Segunda-feira, 30 de Novembro de 2009
Gripe A - Morte de jovem de 14 anos está a ser investigada

O Director-geral da Saúde afirma que estão a ser feitos os exames necessários para determinar a causa da morte do jovem de 14 anos que hoje morreu com sintomas de gripe.

O adolescente tinha sido ontem observado no Hospital Dona Estefânia mas, como não apresentava febre nem dificuldades respiratórias, foi enviado para casa, onde acabou por falecer esta manhã.
Em comunicado, o Centro Hospitalar de Lisboa Central lamenta profundamente o sucedido, salientando que toda actuação clínica esteve de acordo com as orientações técnicas da Direcção-geral da Saúde.
Por seu lado, o director-geral Francisco George, sem querer gravar qualquer declaração, afirma que há muitas doenças que podem provocar uma morte fulminante, como esta, pelo que será preciso aguardar pelos exames, incluindo a autópsia, para se perceber a natureza da morte.
São esperados resultados na quarta-feira. Do pouco que se sabe sobre este caso, há apenas a indicação de que o jovem não tinha recebido a vacina.
Já hoje foi conhecida mais uma morte relacionada com a Gripe A: trata-se de um homem de 45 anos, da zona centro do país e que, segundo as autoridades de Saúde, tinha factores de risco que terão contribuído para o desfecho fatal.
Pelas contas oficiais, até agora o vírus H1N1 foi responsável em Portugal por 21 mortes.

(Fontes: Rádio Renascença, LUSA e TSF)


Temas:

publicado por servicodesaude às 13:06
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Domingo, 29 de Novembro de 2009
Gripe A - Ministra da Saúde renova apelo: a vacina salva vidas

A ministra da Saúde, Ana Jorge, apelou ontem às grávidas para que tomem a vacina contra o vírus da gripe A. "Neste momento, faz sentido reforçar a importância da vacinação", disse a governante, acrescentando que, pela primeira vez, "uma pandemia tem, em tempo real, uma vacinação eficaz e segura".
Idêntico alerta é lançado pelo director-geral da Saúde, Francisco George, que, em declarações ao CM, diz temer que o número de grávidas mortas aumente só porque as mulheres não se vacinam.
Ontem, durante uma visita ao Porto, a ministra Ana Jorge admitiu a existência de "mais uma ou duas grávidas nos Cuidados Intensivos, que já tiveram as suas crianças, em partos pré-termo, que não foram vacinadas e que correm risco de vida". "Por ser uma situação evitável, custa muito mais", disse apelando, sobretudo às grávidas, para contactarem os centros de saúde para serem vacinadas.
A ministra recordou ainda as duas grávidas que faleceram e cujos recém-nascidos ficaram órfãos. "Se uma das grávidas a quem foi aconselhado não fazer a vacina tiver um problema, de quem é a responsabilidade, pelo menos a responsabilidade moral e ética?", interrogou Ana Jorge.
Para evitar mal--entendidos sobre esta matéria, o bastonário da Ordem dos Médicos, Pedro Nunes, rejeitou ontem responsabilidades dos clínicos nos casos das grávidas que não se vacinaram.
Das 60 mil grávidas existentes em Portugal, recorde-se, apenas cinco mil se imunizaram.
Ao fim de um mês de vacinação, há cem mil portugueses que optaram pela vacina. O aumento da população imunizada é uma das causas apontadas para a redução da epidemia em Portugal.
A Organização Mundial da Saúde divulgou uma redução em cerca de três mil doentes de gripe A. Na semana entre 16 e 22, houve um total de 10 520 infectados, quando na semana anterior havia a indicação de 13 368. A redução fez Portugal baixar de uma intensidade elevada da doença para média.

(Fonte: Correio da Manhã)


Temas:

publicado por servicodesaude às 18:17
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Sábado, 28 de Novembro de 2009
Gripe A - Quase oito mil mortos em todo o mundo - OMS

A gripe A (H1N1) provocou até agora quase oito mil vítimas mortais em todo o mundo, tendo a doença registado um aumento forte na Europa, com uma subida de mais de 85 por cento de mortes numa semana.

Na Europa, a gripe pandémica fez, até ao momento, «pelo menos 650 mortos» esta semana (mais 300 do que na anterior), segundo o último comunicado da Organização Mundial de Saúde (OMS), publicado numa altura em que uma nova variante do vírus está a gerar mais preocupações.
A OMS dá conta de «pelo menos 7.286 mortes» no mundo depois do aparecimento do vírus em Março/Abril, ou seja mais de um milhão de mortes suplementares (mais 16 por cento) numa semana.

 

(Fonte: LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A. )


Temas:

publicado por servicodesaude às 18:49
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Gripe A - Primeiro bebé vítima do H1N1 em Portugal

Criança tinha quatro meses e problemas neurológicos. Direcção--Geral da Saúde lembra que vacinar as grávidas ajuda a proteger os bebés.

A morte de um bebé de quatro meses leva a Direcção-Geral da Saúde a alertar que a vacinação das mães na gravidez é a única forma de garantir a protecção das crianças até aos seis meses, idade em que podem ser vacinadas. A criança estava internada nos cuidados intensivos de pediatria do Hospital de São João, no Porto e, na quarta--feira, acabou por não resistir à infecção.
O bebé do sexo masculino, tinha uma "doença neurológica grave, que ainda estava a ser estudada", diz fonte do hospital São João. "Os médicos dizem que devido a esses problemas de saúde, existia uma forte probabilidade de vir a morrer no primeiro ano de vida, devido a uma infecção", acrescenta a mesma fonte.
A subdirectora-geral da Saúde, Graça Freitas alerta que, apesar de não ser possível imunizar os bebés até aos seis meses - porque o seu sistema imunitário não reage à vacina - é possível dar-lhes alguma protecção vacinado as mães.
"Essa é outra vantagem de as grávidas serem vacinadas", explica. "Primeiro, durante a gravidez, passam anticorpos aos fetos que lhes conferem alguma protecção depois de nascerem; segundo, continuam a protegê-los depois com a amamentação; e por fim não adoecem elas e não lhes passam a doença", conclui a médica.
Além disso, quando os bebés têm problemas de saúde, a Direcção-Geral da Saúde recomenda a vacinação dos familiares mais próximos.
Ontem morreu outra pessoa infectada com o H1N1, a primeira na Madeira, fazendo subir para 19 o número de vítimas da pandemia no País. A mulher de 52 anos que estava internada no Hospital Dr. Nélio Mendonça, no Funchal, tinha outras doenças associadas, revelou ontem o secretário regional dos Assuntos Sociais madeirense, Francisco Jardim Ramos.
No entanto, quatro das 19 vítimas portuguesas não tinham nenhum problema de saúde conhecido. E apesar de o vírus H1N1 estar a afectar sobretudo crianças e jovens adultos, a maior parte das vítimas tinha mais de 30 anos.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou ontem que o número de vítimas mortais cresceu 16% na última semana.
Em França, as autoridades de saúde confirmaram ontem a morte de dois doentes infectados com a mutação do vírus H1N1 recentemente descoberta na Noruega. Segundo o Instituto Nacional de Vigilância Sanitária, os doentes não tiveram contacto entre si e estavam internados em hospitais diferentes. A OMS está a investigar a mutação e a tentar perceber se o vírus se tornou mais mortífero.
Num dos doentes em França verificou-se "uma outra mutação" no vírus, conhecida por ser resistente ao oseltamivir (Tamiflu). Trata-se da primeira estirpe resistente detectada no país.
(Fonte Diário de Notícias)

Temas:

publicado por servicodesaude às 18:46
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Gripe A - Primeira vítima mortal na Madeira

A Região Autónoma da Madeira registou, na madrugada de ontem, a primeira vítima mortal por causa do vírus da gripe A, H1N1. A senhora de 52 anos estava internada nos cuidados intensivos do Hospital Dr. Nélio Mendonça e tinha várias patologias associadas.


O secretário regional dos Assuntos Sociais, Francisco Jardim Ramos confirmou o falecimento da doente do sexo feminino «que tinha diversas patologias e já tinha vários internamentos e as doenças de base, associadas à infecção da gripe A, levaram a que não conseguisse resistir à doença», explicou o responsável pela pasta da Saúde na Madeira.
Segundo o que a Rádio Jornal da Madeira conseguiu apurar, a mulher deu entrada nas urgências do Hospital Dr. Nélio Mendonça no dia 25 de Novembro, com falta de ar e com queixas de dores no peito, vindo depois a sofrer de insuficiência orgânica. A senhora de Câmara de Lobos sofria de epilepsia, diabetes e ainda tinha problemas de coração.


Neste momento, há um outro doente internado nos cuidados intensivos por causa do vírus H1N1, mas «está estabilizado e vamos aguardar uma evolução positiva, já que todos os outros casos evoluíram favoravelmente e hoje estão bem, por isso vamos esperar que o caso deste doente que está nos cuidados intensivos também evolua favoravelmente».
O responsável aproveitou a oportunidade para, uma vez mais, apelar à toma da vacina contra a gripe A que é a principal arma de prevenção. «Nós mantemos o que os peritos dizem, a vacina é uma arma que está à disposição das pessoas e nunca a humanidade teve a oportunidade de ter uma vacina que previne uma pandemia».

(Fonte: Jornal da Madeira online)

 


Temas:

publicado por servicodesaude às 17:39
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Sexta-feira, 27 de Novembro de 2009
Gripe A - Mutação do H1N1 mata duas pessoas em França

Dois pacientes portadores de uma mutação do vírus H1N1 morreram em França, anunciou o Instituto de Vigilância Sanitária. "Trata-se de uma mutação recentemente assinalada na Noruega", que pode "aumentar a capacidade do vírus de atingir as vias respiratórias baixas e, nomeadamente, atacar o tecido pulmonar", diz o Instituto de Vigilância Sanitária (InVS).

De acordo com o InVS, esta mutação "não afecta a eficácia das vacinas" actualmente ministradas.

 

Os pacientes não tinham qualquer relação conhecida. Morreram em cidades diferentes, acrescenta o InVS. Num dos pacientes, escreve a edição online do jornal "Le Monde", foi detectada "uma outra mutação" que confere ao vírus do H1N1 "resistência ao oseltamivir (o Tamiflu).
 
Esta resistência ao Tamiflu tinha, também, sido detectada em partes do Reino Unido. Médicos do País de Gales estão a investigar uma série de casos em que o vírus da gripe A terá resistido ao Tamiflu, antiviral usado no combate à doença.  
 
A descoberta foi feita no Hospital Universitário de Gales, em Cardiff, onde se registaram vários casos de contaminação com gripe A e todos com aparente resistência ao Tamiflu.
 
A Organização Mundial de Saúde acredita que a vacina actual contra o H1N1 é eficiente contra esta mutação, que se chama 222. A mutação já foi encontrada em vários países, mas para já, diz a OMS, não é possível avaliar o seu impacto na saúde mundial.

(Fonte: Jornal de Notícias)


Temas:

publicado por servicodesaude às 18:13
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Gripe A - Ministérios da Saúde e do Trabalho querem facilitar baixas médicas

Os Ministérios da Saúde e do Trabalho estão a finalizar um processo para facilitar a obtenção da baixa médica pelos doentes infectados pelo vírus H1N1, que poderá ser passada por outros médicos além dos clínicos de família, disse fonte governamental.

"Este regime de baixas médicas, que se encontra em fase de finalização, visa responder a situações de excepção, criadas pela gripe A", e deverá entrar em vigor "dentro em breve", adiantou hoje à agência Lusa a fonte do Ministério da Saúde.
 
Em cima da mesa está a possibilidade dos portugueses infectados com gripe A(H1N1) poderem vir a obter os certificados de incapacidade temporária (baixas) junto da rede de urgências hospitalares públicas e privadas e junto da rede pública de cuidados de saúde primários (centros de saúde).

(Fonte: Lusa e Portal Sapo)


Temas:

publicado por servicodesaude às 15:18
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Quinta-feira, 26 de Novembro de 2009
Gripe A - Mapa da Intensidade do vírus na Europa: Portugal passa a "Intensidade Elevada"

 

(Mapa Mapa da Intensidade do vírus na Europa a 26 de Novembro. Portugal passa a "Intensidade Elevada": Fonte: http://www.euroflu.org/html/maps.html)


Temas:

publicado por servicodesaude às 22:57
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Gripe A - Mais de 96 mil portugueses vacinados: muito poucas grávidas (26 Novembro)

Comunicado da Dirtecção -Geral de Saúde - 26/11/2009

 
 
Campanha de vacinação
A campanha de vacinação contra a gripe pandémica que teve início a 26 de Outubro, tem como principal finalidade proteger cidadãos mais vulneráveis, reduzir a probabilidade de ocorrência de casos graves, bem como assegurar a continuidade dos serviços essenciais.
O fornecimento faseado das vacinas implicou, naturalmente, a definição dos grupos-alvo A, B e C, por ordem de prioridade.
 
A 1ª fase do Grupo A iniciou-se com a vacinação das grávidas com patologia associada e dos profissionais que desempenham funções essenciais.
No dia 2 de Novembro, em simultâneo com a 1ª fase, teve início a vacinação dos cidadãos que integram a 2ª fase do Grupo A, incluindo grávidas saudáveis nos 2º e 3º trimestres da gravidez.
No dia 16 de Novembro a campanha foi alargada ao Grupo B, com prioridade para as crianças com idade entre os 6 meses e os 2 anos.
No Continente, um mês após o início da campanha, estão vacinadas mais de 96.000 pessoas, o que significa que foram administradas, pelo menos, 67% das vacinas distribuídas até 24 de Novembro.
 
Num universo estimado de 60.000 mulheres grávidas no 2º e 3º trimestres, apenas foram vacinadas cerca de 5.000. Esta situação dever-se-á, em parte, ao contexto psico-social adverso à vacinação das grávidas, relacionado com a ampla divulgação de notícias alarmistas de casos de morte fetal que, aliás, não tinham relação causal com a vacina.
Por outro lado, a vacinação das crianças com idade entre os 6 meses e os 2 anos tem tido uma boa adesão, com 8.000 doses administradas em pouco mais de uma semana.
Nos hospitais públicos foram vacinados cerca de 17.000 profissionais de saúde. Estão vacinados 32% dos médicos, 18% dos enfermeiros e 12% dos outros profissionais de saúde.
A forma mais eficaz de minimizar o impacte da pandemia é vacinar o maior número de pessoas no mais curto espaço de tempo, em particular as grávidas, as crianças até aos 2 anos de idade e os doentes crónicos.
O Ministério da Saúde apela à vacinação dos profissionais de saúde, para a sua própria protecção, para a protecção dos doentes que tratam, e ainda para reduzir o absentismo, numa altura de maior pressão nos serviços de saúde.
Vacine-se contra a gripe A. Pela sua saúde, proteja-se. Ajude-nos a ajudá-lo.

(Fonte: Direcção-Geral de Saúde)


Temas:

publicado por servicodesaude às 18:32
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Quarta-feira, 25 de Novembro de 2009
Gripe A - DGS faz Ponto de situação em Portugal: 6 óbitos, num total acumulado de 16 vítimas mortais e 205 focos escolares (25 Novembro)

Na semana de 16 a 22 de Novembro, foram observados nos serviços de saúde 27.121 doentes com sintomas de gripe, independentemente da confirmação laboratorial dos vírus em causa.

Na semana em análise, estiveram internados 148 doentes, dos quais 20 em Unidades de Cuidados Intensivos. No mesmo período, registaram-se 6 óbitos, sendo o total acumulado de óbitos *, até domingo, dia 22 de Novembro, de 16.
 
No que se refere aos clusters (focos) em escolas, registou-se um total nacional de 205. A actividade gripal continua predominantemente centrada em ambiente escolar, tal como na semana anterior.
 
O Ministério da Saúde apela à tranquilidade dos cidadãos e reitera a importância de atitudes responsáveis, conscientes e cívicas na procura dos serviços de saúde. "Só assim é possível evitar deslocações desnecessárias. Colabore com os serviços de saúde, para que estes possam responder atempadamente a quem verdadeiramente precisa de cuidados médicos.
O Ministério da Saúde apela ainda à vacinação dos grupos de risco".
 
Semanalmente, pode consultar o ponto de situação da evolução da infecção da Gripe A no site do Ministério da Saúde (http://www.portaldasaude.pt/) e no Microsite da Gripe, no site da Direcção-Geral da Saúde (http://www.dgs.pt).
 
"O número de óbitos será actualizado no Microsite da Gripe, em http://www.dgs.pt, sempre
que Portugal notifique as autoridades de saúde internacionais".

(Fonte: Direcção-Geral de Saúde)


Temas:

publicado por servicodesaude às 19:54
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Segunda-feira, 23 de Novembro de 2009
Gripe A - Laboratórios privados fazem mais de 500 análises por dia

Com os hospitais públicos a limitar os testes do vírus H1N1 aos doentes prioritários, a população está cada vez mais a recorrer aos laboratórios privados, que até fazem a recolha em casa.

No início do mês de Novembro o Instituto Nacional Ricardo Jorge (INSA) garantia a entrga dos resultados em 24 horas para os doentes prioritários como os que estão internados ou têm doenças crónicas. E em 48 horas para os outros casos.

Actualmente, segundo o presidente da Associação Portuguesa de Analistas Clínicos, Germano de Sousa, "o número de análises diérias à gripe A feitas por privados rondará as cinco, seis centenas", devido "ao aumento da procura por parte da população mas também de alguns hospitais com gestão empresarial"..

Cada teste varia entre os 42 e os 200 euros consoante o laboratório e o número de subtipos do vírus -  existem quatro - testados. Se o doente apenas quiser saber se tem gripe A paga menos. Os laboratórios vão sobretudo a casa quando se trata de doentes crónicos ou crianças mas aí o valor é sempre superior a 70 euros.

(Fonte: Diário de Notícias)


Temas:

publicado por servicodesaude às 22:39
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Gripe A - Especialistas preocupados com uso excessivo de antivirais

 O uso de Tamiflu e Relenza, dois dos antivirais disponíveis contra a gripe A - apenas porque se suspeita de ter os sintomas-, preocupa especistas de vários países. Cientistas canadianos reforçaram uma vez mais que o consumo em excesso destes antivirais pode fortalecer o vírus H1N1, quando à partida seria facilmente ultrapassado pela maioria da população.

 

Uma preocupação manifestada após a notícia da mutação do vírus na Noruega e no Reino Unido que, originou resistências ao Tamiflu em vários doentes.

Os peritos lembram que se receitassem Tamiflu a doentes com gripe sazonal e o vírus criasse resistência, deixaria de constituir uma arma contra a gripe A e recomendam, por isso, muita cautela na prescrição destes antivirais.

(Fonte: Diário de Notícias)


Temas:

publicado por servicodesaude às 21:49
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Gripe A - Mortes causadas pelo vírus duplicam a cada duas semanas na Europa

O Centro Europeu de Controlo e Prevenção de Doenças revelou hoje que o número de mortes causadas pelo vírus H1N1 tem duplicado na Europa desde meados de Outubro.

No total, já morreram 670 pessoas infectadas com a nova estirpe do vírus H1N1 na Europa, desde Abril, refere em comunicado aquela entidade, acrescentando que só na última semana foram registadas 169 mortes causadas pela gripe A.
 
A infecção causada por este vírus já levou à hospitalização de mais de 4.400 pessoas na Europa, sendo que no Reino Unido há 180 pacientes que se encontram nos cuidados intensivos.
 
Dos 27 estados-membros da União Europeia, 12 países, incluindo Portugal, revelam uma "alta intensidade" da doença, enquanto outros 14 membros apresentam uma "intensidade média" e apenas um tem "baixa intensidade".
 
No total, e segundo os últimos dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o vírus H1N1 já matou mais de 6.770 pessoas em todo mundo e existem actualmente mais de 503,5 mil infectados com gripe A.
(Fonte: Diário Económico)
 

Temas:

publicado por servicodesaude às 20:12
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Sábado, 21 de Novembro de 2009
Gripe A - DGS - Esclarecimentos sobre a Vacina Pandemrix - aos médicos e enfermeiros

Direcção-Geral da Saúde - Circular Informativa

 
Vacina Pandemrix®: informação complementar à Circular Normativa nº 17A/DSPCD de 13/11/09  Para: Todos os médicos e enfermeiros
 
Na sequência de dúvidas surgidas sobre a administração da vacina contra infecções pelo vírus da gripe A(H1N1) 2009 (vacina pandémica), esclarecem-se os seguintes aspectos:
 
1. Administração da vacina a crianças com idade ≥6 meses sem exposição prévia alimentar ao ovo
 
A Pandemrix® apenas contém vestígios de proteínas de ovo, nomeadamente ovalbumina, e vestígios de outras substâncias, como formaldeído, sulfato de gentamicina e deoxicolato de sódio.
À semelhança da não exposição ao ovo, estas crianças provavelmente também não têm história conhecida de exposição aos outros componentes e excipientes da vacina.
A probabilidade de uma reacção anafiláctica após a vacinação (para todas as vacinas e todas as causas de alergia, incluindo a alergia às proteínas do ovo) é muito baixa (cerca de 1 por milhão de doses administradas).
Até que haja uma primeira exposição a uma determinada substância, em qualquer idade, não é possível antecipar uma reacção alérgica a essa substância. Em caso de eventual alergia às proteínas do ovo, poderá ser mais grave a exposição alimentar em casa do que a exposição aos “vestígios de resíduos de ovo” da vacina, em contexto de serviços de saúde.
Assim:
 
􀂃 Crianças dos 6 aos 24 meses, que não tenham tido história de reacção alérgica grave ao ovo, incluíndo as que nunca ingeriram este alimento, devem receber a vacina Pandemrix® tal como indicado para as crianças neste grupo etário;
 
􀂃 Crianças que tenham apresentado reacção alérgica grave às proteínas do ovo, devem ser vacinadas em ambiente hospitalar, tal como recomendado para as vacinas do Programa Nacional de Vacinação1.
 
Relembra-se o previsto para a vacinação no âmbito do PNV1 para a eventualidade rara de surgir uma reacção alérgica grave com qualquer vacina injectável:
                a permanência no serviço, sob observação, durante 30 minutos após a administração de qualquer vacina ;
                e a existência do equipamento necessário para tratamento de reacções adversas graves como a anafilaxia.
 
 
2. Compatibilidade com outras vacinas
 
No actual contexto epidemiológico da infecção por vírus da gripe (H1N1) 2009 e atendendo ao risco de infecção, e de acordo com a Circular Normativa nº 17A/DSPCD de 13.11.2009 (ponto 2.8) não se devem perder oportunidades de vacinação com a vacina pandémica.
A vacina pandémica, a administrar em regime de campanha, é a vacina prioritária.
 
2.1. Vacinas do Programa Nacional de Vacinação
 
A vacina pandémica, por ser uma vacina inactivada, pode ser administrada simultaneamente ou com qualquer intervalo de tempo em relação às vacinas do PNV;
 
Se a administração da vacina pandémica decorrer no âmbito de uma visita para actualização do PNV (aos 6, 15 e 18 meses, ou outra idade) e se for considerado que o número de injectáveis é demasiado incómodo, deve ter prioridade a vacina pandémica;
 
Neste caso, nessa visita será administrada a vacina pandémica e algumas das vacinas do PNV, marcando-se as restantes para uma data posterior, sem intervalo mínimo de tempo estipulado.
Como nas crianças até aos 9 anos de idade, inclusive, é recomendada uma 2ª dose da vacina da gripe pandémica (com um intervalo mínimo de 4 semanas em relação à primeira dose) pode aproveitar-se esta oportunidade de vacinação para completar as vacinas do PNV em falta.
 
2.2. Outras vacinas
 
A vacina pandémica pode ser administrada simultaneamente ou com qualquer intervalo em relação a outras vacinas, nomeadamente a vacina contra a gripe sazonal, as vacinas pneumocócicas ou outras vacinas frequentemente recomendadas a crianças fora do âmbito do PNV. Neste caso, e à semelhança das vacinas do PNV (ponto 2.1), deve ter prioridade a vacina pandémica.
 
2.3. Imunoglobulinas (incluindo anti-RH)
A interacção entre imunoglobulinas e vacinas inactivadas é reduzida, pelo que estas podem ser administradas em simultâneo, antes ou depois da administração de produtos contendo imunoglobulinas, desde que em locais anatómicos diferentes, de acordo com o PNV1.
 
3. Recusa da vacinação
 
À semelhança do que acontece para a vacinação no âmbito do PNV, a recusa da vacina pandémica deverá ficar registada.
Assim, se a vacinação for recusada:
 
no decorrer de uma consulta médica: “A eventual recusa da vacina por doentes que cumprem os critérios para vacinação deverá ser registada pelo médico assistente na ficha clínica” 2;
 
no decorrer de uma visita para actualização do PNV (6, 15 e 18 meses, ou outra idade), a recusa deverá ficar registada na ficha de vacinação do módulo de vacinação do SINUS, no campo “Observações”.
Nas situações em que haja contacto telefónico ou outro, para agendamento da vacinação com a vacina pandémica, o profissional que estabeleceu o contacto deverá registar na lista de elegíveis (grávidas, crianças até aos 2 anos, doentes integrados nos grupo-alvo, ou outros) a data do contacto e a intenção verbalizada.
 
4. Notas finais
 
Relembra-se que as crianças com idade ≥ 6 meses e < 24 meses, com ou sem patologia, não necessitam de qualquer declaração para serem vacinadas.
Ainda de acordo com a circular2, a vacina pandémica deverá ser aplicada no deltóide esquerdo (≥12 meses) ou na coxa esquerda (<12 meses), devendo ser registado o local da administração desta e de outras vacinas.
 
Fonte: Direcção-Geral da Saúde
 

Temas:

publicado por servicodesaude às 21:31
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Gripe A: Nona vitima confirmada pela ministra da Saúde

A ministra da Saúde, confirmou ontem a ocorrência de mais uma morte, a nona, por gripe A no Hospital de Santo André, em Leiria. Ana Jorge disse tratar-se de um doente “internado em unidade de cuidados intensivos” e “em estado crítico já há alguns dias”. O hospital não avança qualquer informação.

Esta é a segunda morte por gripe A naquela unidade de saúde depois de ter falecido, no dia 12, um homem de 58 anos que sofria de obesidade mórbida.

 


Temas:

publicado por servicodesaude às 19:45
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Gripe A: Mutação do vírus H1N1 confirmada na Noruega
A Noruega detectou uma mutação do vírus da Gripe A em três casos. A notícia foi revelada pela Organização Mundial de Saúde que se baseou nas pesquisas do Instituto de Saúde Pública norueguês.
 
Os cientistas dizem que os vírus foram isolados a partir dos dois primeiros casos mortais deste tipo de gripe no país e de um outro doente gravemente afectado.
As autoridades norueguesas acrescentaram que a mutação agrava a infecção nas vias respiratórias, mas dizem, ainda “não se verifica a sua circulação pela população”.
 
Portugal, com 126 casos por cada cem mil habitantes, entrou pela primeira vez numa taxa de incidência elevada, segundo a Organização Mundial de Saúde.
As autoridades de Saúde estimam que o pico da doença ocorra em Dezembro, 
(Fonte: Correio da Manhâ)

 

 

 


Temas:

publicado por servicodesaude às 19:19
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Sexta-feira, 20 de Novembro de 2009
Gripe A - Esclarecimentos sobre a campanha de vacinação: aos médicos e enfermeiros (DGS)

Campanha de vacinação contra a infecção pelo vírus da gripe pandémica (H1N1)2009 DATA: 13/11/09- Para: Todos os médicos e enfermeiros

Introdução
A vacina contra a infecção pelo vírus da gripe pandémica (H1N1) 2009 foi aprovada, para uso na Europa, pela Agência Europeia do Medicamento (EMEA) e pela Comissão Europeia, em Setembro de 2009.
A aquisição da vacina pandémica está prevista no Plano de Contingência Nacional do Sector da Saúde para a Pandemia de Gripe (Direcção-Geral da Saúde, 2007)1, no âmbito da Reserva Estratégica de Medicamentos
Por Resolução de Conselho de Ministros2, foi autorizada a aquisição de seis milhões de doses, para a vacinação, em regime de campanha, de 30% da população residente.
Foi adquirida a vacina Pandemrix®. O fornecimento e a distribuição são efectuados de forma faseada ao longo dos primeiros meses da Campanha.
A Campanha de Vacinação teve início no dia 26 de Outubro de 2009.
A vacinação das pessoas incluídas no Grupo B (Anexo I) tem início no dia 16 de Novembro.
 
1. Norma
1.1. Finalidade e objectivos
A principal finalidade da Campanha de Vacinação é reduzir a probabilidade de ocorrência de casos graves e a taxa de letalidade.
A vacinação, destinada a uma população-alvo superior a 3 milhões de pessoas3 (30% da população), tem por objectivos a protecção dos cidadãos mais vulneráveis, de modo a reduzir a morbilidade e a mortalidade, assegurar a continuidade dos serviços fundamentais e, ainda, reduzir a transmissão e a velocidade de expansão da doença (Quadro I).
1 Acessível em http://www.dgs.pt/upload/membro.id/ficheiros/i010835.pdf
2 Resolução do Conselho de Ministros nº 61/2009 (Diário da República, 1.ª série, n.º 140, de 22 de Julho de 2009)
3 Atendendo a que a dose infantil é metade da dose de adult
 
1.2. Grupos-alvo para a vacinação
Tendo em atenção o risco para o desenvolvimento de complicações decorrentes da infecção, bem como o desempenho de funções essenciais e ainda a disponibilidade de vacinas, foram definidos4, por ordem decrescente de prioridade para a vacinação, três grupos-alvo: A, B e C, descritos no Anexo 1.
Uma vez que na primeira remessa de vacinas foram disponibilizadas 54 000 doses5, foi necessário definir, dentro do Grupo A, os primeiros cidadãos a vacinar (prioritários), em função da sua vulnerabilidade e/ou do seu papel vital na resposta à pandemia. Assim, a vacinação foi iniciada pelos subgrupos discriminados no Anexo 1 – Grupo A, 1ª fase.
Em relação ao Grupo B, considerou-se adequado incluir todas as crianças, com ou sem patologia, com idades ≥ 6 meses e < 24 meses, uma vez que existe evidência de que este grupo tem risco acrescido para complicações.
Com o objectivo de proteger o maior número de pessoas elegíveis, o mais rapidamente possível, iniciar-se-á a vacinação do Grupo B mantendo-se a vacinação do Grupo A.
Devem continuar a vacinar-se as pessoas do Grupo A. Dentro do Grupo B, as crianças, com ou sem patologia com idades ≥ 6 meses e < 24 meses, deverão ter prioridade.
É necessário ainda ter presente que, em cada mês, haverá cerca de 9 000 grávidas que, por transitarem do 1.º para o 2.º trimestre da gravidez, devem ser vacinadas.
A vacinação está dependente do número de doses disponíveis em cada momento, podendo haver necessidade de adiar datas de vacinação até à chegada de novas remessas.
É preferível esgotar temporariamente as vacinas do que ter doses por administrar.
As pessoas integradas num determinado grupo e que não se vacinem na altura recomendada poderão fazê-lo posteriormente.
Para evitar desperdício de doses e vacinar o mais rapidamente possível as pessoas do Grupo A e as crianças com idades ≥ 6 meses e < 24 meses, para esgotar as 10 doses do frasco, deve-se vacinar outras pessoas do Grupo B ou mesmo do Grupo C.
 
2. Informação sobre a vacina
2.1. Indicações, contra-indicações e precauções
2.1.1. Indicações
Na profilaxia da gripe em situação de pandemia, a vacina está indicada para pessoas com idade ≥ 6 meses.
Recomenda-se a sua administração a grávidas com tempo de gestação superior a 12 semanas. A vacinação da grávida vai conferir protecção ao filho nos primeiros meses de vida, idades em que a vacina não está indicada.
A vacina é, também, recomendada para as mulheres que amamentam e para as crianças com idade ≥ 6 meses, desde que cumpridos os critérios de inclusão nos grupos-alvo (ver 1.2).
Um diagnóstico prévio de gripe (H1N1) 2009, baseado apenas em critérios clínicos, sem confirmação laboratorial, não contra-indica a vacinação.
 
2.1.2. Contra-indicações e precauções
A vacinação não é recomendada a crianças de idade < 6 meses.
Uma pessoa com diagnóstico prévio de gripe (H1N1) 2009, com confirmação laboratorial, não tem indicação para vacinação, uma vez que já existe imunidade natural contra a mesma estirpe do vírus.
A vacina está contra-indicada em pessoas com reacção anafiláctica anterior a qualquer dos constituintes ou resíduos da vacina (ver 2.3).
Em pessoas com história anterior de hipersensibilidade a qualquer dos constituintes ou resíduos da vacina (incluindo o ovo), a administração deve ser ponderada e efectuada em meio hospitalar, à semelhança do procedimento adoptado para as vacinas do Programa Nacional de Vacinação.
Deverá estar disponível, no local da vacinação, o equipamento e a terapêutica para tratamento de uma reacção anafiláctica, de acordo com as boas práticas e o recomendado no Programa Nacional de Vacinação 2006 (Orientações Técnicas n.º 10 da DGS, Anexo II, página 84).
 
2.2. Apresentação
A vacina (Pandemrix®) é fornecida em multidoses (frascos separados com 10 doses), sendo necessária a mistura do antigénio com o adjuvante na altura da sua administração (Figura 1). A vacina administra-se exclusivamente por via intramuscular.
 
Figura 1 - Vacina Pandemrix®: adjuvante e antigénio em frascos separados.
Adjuvante (emulsão)
Antigénio (suspensão)
Frasco multidose - 10 doses
A cada caixa com 50 frascos de antigénio correspondem 2 caixas de 25 frascos de adjuvante.
Deve ser dada toda a atenção às embalagens que contêm os dois tipos de frascos, pois o número de lote do frasco de antigénio tem de corresponder ao número de lote do frasco de adjuvante.
 
Descrição da embalagem (Figura 2):
Cada caixa (“embalagem original”) de vacina Pandemrix® contém o número de frascos de antigénio e de adjuvante necessário para 500 doses de vacina, ou seja:
                        50 frascos com suspensão - antigénio (frascos maiores);
                        50 frascos com emulsão - adjuvante (frascos menores), acondicionados em caixas de 25 frascos cada;
                        500 etiquetas autocolantes.
Figura 2 - Embalagem dos frascos da vacina Pandemrix®
 
Identificação do lote da vacina Pandemrix®:
                        o frasco do antigénio tem um número de lote;
                        o frasco do adjuvante tem um número de lote diferente do antigénio, porque é outro produto;
                        o produto reconstituído do antigénio com o adjuvante – a vacina – tem um número de lote próprio (lote combinado). Este número de lote é o que consta das etiquetas autocolantes que acompanham os frascos e no exterior da embalagem original.
Assim, quando no serviço de vacinação se recebem os frascos e as etiquetas, o número de lote dos frascos/doses a registar, nomeadamente no módulo de vacinação do SINUS para gestão de reservas/stocks, deverá ser o lote combinado que consta da etiqueta.
Nas fases iniciais da Campanha os serviços de vacinação não irão receber caixas de “embalagem original” com 500 doses. As farmácias das ARS farão a distribuição do número de frascos de antigénio e de adjuvante, garantindo que, em cada remessa/embalagem, os frascos pertencem à mesma “embalagem original” (mesmo lote combinado).
 
Assim, os frascos de antigénio e de adjuvante, pertencentes à mesma “embalagem original”, têm de ser enviados e mantidos juntos para evitar erros na mistura, já que pertencem ao mesmo lote combinado.
 
2.3. Descrição da vacina
􀂃 A vacina adquirida por Portugal pertence à Firma GSK e tem a designação comercial de Pandemrix®;
􀂃 É uma vacina inactivada de viriões fragmentados com adjuvante AS03, composto por esqualeno, DL-α-tocoferol e polissorbato 80;
􀂃 É constituída (Figura 1) por uma suspensão (antigénio) e por uma emulsão (adjuvante). A suspensão é um líquido opalescente claro e a emulsão é um líquido esbranquiçado homogéneo. A mistura tem o aspecto de uma emulsão esbranquiçada;
􀂃 Contém traços residuais de proteína do ovo, ovalbumina, formaldeído, sulfato de gentamicina e desoxicolato de sódio;
􀂃 Após a mistura da emulsão (adjuvante) com a suspensão (antigénio), obtém-se o volume de 5ml, correspondente a 10 doses. Uma dose (0,5 ml) contém:
− viriões fragmentados, inactivados com conteúdo antigénico equivalente à estirpe-tipo A/California/7/2009 (H1N1)v (X-179A), propagado em ovos - 3,75 microgramas de hemaglutinina;
− 5 microgramas de tiomersal 6.
 
2.4. Instruções para a preparação da vacina
A Pandemrix® apresenta-se em dois recipientes (Figura 1):
􀂃 Suspensão: frasco multidose (10 doses) contendo o antigénio.
􀂃 Emulsão: frasco contendo o adjuvante para as 10 doses.
O adjuvante (emulsão) e o antigénio (suspensão) têm de ser misturados antes da administração da vacina.
Antes de misturar os dois componentes, a emulsão e a suspensão devem ficar à temperatura ambiente, ser agitados e inspeccionados visualmente para se verificar a eventual existência de qualquer matéria ou aparência anormais.
 
Preparação da vacina
1. A vacina é misturada retirando com uma seringa/agulha o conteúdo do frasco da emulsão (adjuvante) e adicionando-o ao frasco da suspensão (antigénio);
 
2. Após a adição da emulsão à suspensão, a mistura deve ser bem agitada. A mistura tem o aspecto de uma emulsão esbranquiçada;
3. O volume de Pandemrix (5 ml), após a mistura, corresponde a 10 doses de vacina, que devem ser usadas no período de 24 horas e mantidas a temperatura < 25ºC durante este lapso de tempo;
 
4. O frasco deve ser bem agitado antes de cada administração;
 
5. Cada dose de 0,5 ml é retirada do frasco multidose para uma seringa, imediatamente antes da sua administração;
                        no frasco da mistura multidose, adapta-se uma agulha de 20 gauge e vai-se retirando para seringas de 2 ml (ou de 1 ml para as doses de 0,25 ml para as crianças ≤9 anos) o número de doses individuais necessárias para várias administrações sucessivas, idealmente, as 10 doses (esgotando o frasco);
                        se o número de doses retiradas não esgotar o frasco, a agulha de 20 gauge deve ser removida e, quando for necessário retirar mais doses, adapta-se nova agulha de 20 gauge, respeitando o prazo definido no ponto 3 (< 24 horas a < 25ºC);
                         
6. As vacinas são administradas com uma agulha adequada para injecção intramuscular (23 gauge);
 
7. Qualquer produto não utilizado, assim como os frascos “vazios”, as seringas e as agulhas, devem ser eliminados de acordo com os procedimentos adequados.
 
2.5. Armazenamento
A vacina deve ser armazenada no frigorífico, entre 2ºC e 8ºC, não podendo sofrer congelação. Deve ser mantida na embalagem original, para estar protegida da luz.
 
2.6. Dosagem e Administração
􀂃 Idade ≥ 10 anos
0,5 ml da mistura por via intramuscular no músculo deltóide do braço esquerdo.
 
􀂃 Crianças com idade ≥ 6 meses e ≤ 9 anos
Os poucos dados disponíveis sugerem que a administração de metade da dose (0,25 ml) é suficiente:
                        Crianças de idade < 12 meses - 0,25 ml da mistura por via intramuscular na região antero-lateral da coxa esquerda;
                        Crianças de idade ≥ 12 meses - 0,25 ml da mistura por via intramuscular no músculo deltóide do braço esquerdo.
                         
2.7. Esquema cronológico recomendado
O esquema vacinal actual completa-se com duas doses, a administrar com um intervalo mínimo de quatro semanas.
Esta recomendação poderá ser revista, uma vez que se aguarda para breve uma decisão da EMEA sobre o número de doses necessárias.
 
2.8. Compatibilidade com outras vacinas
Não existem estudos de compatibilidade referentes à administração concomitante da Pandemrix® com outras vacinas. No entanto, como regra geral, uma vacina inactivada pode ser administrada simultaneamente ou em qualquer data antes ou depois de outra vacina (viva ou inactivada), não devendo perder-se oportunidades de vacinação.
Assim, quando for necessária a administração concomitante de outra vacina ou com um intervalo inferior a quatro semanas, esta deve ser efectuada em locais anatómicos
De acordo com estudos efectuados com a vacina mock-up [estirpe A/Vietnam1194/2004 (H5N1) com o adjuvante AS03]. Está disponível informação mais completa e detalhada no Resumo das Características do Medicamento (RCM) da Pandemrix®.
 
3. Vacinação em circunstâncias especiais
3.1. Alterações imunitárias
A resposta à vacina em doentes com imunodepressão pode estar diminuída.
Em relação a estes doentes, mesmo quando vacinados, deverá manter-se um elevado índice de suspeita clínica perante sinais e sintomas sugestivos de síndroma gripal, com ou sem febre.
 
3.2. Alterações da coagulação
As pessoas com risco de diátese hemorrágica, trombocitopénia, alterações da coagulação ou que fazem terapêutica anticoagulante apresentam risco acrescido de hemorragia com injecções intramusculares.
Nessas situações, devem ser tomadas as seguintes precauções, de acordo com o recomendado no Programa Nacional de Vacinação 2006 (Orientações Técnicas n.º 10 da DGS):
 
􀂃 Utilizar uma agulha de calibre 23 gauge ou mais fina;
􀂃 Exercer pressão no local da injecção durante cerca de 5 minutos, sem friccionar;
􀂃 Administrar a vacina após a terapêutica com factores da coagulação ou outra, se indicado.
 
4. Reacções adversas7 e farmacovigilância
􀂃 Reacções muito comuns - reacção local (edema, induração, dor, eritema); febre; fadiga; cefaleias; artralgia e mialgias;
􀂃 Reacções menos comuns - equimose no local da injecção; síndroma gripal; linfadenopatia;
􀂃 Menos frequentemente, foram reportadas reacções cutâneas generalizadas, incluindo urticária e, muito raramente, choque;
􀂃 Após a vacinação poderão verificar-se, transitoriamente, resultados falso-positivos, pelo método ELISA, para VIH, vírus da hepatite C e, especialmente, HTLV-1, que serão negativos com o Western Blot. Estes achados resultarão, provavelmente, da produção de IgM em resposta à vacinação.
 
As reacções adversas possivelmente relacionadas com a vacinação devem ser declaradas ao INFARMED pelos profissionais de saúde (enfermeiros, médicos, farmacêuticos) através do preenchimento correcto dos formulários específicos para cada grupo profissional e seu envio ao Sistema Nacional de Farmacovigilância (disponíveis em www.infarmed.pt).
 
5. Aspectos operacionais da Campanha de Vacinação
5.1. Aspectos gerais
A vacinação decorrerá em regime de campanha através dos serviços de vacinação dos centros de saúde. Tanto quanto possível, pelo menos durante o ano de 2009, em que o número de doentes a vacinar não será excessivo, deve seguir-se uma metodologia idêntica à da vacinação contra a gripe sazonal.
As vacinas serão distribuídas pelas ARS e DRS8 aos agrupamentos de centros de saúde (ACES)/centros de saúde, aos hospitais e a outros serviços de saúde para vacinação dos seus profissionais de saúde e, quando aplicável, dos doentes internados (hospitais).
A continuidade da cadeia de frio terá de ser assegurada em todos os passos, desde a distribuição até ao seu armazenamento, nos locais de vacinação, à semelhança do que se verifica com as vacinas do Programa Nacional de Vacinação.
Para a 1.ª fase do Grupo A, e atendendo ao número limitado de pessoas elegíveis para vacinação (alguns profissionais essenciais e grávidas de 2.º e 3.º trimestres com patologia grave associada) e ao número de vacinas disponíveis, recomenda-se que, sempre que pertinente, a vacinação nos cuidados de saúde primários seja concentrada na sede dos ACES, de forma a evitar uma excessiva repartição das doses e reduzir a probabilidade de desperdício de doses.
Não se deve adiar a vacinação do Grupo A ou das crianças do Grupo B. Se for necessário, para esgotar as 10 doses de um frasco, devem ser vacinadas outras pessoas pertencentes ao Grupo B ou mesmo ao Grupo C.
 
5.2. Vacinação dos doentes, das grávidas nos 2.º e 3.º trimestres, das crianças com idades ≥ 6 meses e < 24 meses, dos profissionais essenciais e de outros grupos
A vacinação destas pessoas decorrerá, em regra, nos serviços de vacinação do Serviço Nacional de Saúde.
A vacinação dos doentes dos grupos-alvo, nos centros de saúde, será feita mediante apresentação de uma declaração médica que ateste que o doente integra um dos grupos (A, B ou C) e, dentro do Grupo A, quando aplicável, que o doente deve ser vacinado na 1.ª fase.
Os doentes internados (hospitais, unidades de cuidados continuados integrados) deverão ser vacinados na instituição em que se encontram. Os hospitais e unidades de cuidados continuados devem fazer uma estimativa do número de doentes internados que integram cada grupo-alvo, e que deverão ser vacinados no decurso do internamento, dando dela conhecimento às ARS e DRS.
 
No Grupo B as crianças com ou sem patologia, com idades com ≥ 6 meses e < 24 meses, são consideradas uma prioridade para vacinação sem prejuízo de se continuar a vacinar as pessoas pertencentes ao Grupo A, com ênfase para as grávidas que transitam do 1º para o 2º trimestre da gravidez e outras pessoas do Grupo B.
A eventual recusa da vacina por doentes que cumprem os critérios para vacinação deverá ser registada pelo médico na ficha clínica.
Declaração de inclusão num grupo-alvo
A operacionalização da emissão das declarações médicas para os doentes dos grupos-alvo a vacinar nos serviços de vacinação dos cuidados de saúde primários será decidida a nível de cada ARS e DRS.
A aplicação informática SAM e outras utilizadas em cuidados de saúde primários permitirá o acesso a um modelo de declaração específico para a vacinação pandémica, que é emitido, caso a caso, por indicação do médico, para os doentes que cumprem os critérios que os incluem no Grupo A, B ou C. Dentro do Grupo A, quando aplicável, o médico deve ainda mencionar que o doente deve ser vacinado na 1.ª fase.
Tanto quanto possível, o processo deverá ser simplificado, não implicando, necessariamente, uma consulta médica. Por exemplo, grávidas portadoras de “Boletim de Saúde de Grávida” (Grupo A) e doentes diabéticos portadores do “Guia do Diabético”, em que seja mencionada terapêutica actual com insulina (Grupo B), podem apresentar-se para vacinação no período de vacinação do respectivo grupo-alvo.
Os profissionais considerados essenciais, devido aos serviços relevantes que prestam à sociedade, serão vacinados no respectivo centro de saúde, mediante a simples apresentação de declaração emitida pela DGS ou DRS e validada pela empresa ou organismo a que pertençam.
As crianças com ou sem patologia, com idades ≥ 6 meses e <24 meses não necessitam de qualquer declaração para se vacinarem.

Temas:

publicado por servicodesaude às 23:22
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Gripe A: Ministra da Saúde confirma oitava morte em Portugal

A ministra da Saúde confirmou hoje a oitava morte, em Portugal, de uma pessoa infectada com o vírus H1N1. Ana Jorge revelou que o doente estava "internado na unidade de cuidados intensivos" e "em estado crítico já há alguns dias". O caso aconteceu no Hospital de Santo André, em Leiria.

 
Já a menina que nasceu no sábado, de emergência, não foi afectada pelo vírus. A mãe estava infectada com Gripe A e os médicos decidiram que a criança devia nascer de imediato, através de cesariana. A informação foi divulgada pelo director clínico do Centro Hospitalar Lisboa Norte, Correia Cunha.
Mais preocupante é a situação da mãe, que foi entretanto transferida de urgência de Abrantes para o Hospital Santa Maria. Correia Cunha referiu que a doente mantém um prognóstico reservado, numa 'unidade de isolamento, com ventilação assistida'.
(Fonte: Rádio Clube Português)

Temas:

publicado por servicodesaude às 18:39
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Quinta-feira, 19 de Novembro de 2009
Gripe A - Estudo revela portugueses preocupados ou muito preocupados com a pandemia

Portugueses começaram por reagir à pandemia com ceptcismo mas nos últimos meses organizaram resposta, diz Constantino Sakellarides

 

Quase 80% dos entrevistados num estudo português estão "preocupados ou muito preocupados" com o H1N1 e 83,8% consideraram provável contrair o vírus nos próximos seis meses.
 
Este é o segundo estudo do Centro de Análise de Resposta Social à Gripe Pandémica,  criado para monitorizar as reacções da população à pandemia. Tal como no primeiro questionário, os comportamentos mais alterados foram os cuidados de higiene: 41,9% afirmaram que lavam as mãos mais frequentemente, 19,7% usarão máscara na rua e 15,5% ficarão em casa se for necessário.
Segundo o director do Centro, Constantino Sakellarides, Portugal alterou nos últimos quatro meses a resposta à gripe A, passando de um "misto de alerta e cepticismo" para um comportamento mais activo.
 
 No livro "Nós e a Gripe", lançado ontem, em Lisboa, o antigo director-geral da Saúde considera que o "grande desafio" dos cuidados de saúde será "diagnosticar e começar a tratar rapidamente as complicações graves da gripe".
Estima-se que durante uma onda pandémica serão hospitalizados cerca de 2% dos casos. Destes, pelo menos 20% irão necessitar de cuidados intensivos - ou seja, cerca de 400 por cada 100 mil doentes.
"Durante uma onda pandémica que, em termos nacionais, pode durar de 8 a 12 semanas, estes números poderão rapidamente multiplicar-se por 10 ou mais", salienta o especialista.
O Centro de Análise da Resposta Social à Gripe Pandémica é um Projecto da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP), em colaboração com a Direcção-Geral da Saúde (DGS) e com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian, que tem como objectivo antecipar, acompanhar, monitorizar e analisar e reportar as "respostas sociais" dos portugueses nas várias fases do processo pandémico.

A ESTeSL está a participar, por convite da ENSP, neste projecto enquanto fonte de informação em relação à resposta social aos riscos pandémicos.

Para mais informações consulte o blog Agir contra a Gripe disponível em 

Relatorio Público nº1 do Centro de Análise da Resposta Social à Gripe Pandémica

Relatório Público nº2 do Centro de Análise da Resposta Social à Gripe Pandémica

Relatório Público nº3 do Centro de Análise da Resposta Social à Gripe Pandémica

 


Temas:

publicado por servicodesaude às 22:58
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Gripe A - Ponto de situação em Portugal - DGS (19 Novembro)

Na semana de 9 a 15 de Novembro, foram observados nos serviços de saúde 19.903 doentes com sintomas de gripe, independentemente da confirmação laboratorial dos vírus em causa. A distribuição da gripe estendeu‐se a quase todo o território do Continente, sendo, no entanto, heterogénea.

 

Na semana em referência, estiveram internados 164 doentes, dos quais 18 em unidades de cuidados intensivos, registando‐se também 2 óbitos.
 
Não se verificaram alterações na gravidade das manifestações clínicas.
No que se refere aos clusters (focos) em escolas registou‐se um total nacional de 150, verificando‐se uma descida. No entanto, a actividade gripal continua predominantemente centrada em ambiente escolar, tal como na semana anterior.
 
O Ministério da Saúde reforça a indicação aos cidadãos para que, em caso de sintomas de gripe, contactem de imediato a Linha de Saúde 24 (808 24 24 24) e sigam as indicações que lhes são dadas.
 
Tendo em conta que a Gripe A é uma doença benigna que se trata, na maioria dos casos, com antipiréticos e com a permanência em casa, o Ministério da Saúde apela à tranquilidade dos cidadãos e reitera a importância de atitudes responsáveis, conscientes e cívicas na procura dos serviços de saúde.
 
Só assim é possível evitar deslocações desnecessárias, bem como o congestionamento dos próprios serviços, que devem estar disponíveis a responder a quem verdadeiramente precisa de cuidados médicos.
O Ministério da Saúde faz, semanalmente, o ponto de situação da evolução da infecção da Gripe A no seu site (http://www.portaldasaude.pt/). A mesma informação pode também ser consultada no Microsite da Gripe, no site da Direcção‐Geral da Saúde (http://www.dgs.pt).
Lisboa,18 de Novembro de 2009
 

(Fonte: Direcção-Geral de Saúde)


Temas:

publicado por servicodesaude às 22:28
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Quarta-feira, 18 de Novembro de 2009
Gripe A - Terceira grávida perde o bebé (18 Novembro)

Uma mulher grávida, de 27 anos, sofreu um aborto às 20 semanas de gestação. O caso aconteceu no Hospital de Santo André, em Leiria, onde se confirmou que o feto deu entrada já sem batimentos cardíacos. A mulher foi vacinada contra a gripe A no início do mês. Trata-se da terceira grávida imunizada que perde o bebé nos últimos quatro dias.

 

'Não é a primeira vez que esta mulher tem um aborto espontâneo. Se não tivesse sido vacinada, poderia ter acontecido na mesma, face ao seu historial', afirmou fonte médica ao CM, apesar de a gravidez estar a decorrer dentro da normalidade.

 

'Esta mulher estava grávida de quatro meses e meio. Numa consulta, na segunda-feira, o seu médico assistente confirmou-lhe que a gravidez estava normal. Hoje, deu entrada com o feto já morto', afirmou fonte do Hospital Santo André.
 
Uma vez que o feto estava na 20ª semana de gestação, não será realizada autópsia, mas sim uma análise anatomo-patológica. Desconhece--se quando serão divulgados os resultados.
 
'Os abortos são uma situação frequente nas mulheres. Até às 12 semanas de gestação, acontecem em cerca de oito a dez por cento das gravidezes. A viabilidade deste feto é zero. Trata-se de um aborto espontâneo tardio', afirmou ao CM o obstetra Luís Graça, ex-presidente do colégio de ginecologia e obstetrícia da Ordem dos Médicos, que também rejeita a existência de qualquer relação entre a vacina contra a gripe A e qualquer um dos dois casos de mulheres grávidas que perderam o feto: 'Até que a Organização Mundial de Saúde ou a Agência Europeia do Medicamento me provem uma relação entre uma coisa e outra, para mim é seguro vacinar mulheres grávidas.'
 
O especialista dá como exemplo a situação na Noruega e Suécia, países que partilham com Portugal a vacina Pandermix: 'Dois milhões já foram vacinados na Suécia, mais um milhão da Noruega. Já tiveram fetos mortos de mulheres vacinadas e não há correlação com a vacina.' (Fonte: Correio da Manhã)

 

Em 2008, ocorreram 265 mortes fetais por descolamento ou insuficiência placentária. Em 2007, registaram-se 289 casos.

 


Temas:

publicado por servicodesaude às 22:28
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Terça-feira, 17 de Novembro de 2009
Hipertensão - Introdução (por Maria Elisa Domingues)

 

Hoje vamos falar de Hipertensão Arterial, um dos maiores problemas de saúde pública dos nossos dias, não apenas em Portugal, mas na generalidade dos países ocidentais.
 
Mas antes gostaria de informar os telespectadores que nos seguem, em particular os que virão a emissão anterior, sobre Cuidados Paliativos, que quase todos os dramas humanos que nos foram expostos pelo telefone estão resolvidos ou muito perto de uma solução, graças à intervenção da Dra. Inês Guerreiro, directora da Rede de Cuidados Continuados Integrados, e à dedicação e interesse da enfermeira Fátima Oliveira, da Casa de Saúde de Idanha, que foi nossa convidada na semana passada. Alertar e contribuir para um Serviço Nacional de Saúde cada vez mais perto dos mais carenciados é um dos nossos objectivos.
 
Cerca de 42% dos portugueses sofre de hipertensão: esta realidade ficou demonstrada no primeiro estudo nacional coordenado e apresentado em 2004 pelo Prof. Mário Espiga de Macedo, um dos meus convidados de hoje. Estudo de grande dimensão e rigor científico levado a cabo junto de mais de 5.000 portugueses entre os 18 e os 90 anos, em mais de 70 conselhos no nosso país. Ora, como é sabido, a hipertensão é um dos maiores factores de risco das doenças cardiovasculares e Portugal tem uma das taxas mais altas de AVCs do mundo.
 
Visitámos esta semana os Hospitais de Santo André, em Leiria e o Hospital do Litoral Alentejano, em Santiago do Cacém, onde fomos ouvir as histórias de vários doentes cujos problemas começaram exactamente com a tensão alta.
Reportagem


publicado por servicodesaude às 23:23
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Hipertensão - Reportagem

O senhor Gildo sentiu-se mal no passado dia 7. Diagnosticado com hipertensão desde os 15 anos, deu entrada no Hospital de Leiria, onde agora recupera forças:

Gildo Coelho Pedrosa (58 anos): “Deitei-me bem, estava tudo normal… Vi que eram três da manhã e já não deixava dormir ninguém com dores no peito”.
 
João Morais (director de Serviço de Cardiologia do Hospital de Santo André): “O senhor Gildo, de uma forma muito simples e sintética, diria que é um português típico. É um homem ainda novo, tem 58 anos, que muito cedo na vida começou a ter problemas cardiovasculares. Começou por ser um hipertenso e, ao longo da sua vida foram-se juntando outros problemas: juntou-se a diabetes, o colesterol elevado e ao fim de alguns anos teve o primeiro episódio de natureza vascular, que foi um pequeno AVC (acidente vascular cerebral). A doença foi avançando e agora tem uma nova admissão hospitalar; desta vez por um problema coronário”.
 
Apesar desta não ser a primeira vez que é aconselhado a fazer uma dieta, o senhor Gildo sabe das dificuldades em manter a linha. Mais que uma questão de vontade, o que lhe dificultam a vida são as condições económicas:
 
Gildo Coelho Pedrosa (58 anos): “Tentava fazer… mas quando uma pessoa vive num meio pobre é um problema; não dá para fazer grandes dietas”.
 
Num país envelhecido e pobre como Portugal, a hipertensão é um grave problema de saúde pública. Até porque esta é uma doença sem sintomas, sem dor e que não incomoda:
 
João Morais (director de Serviço de Cardiologia do Hospital de Santo André): “O senhor Gildo é uma lição porque esta história repete-se em muitos doentes. Começa com uma simples hipertensão a que não se atribui grande importância.
O senhor Gildo no princípio também não atribuía grande importância. Fazia a terapêutica mas depois começou a sentir-se tão bem que abandonou a terapêutica”.
 
Gildo Coelho Pedrosa (58 anos): “Com o tempo fui esquecendo…”.
 
João Morais (director de Serviço de Cardiologia do Hospital de Santo André): “É isto que acontece normalmente, mas a doença não perdoa. Ela está presente, vai-se mantendo e evoluindo. Às vezes começa por dar “um bocadinho de diabetes”, como os doentes dizem. E não há um bocadinho de diabetes: há diabetes; ou se é doente ou não. E depois tudo isto vai envelhecendo as artérias e os fenómenos vão-se repetindo”.
 
Durante alguns dias o senhor Gildo fará alguns exames como o electrocardiograma e levará consigo orientações que lhe permitirão controlar a hipertensão arterial. Até porque os vários factores de risco como a obesidade, o consumo exagerado de sal ou o sedentarismo, a este homem agora reformado, só lhe escapa apenas um:
 
João Morais (director de Serviço de Cardiologia do Hospital de Santo André): “O senhor Gildo só tem uma coisa boa: não fuma. É o que falta neste pacote”.
 
Gildo Coelho Pedrosa (58 anos): ”E não bebo…”.
 
João Morais (director de Serviço de Cardiologia do Hospital de Santo André): Porque é o que falta neste pacote, em que se insere também frequentemente este factor, que é um factor terrível; fortemente penalizador, demolidor das nossas artérias, que é o tabagismo”.
 
De acordo com o Estudo “Prevalência, Conhecimento, Tratamento e Controlo da Hipertensão Arterial em Portugal”, existem mais de 3 milhões de portugueses hipertensos, mas apenas 1 milhão e 600 mil sabem que são doentes. Números assustadores se tivermos em atenção que a hipertensão arterial é considerada um dos principais factores de risco das doenças cardiovasculares, que em Portugal o AVC tem a mortalidade mais elevada da Europa e que o enfarto do miocárdio é uma importante causa de morbilidade e mortalidade.
Para se ter uma ideia, pessoas com uma hipertensão persistente têm um risco de AVC quatro a seis vezes superior ao das pessoas com pressão arterial normal, além de acelerar o processo de arteriosclerose.
 
Ainda segundo o mesmo estudo a prevalência da hipertensão arterial em Portugal foi de 42%, sendo que o Norte tem o valor mais baixo e o Alentejo o valor mais elevado, com praticamente metade da população hipertensa:
 
 
 
Teresa Ganhão (dietista do Hospital do Litoral Alentejano): “Tem muito a ver com as nossas tradições alimentares. O nosso pão é muito salgado e aqui come-se muito pão. E também tem muito a ver com o consumo de gorduras e de carnes, nomeadamente as carnes de porco, os enchidos…”.
 
Isilda Viegas (especialista em Medicina Interna do Hospital do Litoral Alentejano): “Existe também na população a cultura dos petiscos. Aqui come-se muito as açordas, as migas, a carne de porco frita; tudo sempre muito bem temperadinho…”.
 
Nos primeiros anos a hipertensão arterial não se manifesta e não provoca quaisquer sintomas ou sinais de doença. Mas quando se manifesta, pode provocar AVC, enfartes e insuficiência cardíaca ou renal:
 
Omar Pereira (especialista em Medicina Interna do Hospital do Litoral Alentejano): “De facto os doentes têm a noção da hipertensão arterial mas a grande maioria, de alguma maneira, negligencia essa hipertensão, porque na grande maioria dos casos é uma doença que não sentem”.
Falam de hipertensão, como falam de dislipidémia - todos falam do facto de terem o açúcar um pouco alto -, mas falam do que não sentem. E, infelizmente, apercebemo-nos que os doentes começam a tomar mais conhecimento destas situações quando têm uma manifestação”.
 
Foi o que aconteceu a Maria Alice, vítima de um AVC há cerca de um ano:
 
Maria Alice Germano (60 anos): "Eu fiquei com desvio labial, à esquerda, fiquei sem equilíbrio – andava numa cadeira de rodas - e depois, com a fisioterapia e com os cuidados todos que tive, passei a andar com uma bengala…”.
 
O AVC deixou-a muito debilitada mas foi graças aos exercícios físicos de fisioterapia que recuperou mais de 80% da mobilidade. Apesar das limitações, Maria Alice continua a achar que o seu AVC nada teve a ver com a sua hipertensão:
 
Maria Alice Germano (60 anos): “Eu media a tensão arterial com alguma regularidade, mas nunca achei que fosse necessário tratar a hipertensão, porque achava que não tinha.”
 
Isilda Viegas (especialista em Medicina Interna do Hospital do Litoral Alentejano): É também um conceito que existe. A maior parte dos doentes e a população em geral não valoriza a hipertensão.
Provavelmente, a senhora teria uma hipertensão ligeira, que não era do seu conhecimento e do seu médico, ou então não ia ao médico há algum tempo e não estava medicada. Portanto, no momento em que teve o seu AVC, a hipertensão “disparou”.
 
Apesar da hipertensão ser, na maioria dos casos, uma doença controlável, não tem cura. Ou seja, com a alteração de hábitos alimentares, com exercício físico e, sempre que necessário, com medicação, um doente poderá ter a sua tensão arterial controlada:
 
Omar Pereira (especialista em Medicina Interna do Hospital do Litoral Alentejano): É descoberta uma hipertensão, é iniciada uma terapêutica, normalizam-se os valores e as pessoas têm automaticamente a ideia de que “passou”. Da mesma maneira que quando têm uma gripe ou uma infecção, em que fazem um período de antibiótico.
E depois as pessoas admiram-se quando, após a interrupção da terapêutica, voltam novamente aos valores anteriores. Esta é, consequentemente, outra das perguntas: “mas eu não estava curado?”.
 
Globalmente, 7 milhões de pessoas morrem todos os anos devido a pressão arterial alta. Em Portugal, e apesar de esta ser uma doença conhecida por quase toda a população, continuamos a menosprezar a evolução da doença que lentamente acaba por lesar os vasos sanguíneos e os principais órgãos vitais do organismo, como o cérebro, os rins e o coração:
 
João Morais (director de Serviço de Cardiologia do Hospital de Santo André): “Partimos de uma história que é dominada pela hipertensão arterial mas hoje estamos a incorporar mais problemas. Temos mais obesos, à medida que temos mais obesos, temos mais diabéticos e à medida que temos mais diabéticos temos mais enfarto do miocárdio, mais acidente vascular cerebral (AVC), mais tromboses periféricas, etc.”.
 
Se juntarmos a este facto, a fraca alimentação, o stress do dia-a-dia e a oferta cada vez mais variada de fast foods fritos ou refrigerantes, estão criadas as condições ideais para o desenvolvimento da hipertensão. Por isso, e mais do que nunca, a forma para resolver este problema, é atacá-lo ainda em idade jovem:
 
João Morais (director de Serviço de Cardiologia do Hospital de Santo André): “A única coisa que tenho a oferecer à criança que hoje nasce é prevenção, prevenção, prevenção, prevenção, prevenção… E é por isso que a escola e a família têm um lugar fundamental nisto, muito antes de qualquer Serviço Nacional de Saúde ou qualquer sistema de saúde”.
 
Mas não só. A intervenção contra a hipertensão passa também pela vontade do executivo em mudar, de facto, hábitos ancestrais. Prova disso é a lei que estabelece os limites máximos da quantidade de sal no pão e que define as orientações para a rotulagem de alimentos pré-embalados com sal, que foi aprovada na anterior legislatura.
Porém, como ainda não está regulamentada e é necessário formar os agentes económicos, esta lei vigorará, na melhor das hipóteses, a partir de Agosto de 2010.
Para a elaboração da lei foram ouvidas a Fundação Portuguesa de Cardiologia, a Ordem dos Médicos e alguns agentes económicos interessados. Mas as farmácias que, no caso da hioertensão, são um primeiro abrigo dos utentes, ficaram de fora.
 
Cristina nunca pensou que aos 40 anos pudesse sofrer de hipertensão. Quinzenalmente vai à farmácia medir a tensão arterial e garante estar a mudar, sobretudo os seus hábitos alimentares. Mas é graças à medicação que os seus valores se mantêm controlados:
 
Cristina Duarte (40 anos): “Chegaram a ser diariamente de 16-10, 16-11, 16-12. E chegou aos 18-12. Agora são de 11-7”.
 
As farmácias, dada a sua proximidade com o doente, poderiam ser parte integrante da solução. Os farmacêuticos são muitas vezes os primeiros a fazer o diagnóstico da hipertensão e também a aconselhar a ir ao médico:
 
Cristina Carneiro Veríssimo (farmacêutica): Acho que as farmácias estão subaproveitadas. Neste caso, quer por parte do estado, quer por parte de sociedades científicas de cardiologia e de hipertensão, porque poderíamos ser uns parceiros fundamentais, por exemplo, até na própria detecção da doença na população. Porquê? Porque as farmácias estão no país inteiro; têm uma área de cobertura territorial imensa e estamos abertas ao público. Consequentemente, poderíamos fazer rastreios a nível nacional, em que houvesse uma indicação: “dirija-se à sua farmácia” ou “meça a sua tensão arterial”. Ou seja, poderíamos sensibilizar as pessoas para este facto.
Aí, todos em conjunto, conseguiríamos detectar a doença em grande parte da população que, até hoje, não faz ideia que a tem”.


publicado por servicodesaude às 22:25
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Hipertensão - Estudo da prevalência, tratamento e controlo da hipertensão em Portugal

Os dados apresentados foram obtidos a partir do Estudo da prevalência, tratamento e controlo da hipertensão em Portugal, da autoria do Prof. Doutor Mário Espiga de Macedo, 2005.(Publicados no  19º Boletim EUROTRIALS, SAÚDE EM MAPAS E NÚMEROS).

 (Fonte: http://www.eurotrials.com/contents/files/Boletim_19.pdf):
 
Conclusões do estudo:
As doenças cardiovasculares, em especial o Enfarte do Miocárdio e o Acidente Vascular Cerebral, estão entre as mais importantes causas de morbilidade e mortalidade em todo o mundo. Por outro lado, a Hipertensão Arterial é considerada um dos mais importantes factores de risco das doenças cardiovasculares e cerebrovasculares.
 
Este estudo incidiu sobre uma amostra da população portuguesa, constituída por 5023 indivíduos, com idades entre os 18 e 90 anos. A amostra foi definida de modo a ser representativa de cada uma das regiões (Norte, Centro, Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve), sexo e classe etária. Considerou-se ainda a densidade populacional e a distribuição da população pelas áreas urbana e rural. Esta dimensão permitiu um erro de precisão de 2,6% a nível regional, e inferior a 1,2% a nível nacional.
 
Neste estudo definiu-se como hipertenso qualquer inquirido com PAS>=140 mmHg e/ou PAD>=90 mmHg ou que tivesse hipertensão controlada e estando a tomar anti-hipertensores.
 
Constata-se uma tendência para o aumento da HTA com a idade, observando-se uma prevalência mínima de 19,0% no grupo dos inquiridos com menos de 35 anos (26,2% no sexo masculino e 12,4% no sexo feminino) e uma prevalência máxima de 78,9% no grupo dos inquiridos com mais de 64 anos (79,0% no sexo masculino e 78,7% no sexo feminino).
A prevalência da HTA é superior no sexo masculino em todas as classes etária, excepto na dos 64 ou mais anos, onde a discrepância entre os sexos tende a atenuar-se.
 
Do total de inquiridos, 43,7% tinham hipertensão arterial (HTA). A prevalência da HTA em Portugal, ajustada para a dimensão das regiões foi de 42,1%.
O cálculo da prevalência nas diferentes regiões, mostrou que o Norte tem o valor mais baixo, 37,8%, atingindo 46,4% de inquiridos do sexo masculino e 30,5% do sexo feminino. O Alentejo apresentou o valor mais alto, 49,5%, atingindo 56,9% inquiridos do sexo masculino e 43,2% do sexo feminino.
 
Em Portugal, a percentagem de indivíduos com hipertensão sistólica isolada (PAS>=140 mmHg e PAD<90 mmHg) apresentou valores mais elevados nos indivíduos com mais de 64 anos (46,9%).
O sexo masculino foi o grupo que apresentou maior percentagem de casos com hipertensão sistólica isolada nos três grupos etários: 16,7%, 19,2% e 49,5%, respectivamente.
 
Verificou-se que a percentagem de HTA conhecida foi superior no sexo feminino.
A percentagem de indivíduos que sabia ter hipertensão aumenta com a idade.
LVT apresentou a maior percentagem de indivíduos que sabiam ter HTA (50,7%), seguida muito de perto pela região do Alentejo com 50,2%. A região Centro foi a que apresentou menor percentagem de indivíduos que sabiam ter HTA.
 
HIPERTENSÃO SISTÓLICA ISOLADA
Em Portugal, a distribuição dos indivíduos com HTA pelas várias classes do Índice de Massa Corporal (IMC) revelou sempre percentagens mais elevadas para o sexo masculino, sendo a classe dos menores de 20 kg/m2 de IMC aquela onde se verificou menor percentagem de casos com HTA (18,6%) e a classe dos 30 ou mais kg/m2 de IMC onde se verificou maior percentagem de casos com HTA (71,2%).
 
A região do Alentejo foi aquela que apresentou a percentagem mais elevada de casos de hipertensão sistólica isolada (21,3%) e o Norte a região com menor prevalência de casos (15,6%).
 
HTA CONHECIDA TRATADA CONTROLADA
Relativamente à HTA tratada, a percentagem mais elevada, ocorreu no grupo de indivíduos com mais de 64 anos.
O sexo feminino foi aquele que apresentou maior número de casos em qualquer dos três grupos etários, sendo de 11,4% nas mulheres com menos de 35 anos, 44,3% entre os 35 e os 64 anos e 63,9% em mulheres com mais de 64 anos. LVT foi a região que apresentou maior percentagem de indivíduos que tomavam regularmente medicação para a HTA (42,9%). A região Centro foi a que apresentou a menor taxa de casos de HTA tratada (34,3%).
 
Constatou-se que a percentagem de HTA controlada foi inferior no sexo masculino. Nos homens com idade inferior a 35 anos, apenas 1% tinham HTA controlada. A região onde se verificou maior percentagem de hipertensos controlados foi o Algarve (14,2%). O Alentejo foi a região onde se registou menor percentagem de indivíduos com HTA controlada (9,4%).
 
Segundo o critério JNC-VII*, a hipertensão estadio 2 mostra-se mais comum nos indivíduos com mais de 64 anos (37,1%) seguida dos indivíduos entre os 35 e os 64 anos (13,2%).
A hipertensão estadio 1 é mais frequente nos indivíduos com mais de 64 anos (32,2%) e menos frequente nos indivíduos com menos de 35 anos (16,3%).
A pré-hipertensão é mais frequente nos indivíduos com menos de 35 anos (48,2%).
 
CRITÉRIO JNC-VII
A prevalência da HTA estimada neste estudo para Portugal (42,1%) é semelhante a muitos países da Europa, mas é mais baixa do que em Espanha (47,0%), Finlândia (49%) e Alemanha (55,0%), e é mais elevada do que na Suécia (38,0%), Inglaterra (42,0%) e Itália (38,0%). A prevalência de HTA nos Estados Unidos e Canadá foi de 28% e 27%, respectivamente.
 
A mortalidade por AVC em Portugal é, em média, consideravelmente mais alta que no resto dos países da União Europeia.(1)
Em Portugal, os níveis de hipertensão conhecida, tratada e controlada são mais elevados quando comparados com os que se verificam na maioria dos países Europeus.
 
A prevalência da hipertensão na Europa é duas vezes mais alta que na América do Norte.(2) Vários estudos publicados em doentes hipertensos ou com risco cardiovascular elevado, provaram que uma redução na pressão arterial sistólica, entre 1 a 3 mmHg reduz o risco relativo de AVC em 20% a 30%.
Os Afro-Americanos que vivem nos Estados Unidos têm a prevalência mais elevada de hipertensão no mundo.
 
Fontes: (1) Prof. Espiga de Macedo, 2005; (2) Wolf-Maier K, JAMA 2003;289:2363- 2369; (3) Jan A. Staessen, JAMA 2003;289:2420-2422; (4) American Heart Association
2000;4,9,16-19. Eurotrials, Scientific Consultants,SA office@eurotrials.pt www.eurotrials.com

 



publicado por servicodesaude às 22:00
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Hipertensão - Apresentação dos Convidados

Dr. Eduardo Mendes – Médico de família, actualmente director do Agrupamento de Centros de Saúde do Oeste Sul (que engloba os concelhos de Torres Vedras, Lourinhã, Cadaval, Sobral de Monte Agraço, Alenquer e Arruda dos Vinhos).

 
Dr. Mário Espiga de Macedo – Coordenador do único estudo nacional sobre a hipertensão, que forneceu os dados apontados na reportagem. É especialista em Medicina Interna e em Cardiologia, professor de Medicina Interna na Faculdade de Medicina do Porto e investigador do IPATIMUP no Porto, onde coordena um outro projecto de investigação, que estará concluído talvez daqui a dois anos, sobre a genética da hipertensão. Além do que foi referido, é também consultor da Direcção-Geral de Saúde.
 
Dra. Elsa Feliciano – Nutricionista, trabalha na Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, onde visita frequentemente lares de idosos e escolas. É colaboradora na Fundação Portuguesa de Cardiologia e vice-presidente da Associação Portuguesa de Nutricionistas.
 
Dr. João Morais – Cardiologista e director do Serviço de Cardiologia do Hospital de Santo André, em Leiria.


publicado por servicodesaude às 21:28
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Hipertensão - Doença Assassina e Silenciosa

Há quem diga que a hipertensão é uma assassina silenciosa, porque quando o médico descobre que ela existe já é tarde, como aconteceu ao senhor Gildo...

João Morais (director do Serviço de Cardiologia do Hospital de Santo André): Nós vivemos com vários assassinos silenciosos; não é só a hipertensão arterial.
Quando identificamos a hipertensão arterial não é tarde na grande maioria das pessoas, porque nunca é tarde para ter mais saúde.
A identificação da hipertensão arterial pode ser muito importante ao longo da vida, para iniciar atempadamente um programa de prevenção da doença cardiovascular. E essa faz-se até aos 80 anos.
 
O que é muito importante no estudo coordenado pelo Dr. Mário Espiga de Macedo é, não só o número de pessoas hipertensos, que anda a par do que acontece na maior parte dos países ocidentais, mas a quantidade de pessoas que, sendo hipertensas, desconheciam-no. Esses, pelo menos, quando chegam às mãos do médico, já lá deviam ter chegado.
 
Mário Espiga de Macedo (Coordenador Nacional das Doenças Cardiovasculares): É verdade. Na análise que foi feita, mais de 50% da população estudada, que era hipertensa, desconhecia a sua situação.
E temos a particularidade de que para os muito jovens, com menos de 40 anos, era um mundo muito escuro relativamente ao conhecimento da hipertensão e dos efeitos da sua doença.
 
Este estudo foi dividido em três escalões etários: até aos 34, dos 35 aos 64 e a partir dos 65. Mas mesmo até aos 34 já há muita gente hipertensa.
Mário Espiga de Macedo (Coordenador Nacional das Doenças Cardiovasculares): Já é uma quantidade apreciável. Mas mais importante é a percentagem de pessoas que desconhece e não trata, o que vai fazendo com que a doença vá progredindo. E às vezes a primeira manifestação é uma situação catastrófica ou, pelo menos, de grande gravidade. Às vezes podemos ajudar mas outras não podemos ajudar tanto como o poderíamos ter feito.
A prevenção é fundamental e quando nós temos 50% de desconhecimento de hipertensão, temos que ter campanhas que cheguem às pessoas para que se faça o diagnóstico.
 
Se metade das pessoas desconhecia que tinham hipertensão, isso quer dizer que, de facto, a prevenção falhou?
Mário Espiga de Macedo (Coordenador Nacional das Doenças Cardiovasculares): Falhou e falhou aquilo que hoje está no Plano Nacional de Saúde, mas que ainda não está a ser cumprido, que é o exame anual de saúde.


publicado por servicodesaude às 20:30
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Hipertensão - Diagnóstico e Terapêutica

É claro que um médico de família tem um papel essencial. Antes de chegarem aos especialistas, é com o médico de família que os portugueses (que a ele têm acesso) primeiro contactam.

Como é que o médico de família aconselha os doentes, nomeadamente a ter hábitos de  vida saudáveis? E, para já, quantos são os médicos de família que ainda medem a tensão arterial aos doentes?
Eduardo Mendes (médico de família): A maioria dos médicos de família, não tenho dúvidas; para não dizer todos.
 
Se calhar não está bem informado…
Eduardo Mendes (médico de família): Não.Se não mede ele mesmo, tem a sua equipa de trabalho, por exemplo os enfermeiros, que medem a tensão e têm um papel extremamente importante nesta área.
Os médicos de família são especialistas na sua área e são os que estão mais bem colocados para prevenir, diagnosticar e para fazer a primeira intervenção terapêutica na área da hipertensão.
 
Em princípio começa por fazer uma intervenção farmacológica. A pessoa que está com a tensão alta, tem que a baixar?
Eduardo Mendes (médico de família): Sim, pode ser uma intervenção farmacológica mas também deve ser acompanhada através de outras medidas. E esse é que é o grande proiblema.
Baixar a tensão por via farmacológica pode ter alguns resultados a curto prazo mas, como vimos na reportagem, o Gildo abandonou a terapêutica e não fez o que era preciso, que era ter alguns cuidados alimentares… Como se vê, só a terapêutica não chega.
 
O problema são todos os outros factores de risco. E a perspectiva temporal. Tem que ser algo adoptado ao longo da vida. No caso do Gildo, imagine o que é tratar alguém a quem foi diagnosticada hipertensão aos 15 anos, até aos 56 ou 57. Foram 40 anos de tratamento e seguramente não foram só os fármacos.
Esta é a grande problemática de abordagem às doenças crónicas silenciosas. Quando dói é fácil; quando não dói… as pessoas tomam os medicamentos e não percebem muito bem.
 
E a certa altura pensam que já estão boas.
Eduardo Mendes (médico de família): Ao contrário da impressão que se tem, esta é uma intervenção multiprofissional, de equipa. Começa seguramente pelo médico mas passa muito pela enfermagem, pelo nutricionismo….
 
O senhor sabe que muitos Centros de Saúde não funcionam assim….
Eduardo Mendes (médico de família): A maioria não tem nutricionistas. Não tenho dúvida nenhuma. Mas é isso que é preciso. Não se pode abordar estas doenças crónicas numa perspectiva exclusivamente médica ou medicamentosa porque, se assim for, estamos condenados ao fracasso. Vamos continuar a ter índices muito altos de AVC (acidente vascular cerebral) e de doenças cardiovasculares.
É preciso abordar a terapêutica, não só da hipertensão, mas também da diabetes, da osteoporose – as doenças crónicas – numa perspectiva multiprofissional e multidisciplinar.


publicado por servicodesaude às 18:31
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Hipertensão - Comer Bem e Barato – a Sopa

O Gildo disse algo na reportagem que é comum a muitas pessoas: “quando se é pobre, é difícil ter uma alimentação saudável”.

Toda a gente sabe e os médicos dizem frequentemente: “é preciso comer fruta, peixe, vegetais frescos…”. E o preço desses alimentos? As pessoas podem, na prática, fazer uma alimentação saudável?
 
Elsa Feliciano (nutricionista): É óbvio que não havendo dinheiro há muita dificuldade em comprar alimentos. E muitos dos alimentos que referiu são caros.
 
Por outro lado, muitas as vezes as pessoas também têm um percepção errada daquilo que é uma alimentação saudável. As pessoas valorizam determinados alimentos – como a carne, por exemplo – e outros que, por serem caros, as leva a pensar que devem fazer parte de uma alimentação saudável; o que não é verdade.
No global, muitos alimentos ainda podem se adquiridos a preços relativamente económicos. É o caso das leguminosas, dos cereais - como o arroz - e até do próprio pão. As leguminosas são as lentilhas, o feijão, o grão, as favas ou as ervilhas, que tiram a fome e são alimentos extremamente saciantes, que tiram a fome.
A utilização das frutas e legumes da época também é recomendada. Especialmente se forem incluídos numa sopa.
 
Antigamente os portugueses comiam todos sopa e a todas as refeições, não era? E embora a sopa possa ser feita de uma forma barata e dê para bastante tempo (não convém estar atulhada de batata e deve ter uma variedade de legumes como cebolas, cenouras, nabos e até talos de couve triturados); agora as pessoas comem menos sopa?
Elsa Feliciano (nutricionista): Sim,agora as pessoas comem menos sopa. E ainda há muita gente que associa a sopa a pobreza. E assim, se puder ir um pouco mais a “cima” e não comer sopa…
 
Também tem essa percepção, de que as pessoas, os doentes, associam a sopa à pobreza?
João Morais (director do Serviço de Cardiologia do Hospital de Santo André): Depende muito dos meios onde se vive e onde se trabalha. Eu trabalho num meio que ainda é muito rural e apesar de tudo ainda é diferente. O consumo de sopa ainda é relativamente elevado num meio como o de Leiria e a sua zona envolvente.
Mas é evidente que populações mais citadinas tendem a desclassificar o consumo da sopa. É indiscutível. Primeiro, porque a sopa tem que se fazer.
 
Mas é rápido fazer uma sopa… E mesmo para quem não tem jeito para cozinhar, fazer uma sopa é fácil…
João Morais (director do Serviço de Cardiologia do Hospital de Santo André): É muito mais fácil pôr qualquer coisa no microondas a descongelar ou a fritar.
 
Mas também é muito mais caro comprar alimentos confeccionados.
João Morais (director do Serviço de Cardiologia do Hospital de Santo André): Esse é o aspecto paradoxal da nossa conversa. De facto, temos diversos problemas de natureza económica, não só para comprar medicamentos mas também para comer. No entanto, muitas vezes subvalorizamos aquilo que é mais barato em detrimento do que é mais caro, só porque parece que é mais fácil, ou até “mais moderno”; quando temos alimentos tão simples em que, como a Dra. Elsa referiu, até os talos são bons e saborosos para por na sopa.
28.46.000
Elsa Feliciano (nutricionista): Por vezes há também uma má gestão do dinheiro. Famílias com poucos recursos – e já fiz acompanhamento de mulheres desempregadas de longa duração – curiosamente, referem que depois de receberem, e enquanto tiverem dinheiro, vão muito ao café: tomam o pequeno-almoço, vão comer uns “salgadinhos”, beber um refrigerante...
 
Vimos na reportagem que consumir salgadinhos ao almoço, ao balcão de um café e depois pensar-se que se ficou sem fome e bem alimentado é frequente...
Elsa Feliciano (nutricionista): As pessoas até pensam que estão a fazer dieta, ao comerem uma sopa e dois salgadinhos.
 
João Morais (director do Serviço de Cardiologia do Hospital de Santo André): É, porque as pessoas associam o fazerem dieta ao comerem pouco. E como dois rissóis é pouco, do ponto de vista da quantidade alimentar, as pessoas entendem isso como se estivessem a fazer dieta, ignorando tudo o que está errado naquele salgados. Isto é muito comum.
 
Mário Espiga de Macedo (Coordenador Nacional das Doenças Cardiovasculares): Eu digo muitas vezes aos doentes que é preferível comerem um pão com um fiambre magro do que comerem um salgadinho. Tem muito menos calorias do que comer os tais salgadinhos, menos gordura e menos sal.
 


publicado por servicodesaude às 17:34
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Hipertensão - Comer Bem – Menos Sal e Fritos

Vimos na reportagem os restaurantes com letreiros a dizer: “temos enchidos” e outros; um apelo normal até porque estamos em crise...

Eduardo Mendes (médico de família): Temos que abordar aqui outra questão fundamental, que é a da educação, da literacia. Isso começa de pequeno; começa na escola.
E também não podemos diabolizar as coisas. O cozido à portuguesa é um bom alimento, desde que não se abuse dos enchidos e das carnes gordas. É tudo cozido, para começar, e há vários legumes: a cenoura, a couve, o arroz, o feijão e até o grão, em alguns sítios do país. Agora não podemos comer cozido à portuguesa todos os dias ou só comer orelha de porco e enchidos e pôr os legumes de parte.
O rissol, o croquete e o pastel de bacalhau têm um problema, que é a sua quantidade de óleo, porque são fritos. E o problema não é comer um de vez em quando; o problema é comer um todos os dias, sistematicamente.
Hoje entramos nas pastelarias e vemos muita gente com um prato de sopa. E não tenho dúvidas que tem vindo a ganhar algum espaço na alimentação dos portugueses, nomeadamente ao almoço.
 
Agora resta saber como é que a sopas desses sítios são feitas, o que é que levam…
Eduardo Mendes (médico de família): Sim, é preciso discutir isso mas é também preciso ver que a seguir à sopa, ou vem o rissol ou vem um bolo. E isso todos os dias, sistematicamente, o que não é saudável. E isto repete-se na escola. Os miúdos têm acesso a comida fácil, do ponto de vista nutricional e alimentar muito pobre, rica em gordura e açucares, e habituam-se desde pequenos a comer isso.
A lei que vai impor a redução do sal, é uma luta do Dr. Luís Martins e do Professor Pádua de anos. Estou ansioso para saber qual o resultado dessa alteração daqui a cinco ou seis anos; provavelmente vamos ter alguns resultados visíveis e mensuráveis.
 
A lei ainda não está regulamentada e só estará, na melhor das hipóteses, a partir de Agosto de 2010.


publicado por servicodesaude às 16:36
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Hipertensão - Hipertensão – Consequências Cardíacas, Cerebrais, Renais e Periféricas (Tel.)

Carlos Reis, 66 anos, reformado, de Aveiro: Sou hipertenso, fui operado e fiz quatro bypass. Passados uns anos retiraram-me um rim, a tensão arterial baixou um pouco,  e continuo a tomar medicamentos.

O meu problema são as pernas, que me doem muito.  Ao fim de 10 minutos a andar tenho que parar porque sinto grandes dores.
Fiz um doppler há um ano e meio e o doutor mandou-me andar cerca de 30 minutos por dia. Mas as dores continuam e agora ao fim de cinco, seis, minutos já me doem as pernas.
Gostaria de saber se há alguma hipótese de eu poder melhorar. Sinto-me desmotivado e deprimido.
 
Em termos de dieta alimentar, de fumar e beber, o senhor tem cuidado?
Carlos Reis (66 anos): Sim, deixei de fumar dois anos antes de ser operado. Em relação à dieta, tenho uma atitude bastante rigorosa. A minha comida tem pouco sal, como muitos vegetais, peixe grelhado ou cozido e muito pouca carne, até porque me foi tirado um rim e não posso abusar…
 
 
 
O senhor Gildo, na nossa reportagem, queixava-se da mesma coisa; que se cansava imenso a andar.
João Morais (director do Serviço de Cardiologia do Hospital de Santo André): É, mas o senhor Carlos Reis tem provavelmente um problema particular dentro deste domínio da doença arteriosclerótica.
A arterioesclerose atinge qualquer parte, qualquer artéria do nosso corpo. O que é mais comum e mais conhecido são as artérias coronárias. Mas outros territórios podem ser também muito afectados: o território cerebral – dos acidentes vasculares cerebrais (AVC) -, o território renal e, ainda, o território arterial periférico; dos membros. Provavelmente é o que este senhor tem.
A doença que teve nas coronárias, e que lhe entupiu as artérias, é provavelmente a doença que lhe veio causar os problemas nas pernas.
 
Há possibilidade de resolver esse problema?
João Morais (director do Serviço de Cardiologia do Hospital de Santo André): Talvez sim ou talvez não. O problema é que normalmente quando a doença afecta as pernas, numa fase avançada, é uma doença muito difusa e que não tem a mesma possibilidade que ele teve nas coronárias, de fazer enxertos e bypass. E pode não ter condições de o fazer nas pernas porque as artérias já estão muito difusamente doentes. Não sei se é o caso deste senhor.
No entanto, este senhor é exemplo de alguém que já foi afectado em pelo menos três territórios vasculares: as coronárias, a parte renal e, provavelmente, as artérias dos membros inferiores.
As dores que ele sente são causadas pela má ou deficiente irrigação de sangue arterial das pernas. É uma situação complexa, não quer dizer que não possa ter soluções. Há doentes que também fazem operações às pernas e que fazem dilatações das artérias das pernas. Tudo isso hoje já é possível, mas quando atinge desta forma e com esta expressão, muitas vezes não é fácil.
Agora, a última coisa que este senhor pode perder é a motivação. Provavelmente o melhor tratamento que pode fazer é o exercício físico, principalmente quando as pernas já foram afectadas.
 
Eduardo Mendes (médico de família): Estou de acordo, está ali envolvido o território arterial periférico, exactamente como foram envolvidos o território cardíaco e renal. A solução é cirúrgica. Tal como lhe foram feitos bypass cardíacos é possível fazer bypass nos membros inferiores, embora possa ser complicado ou até não ser possível essa solução. Existem também drogas que ajudam nesta situação.
A minha grande questão é como é que isto não foi explicado a este doente. Isto tem que ser explicado.
 
Neste caso, por exemplo, o exercício dentro de água não é menos penoso?
João Morais (director do Serviço de Cardiologia do Hospital de Santo André): Normalmente tem algumas vantagens, mas neste caso pode não ser, até pela temperatura da água. O calor pode ser um factor de agravamento dos sintomas e pode não estar recomendado fazer exercícios dentro de água a temperaturas elevadas.

 



publicado por servicodesaude às 15:39
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Hipertensão - Oscilações da Tensão na Adolescência (Tel.)

Laurinda Jordão, 44 anos esteticista, do Porto:

Tenho um filho menor de 15 anos, que tem vindo a ter alterações na sua tensão arterial. Sempre foi saudável, faz imenso desporto, alimenta-se bem e, no entanto, a tensão dele regista valores na ordem dos 10.5-6.9.
Entretanto, comprei um aparelho de medição da tensão arterial e tenho vindo a fazer um controlo diário, à mesma hora. Há dias em que regista tensões 11.8-6.8, outros dias em que regista 10.4-6.2. Como disse, ele é uma pessoa saudável e não há nada que indique estas oscilações, a não ser o facto dos meus pais terem sido ambos hipertensos.
 
Eduardo Mendes (médico de família): Gostava de perguntar a esta senhora se o seu filho se queixa de alguma coisa. Se não se queixa de nada e a tensão está baixa, nestas idades, na adolescência, com as alterações hormonais; então está tudo bem.
Agora se esta criança desmaia ou tem outro tipo de sintomas, então é preciso investigar.
Estes aparelhos de tensão, a maior parte deles, não estão certificados. E como são aparelhos digitais, às vezes pequenas arritmias funcionais podem interferir no próprio funcionamento do aparelho. Por isso, tenho muita dificuldade em aceitar valores de aparelhos em que não conheço a origem, porque os aparelhos certificados são caros.
 
É uma espécie de aparelho de DVD de contrafacção…?
Mário Espiga de Macedo (Coordenador Nacional das Doenças Cardiovasculares): O mais importante, é preciso dizer, é que todos estes valores são normais, mesmo os tais 10.5-6.4, num miúdo de 15 anos. É normal, nem sequer é baixo, é normal!


publicado por servicodesaude às 14:41
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Hipertensão - Idosos – Maior Probabilidade e Riscos

No seu estudo, o único em Portugal sobre doenças cardiovasculares, refere naturalmente que a partir dos 65 anos são muito mais numerosos os casos de hipertensão arterial.

As pessoas idosas têm uma predisposição para virem a ter hipertensão arterial, independentemente quase do seu estilo de vida?
Mário Espiga de Macedo (Coordenador Nacional das Doenças Cardiovasculares): Isso mesmo. É quase uma evolução natural, que decorre do passar dos anos. Com a idade existe uma maior probabilidade de ter uma tensão arterial mais elevada e portanto tem que se contar com isso. Cerca de 65% a 70% da população com mais de 65 anos tem probabilidade de ser hipertenso.
 
Convém por isso que se controle a sua tensão com muito mais cuidado. Até porque a hipertensão arterial nos idosos aumenta também o risco de deterioração cognitiva assim como de várias demências. Todo o risco de doença arterial cardíaca, renal e periférica se mantém na pessoa idosa.
É um conceito antigo mas um valor de tensão arterial mais alto nos idosos não é correcto. Um idoso deve ter uma tensão arterial como uma pessoa normal de 30 ou 40 anos. Deve-se ir ao médico de família, seguir os seus conselhos e tomar os medicamentos necessários.
 
E não deixar de os tomar se, por acaso e ocasionalmente, numa semana ou noutra a tensão arterial tiver baixado um bocadinho.
Mário Espiga de Macedo (Coordenador Nacional das Doenças Cardiovasculares): É um problema em todas as idades mas mais grave nos idosos porque, ao parar a medicação, pode haver uma subida brusca, logo a seguir à paragem dos medicamentos, e isso pode originar muitos problemas de saúde.


publicado por servicodesaude às 13:43
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Hipertensão – Alimentação nos Idosos

 

Visita muitos lares. Para muitos idosos e para muitos dos que estão institucionalizados, comer é quase o único prazer que resta, não é?
Elsa Feliciano (nutricionista): Sim, comer é quase o único prazer que resta. Vivem o seu dia quase a pensar na refeição que vão fazer a seguir
 
Até porque têm poucas actividades lúdicas organizadas, ou outras, que lhes preencham o tempo…
Elsa Feliciano (nutricionista): Alguns estão muito tristes, sozinhos e isolados. E nos idosos há uma grande apetência pelo sal, não só porque foi um hábito que adquiriram de pequenos – há 50, 60 ou 70 anos atrás o sal tinha um papel muito importante na conservação dos alimentos -, mas também por causa da questão da diminuição do gosto. Ou seja, como há uma diminuição do gosto, há uma tendência para pedir o saleiro e por mais sal.
 
Além disso os idosos não gostam dos chamados “alimentos modernos”; por exemplo um iogurte magro…
Elsa Feliciano (nutricionista): Nem magro, nem nenhum. É claro que há excepções, mas não é, na generalidade, um alimento que comam com gosto.
 
Portanto,  gostam do seu pão com manteiga…
Elsa Feliciano (nutricionista): E gostam do leite e do café. E não gostam de sopas passadas; gostam de sopas que tenham feijão, grão, massas…
 
Mas isso é saudável….
Elsa Feliciano (nutricionista): É. Mas do ponto de vista energético, uma sopa muito forte seguida de uma refeição igualmente forte, para quem vai estar o resto da tarde à espera de lanchar, acaba por ter um conteúdo energético um pouco exagerado. Há que ver a composição da sopa e depois escolher um segundo prato mais ligeiro.
Depois há os pratos que eles não apreciam nada, como as carnes picadas, os empadões, os hambúrgueres, os esparguetes à Bolonhesa, o salmão, porque é cor-de-rosa, é esquisito… Ou seja, há questões culturais e relacionadas com hábitos alimentares.
Agora, há instituições que são extremamente cuidadosas, até com a elaboração das ementas, em que eles sentem gosto em comer e depois há outras instituições que são terríveis.
 
A Proteste (DECO) fez um estudo sobre o conteúdo de sal das refeições servidas em cerca de 30 lares em Portugal Continental. Havia casos em que apenas uma refeição tinha à volta de 14gr de sal. Só a sopa chegava a ter 7, 8, 9 gr de sal, quando o máximo aconselhado, por dia, são 5gr. Fiquei muito impressionada quando vi o resultado daquele estudo.
 
João Morais (director do Serviço de Cardiologia do Hospital de Santo André): Os idosos têm vários problemas alimentares. As pessoas que têm hoje 70 a 80 anos, passaram fome, a grande maioria, tirando alguns com situações económicas particulares.
Aquilo a que hoje chamamos de fome, e que provavelmente ninguém sabe o que é, eles passaram-no. E portanto hoje, que têm o que comer, é-lhes muito difícil aceitar a ideia de que têm que comer menos. Isto é terrível.
 
Não é por acaso que no Alentejo, que era uma das regiões onde as pessoas passavam pior há 40 e há 50 anos, é hoje onde se regista a mais alta taxa de hipertensão arterial do país. De facto tem toda a razão: essas pessoas passavam fome.
 
João Morais (director do Serviço de Cardiologia do Hospital de Santo André): E por isso as pessoas hoje comem assim. Antes faziam o aproveitamento total da comida. A minha avó comia o que sobrava na mesa, porque a comida não se deitava para o lixo. Hoje isto está desarreigado dos hábitos das pessoas e portanto não é fácil lidar com um idoso e explicar que tem que comer de forma diferente. Principalmente quando se diz que tem que comer menos. Isto é uma coisa que lhes faz imensa confusão.
 
Eduardo Mendes (médico de família): Mas há um outro lado do problema, que é um bocadinho o oposto deste que estamos a falar: a grande maioria dos idosos não estão institucionalizados; vivem em casa sozinhos. E ao viverem sozinhos, ou passam fome porque não têm dinheiro para comer, ou não fazem comida. E muitos idosos sobrevivem porque há organizações que lhes levam comida a casa; e comida a sério.
 
Na grande parte dos idosos o pequeno-almoço baseia-se no pão com manteiga, café ou cevada com leite, às vezes umas papas e, eventualmente, alguma fruta ou algum queijo ao almoço. Se há uma sopa, come-se, e normalmente o jantar é uma sandes e mais uma papa.
 
A maior parte dos idosos não estão institucionalizados, vivem sozinhos, com reformas miseráveis. E a maior parte do seu pequeno rendimento vai para os medicamentos. E às vezes, para comerem um pouco melhor, têm que tirar nos medicamentos.
Não nos podemos esquecer disto. Este é um problema com que um médico de família se debate no dia-a-dia.
 
Já vi muitos farmacêuticos a perguntar aos idosos: “qual é o medicamento que o senhor/a acha que lhe faz mais falta?”
Eduardo Mendes (médico de família): Exactamente. E é por isso que a política dos genéricos tem vindo a aumentar. Acho que se deve prescrever cada vez mais genéricos e que os médicos de família estão a fazer esse esforço. E devem continuar porque é muito importante para as pessoas mais pobres e com reformas mais pequenas.
Os genéricos são tão bons como os medicamentos de marca; temos que confiar nas instituições. E não podemos esquecer este problema da má alimentação dos idosos, quer os institucionalizados (por excesso de sal ou de comida), quer por falta de dinheiro ou de condições.
 
Ou até por falta de quem lhes leve a comida, no caso daqueles que não têm a sorte de ter essas visitas domiciliárias…
Elsa Feliciano (nutricionista): Essas instituições que fazem o apoio domiciliário fazem um trabalho louvável.
 
Absolutamente. Infelizmente ainda não chegam a todo o lado; ainda não existem em número suficiente. O voluntariado em Portugal também ainda não tem a expressão que tem em outros países.
Felizmente isso acontece em algumas áreas, como os Cuidados Paliativos, mas levar a comida aos idosos, visitá-los, limpar-lhes a casa e ajudá-los na sua própria higiene ou, pura e simplesmente, fazer-lhes companhia, ainda é insuficiente.


publicado por servicodesaude às 12:45
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Hipertensão - Alimentação e Educação nas Escolas

Vamos voltar a outra população com grandes problemas, por onde tudo devia começar; a população escolar.

É nas ementas escolares que devia estar o exemplo de uma alimentação correcta, dos nutrientes que fazem mais falta. No entanto, muitas vezes as escolas contratualizam a alimentação com grandes empresas e já não há - como havia no meu tempo - a cozinheira do liceu, que acabava por nos conhecer a todos e ter algum cuidado com as refeições que eram fornecidas.
Hoje a alimentação é proveniente de grandes empresas, que estão longe da escola e os alimentos já vêm confeccionados para depois serem sobreaquecidos, não é verdade?
 
Elsa Feliciano (nutricionista): São regenerados na escola e depois são servidos. Normalmente têm um prazo de validade (desde que são confeccionados até ao momento em que são servidos) de cerca de cinco dias, na maior parte das empresas.
É óbvio que são seguros; mas do ponto de vista do sabor há modificações, que muitas crianças e jovens não gostam.
 
E depois se podem e têm algum dinheiro vão ao café mais próximo…
Elsa Feliciano (nutricionista): Mas eu penso que a escola, apesar de tudo, tem feito melhorias bastante significativas. Tem havido um esforço e têm sido criadas algumas orientações.
 
Mas o que sabemos é que são apenas orientações; não têm nenhum carácter obrigatório, não é?

Elsa Feliciano (nutricionista): Não, depende de cada escola e do Conselho Executivo. Mas, apesar de tudo, nas escolas temos duas realidades: a cantina e o buffet; este último habitualmente mais complicado do que a cantina.

A cantina tem mais a ver com a questão de não gostarem do sabor, de estarem na fila e, muitas vezes, usam o buffet para ir comer. Aí há escolas que são muito cuidadosas enquanto outras pensam: “eles vão comer ao café aqui em frente, então vamos ter aqui no buffet os mesmos alimentos”.

 
Convém aqui lembrar que as escolas obtêm uma parte das suas receitas no lucro que vão buscar (até para fazerem obras), aos alimentos que elas próprias sabem que não são saudáveis, como aquelas máquinas que têm guloseimas e batatas fritas.
 
Mário Espiga de Macedo (Coordenador Nacional das Doenças Cardiovasculares): Isto prende-se novamente com o problema da educação e da formação. Os pais não podem estragar aquilo que as escolas tentam fazer para melhorar o aspecto educacional das pessoas.

 



publicado por servicodesaude às 11:42
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Hipertensão - Desafio: Minuto de Saúde na RTP, à semelhança do Minuto Verde

Mário Espiga de Macedo ((Coordenador Nacional das Doenças Cardiovasculares):

Gostava de fazer um desafio: para tudo há publicidade na televisão. Como há todos os dias um “Muto Verde” relativo à ecologia, pergunto porque é que não há todos os dias um minuto para a Saúde? Não digo às oito da manhã mas às 19h30 da tarde ou às 20H30 da noite?
Já fiz este desafio ao director-geral de Saúde, que disse que ia fazer um esforço para ver se conseguia. Não é só para a Hipertensão. É para a diabetes, para a obesidade, para a doença coronária. Um minuto por dia teria custos ridículos.
As armas contra a Coca-Cola e as batatas fritas, para nós, têm que ser as mesmas. E as armas estão na televisão e na comunicação social.
 
E no marketing extraordinário desses produtos…
 
João Morais (director do Serviço de Cardiologia do Hospital de Santo André): Repare no impacto que hoje tem o problema da gripe A e como toda a força mediática está hoje voltada para a gripe A. Eu quase arriscaria dizer que, se 10% desta força mediática fosse dirigida para isto, obteríamos um impacto notável.
Se o Sr. director-geral de Saúde e a nossa ministra da Saúde – que muito prezamos e que tem feito um trabalho notável -, se usassem 10% do tempo que estão a usar na gripe A, em áreas fundamentais, teria um impacto brutal.
 
Eduardo Mendes (médico de família): Esta questão da formação e da educação dos mais jovens é determinante. Nesta questão da gripe A é absolutamente visível.
Não encontra nenhum miúdo abaixo dos 10 anos que, quando espirra, não ponha a mão, ou tape o nariz e boca com o braço ou o cotovelo. Isto foi aprendido há três meses!
 
É excelente, aprenderam… Quer dizer que a mensagem passou e atempadamente. Tem sido feito um esforço enorme. Até porque nenhum de nós sabe ainda que dimensões a pandemia pode ter… Às vezes até parece que estamos a falar como se tudo já tivesse acabado e o verdadeiro frio ainda não chegou.
 
Eduardo Mendes (médico de família): Posso dizer ao Dr. Espiga de Macedo que essa questão do Minuto de Saúde já foi acordada há algum tempo com dirigentes desta casa e a ideia esteve perto de se concretizar. Depois as coisas dão voltas, as organizações evoluem…
 
Agora temos 80 minutos de Saúde por semana…
 
Eduardo Mendes (médico de família): Acho que era muito proveitoso fazer isso aqui na RTP1 e os custos são relativamente pequenos.


publicado por servicodesaude às 10:42
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Hipertensão - Nutricionistas nos Centros de Saúde (Tel.)

Telefonema António Gomes, 70 anos, reformado, de Lisboa:

Os nutricionistas não dão consultas nos Centros de Saúde e uma vez consultados o utente não é comparticipado pelos sistemas de saúde vigentes. Gostaria de saber porque é que não dão consultas nos centros de saúde e se é, ou não, considerado um custo superior.
 
O senhor tentou ter uma consulta no seu centro de saúde e não conseguiu?
António Gomes (70 anos): Não. Fui para outro, numa clínica, já há anos. Custou-me 50 euros e não tinha comparticipação, enquanto que nas consultas de cardiologia a ADSE pagava à cabeça e eu só dava 2 euros e meio.
 
É hipertenso?
António Gomes (70 anos): Sim.
 

Eduardo Mendes (médico de família): Acho que a presença de nutricionistas nos Centros de Saúde é fundamental. Os principais passos já se deram; há muitos centros de saúde que já têm nutricionista.

 
O Dr. Rui Cernadas, seu colega, médico de família, que temos tido connosco e que também dirige um agrupamento de centros de saúde, diz que tem nutricionistas, mas que não os tem é em número suficiente.
Eduardo Mendes (médico de família): No Sul é um pouco menos que no Norte, mas as Administrações Regionais de Saúde já têm nutricionistas.
Penso que são fundamentais e não só s nutricionistas; os fisioterapeutas, os psicólogos… Há muitos profissionais que são determinantes como equipa de saúde na área dos Cuidados Primários.
O médico de família não pode não só ser o responsável por todas estas áreas e dominá-las a todas.


publicado por servicodesaude às 09:45
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Hipertensão - Comer devido a stress, ansiedade ou depressão
Falávamos na reportagem inicial no stress em que hoje todos vivemos, que obriga muitas vezes a praticar estilos de vida menos correctos, principalmente no que se refere à alimentação.
Há muitas pessoas obesas para quem comer – sobretudo determinados alimentos que sabem bem e são gratificantes -, é uma compensação para a ansiedade, para a depressão, para a solidão…
É claro que têm que ter dinheiro para comprar bolachas ou chocolate, mas não é preciso assim tanto para os adquirir.
Ora, seria talvez mais útil se essas pessoas tivessem a oportunidade de conversar com um psicólogo ou um psiquiatra que pudesse, desse modo, ajudar a colmatar essa ansiedade ou essa depressão, não é?
 
Elsa Feliciano (nutricionista): De alguma forma, as doenças do Comportamento Alimentar devem ser todas tratadas com uma equipa multidisciplinar. E a obesidade é uma doença do comportamento alimentar.
A forma compulsiva como as pessoas por vezes se alimentam, ou como não conseguem parar de se alimentar, é um bom exemplo disso.
 
Diz-se muitas vezes que o problema não é abrir um pacote e comer uma batata frita; é abrir o pacote e comer a primeira.
Eduardo Mendes (médico de família): Depois vão dois pacotes seguidos e todos os dias.


publicado por servicodesaude às 08:51
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Hipertensão - Educação e Culinária nas Escolas

 

Relativamente à alimentação – e há pouco falámos da questão de serem as escolas as primeiras a dar o exemplo –, acho que ajudaria muito se houvesse, por exemplo, aulas de culinária nos currículos escolares.
Se as pessoas soubessem cozinhar, se calhar não tinham aquela tentação de comprar alimentos já confeccionados (muitas vezes cheios de conservantes) que metem no microondas. E se soubessem que cozinhar pode ser uma coisa fácil, talvez se entusiasmassem para o fazerem mais tarde, não era?
 
Elsa Feliciano (nutricionista): Isso é uma questão interessante, até porque hoje em dia um dos problemas das pessoas mais jovens é que não aprenderam a cozinhar. Tanto cozinha o marido como a mulher mas "qualquer coisa".
E, hoje em dia, com a vida que se tem tão complicada, é cómodo ao fim do dia passar por qualquer sítio e levar alguam coisa já feita.
 
Um frango, ou um grelhado cheio de gordura…
 
Elsa Feliciano (nutricionista): Ou então ter o frigorífico cheio de coisas congeladas e que se põe no microondas.
Isto reforça os maus hábitos alimentares das crianças e dos jovens, que não tomam o pequeno-almoço, depois na escola têm as opções que eles mesmo escolhem, como os croissants, os sumos, as sandes…
 
Mas, em abono das escolas, convém dizer que parte muitas vezes da iniciativa dos pais, de serem eles os primeiros a dizer às escolas que os seus filhos estão autorizados a saír da escola, à hora do almoço, porque os meninos não gostam da dieta escolar. E depois vão ao café mais próximo e compram aquilo que lhes apetece.
É como um bebé que não se habitua a comer sopa, ou alimentos sólidos e que vai só bebendo leite e não cria hábitos alimentares.
 
Mário Espiga de Macedo (Coordenador Nacional das Doenças Cardiovasculares): Há poucos anos, o governador civil de Faro, que era nosso colega, retirou das escolas todas os refrigerantes enlatados e comprou ele mesmo as laranjas que havia a mais no Algarve e distribuiu pelas escolas para estas fazerem sumo de laranja.
 
Oxalá todos os políticos tivessem iniciativas dessas.
 
A Administração Regional de Saúde do Centro já começou um projecto interessante com os industriais de Panificação, em que já usam a nova regulamentação para o sal, não é?
Elsa Feliciano (nutricionista): Eles anteciparam a medida. O projecto da Administração Regional de Saúde do Centro começou há três anos atrás. Chama-se www.pao.com e abrange cerca de 800 padarias daquela região.
É claro que houve padeiros a entrar ao longo do tempo, mas os que estão no projecto há mais tempo têm cerca de 1gr de sal por cerca de 100gr de pão, o que é inferior relativamente aquilo que a lei prevê como objectivo a atingir.

 



publicado por servicodesaude às 07:07
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Hipertensão - Hospital dos Pequeninos” de 20 a 28 de Novembro

 

Na próxima semana, entre 20 e 28 de Novembro, os estudantes de Medicina de Lisboa vão organizar o “Hospital dos Pequeninos”. Esta iniciativa pretende, através de equipas multidisciplinares, familiarizar os mais novos com as chamadas “batas brancas”. A ideia é que não tenham medo de ir, por exemplo, a um médico ou de serem vistos por uma enfermeira. Como é que vai decorrer este ano?
 
Manuel Rocha (estudante do 3º ano de Medicina): Sim, esta actividade já decorre há alguns anos. É um trabalho da nossa associação mas, este ano, vai também contar com a colaboração de estudantes de Nutrição, de Farmácia e de Medicina Dentária.
O nosso principal objectivo é desmistificar a presença dos profissionais de saúde perante as crianças. E também promover uma boa alimentação e uma boa higiene oral.
Este ano, particularmente, devido ao problema da gripe A, vamos também promover uma boa higiene das mãos e das crianças.
Qualquer mãe e qualquer pai que queira levar o seu filho ao nosso hospital pode fazê-lo no próximo sábado, dia 28, de manhã, uma vez que os restantes dias serão dedicados aos alunos de escolas.
 
(Isto vai passar-se junto ao Hospital de Santa Maria, na cantina situada em frente, na Universidade de Lisboa.)


publicado por servicodesaude às 07:02
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Hipertensão - Links Úteis e Bibliografia

Bibliografia

 

 

 

 

“A Hipertensão – Conhecer, Prevenir e Tratar”, uma parceria da jornalista Cláudia Borges e o Dr. Pedro Marques da Silva

 

Links

 



publicado por servicodesaude às 06:19
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Hipertensão - Ficha Técnica

Autoria, coordenação e apresentação

Maria Elisa Domingues
 
Convidados
Mário Espiga de Macedo
Eduardo Mendes
João Martins
Elsa Feliciano
 
Reportagem
Buenos Aires Filmes
 
Produção
Miguel Braga
 
Pesquisa
Alexandra Figueiredo
Catarina Fernandes
Miguel Braga
 
Jornalistas
Miguel Braga
Catarina Fernandes
 
Imagem
Gonçalo Roquette
Daniel Ruela
 
Edição
Teresa Mota
 
Pós-produção vídeo
Sara Nolasco
 
Pós-produção Audio
Miguel Van Kellen
 
Gestão e edição de conteúdos
(portal Sapo)
Natacha Gonzaga Borges
 
 
Atendimento telefónico
Tatiana Ferreira
Ana Luísa Pereira
Rebeca Natal
Marta Fraga
 
Câmaras
Rui Machado
Álvaro Espírito Santos
Lília Magalhães santos
Coelho da silva
Floriano Esteves
 
Mistura de Imagem
Filipe Costa
 
Controlo de Imagem
Alfredo Marques
 
Som
Henrique D´Assumpção
José Carlos
José Manuel Antunes
 
Iluminação
Armindo Caneira
 
Electricista
Bruno Bernardino
 
Técnicos de Electrónica
José Borges
Rui Loureiro
 
Assistentes de Operações
Jaime Silva
Écio Martins
Pedro Gonçalves
António Costa
 
Caracterização
Mizé
Ana Filipa
 
Cabelos
Fátima Tristão da Silva
 
Assistente de guarda-roupa
Paula Silva
 
Assistentes de Artes Visuais
Bruno Silva
Jacinto Medeiros
Eurico Lourenço
Joaquim Marques
 
Registo Magnético
Sérgio Ribeiro
 
Gerador de Caracteres
Luís Pereira Torres
 
Teleponto
Sofia Van-Dunem
 
Genérico e Grafismos
Nicolau Tudela
Teresa Martins
 
Música genérico
Ari de Carvalho
 
Assistente de Realização
Carlos Cid Carmo
 
Anotadora
Vanda Santana
 
Chefe Técnico de Produção
Vitor Escarigo
 
Criação cenográfica
Gil Ferreira
 
Execução cenográfica
Isabel Rodrigues
 
Produção
Paula Paiva
 
Realização
Jorge Rodrigues


publicado por servicodesaude às 05:18
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Hipertensão - Links Úteis

LINKS

 
“Estudo da prevalência, tratamento e controlo da hipertensão em Portugal”, da autoria do Prof. Doutor Mário Espiga de Macedo, 2005.(Publicados no 19º Boletim EUROTRIALS, SAÚDE EM MAPAS E NÚMEROS).
http://www.eurotrials.com/contents/files/Boletim_19.pdf):
 
Riscos Hipertensão (folheto informativo do Hospital Egas Moniz):
http://www.hegasmoniz.min-saude.pt/NR/rdonlyres/0B23BF8D-F80F-4B46-8580-3C77C21C8A56/2587/Hipertens%C3%A3oarterial.pdf
 
Fundação Portuguesa de Cardiologia
http://www.fpcardiologia.pt/default.aspx
 
Sociedade Portuguesa do Acidente Vascular Cerebral
http://www.spavc.org/engine.php?cat=1
 
VIVER APÓS UM ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL – Auto-cuidados na Saúde e na Doença
Guia para as Pessoas Idosas (DGS)
http://www.portaldasaude.pt/NR/rdonlyres/65FA49E9-DC02-48B0-ACE6-F9CF8E147110/0/i005652.pdf
 
Tudo o que deve saber sobre Arritmias
http://www.fpcardiologia.pt/docs/CRC%20n%c2%ba%2011%20Arritmias_Final.pdf
 
 
Ordem dos Médicos - https://www.ordemdosmedicos.pt/
 

Lei nº 75/2009, D.R. nº155, Série I de 12.08.2009

Estabelece os limites máximos da quantidade de sal no pão e define as orientações para a rotulagem de alimentos pré-embalados com sal

http://www.min-saude.pt/NR/rdonlyres/B8029F0A-B899-445B-BDD7-6190B0333C18/0/lei75_2009reducaosal.pdf
 
Medscape
http://www.medcenter.com/Medscape/content.aspx?LangType=1046&banner=rc_hypertension&menu_id=49&id=16500
 

 



publicado por servicodesaude às 04:21
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Hipertensão - Investigadoras portuguesas premiadas na área da Hipertensão, Diabetes, Obesidade e Cancro

O prémio que distingue as mulheres doutoradas com menos de 35 anos que desenvolvam os seus projectos em Portugal resulta de uma parceria  da L´Oréal, Fundação Nacional da UNESCO e a Fundação para a Ciência e Tecnologia.

O júri, presidido pelo investigador Alexandre Quintanilha, avaliou cerca de 40 candidaturas. Maria José Oliveira, de 35 anos, Joana Rosmaninho Salgado, de 28 anos; e Sílvia Vilares Conde, de 32 anos, foram as três cientistas escolhidas.

 

Sílvia Conde, investigadora da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa quer contribuir para o desenvolvimento de novas terapias para duas das mais frequentes doenças da actualidade: a hipertensão arterial e a diabetes tipo II.

Nos próximos dois anos a investigadora tem um alvo específico: o corpo carotídeo; um órgão situado na bifurcação das artérias carótidas que funciona como sensor de oxigénio.

(quando subimos uma montanha, por exemplo, este sensor é activado e a frequência respiratória aumenta).

Sílvia Conde quer saber se este órgão também pode ser um sensor de insulina e como funciona, para que no final seja possível obter um fármaco capaz de controlar a actividade deste sensor e, assim, ajudar os doentes hipertensos e diabéticos.



publicado por servicodesaude às 03:25
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Segunda-feira, 16 de Novembro de 2009
Gripe A - DGS e Infarmed garantem segurança de vacinas com adjuvante para as grávidas

A Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde (Infarmed) garantiu hoje que "não há evidência" que sugira "diferenças no perfil de segurança" entre as vacinas contra a gripe A (H1N1), com ou sem adjuvante.

"Os dados analisados continuam a permitir a conclusão de que não há evidência que sugira diferenças no perfil de segurança das vacinas com ou sem adjuvante", respondeu o Infarmed à agência Lusa, solicitado a comentar a opção espanhola de administrar às grávidas vacinas sem adjuvante.

Na resposta à Lusa, o Infarmed sublinha que foi hoje actualizado, em reunião do Grupo Europeu de Farmacologia, da Agência Europeia do Medicamento, o ponto de situação sobre a segurança das vacinas contra o vírus H1N1 contendo adjuvante.

 

A subdirectora-geral da Saúde, Graça Freitas, também reiterou hoje que todas as vacinas disponíveis contra a gripe A, aprovadas pelas instituições oficiais, são "eficazes e seguras", independentemente das suas características, como terem ou não adjuvantes na sua composição.
As autoridades espanholas vão começar dentro de poucas dias a disponibilizar para mulheres grávidas uma vacina sem adjuvantes contra o vírus H1N1, que foi autorizada este fim-de-semana.
Trata-se da vacina Panenza, do laboratório Sanonfi-Aventis, que Espanha já tem em stock e que foi autorizada no fim-de-semana pela Agência Espanhola do Medicamento.
 
O especialista em obstetrícia Luís Graça afirmou que a associação entre a morte de um feto e a vacinação contra a gripe A foi circunstancial, sublinhando que, se a autópsia revelasse uma ligação, seria o primeiro caso no mundo.
Uma grávida de 34 semanas perdeu o bebé no sábado, três dias depois de ter sido vacinada contra o vírus H1N1, dois factos que os familiares suspeitam que estejam ligados, mas que o hospital diz não ser possível relacionar.
"Esta associação é meramente circunstancial, pelo menos, até que haja uma nova explicação para este caso", disse à agência Lusa o presidente do colégio de especialidade da Ordem dos Médicos de ginecologia e obstetrícia.

 (Fonte: Lusa) 


Temas:

publicado por servicodesaude às 23:59
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Gripe A (H1N1) - INFARMED - Sobre a vacinação: público e profissionais de saúde

 

Vacinação contra a gripe pandémica - Nota Informativa Data: 22/10/2009

Para: Público e/ou Profissionais de Saúde (Sítio do INFARMED)

Contacto no INFARMED: Direcção de Gestão do Risco de Medicamentos

Na sequência da recomendação da Agência Europeia do Medicamento (EMEA), a Comissão Europeia concedeu recentemente a autorização de introdução no mercado (AIM), a nível centralizado, a três vacinas contra a pandemia da gripe H1N1v: Focetria (Novartis), Pandemrix (GlaxoSmithKline) e Celvapan (Baxter). Focetria e Pandemrix foram autorizadas em 29/09/2009 e contêm antigénio de superfície viral fragmentado e inactivado correspondente à estirpe A/California/7/2009 (H1N1)v (X-179A). Celvapan foi autorizada em 06/10/2009 e contém vírus influenza inactivado de correspondente à mesma estirpe.

Focetria, Pandemrix e Celvapan foram autorizadas a partir de uma abordagem única para vacinas para contexto pandémico: a abordagem mock-up. Com efeito, após o início da actual pandemia e uma vez identificada a nova estirpe de vírus A (H1N1)v pela Organização Mundial de Saúde, foi possível aos fabricantes obterem vacinas pandémicas finais através da substituição de uma estirpe mock-up H5N1 pela estirpe H1N1v.

Em relação à segurança destas vacinas, é de notar que décadas de experiência com as vacinas da gripe sazonal sugerem que a inclusão de uma estirpe ou a sua substituição por outra não altera significativamente o perfil de segurança das mesmas. Por outro lado, a autorização das vacinas contra a estirpe H1N1v decorreu de uma avaliação do CHMP com base num conjunto de dados de qualidade, segurança e imunogenicidade que aponta para uma relação benefício-risco favorável, dentro das indicações definidas.

Focetria e Pandemrix contêm adjuvantes, os quais têm sido amplamente utilizados na produção de vacinas, apresentando um perfil de segurança favorável. O adjuvante de Focetria (MF59C.1) tem sido utilizado desde 1997 numa vacina para a gripe sazonal, num total estimado de cerca de 45 milhões de doses. O adjuvante de Pandemrix (AS03) foi testado em ensaios clínicos que incluíram vários milhares de indivíduos. Celvapan é uma vacina sem adjuvantes.

A EMEA solicitou aos fabricantes da vacina a implementação de planos de gestão de risco para investigar activamente e monitorizar a segurança das vacinas durante a sua utilização em toda a UE, para que precocemente possam ser tomadas medidas caso surja algum problema de segurança. Neste âmbito, os fabricantes assumiram o compromisso de realizar estudos pós-autorização, incluindo cerca de 9000 indivíduos para cada vacina.

O perfil de reacções adversas da vacina contra a gripe pandémica não parece diferir significativamente do que está previsto para a imunização contra a gripe sazonal e encontra-se descrito no Resumo das Características do Medicamento das vacinas autorizadas. No entanto, como também para qualquer medicamento, podem ocorrer reacções adversas que, nomeadamente pela sua raridade, apenas poderão ser detectadas aquando da utilização em larga escala.

O dispositivo do Sistema Nacional de Farmacovigilância encontra-se preparado para a monitorização da segurança dos medicamentos em geral e, neste caso, das vacinas contra a gripe pandémica. Como em relação aos outros medicamentos, durante a utilização em larga escala das vacinas, é de grande importância a colaboração dos profissionais de saúde que prescrevem, dispensam e administram medicamentos ou ainda que diagnosticam e tratam eventuais efeitos adversos. Também, na vertente específica da administração da vacina, se salienta a relevância do habitual registo de lotes utilizados e locais de administração, de forma a permitir a rastreabilidade de cada vacina e suas eventuais reacções adversas.

Relembra-se os profissionais de saúde da importância de notificarem ao Sistema Nacional de Farmacovigilância as suspeitas de reacções adversas. Tem especial interesse, de acordo com o CHMP, a notificação de:
- reacções graves e inesperadas;
- reacções muito graves em que haja ameaça da vida ou fatalidade;
- acontecimentos adversos de especial interesse: nevrite, convulsões, anafilaxia, encefalite, vasculite, síndrome de Guillain-Barré, paralisia facial, doenças desmielinizantes
- e ainda: falência vacinal.

As notificações poderão ser feitas, como habitualmente, de forma expedita, pelos seguintes meios:
- Fichas de notificação, também disponíveis online em:
- Por mail, fax ou telefone para (consoante a região):
- Unidade Regional de Farmacovigilância do Norte
Tel: 225 513 681 - Fax: 225 513 682
E-mail: ufn@med.up.pt
- Unidade Regional de Farmacovigilância do Centro
Tel: 239 480 100 - Fax: 239 480 117
E-mail: ufc@aibili.pt
- Unidade Regional de Farmacovigilância de Lisboa e Vale do Tejo
Tel: 217 802 120 - Fax: 217 802 129
E-mail: uflvt@sapo.pt
- Unidade Regional de Farmacovigilância do Sul
Tel: 217 971 340 - Fax: 217 971 339
E-mail: urfsul@ff.ul.pt
- Direcção de Gestão do Risco de Medicamentos (Farmacovigilância) do INFARMED I.P.
Tel: 217 987 140 - Fax: 217 987 397
E-mail: farmacovigilancia@infarmed.pt

O INFARMED I.P., em consonância com a avaliação e monitorização contínuas do CHMP, continuará a divulgar recomendações actualizadas caso seja necessário, de forma a procurar garantir uma relação benefício-risco favorável, considerando a gravidade e dimensão da pandemia.



Leituras adicionais recomendadas:
- Circular Informativa N.º 179/CD/2009
- Circular Informativa N.º 184/CD/2009
- RCM (Resumo das Características do Medicamento) de Focetria
- RCM (Resumo das Características do Medicamento) de Pandemrix
- RCM (Resumo das Características do Medicamento) de Celvapan
- Boletim de Farmacovigilância

Para mais esclarecimentos contactar:
• Centro de Informação do Medicamento e Produtos de Saúde do INFARMED, através da Linha Verde do Medicamento: 800 222 444 ou por correio electrónico: cimi@infarmed.pt,
• Direcção de Gestão do Risco de Medicamentos, através do telefone: 21 798 7140 ou por correio electrónico: dgrm@infarmed.pt

O Conselho Directivo
Vasco A. J. Maria
 


publicado por servicodesaude às 16:35
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Gripe A - Inicio da vacinação das crianças e doentes crónicos (grupo B)

A campanha de vacinação contra o vírus da Gripe A para o grupo B, arrancou hoje, a nível nacional, tendo como objectivo a administração da Pandemrix a crianças entre os seis meses e os dois anos de idade, bem como aos doentes crónicos, nomeadamente diabéticos e pessoas com asma, insuficiência renal e problemas cardiovasculares, além dos profissionais de saúde em contacto directo com doentes.

Vírus “ataca” sobretudo nas escolas
O Ministério da Saúde pretende abranger, nesta segunda fase, perto de 145 mil crianças em todo o país. Para proceder à vacina, os pais devem fazer-se acompanhar do Boletim de Nascimento ou da Cédula de Saúde, bem como telefonar, previamente, para os centros de saúde, para ficar a saber o dia e a hora em que a vacina está disponível.

As vacinas chegam às unidades de saúde em embalagens de dez doses, impondo-se uma organização das administrações, visto que, uma vez aberta a embalagem, impõe-se um prazo de 24 horas para utilizar o produto.

Entretanto, a ministra da Saúde, Ana Jorge, já garantiu que as unidades de saúde portuguesas estão apetrechadas para o alargamento deste programa de prevenção.

 

Uma medida que surgiu depois da Organização Mundial de Saúde ter alertado para a sua necessidade, dada a constatação de complicações da infecção neste grupo.
Refira-se que, entre os passados dias 2 e 8, foram registados focos de infecção por H1N1 em mais de 190 escolas do país, triplicando os valores da semana anterior (60). A actividade gripal centra-se, ainda, predominantemente, em ambiente escolar, segundo o último relatório do Ministério da Saúde sobre a evolução do vírus.

(Fonte: Diário de Aveiro)



publicado por servicodesaude às 00:00
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Sexta-feira, 13 de Novembro de 2009
Gripe A - OMS alerta aconselha pessoas saudáveis a evitarem grandes eventos

OMS aconselha pessoas saudáveis a evitarem grandes eventos desportivos e culturais

Os organizadores de grandes eventos desportivos e culturais devem tomar medidas para impedir que a gripe A alastre, sobretudo se os sistemas de saúde locais não estiverem preparados para lidar com grandes concentrações, alertou hoje a Organização Mundial de Saúde.
A Organização aconselha que durante esses eventos todas as pessoas saudáveis evitem assistir e permaneçam em casa, recomendações que servem tanto para o público como para o pessoal de apoio.
Num documento destinado a servir de guia aos organizadores de eventos, tais como concertos, conferências ou outros tipos de reuniões que juntam grande quantidade de pessoas, a OMS pede que se promova a higiene das mãos e que as pessoas adoptem certos comportamentos para tossir ou espirrar (como tapar o nariz e a boca com a mão).

(Fonte: Lusa)



publicado por servicodesaude às 23:46
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Gripe A (H1N1) - Ponto da situação - 11 Novembro (DGS)

Na semana de 2 a 8 de Novembro, foram observados nos serviços de saúde 14.111 doentes com sintomas de gripe, independentemente da confirmação laboratorial dos vírus em causa. A distribuição da gripe estendeu‐se um total nacional de 191, na mesma semana. A actividade gripal centra‐se ainda predominantemente em ambiente escolar. ‐Geral da Saúde (http://www.dgs.pt).

 

Na mesma semana, estiveram internados 121 doentes, dos quais 17 em unidades de cuidados intensivos.
No entanto, a maioria dos novos casos diagnosticados não apresentou gravidade clínica.
Quanto ao número de escolas onde se registaram clusters (focos), contabilizou
O Ministério da Saúde reforça a indicação aos cidadãos para que, em caso de sintomas de gripe, contactem de imediato a Linha de Saúde 24 (808 24 24 24) e sigam as indicações que lhes são dadas.
Tendo em conta que a Gripe A é uma doença benigna que se trata, na maioria dos casos, com antipiréticos e com a permanência em casa, o Ministério da Saúde apela à tranquilidade dos cidadãos e reitera a importância de atitudes responsáveis, conscientes e cívicas na procura dos serviços de saúde. Só assim é possível evitar deslocações desnecessárias, bem como o congestionamento dos próprios serviços, que devem estar aptos a responder aos casos verdadeiramente urgentes.
No que diz respeito à campanha de vacinação, o Ministério da Saúde informa que, a partir de dia 16 de Novembro, os serviços de saúde vão alargar a vacinação aos grupos populacionais incluídos no Grupo B, nomeadamente mais doentes crónicos e mais profissionais de saúde, continuando a ser vacinadas as pessoas inseridas no Grupo A que ainda não o foram.
O Ministério da Saúde faz, semanalmente, o ponto de situação da evolução da infecção da Gripe A no seu site (http://www.portaldasaude.pt/). A mesma informação pode também ser consultada no Microsite da Gripe, no site da Direcção
Lisboa, 11 de Novembro de 2009


publicado por servicodesaude às 16:10
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Quinta-feira, 12 de Novembro de 2009
Gripe A (H1N1) - Folheto informativo em Braille (DGS)

Comunicado – 12/11/2009 : "Gripe pandémica (H1N1)": Folheto informativo para invisuais A Direcção-Geral da Saúde disponibiliza gratuitamente um folheto informativo sobre gripe em Braille. Os serviços ou instituições que o desejem poderão proceder à sua requisição, enviando um e-mail para folhetobraille@dgs.pt com a indicação do nome da instituição, da morada e do número de exemplares pretendidos.O envio será feito para a morada indicada sem qualquer custo para o requisitante.

 

 

(Fonte: Direcção-Geral da Saúde)


publicado por servicodesaude às 16:05
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Terça-feira, 10 de Novembro de 2009
Cuidados Paliativos - Casos expostos no "Serviço de Saúde" resolvidos ou perto de uma solução

"Gostaria de informar os telespectadores que nos seguem, em particular os que virão a emissão sobre Cuidados Paliativos, que quase todos os dramas humanos que nos foram expostos pelo telefone estão resolvidos ou muito perto de uma solução, graças à intervenção da Dra. Inês Guerreiro, Directora da Rede de Cuidados Continuados Integrados, e à dedicação e interesse da enfermeira Fátima Oliveira, da Casa de Saúde de Idanha, que foi nossa convidada na semana passada.

Alertar e contribuir para um Serviço Nacional de Saúde cada vez mais perto dos mais carenciados é um dos nossos objectivos". (Maria Elisa Domingues - 17/10/2009)
 
Maria Fernanda Antunes, Brandoa, 62 anos, reformada
Mãe internada no Amadora Sintra com cancro nos ovários, com metásteses no figado e nos pulmões. Está internada há 15 dias e tem Parkinson mas vai ter alta brevemente mesmo estando em estado crítico porque o médico diz que não tem direito aos cuidados paliativos.
 
Florbela Barros, Vila Verde, Braga, 32 anos
- Mãe doente há 23 anos e internada há 17
Teve embolia pulmona, infecções respiratórias, epilepsia derivada do AVC, entre outrsos problemas.
- Pai com cirrose e encefalopatia hepática que o deixa dependente para tudo
Não tem cuidados paliativos perto de casa.

António Mil Homens, 51 anos, Bombarral 
Pediram-lhe 500 euros por mês para internarem a esposa nos cuidados continuados do seu Centro de Saúde.

Alda Michel, 48 anos, Lisboa
Namorado no Hospital de Santa Maria, tirou um tumor da cabeça há 8 anos. Está internado. Não fala bem, não come sozinho, não mexe uma perna.(Apesar da Sra. Alda Michel não ser concreta em relação ao seu pedido, a avaliar pelo descritivo pensamos que também precisará de ajuda.) 
 

 

Em relação à mãe da sra. Maria Fernanda Antunes, a sra. enfermeira já enviou a equipa de gestão de altas ao hospital onde a senhora está internada para perceberem porque razão não está referenciada para os cuidados intensivos.
 
Quanto ao senhor António Mil Homens, a sra enfermeira pediu a reavaliação do caso. Isto porque o cálculo do pagamento é feito em termos dos rendimentos da pessoa em causa. Como este senhor diz que não pode pagar os 500 euros por mês que lhe pediram, está a ser contactada a assistencia social do centro de saúde para ser então pedida a reavaliação do caso.  
 
No caso Alda Michel, é possível dar apoio psicológico, que já está a ser pedido. Isto porque a senhora pensa que o namorado vai para uma unidade de reabilitação quando ele tem de ir para os cuidados paliativos porque está em fase terminal. Aqui está a ser pedido o apoio psicológico porque essencialmente a senhora não aceita a realidade, está em negação quanto ao que está a acontecer ao namorado.
 
Por último, a senhora Florbela Barros apesar de ter ambos os pais em casa, ao seu cuidado, ela tem formação enquanto cuidadora e o apoio do Centro de Saúde de Vilaverde que a sra enfermeira muito elogiou pela qualidade dos profissionais.
 
Esta senhora não necessita de mais ajuda, mas a sra enfermeira percebeu que o Centro de Saúde de Vilaverde precisa de dois carros para chegar à população que necessita de cuidados domiciliários. Têm pessoal altamente qualificado, que não consegue fazer mais por falta de meios, ou seja precisam de carros que os transporte aos domicilios. Aqui procedemos a um alerta de ajuda a este Centro de Saúde que pelos vistos apresenta um padrão de serviços de elevada qualidade.
 
O primeiro caso, da sra. Maria Romeberg também já está a ser resolvido e o irmão da senhora já não terá alta, como etaria previsto.


publicado por servicodesaude às 23:56
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Cuidados Paliativos - Introdução (por Maria Elisa Domingues)

 

O tema de hoje, dia 10 de Novembro, não é fácil, mas parece-nos importante: vamos falar de Cuidados Paliativos, ou seja, de como é possível ajudar aqueles que se aproximam da morte, porque a medicina curativa já nada pode fazer por eles; a morrer sem sofrimento, em paz, com amor, com dignidade, envolvendo nesse acompanhamento, sempre que ela exista, a família.
 
Começam por ser os médicos – de clínica geral ou especialistas – a lidar mal com os doentes, pelos quais “já nada podem fazer”. Sendo a Medicina a arte de curar, perder um doente é uma derrota. Para o médico de serviço no hospital, se o doente condenado, morrer no turno seguinte, melhor. Para a estatística e para a sua consciência.
 
Mas para o doente com a vida a prazo começa então um longo caminho, que ninguém sabe quanto tempo vai durar, em que precisa mais do que nunca, de alívio das dores, de tranquilidade, da melhor qualidade de vida possível, proporcionada por equipas especialmente treinadas para lidar com tais situações. A isso se chama de Cuidados Paliativos.
 
Muitos pensarão que quem trabalha nesses serviços vive uma realidade deprimente, mas como vão ver, a experiência desses profissionais é totalmente diferente: todos dizem que recebem mais do que aquilo que dão e que acompanhar alguém no seu último tempo de vida pode proporcionar momentos de comunicação de uma verdade e uma intensidade impossíveis de experimentar noutras circunstâncias.
 
Em Portugal, estamos ainda muito longe do número ideal de camas para Cuidados Paliativos, mas temos unidades com largos anos de funcionamento, e de exemplar serviço à comunidade, como é o caso do Fundão, onde estivemos.
Na nossa reportagem fomos ainda conversar com Márcia, uma jovem mãe que retirou, de um longo prognóstico, a força para lutar por cada ano, cada mês, cada dia de vida: Reportagem
 

 



publicado por servicodesaude às 23:55
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Cuidados Paliativos - Reportagem

Márcia Brás da Silva (33 anos): “Sei que tenho uma doença crónica, sei que não tem cura, sei que pode entrar em actividade a qualquer momento, mas não é isso que me preocupa mais neste momento. Eu quero fazer os possíveis para manter as células que cá estão dentro inactivas, e portanto foco as minhas energias nisso”.

 
Márcia Silva, de 33 anos, tem o marido que apoia na caminhada da vida. Pais de duas gémeas, lutam lado a lado, há mais de dois anos, contra um cancro no estômago.
 
Márcia Brás da Silva (33 anos): “Recebi a notícia e foi um choque, mas o contexto e a apresentação da doença: havia qualquer coisa que me dizia que era de origem tumoral. Nunca pensei que fosse um carcinoma gástrico”.
 
Nuno Brás da Silva (marido de Márcia): “Naturalmente que com a perspicácia que a Márcia tem, fez logo questão de perguntar ao médico qual é que era a esperança de vida dela. Naturalmente que ele não disse, não avançou nada em termos de timings. Disse apenas que a Márcia tinha que ter alguma qualidade de vida enquanto lhe fosse possível”.
 
Depois da notícia, Márcia foi submetida a seis sessões de quimioterapia e a uma longa e complicada cirurgia onde tirou parte do estômago, do intestino, do fígado, do útero e dos ovários. Além de ter emagrecido bastante, Márcia teve também complicações de obstipação e, mais do que isso, de oclusão intestinal, que a levaram outra vez ao hospital. Desta feita, aos Cuidados Paliativos.
 
Márcia Brás da Silva (33 anos): “Eu, que fiz uma cirurgia e que pensei que me desse alguns anos de vida extra, fui confrontada com uma situação em que posso estar em oclusão intestinal e isso quer dizer, basicamente, que não tenho alternativa possível, porque não há nada a fazer”.
 
Nuno Brás da Silva (marido de Márcia): “Fica internada numa unidade de Cuidados Paliativos e mais uma vez não é nada fácil aceitar essa situação”.
 
Tanto Márcia como Nuno sentiram na pele a diferença das Unidades de Paliativos. Explicam que o internamento de 43 dias serviu também para clarificar algumas ideias que tinham sobre a especialidade.
 
Nuno Brás da Silva (marido de Márcia): “Pude efectivamente comprovar que não vão para ali só os doentes que estão para morrer na semana a seguir ou duas semanas depois. Claro que isto foi uma aprendizagem”.
 
Márcia Brás da Silva (33 anos): “Eu tinha uma ideia pré-concebida; pensava que uma Unidade de Cuidados Paliativos tratava assintomaticamente a Dor e todos os sintomas de uma doença. Ela faz isso, mas não só isso. Faz também o acompanhamento da componente psicológica, que é fundamental.
A dor psicológica e a componente emocional, quer da família, quer do doente, é talvez a parte mais difícil, porque as pessoas não são todas iguais”.
 
Márcia sabe da importância dos Cuidados Paliativos; não só em lhe proporcionar uma vida sem dor mas também para lutar contra o avanço da doença. Em casa, todos os dias, toma uma grande quantidade de medicamentos. E sempre que necessário, Márcia faz também quimioterapia.
 
Mas nem sempre as pessoas com doenças crónicas ou terminais tiveram ou têm estes apoios em Portugal. Se recuarmos a 1992 recordamos a história que chocou a região e que foi determinante para mudar a vontade política do país.
Álvaro Ramalho, de 39 anos, vítima de um cancro destrutivo da face, foi mandado do hospital para casa. Na altura em que o jornal do Fundão o visitou já passavam quatro meses sem qualquer tipo de assistência médica:
 
Jornal do Fundão: “A sua face é já um enorme buraco: já não há boca, nem maxilar, nem língua. O seu rosto é uma ferida aberta, sem princípio nem fim”.
 
Fernando Pauloro Neves (director do Jornal do Fundão: “O quadro fundamental era o de um homem que tinha o rosto a desfazer-se e que estava a assistir à sua própria destruição. Lembro-me bem, porque ele tinha em frente um guarda-vestidos que tem um daqueles espelhos altos… e, portanto, podia ver todos os dias um bocadinho menos do rosto, que já lá não estava.
Ele não falava, não comunicava, porque já não tinha língua. Tinha um enorme buraco…”.
 
O caso do homem do Casal da Serra, como ficou conhecido, levou mesmo mais tarde à criação da Unidade de Tratamento de Dor do Hospital do Fundão; actualmente Serviço de Medicina Paliativa:
 
Lourenço Marques (director do Serviço de Medicina Paliativa do Hospital do Fundão): “A novidade é que tinha camas para acolher estes doentes que tinham doenças muito avançadas e que a medicina da época não enquadrava”.
 
Nos dias de hoje a Unidade de Medicina Paliativa do Fundão tem capacidade de internamento para 10 pessoas. São na maioria doentes oncológicos mas começam também a aparecer os primeiros casos de doença neurológica. Mesmo assim, continua a existir a falta de informação, não só dos utentes mas também da classe médica:
 
Lourenço Marques (director do Serviço de Medicina Paliativa do Hospital do Fundão): “Os próprios colegas médicos não têm ainda a formação para entenderem que em determinado momento esses doentes são melhor tratados em Unidades de Cuidados Paliativos do que se forem mantidos em Serviços de “Agudos”, com alta tecnologia e com intenções curativas, em que os doentes sofrem mais, há um gasto enorme de recursos…”.
 
Além disso, de acordo com a natureza dos doentes que precisam deste tipo de cuidados, a existência de listas com espera pode significar a diferença entre a vida e a morte:
 
Lourenço Marques (director do Serviço de Medicina Paliativa do Hospital do Fundão): “Depois temos efectivamente o problema de termos apenas 10 camas, que estão habitualmente ocupadas, e perdemos muitos doentes. Ainda hoje tive três contactos e não temos camas. Portanto, eles vão entrar numa lista de espera e vamos procurá-los quando tivermos vaga. E às vezes quando vamos procurá-los, já morreram…”.
 
Sérgio Martins continua a lutar contra um tumor nas vias biliares. Esteve internado no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, mas por ser do concelho, teve prioridade na entrada no serviço do Fundão:
 
Sérgio Martins (67 anos): “E depois como lá já não havia vaga; porque são muitos…, disseram: “agora vai lá ao Fundão porque há lá uma vaga e depois quando vagarmos, provavelmente, terá que voltar aqui para a consulta e fazer exames”.
 
Neste vai e vêm, Sérgio dá valor ao facto de estar perto de casa e de haver profissionais que têm tempo para o ouvir:
 
Sérgio Martins (67 anos): Há mais familiaridade por haver menos gente. Em Lisboa não conhecem ninguém; um é do Minho, outro do Algarve e aqui são mais as pessoas da região, do concelho…”.
 
Sérgio tem família mas os seus filhos estão agora em Lisboa, por isso as horas em que não está a descansar ou em cuidados médicos, encontra nas voluntárias, a companhia de serviço. É o caso desta antiga professora:
 
Maria Alcina Caramelo (voluntária): “A nossa presença, o nosso toque de mão, o nosso olhar, ou até não dizer nada, acho que é muito positivo”.
 
Positivo é também o passeio de Gracinha com o marido nos corredores do hospital. Há mais de 20 anos que lhe diagnosticaram um tumor no útero. Passa temporadas em casa mas cada vez que piora volta a ser internada:
 
José Birra (marido de Gracinha): “Agora há cerca de nove anos que está assim. Está em cada, depois volta. Vai e vem. Estás aos meus cuidados e aos cuidados daqui do hospital. Sei que aqui é tratada com carinho e com amor; com todos as “maneiras” de ser humano…”.
 
Os Cuidados Paliativos em Portugal são uma actividade recente, tendo as primeiras iniciativas surgido apenas no início dos anos 90. A primeira unidade surgiu precisamente no Fundão, em 1992. Mais tarde, foi a vez de serem criados Serviços de Cuidados Paliativos destinados a doentes oncológicos nos IPO do Porto e de Coimbra.
Mesmo assim, 17 anos depois da criação dessa primeira unidade, Portugal continua a contar apenas com 18 serviços especializados que perfazem um total de cerca de 100 camas para 10 milhões de habitantes, quando devia ter, segundo a Organização Mundial de Saúde, cerca de mil.
E se tivermos em conta que só em Lisboa estão seis desses serviços, esta é a localização destas unidades em Portugal:
 
(Fonte: Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos)
 
E, talvez por haver poucas unidades, continua a faltar informação aos utentes sobre a natureza do serviço:
 
Estela Landeira (psicóloga): “Normalmente é aquele estigma: vou para a Medicina Paliativa para morrer”; o que não é necessariamente verdade. Eles têm uma doença crónica, uma doença terminal, mas ninguém consegue prever quanto tempo vão ter ainda de vida”.
 
O suporte psicológico, emocional e espiritual são assim determinantes, como o apoio à família, quer durante a doença, quer durante o próprio luto:
 
Lourenço Marques (director do Serviço de Medicina Paliativa do Hospital do Fundão): “E reforçar muito que a vida pode ter sentido. E o sentido não somos nós que damos às pessoas; são as pessoas que têm que recuperar o sentido das suas vidas. E temos situações lindíssimas em que isso é possível, desde que o sofrimento esteja aliviado. Não temos aqui casos de pessoas a dizer: “mate-me”.
 
Que o diga Márcia, a quem um tumor gástrico já vitimou um familiar. Márcia sabe da importância de manter vivos os seus objectivos e, na sua cabeça, há um relacionado com as gémeas de três anos, que lhe permite ir sempre buscar mais um pouco de força:
 
Márcia Brás da Silva (33 anos): “Eu não quero ser vencida por esta doença, portanto para mim o principal objectivo é tentar conseguir pelo menos manter-me como agora, porque consigo fazer uma rotina perfeitamente normal.
Se for assim já é excelente; pelo menos até uma altura em que as minhas filhas tenham…. Se tiver que acontecer alguma coisa, pelo menos até que elas tenham uma relativa autonomia. Esse objectivo eu tenho muito presente. E quando estou a falar de autonomia, estou pelo menos a falar da fase da adolescência.
Quem me vê se calhar diz: “aquela senhora é louca”, mas eu acredito que não. E, portanto, vou manter esse objectivo vivo, independentemente do que possa acontecer”.


publicado por servicodesaude às 23:15
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Cuidados Paliativos - Apresentação dos Convidados

 

Dra. Isabel Galriça Neto - Directora da Unidade de Cuidados Paliativos do Hospital da Luz, em Lisboa, e também a presidente da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos.
 
Dra. Margarida Damas de Carvalho – Directora da Unidade de Cuidados Paliativos do Hospital do Litoral Alentejano; um serviço inaugurado recentemente, em Junho de 2008.
 
Fátima Oliveira – Enfermeira chefe da Unidade de Cuidados Paliativos da Casa de Saúde de Idanha, nos arredores de Lisboa
 
Dra. Edna Gonçalves – Directora do Serviço de Cuidados Paliativos do Hospital São João, no Porto, também inaugurado em 2008.


publicado por servicodesaude às 23:00
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Cuiddos Paliativos - Caso "Márcia" - Coragem para vencer a doença

 

Este caso da Márcia (que vimos na reportagem) e que é sua doente, deixa-nos particularmente emocionados. Trata-se de uma mãe, duma mulher muito jovem, com uma extraordinária força para encarar a sua doença. Como ela diz; “se calhar vão-me chamar maluquinha, mas eu quero ver as minhas filhas chegar à adolescência”.
Sabemos que estas crianças têm três anos; mas ao mesmo tempo é uma grande lição porque, na verdade, nenhum de nós sabe quando é que vai morrer…
 
Isabel Galriça Neto (presidente da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos): Acho que em primeiro lugar é preciso agradecer à Márcia a sua coragem. E mostrar-lhe que as pessoas que fazem isto não são pessoas derrotadas. É desde já uma vencedora, Quem vive assim e partilha com os outros é, desde logo, um vencedor e um exemplo de coragem, de como as pessoas podem não ser derrotadas pela doença.
 
A Márcia sabe que tem uma doença incurável; que está avançada. Oxalá que a Márcia vá conseguindo atingir as suas metas, embora ela também saiba que isso por vezes não é possível.
Mas é muito importante que as pessoas saibam que não são reféns da doença e nisso também podemos ajudar, porque apesar de terem a doença, as pessoas estão vivas.
 
A Márcia passou uma fase sintomática muito intensa. E tem tido a ajuda dos Cuidados Paliativos, da Oncologia e de outros colegas da Gastrenterologia. Esta situação é, por isso, paradigmática do que fazem os Cuidados Paliativos.
Não somos um gueto; nos Cuidados Paliativos entram todas as especialidades médicas que tiverem que entrar para dar qualidade de vida aos doentes.
E é necessário explicar que isto não é um problema que atinge apenas os idosos, atinge pessoas de todas as idades.


publicado por servicodesaude às 22:15
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Cuidados paliativos - Doentes Oncológicos e outros doentes

 

Também é testemunha de que essa cooperação entre médicos de várias especialidades médicas é extremamente importante.
E, no seu caso, ainda mais, uma vez que a sua Unidade de Cuidados Paliativos do Hospital de São João, no Porto, não tem internamento e, portanto, os Cuidados Paliativos podem ser usufruídos pelos doentes distribuídos pelas 900 e tal camas do hospital, não é?
 
Edna Gonçalves (directora do Serviço de Cuidados Paliativos do Hospital São João): É evidente que também viremos a ter uma unidade de Internamento, provavelmente daqui a um ano, mas neste momento estamos numa situação de equipa intra-hospitalar, de suporte em Cuidados Paliativos e não são as outras especialidades que vêm à nossa unidade; somos nós que estamos nas outras unidades.
Na verdade o serviço tem um ano, existe desde 6 de Novembro de 2008 e já fomos praticamente a todos os serviços clínicos do Hospital de São João.
 
Ou seja, ao contrário do que muita gente pensa os Cuidados Paliativos não são apenas necessários nas doenças oncológicas, são necessários em muitas outras patologias, como por exemplo?
 
Edna Gonçalves (directora do Serviço de Cuidados Paliativos do Hospital São João): A maioria dos nossos doentes são oncológicos mas temos doentes com esclerose múltipla, com doenças pulmonares, com fibrose quística – tivemos um jovem de 23 anos -; temos alguns doentes que tiveram AVC (não serão todos, mas há algumas situações particulares com muito sofrimento) e temos tido alguns doentes com insuficiência cardíaca. No entanto, a maioria dos nossos doentes têm sido doentes oncológicos. Na verdade, são os mais fáceis de identificar.
A experiência que tenho (trabalhava num IPO – numa unidade de internamento) no Hospital de São João tem sido muito enriquecedora porque há a vantagem de falar com muitos mais colegas.
 
O Dr. Lourenço Marques, director da Unidade de Cuidados Paliativos do Hospital da Cova da Beira dizia na peça que muitas vezes os outros médicos - de clínica geral e até alguns especialistas - não percebem ainda esta necessidade dos Cuidados Paliativos. Portanto, a vossa acção também acaba por ser formadora, dos colegas e dos serviços através dos quais circulam?
 
Edna Gonçalves (directora do Serviço de Cuidados Paliativos do Hospital São João): Muito formadora. Às vezes passamos mais tempo a dialogar com os nossos colegas enfermeiros e com a equipa terapêutica, que está mais ocupada com o doente; do que com o doente em si.
Tendo esta experiência de este ano, acho que é uma excelente forma de iniciar Unidades de Cuidados Paliativos, em hospitais de “agudos” como o Hospital de São João, ou de Santa Maria.
Penso que é a forma ideal, porque há doentes tão complexos que faz sentido estarem numa Unidade de Cuidados Paliativos com todos os profissionais da área, até para que sejam bem identificados os doentes que devem ir para as nossas unidades.
 

Para que todos os médicos possam ficar alerta do que a vossa unidade pode fazer…



publicado por servicodesaude às 21:19
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Cuidados Paliativos - Apoio às Famílias dos Doentes

Quando os doentes entram na casa de Saúde da Idanha - das irmãs da Ordem Hospitaleira - é toda a família que entra com o doente, porque a preocupação das equipas de Cuidados Paliativos é, não só o doente em si, como também ajudar a família a lidar com o doente – enquanto ele é vivo -, quer também a prepará-la para uma eventual perda que, com uma certa probabilidade, poderá vir a seguir, não é?

 
Fátima Oliveira (enfermeira chefe da Unidade de Cuidados Paliativos - Casa de Saúde de Idanha): É verdade. Quando trabalhamos em Cuidados Paliativos não conseguimos dissociar o doente da família. A família também é incluída nas decisões terapêuticas e depois faz-se todo o percurso até à hora da partida.
Mas depois de o doente partir nós continuamos ali para a família. É feito todo o apoio ao luto, pela equipa, aí mais na figura da psicóloga, que tem um programa de acompanhamento estabelecido, conforme as necessidades identificadas.
 
Algumas das vossas camas estão contratadas com a própria rede do Serviço Nacional de Saúde e têm apenas duas camas que gerem da melhor maneira. Como é que chegam os doentes à vossa clínica?
Fátima Oliveira (enfermeira chefe da Unidade de Cuidados Paliativos - Casa de Saúde de Idanha): Os doentes da rede podem chegar de duas formas: ou são referenciados pelo hospital, se estiverem internados ou são referenciados pelo Centro de Saúde, se estiverem no domicílio. Mas, aqui põe-se a questão da forma como a referenciação é feita, ou como não é feita.
 
Confessou-me que essa referenciação é muitas vezes extremamente morosa; morosa para quem fala de doentes num estado gravíssimo. Por vezes, entre a referenciação e o chegar à clínica, vão dois meses. O que é que pode acontecer nesses dois meses?
 
Fátima Oliveira (enfermeira chefe da Unidade de Cuidados Paliativos - Casa de Saúde de Idanha): É a nossa realidade. E nesses dois meses tudo pode acontecer, inclusivamente o doente falecer e não chegar a entrar. E aí ficamos com um doente que não teve Cuidados Paliativos, que não sabemos como é que faleceu, e que pode já não estar numa em ambiente hospitalar, porque pode ter sido dada alta neste espaço intermédio. Aí o doente fica sozinho, em casa, com a família.
Há muitas situações em que os doentes são referenciados no hospital e depois é dada a chamada “alta social”, e não é estabelecido uma rede de cuidados – em termos de comunidade – para sabermos onde está o doente e em que condições.
Tive uma situação de um doente que chegou em muito mau estado. Foram buscá-lo a uma cave, sem água nem luz, sem condições sanitárias nenhumas. E o doente chegou-nos e faleceu passado s três dias. O doente tinha um tumor do pulmão.
 
E em que circunstâncias é que teve alta?
Fátima Oliveira (enfermeira chefe da Unidade de Cuidados Paliativos - Casa de Saúde de Idanha): A partir do momento em que o hospital referencia os doentes, depois tem que dar alta para libertar camas. Infelizmente é a nossa realidade em algumas situações.
Os hospitais dão alta e os doentes não são referenciados para as equipas de Cuidados Domiciliários – que por vezes também não as temos na comunidade – e acabam por ficar sozinhos e perdidos neste tempo em que pode surgir uma resposta para entrarem numa Unidade de Cuidados Paliativos.


publicado por servicodesaude às 20:22
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Cuidados Paliativos -Como Chegar às Unidades – a Referenciação

 

Está num hospital novo, com todos os aspectos positivos que implica. De que maneira é que os doentes chegam à vossa Unidade de Cuidados Paliativos?
Margarida Damas de Carvalho (directora da Unidade de Cuidados Paliativos do Hospital do Litoral Alentejano): Na nossa unidade temos internamento, uma equipa intra-hospitalar e consulta externa. Os doentes são referenciados pelos colegas das outras especialidades, quer de medicina, quer de cirurgia e, quando vêm à urgência, podem contar com o nosso apoio.
Temos muitos contactos com a comunidade. Muitos contactos directos com os Centros de Saúde em que conseguimos dar a resposta adequada às situações.
 
Cobrimos uma área de 100 mil habitantes; uma área geográfica muito extensa, muito distinta de Lisboa e do Porto, com uma população muito dispersa. A nossa área de abrangência é todo o Litoral Alentejano que vai desde Setúbal até ao Algarve, portanto é mesmo muito extensa.
 
Os doentes chegam-nos habitualmente por critérios clínicos, enviados por contacto directo dos nossos colegas. Não quer dizer que o contacto seja apenas feito por um médico. Por vezes há só uma enfermeira numa extensão, ou que faz um domicílio e que nos contacta por telemóvel. E nós tentamos dar uma resposta adequada às informações que nos são dadas.
 
Apesar da extensão geográfica ser grande, o controle da situação é diferente e nada comparável, como disse, às das grandes cidades como Lisboa ou do Porto.
Têm a ideia que a situação está mais controlada, no vosso caso, e que não haverá situações como a daquele senhor abandonado numa cave?
 
Margarida Damas de Carvalho (directora da Unidade de Cuidados Paliativos do Hospital do Litoral Alentejano): Não posso garantir, mas nesta situação conseguimos dar uma resposta diferente. Temos previsto à volta de 100 doentes/ano a necessitar de Cuidados Paliativos, atendendo a uma população de 100 mil habitantes.
 
São números internacionais, que se tiram de determinados cálculos…
Margarida Damas de Carvalho (directora da Unidade de Cuidados Paliativos do Hospital do Litoral Alentejano): Sim, esses cálculos estão feitos. É mais fácil controlar o apoio social, as redes familiares e até a sinalização dos casos pela própria comunidade. O que não quer dizer, claro, que não existam situações escondidas, de que não se tenha conhecimento.


publicado por servicodesaude às 19:24
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Cuidados Paliativos - Unidades - O que são e critérios de entrada

 

Como é que pensam que são as situações que não chegam às Unidades Paliativas?
Isabel Galriça Neto (presidente da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos): A primeira questão a sinalizar são os doentes que não são reconhecidos como tendo necessidade de ter cuidados paliativos. Ou seja, há um grande grupo que não é constituído por doentes oncológicos, nomeadamente os doentes com demência avançada, os doentes com doenças neuromusculares (como a esclerose múltipla, a esclerose multilateral amiotrófica), e também os doentes a que nós chamamos de “insuficiência de órgão”.
 
Ou seja, não são só os doentes oncológicos que precisam de Cuidados Paliativos. Há todo
um segundo grupo de pessoas que, sendo “paliativa”; ou seja, não tendo possibilidades de cura, está em fase avançada da doença, mas não é doente terminal. Esta população não tem um prognóstico de três a seis meses de vida, logo, não é identificada pelos seus médicos assistentes, como podendo beneficiar de Cuidados Paliativos.
 
E pode?
Isabel Galriça Neto (presidente da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos): Pode e deve. Os Cuidados Paliativos trabalham lado a lado com os outros especialistas e temos essa excelente experiência no Hospital da Luz.
 
E temos ainda outro grupo com acesso praticamente nulo aos Cuidados Paliativos, que são as crianças. Nós não temos especialistas em Cuidados Paliativos Pediátricos e a especialização envolve uma preparação que não é diferente de outras áreas da Medicina.
A própria Pediatria requer uma diferenciação e essa é neste momento uma área de “deserto” em Portugal. É muito importante falar disto porque, se não se falar, mesmo os profissionais de saúde vão continuar a pensar que são só os doentes moribundos – que estão nos últimos dias de vida – que podem beneficiar com os Cuidados Paliativos.
 
Não se vai apenas morrer aos Cuidados Paliativos…
Isabel Galriça Neto (presidente da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos): Claro que não. É preciso dizer que, mais do que ajudar a morrer, os Cuidados Paliativos ajudam a viver com qualidade. E, portanto, como mesmo nós não sabemos quanto tempo temos de vida, o que é importante é ajudar as pessoas a viver, qualquer que seja o tempo que têm de vida.
 
Edna Gonçalves (directora do Serviço de Cuidados Paliativos do Hospital São João): Existe um grande grupo de doentes que não nos chega porque não é identificado pelos colegas. Tem sido muto boa a ideia de uma equipa intra-hospitalar porque ao chegarmos a um serviço, onde nos pedem uma consulta, quando saímos, fizemos duas ou três.
É muito interessante este disseminar da mensagem. Alguns doentes são doentes oncológicos, mas que os colegas ainda não identificaram como “doente paliativo”, no sentido de que tem doença avançada e que necessitam de Cuidados Paliativos. E verem-nos lá, fá-los pensar mais vezes em nós. Tem sido muito boa essa experiência.
 
Fátima Oliveira (enfermeira chefe da Unidade de Cuidados Paliativos - Casa de Saúde de Idanha): Marcaria aqui a diferença relativamente ao que se pode fazer com o doente que se recebe numa fase de diagnóstico menos tardia, e nós, que se calhar recebemos o doente numa fase mais tardia.
No Hospital da Luz faz-se um trabalho ao longo do tempo, mais eficaz e, talvez, com melhores resultados…
 
Isabel Galriça Neto (presidente da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos): É preciso dizer, por muito que seja chocante, que à luz da preparação curativa: há doentes que quando são diagnosticados são, desde logo, doentes de Cuidados Paliativos.
A possibilidade de podermos intervir mais cedo e depois virmos a trabalhar com especialidades como a Oncologia, a Neurologia, a Ortopedia, a Gastrenterologia, é fazer uma gestão do caso, em que são as necessidades do doente que determinam quem intervém e não a ideia - que continua a existir - que o doente é da posse do médico. Não. O doente é de ele próprio e o que temos que fazer como equipa é que ele tenha a maior qualidade de vida possível. Centrar as coisas não nos profissionais mas nos doentes.
 
Os doentes paliativos não são todos iguais, já deu para perceber, estão em fases e têm patologias completamente diferentes e, portanto, as unidades também recebem doentes em situações diferentes.
A nossa unidade tem um case mix variado, ou seja, temos desde doentes “agudos”, a necessitar de Cuidados Paliativos intensivos, a doentes crónicos. A Unidade da Idanha pode receber mais paliativos crónicos e em fase avançada.
 
Margarida Damas de Carvalho (directora da Unidade de Cuidados Paliativos do Hospital do Litoral Alentejano): Nem todos os doentes são complexos e muitos deles é como em todas as doenças e especialidades. Mas, o nível de complexidade pode transformar os Cuidados Paliativos muito importantes numa fase precoce do diagnóstico.
Tentamos que esses doentes sejam referenciados logo muito cedo e fazemos parte da reunião de decisão terapêutica oncológica, de forma que, casos muito complexos, à partida - que ainda têm a intervenção de quimioterapia e de várias terapêuticas dirigidas à doença e à cura – possam beneficiar da intervenção dos paliativos.


publicado por servicodesaude às 18:26
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Cuidados Paliativos - Apoio às famílias também ao Domicílio

Os Cuidados Paliativos podem também servir, como vimos na reportagem, no caso da dona Gracinha, internada no Fundão, para que o cuidador (neste caso o marido e que são na maior percentagem em Portugal, os principais cuidadores) possa também ter alguns dias de alívio, porque muitas vezes um doente oncológico ou de outra especialidade, que está em grande sofrimento, representa para o próprio cuidador uma grande carga e uma grande responsabilidade.

 
Isabel Galriça Neto (presidente da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos): É a situação de “exaustão dos cuidadores”, que constitui um critério de internamento em Cuidados Paliativos. Isto é importante, porque pode não ser uma questão de sofrimento mas do nível de cuidados que estas pessoas exigem e que é desgastante para a própria família.
 
Já sabemos que há pessoas de todas as idades mas claro que a maior prevalência é o caso dos idosos. E muitas vezes o próprio cuidador é muito idoso e precisa, naturalmente de ser aliviado….
Isabel Galriça Neto (presidente da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos): Ao contrário do que às vezes se ouve dizer, gostaria de dizer que a maioria das famílias não é negligente; as famílias cuidam e muito bem dos seus familiares. As famílias precisam é de ter suporte no domicílio para poder resolver determinadas crises.
 
O apoio no domicílio, penso que será muito importante mas não existe.
Isabel Galriça Neto (presidente da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos): Quase não existe.
 
Edna Gonçalves (directora do Serviço de Cuidados Paliativos do Hospital São João): Trabalhei nos Serviços de Cuidados Paliativos do IPO do Porto que tem todas as valências e é um dos serviços mais antigos no país. Tem cerca de 15 anos. A equipa tem sempre um médico e um enfermeiro, psicólogo e assistente social, que vão a casa dos doentes, dentro da cidade do Porto.
Mas também é muito importante haver a articulação com as unidades de internamento. Para nós, enquanto equipa intra-hospitalar, é uma dificuldade. Internar uma doente num hospital geral para descanso do cuidador não é pacífico; aí temos alguma dificuldade.
 
Poderá ser melhor quando tiverem a vossa própria Unidade de Internamento…
Edna Gonçalves (directora do Serviço de Cuidados Paliativos do Hospital São João): Claro que sim, mas queria chamar a atenção para o facto desses internamentos, para descanso do cuidador, serem internamentos programados; com um plano terapêutico.
 
A senhora que vimos na reportagem tem um problema oncológico grave há 20 anos…
Vou citar uma experiência que li em “Para uma Morte mais Humana – A experiência de uma Unidade de Cuidados Paliativos” em França, de Maurice Abiven, editado pela Luso-Ciência.
Neste livro descreve-se algo de extraordinário: neste hospital, nesta Unidade de Cuidados Paliativos, há não só a possibilidade dos familiares ficarem a acompanhar os doentes, como fizeram um apartamento de 110 m2, com várias salas, cozinha e quarto, para que os familiares possam, por exemplo, se era hábito a família encontrar-se ao Domingo, almoçarem juntos e levar alimentos…
 
Isabel Galriça Neto (presidente da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos): Nós fazemos isso sem apartamento de 110m2…
 
Mas o hospital da Luz podia construir um apartamento de 110m2, já agora…
Isabel Galriça Neto (presidente da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos): Também já fizemos festas para as famílias e já celebrámos casamentos na unidade, nula sala de reunião grande. O mais importante aqui é a atitude e a criatividade. E perceber que isso é importante para a qualidade de vida das pessoas.


publicado por servicodesaude às 17:29
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Cuidados Paliativos - Apoio aos Cuidadores do doente – Custos (tel.)

Telefonema António Mil Homens, 51 anos, reformado, do Bombarral

A minha esposa foi diagnosticada há três anos com uma doença crónica grave,  no Hospital Egas Moniz. Eu tenho duas hérnias devido a estar a tratar dela e ficar exausto. Era para ser operado no final do ano passado, no entanto, fui inscrevê-la e levei uma carta do médico e da assistente social do Hospital. mas disseram que eu tinha que tratar das coisas aqui no Bombarral.
O meu espanto é que nunca falaram nada sobre pagamentos até dois ou três dias antes. A assistente social daqui da Santa Casa da Misericórdia disse-me para ir às Caldas da Rainha para ter uma reunião, às 9h da manhã. Quando cheguei lá disseram-me: “a sua senhora está para ser chamada mas o senhor tem que pagar”. Levei o meu IRS, fez as contas, dividiu por três – estava com a minha filha - e deu 493 euros…
 
Para ela ser internada…
António Mil Homens (51 anos): Sim, porque eu tenho que ser operado. Sou eu que tomo conta dela há quase 19 anos. E embora tivesse trabalho saía muitas vezes e dava com ela no chão. E nunca tive ajuda de praticamente ninguém.
Tinha agora a Santa Casa, que vem aqui duas vezes por semana lavá-la, pelo qual levam mais de 100 euros relativos à comida durante a semana.
Só que para eu tratar dela 24 horas por dia a Segurança Social dá-me 92 euros e tal. E vim a saber que a Santa Casa dá 328 euros.
Gostava de saber porque é que numa instituição podem dar esse dinheiro, mas não a mim, apesar de ela já ter ido a uma junta médica em que viram que ela não tinha condições: não desce um degrau, come alguma coisa, mas trémula… E tenho que a ajudar em tudo, por a arrastadeira…
Relativamente a uma casa de banho, que não era para mim, pedi à Câmara do Bombarral e não ajudaram em nada. Meti os papéis, estava lá uma assistente provisória, mas foi embora…

 

Embora não fosse exactamente um caso de Cuidados Paliativos, o senhor Mil Homens queixava-se que, para fazer uma operação a duas hérnias, precisava de internar a mulher, que tem uma doença crónica desde os 29 anos (agora com cerca de 50) e que o preço que lhe estavam a pedir, para a internar, era incomportável para o seu orçamento. O que é que se pode dizer a este telespectador?
 
Edna Gonçalves (directora do Serviço de Cuidados Paliativos do Hospital São João): Com estes dados parece-me que esta não é uma situação de Cuidados Paliativos. Provavelmente, o que estão a propor a esta senhora é um internamento programado numa Unidade de Longa Duração, enquanto o marido é operado às hérnias.
 
O marido é o grande cuidador da senhora…
É evidente que precisa de apoio, para se poder curar e cuidar da senhora. Dentro da Rede Nacional de Cuidados integrados há várias tipologias de unidades: para além das Unidades de Cuidados Paliativos e das Unidades de Convalescença, onde não se paga nada - são cem por cento financiadas pelo Ministério da Saúde -; nas Unidades de Média e Longa duração é cobrada aos doentes uma diária que é dependente do rendimento do agregado familiar.
Existem fórmulas na Segurança Social; normalmente são as assistentes sociais que calculam esse valor diário, em função do rendimento do agregado familiar. Habitualmente é assinado um Consentimento Informado, onde está escrito o valor da diária que vai ser cobrada.
 
Mas é claro que sabemos que estas pessoas têm muitas outras despesas, até porque há uma carência extrema em Portugal de Apoio Domiciliário, quer para Cuidados Paliativos, quer para outro tipo de Cuidados. Esse é um dos grandes problemas do nosso sistema, não é?
 
Fátima Oliveira (enfermeira chefe da Unidade de Cuidados Paliativos - Casa de Saúde de Idanha): Muitas situações de doenças crónicas, e até algumas de Cuidados Paliativos, em que o controlo sintomático está feito e a pessoa até tem desejo de ir para casa, acaba por não ser resolvido em casa porque não há apoios domiciliários, com equipas formadas e treinadas para esse fim.

 



publicado por servicodesaude às 16:00
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Cuidados paliativos - Equipas Domiciliárias escassas

Também se diz que há dificuldade de constituir essas equipas domiciliárias porque não há suficientes profissionais – quer médicos, quer enfermeiros – motivados para os Cuidados Paliativos, talvez porque haja a ideia de que se trata apenas de conversar…

A vertente científica, que mais poderia motivar os médicos e os enfermeiros, faltará a essa vossa especialidade? Ou não concordam de maneira nenhuma com isso?
 
Isabel Galriça Neto (presidente da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos): Quando entidades como a Organização Mundial de Saúde, o Parlamento Europeu ou a Associação Europeia de Cuidados Paliativos…
Estamos a falar de uma especialidade em que existem mais de 20 revistas científicas, nós só corroboramos aquilo que é a evidência. Não funcionamos de forma diferente de outras especialidades.
 
O facto de haver falta de profissionais… Em Portugal há genericamente falta de profissionais. O que acontece é que nós não inventamos estes doentes. Eles existem e estão a ser cuidados por alguém que, se não tiver formação, não estará suficientemente capacitado para dar as respostas que as pessoas precisam.
É preciso tornar esta área mais atractiva, no sentido de dar mais condições de trabalho aos profissionais. Não se constituem equipas dando às pessoas uma hora por dia para fazerem este tipo de trabalho. Isso é um logro!
 
Ou apenas trabalharem em part time
Isabel Galriça Neto (presidente da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos): Ou fazendo tudo o que já faziam, mais esta actividade! O que não é nada desejável.
Existem pessoas com formação avançada em Portugal. A questão é também criar-lhes condições de trabalho para que isto não seja uma área menor, que de facto não é; é uma especialidade médica.
Tive a oportunidade de trabalhar lá fora, em Inglaterra ou no Canadá, e penso que não estamos a fazer medicina de segunda ou que, pelo facto das pessoas não se curarem, isto é uma “medicina dos coitadinhos”.
 
Mas é uma Medicina, apesar de tudo, relativamente nova. As primeiras unidades de Cuidados Paliativos só surgiram nos anos 60, em Inglaterra, e depois nos EUA e no Canadá, portanto, talvez ainda seja preciso alertar para a sua importância, não é?
Edna Gonçalves (directora do Serviço de Cuidados Paliativos do Hospital São João): Penso que sim. Essa está a ser, aliás, uma tendência internacional: a necessidade de explicar cientificamente tudo aquilo que fazemos. E tem-se cada vez mais vindo a se impor como uma área científica. Neste momento há muitos ensaios clínicos a decorrer neste tipo de doentes.
Estive há dias com o Dr. Barbosa, no Porto, e ele falou das 62 teses de mestrado em Cuidados Paliativos que já foram defendidas na Faculdade de Medicina de Lisboa; em Portugal!
 
Além desse mestrado na Faculdade de Medicina de Lisboa, agora também existe na Universidade Católica, quer de Lisboa e também do Porto.
Gostava de lembrar o papel que a Fundação Calouste Gulbenkian tem tido nesta matéria, dando a muitos de vós, profissionais, muitos estágios; quer aqui nas Unidades de Cuidados Paliativas nacionais, quer no estrangeiro.
 
Chamo ainda a atenção para este “Manual de Cuidados Paliativos”, (editores: António Barbosa e Isabel Galriça Neto (presidente da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos), editado pela Faculdade de Medicina de Lisboa, com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian.


publicado por servicodesaude às 15:39
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Cuidados Paliativos - Doentes não chegam aos Serviços (tel.)

Telefonema Ana Maria Campos, 55 anos, auxiliar de acção educativa, da Póvoa de Varzim:

O meu marido faleceu com um cancro do pulmão. Estava no IPO (Instituto Portugês de Oncologia), num estado já muito avançado, com várias metástases no cérebro e na medula e o intestino rebentou. Teve que fazer uma cirurgia – ainda sentiu uma parte -, e entrou num sofrimento terrível. Era impressionante estar ao pé do meu marido…
Quando descobriram a doença, acharam melhor ir para paliativos. Rebentou um colchão com as dores, com o sofrimento, mas não havia nada… e nunca chegou a ir para Paliativos.
Queria saber o porquê deixar o doente ter tanto sofrimento, sabendo que não há nada a fazer por ele? O mínimo que se podia fazer era deixar aquele ser humano ter uma partida digna, que todos os seres humanos devem ter direito…
 
Em que hospital é que isso se passou?
Ana Maria Campos (55 anos): No IPO do Porto. E acho que têm muita falta de mão humana e de material para auxílio dos doentes. Cheguei a levar muitas coisas da minha casa e, quando o meu marido faleceu, acabei por as deixar lá para os outros doentes: lençóis, almofadas…
 
Mas disse que o seu marido não quis ir para os Paliativos?
Ana Maria Campos (55 anos): O meu marido queria ir! Queria ir; mas não levaram o meu marido para os Paliativos. Mas queria de facto ter a esposa ao pé dele mais tempo. Era muito triste chegar a hora do fim da visita; o meu marido agarrava-me por um braço, a enfermeira pelo outro, para me porem fora, porque o meu marido queria-me ao pé dele; razão pela qual eu queria que ele tivesse estado nos Paliativos, para ele poder ter um pouco mais de companhia e eu poder ser um pouco mais feliz.
 
Quanto tempo durou esse sofrimento do seu marido?
Ana Maria Campos (55 anos): Após a cirurgia, ele entrou no dia 13 de Maio e partiu na noite de São João, no dia 23 de Junho. Ainda falou com os filhos.
 
Está a ter algum tipo de acompanhamento agora?
Ana Maria Campos (55 anos): Estou sim. Estou a ter acompanhamento psiquiátrico e psicológico. E inclusive a escola em que trabalho está-me a dar apoio, através da psicóloga da escola, a quem não estou a pagar nada e estou muito grata por isso.
 
Muito obrigado pelo seu testemunho.
Isabel Galriça Neto (presidente da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos): É muito importante dizer à Ana Maria que não estivemos no lugar dela, mas entendemos o sofrimento que ela passou. Infelizmente isso aconteceu e ninguém lhe vai tirar essa experiência. Mas o facto de a partilhar com os outros faz dela uma pessoa muito corajosa. E um bom exemplo para podermos sensibilizar os médicos.
Os médicos têm que explicar o que é ir para Cuidados Paliativos, o que é que se ganha. Mas não pode ser perguntado às pessoas: “Quer ir para Cuidados Paliativos?”
 
Há exemplos no IPO do Porto do que é esta transição, mas obrigado a esta senhora de, mesmo com a sua dor, ajudar com a exposição do seu caso, outras pessoas.
 
Mas o que esta senhora disse é que se tivesse podido estar ao pé do seu marido todas as noites, de certo que ele teria partido de uma forma muito mais serena…
 
Margarida Damas de Carvalho (directora da Unidade de Cuidados Paliativos do Hospital do Litoral Alentejano): É difícil dizer alguma coisa nesta situação, mas talvez esta senhora encontrasse nos Cuidados Paliativos o que mais desejava.
 
Isabel Galriça Neto (presidente da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos): Sendo que não seria a única resposta. Não se trataria o sofrimento do senhor só pelo facto relevante da senhora poder estar ao pé dele.
 
Edna Gonçalves (directora do Serviço de Cuidados Paliativos do Hospital São João): Também percebi que ele estaria sintomático. É pena que isto aconteça entre nós e até num hospital que tem Cuidados Paliativos há tantos anos.
Estes são os casos que não nos chegam. É evidente que é impossível andar com os Cuidados Paliativos em todas as enfermarias. Se os profissionais de saúde não pedem Cuidados Paliativos para o doente, que sejam os familiares a fazê-lo. Muitas vezes, só quando o fazem insistentemente é que temos forma de receber estes doentes.
 
No Hospital de São João o pedido tem que ser feito por um médico, porque senão não conseguimos trabalhar em equipa com ninguém. Mas o facto de ser a esposa a alertar para o facto do doente precisar de Cuidados Paliativos pode ser uma boa forma deles nos chegarem.
 
Isabel Galriça Neto (presidente da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos): Por isso é que programas de televisão, como este, são tão importantes. No ano passado fizemos um estudo alargado na associação e percebemos que pelo menos 50% dos portugueses não sabe o que são Cuidados Paliativos. Logo, ninguém pode pedir para ter Cuidados Paliativos se não sabe que essa realidade existe.


publicado por servicodesaude às 13:40
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Cuidados Paliativos - Caso extremo Família Oncológica sem Apoio (tel.)

Telefonema de Maria Rosa Romberg, 67 anos, de Sintra:

O meu irmão é doente oncológico, tem um linfoma no cérebro. Vê em duplicado, perdeu o equilíbrio, não fala, e já esteve em vários hospitais. Veio do IPO da Palhavã para o Entroncamento, para os Serviços Continuados. Agora a médica chamou a minha cunhada para lhe dizer que, ao fim dos 3 meses, ele tem que ir para casa.

A minha cunhada também é doente oncológica, tem um tumor mais ou menos desde a mesma altura que apareceu o tumor ao meu irmão. E a minha sobrinha, veio agora a revelar-se, também é doente oncológica; tem um cancro na mama. Está agora à espera de ser operada. Ela perguntou à médica se o meu irmão podia passar para os Serviços Paliativos e ela respondeu-lhe que não, “porque ele ainda ia viver muito tempo”.
Eu queria saber o que é que podemos fazer porque eles não têm condições de o ter em casa. Eu vivo longe. Além disso, apesar de ter 67 anos, ainda trabalho e é muito difícil.
 
O agregado familiar do seu irmão é ele, a sua cunhada e a filha?
Maria Rosa Romberg (67 anos): A filha é casada, tem duas filhas e um marido.
 
E claro, não pode dar assistência aos pais.
 Maria Rosa Romberg (67 anos): E ela agora vai ser operada ao cancro da mama…
 
Pois, e agora vai ser operada…
Maria Rosa Romberg (67 anos): E para além de ir ser operada ao cancro da mama ela já não está muito bem psicologicamente. Está arrasada; só chora…. E também já diz coisas um pouco sem nexo…
 
Não há qualquer tipo de assistência social no caso?
Maria Rosa Romberg (67 anos): Elas estão sem saber o que hão-de fazer…
 
A sua cunhada não é visitada por ninguém?
Maria Rosa Romberg (67 anos): A minha cunhada vai ao hospital todos os dias ver o meu irmão aos Serviços Continuados, ajuda-o a dar o almoço, porque ele come pela seringa…
A minha sobrinha a mesma coisa, mas ela própria também anda numa aflição. Está a ver a mãe na situação em que está, está a ver a situação do pai… e, neste momento, está ela própria à espera para ser operada.
 
E o pai a ter que voltar para casa…
Maria Rosa Romberg (67 anos): E arranjar pessoas para ficar com o meu irmão? Quem é que fica com ele?
 
E haveria alguma possibilidade económica ou também há grandes dificuldades?
Maria Rosa Romberg (67 anos): Eles não vivem ricos; o meu irmão era militar. Era sargento, agora está reformado.
Acho que está a pagar 20 euros por dia nos Serviços Continuados.
 
Estamos perante outro caso terrível…
 
Fátima Oliveira (enfermeira chefe da Unidade de Cuidados Paliativos da Casa de Saúde de Idanha): Estamos perante um doente com alguma complexidade clínica, em termos de diagnóstico, e perante uma família exausta e a precisar de apoio. E, como dizíamos, a exaustão familiar também é um critério para ter acesso a Cuidados Paliativos.
 
O óptimo da Rede Nacional de Cuidados Integrados seria conseguirmos funcionar em rede e, dentro desta rede, e das diferentes tipologias de cuidados que existem – Paliativos, Convalescença, Média e Longa Duração – conseguirmos que todos os doentes incluídos na rede pudessem ter acesso a diferentes respostas de acordo com a fase da sua doença. Isso não acontece, infelizmente.
 

De qualquer forma acho que esta família deve insistir para que seja feita uma reavaliação e para que seja feita uma proposta direccionada às necessidades da família, e não só às do doente, porque é toda a família que está em questão. E deixo directamente aqui o apelo: se esta família quiser entrar em contacto connosco, se calhar podemos tentar, de alguma forma, resolver esta questão



publicado por servicodesaude às 12:45
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Cuidados Paliativos - Falta de Sensibilização dos Médicos

 

Muitos estudantes de Medicina como os aqui presentes e que atendem os nossos telefonemas tiveram formação coma Dra. Galriça Neto, nesta área dos Cuidados Paliativos. O Igor, actualmente no 5º ano, já passou por esta realidade, não é:
 
Igor Nunes (estudante do 5º ano de Medicina): Fiz um estágio no Hospital da Luz, que por acaso era de Cardiologia, mas ao qual roubei uns dias para poder passar algum tempo com a Dra. Isabel Galriça Neto, porque achava que era importante para a minha formação.
Essa experiência foi altamente profícua, porque infelizmente nós, estudantes de Medicina, não temos uma oportunidade curricular de passar por esses serviços. Temos sim uma cadeira optativa - que por acaso é leccionada pela Dra. Isabel Galriça Neto -, com vagas limitadas, num tempo muito limitado e que é manifestamente escasso face à grandiosidade do problema.
Ao contactar com os Serviços de Cuidados Continuados e Paliativos do Hospital da Luz, saí por outro lado com grande satisfação por saber que há um lugar, onde nós ou todos os que nos são queridos – na infelicidade de termos uma doença não curativa -, podemos chegar ao fim da vida de uma forma digna e tranquila e, fundamentalmente, sem sofrimento.
 
Quero lembrar que há outros hospitais com Unidades de Cuidados Paliativos, como o do Fundão que, como vimos, foi pioneiro no nosso país, mas também no Hospital de Santiago do Cacém, no Litoral Alentejano; no Hospital de São João, no Porto; nos vários IPO; ou na Casa de Saúde de Idanha. Existem 18 Unidades de Cuidados Paliativos no nosso país - e, felizmente, irá haver mais – com equipas completas.


publicado por servicodesaude às 11:47
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Cuidados Paliativos - A experiência do Voluntariado

 

O que é que sente como voluntária?

Joana Fontes (voluntária do Hospital da Luz): Sinto um privilégio por ter estado com alguns doentes e por continuar com outros. Mas sinto uma compaixão imensa por trabalhar com doentes e famílias que precisam de mim e um enorme prazer de trabalhar com esta equipa e estes profissionais.
Sou uma voluntária formada pela Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos. Estou integrada numa equipa de profissionais e todas as áreas para as quais eu fui formada ao longo do tempo – sou voluntária há dois anos -, têm vindo a concretizar-se activamente no acompanhamento que dou à equipa, aos doentes e às famílias.
 
O que é que tem aprendido com as horas e os dias que passa junto das cabeceiras desses doentes e das suas famílias?
Joana Fontes (voluntária do Hospital da Luz): O que eu aprendo e o que eu sinto não se descreve por palavras. Descreve-se por sentimentos: de gratidão, de felicidade, e de alegria.
Há muita gente que não acredita que ali se vive momentos de alegria! É um serviço onde há muita tranquilidade, onde se vê e se sente essa tranquilidade. E existem outros, e irão existir mais no futuro, felizmente.
Posso dizer que tenho tanta necessidade de estar ali como as pessoas que ali estão de receber Cuidados Paliativos.
 
É também um “alimento” para si, o que ali recebe dos doentes.


publicado por servicodesaude às 10:50
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Cuidados Paliativos - Ficha Técnica

 

Autoria, coordenação e apresentação
Maria Elisa Domingues
 
Convidados
Fátima Oliveira
Edna Gonçalves
Isabel Galriça Neto
Margarida Carvalho
 
Reportagem
Buenos Aires Filmes
 
Produção
Miguel Braga
 
Pesquisa
Alexandra Figueiredo
Catarina Fernandes
Miguel Braga
 
Jornalistas
Miguel Braga
Catarina Fernandes
 
Imagem
Gonçalo Roquette
 
Edição
Teresa Mota
 
Pós-produção vídeo
Sara Nolasco
 
Pós-produção Audio
Miguel Van Kellen
 
Gestão e edição de conteúdos
(portal Sapo)
Natacha Gonzaga Borges
 
Atendimento telefónico
Ana Filipa Antunes
Lúcia Marona
João Augusto
Jorge Santos
 
Câmaras
Nuno Freitas
Carlos Duarte
Nuno Faneco
Mário Pires
Paulo Alexandre
 
Mistura de Imagem
Fátima Duarte
 
Controlo de Imagem
José Manuel
 
Som
João Delgado
Nunes Cachado
 
Iluminação
Luís Silvestre
 
Electricista
Gustavo Lourenço
 
Técnicos de Electrónica
José Borges
Rui Loureiro
 
Assistentes de Operações
Jaime Silva
José Carlos Silva
Pedro Gonçalves
António Antunes
 
Caracterização
Mizé
Ana Filipa
 
Cabelos
Fátima Tristão da Silva
 
Assistente de guarda-roupa
Paula Sousa
 
Assistentes de Artes Visuais
Jacinto Medeiros
Eurico Lourenço
Joaquim saraiva
 
Registo Magnético
Margarida Almeida
 
Gerador de Caracteres
Sílvia Santos
 
Teleponto
Maria José Branco
 
Genérico e Grafismos
Nicolau Tudela
Teresa Martins
 
Música genérico
Ari de Carvalho
 
Assistente de Realização
Filipe Vasconcelos
 
Anotadora
Dinah Costa
 
Chefe Técnico de Produção
Moreira Nunes
 
Criação cenográfica
Gil Ferreira
 
Execução cenográfica
Isabel Rodrigues
 
Produção
Paula Paiva
 
Realização
Paulo Resende


publicado por servicodesaude às 07:52
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Cuidados Paliativos - Bibliografia e Links Útéis

 

Bibliografia
“A Última Aula”, de Randy Pausch
“As terças com Morrie”, de Mitch Albom
“Para uma Morte mais Humana”, de Maurice Abiven
“Morrer de Olhos Abertos”, de Marie de Hennezel
“Manual de Cuidados Paliativos”, de António Barbosa e Isabel Galriça Neto
 
Links
Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos
Unidades de Cuidados Paliativos: Hospital do Fundão; Hospital de Santiago do Cacém, no Litoral Alentejano; Hospital de São João, no Porto; Casa de Saúde de Idanha
Instituto Português de Oncologia - IPO de Lisboa, IPO do Porto, IPO de Coimbra


publicado por servicodesaude às 05:54
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Sexta-feira, 6 de Novembro de 2009
Gripe A (H1N1): Mais de seis mil mortos em todo o mundo - OMS

 Mais de seis mil pessoas morreram em todo o mundo com gripe A (H1N1) desde o início da epidemia, em Abril passado, segundo o último balanço da Organização Mundial de Saúde (OMS), hoje publicado.

A  1 de Novembro, o número de mortos era "pelo menos 6071", com o vírus espalhado por 199 países e territórios do planeta.
O balanço anterior, datado de 30 de Outubro, dava conta de um aumento de 14 por cento no número de mortes em apenas uma semana.
"Na América do Norte, verifica-se constantemente uma transmissão intensa e persistente da gripe, sem que tenha sido atingido um pico", refere a OMS.
Fonte: LUSA


publicado por servicodesaude às 18:11
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Gripe A - Mapa da situação na Europa (6 Novembro)



publicado por servicodesaude às 17:38
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Quarta-feira, 4 de Novembro de 2009
Gripe A (H1N1) - DGS - Ponto da situação em Portugal - 4 Novembro

Na semana de 26 de Outubro a 1 de Novembro, foram observados nos serviços de saúde 7.110 doentes com sintomas de gripe, independentemente dos vírus em causa.
 

Na mesma semana, estiveram internados 63 doentes, dos quais 9 em unidades de cuidados intensivos. E registou‐se no dia 28 de Outubro a morte de uma criança de 10 anos, portadora de doença cardíaca, infectada pelo vírus H1N1.


No entanto, a maioria dos novos casos diagnosticados não apresentou gravidade clínica.
Quanto ao número de clusters (focos) em escolas, ou seja, grupos de dois ou mais alunos que partilham o mesmo espaço e que adoecem no mesmo período, contabilizou‐se um total nacional de 60, na mesma semana.


O Ministério da Saúde reforça a indicação aos cidadãos para que, em caso de sintomas de gripe, contactem de imediato a Linha de Saúde 24 (808 24 24 24) e sigam as indicações que lhes são dadas.
Tendo em conta que a Gripe A é uma doença benigna que se trata, na maioria dos casos, com antipiréticos e com a permanência em casa, o Ministério da Saúde apela à tranquilidade dos cidadãos e reitera a importância de atitudes responsáveis, conscientes e cívicas na procura dos serviços de saúde. Só assim é possível evitar deslocações desnecessárias, bem como o congestionamento dos próprios serviços, que devem estar aptos a responder aos casos verdadeiramente urgentes.


No que diz respeito à campanha de vacinação, o Ministério informa que a segunda tranche de vacinas (32 mil doses) chegou esta semana a Portugal, tal como previsto. De acordo com o programa da campanha de vacinação apresentado, irão ser, progressivamente, abrangidos os grupos populacionais incluídos na segunda fase do Grupo A, nomeadamente doentes crónicos, continuando a ser vacinadas as pessoas da primeira fase que ainda não o foram.
O Ministério da Saúde faz, semanalmente, o ponto de situação da evolução da infecção da Gripe A no seu site (http://www.portaldasaude.pt/). A mesma informação pode também ser consultada no Microsite da Gripe, no site da Direcção‐Geral da Saúde (http://www.dgs.pt).
Lisboa, 04 de Novembro de 2009

(Fonte: Direcção-Geral da Saúde)



publicado por servicodesaude às 11:44
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Fevereiro 2010
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9
10
11
12
13

14
15
16
17
18
19
20

21
22
23
24
25
26
27

28