Terça-feira, 13 de Outubro de 2009
Gripe A (H1N1): Introdução (por Maria Elisa Domingues) e Convidados

O programa Serviço de Saúde (2ª série) do dia 13 de Outubro debateu pela segunda vez o tema da gripe A.

Apesar do Outono ter chegado apenas no calendário e a maior parte do país continuar com temperaturas de Verão, a gripe A fez ontem a sua terceira vitima: uma jovem mãe de 32 anos, que estava nos cuidados intensivos do Hospital Curry Cabral, em Lisboa, há quase dois meses.

Era uma pessoa perfeitamente saudável, tal como o paciente que morreu no Hospital de São João, no Porto, há três dias, o que prova quão diferentes são os alvos e o comportamento deste vírus, em relação aos da gripe sazonal.
 
Ao mesmo tempo, nos últimos dias multiplicaram-se declarações de profissionais de saúde sobre a decisão de não serem vacinados, devido à alegada falta de segurança da vacina, que é no entanto fabricada segundo processos em tudo idênticos aos da vacina contra a gripe sazonal. O próprio bastonário da Ordem dos Médicos criticou “o excesso de alarme e de zelo” na resposta à gripe A, considerando-a “uma doença banalíssima”.
 
Estas atitudes daqueles que, pelo menos aos olhos da opinião pública, são os mais informados sobre a pandemia exigem, em nossa opinião, um debate esclarecedor com verdadeiros especialistas na matéria. Até porque o plano de vacinação começa no próximo dia 26 e muitas das pessoas incluídas nos grupos de risco – como, por exemplo, as grávidas – podem estar confundidas com a disparidade do que ouvem e do que lêem.
 
Os convidados de hoje são:
 
- A Pof. Dr.ª Cristina Sampaio, neurofarmacologista especialista em Farmacologia Clínica e directora da Unidade de Farmacovigilância de Lisboa e Vale do Tejo;
 
- O Dr. António Diniz, pneumologista, coordenador da Unidade de Imunodeficiência do Hospital Pulido Valente e, também, colaborador da DGS (Direcção-Geral de Saúde) e da ARS (Administração Regional de Saúde) de Lisboa e Vale do Tejo, especificamente na área da gripe.
 
- O Dr. Mário Freitas, médico de Saúde Pública, actualmente a fazer um doutoramento em Saúde Comunitária e delegado de saúde pública na ilha de São Miguel, nos Açores;
 
- O Dr. Rui Cernadas, médico de família, director clínico do Agrupamento dos Centros de Saúde Espinho-Gaia, que mais uma vez nos acompanha.

 

 

Vamos recordar o que pensam algumas das classes profissionais chave no combate à gripe A, e que influência essas pessoas; essas opiniões, podem exercer: Reportagem


publicado por servicodesaude às 23:53
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Gripe A (H1N1) - Reportagem "Vacina Gripe A" - Opiniões diferem na classe médica

Apesar da temperatura continuar alta, todos os dias ouvimos falar da gripe A. O vírus H1N1 é mais resistente com o frio, onde tem mais tempo de vida e, por isso, este São Martinho antecipado poderá estar a atrasar a propagação da doença.

Mesmo assim, aumenta o número de pessoas infectadas e, pouco a pouco, Portugal também tem contribuído para as estatísticas mundiais de mortalidade causada por este vírus.
Mas apesar de todos os avisos e planos de contingência, surgem algumas vozes discordantes, críticas relativas ao papel desempenhado pelas autoridades de saúde, desvalorizando inclusivamente a importância da gripe A:
 
“Nós estamos a falar tanto de uma doença que não passa de uma gripe. Ou seja, que é uma doença banal, pouco letal” – Pedro Nunes, Bastonário da Ordem dos Médicos (cortesia Antena 1).
 
Independentemente desta posição, as instruções da Organização Mundial de Saúde foram claras: em toda a parte, os profissionais de saúde devem ser os primeiros a receber a vacina contra o vírus H1N1.
 
A grande questão é que alguns dos profissionais essenciais para o funcionamento dos hospitais e, consequentemente, do Plano Nacional de Contingência, rejeitam ser imunizados. Entre outras questões, argumentam que têm medo dos possíveis efeitos secundários da vacina.
 
Guadalupe Simões (vice-coordenadora nacional dos Sindicatos dos Enfermeiros Portugueses): “A percepção que temos, é que haverá cerca de 50% dos enfermeiros que tomarão a decisão de não serem vacinados. É uma questão ética, da posição individual de cada um dos enfermeiros. E, portanto, ninguém pode ser obrigado a tomar a vacina.”
 
José Azevedo (Sindicato dos Enfermeiros): “Vacinas, nós não aconselhamos, nem há grupos prioritários para nós. E os enfermeiros, por aquilo que chega até nós, sem dúvida que não estão sensíveis a tomar a vacina.”
Do outro lado está o Sindicato Independente dos Médicos e a confiança que as autoridades de Saúde Pública fizeram todos os testes para garantir a segurança da vacina:
 
Carlos Santos (Sindicato Independente dos Médicos): “Houve com esta vacina e há com todos os medicamentos.
A FDA (Food and Drug Administration), a autoridade americana, obrigou que a vacina passasse por todas as etapas necessárias para a sua aprovação. A autoridade sanitária da União Europeia (EMEA) fez rigorosamente a mesma coisa. Portanto, não consigo compreender como é que qualquer profissional de saúde tem a ousadia de ir contra aquilo que está determinado por autoridades de seguro e reconhecido mérito científico, como é a FDA e a autoridade sanitária da união Europeia.
 
Posição que é partilhada pelos representantes de outros grupos prioritários:
 
João Valsassina (director do colégio Valsassina): “Penso que neste caso de prevenção da gripe há todo um conjunto de procedimentos que se alterou na escola mas que também se alterou no comportamento das crianças. E acho que são absolutamente saudáveis, que têm a ver com questões de higiene pessoal, que são importantes e válidas e que têm sido levadas “à risca” por todos.
Acho que apesar da polémica que pode haver com a vacinação, há uma coisa que não vai desaparecer, que é a prevenção. Acho que começa a estar na cabeça de toda a gente. Acredito nos pediatras, temos óptimos médicos e penso que aquilo que eles disserem deve ser seguido pela população portuguesa”.
 
Miguel Paiva (Associação Portuguesa de Asmáticos): “ Neste momento as pessoas devem é preocupar-se em fazer a vacinação, porque penso que neste momento não há um verdadeiro risco que deva alarmar as pessoas”.
 
Seja por este confronto de opiniões, seja por um excesso de informação, a poucos dias de começar o plano de vacinação contra a gripe A, em Portugal, as opiniões dividem-se entre aqueles que estudam medicina e enfermagem:
 
 “Provavelmente acho que optaria por tomar a vacina, mas acho que é uma decisão individual; de cada um”;
“Algumas pessoas podem não querer ser protegidos…, ou já tiveram…. É como todas as outras vacinas”;
“É uma gripe, que não é um vírus sazonal. É um vírus que até agora… É uma variante que ainda não era conhecida, por isso é normal que ainda não se saibam todas as complicações que o vírus possa vir a trazer”;
“ O pior é quando o médico diz que não tem a certeza se faz mal ou não; depois é ver ou não se compensa o risco”;
“Por agora, na minha opinião o melhor seria esperar e continuar com as medidas de prevenção, em vez de avançar já com uma vacina em massa”;
“Como aluno, e num ano que tenho contacto clínico hospitalar, também não me estou a ver a ir fazer a vacina, sinceramente.”
 
Em território nacional, estas dúvidas surgem numa altura em que em países como os Estados Unidos da América ou a Inglaterra, já vacinaram milhões de pessoas. E convém relembrar que até 4 de Outubro a Organização Mundial de Saúde tinha confirmado mais de 4500 mortes relacionadas com a gripe A:
 
Casos confirmados de Morte por Gripe A:
Europa – 193
América - 3292
Total Mundo – 4525 (4 de Outubro de 2009)
Fonte: Organização Mundial de Saúde (OMS)
 
Como se vê no mapa, a doença está literalmente nos quatro cantos do mundo e, por isso, a maioria dos países elaborou planos de vacinação em massa. Apesar dos avisos das autoridades de saúde nacionais e internacionais, ouviram-se ecos de dúvidas relativamente à segurança da vacina:
 
João Sequeira Carlos (presidente da Associação de Médicos Portugueses de Clínica Geral): “Para a gripe A – e ainda estamos numa fase de grande incerteza relativamente à vacina e em relação à própria doença, é preciso não esquecer; é natural que se instalem algumas dúvidas relativamente à vacinação. Se elas existem para outras doenças, é natural que no caso da gripe A também surjam estas dúvidas, numa fase de eminência de iniciar o programa de vacinação.”
 
Segundo a OMS, os resultados dos testes feitos até ao momento, sugerem que as vacinas contra a gripe A são tão seguras quanto as vacinas contra a gripe sazonal e que os efeitos secundários são também semelhantes.
Apesar dos argumentos, alguns profissionais de saúde defendem que a escolha da vacinação poderá caber a cada um. Outros, lembram o risco dessa decisão individual:
 
António Vaz Carneiro (Centro de Estudos de Medicina Baseada na Evidência): “O grande foco de infecção não está nos profissionais de saúde, está no público em geral.
É obvio que os profissionais de saúde ao lidarem com as pessoas mais doentes têm que ter mais cuidado.
A minha recomendação seria: “Sim senhor, vacinem-se!”, mas não vejo necessariamente como negativo ou reprovável que a pessoa não se queira vacinar”.
 
Margarida Tavares (infecciologista do Hospital da Luz): “Se um profissional de saúde puder ser vacinado e não se vacinar tem o risco acrescido de ter a doença e, por isso, tem também um risco acrescido de transmitir a doença aos seus doentes, às pessoas com quem contacta e até à sua família”.
 
Em Portugal, é no Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge que se estuda a evolução e possível mutação do vírus. Ensaios recentes sugerem que a vacina que vai começar a ser administrada é de facto a mais adequada.
 
Cristina Furtado (epidemiologista INSA Instituto Ricardo Jorge): Tanto quanto sabemos o vírus da gripe pandémica continua estável. Aliás, como Laboratório Nacional de Referência, mandamos as amostras clínicas e fazemos o isolamento do vírus que circula em Portugal e tivemos indicações da OMS, que o vírus que temos neste momento em circulação no nosso país é um vírus que foi, e que está a ser, produzido para a vacina.
 
Mas a gripe A também trouxe de volta à memória colectiva um episódio único na história de vacinação da gripe. Em 1976, um surto de gripe suína ocorreu numa base militar norte-americana, em New Jersey. O então presidente Ford, temendo uma nova onda de gripe como a gripe espanhola, e a fim de combater a doença, determinou a vacinação em massa da população. Foram vacinados cerca de 40 milhões de norte-americanos e pouco tempo depois surgiram relatos de centenas de pessoas que tinham sido vacinadas e que desenvolveram uma doença chamada de Síndrome de Guillain-Barré. No total, 25 mortos causados pela vacina.
De 1976 até hoje, o processo de fabrico das vacinas e seus testes evoluiu de tal forma que é um erro comparar as duas situações.
 
José Vale dos Santos (vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Neurologia): “Em relação à vacina os dados são um pouco contraditórios. Temos esse exemplo, no caso de 1976, que legitima essas preocupações, mas não vamos extrapolar esses dados para a nossa realidade de agora. É uma mera especulação. Não podemos fazer uma correlação directa”.
 
António Vaz Carneiro (Centro de Estudos de Medicina Baseada na Evidência): Se o argumento é, como já ouvi dizer – que a vacina é perigosa -, não é verdade. Gostava de alertar as pessoas para isso. Não temos nenhuma evidência científica que nos diga que esta vacina tem algum perfil de risco superior às vacinas que tomamos todos os Invernos.
A OMS aconselha todos os países que vão administrar as vacinas a realizar um acompanhamento intensivo e a relatar possíveis efeitos adversos.
No próximo dia 26 de Outubro, em Portugal, terá início a campanha de vacinação contra o vírus H1N1. Numa primeira remessa, estão disponíveis para Portugal 49 mil doses. Falta agora saber como vão agir os profissionais de saúde e qual a mensagem que estas opiniões contraditórias vão passar à população.


publicado por servicodesaude às 22:17
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Gripe A (H1N1) - Opiniões contraditórias das autoridades de Saúde

Gostava de fazer a todos a mesma pergunta. Depois de verem a reportagem e de ouvirem opiniões de médicos, de enfermeiros e as declarações do vosso bastonário – que não se disponibilizou para fazer mais declarações para esta reportagem – que efeito é que estas declarações podem ter no grande público?

Mário Freitas (especialista em Saúde Pública): Penso que neste momento a informação que a população tem recebido de diversos meios já lhe permite “distinguir o trigo do joio”.
Já toda a gente percebeu que estamos a viver uma situação preocupante a nível mundial. Mas isto é uma pandemia, não é um “pandemónio”. Requer preocupação e esforços conjuntos da sociedade e é fundamental que a comunidade intervenha.
Foi um grande passo que se deu, trabalhar com as escolas, porque sabemos que as crianças e as escolas constituem um dos principais meios de contágio. Também o readquirir hábitos de higiene vai ter benefícios secundários inevitáveis.
 
Ou seja, desvaloriza as opiniões de profissionais de saúde - quer de médicos, quer de enfermeiros - que dizem que não vão vacinar-se porque consideram que a vacina não é suficientemente segura?
Mário Freitas (especialista em Saúde Pública): Temos que valorizar as opiniões credenciadas e baseadas em evidências científicas.
E penso que em termos de evidências, a OMS é uma entidade suficientemente respeitável para acreditarmos quando esta declara uma Fase 6, de uma Pandemia.
Penso que o director-geral da Saúde e a senhora ministra da Saúde são pessoas com provas dadas e de reconhecida competência, que não nos andariam a fazer andar a perder tempo, com planos de contingência e outras medidas se isto não merecesse realmente atenção.
 
E o Comité Científico da Agência Europeia do Medicamento também tem a mesma opinião, não é?
Mário Freitas (especialista em Saúde Pública): Exactamente.
 
No entanto, este fenómeno não existe só em Portugal. Estas reacções contra a vacina surgiram noutros países, é preciso que se diga, nomeadamente em Inglaterra e em França.
No entanto, alguns desses países já tomaram medidas, como é caso do EUA e nem sempre as decisões dos órgãos colectivos da classe médica foram no sentido daquilo que aconteceu aqui em Portugal...
Mário Freitas (especialista em Saúde Pública): A comunicação é um aspecto muito importante. Não podemos esquecer que a comunicação em Saúde nunca pode ser contraditória.
Há aspectos de saúde pública que é preciso respeitar e as entidades de saúde pública nacionais e internacionais têm sido muito claras na mensagem que têm transmitido.
É preciso ter muito cuidado porque há pessoas que têm um papel na sociedade, demasiado relevante para dizerem informações completamente contraditórias relativamente ao que as instituições internacionais têm dito.
 
É também essa a sua opinião?
António Diniz (pneumologista no Hospital Pulido Valente): Estou de acordo com o meu colega.
Tenho a impressão em que há períodos em que se começa a instalar, de forma insinuosa, na sociedade, uma certa tranquilidade excessiva relativamente a esta questão.


publicado por servicodesaude às 21:06
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Gripe A (H1N1) - Certezas: pandemia diferente da gripe “sazonal” (1)

António Diniz (pneumologista no Hospital Pulido Valente): Gostaria de lembrar três ou quatro aspectos relacionados com as características deste novo vírus. Até para depois darmos o passo para a vacinação.

O que é que este vírus tem de diferente da gripe sazonal? É que é uma doença que, no essencial, é benigna. Os portugueses e o resto da humanidade podem ficar descansados que, com os dados já existentes e com a passagem do vírus pelo hemisfério sul, já se percebeu que, no essencial esta doença é benigna.
 
Há outro dado que se assemelha à gripe sazonal, é que é um vírus democrático, no sentido que afecta homens e mulheres e pode afectar crianças e idosos. Agora as semelhanças acabam aqui, porque não é assim tão democrático quanto isso.
 
O facto de ser uma nova estirpe faz com que as pessoas não estejam preparadas. Como nunca tiveram contacto com esse vírus não existe imunidade em ninguém. Isto é, aquilo que afasta este vírus da gripe sazonal é que habitualmente as pessoas conservam sempre alguma imunidade dos anos anteriores. Neste caso, a taxa de ataque – a percentagem de pessoas que num determinado período vão ser infectadas pelo vírus -, estima-se que possa ir até aos 30% da população, enquanto que na gripe sazonal anda por volta dos 10%.
 
Depois, ainda por ser um vírus novo, e pelo facto de não termos imunidade o vírus, propaga-se com muito mais facilidade e, nomeadamente, entre a população mais jovem.
 
Que é justamente aquela que circula mais?
António Diniz (pneumologista no Hospital Pulido Valente): Exactamente por isso; desde as crianças nas escolas, os jovens são os que mais viajam...
Cerca de 80% dos casos desta gripe pandémica ocorrem até aos 30 anos. Acima dos 65 anos até agora há apenas 2% de infectados. Portanto, estamos a falar de grupos etários completamente diferentes.


publicado por servicodesaude às 20:08
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Gripe A (H1N1): Certezas: pandemia diferente da gripe “sazonal” (2)

O que eu acho estranho nas declarações que algumas pessoas fizeram acerca da perigosidade da vacina é o facto de ninguém referir os estudos que já foram feitos com base no que aconteceu no hemisfério sul, em que houve países que já tiveram uma experiência de alguns meses de convivência com esta estirpe, nomeadamente a Austrália, a Nova Zelândia e alguns territórios sob administração francesa.

 
No caso da Austrália, por exemplo, acabou-se por concluir que a idade média das pessoas que morreram foi de 53 anos, o que é algo de diferente do que nos têm dito até agora…, embora numa gripe normal, costume ser de 83. 
António Diniz (pneumologista no Hospital Pulido Valente): Exactamente. Há pouco tempo tive acesso a um estudo dos resultados preliminares de mortalidade da gripe sazonal, em Portugal, feito por colegas do INSA (Instituto Nacional de Saúde dr. Ricardo Jorge) e 82% dos casos de mortalidade ocorreram acima dos 75 anos.
Numa gripe pandémica a faixa em que se prevê que haja ocorrências situa-se, no máximo, entre os 20 e os 49 anos. Não tem nada a ver.
É também sabido que mesmo relativamente à gripe sazonal as grávidas são mais susceptíveis, devido a perturbações hormonais e imunitárias, mas atenção: a gripe sazonal não tem a taxa de complicações que tem a gripe pandémica.
 
Isto não é assustar as pessoas, é dar a informação que já se dispõe, porque devemos todos colaborar. Não são só as estruturas de saúde que têm a obrigação de participar neste esforço.
Neste caso uma grávida tem o mesmo risco de contrair uma gripe pandémica que uma jovem não grávida, mas no caso de contrair essa gripe, o risco de ter complicações é quatro vezes superior. E isto deve levar as pessoas a adoptar medidas de saúde individual que contribuam para o colectivo.

 



publicado por servicodesaude às 19:15
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Gripe A (H1N1) - Vacinação: protecção individual e social

Fazer-se vacinar é proteger os outros, não é?

Rui Cernadas (médico de família): É isso exactamente que me leva a discordar da nota introdutória de hoje. Desde logo, porque a vacina tem exactamente essa característica. Quando preparamos uma viagem a um país com preocupações especiais em matéria de saúde temos que atempadamente preparar um conjunto de vacinas, sem as quais não nos deixam entrar no território.
 
É importante sublinhar que não estamos só a falar da protecção da pessoa que opta por fazer determinada vacina; estamos a falar da possibilidade de protecção que essa vacina oferece ao resto da comunidade. E esse é o aspecto que me preocupa mais. Os profissionais de saúde deviam ser os primeiros empenhados na prevenção da doença e na promoção da saúde.
 
Fiquei portanto preocupado com o que ouvi. Mas não deixo de destacar as afirmações na peça introdutória, do Dr. Carlos Santos, que é um prestigiado cirurgião e dirigente sindical. Ele falou em “ousadia” de não fazer a vacina, relativamente aos profissionais de saúde. Seria tão inconcebível hoje imaginarmos um cirurgião num bloco operatório a operar sem luvas, máscara ou touca – peças de protecção individual mas também do paciente que está do outro lado -, que aqui a vacina pode ser colocada num confronto muito semelhante.
 
Tive ocasião de ler dois estudos, um feito no Japão e outro em França. Este último em 40 lares (estamos agora a falar da população mais idosa) e, no caso de serem tratadas por pessoas que não se tinham vacinado, a possibilidade de contraírem a doença e, eventualmente, virem a morrer, duplicava. É uma enorme responsabilidade saber isto…
Rui Cernadas (médico de família): Se pensarmos que vamos a uma cafetaria comer e que a pessoa que nos vai servir não lava as mãos…. É claro que essa pessoa tem o direito de não o fazer, mas…
 
Essa questão das pessoas terem o direito de não serem vacinadas, pergunto-me se não se coloca a mesma situação para os jornalistas no que toca às fontes. Nós temos que proteger as fontes, devemos citá-las, mas nunca denunciá-las.
 Não seria mais consensual se os profissionais de saúde que não desejam ser vacinados, não o fizessem, mas que não o comunicassem publicamente, já que podem estar a influenciar o grande público que pensa que eles sabem mais?
Rui Cernadas (médico de família): Claro. E o que é preocupante é este espírito contraditório entre profissionais de saúde relativamente a alguns aspectos; o da vacinação inclusive.
Ainda a propósito da imagem de banalidade que se pode deixar transparecer, o Dr. António Diniz dizia há pouco que as duas gripes – a sazonal e esta – são diferentes. Até porque esta gripe não é sazonal; não temos um mês em que não haja milhares de casos em todo o planeta. Mesmo os países do hemisfério que não estavam a ser mais bombardeados, estiveram a sê-lo, tal como os que estiveram menos, continuam a sê-lo.
 
E apesar da doença ser pouco letal, o número de casos é de tal ordem importante que pode por em causa a própria resposta dos serviços de saúde.
Imaginar uma resposta fragilizada do SNS e ainda por cima com profissionais mais expostos, por prescindirem da vacinação, é altamente traumatizante para uma sociedade que aposta nos seus serviços de saúde.
 
Na Austrália, apesar de só ter havido 11% de hospitalizações de pessoas infectadas, o número de complicações foi tão grande e tão grave que os serviços de reanimação estiveram à beira da ruptura e as operações tiveram muitas delas que ser suspensas, nomeadamente aquelas que precisavam dos serviços de reanimação…
Rui Cernadas (médico de família): O próprio termo que se utiliza, de “onda pandémica” demonstra exactamente essa preocupação: num curto espaço de tempo, termos uma elevada taxa de ataque do vírus na população em geral.
É como se estivéssemos a falar que toda a chuva de um Inverno vai cair aqui numa semana e que vai dar inundações para as quais a sociedade não está preparada.


publicado por servicodesaude às 18:25
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Gripe A (H1N1) - Vacina: segurança, testes e fabrico

É na sua área, da neurologia e da neurofarmacologia, que se põem os maiores problemas, quando algumas pessoas dizem que não sentem segurança relativamente à vacina. E lembram que no passado algumas vacinas despoletaram algumas doenças do foro neurológico, como por exemplo o Síndrome de Guillain-Barré.

E nos E.U.A., há até (penso que não será mais do que um rumor) quem ligue algumas vacinas ao autismo, havendo hoje muitos pais que preferem não vacinar os filhos e esperar que estes venham a adquirir as suas próprias imunidades.
Cristina Sampaio (especialista em Farmacologia Clínica): Relativamente à gripe pandémica e à vacina, há aspectos que são muito particulares e que são absolutamente distintos da vacinação em geral.
Os preparativos feitos pela sociedade para ter vacinas prontas a tempo, obrigaram obviamente a medidas de excepção. E o público em geral devia-se congratular pelo facto das tecnologias estarem hoje disponíveis e por ser possível executar essas medidas de excepção. 
Mas hoje isso reverte numa das maiores críticas, que é: “a vacina foi feita à pressa, não foram feitos suficientes testes”…
Cristina Sampaio (especialista em Farmacologia Clínica): Não há dúvidas que existiram medidas de excepção. Posso explicar, porque sou membro do Comité da Agência Europeia do Medicamento que aprovou estas vacinas.
Não sou especialista em vacinas e o comité é generalista. Ou seja, tem outros grupos especializados nestas áreas e que informam o comité. Depois o comité toma decisões com base em peritos que têm um elevado grau de especialização.
Mas não há dúvidas que foram tomadas decisões com base em estudos preliminares, ninguém o nega.
 
Mas houve muitos testes e milhares de voluntários, tanto quanto sei…
Cristina Sampaio (especialista em Farmacologia Clínica): Houve, mas convém sublinhar que estes voluntários foram expostos a um vírus que não é o H1N1. Os testes foram feitos com o vírus H5N1, de forma a ter um vírus muito parecido mas que não é o vírus actual. Isto foi feito com base em simulações o mais próximas possíveis com a realidade.
Neste momento estão a ser produzidos dados e à medida que forem sendo disponibilizados irão substituir os dados que foram produzidos por simulação. Isto está a ser produzido praticamente em tempo real.
A informação que existe é a melhor informação possível; suficiente para se poder dizer que podem ser administradas com a segurança necessária.


publicado por servicodesaude às 17:34
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Gripe A (H1N1): Locais públicos e planos de contingência

Telefonema de Susana Castro, 38 anos, professora, de Lisboa:

Tenho um filho com seis anos e por indicação da pediatra foi-lhe indicado fazer natação através da escola, com mais alguns colegas. E agora foi desaconselhado, porque segundo ela, neste momento as piscinas são locais onde mais facilmente ele pode apanhar o vírus da gripe A. Mas estranhei, porque na escola fui a única mãe que levantou essa questão e a própria escola não tinha essa situação prevista. Pergunto se esta situação constitui de facto algum perigo?(Até para as escolas estarem alertadas e poderem informar melhor os pais). E pergunto ainda se as pessoas que tiveram gripe asiática - que penso ter ocorrido em 1950 e tal - se estão agora imunes ao vírus da gripe A?  (Tenho uma mãe com 76 anos e gostava de saber se está ou não imune contra a gripe A).
 
As piscinas são centros de incubação do vírus?
Dr. Mário Freitas (especialista de de Saúde Pública): Estamos a falar de uma realidade em concreto, não conhecemos o caso em particular do filho desta senhora. A colega pediatra poderá ter dado essas indicações com base nas características clínicas que essa criança tem e que não temos aqui presentes.
Em termos de saúde pública não há nenhum perigo em frequentar uma piscina, não maior do que estar num avião ou aqui neste estúdio. O importante neste momento é que todas as estruturas públicas tenham o seu plano de contingência. Toda a gente tem que estar preparada. E é mesmo toda a gente: as microempresas e as grandes empresas.
 
Quando sabemos que as grávidas têm um risco acrescido de terem complicações, isso implica por exemplo que, numa empres e numa fase de maior pico da doença, que se tenha que colocar essas mulheres a trabalhar em backoffice (retaguarda do trabalho, a partir de casa, por exemplo) e não em frontoffice. Isto é gestão de risco em Saúde. E só se faz com informação; se todos estivermos informados.
 
Somos um país de PMEs (pequenas e médias empresas). Se não informarmos maciçamente a população, não vão haver planos de contingência preparados para dar resposta à situação. As escolas têm. As piscinas, os ginásios e todos esses locais têm que ter planos de contingência, têm que estar preparados.


publicado por servicodesaude às 16:46
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Gripe A (H1N1) - Idosos com alguma imunidade

Quem pode responder à questão relativa à senhora com 76 anos e sobre se terá imunidade contra o vírus da gripe A?

António Diniz ((pneumologista no Hospital Pulido Valente): Durante uma boa parte da vida desta senhora com 76 anos, circulou mundialmente um vírus do tipo H1N1. É natural que permaneça algum resíduo de imunidade nessas pessoas.
Essa é uma das justificações para o facto de haver tão poucas pessoas afectadas pela gripe A em grupos etários mais elevados. Agora atenção: “algum” resíduo de imunidade, sublinho.
Relativamente à mãe daquela telespectadora: terá que avaliar junto do seu médico de famíliaqual é a sua situação, porque pode haver alguma questão sua, especial, que aconselhe a vacinação. Embora uma pessoa da sua idade, à partida, não esteja integrada nos grupos prioritários para vacinação.


publicado por servicodesaude às 15:56
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Gripe A (H1N1) - Opinião profissionais e estudantes de saúde

Ontem, num Conselho de Ministros da União Europeia, realizado no Luxemburgo, foram analisadas estas temáticas, e uma das recomendações que saíram do conselho, é que em termos de informação se evite, a todo o custo, o conflito de mensagens para o público. Tal facto pode ter uma grande importância naquilo que a opinião pública deve e tem necessidade de conhecer acerca de gripe A.

 
Na assistência estão vários estudantes de medicina. Ouviste a opinião de alguns colegas teus, estudantes de medicina e enfermagem, que não querem ou têm dúvidas se devem ou não ser vacinados. Qual é a tua opinião?
Tiago (estudante de Medicina): A minha primeira opinião é que as pessoas devem informar-se; o que não faltam é artigos. A própria Direcção Geral de Saúde tem uma página na Internet - www.dgs.pt - sempre bem actualizada.
Viémos para esta profissão para ajudar a sociedade, nomeadamente na área da saúde, isso significa estarmos preparados para a ajudar em qualquer situação.
Neste caso estamos a falar de uma pandemia e todos devemos estar preparados para actuar se necessário. E está previsto que possamos vir a actuar, caso os médicos existentes não sejam suficientes, não apenas como médicos, mas noutras funções, por exemplo na medicação.
 
Também és aluno do 4º ano e já tiveste contacto com casos clínicos...
Nuno (estudante de Medicina): O curso de Medicina é divido em vários ciclos; neste momento já estamos no ciclo clínico. Vamos estar durante todo o ano em contacto com os doentes.
 
Isso significa um acréscimo de responsabilidade, neste caso, o poder optar ou não pela vacina?
Nuno (estudante de Medicina): Penso que sim, que seja um acréscimo de responsabilidade. Mas neste momento todos os alunos de Medicina devem estar cientes do problema de Saúde Pública que hoje enfrentamos em Portugal e a uma escala mundial, como está demonstrado.
Na reportagem ouvimos opiniões divergentes entre os alunos de medicina e enfermagem. No entanto, é claro que todos estão cientes que o problema é global e que afecta a sociedade transversalmente.
Desta forma, penso que todos os alunos estão atentos a este problema e informados acerca da situação. Tentaram que o Plano de Contingência abrangesse todos os alunos não apenas pela luta contra o vírus mas para prevenir a contaminação de outras pessoas. Pensamos não apenas nas pessoas que nos contactam, mas também naquelas com que vamos contactar a seguir, já que passarmos a maior parte da nossa vida de estudante num hospital universitário.


publicado por servicodesaude às 13:03
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Gripe A (H1N1) - Grávidas – Segurança do Tamiflu e da Vacina

Telefonema de Carla Mogas, 35 anos, grávida, operadora de máquinas de venda automática, do Cacém:

Tenho um sobrinho com 15 anos que foi diagnosticado com gripe A. O resultado da análise soube-se hoje. Estive em contacto com ele durante toda a semana.
A minha irmã contactou com o delegado de saúde e ele perguntou se havia alguma grávida na família que tivesse estado em contacto com ele, e a minha irmã disse que sim. E o delegado disse que me contactaria porque eu teria que fazer a prevenção.
Entretanto, não fui contactada e liguei para a minha ginecologista e ela disse-me que eu teria que fazer o Tamiflu. E disse que ia proceder nesse sentido mas, entretanto, ligou-me a dizer que ninguém garante que eu possa tomar o Tamiflu, porque não sabem se poderá atingir o feto.
A minha questão é se ninguém sabe se é seguro até aos três meses de gravidez, o que é que poderei fazer? Ou até no caso de estar infectada?
 
António Diniz (pneumologista no Hospital Pulido Valente): Habitualmente não gosto de tecer considerações sobre casos concretos. Não vou contrariar as opiniões expressas, nomeadamente da obstetra que segue a senhora, porque podem existir vários factores que determinem a atitude que foi tomada.
 
O que posso dizer em geral – não me referindo a este caso em particular -, é que no final de Setembro a OMS colocou uma questão, que fez sair para a comunidade internacional e para a comunidade científica, em que já não aconselharia o Tamiflu profilacticamente.
E isto porque apesar de serem poucos os casos de resistência ao Tamiflu que foram detectados, a verdade é que numa percentagem significativa, esses casos de resistência ocorreram em pessoas que tinham usado o Tamiflu profilacticamente.
E a OMS, numa atitude de defesa, preferiu adoptar uma outra atitude estratégica que é seguir de muito perto as pessoas que fazem parte dos grupos de risco e, ao menor sinal de infecção, não fazer a profilaxia. Mas confirmar a existência da infecção e iniciar imediatamente o tratamento. Este procedimento é um procedimento igualmente seguro.
 
Repito: isto não se aplica ao caso concreto da senhora que telefonou, porque podem existir outras questões que, à distância é impossível conhecer. Mas qualquer que seja a medida adoptada, convém dizer que é seguro fazer o Tamiflu. O Tamiflu não induz problemas para o feto. Pode estar tranquila, vai tudo correr bem.
 O risco de complicações nas grávidas, caso contraiam a gripe A -, vai aumentando com o período de gravidez e é maior no segundo e no terceiro trimestre.
 
E é por isso que neste primeiro contingente de vacinas que começa no dia 26 de Outubro não estão contempladas as grávidas no primeiro trimestre; só as do segundo e terceiro.
 
António Diniz (pneumologista no Hospital Pulido Valente): Exacto. E só estão contempladas neste primeiro contingente - das tais 49 mil doses -, as grávidas que ainda acumulem outro factor de risco. Ou seja, as grávidas que tenham patologia associada. As outras vão ser logo a seguir vacinadas.


publicado por servicodesaude às 12:11
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Gripe A (H1N1) - Pandemia geradora de pneumonias violentas

António Diniz (pneumologista no Hospital Pulido Valente): Estamos na primeira pandemia do século XXI e estamos na primeira pandemia da era da Internet…

É bom e é mau.
António Diniz (pneumologista no Hospital Pulido Valente): É, mas acho que fundamentalmente é bom.
Mas as pessoas também vão buscar certos receios a blogues que são alimentados por vezes de forma menos judiciosa e científica…
 
António Diniz (pneumologista no Hospital Pulido Valente): Sim, masnão tenho dúvida nenhuma que o Serviço Nacional de Saúde vai mostrar o que vale.
É também a primeira pandemia que tem tratamento. Não é só o facto de a vacina ter uma metodologia completamente diferente da que foi usada anteriormente. É a informação que circula muito mais rapidamente; é o tratamento que é pela primeira vez disponibilizado.
Dos casos que infelizmente tiveram um desfecho fatal (segundo um estudo que ontem li no Journal England of Medicine – uma referência para nós médicos); que se reportam a Abril/Junho, nos EUA, uma das conclusões mais interessantes é que as pessoas que tiveram complicações mais graves, incluindo a morte, não fizeram o Oseltamivir ou Tamiflu, nas primeiras 72 horas.
Daí a tranquilidade que nos pode dar: se uma pessoa tiver sintomas, e estiver infectado, mas iniciar logo o tratamento, é a garantia que poderá ter uma evolução favorável.
 
Embora haja várias excepções, não é? Daqui a pouco estamos na versão do Dr. Bastonário, de que isto é “uma doença banalíssima…” e que corre tudo bem. Nem medo a mais, nem alarmismo. Mas não esquecer que ao mais pequeno sinal deve-se contactar imediatamente as autoridades de saúde.
Estas pessoas que morreram em Portugal, e que têm morrido nos outros países, têm morrido com pneumonias, do tipo viral, e por isso muito mais difíceis de combater. Li descrições de médicos australianos, com 35 ou 40 anos na área da reanimação e dos cuidados intensivos, que dizem que nunca viram casos com tanta violência noutro tipo de gripes.
Penso que a grande diferença entre esta gripe e a sazonal é que embora a sazonal dê complicações e muitas mortes todos os anos, como sabemos, dá pneumonias que no geral são de origem bacteriana, apesar de tudo bastante mais fáceis de combater.
A gripe A tem tendência a, quando origina pneumonias, serem de origem viral, extremamente rebeldes e que, mesmo em pessoas saudáveis, algumas não conseguem sobreviver. Julgo que esta é uma diferença que se pode estabelecer. Está correcta?
António Diniz (pneumologista no Hospital Pulido Valente): Está, no essencial.


publicado por servicodesaude às 11:26
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Gripe A (H1N1): Vacina – segurança e efeitos secundários

Há aqueles casos de pessoas que não querem ser vacinadas porque têm medo de síndromas do foro neurológico, descritos em situações diversas, como aquele caso que ocorreu nos anos 70, nos EUA, em que 25 pessoas acabaram por morrer devido a esse síndroma de Gillian-Barré. Mas agora é tudo diferente, é preciso esclarecer.

Cristina Sampaio (especialista em Farmacologia Clínica): Antes de mais, a síndroma de Gillian-Barré é uma “doença” neurológica, com determinados sintomas.
As pessoas perdem a força, têm um conjunto de sensações esquisitas e uma alteração na sensibilidade. E têm uma alteração no sistema nervoso autónomo. Ou seja, perdem a capacidade de controlar a tensão arterial mas, sobretudo, o que é mais grave, é que a falta de força vai progredindo - dos membros inferiores até aos membros superiores - e atinge também os músculos que são responsáveis pela respiração.
Muitas vezes, quando chegam a esse ponto, as pessoas precisam de ser ventiladas. E podem obviamente morrer, não só pela dificuldade respiratória – que pode ser superada pelo ventilador – mas também pelo descontrolo do próprio ritmo cardíaco e da tensão arterial. É, portanto, uma situação globalmente grave.
 
Hoje em dia é possível ser tratada e é raro que se atinjam estas complicações todas. Quando as pessoas são internadas e tratadas em serviços qualificados, de um modo geral não se atingem todas estas complicações e as situações são controladas.
 
A síndroma de Gillian-Barré não é específica de quadros vacinais. É muito raro que aconteça numa situação pós-vacinal. E quando estamos a falar de vacinas, estamos a falar de qualquer vacinação, não exclusivamente da gripe.
Contudo, os casos que aparecem nos serviços de neurologia - e todos os anos aparecem -, vêm na sequência de um stress, normalmente infeccioso, e a bactéria que mais causa a síndrome de Gillian-Barré, causa uma gastroenterite.
 
É uma doença neurológica bastante conhecida; rara. Calcula-se que em Portugal haja um em 100 mil casos, portanto haverá cerca de 20 casos por ano.
No Serviço de Neurologia do Hospital de Santa Maria, onde trabalho, há cerca de um a dois casos, o que corresponde ao que é esperado.
 
É muito mais possível que a síndrome surja como consequência de uma gastroenterite do que propriamente no seguimento da vacina contra a gripe A.
Cristina Sampaio (especialista em Farmacologia Clínica): Sem dúvida. Na vacina da gripe A neste momento não há experiência. Veremos. Neste momento a expectativa é que não exista nenhum.
 
O que aconteceu nos EUA, nos anos 70, é que foram vacinados cerca de 40 milhões de americanos num espaço extremamente curto. E de facto foram registados cerca de 500 casos com a síndrome de Gillian-Barré, dos quais morreram 25 pessoas. Isto foi um resultado considerado inusitado porque correspondeu a mais 10% dos casos do que se esperaria, naquele ano. Mas depois de estudos feitos, concluiu-se que afinal teriam sido apenas duas a três vezes superiores. E ainda está por explicar o que de facto terá causado esta subida do número de casos.
 
De qualquer forma, actualmente o processo de fabrico é completamente diferente. E desde aí nunca mais se observou qualquer subida de casos da síndrome associados a qualquer programa de vacinação.
Não se registaram nenhuns casos associados à gripe sazonal e esta é produzida exactamente da mesma forma que a vacina da gripe A.
 
E são dadas cerca de 400 milhões de vacinas, todos os anos, nos dois hemisférios, tanto quanto sei; ou seja, 800 milhões de vacinas todos os anos.
Cristina Sampaio (especialista em Farmacologia Clínica): Exactamente. Existem imensos estudos quer no sistema de registo americano, quer no sistema de registo europeu; e são concordantes.
 
Por isso, neste momento e de acordo com a nossa melhor informação, não esperamos que possa haver um aumento desta síndrome em virtude da vacinação contra a gripe A. E estamos a monitorizar, obviamente. Mas não estamos focados nesta síndrome como se fosse a nossa maior preocupação.
 
Vamos monitorizar a segurança da vacina em parceria com os seus produtores. Existe um programa de gestão de risco da segurança da vacina, que está bem planeado, porque não esperamos que o risco seja zero. Isso seria ridículo.
Todas as vacinas têm uma taxa de possíveis efeitos adversos, absolutamente razoáveis. E esperamos confirmar se as nossas expectativas estão certas. Se não esperássemos qualquer efeito adverso a vacina seria completamente ineficaz.


publicado por servicodesaude às 10:38
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Gripe A (H1N1): Vacina para pandemia ou antipneumocócica

Telefonema de Alda Baptista, 40 anos, empregada doméstica, da Bairrada:

A minha filha já teve várias pneumonias, entre as quais uma pneumonia atípica, não muito bem explicada, depois outra, que a médica disse que era uma espécie de teias de aranha nos pulmões. E ainda uma terceira.
Na altura o médico aconselhou a fazer a Pneumo 23 que tem uma validade de cinco anos, e foi feita. Gostaria de saber se devo reforçar novamente com a Pneumo 23 ou se seria mais aconselhável a vacina da gripe A?
 
Rui Cernadas (médico de família): Relativamente à Pneumo 23, a validade da vacina é por cinco anos, portanto, para termos verdadeiramente um indivíduo com taxas de imunidade razoáveis terá que haver revacinação de cinco em cinco anos.
Relativamente à vacina da gripe sazonal elas deverão ser aplicadas em conjunto, uma vez que têm características especiais. Se não houver o cuidado de as fazer em simultâneo terá que haver um espaçamento de pelo menos quatro ou cinco semanas entre elas.
 
No que toca à vacinação contra o vírus da gripe A, se só tiveram estes antecedentes, provavelmente não corresponderão aos grupos prioritários.


publicado por servicodesaude às 09:39
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Gripe A (H1N1) - Elevado número de casos nos Açores

Porque é que houve tanta gente infectada nos Açores? Penso que temos um universo de cerca de 20 mil pessoas infectadas no país e praticamente 2 mil pessoas só nos Açores, o que em termos de população parece um número muito elevado.

Sabe-se que o vírus se propaga com mais facilidade com o frio e com a humidade e sabemos que os Açores possuem uma grande humidade. É esse o factor explicativo ou são outras as causas?
 
Dr. Mário Freitas (especialista em saúde Pública): São outras causas. O que aconteceu e o que acontece é que quem vai daqui para lá se calhar enfrenta um risco menor do que se vier dos Açores para aqui.
A intervenção na comunidade exige uma vigilância epidemiológica muito atenta. Mesmo no que toca à gripe sazonal os Açores comportam-se habitualmente de forma diferente relativamente ao continente. A curva epidémica nos Açores tem sempre um atraso de duas ou três semanas.
Aqui passou-se algo de semelhante. Houve um aumento do número de casos no mês de Agosto no Continente e nos Açores foi em meados de Setembro. Isso teve a ver com o regresso às aulas e também com alguma falta de vigilância epidemiológica por falta de recursos humanos, que não permitiu uma determinada actuação a tempo e horas. Isso aconteceu apenas num determinado local da ilha, tendo sido encerrada uma turma. Mas essa decisão que tomei acabou por revelar-se de uma eficácia extrema.
 
Inicialmente apareceram três casos, em tudo semelhantes: pertenciam à mesma turma, jogavam na mesma equipa de futebol e viviam perto uns dos outros. Quando aparece um quarto caso, que não tem as mesmas características mas é da mesma turma, resolvemos suspender as aulas durante cinco dias. Ao quinto dia de incubação, há mais um aluno que aparece contaminado.
O que temos que pensar é que, se não tivéssemos suspendido aquela turma, tinha havido uma sucessão, como acontece epidemiologicamente nestas situações.
As pandemias nunca surgem tipo praga de gafanhotos; vão surgindo… uma sala, depois outra sala, depois a sala ao lado... e a determinada altura já são tantas salas que já não é possível controlar.
 
É preciso agir com atenção e atempadamente, não é?
Dr. Mário Freitas (especialista em saúde Pública): Para aquelas pessoas que sistematicamente desvalorizam o trabalho que todos estamos aqui a fazer, dizem: “esta gripe é menos importante que a gripe sazonal”.
Contudo, acho que já valeu a pena, porque está-se a dar valor às complicações e à mortalidade associada à gripe sazonal. E nunca, como hoje, se receitou tanto a vacina antipneumocócica, que é uma vacina que salva muitas vidas em determinados grupos etários e que é fundamental que seja dada aos grupos de risco.
 
 


publicado por servicodesaude às 08:43
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Gripe A (H1N1) - Ficha Técnica

 

Autoria, coordenação e apresentação
Maria Elisa Domingues
 
Convidados
Cristina Sampaio
António Diniz
Rui Cernadas
Mário Freitas
 
Reportagem
Buenos Aires Filmes
 
Produção
Miguel Braga
 
Pesquisa
Alexandra Figueiredo
Catarina Fernandes
Miguel Braga
 
Jornalistas
Miguel Braga
Catarina Fernandes
Raquel Amaral
 
Imagem
Gonçalo Roquette
Filipe Lopes graça
Arquivo RTP
 
Edição
Teresa Mota
 
Pós-produção vídeo
Sara Nolasco
 
Pós-produção Audio
Miguel Van Kellen
 
Gestão e edição de conteúdos Internet
(Portal SAPO)
Natacha Gonzaga Borges
 
Atendimento telefónico
Marta Abreu
João Serôdio
Lúcia Farracho
Rita Silva
 
Câmaras
Nuno Freitas
Elias Barbosa
João Melo
Adelino Nogueira
João Sardinha
 
Mistura de Imagem
João trindade
 
Controlo de Imagem
José Manuel
 
Som
Nunes cachado
Tiago Correia
 
Iluminação
Armindo Caneira
 
Electricista
Jaime Correia
 
Técnicos de Electrónica
José Borges
Rui Loureiro
 
Assistentes de Operações
Carlos Pereira
José Araújo
José Machado
 
Caracterização
Fátima Tristão
Ana Filipa
 
Assistente de guarda-roupa
Paula Silva
 
Assistentes de Artes Visuais
Bruno Silva
Eurico Lourenço
Luís Marques
 
Registo Magnético
Vasco Rio Ferreira
 
Gerador de Caracteres
Manuel Barreiro
 
Teleponto
Luís Pereira Torres
 
Genérico e Grafismos
Nicolau Tudela
Teresa Martins
 
Música genérico
Ari de Carvalho
 
Assistente de Realização
Pedro Valladas Preto
 
Anotadora
Dinah Costa
 
Chefe Técnico de Produção
Melo Pereira
 
Criação cenográfica
Gil Ferreira
 
Execução cenográfica
Isabel Rodrigues
 
Produção
Paula Paiva
 
Realização
Pedro Miguel Martins


publicado por servicodesaude às 07:47
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