, deu-me uma dor de barriga e fui à casa de banho. E quando me levantei vi a sanita cheia de sangue.
Nunca me tinha acontecido aquilo, não me saía da acbeça e um dia liguei para o posto médico e marquei uma consulta.
 
No posto médico marcaram um exame - uma colonoscopia -, à qual foi com a filha pois tinha medo de não conseguir guiar de volta para casa:
 
Maria dos Santos (52 anos): Qual não é o meu espanto, quando estava a fazer o exame e o médico me diz que tinha que ser operada o mais depressa possível. Aquilo caiu-me como um balde de água fria por mim abaixo. Não estava nada à espera.
 
Maria sabia agora que tinha um cancro colo-rectal, um tumor maligno que afecta o intestino grosso, mas pouco ou nada sabia sobre a doença e suas consequências. E as palavras dos médicos continuaram a surpreende-la:
 
Maria dos Santos (52 anos): Disseram-me: “Pode tratar dos papéis para a reforma”. E eu fiquei a pensar: “O quê; já? É assim tão grave?”
 
A situação era de facto grave. Fez quimioterapia e radioterapia, que a deixaram muito debilitada. A recuperação foi muito difícil, até porque lhe retiraram parte do intestino e, durante quinze dias, teve com um saco criado artificialmente no abdómen para a saída das fezes.
Maria contou sempre com o apoio da família e agarrou-se à fé para passar os momentos menos bons. Hoje, olha para trás e lembra que nem todos sobreviveram ao pesadelo:
 
Maria dos Santos (52 anos): Acho que foi um sonho mau. E depois olho para trás, para pessoas mais novas que eu, algumas andaram comigo a fazer quimioterapia e já cá não estão.
 
Maria dos Santos faz parte duma dura realidade no nosso país. Todos os anos cerca de 7 mil pessoas são diagnosticadas com cancro colo-rectal e metade dessas pessoas morrem, o que representa 10 mortos por dia, por causa desta doença no nosso país.
Esta elevada mortalidade transformou o cancro colo-rectal na primeira causa de morte por cancro em Portugal, tendo inclusivamente superado o cancro do pulmão.
 
A troca de uma alimentação mediterrânica por comidas menos saudáveis, o sedentarismo, o aumento da esperança média de vida, é um somatório de causas para estes números alarmantes, mas sendo uma doença verdadeiramente diagnosticável e tratável, o que tem falhado em Portugal é a prevenção ou, se quisermos, diagnósticos precoces, como foi o de Maria Santos ou de João Gomes.
A remoção de eventuais póliplos, detectados atempadamente, poderá evitar até 85 por cento das mortes por cancro colo-rectal.
 
João reparou que os intestinos não estavam a funcionar correctamente e por isso marcou uma consulta no médico de família. Seguiu-se uma colonoscopia e a certeza de que tinha agido correctamente:
 
João José Gomes (62 anos): Às vezes a pessoa sente que tem que fazer alguma coisa, para detectar alguma doença que tenha. Tive essa sorte, de dizer logo à médica o que sentia e de ela também ser inteligente e me mandar logo fazer aquilo.
Se tivesse esperado mais um ou dois anos era capaz de já não ser viável fazer a operação. Ou fazê-la mas ficar com “um saco” para toda a vida.
 
O resultado do exame determinou que João Gomes tinha cancro do cólon. Fez quimioterapia e radioterapia antes de ser operado e voltou à quimioterapia depois da operação; uma altura complicada em que sentiu de perto a morte:
 
João José Gomes (62 anos): “Se eu tive medo morrer?” Todos nós andamos cá para morrer, mas quanto mais tarde melhor.
 
Este homem de 62 anos superou o cancro mas a mulher, um ano depois, não sobreviveu a um cancro do pulmão.
Nos dias de hoje tem na companhia do filho, o João Pedro, de 19 anos, muito mais que uma razão para viver:
 
João Pedro Simões (19 anos): Não foi fácil, mas tive de o apoiar, cá em casa, fora de casa… acho que estamos muito mais unidos.
 
Luís Pires vive na localidade de Eixo, em Aveiro, e recorda a doença que o atingiu há quase 10 anos. Na altura, diz, não se falava tanto do cancro do cólon. Talvez por isso não tenha sido fácil e rápida a detecção da doença. Tinha dores abdominais e sangue nas fezes:
 
Luís Pires (65 anos): Sei lá quantos exames fiz, para no fim dizerem que era hemorróidas. A conclusão da médica no inicio foi “não encontramos nada; em princípio é hemorróidas…”. Mas eu mesmo assim não me convenci.
Então perguntaram-me se eu queria fazer outro exame, que seria mais doloroso. E então fui fazer a colonoscopia e foi aí é que recebi o resultado.
 
Nunca antes de ter cancro Luís tinha feito uma colonoscopia. E hoje, depois de ter feito mais de 10, continua a dizer que é um exame difícil e doloroso. Mas Luís sabe também que este exame pode salvar vidas:
 
Luís Pires (65 anos): Qualquer pessoa que tenha qualquer sintoma, deve perder a vergonha e ir fazer logo este exame. É a coisa mais importante para se poder detectar logo no início, porque se deixam avançar… é perigoso. É o que eu digo a qualquer pessoa porque toca a todos.
 
Luís, como João ou Maria, tem agora a vida mais tranquila e mais cuidada. Os hábitos alimentares alteraram-se e todos os anos são vigiados.
Em Dezembro do ano passado, a Administração Regional de Saúde do Centro deu inicio a um programa de rastreio do colo e recto em dezenas de centros de saúde da região.
 
O critério de selecção para fazer o exame é apenas o da idade. Estão a ser chamados aos centros de saúde todos os que têm entre os 50 e os 70 anos, com ou sem sintomas.
O objectivo é lutar contra a pior taxa de mortalidade deste cancro na Europa e garantir o diagnóstico e o tratamento precoce das situações detectadas.
O rastreio piloto é baseado no teste de pesquisa de sangue oculto nas fezes, muito embora a colonoscopia seja encarada como o exame por excelência para este tipo de patologia.
 
Manuel António Silva (Director IPO de Coimbra): Foi muito ponderado no grupo de trabalho da ARS, que preparou o início do rastreio; foi muito debatida essa questão. E nós não somos claramente um país para começar um rastreio do cancro colo-rectal com uma colonoscopia. Em termos económicos é impossível. E assim conseguimos fazê-lo através deste método: pesquisa de sangue oculto nas fezes.
 
Apesar de este ser o cancro que mais gente mata em Portugal, critérios económicos prevalecem sobre os da eficácia, até porque Portugal não tem meios para optar por um rastreio de colonoscopia em massa. Por isso, mesmo no início do ano, a ministra da Saúde classificou este programa de rastreio de “audacioso” e afirmou que, de futuro, deverá ser alargado a todo o país.


publicado por servicodesaude às 23:30
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Cancro colo-rectal: Apresentação dos Convidados

Prof. José Manuel Romãozinho – Chefe do Serviço de Gastrenterologia dos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC) e professor da mesma cadeira na Universidade de Coimbra.

 
Dr. Rui Cernadas - Médico de família, director do Agrupamento dos Centros de Saúde Espinho/Gaia, além de médico de Medicina do Trabalho.
 
Prof. Carlos Nobre Leitão – Director clínico e coordenador de Gastrenterologia no Hospital Lusíada, em Lisboa, e ex-presidente da Sociedade Portuguesa de Endoscopia Digestiva.
 
Dr. João Pimentel - Licenciado e doutorado em Medicina pela Universidade de Coimbra, chefe do Serviço de Cirurgia Geral dos HUC e professor associado da mesma universidade.


publicado por servicodesaude às 22:45
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Cancro colo-rectal: Diagnóstico - colonoscopia e pesquisa sangue fecal

Tanto o Prof. José Manuel Romãozinho como o Dr. João Pimentel participaram num grupo de trabalho cujas decisões finais estão na base da implementação de um grupo de rastreio, que está a ser implementado numa região vasta do Centro do país.

 
Como sabemos há três métodos de rastreio do cancro colo-rectal: o método de procura de sangue oculto nas fezes, o método da colonoscopia esquerda – que só abrange aquela parte do intestino onde aparecem mais póliplos, cerca de 75% - e ainda a colonoscopia geral, completa. 
Gostava de perguntar aos dois se estiveram de acordo com este critério, ou se foram “vencidos” no grupo de trabalho? (Sabemos que estas situações acontecem…. As decisões são obtidas por maioria num grupo de trabalho…)
 
José Manuel Romãozinho (Prof. Faculdade de Medicina de Coimbra): O cancro colo-rectal constitui um verdadeiro flagelo nacional.
Existem métodos de rastreio possíveis, desejáveis e ideais. O método ideal é indiscutivelmente a colonoscopia total, executada a cada 10 anos. Aliás, como se pratica em alguns países, nomeadamente nos E.U.A., na Áustria, na Alemanha mas também, curiosamente, no Chipre e na Grécia.
Existe depois o método, se calhar o mais adequado para Portugal, segundo a Sociedade Portuguesa de Endoscopia Digestiva, que eu subscrevo (e também já fui presidente desta sociedade) que é a colonoscopia esquerda, de cinco em cinco anos, tendo em conta os recusos humanos e técnicos disponíveis no nosso país.
Por último, existe o método possível, que comporta despesas mais reduzidas e que foi o método adoptado por 11 Estados-membros da União Europeia, incluindo o governo nacional.
Este método é um método de pesquisa anual, ou bianual, de sangue oculto nas fezes, completado com a colonoscopia, nos casos que são positivos. Não é o método ideal, nem desejável; será o método possível.
 
Mas não é o método que mais tranquiliza o médico?
 
José Manuel Romãozinho (Prof. na Faculdade de Medicina de Coimbra): De maneira nenhuma. Na minha perspectiva não.
Nós temos duas atitudes perante o diagnóstico do cancro colo-rectal. Se visarmos apenas a taxa de mortalidade, o objectivo menos ambicioso, então a pesquisa de sangue oculto das fezes, seguida pela colonoscopia - nos casos positivos -, será o método possível.
No entanto, se formos mais ambiciosos e se visarmos a prevenção; e quisermos reduzir a incidência de cancro colo-rectal no país, temos que recorrer aos métodos endoscópicos, porque são os únicos que, ao permitir a remoção atempada dos póliplos – que são os percussores do cancro -, permitem prevenir o cancro e evitam o sofrimento associado ao cancro.
 
O sofrimento mas também os custos económicos associados ao cancro; que muitas vezes parece que nos esquecemos…
 
José Manuel Romãozinho (Prof. na Faculdade de Medicina de Coimbra): Em Portugal, segundo dados de 2006, comporta um custo individual de 30 mil euros.
Queria referir no entanto que a colonoscopia total, de 10 em 10 anos, pelos custos que comporta (estima-se que se esse método fosse usado em Portugal, comportaria um custo anual entre 50 a 75 milhões de euros)  e o número de colonoscopias totais que teriam que ser feitas por ano no nosso país – cerca de 360 mil – levam-me a julgar que não temos nem recursos humanos nem técnicos para isso.
 
Mas temos meios para a colonoscopia esquerda, de 5 em 5 anos. É um exame quepermite prevenir o cancro, mas como foi o governo que optou e temos com certeza que ter em consideração custos económicos, optou-se então pelo método que exige recursos mínimos.
Mesmo assim, e tendo em conta o todo nacional - e se o teste for estendido ao todo nacional – estima-se um custo entre os 12 e os 15 milhões de euros.
 
De qualquer maneira é bem melhor termos algumas experiências restritas, do que não ter nada…
José Manuel Romãozinho (Prof. na Faculdade de Medicina de Coimbra): Diria que nem é o bom, nem o óptimo; é o suficiente.
 
Está de acordo com o que disse o seu colega?
João Pimentel (Prof. da Faculdade de Medicina de Coimbra): Estou. Nós quando discutimos este assunto, em reunião de grupo, os argumentos a favor e contra tinham que ser postos em cima da mesa, e foram-no.
 
Tínhamos por um lado, a possibilidade do rastreio ideal, através da colonoscopia total, de 10 em 10 anos, ou um rastreio possível, que é este. E fazer um rastreio ideal que seria impossível, pela saturação de meios e serviços no nosso país, optámos por este método que, pelo menos – esperamos que sim -, nos vai pelo menos reduzir a mortalidade.
Já reduzir a incidência (número de novos casos), aí já não sabemos bem… mas entre termos o ideal, ou não termos nada, pelo menos temos o possível.
Estes argumentos foram esgrimidos, discutidos e achámos esta solução de consenso.
 
Por outro lado, pensamos que se a própria população começar por uma pesquisa de sangue oculto nas fezes, aderirá mais do que se for sugerido fazer uma colonoscopia.
 
Em geral as pessoas têm medo de fazer a colonoscopia?
João Pimentel (Prof. na Faculdade de Medicina de Coimbra): Têm muitas vezes um receio infundado.
Não sou gastrenterologista nem endoscopista; sou cirurgião, mas os doentes passam por mim na fase de diagnóstico e no follow up (seguimento) pós-cirúrgico para realização deste tipo de exames. E até terem feito um primeiro exame há um certo receio infudado de que o exame possa provocar dores ou complicações.
Estou convencido que a população aderirá mais à pesquisa de sangue oculto nas fezes e depois, nos casos positivos, em que as pessoas já têm de facto o receio de ter alguma coisa, então aí já irão fazer a colonoscopia, no sentido de ver ou não se existe uma eventual lesão associada a essa pesquisa de sangue oculto nas fezes, que der positiva.
 
O problema é que todos sabemos que a pesquisa de sangue oculto nas fezes tem falsos-positivos. E também falsos-negativos. E os falsos-negativos é que são o grande problema, de se poder deixar escapar algum problema.
 
E é importante que as pessoas saibam isso, porque se estiverem perante um caso em que lhes foi dito que o exame é negativo, podem questionar o médico e dizer: “Mas eu sei que há casos de falsos negativos”.

 



publicado por servicodesaude às 21:47
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Cancro colo-rectal: Colonoscopia total ou esquerda - custos e benefícios

Foi dito aqui, tanto pelo Prof. José Manuel Romãozinho como pelo Dr. João Pimentel, que não haveria sequer capacidade técnica para fazer as colonoscopias.

Quando foi presidente da Sociedade, fez um extenso estudo que enviou ao Ministério da Saúde, preconizando o rastreio através da colonoscopia esquerda.
Não há de facto capacidade técnica para fazer esses exames no nosso país?
 
Nobre Leitão (director clínico do Hospital Lusíada): Obviamente que há. É falso dizer-se que não há.
Esta foi uma má opção, porque vai ter uma repercussão na mortalidade muito pequena e daqui a muitos anos. Era preferível o método endoscópico: tínhamos dados muito mais rápidos e com muito maior impacto na mortalidade.
 
Na faixa etária entre os 50 e os 70 anos de idade farão parte cerca de 2 milhões e 600 mil habitantes. Por dez anos dá cerca de 250 mil exames, se todos fizessem.
Neste momento na Alemanha Federal, com 30% a 40% de pessoas rastreadas – perto de 100 mil – são consideradas perfeitamente exequíveis, tendo em conta o impacto que terão para o próximo ano. No próximo ano terão menos 15 mil doentes
 
Menos 15 mil doentes de cancro colo-rectal?
Nobre Leitão (director clínico do Hospital Lusíada): Exactamente. E esta diferença paga o rastreio. E também está demonstrado, do ponto de vista económico, que o rastreio pelo método endoscópico é compensador ao fim de uns anos. Não só pelos custos directos que se poupa no tratamento dos doentes, como dos custos indirectos. E são muitos, como é o caso do absentismo, ausência do trabalho, reformas precoces, sem falar no resto; no sofrimento…
 
Só aqui, na nossa reportagem, vimos três reformas, uma delas aos 52 anos…
Nobre Leitão (director clínico do Hospital Lusíada): Ou seja, temos que entrar em linha de conta com esses casos. Se somarmos tudo isso – e os estudos estão feitos e publicados – o método endoscópico tem vantagens também do ponto de vista financeiro.
É um bom investimento para o Estado Americano, como disseram os conselheiros do presidente Clinton, quando este aprovou a medida. E a motivação foi esta , também no caso do governo alemão.
 
Quando estamos a falar do presidente Clinton é preciso dizer que aprovou a medida, de forma gratuita. Como se diz que nos E.U.A. não há nenhuma medida de protecção de saúde, as pessoas podem confundir e pensar que só se fazem colonoscopias aos ricos….
Nobre Leitão (director clínico do Hospital Lusíada): E o governo alemão também fez o mesmo.
Neste momento nos E.U.A. ainda não chegaram aos 40% da população rastreada e a baixa na taxa de incidência de cancro colo-rectal é extremamente significativa.
 
É curioso que tenha sido o próprio presidente Clinton a anunciar a medida, tive ocasião de ler.
Nobre Leitão (director clínico do Hospital Lusíada): É verdade. Mas é porque o impacto no número de doentes é muito rápido e muito significativo.
Na pesquisa de sangue oculto nas fezes, temos a experiência francesa, um dos países que mais investiu nesse método e os resultados foram muito maus. A aderência dos doentes que foram positivos neste exame, e que foram remetidos para fazer a colonoscopia, não chegou aos 70%.
 
Nós estamos a fazer este rastreio na região centro e depois vamos estender ao resto do país o que vai demorar mais não sei quantos anos. Para este ser implementado já demorou vários anos… e a região centro terá talvez um terço da população; ou seja, não vai ter impacto nenhum em termos nacionais.
Vai sim ter algum impacto daqui a 15 ou 18 anos e isso é muito tempo.
 
Vou fazer de engenheiro Sócrates: E onde é que íamos buscar dinheiro para fazer isso?
Nobre Leitão (director clínico do Hospital Lusíada): Este governo que não tem dinheiro para o cancro do cólon e do recto arranjou dinheiro para a prevenção do cancro do colo do útero.
É muito mais caro, se fizermos as contas, a vacinação para o cancro do colo do útero - cinco, dez, quinze, vinte vezes – que um ano de vida ganho com a realização da colonoscopia.
O argumento do dinheiro é complicado, porque para o colo do útero houve e para o cancro do cólon e recto não há.
 
Acha que é um argumento político, as medidas muitas vezes serem tomadas em função das populações mais jovens, ou de alguma tendência de voto?
Nobre Leitão (director clínico do Hospital Lusíada): Vejo as coisas de forma mais fria e de acordo com os dados da literatura e a opinião sobre essa matéria reservo-a para mim.
 
Há-de haver alguma razão…
Nobre Leitão (director clínico do Hospital Lusíada): Há-de haver alguma razão, mas porventura é de natureza emotiva, não é algo racional, porque não há racionalidade.
 
Devíamos perguntar, relativamente aos estudos feitos sobre custo/benefício, o que é que custa mais em termos de ano de vida salvo e também do acompanhamento dos doentes. (A vacina do cancro do cólo do útero também não dispensa o exame Papanicolau anual).
E dada a baixa incidência do cancro do cólo do útero, e a vacina só proteger contra duas estirpes do HPV, devíamos perguntar quanto é que custa a cada um de nós um ano de vida salvo.
E a esta pergunta achamos que temos primeiro direito a uma resposta, antes do Ministério da Saúde vir dizer que não tem dinheiro para fazer a prevenção do cancro do cólon e do recto.
 
Agora, se queremos prevenir, ou fazemos colonoscopia total ou colonoscopia esquerda.Se queremos fazer diagnóstico precoce com algum defeito, temos a pesquisa de sangue oculto nas fezes.
Aqui há uma diferença: a pesquisa de sangue oculto nas fezes é realmente um método de diagnóstico precoce que não é muito bom, enquanto os métodos endoscópicos são métodos de prevenção, de evitar que a doença apareça.
(Por exemplo, falou da mamografia que é no cancro da mama o grande exame de diagnóstico precoce e tem alguma repercussão na sobrevivência tal como o exame de Papanicolau).
 
Nobre Leitão (director clínico do Hospital Lusíada): No cancro do cólon e do recto temos esta hipótese e devíamos apostar nisto. Há ainda outro aspecto que não me parece ter sido aqui bem adoptado: entre 20 a 25% dos cancros colo-rectais têm uma história familiar.
Nos casos de história familiar são casos em que é evidente que temos que fazer colonoscopia, porque a prevalência na família é muito maior. Mandar fazer a pesquisa de sangue oculto nas fezes a estas pessoas, penso que é um erro, medicamente.
E portanto o rastreio devia contemplar este critério. O rastreio devia ser uma coisa medicamente assistida.

Deve haver uma entrevista com o médico e este é que diz, em função do doente, se este vai fazer colonoscopia esquerda, ou total. A indicação para o exame varia em função da história pessoal.



publicado por servicodesaude às 20:40
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Cancro colo-rectal: Diagnóstico: colonoscopia e história familiar

 O Dr. Rui Cernadas tem a experiência, enquanto médico de família, de ser a quem o doente primeiro se apresenta.

Tem o hábito de recomendar aos seus doentes com mais de 50 anos, homens e mulheres, que façam o rastreio do cancro do cólon e do recto?
Rui Cernadas (médico de família): Queria primeiro esclarecer as pessoas que, por um lado, estamos a falar de técnicas de imagem – endoscopia e, por outro lado, em métodos de pesquisa de sangue oculto nas fezes.
Quando falamos de métodos de rastreio ou de exames de uma forma geral, em medicina, falamos em especificidade e em sensibilidade.
E o que acontece de facto com a pesquisa de sangue oculto nas fezes é que este método tem especificidades e sensibilidade relativamente baixas, relativamente ao impacto que os meus colegas no início referiram que se pretendia ter na doença.
Nesta questão há sempre o argumento que nos escaparão os tais falsos-negativos ou falsos-positivos. E portanto, fazer um rastreio e passar a ideia para a opinião pública de que já está tudo feito e que já não há nenhum problema, é de facto um erro perigoso.
 
Rui Cernadas (médico de família): Perguntava-me qual era a minha conduta pessoal e ela é aquela que de alguma forma o Estado – através dos programas informáticos -, disponibilizou aos docentes de saúde e aos médicos de família.
O sistema já foi montado há seis anos. Ou seja, quando estou a assistir alguém na minha consulta tenho uma ferramenta que é um registo informático, que tem um painel que se chama “rastreio oncológico”, com o pedido da mamografia e da citologia vaginal, no caso das mulheres (para a detecção do cancro do colo do útero), e tem a pesquisa de sangue oculto nas fezes, já com a indicação para a a colonoscopia, se a pesquisa for positiva.
A diferença é que aqui, a pesquisa de sangue oculto nas fezes que posso recomendar aos meus doentes é feita em laboratórios convencionados com o Estado e não aquele método que vimos na reportagem, que nos permite fazer no próprio consultório, através de uma amostra que o doente nos traz de casa.
 
E se houver uma história familiar, o seu sistema informático já aponta para mandar fazer a colonoscopia esquerda, pelo menos?
Rui Cernadas (médico de família): Os sistemas informáticos são óptimos se forem servidos dos dados que necessitam, se forem bem “alimentados”…
Se a história de família estiver registada, obviamente que a ferramenta permite sugerir ao doente essa necessidade.
 
Isto entronca ainda com outra questão, que um dos intervenientes na reportagem referiu, que é a questão da “vergonha”. Existem muitos doentes que nos narram episódios de hemorragia de sangue, há meses ou anos, sem que nunca tenham procurado ajuda médica, apenas por um sentimento de vergonha, de se sentirem pouco à vontade de contar isto mesmo ao seu médico.
 

São ainda tabus existentes, para além das dificuldades que depois o próprio sistema comporta.



publicado por servicodesaude às 19:42
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Cancro colo-rectal: Colonoscopia – custos e listas de espera no SNS

Telefonema de Victor Santos, 65 anos, reformado bancário, de Lisboa

Victor Santos (65 anos): O que estão aí a falar aconteceu-me a mim e queria dar o incentivo a quem tem medo: devem ir ao médico e a tempo e horas. Não se pode deixar andar a situação, que torne depois impossível fazer alguma coisa.
Eu reparei ao olhar para a sanita que havia lá sangue. Fui ao médico e disse que queria fazer uma colonoscopia. E fiz. Já estava de tal maneira que tinha dois póliplos e tive logo que ser operado, porque tinha um cancro.
 
Portanto os poliplos já eram malignos?
Victor Santos (65 anos): Já, já eram malignos. Fui operado, depois fiz seis tratamentos de quimioterapia e tem corrido bem. E  amanhã vou fazer a colonoscopia, para ver como isto está a andar.
 
Se me permite, o senhor tem felizmente um bom sistema de saúde, que é o dos bancários e, portanto, provavelmente não teve tempos de espera entre umas coisas e as outras?
Victor Santos (65 anos): Sim, fui a uma consulta hospitalar queixar-me e depois a partir daí não levou muito tempo.
 
É realmente uma circunstância que muitos portugueses não se podem gabar. Mas ainda bem que o sistema de saúde dos bancários funciona, tanto quanto sei com grande eficácia…
 
Victor Santos (65 anos): Mas no meu caso não é a assistência bancária que me atende, é o meu banco que tem acordo com a CUF.
 
De qualquer forma tem um subsistema de saúde; não está no sistema geral. Tem filhos?
Victor Santos (65 anos): Tenho um filho com 40 anos, mas na minha família não há ninguém que tenha tido este tipo de problemas.
 
Mas agora, provavelmente o seu filho irá ter outro tipo de cuidados?
Tem 40 anos, depois de isto ter acontecido tomou as previdências necessárias para tratar da sua saúde.
 
Este doente tem um bom sistema de saúde. Agora vamos supor que tem outro doente que, por razões familiares, faz um teste de sangue oculto nas fezes e dá positivo, e o senhor tem necessidade de fazer uma colonoscopia.
Quais são as possibilidades que tem, através do Sistema Nacional de Saúde, de obter uma resposta rápida para esse doente?
 
Rui Cernadas (médico de família): Excelente pergunta, vou explicar. Em Portugal devemos ter mais ou menos cerca de 400 gastrenterologistas a funcionar operacionalmente, portanto provavelmente a resposta não será talvez aquela que gostaríamos.
Mesmo do ponto de vista terapêutico, e trabalho na área do grande Porto, tenho dificuldade em pedir uma colonoscopia em menos de três, quatro, cinco semanas.
E é legítimo que os doentes não queiram realizar um exame complementar de diagnóstico como é a colonoscopia, pela ansiedade. E que a queiram fazer sob anestesia, que hoje começa a ser mais frequente. Ora isto implica não só outro tipo de custos mas também outra duração no que toca à realização dos exames e às condições em que são feitos.
 
Portanto, Isto quer dizer que o tempo de espera é diferente. Não tenho qualquer hesitação em dizer que hoje espero muito mais por uma colonoscopia (e não estou a falar na perspectiva do rastreio, estou a falar na perspectiva da terapêutica, dos casos diários), cerca do dobro do tempo, que estava a esperar há dois ou três anos atrás.
 
E porque é que não se faz como no caso das cirurgias, em que o Estado convenciona algumas especialidades cirúrgicas em que os médicos possam ser retribuídos extra-horário, para diminuir as listas de espera?
Pporque é que não se pensa o mesmo para as colonoscopias, que podem salvar vidas?
E também dinheiro?
 
Rui Cernadas (médico de família): Os métodos endoscópicos estão convencionados com entidades privadas, não estão é nas instituições do SNS (do próprio Estado) a merecer um programa que preveja um maior número de realizações. Isto é que é complicado.
Agora o Estado possui, para além da sua capacidade de resposta, acordos com entidades privadas para a realização destes exames.
 
Mas há muitas entidades privadas interessadas?
José Manuel Romãozinho (Prof. na Faculdade de Medicina de Coimbra): Posso-lhe dizer que neste momento existe um sub-financiamento da parte do Estado dos actos endoscópicos. O Centro de Estudos Aplicados da Universidade Católica Portuguesa desenvolveu um estudo sobre a avaliação dos actos endoscópicos, dirigida pelo Dr. Miguel Gouveia.
Chegou à conclusão que o custo unitário das endoscopias, reportado a 2007, excede em 40% aquilo que o Estado paga pelo mesmo exame, no ano de 2009.
Estes dados foram fornecidos a partir de uma unidade pública, o IPO de Coimbra.
 
Quanto é que custa uma colonoscopia num centro privado?
José Manuel Romãozinho (Prof. na Faculdade de Medicina de Coimbra): É muito variável. Mas nos hospitais públicos o preço real excede em mais de 40% aquilo que o Estado paga para fazer o exame.
Este subfinanciamento dos actos endoscópicos, sobretudo nos hospitais públicos faz com que não seja atractivo para os gestores desses hospitais, contratarem colegas para fazer os exames; porque estão a perder dinheiro! E isso poderá justificar as longas e anti-éticas listas de espera para fazer estes exames.


publicado por servicodesaude às 18:52
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Cancro colo-rectal: Colonoscopia sob anestesia geral - SNS e privado

Telefonema Antónia Fernandes, 57 anos, de Lisboa

Sou uma doente cardíaca de alto risco, tenho divertículos e mandaram-me fazer vários exames, entre eles a colonoscopia.
É um exame muito doloroso. E sei de pessoas que pagaram 400 euros para fazer a colonoscopia com anestesia geral. Gostava de saber porque é que esta não é logo prescrita juntamente com o exame, já que muitas vezes as pessoas não o vão fazer porque têm medo?
 
É também uma questão económica?
Rui Cernadas (médico de família): É uma questão económica, mas também é uma questão de natureza pessoal. A anestesia também envolve algum risco para o paciente.
 
Mas pergunta ao paciente, se quer ou não a anestesia?
Rui Cernadas (médico de família): Se tiver a exercer medicina privada pergunto se quer ou não. Em termos de Estado, do SNS, posso dizer-lhe que vá fazer a colonoscopia mas não posso solicitá-la com anestesia.


publicado por servicodesaude às 17:10
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Cancro colo-rectal: Testemunho Victor Espadinha (actor)

Victor Espadinha, o conhecido actor, também teve este problema, mas felizmente está aqui, de boa saúde, com tudo controlado. Como é que foi o seu caso?

Victor Espadinha (actor): Eu comecei por ter umas cólicas. Nunca tinha feito o exame ao cólon – a colonoscopia.
Mas comecei com as cólicas, estive 10 ou 15 dias sem defecar, até que uma noite comecei a ter cólicas insuportáveis. Fui ao Hospital São Francisco Xavier e aí fizeram-me um TAC (tomografia axial computorizada), um Raio X e puseram-me uns tubos no nariz. E fiquei à espera. Depois veio um médico que me disse que não tinha nada. E até me lembro da frase: “Eu não vejo nada”, disse ele.
 
Acontece que na mesma noite as cólicas pioraram ainda mais. Então perdi o amor a 500 euros e fui à CUF. O Dr. Martins Alves foi o primeiro dos médicos que me salvaram, a quem agradeço publicamente. É gastrenterologista, olhou para os mesmos exames que o outro médico tinha visto – o mesmo TAC e raio X – e disse: “Você tem um tumor maligno; tem que ser operado ainda hoje.
Não sei como é que um dos médicos diz que não tenho nada e o outro diz que tenho que ser operado naquela noite; é uma coisa que me faz muita confusão…
 
Victor Espadinha (actor): Fui operado pelo cirurgião Rui Esteves, do Hospital de Santa Maria, outro dos médicos que me salvaram.
Naquela noite tirou-me mais um TAC e disse-me: “nós vamos tirar isso e não vai ficar com o “saco” e explicou-me que iria juntar uma parte do intestino à outra.
Foi uma operação de sete horas e no dia seguinte acordei na sala de recobro. Disse-me 
que tinha sorte porque os gânglios e tudo à volta estva “negativo”. Portanto, se calhar nem iria precisar de quimioterapia.
 
São palavras que os médicos nos dizem e que nunca vamos esquecer para o resto da vida. E depois disse-me que se ia aconselhar com a oncologista, a Dra. Conceição Lourenço, do Hospital de Santa Maria, a quem também agradeço. Ela achou que seria melhor fazer seis meses de quimioterapia, de prevenção.
Actualmente é a ela que vou para fazer a “revisão”. É a médica que hoje me segue, que me vê as análises e me prescreve as TAC.
Quando ela me diz: “Você está fino!”; é uma grande satisfação. Quem houve dizer “Você tem um cancro”, até recuperar psicologicamente, não é fácil…
 
Na altura, quando tudo isto aconteceu já tinha mais de 50 anos, podia ter feito este exame, a colonoscopia?
Victor Espadinha (actor): Tinha, tinha 68 anos.
 
Não lhe ocorreu fazer o exame e também não lhe foi sugerido?
Victor Espadinha (actor): Não, já tinha sido sugerido… Mas acho que nós, homens, preocupamo-nos mais com o PSA (exame à próstata). Conheço por exemplo amigos que já fizeram operação à próstata e sabia que aquilo chateia.


publicado por servicodesaude às 16:18
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Cancro colo-rectal: Colonoscopia – Vergonha de um diagnóstico?

Na altura, quando tudo isto aconteceu já tinha mais de 50 anos, para ter feito este exame, a colonoscopia?

Victor Espadinha (actor): Tinha, tinha 68 anos.
 
Não lhe ocorreu fazer o exame e também não lhe foi sugerido?
Victor Espadinha (actor): Não, já tinha sido sugerido… Mas acho que nós, homens, preocupamo-nos mais com o PSA (exame à próstata). Conheço por exemplo amigos que já fizeram operação à próstata e sabia que aquilo chateia.
 
É sempre a tal vergonha?
Rui Cernadas (médico de família): Neste caso manifestamente não é. Acho que há por um lado uma certa vergonha e, por outro, um certo receio da dor. E de expor a sua queixa ao médico. Muitas vezes a própria família desconhece o problema mesmo dentro de casa.
E isto é valido para o cancro do cólon e do recto, como é válido para o cancro da mama. Ainda nos deparamos hoje com mulheres de uma certa idade que nunca nos procuraram.
 
São pessoas que estão em negação, até ser tarde demais, não é?
Rui Cernadas (médico de família): Claro que sim.


publicado por servicodesaude às 15:26
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Cancro colo-rectal: Sintomas, História Familiar e Diagnóstico

Telefonema de José Grave, 68 anos, reformado, do Barreiro

A minha mãe morreu com 70 anos, de um tumor maligno situado no cego. Tenho conhecimento dos sintomas que ela tinha e há cerca de sete ou oito anos queixei-me à médica de família de que tinha uns sintomas que não achava normais.
A médica mandou-me fazer uma colonoscopia no Hospital dos Capuchos. Nessa altura tinha um pólipo e retiraram-no.
Passados três a quatro anos, a médica de família perguntou-me se os sintomas tinham passado e eu disse que não, que continuava com os mesmos sintomas: muitos gases e, de manhã, tenho sempre que ir à casa de banho e parece que há qualquer coisa a entupir…
 
Passados quatro anos a médica de família mandou-me fazer, pela segunda vez, nova colonoscopia.
Fui ao Hospital do Barreiro, mas lá a médica nem me viu. Escreveu apenas uma carta, que trouxe ao Centro de Saúde. A médica de família leu a carta e disse-me: Não querem fazer-lhe o exame mas agora vai marcar novo exame. E assim foi; passado um mês recebo uma carta para ir novamente ao hospital, à consulta da tal médica.
 
A primeira pergunta que me fez foi: "Do que é que se queixa?" Eu disse ter conhecimento de que este cancro é a primeira causa de morte em Portugal – o do cólon -, e que andam a fazer rastreios em todo o país. Para além disso acrescentei que tinha uma mãe que tinha tido cancro nos intestinos. Contei a história pormenorizadamente.
 
E contou que já tinha tirado um pólipo?
José Grave (68 anos): Sim, claro, até porque isso vinha escrito no relatório da médica de família.
Perguntou-me se deitava sangue pelas fezes e respondi que realmente às vezes quando ia limpar, via um pouco de sangue no papel higiénico mas como tenho um pouco de hemorroidal, às vezes penso que é disso.
 
Perguntou-me o que fazia e respondi que estava reformado. E ela diz-me: o senhor devia andar era a trabalhar. Respondi que me reformei aos 60 anos por invalidez.
 
A médica disse-me: “pois agora vai apanhar com a sonda”. E não me receitou nada para limpar os intestinos. Ela deve saber que há um líquido que se usa depois de fazer a colonoscopia...
Disse-me para por clisteres. Fui fazer o exame e colocaram-me a sonda ao lado do recto e a fazer força. Depois, disse-me para ser eu a por e acabou por não me fazer uma colonoscopia. E, como os intestinos estavam sujos, acabou no fundo por não fazer nada.
 Ou seja, não tive resultados nenhuns dos exames.
 
Em privado, a maior parte dos sítios estão a levar entre 50 e 60 contos (entre 250 e 300 euros). Eu paguei 50 contos para a minha mulher ir fazer uma a Lisboa, porque foi com anestesia total. E depois do exame tive que estar com ela duas ou três horas à espera porque ela não se conseguia levantar dali.
 
Disse à minha médica de família que não ia gastar mais 60 contos para fazer uma colonoscopia. Até disponho desse valor mas acho que é imoral e indecente que eu, que descontei durante 40 anos, tenha que pagar esse valor.
Fiz uma reclamação ao director do hospital.
 
É sempre um direito que lhe assiste. Infelizmente não será a única.


publicado por servicodesaude às 14:28
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Cancro colo-rectal: Associação Portuguesa dos Ostomizados

Além de ser doente, representa a Associação Portuguesa dos Ostomizados, que são os doentes que ficam com o tal “saquinho” para defecar, já que muitas vezes não pode ser adoptada outra solução.

O senhor António Cabral, hoje com 70 anos, tem uma história que começa aos 44 anos com uma anemia, não é?
 
António da Silva Cabral (presidente da Associação Portuguesa dos Ostomizados):
A primeira coisa que me mandaram fazer foi a pesquisa de sangue oculto nas fezes, porque apareceu-me uma anemia forte e muita fraqueza.
Foi grave porque estava no princípio do cólon ascendente, a seguir ao intestino delgado e foi-me tirado todo o cólon. Mandaram-me repetir o exame, fizeram-me um clister opaco e depois o médico disse que tinha que ser operado imediatamente.
Mandaram-me fazer todos os exames já referidos, com excepção do clister opaco que depois levaria à colonoscoipia.
 
Foi descoberto uma polipose familiar (João Pimentel (Prof. da Faculdade de Medicina de Coimbra): que se traduz pela existência de um número acentuado de pólipos que vai de uma centena a milhares de pólipos. Tem um traço familiar porque é uma doença que se transmite por um traço autossómico dominante e daí o facto de ser chamada de polipose adenomatosa familiar.
 
Apesar da sua mãe ter morrido muito cedo, aos 38 anos, ninguém relacionou uma coisa com a outra, pois não?
António da Silva Cabral (presidente da Associação Portuguesa dos Ostomizados): Não. E embora a tecnologia então utilizada já fosse o inicio do que é hoje, perfurou o intestino e foram descobrir um cancro no fígado.
Tive três filhos e a mais velha, faleceu com nove anos, também de doença oncológica, mas no cerebelo, e não se fez nenhuma ligação.
 
Eles evitam tirar o ânus e o recto, portanto fizeram-me uma colostomia subtotal, ou seja, tiraram-me o cólon todo. Mas sabiam que tinha pólipos no recto, portanto foi com a condição de ser seguido muito de perto para tirar os tais pólipos. (Os pólipos tiram-se por electrocussão).
 
Aos 48 anos, quatro anos depois de me tirarem o cólon e de me terem tirado 43 pólipos do recto – que queriam poupar na primeira intervenção -, vieram a descobrir que tinha um adenocarcinoma já muito perto do ânus, e aí tive que tirar tudo.
 
Mas disseram-me: esta doença não é sua, é de origem familiar, o que me obrigou a ir descobrir na família toda alguma ligação. A minha filha morreu no Hospital de Santa Maria e a minha mãe no IPO. Aí já vieram pedir todos os documentos possíveis já se admitia que eu tinha a polipose e a minha família também.
 
Os casos assim, são raros?
João Pimentel (Prof. da Faculdade de Medicina de Coimbra): Esta cirurgia foi há mais de 30 anos. Hoje, este tipo de cirurgia em que se remove todo o cólon, todo o recto e todo o ânus, para se tratar a polipose familiar, é rara.
Hoje o que se faz é uma colectomia subtotal, fazendo a tal junção com o recto, ou então fazendo a remoção de todo o cólon, todo o recto, mas preservando o ânus, construindo-se um neo-recto (com uma bolsa do intestino delgado), que permite que o doente continue a fazer as suas dejecções através do ânus passados uns meses.
O número de dejecções aumenta consideravelmente mas dá uma qualidade de vida considerável.
 
Este caso levanta ainda outras questões: a diminuição da mortalidade pelo cancro colo-rectal assenta no rastreio e diagnóstico precoce do cancro, mas também da melhoria dos tratamentos. E essa melhoria dos tratamentos passa, não só pela melhoria do gesto cirúrgico mas também pelos tratamentos adjuvantes: quimioterapia e radioterapia.
 
Por outro lado, hoje os exames de imagiologia têm um cuidado enorme com o diagnóstico e o estadiamento da doença e permitem-nos definir o tipo de cirurgia e a necessidade ou não de terapêutica adjuvantes, como a quimioterapia e a radioterapia pré-operatórias.
 
Devia de ser uma política estatal, nacional, que os doentes com cancro no recto fossem tratados em unidades diferenciadas e tratados por cirurgiões com especial dedicação e com diferenciação para este tipo de cirurgia.


publicado por servicodesaude às 13:37
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Cancro colo-rectal: Cirurgia total ou parcial - cólon, recto e ânus

João Pimentel (Prof. da Faculdade de Medicina de Coimbra): Quando oiço dizer que junto ao ânus quase sempre obriga a uma coloestemia, isso não é assim.

Tem que ser uma política estatal, nacional que os doentes com cancro no recto sejam tratados em unidades diferenciadas e que sejam tratados por cirurgiões com especial dedicação, diferenciação para este tipo de cirurgia. 
Em Portugal faz-se um pouco por todo o lado, mas em particular os problemas do recto baixo não deviam ser operados em todo o lado, pois não? Exigem centros de excelência e profissionais com uma grande prática?
Sim, é verdade.
 
Mas não é isso que acontece?
João Pimentel (Prof. da Faculdade de Medicina de Coimbra): Infelizmente não. Debatemo-nos há muitos anos para que isso seja assim e que existam centros de diferenciação, nomeadamente para fazer cirurgia rectal e tratar o terço médio; o tal recto baixo.
 
Só esses centros, com essa diferenciação, é que permitem que os doentes sejam tratados com qualidade, tenham uma maior taxa de recorrência e de sobrevida, e tenham no fundo uma maior musculatura do ânus, que impeça que estes fiquem, muitas vezes, com uma ostomia.
Desde que as lesões não sejam localmente avançadas, mas que necessitem de cirurgia, existem hoje técnicas que permitem conservar essa musculatura anal, que permitem que o doente continue a defecar como até aqui.
 
É obrigatório importar os métodos cirúrgicos que hoje estão divulgados por toda a Europa e que países como a Noruega, a Suécia, a Dinamarca, a Holanda e, mais recentemente, os nossos vizinhos espanhóis estandartizaram.
 
E o que aconteceu nesses países escandinavos, que tinham maus resultados…
Os resultados dos países escandinavos eram piores que os nossos em termos globais e melhoraram extraordinariamente com a implantação de protocolos que têm que ser seguidos: técnicos, cirúrgicos e até de avaliação pré-operatória.
 
Nobre Leitão (director clínico do Hospital Lusíada): Sobretudo relativamente ao recto isto é essencial. E já devia ter sido tomada uma atitude. É muita irresponsabilidade não a tomar, porque há pessoas que são verdadeiramente penalizadas, na qualidade e quantidade de vida.
Temos centros suficientes e pessoas suficientemente capazes para fazer
esta abordagem multidisciplinar. Temos tudo, mas infelizmente vemos pessoas a fazer “rectos” um pouco por todo o lado.
 
E porquê?
Porque falta autoridade. Há tanto tempo que falo nisto, mesmo com altos responsáveis. Não é uma questão de clubismo; é talvez incapacidade de decidir, talvez falta de cultura, talvez falta de know how.
 
Este problema do presidente da Associação dos Ostomizados é uma doença hereditária rara, mas de qualquer forma é responsável por cerca de um por cento de todos os cancros colo-rectais. É uma doença complexa mas que entre 70% a 80% dos casos permite a identificação do gene e pode-se assim fazer o despiste familiar da doença.
 
Temos consultas de avaliação de risco, onde avaliamos este tipo de doenças hereditárias e há de facto uma pequena percentagem do cancro do colo e do recto que são hereditariamente determinados. E devem ser avaliados nestas consultas para se poder falar adequadamente com as pessoas, para desenvolver os métodos genéticos adequados e para se poder fazer o diagnóstico mais precocemente.


publicado por servicodesaude às 12:54
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Cancro colo-rectal: Europacolon: rastreio em massa e prevenção alimentar

O engenheiro Victor Neves, da Europacolon, não é doente. Tem-se limitado a ajudar e a acompanhar pessoas que estão em situações oncológicas complicadas no IPO do Porto.

O que tem a dizer sobre esta necessidade das pessoas receberem tratamentos cada vez mais diferenciados, para sofrerem menos naquilo que já por si é um processo tão doloroso…
Victor Neves (presidente da Europacolon): É muito importante estarmos aqui hoje a falar deste assunto, tão pouco abordado e tão doloroso.
Fizémos uma sondagem à população em 2007 e mais de 50% das pessoas não sabem sequer o que é que estas duas palavras querem dizer e, portanto, uma das tarefas essenciais que a Europacolon definiu foi a informação, a educação e a sensibilização da população para este tipo de patologia e, sobretudo, para a sintomatologia que está implícita e que pode ajudar a salvar muitas pessoas.
 
Os especialistas saberão qual o método de rastreio mais indicado. A Europacolon, que já está em mais de 12 países da Europa, considera que, em vez de não se fazer exame absolutamente nenhum, então que se faça a pesquisa de sangue oculto nas fezes. E que se tome uma atitude em termos de rastreio de massa. E vamos esperar que aquilo que está a acontecer na região de Coimbra se possa estender rapidamente a todo o país.
 
A Europacolon vai também fazer um esforço muito grande para que o paciente seja o centro das decisões: melhorar a comunicação dos pacientes com os funcionários de saúde, diminuir o tempo de diagnóstico dos pacientes (que quando o têm ficam numa angústia terrível) e impedir que a mortalidade cresça.
E, por outro lado, falar cada vez mais da prevenção.Todos nós portugueses, mesmo sem rastreio, temos uma grande responsabilidade civil na prevenção alimentar. Ela é o motor que vai gerar este tipo de doenças, em mais de 90% dos casos.


publicado por servicodesaude às 11:02
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Cancro colo-rectal: Ficha Técnica

Autoria, coordenação e apresentação

Maria Elisa Domingues
 
Convidados
João Pimentel
José Manuel Romãozinho
Rui Cernadas
Nobre Leitão
 
Reportagem
Buenos Aires Filmes
 
Produção
Miguel Braga
 
Pesquisa
Alexandra Figueiredo
Miguel Braga
 
Jornalistas
Miguel Braga
Catarina Fernandes
Raquel Amaral
 
Imagem
Gonçalo Roquette
 
Edição
Teresa Mota
 
Pós-produção vídeo
Sara Nolasco
 
Pós-produção Audio
Miguel Van Kellen
 
Gestão e edição de conteúdos Internet
(Portal SAPO)
Natacha Gonzaga Borges
 
Atendimento telefónico
António Soares
Inês Fonseca
Margarida Castanho
Rui Domingues
 
Câmaras
Carlos Duarte
Rogério Santos
Paulo Alexandre
Ângelo Assis
Fernando Andrade
 
Mistura de Imagem
João trindade
 
Controlo de Imagem
Rui Tinoco
 
Som
João Delgado
Luís Cardoso
 
Iluminação
Luís Silvestre
 
Electricista
Nuno Dias
 
Técnicos de Electrónica
José Borges
Rui Loureiro
 
Assistentes de Operações
Jaime Silva
Luís Simões
José Machado
Pedro Gonçalves
 
Caracterização
Fátima Tristão
Ana Filipa
 
Assistente de guarda-roupa
Paula Silva
 
Assistentes de Artes Visuais
Bruno Silva
Eurico Lourenço
Joaquim Saraiva
Luís Marques
 
Registo Magnético
Bruno Albuquerque
 
Gerador de Caracteres
Sílvia Santos
 
Teleponto
Maria José Branco
 
Genérico e Grafismos
Nicolau Tudela
Teresa Martins
 
Música genérico
Ari de Carvalho
 
Assistente de Realização
Filipe Vasconcelos
 
Anotadora
Paula Dttaben
 
Chefe Técnico de Produção
Victor Escarigo
 
Criação cenográfica
Gil Ferreira
 
Execução cenográfica
Isabel Rodrigues
 
Produção
Paula Paiva
 
Realização
Jorge Rodrigues


publicado por servicodesaude às 10:09
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Sexta-feira, 2 de Outubro de 2009
Gripe A (H1N1): Inicio da vacinação a 26 de Outubro, com critérios

Até ao final do ano, o Ministério da Saúde espera vacinar um milhão de portugueses contra a gripe A (um terço dos três milhões previstos), incluindo os profissionais de saúde "essenciais" e as grávidas com doenças graves.

De fora ficam, nesta primeira fase, as crianças saudáveis, um dos grupos mais afectados pela gripe A de acordo com os especialistas e a principal diferença em relação às estratégias de outros países.
 
A campanha de vacinação começa no próximo dia 26 de Outubro, com a chegada das primeiras 49 mil doses, mas os utentes só serão vacinados se apresentarem uma declaração do médico assistente que, sob o compromisso de honra, que comprove que a pessoa cumpre os critérios definidos pelo Ministério para cada fase.
 
Como Portugal "vai receber a vacina por tranches" nos próximos meses, foram definidos três grandes grupos de pessoas que devem ser vacinadas à medida que as doses vão chegando. E mesmo dentro dos grupos, há pessoas mais prioritárias do que outras. 
 
As primeiras 49 mil doses serão para os profissionais de saúde e para as grávidas, no segundo e terceiro trimestre com doenças graves, como asma ou diabetes.
Só depois, na segunda semana, serão vacinadas as restantes grávidas. Seguem-se os doentes com "asma moderada a grave".
 
Como as crianças com menos de seis meses não podem ser vacinadas, há instruções para imunizar familiares de bebés doentes.
 
Ainda nesta primeira fase deverão ser vacinados os titulares de órgãos de soberania, como a própria ministra da saúde, Ana Jorge, que usou o seu exemplo para garantir que confia na eficácia e segurança da vacina.
Este grupo inclui também profissionais "que desempenhem funções essenciais" ao País. De acordo com a ministra, cabe às instituições e empresas definir o número restrito destes profissionais.
 
Segundo o Direcção da PSP, por exemplo, os primeiros a ser vacinados na corporação serão os polícias que desempenham funções de atendimento ao público, 16% do total do efectivo definido para imunização.

Só em Janeiro é que deverão começar a ser vacinados os utentes do segundo grupo, que inclui a maior parte dos doentes crónicos, com menos de 65 anos, e outros profissionais de saúde que tenham contacto directo com os doentes.

(Fonte: Diário de Notícias)



publicado por servicodesaude às 18:20
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Quinta-feira, 1 de Outubro de 2009
2ª Série de programas "Serviço de Saúde"

 

CANCRO COLO-RECTAL

(Data do programa: 6 de Outubro 2009)

Reveja AQUI o programa e questões relacionadas

 


 

 

INFERTILIDADE

 

(Data do programa: 22 de Setembro 2009)

 

Reveja AQUI o programa e questões relacionadas. Aceda ao consultório para ver as questões colocadas pelo público e as respostas do médico especialista do Hospital da Luz.

 


 

GRIPE A

(Data do Programa: 8 de Setembro)

 

Reveja AQUI o programa e questões relacionadas.

Para mais informações consulte o DOSSIER DA GRIPE

 


Temas:

publicado por servicodesaude às 23:50
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