Terça-feira, 26 de Janeiro de 2010
Paralisia Cerebral - Introdução (por Maria Elisa Domingues)

O Serviço de Saúde de hoje vai debruçar-se sobre a Paralisia Cerebral, situação que atinge dois em cada mil nascidos em Portugal e nos outros países desenvolvidos e sete em países em desenvolvimento como o Brasil.

 
A paralisia cerebral consiste numa perturbação do controle, da postura e do movimento em consequência de uma lesão ou de uma anomalia que afecta o cérebro  em período de desenvolvimento.
 
Associadas às perturbações motoras, existem muitas vezes outros deficits, em particular visuais e auditivos e dificuldades de comunicação pela fala.
 
Ao contrário do que alguns possam pensar, por falta de informação, 40% das pessoas com paralisia cerebral têm uma inteligência igual ou superior à média, podendo assim concluir com êxito cursos superiores ou carreiras com grande responsabilidade.
 
As crianças com paralisia cerebral necessitam de cuidados especiais de acordo com a situação de cada uma, visto que não há dois casos iguais, mas que incidem sobretudo na fisioterapia, no exercício físico, na estimulação sensorial e cognitiva de forma a torná-las capazes de se relacionarem com os outros e dar-lhes uma maior autonomia possível.
Mas também as famílias, para quem o nascimento deste ser diferente representa uma alteração profunda, necessitam de orientação e apoio.
 
Miguel Braga e Catarina Fernandes fizeram a reportagem na Associação de Paralisia Cerebral de Lisboa, a primeira a surgir no nosso país há exactamente 50 anos.


publicado por servicodesaude às 23:03
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Paralisia Cerebral - Apresentação dos Convidados

Prof. Maria da Graça Andrada – pediatra, especialista em reabilitação e neurodesenvolvimento e Coordenadora do Programa Nacional de Vigilância de Paralisia Cerebral

 

Dr. José Barros – pedopsiquiatra e presidente da Federação das Associações de Paralisia Cerebral e presidente e co-fundador da Associação de Paralisia Cerebral de Coimbra
 
Teresa folha – enfermeira, especialista em saúde e pediátrica e no Centro de Reabilitação de Paralisia Cerebral da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, faz apoio a crianças, jovens e adultos.
 
Dr. Daniel Virella – neonatologista no Hospital Dona Estefânia, em Lisboa e coordenador do Programa Nacional de Vigilância de Paralisia Cerebral, com a função de presidente da Unidade de Vigilância Pediátrica e representante da Sociedade portuguesa de Neonatologia


publicado por servicodesaude às 22:20
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Paralisia Cerebral - Importância da Reabilitação precoce

Um das coisas mais importantes para as crianças com paralisia cerebral é aquilo que a fisioterapia e também o desporto – nos casos em que essas actividades sejam possíveis - podem proporcionar.

Maria da Graça Andrada, pediatra, relembra que a Associação Portuguesa de Paralisia Cerebral faz 50 anos e que esta foi sempre uma das principais preocupações. A criança com paralisia cerebral é fundamentalmente uma criança como as outras, ou seja, precisa de brincar e de praticar actividades desportivas.
“A reabilitação é muito importante, mas é necessário ir além da reabilitação. É muito importante que cada criança tenha a sua vida própria. Todas as crianças são diferentes e quando são jovens é preciso tirar partido da sua plasticidade mental, justamente com a ajuda de equipas multidisciplinares: fisioterapia, terapia ocupacional, terapia da fala, apoios psicológicos, o desporto, a dança (que conta com um excelente grupo em Lisboa), o teatro (que em Coimbra tem uma excelente companhia) e a música que, no Porto, conta com um grupo já premiado: a “Quinta Puncada”.


publicado por servicodesaude às 21:23
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Paralisia Cerebral - Centros de Reabilitação e Ajudas Tècnicas

Estima-se que existam cerca de 20 mil pessoas com paralisia cerebral em Portugal. Os 15 centros de reabilitação existentes são fundamentais para apoiar os pais e as famílias,e servem uma população de sete mil pessoas.

 
O Centro de Paralisia Cerebral de Lisboa é hoje uma entidade que pertence à Segurança Social e tem à volta de mil crianças e adultos. N a opinião da enfermeira Teresa Folha isto significa "um volume enorme de pessoas e muitas dificuldades ao nível de recursos humanos e técnicos".
 
A vice-presidente da Associação de Paralisia Cerebral de Lisboa, Maria José, vai mais longe ao afirmar que o centro foi um centro de excelência a nível mundial, quando representado pela Dra. Maria da Graça, "mas hoje é uma lástima. Desde 2005 saíram 45 técnicos, que não foram substituídos". Por este motivo diz que "a situação é muito grave".
 
A vice-presidente da Associação de Paralisia Cerebral de Lisboa considera que esta população está a ser destituída de um direito que lhes assiste: "parece que estão todos curados… o centro só funciona umas horas por dia. Esta população está a ser negligenciada pelo Estado Português".
 
As dificuldades que as pessoas com paralisia cerebral enfrentam suscitam uma necessidade de interpretação por parte dos pais e dos profissionais.
Mas também no campo das ajudas técnicas, ainda não temos um sistema que responda atempadamente: "Existem aparelhos de síntese da fala, que se ligam ao computador. Estas ajudas técnicas são fundamentais mas ainda chegam tarde no nosso país", aponta Graça Andrada, coordenadora do Programa Nacional de Vigilância de Paralisia Cerebral.

 



publicado por servicodesaude às 20:40
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Paralisia Cerebral - Causas e Factores de Risco

Ao professor Daniel Virella, pediatra neonatologista, cabe-lhe a identificação dos factores de risco em recém-nascidos, sobretudo prematuros.Podem ser bebés que nasceram com anomalias congénitas ou fruto de problemas que surgiram durante a própria gravidez ou parto.

 

"Em todas as unidades de Neonatologia existe a área de Medicina Física e de Reabilitação cuja intenção primordial é a intervenção precoce, ou seja, começar a actuar logo que possível para proporcionar a melhor evolução. Podem não ter paralisia cerebral mas podem estar em risco de vir a ter".
 
A Paralisia Cerebral é uma doença com múltiplas causas. A causa mais frequente no mundo Ocidenta,l e também em Portugal, é a prematuridade, que é responsável por cerca de metade dos casos de paralisia cerebral. No entanto, cerca de 20% das crianças até aos cinco anos, com paralisia cerebral, em Portugal, têm causas pós-neonatais.
 
"Não se nasce com paralisia cerebral. Ela surge devido a lesões ou malformações que ocorrem durante a vida fetal ou acidentes que acontecem com a criança no período de desenvolvimento do seu sistema nervoso: afogamentos, meningites, acidentes e infecções graves que podem ocorrer após o nascimento", explica o pediatra.
 
Graça Andrada, pediatra, especialista em reabilitação e neurodesenvolvimento e Coordenadora do Programa Nacional de Vigilância de Paralisia Cerebral esclarece que "o tratamento e o apoio às crianças com a paralisia cerebral são muito importantes, mas o que hoje mais interessa é a prevenção dos factores de risco, em termos de cuidados perinatais".
A razão é simples: "Há 50 anos, quando começámos, os factores de risco estavam muito relacionados com o trabalho de parto. Hoje já não é assim, por isso falamos mais em cuidados perinatais".

 



publicado por servicodesaude às 20:29
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Paralisia Cerebral - Dianóstico e Causas (telefonema)

Telefonema Edison Ramos, 29 anos, do Porto:

 
Pai de bebé com 19 meses, que nasceu de cesariana e algo terá corrido mal. O bebé nasceu com mais de cinco quilos, teve convulsões, e esteve na neonatologia. Actualmente, ainda não anda e, se estiver deitado de costas, não se consegue sentar sozinho. O pai estranha os sinais da criança, que já está a ser acompanhada por uma pediatra do desenvolvimento e por um neurologista.
À nascença fez uma ressonância magnética e vários electroencefalogramas mas os médicos não conseguem detectar exactamente o que se passa.
 
Jorge Virella, pediatra neonatologista, admite que "é muito difícil obter e dar um diagnóstico final de paralisia cerebral antes dos quatro ou cinco anos de idade". No entanto, adianta:
 
"Não é normal um bebé nascer com mais de cinco quilos, e quando isso acontece é quase sempre devido a uma diabetes durante a gravidez (com certeza não diagnosticada, neste caso)".
 
O médico explica que devido ao transtorno hormonal da mãe, o feto tem um estimulo de crescimento excessivo o que leva a um nascimento mais difícil. Depois, "partindo do princípio que estava num ambiente cheio de açúcar, quando sai da barriga da mãe, tem uma hipoglicémia, por falta de açúcar, e daí as convulsões. E a ressonância magnética realizada precocemente pode não dar nenhuma anomalia neste tipo de lesões".
 
Apesar de ainda não haver diagnóstico é extremamente importante a intervenção precoce, salienta Graça Andrada, "para estimular as potencialidades que um cérebro em desenvolvimento tem".Como não há possibilidade de regeneração das células,não pode haver cura da lesão. Pode-se sim tirar partido da plasticidade cerebral.
 
Esta criança poderá ser avaliada na Associação de Paralisia Cerebral do Porto.


publicado por servicodesaude às 19:55
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Paralisia Cerebral - Centros de Reabilitação Nacionais e no Estrangeiro (telefonema)

Telefonema Maria João, 24 anos, de Gaia:

 

Mãe de criança de dois anos com paralisia cerebral. Terá corrido algo mal no parto. Questiona-se sobre a qualidade dos Centros de Reabilitação nacionais e sobre a possibilidade de se deslocar ao estrangeiro.
Ouviu dizer que na Florida, nos EUA, e também na Alemanha, já existem técnicas mais eficazes de tratamento em que são retiradas células tronco, posteriormente injectadas por punção lombar até ao cérebro.
 
"Técnicas sob investigação, mas que não devem levantar falsas expectativas aos pais", diz Graça Andrada. "Não há milagres e a deficiência motora é a que predomina na paralisia cerebral. E essas não podemos eliminar. Podemos ajudar o cérebro a desenvolver-se dentro do potencial de cada um, dependentemente das áreas do cérebro lesionadas.
Estamos a par dessas experiências internacionais e os neurologistas conhecem-nas. Ir a uma clínica apenas por dois meses não faz sentido porque o mais importante nesta patologia é a continuidade e não intensificar tratamentos que, para as crianças, são trabalhos forçados", afirma a pediatra, especialista em reabilitação e neurodesenvolvimento e Coordenadora do Programa Nacional de Vigilância de Paralisia Cerebral.


publicado por servicodesaude às 17:06
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Terça-feira, 19 de Janeiro de 2010
Doenças do Fígado - Introdução (por Maria Elisa Domingues)

Depois de termos abordado na passada semana, os consumos abusivos do álcool e de drogas ilícitas, vamos hoje falar das doenças do fígado, até porque há uma estreita ligação entre aqueles consumos e estas patologias.

 

As principais doenças do fígado, um órgão essencial a grande parte das funções do nosso organismo, são as hepatites, as cirroses e os tumores.
 
Entre as hepatites, são especialmente graves a B e a C: sabia, por exemplo que a hepatite B é 100 vezes mais perigosa que a SIDA? È esse facto que torna a prevenção e o rastreio tão importantes, já que uma grande parte dos casos não está sequer diagnosticada.
 
Por outro lado, a cirrose alcoólica é a que mais mata em Portugal, visto que somos dos maiores consumidores de etanol do mundo. Sendo o álcool cancerígeno, é fácil perceber por que razão tantas cirroses se transformam em cancro.
 
Estas e outras doenças do fígado, menos frequentes mas também perigosas, levam a que o nosso país tenha um número de candidatos a transplante do fígado muito elevado. E como, felizmente, temos muitos dadores, fazemos, com êxito, um número assinalável de transplantes.
 
A reportagem de hoje leva-nos a Viseu e ao Porto, para conhecer as histórias de Joaquim, de Catarina e de Ana, três doentes para quem o transplante representa a possibilidade de viver.
 


publicado por servicodesaude às 23:57
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Doenças do Fígado - Resumo Reportagem

Em Portugal os candidatos a transplante de fígado são doentes com patologia hepatobiliar progressiva e não reversível, não passível de tratamento, ou que constitua a única forma de tratamento alternativo para a sua doença. E desde que não haja contra-indicação para o transplante.

 

E apesar de o álcool ser o principal responsável pela cirrose, doença que pode causar a morte e evoluir para o cancro do fígado, existem outros factores que podem levar à necessidade do transplante.
 
Portugal é o líder mundial no transplante de fígado por milhão de habitantes e o segundo em colheita de órgãos, também por milhão de habitantes.
 
A Sociedade Portuguesa de Hepatologia já alertou para a necessidade de rastreio da Hepatite C em grupos de risco sublinhando que na próxima década esta doença pode fazer aumentar a incidência da cirrose e do tumor do fígado em 62%. E apesar de não existirem números actualizados e fidedignos, estima-se que cerca de 1,8 milhões de pessoas estejam afectadas em Portugal por alguma forma de doença hepática.


publicado por servicodesaude às 22:01
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Doenças do Fígado - Apresentação dos Convidados

Dr. Eduardo Barroso – Cirurgião e director do Centro Hepatobiliopancreático e de Transplantação do Hospital Curry Cabral, em Lisboa, e ex director-geral da Autoridade para os Serviços de Sangue e de Transplantação

 
Dr. Guilherme de Macedo – Director do Serviço de Gastrenterologia do Hospital de São João, no Porto e professor na faculdade que aí funciona, além de ser actualmente o presidente da Sociedade Portuguesa para o Estudo do Fígado
 
Dr. Eduardo Mendes - Médico de família e actualmente director do Agrupamento de Centros de Saúde do Oeste-Sul
 
Dr. Jorge Daniel – Director do Programa de Transplantação Hepática do Hospital de Santo António, no Porto e também professor auxiliar da cadeira de Clínica Cirúrgica, no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar.


publicado por servicodesaude às 21:04
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Doenças do Fígado - Diagnóstico precoce de Hepatites, Cirroses e Tumores

Há um grande número de casos de doenças do fígado por diagnosticar em Portugal, hepatites e outras, ou seja, necessitamos de fazer uma detecção mais precoce e mais alargada.

 

Eduardo Mendes, médico de família, reconhece que é aos consultórios como o seu que os doentes primeiro chegam, pelo que os médicos de família devem estar alertados para a necessidade de fazerem um diagnóstico precoce e de avaliarem o funcionamento hepático dos doentes, sobretudo os de maior risco.
 
Quando são detectadas patologias os doentes devem ser encaminhados para especialistas nos hospitais centrais; os melhor apetrechados para o efeito, para despistar o que se passa.
A maior parte das doenças do fígado são silenciosas, mas “os médicos de família percebem quando é que há um grupo com comportamentos de risco, ou seja, abuso de álcool, de drogas ou com práticas sexuais pouco seguras e, sobre esses, deve exercer uma maior vigilância”.
 
Por outro lado, as próprias análises de rotina, embora não permitam um diagnóstico, “permitem pelo menos despistar algumas alterações da função hepática e alertar para a necessidade de investigar mais, o que pode passar pela biopsia hepática”.
 
Quando se encontram alterações da função hepática que não têm um carácter agudo e que têm o risco de se tornar crónicas, então o médico de família encaminha os doentes para um gastrenterologista ou hepatologista.
 
Consequências da detecção tardia
Guilherme Macedo, gastrenterologista e presidente da APEF (Associação Portuguesa para o Estudo do Fígado) diz que a maior parte das doenças do fígado, entre elas as hepatites víricas, ocorrem de forma muito discreta, “debaixo do pano”, silenciosamente, embora possam ser detectadas de forma muito fácil, se fossem pesquisadas.
 
Há análises, testes, relativamente simples e muito baratos - provas sanguíneas -, que permitem identificar se há um ou mais problemas no fígado. “O melhor truque é as pessoas não esperarem por nenhum sintoma: em relação às doenças de fígado não se deve esperar, deve-se procurar”, aconselha, por isso, o gastrenterologista.
 
A sobrecarga de peso, ou a obesidade, deve ser um critério para investigar porque é uma causa comum de alterações das provas do fígado.
 
Além disso, em Portugal, estima-se que existam cerca de 170 mil pessoas com hepatite C e cerca de 130 mil hepatites B. No caso da primeira, por exemplo, pensa-se que apenas um terço estará identificado. Ou seja, no caso da hepatite C, existirão cerca de 80 mil pessoas, com sinais discretos, mas que não sabem que têm a doença.
 
“Inflamação para nós é uma má notícia já que pode indicar a presença de um problema mais sério. Por isso o nosso grande objectivo é, em primeiro lugar, conseguir anular ou reduzir a inflamação. Em relação à obesidade, de facto a sobrecarga de peso provoca muitas vezes inflamação no fígado”.
 
Tal como os vírus das hepatites, que provocam inflamação crónica no fígado, uma cicatrização excessiva e a perda da função hepática, cria-se uma estrutura anormal – aquilo que se chama de fígado cirrótico – e que é favorável ao aparecimento de uma das complicações mais temíveis: o cancro do fígado.

 



publicado por servicodesaude às 20:06
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Doenças do Fígado - Funções do Fígado e Terapias diferenciadas

Eduardo Mendes, considera o fígado é "um órgão interessantíssimo; o nosso maior órgão, pesa cerca de um quilo e meio".

 

Algumas hepatites poderão ser tratadas apenas com anti-virais. Ao contrário de outros órgãos como o coração, o rim, ou o pulmão, o fígado não pode ser auxiliado pela tecnologia. Quando o fígado entra em falência, ou é substituído ou então é muito complicado.
 
O fígado tem mais de cinco mil funções; está incluído no sistema circulatório e recebe cerca de 25% do sangue que o nosso coração bombeia.
 
Quando tomamos um medicamento é muito difícil ser absorvido pelo organismo da forma como o tomamos. É absorvido e degradado no fígado; transforma-se em varias coisas e se calhar só duas ou três é que têm efeito terapêutico.
 
Por isso os médicos aconselham a não tomar bebidas alcoólicas com medicamentos. “Há uma sobrecarga hepática com o medicamento e se o tomamos com álcool a sobrecarga é ainda muito maior. Para além disso, a absorção do medicamento também é menor e mais lenta", explica Eduardo Mendes.
 
O médico de família adianta que "o fígado também é o órgão do nosso corpo que mais facilmente se regenera. E por isso é que pode ser transportado aos bocados, não é preciso transplantá-lo por inteiro".
 
É também o caso da hepatite A, que se cura normalmente sem nenhum tratamento específico.
Há, aliás, muitas doenças hepáticas que têm cursos benignos. Existem outras, contudo, que exigem formas terapêuticas extremamente agressivas, como é o caso do transplante.


publicado por servicodesaude às 19:15
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Doenças do Fígado - Transplante Hepático e Doação em Portugal

Quando as técnicas terapêuticas não chegam e a pessoa está em risco de vida, é necessário fazer um transplante; transplante que se faz com grande êxito em Portugal. Da mesma forma, também se pode afirmar que a doação é um sucesso devido ao elevado número de dadores entre nós.

 

Questionado sobre a existência de doentes que morrem por falta de dador, em Portugal, Eduardo Barroso, cirurgião e director do Centro Hepatobiliopancreático e de Transplantação do Hospital Curry Cabral, em Lisboa, admite que sim, já que “os dadores nunca são em número suficiente em parte nenhuma do mundo”. No entanto, reconhece, “temos um suplemento de fígados que os outros países não têm”.
 
"Nos últimos dois anos fizemos uma média de 130, 140 transplantes, mas 40 ou 50 desses transplantes foram feitos com fígados de doentes com Paramiloidose que, amavelmente, os cederam. Esta foi uma ideia do Dr. Linhares Furtado, que iniciou esta técnica de transplante sequencial em Portugal.
 
Pedro Magalhães Ribeiro representa uma das associações ligadas ao fígado, neste caso, “Um Fígado pela Vida”, e pertence ao núcleo dirigente da Associação Portuguesa de Paramiloidose (doença dos Pezinhos).
 
"Herdei a doença através do meu pai. Os primeiros sintomas, por volta dos 30 anos, foram os de um doente com Paramiloidose, ou seja, perca de sensibilidade, perda de peso, perda de força muscular e arritmias. Tive a felicidade de ser um desses doentes. De ser dador e também receptor".
 
Pedro Magalhães Ribeiro Admite que passou uma fase de negação da doença e alerta as pessoas para que quando detectem os primeiros sinais se desloquem ao médico para efectuarem o diagnóstico.


publicado por servicodesaude às 18:21
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Doenças do Fígado - Perfil e acompanhamento psicológico do doente

Jorge Daniel, cirurgião, fala sobre a doente abordada na reportagem: "Tem 19 anos e até há dois meses era absolutamente saudável. É portadora duma doença genética associada a um cromossoma, o 13; doença esperada na população portuguesa com uma incidência de um para 30 mil".

 

A doença foi detectada através de análises sanguíneas. Normalmente, evolui para cirrose ou então para uma insuficiência hepática aguda; o fígado entra em falência.
 
Nestes casos há um apelo a nível nacional para encontrar um fígado: "Esta paciente entrou em contacto connosco no Hospital de Santo António 48 horas antes de ser transplantada. O apoio psicológico é fundamental e irá acontecer agora no pós-operatório. Esta paciente tem uma rede social, composta pelos pais e esse apoio social e psicológico é muito importante nestes doentes, nomeadamente no pré-transplante".
.
Eduardo Barroso, cirurgião e co-autor da "Abordagem Psiquiátrica do Doente Transplantado", salienta que "é obrigatório, para que muitos dos doentes possam entrar numa lista activa, que tenham o aval da pequena equipa constituída por uma psicóloga e por um psiquiatra, que se desloca ao Curry Cabral três vezes por semana".
 
"Procura-se avaliar a capacidade do doente cumprir escrupulosamente a medicação no pós-operatório, nomeadamente os imunodepressores que se seguem à operação".
 
O transplante hepático é uma operação cara`(custa cerca de 100 mil euros ao Serviço Nacional de Saúde) e os órgãos são escassos, logo, por muito que sejamos generosos na doação em Portugal, vão sempre faltar órgãos para outros doentes.
 
Por exemplo, em relação aos alcoólicos, é exigido um determinado tempo de abstinência, para se ter a certeza que o doente não vai cair novamente nos factores de risco e perder o novo fígado.
 
Mesmo assim, a taxa de recaída do alcoolismo,  após a cirurgia de transplante hepático, é de cerca de 30%, o que continua a ser um número expressivo. "Temos que ter a certeza que a pessoa que vai receber o novo fígado o merece".
 
Jorge Daniel, director do Programa de Transplantação Hepática do Hospital de Santo António, no Porto, diz que neste hospital é traçado um perfil psicológico a quem vai receber o transplante.
 
"É importante porque o doente muda e torna-se mais fácil perceber como é que vai ser o seu comportamento perante as complicações hipotéticas no pós-operatório e ajudá-lo nesse sentido".


publicado por servicodesaude às 17:26
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Doenças do Fígado - Tumor nas Vias Biliares e Cirurgia (tel.)

Telefonema de Joana Brito, 26 anos, das Caldas da Rainha

A sua mãe com 58 anos está internada no hospital. Tinha pedra na vesícula e ao retirá-las foi detectado um tumor nas vias biliares. Deram-lhe três meses de vida porque o tumor já tinha alastrado, mas já passaram sete meses. Para além disso disseram-lhe que tinha o fígado obstruído.
A doente nunca bebeu álcool, sempre teve uma alimentação equilibrada. A filha gostava de saber se valeria a pena a mãe efectuar um transplante de fígado.
 
Eduardo Barroso diz que não se fazem transplantes por tumores malignos da vesícula (também está incluída nas vias biliares), nem das vias biliares extra-hepáticas: "O transplante não resulta porque as pessoas recidivam rapidamente. Portanto, neste caso, não está indicado o transplante".
 
No entanto, em certos casos de tumores nas vias biliares existem outras operações, sem ser o transplante, que podem ser feitas, mais uma vez "com grande sucesso, e com uma taxa de sobrevida até superior à do transplante, mas que devem ser feitas apenas em grandes hospitais - de referência -, porque são cirurgias muito mais complexas que o transplante", explica o cirurgião.
 
Só no ano passado, o Centro Hepatobiliopancreático e de Transplantação do Hospital Curry Cabral, em Lisboa, fez cerca de 300 cirurgias do fígado e das vias biliares, fora dos transplantes ao fígado, que foram 126. E fora as muitas cirurgias efectuadas ao pâncreas.
 
"Os centros de referência como o nosso permitem a discussão caso a caso, com todos os especialistas na mesma sala, ou seja uma equipa multidisciplinar com todas as valências e muita experiência", admite Eduardo Barroso.


publicado por servicodesaude às 16:53
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Doenças do Fígado - Hepatite C crónica e Biópsia (tel.)

Telefonema de José Ribeiro, 45 anos, de Viseu

Portador de Hepatite C crónica. No ano passado fez tratamento farmacológico, e teve várias oscilações da carga viral. Está a ser acompanhado no Curry Cabral e aguarda para fazer uma biopsia.

Foi-lhe dito pelo Dr. Rui Perdigoto, que o acompanha, que iria sair um novo tratamento em 2010 e não sabe se deve aguardar ou se deve partir para um transplante.
 
Guilherme de Macedo, gastrenterologista e director do Serviço de Gastrenterologia do Hospital de São João, no Porto, diz que o tratamento irá efectivamente sair, “resta saber é quem é que vão ser os candidatos e se há necessidade de serem candidatos”.
 
"Há tratamento, há cura para a Hepatite C mas, em alguns casos, significativos, alguns doentes não conseguem resolver essa infecção, não se consegue matar o vírus e acabar com a inflamação no fígado".
 
E acrescenta: "este é um exemplo paradigmático; em que há uma resposta parcial. A carga vírica baixa muito, mas passado algum tempo a infecção reaparece"
.
O médico relembra que se pode ter o vírus em circulação e nem sempre isso quer dizer que se tenha sempre o fígado muito doente. Daí muitas vezes haver a necessidade de fazer uma biopsia, para ver em que estado está o fígado, perceber o grau de inflamação e de cicatrização que já tem. Mas uma percentagem significativa dos doentes diagnosticados com Hepatite C, genotipo 1ou 3, com infecção resistente, têm grandes hipóteses de cura.
 
"A meu ver a possibilidade de transplantação não se põe neste caso; mas sim e apenas em situações terminais; quando não existe nenhuma outra possibilidade".
Este senhor ainda tem várias possibilidades de tratamentos antivíricos, nomeadamente com novas moléculas que estão a aparecer em todo o mundo e Portugal está perfeitamente actualizado nesta área", garante o gastrenterologista..
 
 

 



publicado por servicodesaude às 15:01
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Doenças do Fígado - Hepatite B e outras - Riscos, Prevenção e Tratamento

A Hepatite B é cerca de 100 vezes mais contagiosa do que a SIDA e, portanto, é muito importante falar-se de prevenção.

 
A maior parte das hepatites, aliás, são de carácter infeccioso e são hepatites por hepatotoxicidade: medicamentos, álcool e drogas que provocam uma grande toxicidade hepática.
 
"Os médicos conhecem esses fármacos e têm cuidado. Por exemplo quando há tratamentos prolongados com anti-fúngicos os doentes têm que ser acompanhados de perto", garante Eduardo Mendes. 
 
“É preciso prevenir as infecções por hepatite B e C e sabe-se que a primeira é cem vezes mais contagiosa que a SIDA e apanha-se da mesma maneira: através da partilha de sangue, objectos pessoais infectados, como seringas, lâminas, escovas de doentes.
Além disso transmite-se por via sexual; é hoje considerada uma DST (doença sexualmente transmissível), nomeia Eduardo Mendes, médico de família.
 
Mas hoje existe uma vacina que protege da hepatite B e ainda por cima está integrada no Plano Nacional de Vacinação.
 
A própria Hepatite A também se previne, muito pela higiene; através da lavagem dos alimentos e das mãos, porque também se transmite pela contaminação da água, alimentos e objectos.
 

 

Guilherme de Macedo, gastrenterologista, diz existir uma grande estigmatização da pessoa que tem hepatite, devido ao aspecto de transmissão sexual, e que esta deve ser desmontada:
 
“Quando alguém tem hepatite, pensa-se logo que terá tido algum comportamento sexual de risco. Ora a hepatite B, sobretudo na fase da infância pode ser assintomática e não ter nada a ver com o comportamento sexual. O perfil epidemiológico da Hepatite B em Portugal sugere que a doença é sobretudo adquirida na infância e não em adulto e quando acontece até são muito sintomáticas”.
 
O médico de família Eduardo Mendes coloca a questão de forma inversa: “A prevenção da hepatite B em Portugal, por via sexual, é determinante e o uso do preservativo é fundamental. Não só previne a Hepatite B, a SIDA como ainda o cancro do colo do útero”, sendo por isso obrigação dos médicos aconselhar o seu uso, diz.


publicado por servicodesaude às 14:19
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Doenças de Fígado - Cirroses, Tumores e Tratamento

Eduardo Barroso considera a Hepatite C um problema de saúde pública em Portugal. Até porque depois temos as cirroses e os tumores. "E os tumores do fígado gostam muito de cirroses".

 

Há outros tumores no fígado, contudo, muito mais frequentes, que são as metástases hepáticas – ramificações dos tumores primitivos – que, em relação ao cólon e ao recto, têm tratamento:

 
"Podem ser ramificações do tumor, no cólon e no recto, e por isso Eduardo Barroso pede: “por favor, referenciem-nos estes doentes porque em muitos casos têm solução e a única hipótese de viverem um longo tempo é fazerem estas operações”.
 
As regras oncológicas têm é que ser as correctas e não se devem fazer transfusões de sangue por norma, nestes casos já que, mais tarde, facilitam o reaparecimento dos tumores.
 
O cirurgião sublinha que “este tipo de intervenções devem ser feitas apenas em Centros de Referência, como o do Hospital Curry Cabral, "onde a taxa de sobrevida aos cinco anos é excelente e até melhor que as taxas europeias”.
 


publicado por servicodesaude às 13:26
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Terça-feira, 12 de Janeiro de 2010
Dependências - Introdução (por Maria Elisa Domingues)

Muitas famílias portuguesas debatem-se com problemas de álcool ou droga no seu agregado familiar. O consumo destas substâncias não afecta apenas os próprios, mas também os seus familiares e toda a sociedade, visto que o tratamento das doenças associadas a esses consumos – quando é possível – vai pesar, de forma brutal, no orçamento da Saúde. Sem contar com as vidas perdidas na estrada, pela violência provocada pelo álcool, nas capacidades, nas carreiras, nas esperanças destruídas pelo uso de drogas. O mesmo acontece com o tabaco, também ele na origem de muitas patologias e mortes.

 
Ainda na última semana, três pessoas apareceram mortas no distrito de Coimbra, pensa-se que devido a overdose. Se o consumo de heroína está a diminuir, o da cocaína, da cannabis e de outras drogas continua a crescer.
 
Mais aceite socialmente, o consumo de álcool causa no entanto estragos irreparáveis na nossa sociedade e desencadeia inúmeras doenças. O mais grave é que o seu consumo cresce junto dos mais jovens, às vezes perante o divertimento ou, pelo menos, a indiferença geral.
 
É destas dependências que vamos falar hoje.


publicado por servicodesaude às 23:46
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Dependências - Reportagem (resumo)

O álcool é o terceiro factor de risco e de morte prematura nos países europeus. E de todas as substâncias que causam dependência, o álcool é a mais socialmente aceite.

 
Ana Feijão, directora da Unidade de Alcoologia de Coimbra, chama atenção para o facto de que “se um pai souber que o seu filho fumou um charro, se calhar entra em pânico, mas se sair à noite e apanhar uma bebedeira, até pode comentar “já é crescidinho”.
 
Sem real consciência dos perigos do álcool, cada vez mais jovens começam a beber cada vez mais cedo.
 
De acordo com Ana Feijão, as estatísticas são claras: “Um em cada quatro jovens que morrem na União Europeia, entre os 15 e os 25 anos, morre de causas associadas ao álcool: em acidentes de viação, em cenas de violência – em brigas -, estando ainda muito ligado a doenças sexualmente transmissíveis e à gravidez não desejada, na adolescência.
 
Portugal é, por outro lado, dos países mais permissivos relativamente à legislação sobre o álcool. A venda de bebidas alcoólicas é permitida a jovens de 16 anos; isto no mesmo país onde só é permitida a venda de tabaco a maiores de 18.
 
A directora da Unidade de Alcoologia de Coimbra acrescenta que enquanto o consumo de vinho desceu; o consumo de cerveja aumentou imenso, mais de 400%. O mesmo aconteceu com o consumo de bebidas destiladas, tais como “shots”.
 
Nos adultos os consumos implicam uma desestruturação grande da vida; problemas laborais, familiares e sociais e pode levar ao aparecimento de problemas psiquiátricos.
 
Apesar de haver cada vez mais mulheres com problemas de álcool, os homens com idade média de 40 anos continuam a ser o maior grupo com dependência alcoólica. Mais de 60% são casados, cerca de 65% têm o 6º ano de escolaridade e a maior parte trabalha no sector secundário. Mais de 80% tem problemas laborais e familiares e cerca de 77% já estiveram envolvidos em acidentes de viação.
 
Existem cerca de 580 mil alcoólicos em Portugal. Segundo dados da APAV (Associação Portuguesa de Apoio à Vítima), 25% dos agressores no nosso país são dependentes de álcool. E segundo a Comissão de Protecção de Crianças e Jovens, nos processos relativos a agregados familiares, em 44% dos casos, ambos os progenitores são dependentes da bebida.
 
Outras estatísticas nacionais indicam que os jovens têm o seu primeiro contacto com a bebida aos 11 anos de idade. Já com outro tipo de drogas, o primeiro contacto costuma ser um pouco mais tarde.
Comparativamente ao álcool, as chamadas drogas psicoactivas afectam menos pessoas - cerca de 50 mil -, mas os problemas associados são, geralmente, mais complicados.
 
O consumo de substâncias psicoactivas ditas legais, como as benzodiazepinas, é também uma nova realidade do país. Não há grandes conflitos sociais associados e a fonte de abastecimento costuma ser a própria família.
Enquanto um consumidor de heroína precisa de 40 euros por dia; um consumidor de benzodiazepinas precisa de muito pouco, porque obtém as receitas através do Sistema Nacional de Saúde e com todos os descontos.
 
Apesar de tudo há redução de consumos nas populações mais jovens, nomeadamente o consumo de drogas injectáveis e a diminuição do VIH/SIDA, entre a população toxicodependente.


publicado por servicodesaude às 22:50
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Dependências - Apresentação dos Convidados

Dr. João Goulão – Presidente do Instituto da Droga e da Toxicodependência (IDT) e Coordenador Nacional da Luta Contra a Droga

 
Dr.ª Marta Pratas – Técnica do IDT, licenciada em Serviço Social, terapeuta e gestora dos doentes internados
 
Dr. Eduardo Mendes – Médico de família e, actualmente, director executivo do Agrupamento de Centros de Saúde do Oeste Sul
 
Prof. Domingos Neto – Psiquiatra, com uma tese de doutoramento sobre o tratamento das toxicodependências; foi director regional do Sul; do Centro de Estudos e Profilaxia da Droga e também director regional de Alcoologia de Lisboa e Vale do Tejo, até à integração do serviço no IDT.


publicado por servicodesaude às 21:00
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Dependências - Balanço do fenómeno da Droga em Portugal

Só numa semana morreram três pessoas no distrito de Coimbra, ao que se pensa, devido a overdose.

Para João Goulão, presidente do Instituto da Droga e da Toxicodependência (IDT), o problema da droga continua a ser central na sociedade portuguesa, mas enquanto há 10, 12 anos, os inquéritos de rua revelavam que o tema estava entre as preocupações centrais dos portugueses, actualmente o problema surge bem mais para baixo.
(As autoridades julgam que deverá haver alguma substância adulterada à venda em Coimbra, o que não quer dizer que o problema não exista).
 
Vivemos durante quase três décadas uma verdadeira epidemia relacionada com a heroína e com fenómenos de marginalidade e exclusão. Actualmente, João Goulão garante que “ao nível das substâncias ilícitas temos respostas relativamente eficazes ao nível do tratamento, da redução de danos, da prevenção e da reinserção social, que são satisfatórios e têm permitido avanços significativos nesta área”.
 
Algo que pode ser perverso, já que pode existir a tentação de desinvestir nesta área. “O fenómeno está longe de estar dominado; está apenas controlado”, explica o presidente do IDT.


publicado por servicodesaude às 20:02
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Dependências - Assumir a dependência do Álcool e procura de tratamento

Segundo Eduardo Mendes, médico de família, a questão central nas "dependências", de quaisquer substâncias, é o doente assumir que tem um problema: “Se isso não acontecer não é fácil iniciar-se um tratamento”.

 
Por vezes o marido, e mais frequentemente a mulher, queixa-se de problemas de alcoolismo na consulta com o médico de família, mas o marido nega. Há uma certa impotência para lidar com o problema e, por vezes, muita agressividade.
 
Por este motivo, Eduardo Mendes considera fundamental a atitude do médico de família: “Não pode ser, nem cauteloso de mais, nem precipitado, já que o pior que pode acontecer é a família perder o apoio do médico ou o doente deixar de vir à consulta”.
 
Existem 580 mil doentes alcoólicos em Portugal e 750 mil bebedores excessivos.
Para além disso, habitualmente existem policonsumos, ou seja, quem bebe em excesso também fuma, por exemplo..
 
Domingos Neto, psiquiatra, reconhece que muitas das pessoas não admitem a sua adição e, antes de as levar a admitir, parece ser necessário terem sofrido as consequências das atitudes que tomaram.
 “Muitos dos doentes alcoólicos só quando lhes cai literalmente a casa em cima é que decidem procurar ajuda e muitas vezes não assumem o tratamento. Ou só dois ou três meses depois de estarem em abstinência”.
 
O alcoolismo é uma doença com grandes implicações sociais, a começar pelo sofrimento provocado na mulher, nos filhos e nos pais, mas também aos empregadores e aos colegas…
 
“A família deve mobilizar-se para levar esta pessoa a tratar-se ou, em último caso, criarem medidas de segurança para si próprios”, admite o psiquiatra.


publicado por servicodesaude às 19:09
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Dependências - Consumo de Álcool pelos jovens e Plano de Redução governamental

Encontra-se em fase de aprovação governamental um Plano de Redução de Consumo de Álcool, que vem acrescentar algumas medidas, nomeadamente, vem propor a proibição do consumo de álcool, em locais públicos, a menores de 18 anos.

Neste momento estamos nos 16 anos, mas sabemos que o consumo se inicia por vezes muito antes, aos 14, 15, ou mesmo antes. Mas a revisão foi entregue ao Governo em Maio e ainda não foi transposta para lei.
 
João Goulão garante que a aprovação do plano, concebido pelo Instituto da Droga e da Toxicodependência, com outros parceiros, está “eminente”.
 
“O plano contempla a criação de uma rede de referenciação para tratamento de pessoas com problemas ligados ao álcool, envolvendo numa primeira linha os médicos de família e os centros de saúde. Depois, a rede contará também com todas as unidades ligadas ao IDT, as Unidades de Alcoologia – os antigos Centros Regionais de Alcoologia - e ainda gostaríamos de envolver as respostas da Saúde Mental, como os serviços de psiquiatria dos hospitais”, explica o presidente do Instituto da Droga e da Toxicodependência.
 
Relativamente à questão da idade, é sabido que quanto mais precoces são os consumos, maior a probabilidade de no futuro se desenvolver uma dependência. Do ponto de vista orgânico, os jovens não metabolizam o álcool da mesma forma que um adulto e, portanto, há o risco acrescido de desenvolvimento de doenças.
 
"Hhoje começamos a ver jovens com menos de 30 anos com cirroses hepáticas, doença anteriormente associada a pessoas na casa dos 50 ou 60 e tal anos”, acrescenta.
 
Nos últimos anos assistimos à alteração dos padrões de consumo do álcool: para além dos bebedores “clássicos”, da taberna, existem estes consumos muito precoces, em idades muito baixas, caracterizados por um consumo excessivo esporádico – muito ao fim de semana e ocasiões especiais -, intercalados por períodos de quase abstinência que, pela repetição, vão deixando marcas.
 
Domingos Neto, psiquiatra, adianta que “estes consumos são perigosos porque estão ligados a uma mortalidade muito forte, a relações sexuais não protegidas e a acidentes de viação; a principal causa de morte entre os jovens”.
 
O Brasil conseguiu impor uma espécie de “Lei Seca”, na opinião do psiquiatra, “porque a taxa de alcoolemia é zero e devido a uma grande mobilização nacional”. Os resultados ao nível da sinistralidade automóvel são espantosos; uma redução em cerca de 40%.
 
“Porque é que não funciona em Portugal? Eu diria que tem a ver com a brandura dos nossos costumes e da tradição de estarmos colocados em oitavo, nono ou décimo lugar, entre os países que mais consomem álcool globalmente”.
 
“Quando se fala do Plano de Redução do Álcool que o IDT pretende implementar, e da possibilidade de beber apenas a partir dos 18 anos, o problema é que o governo ainda não regulamentou o anterior, o Plano Nacional de Luta Contra o Alcoolismo. E continua-se a beber antes dos 16 anos nas discotecas e em todo o lado, o que é muito grave”, acusa Domingos Neto.
 
“Não há muita, nem pouca fiscalização; diria que não há nenhuma. E pode haver danos irreparáveis para o desenvolvimento, tendo em conta que o cérebro na adolescência não está completamente formado”, conclui.


publicado por servicodesaude às 18:20
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Dependências - Doente alcoólico que recusa tratamento

Marta Pratas, presidente dos "Alcoólicos Anónimos", diz que quando há um doente alcoólico, toda a família padece do mesmo problema. A família é um sistema e basta alguma das peças se alterar para todo o sistema se alterar.  "Às vezes até é necessário recebermos outras pessoas antes do próprio, para trabalharmos a sua firmeza perante o doente e para se ajudarem a elas próprias".

 
Domingos Neto é da opinião que os internamentos compulsivos não são indicados nestes casos, a não ser em situações muito extremas. E explica: "Existem antagonistas que podem ser tomados e que fazem a pessoa sentir-se mal quando bebe álcool".
 
O psiquiatra aponta as elevadas taxas de abstinência que este tipo de medicação permite; a rondar os 30%, embora esclareça que os fármacos têm que ser dados com ética: "Não podem ser postos na sopa do doente; ele tem que saber exactamente o que está a tomar e assinar um consentimento informado".
 
O álcool é responsável por 7,4% das incapacidades e mortes prematuras na União Europeia. E Portugal ocupa o oitavo lugar a nível mundial, com uma média de 9,6 litros per capita/ano, quando a meta da Organização Mundial de Saúde, até 2015, pretende fazer recuar esse número até aos seis litros per capita/ano.
 
João Goulão diz que "para além do caminho a percorrer, seria bom, para já, se fosse possível inverter a tendência de aumento para oito litros até 2012, no nosso país".


publicado por servicodesaude às 17:37
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Dependências - Política dos CATUS e toxicodependência (tel)

Perante a questão, colocada por um telespectador, da necessidade de dotar  os CATUS de uma maior agilidade - uma vez que os doentes têm que esperar três a quatro semanas por uma consulta -, o presidente do Instituto da Droga e da Toxicodependência reconheceu que o acesso é um pouco desigual a nível nacional. Mas avançou: "É difícil encontrar outra especialidade mais célere. E o tempo médio de espera por uma consulta ronda as duas semanas", afirmou João Goulão.

 
O mesmo telespectador referiu ainda que, após a consulta, lhe terá sido sugerido a toma de metadona como terapia de substituição, tendo o internamento apenas sido aconselhado passados quatro anos.
 
A este respeito, o presidente do Instituto da Droga e da Toxicodependência clarificou que "em 2008, encontravam-se em tratamento cerca de 38 mil doentes nas estruturas do IDT: cerca de 50 e tal por cento estavam em terapia de substituição; os outros 40 e pouco, em tratamentos chamados “livres de drogas”.


publicado por servicodesaude às 16:41
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Dependências - Riscos associados ao consumo de Álcool pelos jovens

Os jovens bebem muitas vezes por questões de integração, para socializarem, o que já acontecia antes. Hoje, contudo, de acordo com Eduardo Mendes, médico de família, o fenómeno adquiriu características distintas.

 

“Bebem muito, num curto espaço de tempo e álcool de péssima qualidade, o que agrava significativamente os danos físicos e metabólicos dos jovens que, fisicamente, são ainda imaturos”.

 
Além disso, tem-se verificado um consumo acrescido da cerveja que, a partir dos anos 80, entrou com enorme força no nosso mercado. E regista-se mesmo, um certo “orgulho” em consumir a bebida em doses enormes, aos fins-de-semana e em certos eventos, nomeadamente, nas Queimas das Fitas, em várias localidades do país.
 
Domingos Neto reforça a gravidade do fenómeno, esclarecendo os números existentes em Portugal relativos ao consumo de álcool: “os portugueses consomem em média cerca de 96 litros de vinho por ano e cerca de 200 litros de cerveja”.
 
O psiquiatra explica que, enquanto algumas pessoas bebem moderadamente, para outros o álcool é uma droga extremamente perigosa, não se escusando a dizer que “talvez mesmo mais perigosa do que todas as drogas ilícitas juntas”.
 
Neste capítulo, os meios de comunicação social não têm ajudado muito. Ou porque associam o consumo de álcool a um certo poder de atracção ou por falta de eficácia das campanhas de sensibilização.
 
“As campanhas estão muito mais desenvolvidas relativamente ao tabaco do que ao álcool, em que há uma unanimidade social muito maior. O álcool ainda anda envolvido numa espécie de manta de retalhos de interesses”, reconhece.
 
João Goulão concorda que ainda existe uma grande complacência social relativamente ao consumo do álcool. E se no caso da droga as responsabilidades encontram-se concentradas, por exemplo, na figura do presidente do IDT, relativamente ao álcool essa figura ainda não existe. Logo, também não existe uma fiscalização efectiva.
 
A Declaração de Estocolmo de 2001, sobre jovens e álcool, diz explicitamente que “as politicas de saúde sobre álcool devem ser formuladas com base no interesse da Saúde Pública e sem a interferência de interesses comerciais”.
 
E João Goulão diz ter consciência de que haverá um momento em que os interesses se revelarão antagónicos. "Aumentar a idade mínima legal para o consumo de álcool dos 16 para os 18 anos só é possível havendo fiscalização e sabemos que vai ser difícil porque mexe com vários interesses”.


publicado por servicodesaude às 15:56
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Dependências - Consumo de Álcool na Queima das Fitas

Eduardo Mendes admite que o consumo de álcool em Portugal é uma questão cultural muito forte e que tem que ser tida em conta na formação dos jovens.

 
"Em muitos locais do país, as crianças ainda vão para a escola meio alcoolizadas porque ingerem as célebres "sopas de cavalo cansado" ao pequeno-almoço. E mesmo nos meios mais cultos, como o dos jovens universitários, bebem-se quantidades astronómicas de álcool, por exemplo, durante os nove dias em que decorre a Queima das Fitas".
 
Irma Brito, doutorada em Ciências da Enfermagem e especialista em Saúde Comunitária, iniciou e coordena o programa “Antes que te Queimes”, que antecede a Queima das Fitas em Coimbra. O programa surgiu em 2006, por iniciativa de jovens e para jovens, razão pela qual "está a ser bem recebido", diz a enfermeira..
 
O programa baseia-se em mensagens de rua e no aconselhamento que é feito durante as festas académicas: "Estes jovens são como os outros: uns bebem mais, outros menos, mas receberam formação para se dirigirem aos seus pares em contexto recreativo e tentam passar uma mensagem do género: “sabes o que estás a fazer?”, "devias agir com responsabilidade".
 
Este projecto de investigação/acção tem como parceria o Governo Civil de Coimbra, a Administração Regional de Saúde de Coimbra, o Instituto da Droga e da Toxicodependência e a Comissão de Queima das Fitas.
 
Foi mobilizado um espaço em que é possível efectuar a medição da alcoolemia. Antes, é perguntado aos jovens quanto é que ingeriram e como podem chegar ao cálculo da mesma. São também prestados conselhos, como por exemplo, “se beberes água entre as bebidas alcoólicas, não ficas tão alcoolizado e reduzes o número de vezes que vais à casa-de-banho".
Para quem bebeu efectivamente demais, é assegurado transporte para o regresso a casa ou prestados os primeiros socorros.
 


publicado por servicodesaude às 14:21
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Dependências - CATUS ou Unidades de Tratamento para Toxicodependentes e Alcoólicos (tel.)

Telefonema de José Teixeira, 43 anos, ex-toxicodependente, de Guimarães:

Gostava de saber qual o papel dos CATUS. Está abstinente de drogas já há quatro anos, mas tratou-se numa Instituição Particular de Solidariedade Social.
A sua principal preocupação é ver os jovens a sair e a recair na droga, em parte porque ficam rotulados de "drogados" e a sociedade não lhes dá uma segunda chance.
 
João Goulão diz que os CATUS eram centros de atendimento a toxicodependentes. A partir do momento em que o Instituto da Droga e da Toxicodependência (IDT) passou a ter responsabilidades, também na área do álcool, o nome alterou para Unidades de Tratamento.
 
Estas Unidades de Tratamento são a porta de entrada para o sistema e é aí que os doentes são acompanhados em ambulatório. Funcionam como centros de saúde, onde são prestados cuidados médicos, psicológicos, psiquiátricos e psicosociais.
 
"Hoje, há uma panóplia alargada de respostas, entre as quais terapêuticas de substituição, medicamentosas, ou não", explica o presidente do IDT.
 
Para além disso, estas Unidades de Tratamento constituem também a porta de entrada para sistemas convencionados de Unidades de Desabituação e de Comunidades Terapêuticas.
 
"Temos uma Rede de Comunidades Terapêuticas com um total de 1200 camas, em que os custos do internamento são suportados em 80% pelo Estado. Os 20% residuais ficam a cargo da família ou do toxicodependente. Em caso de insolvência, podem ainda ser suportados pela Segurança Social", esclarece João Goulão..


publicado por servicodesaude às 12:47
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Segunda-feira, 11 de Janeiro de 2010
Gripe A - DGS avalia campanha de vacinação (5 Janeiro)

A Direcção-Geral de Saúde fez a avaliação da campanha de vacinação contra a gripe A, no dia 5 de Janeiro de 2010, desde que esta teve início a 26 de Outubro de 2009.

 

Em comunicado, a DGS refere que "foram distribuídas pelos serviços de saúde 470.000 doses de vacinas no Continente e Regiões Autónomas. Até 5 de Janeiro do ano em curso foram administradas, na rede de agrupamentos de centros de saúde, 261.129 vacinas correspondentes à imunização de 247.499 cidadãos, uma vez que foram administradas 13.630 segundas doses a crianças de idade inferior a 10 anos e a doentes imunodeprimidos".
 
A DGS estima ainda que "tendo em atenção as vacinas administradas nos hospitais e a outros grupos profissionais, que o total de pessoas vacinadas seja de 320.000,
das quais 73.750 crianças até aos 12 anos de idade. Foram, assim, utilizadas, no Continente, 67% das doses (0,5 ml) disponíveis nos serviços".
 (Fonte: Direcção-Geral de Saúde)

 


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publicado por servicodesaude às 11:15
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Domingo, 10 de Janeiro de 2010
Gripe A - Vários países europeus querem livrar-se do excesso de vacinas

A Suiça comprou 13 milhões de doses. Agora uma parte deverá ser doada ou vendida ao exterior, a outra será mantida em stock para uma eventual próxima pandemia.

Da mesma forma, a França anunciou na passada segunda-feira que cancelaria a compra de 50 milhões das 94 milhões de doses que havia encomendado.

Inicialmente, o país tinha previsto gastar 869 milhões de euros com 94 milhões de doses da vacina, estimando que cada cidadão receberia duas doses. Mas apenas 5 milhões dos 65 milhões de franceses se vacinaram, e as autoridades europeias de saúde disseram que uma dose é suficiente.

Paris seguiu decisões semelhantes tomadas no mês passado pela Suíça, Espanha, Alemanha e Holanda de reavaliar as encomendas de vacinas que haviam feito no início da pandemia.

A Suíça, que tem uma população de 7,7 milhões de habitantes, encomendou 13 milhões de doses de vacina da britânica GlaxoSmithKline (GSK) e da empresa nacional Novartis, no valor de 84 milhões de francos.

Apenas 3 milhões de doses foram enviadas aos estados. A Secretaria Federal de Saúde (SFS) ainda não sabe quantas foram usadas. Algumas autoridades estaduais falam de índices de vacinação entre 15 e 30% da população (no cantão de Berna, por exemplo, 13 a 15%).

Em Dezembro, o governo disse que planejava doar à Organização Mundial da Saúde (OMS) ou vender a outros países cerca de 4,5 milhões de doses excedentes da vacina contra a gripe A, devido à pouca procura pela população.

"Estão em curso negociações com vista à venda ou doação dos nossos stocks", disse o porta-voz da SFS, Jean-Louis Zurcher, à swissinfo.ch.

Zurcher não revelou que países estariam interessados e não confirmou se a Suíça, como a França e a Alemanha, negocia com empresas farmacêuticas o cancelamento de pedidos ou a devolução das vacinas excedentes.

"Muito dinheiro foi investido nas vacinas, mas a situação de pandemia poderia ter sido muito pior", acrescentou.
 
Cancelamentos
A Alemanha também está a tentar dispensar os excedentes e renegociar as encomendas feitas durante a fase inicial da onda de gripe A(H1N1). Na quinta-feira passada, Berlim começou a negociar com a GSK um corte de metade das 50 milhões de doses da vacina Pandemrix encomendadas.

A Holanda já tinha anunciado em Novembro que iria vender 19 milhões das 34 milhões de doses encomendadas.

A Espanha tenta devolver vacinas não utilizadas, argumentando que seus contratos com a Novartis (22 milhões de doses), a GSK (14,7 milhões) e a Sanofi-Aventis (400 mil) incluem cláusulas que permitem a devolução de excedentes.

Um porta-voz do Ministério da Saúde britânico disse à agência France Presse, no domingo, que seu país também considera a possibilidade de vender as vacinas não utilizadas.
 
Mina de ouro
Diante disso, os analistas estão cada vez mais pessimistas quanto à receita dos fabricantes de vacinas e as perspectivas de lucros com a pandemia da gripe A(H1N1), que já era considerada uma mina de ouro do sector.

As vendas de vacinas contra o vírus H1N1 tem sido uma benção para as empresas farmacêuticas. A GSK poderá ser a maior beneficiária, com vendas previstas no valor 3,7 bilhões de francos até o final do primeiro trimestre de 2010, segundo analistas. A Sanofi e a Novartis previram lucros estimados em 1,1 bilhão e 628 milhões de francos, respectivamente.

Os últimos cancelamentos de pedidos na Europa podem reduzir esses números. Mas um porta-voz da Sanofi disse que sua empresa deverá compensar a queda de vendas na França com encomendas de outras partes do mundo.

A Glaxo recusou-se a comentar o eventual impacto comercial das últimas decisões, mas um porta-voz disse que o grupo britânico estava a discutir as encomendas com os governos.

"A Novartis irá avaliar caso a caso os pedidos dos governos, no âmbito dos acordos contratuais que consideramos vinculativos", disse Eric Althoff, director de relações com a mídia da gigante farmacêutica suíça.
 
"Fiasco extravagante"
A decisão do governo francês veio depois de fortes críticas de políticos e cientistas. O Partido Socialista, na oposição, descreveu a campanha nacional francesa como um fiasco "extravagante" e exigiu uma investigação parlamentar.

Países-membros do Conselho da Europa avaliam a possibilidade de criar uma comissão de inquérito para analisar a influência das empresas farmacêuticas sobre a campanha global da gripe A.

A campanha da " falsa pandemia" da gripe, encenada pela Organização Mundial da Saúde e outros institutos em benefício da indústria farmacêutica, foi "um dos maiores escândalos da medicina no século", disse o médico alemão Wolfgang Wodarg, presidente da Comissão de Saúde Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, que apresentou a proposta a ser debatida em 25 de Janeiro.

(Fonte: Swissinfo.ch)
 

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publicado por servicodesaude às 11:02
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Sábado, 9 de Janeiro de 2010
Gripe A - Conselho da Europa debate possibilidade das farmacêuticas terem fomentado o pânico

A gripe A (H1N1) já fez 83 vítimas mortais em Portugal. A Direcção-geral de Saúde (DGS) revelou ontem que nos dois últimos dias houve mais duas mortes: duas mulheres, de 43 e 51 anos, ambas com factores de risco. Mesmo assim, comparando com outros anos, a mortalidade continua abaixo do esperado para época de gripe.

 
No entanto, o Centro Europeu para Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC) alertou ontem que a redução da onda da pandemia de gripe A provavelmente será seguida por novas e ainda desconhecidas variedades da gripe sazonal.
 
"O padrão histórico das gripes humanas é que depois das pandemias, o mundo passa por uma nova mistura de vírus", escreveu o especialista Angus Nicoll, na revista Eurosurveillance.
Além disso, lembra que nas pandemias de 1957/58 e 1969/70 a transmissão abrandou no Natal e recomeçou no ano seguinte. Por isso, aconselha os países a não baixarem as defesas.
 
Entretanto, um grupo de parlamentares do Conselho da Europa propôs uma investigação à suposta pressão exercida pelas companhias farmacêuticas sobre os países para que comprassem vacinas contra a gripe A, disse ontem uma porta-voz do Executivo comunitário. A iniciativa, que será debatida em Estrasburgo, afirma que as farmacêuticas "influenciaram os cientistas e organismos oficiais" para alarmar os Governos, com vista a promover as suas vacinas e medicamentos contra a nova gripe, diz a agência EFE.
 
Segundo o último balanço da Organização Mundial de Saúde (OMS), a pandemia causou pelo menos 12 799 mortes em todo o mundo, desde que surgiu no México na Primavera de 2009. A OMS assinala que o vírus "actualmente está mais activo" na Europa central, de Leste e Sudeste, no Norte de África e no Sul da Ásia.
 
A OMS considerou também a que os países do Hemisfério Sul atingidos pela gripe H1N1 no ano passado estão agora bem protegidos contra novas infecções, devido à imunidade adquirida na primeira onda.
 

(Fonte: Diário de Notícias)

 
 
 
 

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Sexta-feira, 8 de Janeiro de 2010
Gripe A - Disponíveis 150 mil doses para vacinação

Portugal recebeu apenas metade do milhão de vacinas contratado até fim de Dezembro.

Das 470 mil doses de vacinas contra a gripe A recebidas por Portugal tinham sido administradas até ao passado dia 5 cerca de 320 mil. A Direcção-Geral de Saúde continua a apelar às pessoas para que se imunizem, em especial às grávidas e doentes crónicos.
 
"Estamos longe do que queríamos atingir" em termos de cobertura vacinal contra o vírus H1N1, admitiu ontem a subdirectora-geral de Saúde, ao fazer o balanço da imunização iniciada no final de Outubro. Graça Freitas congratulou-se, contudo, com a afluência de crianças em idade escolar nos últimos dias de Dezembro: a 29 e 30 foram aplicadas dez mil doses nos centros de saúde.
O director-geral de Saúde, Francisco George, atribui a menor procura da vacina face ao esperado ao facto de a actividade gripal não ter sido intensa neste Outono e Inverno.
 
Vírus não desaparece
Há tendência para que este seja o vírus dominante na outra estação. Diz Graça Freitas: "Mesmo que a actividade gripal desapareça, isso não acontece com o vírus". Aliás, segundo Francisco George, "a estirpe do vírus dominante é a nova, tendo-se registado um eclipse das outras estirpes de gripe que circulavam". É, assim, de prever que a gripe sazonal do próximo Outono/Inverno seja de H1N1. Tal previsão assenta também na observação do que se passou no Hemisfério Sul, para cuja estação fria a vacina sazonal já inclui a nova estirpe.
 
As contas da Direcção-geral de Saúde relativas ao território continental indicam que as mais de 261 mil doses aplicadas imunizaram cerca de 247 mil pessoas. A diferença de números explica-se pelo uso de duas doses a 13.650 crianças e doentes imunodeprimidos. A DGS faz subir o número de 247 mil pessoas para 320 mil ao estimar que houve vacinas aplicadas nos hospitais, nomeadamente a médicos e enfermeiros.
 
Muito em breve (uma a duas semanas), anunciou ontem Francisco George, a Comissão Técnica de Vacinação alargará o critério de imunização a jovens adultos sem patologias, dado ser este um grupo em que a incidência da gripe A é elevada, acarretando por vezes complicações sérias. Mas a preocupação maior centra-se nas grávidas. Graça Freitas voltou a apelar a que elas se vacinem. A DGS não possui, no entanto, números quanto à taxa de vacinação das grávidas (nem dos profissionais de saúde), dado que eles não são incluídos no sistema informático automático do Ministério.
 
Ontem, na conferência de imprensa convocada pelos dois responsáveis pela Direcção-geral de Saúde, Francisco George garantiu que "Portugal não tem excesso de vacinas" nem irá ter. Recorde-se que foram encomendados três milhões de vacinas (que incluiam duas doses, para 30% da população que se estima ter problemas crónicos). Esses três milhões acabam por valer por cerca de seis milhões, dado ter sido provado entretanto que para a maioria das pessoas a imunizar uma dose bastaria. George diz que o caso de França, que se apresta a vender parte das reservas, é diferente, na medida em que encomendou vacinas para 75% da sua população. O fármaco tem prazo de validade de dois a três anos.
(Fonte: Jornal de Notícias)

 


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publicado por servicodesaude às 18:44
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Quinta-feira, 7 de Janeiro de 2010
Gripe A - Já foram vacinados 320 mil portugueses

Cerca de 320 mil portugueses foram vacinados contra a gripe A, dos quais 74 mil foram crianças. O balanço foi feito esta manhã, quinta-feira, pelo director-geral da Saúde, Francisco George.

 

Portugal recebeu até agora 470 mil dos seis milhões de doses de vacinas para a gripe A (H1N1) encomendadas, cerca de 67 % das quais foram administradas, anunciou Francisco George.
 
Os dados da campanha de vacinação indicam que até 5 de Janeiro foram administradas na rede de agrupamentos de centros de saúde 261 129 vacinas, correspondentes à imunização de 247 499 cidadãos, uma vez que foram dadas 13 630 segundas doses a crianças de idade inferior a 10 anos e a doentes imuno-deprimidos. No grupo C, foram vacinadas 73 750 crianças até aos 12 anos.
 
Francisco George estimou que o total de pessoas vacinadas seja de 320 mil, tendo em conta as vacinas administradas nos hospitais e a outros grupos profissionais. Agora, anuncia que dentro de uma a duas semanas poderá ser alargada a vacinação a outros grupos, de acordo com as propostas formuladas pela Comissão Técnica de Vacinação.
 
Até agora estava prevista a chegada de um milhão de doses, mas apenas chegaram 470 mil. A DGS deverá reunir-se hoje com o laboratório que fornece as vacinas para definir o plano de entregas para o início do ano.
 
“Portugal não tem excesso de vacinas”, disse o director-geral de Saúde. "Teríamos excesso se tivéssemos encomendado vacinas para 100% da população”, detalhou Francisco George. França, que cancelou uma segunda encomenda de 50 milhões de vacinas, Alemanha e Holanda estão a vender já o excendente de vacinas para a Gripe A, dada fraca adesão das pessoas à vacinação.
 
Também presente na conferência de imprensa, a sub-directora-geral da Saúde, Graça Freitas, lamentou que as grávidas continuem a ser o grupo que menos tem aderido à vacinação.

(Fonte: Jornal de Notícias)


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publicado por servicodesaude às 15:58
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Gripe A - Número de Óbitos sobe para 81 em Portugal

                               

Fonte: Direcção-geral de Saúde:

Número de óbitos, sexo, idade, data em que foi reportada a ocorrência, factores de risco, local do óbito

                                                                                       

78
M
48
02-Jan
Sim
ARS Algarve
79
M
78
05-Jan
Sim
ARS Norte
80
M
57
04-Jan
Sim
ARS Centro
81
M
73
02-Jan
Sim
ARS Lisboa e Vale do Tejo


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publicado por servicodesaude às 12:27
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Quarta-feira, 6 de Janeiro de 2010
Gripe A: Ponto da situação da DGS - Vítimas ascendem a 78 (6 de Janeiro)

Na semana de 28 de Dezembro a 3 de Janeiro de 2010, foram observados nos serviços de saúde 4.811 doentes com sintomas de gripe, independentemente da confirmação laboratorial dos vírus em causa.

 

Neste período, verificou‐se uma desaceleração no que se refere ao número de novos casos.
A distribuição da gripe estendeu‐se a quase todo o território do Continente, mantendo‐se, no entanto, heterogénea.
 
No último dia da semana em referência (domingo), estavam internados 73 doentes, dos quais 18 em Unidades de Cuidados Intensivos. No mesmo período registaram‐se 6 óbitos, sendo de 78 o total acumulado de óbitos (este total contabiliza 3 óbitos ocorridos na 52ª semana mas reportados na 53ª).
 
Nesta semana não foram notificados clusters em escolas.
 

(Fonte: Direcção-Geral de Saúde)


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publicado por servicodesaude às 11:53
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Segunda-feira, 4 de Janeiro de 2010
Gripe A - DGS - Até agora 71 óbitos confirmados em Portugal


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publicado por servicodesaude às 11:16
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