Terça-feira, 9 de Fevereiro de 2010
Sexualidade Feminina II - Introdução (por Maria Elisa Domingues)

A Sexualidade Feminina volta a ser o tema do Serviço de Saúde de hoje.

Na passada semana foram levantados, quer pela nossa reportagem, quer através de telefonemas de telespectadoras, questões da maior importância para a saúde sexual a que não houve tempo de responder.
 
As disfunções sexuais, a vivência da sexualidade na doença crónica, as consequências da menopausa, são alguns aspectos da sexualidade feminina que hoje iremos analisar com os meus convidados Drs. Allen Gomes, Lisa Vicente, Eduardo Mendes e Ana Carvalheira.
 
Fomos de novo ouvir mulheres de todas as idades, na região Centro e do Norte do país, desde muito jovens – 16 anos – até aos 70, para termos o testemunho, na primeira pessoa, das suas vivências. De forma empírica, mas muito viva, eis uma demonstração expressiva de como o país mudou nas últimas décadas. Pelo menos, no que toca à sexualidade feminina…
 
Reportagem


publicado por servicodesaude às 23:05
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Sexualidade Feminina II - Apresentação dos Convidados
Dr. Francisco Allen Gomes – Psiquiatra, foi chefe do serviço de psiquiatria e responsável pela consulta de Sexologia dos Hospitais da universidade de Coimbra, até 2001
 
Dra. Ana Alexandra Carvalheira – Doutorada em psicologia da sexualidade, psicóloga clínica e investigadora no campo da sexualidade feminina, em Portugal e no Canadá
 
Dr. Eduardo Mendes – Médico de família, director executivo do Agrupamento de Centros de Saúde do Oeste Sul
 
Dra. Lisa Vicente – Especialista em Ginecologia e Obstetrícia, pós graduada em Medicina Sexual e responsável pela Consulta de Medicina Reprodutiva da Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal e, actualmente, chefe da divisão de Saúde Reprodutiva, da Direcção-Geral de Saúde

 



publicado por servicodesaude às 22:07
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Sexualidade Feminina II - Falta de Desejo ou de Iniciativa?

Nos anos 70 e 80, a falta de desejo não era uma queixa comum. As questões que os pacientes colocavam aos médicos dirigiam-se sobretudo à forma de obter prazer e excitação, porque havia muita ignorância.

 
“A partir de certa altura começaram a aparecer cada vez mais mulheres - e cada vez mais jovens -, a dizer que não lhes apetece ter relações sexuais, embora não tenham quaisquer dificuldades”, conta Allen Gomes.
 
“Quando as têm é óptimo, sem inibições e os companheiros apreciam. Portanto, é como dizer: são capazes, mas não lhes apetece. Ou, pelo menos, com determinada frequência.
As próprias dizem sentir um certo "desconforto”, porque, dizem: “eu não era assim”, reafirma o psiquiatra,   
 
No livro “Disfunções sexuais”, da autoria do psicólogo Pedro Nobre, são abordados vários estudos sobre o tema.
Enquanto disfunção sexual, estima-se que a falta de desejo possa afectar cerca de 30% de mulheres; ou seja, quase um terço do total de mulheres abordadas nesses estudos.
 
Lisa Vicente, ginecologista, percepciona o fenómeno de outra forma: “As mulheres vêm muitas vezes o seu desejo sexual diminuído mas relativamente a um padrão do que deverá ser o seu desejo normal, veiculado pela informação que lhes é disponibilizada”.
 
E explica: "Muitas vezes o “eu não tenho desejo”, deve ler-se “eu não tenho a iniciativa” e, durante muito tempo, isso foi classificado como uma disfunção sexual.
Existem muitos estudos que demonstram que mesmo em relações em que as mulheres consideram satisfatórias, 30% afirma que o seu desejo não é espontâneo, ou seja, que não são elas a tomar a iniciativa".
 
Por isso, a ginecologista reforça que essas mulheres, devidamente estimuladas, e num certo contexto, depois entusiasmam-se e a relação sexual corre bem.
 

Ana Carvalheira, psicóloga, concorda com o facto de o fenómeno ser complexo e de sofrer a interacção de diversas variáveis, entre as quais o processo de educação e socialização. Admite que a perda do interesse sexual é a queixa mais frequente, no entanto avança que "As disfunções sexuais são raras; o que existem são determinados problemas”.

 
“Um grande número de mulheres de facto inicia a actividade sexual sem ter vontade e depois de estimulada passa a ter. No entanto, quanto mais tempo se interrompe a actividade sexual, mais difícil é. Na actividade sexual, quanto menos se faz, menos apetece fazer; quanto mais se faz; mais apetece fazer”, acrescenta Eduardo Mendes.
 
O médico de família explica ainda que em determinados níveis culturais, uma infecção ginecológica vulgar (como fungos ou uma candidíase, por exemplo), pode ser entendido como tendo sido "pegado” o que, por si só, pode causar um certo estigma na mulher e na forma como encara a sua sexualidade.


publicado por servicodesaude às 21:08
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Sexualidade Feminina II - Idade e Desejo Sexual (tel.)

Telefonema de Maria Palma, 55 anos de Odivelas

Depois de se divorciar teve uma paixão “colorida” e só nesse momento é que considera ter aprendido a gostar de fazer amor e sexo.
Entretanto, fez uma histerectomia, ou seja, tirou o útero e os ovários. E também encontrou um novo amor, que designa de “mais calmo”. E diz ter fantasias com frutas, cheiros, perfumes, lingerie… E pergunta: “Será que é demais, que é doença?”
 
A ginecologista Lisa Vicente diz que ouve este tipo de relato vezes sem conta, em mulheres com 50, 60 ou 70 anos, que julgam não ser normais apenas por continuarem a ter desejo sexual numa certa idade: "Há um prazer inegável que esta mulher sente e um desejo de uma determinada performance".
 
A psicóloga Ana Carvalheira considera ainda existir um grande peso da tradição judaico-cristã, já que mesmo assim a telespectadora demonstrou sentir vergonha pelo facto de continuar a sentir desejo.
 
A ginecologista diz ainda que é comum em mulheres de uma certa idade já se sentirem mais confortáveis com o seu corpo e, se tiverem um parceiro de longa duração, também adquirem um certo conforto com o corpo do parceiro, conhecem-no e já sabem o que gostam e o que não gostam de experimentar.
 
Allen Gomes chama atenção para o facto da telespectadora ter tirado todos os órgãos femininos e, esse motivo, não ter implicado falta de desejo sexual: “Há outros factores psicológicos e relacionais que se sobrepõem a essas carências, insuficiências e alterações hormonais; inclusive uma boa vivência da sexualidade no passado”.
 


publicado por servicodesaude às 20:23
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Sexualidade Feminina II - Esposa com carcinoma

 
Telefonema de Óscar Rosas, 61 anos, de Oeiras:
O testemunho do marido conta que a esposa teve um carcinoma na mama há oito anos à qual se sucedeu uma mastectomia radical. E conta como o seu aspecto relacional e sexual se manteve inalterado.
Estão casados há 35 anos e têm dois filhos. Diz que nunca a deixará de apoiar e considera “uma crueldade o abandono da companheira num momento assim, em que esta se encontra particularmente frágil”.
 
Testemunho importante para se perceber que não existe um comportamento padrão e que as mulheres com uma doença deste tipo não são necessariamente abandonadas pelo seu parceiro, afirmaram todos os profissionais de saúde presentes em estúdio.



publicado por servicodesaude às 19:30
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Sexualidade Feminina II - Reacção e relação com o médico de família

De que forma é que um médico lida com a sexualidade de uma mulher que teve, por exemplo, um carcinoma da mama, tendo em conta que o seu primeiro objectivo é salvar vidas?

 
Eduardo Mendes, médico de família diz que há dez anos este tipo de questão passava despercebida nos serviços de Oncologia hospitalares. "Hoje já há consultas dirigidas para este tipo de problemas e mesmo os médicos de família estão muito mais alerta. As próprias mulheres colocam a questão em cima da mesa, não há como fugir".
 


publicado por servicodesaude às 18:33
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Sexualidade Feminina II - Falta de Desejo, Diabetes e Histerectomia (tel)

Telefonema de Margarida Gonçalves, 58 anos, do Seixal:

Tem imensa dificuldade em ter relações sexuais, apesar da boa relação com o marido.
Evita o contacto inventando desculpas como ter dores de cabeça, uma má digestão e ao ir deitar-se tardiamente, de forma propositada.
Nunca falou a médicos sobre o seu problema, nem ao de família. Questiona-se se estará relacionado com o facto de ter diabetes e de ter feito uma histerectomia há cerca de 12 anos.
Nunca tomou nenhum medicamento para a menopausa precoce que teve.
 
A ginecologista Lisa Vicente aponta o facto da senhora ter entrado em menopausa e ver-se subitamente privada de estrogéneos: “Basta ter dor e a lubrificação estar diminuída para a mulher evitar ter relações. Por outro lado, a própria diabetes também concorre com as questões da lubrificação".
 
Eduardo Mendes faz, por outro lado, questão em realçar: "Vi milagres com lubrificantes, apesar do pudor ainda existente. Cremes vaginais, com estrogéneos, para a secura do trato vaginal, ainda vá, agora quando se recomenda um lubrificante... ainda existem muitas barreiras a ultrapassar".


publicado por servicodesaude às 16:37
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Sexualidade Feminina II - Falta de Desejo, Diabetes e Histerectomia (tel)

Telefonema de Maria, 55 anos, de Parenhas da Beira

Relato de ausência de desejo e actividade sexual devido à existência de dores após mastectomia (efectuada há 10 anos).
O marido também teve um carcinoma mas continua a sentir desejo. Ela é que não, e sente um grande desconforto com esse facto. Nunca falou com nenhum profissional de saúde sobre o problema, nem mesmo com o seu médico de família.
 
Perante casos destes, de falta de actividade sexual durante tantos anos, Eduardo Mendes reforça a ideia de que "Há uma necessidade de reaprender a intimidade”.
 
Afirmação que valeu a concordância da psicóloga Ana Carvalheira: "Viu muitos médicos mas a situação não ficou resolvida. E é natural que esta mulher tenha a sua autoestima e a percepção sobre o corpo, muito abaladas. Há, efectivamente, uma grande necessidade de reapreender a viver em intimidade".


publicado por servicodesaude às 15:43
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Quinta-feira, 4 de Fevereiro de 2010
Gripe A - Ministério reduz encomenda de vacinas de seis para quatro milhões de doses

 A gripe A (H1N1) já matou 104 pessoas em Portugal. O número foi revelado no mesmo dia em que o Ministério da Saúde anunciou o cancelamento da encomenda de dois milhões de vacinas contra o vírus H1N1, de um total de seis milhões que tinham sido reservadas.

Segundo a tutela e a empresa fornecedora, a GlaxoSmithKline, não foram exigidas contrapartidas ao ministério por cancelar parte da encomenda, embora o contrato não antecipasse essa opção.
 
O número de doentes com gripe atendidos no Serviço Nacional de Saúde tem descido desde Novembro e na semana passada ficou-se pelas 2517. Mas o número de vítimas mortais já ultrapassa as 100: atingiu ontem as 104. Entre as seis novos mortos estão dois homens, de 42 e 54 anos, que eram saudáveis. Os restantes tinham factores de risco. Aliás, uma percentagem elevada das vítimas eram doentes de risco que se deviam ter vacinado, diz a tutela. É que dos 1,6 milhões de vacinas que chegaram ao País só foram usadas cerca de 500 mil.
 
Portugal encomendou seis milhões de vacinas, para proteger 30% da população, numa altura em que se pensava que seriam precisas duas doses por pessoa. Como só é necessária uma, o Governo reduziu a encomenda.
 
Amanhã vão fechar portas os três Serviços de Atendimento de Gripe A (SAG), da Madeira, porque a actividade do vírus "diminuiu drasticamente", justificou o Governo Regional. O mesmo tem vindo a acontecer noutros pontos do País, como Lisboa, onde os SAG encerraram ou reduziram o horário.
 

Fonte: Diário de Notícias

 


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publicado por servicodesaude às 17:16
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Terça-feira, 2 de Fevereiro de 2010
Sexualidade Feminina - Introdução (por Maria Elisa Domingues)

Não é vulgar referir a saúde sexual quando se fala de saúde em geral. Quanto muito isso acontece se existem problemas graves provocados por disfunções sexuais, em particular, dos homens.

 
A sexualidade feminina, mais reservada é, nos últimos anos, remetida para as páginas das revistas, muitas das quais a tratam com uma banalidade desconcertante e inconsequente, porventura bem longe das vivências da maioria das mulheres portuguesas que continuam com dificuldade em verbalizar as suas experiências no campo sexual.
 
Talvez por essa razão é raro lermos notícias sobre as listas de espera para as consultas de sexologia, embora todas as especialidades médicas sejam objecto de constantes críticas por tal razão.
 
No entanto, sabemos que a saúde é um todo, que o físico e o psíquico interagem de forma estreita. E se é inegável que o 25 de Abril, décadas atrás, trouxe novos comportamentos e atitudes às gerações mais velhas, os meios de comunicação, em particular a Internet, modificaram por completo a forma das mais novas encararem o sexo.
 
Hoje organizam-se reuniões de mulheres para vender objectos eróticos como antes se faziam para vender Tupperwares. Mas haverá na população feminina, em geral, novos comportamentos? E, se assim for, terá essa alteração contribuído, de forma positiva, para a saúde sexual das mulheres, tal como definida em 75 pela Organização Mundial de Saúde?
 
Fomos ouvir mulheres dos 18 aos 60 anos, com formação sociocultural diversa e de diferentes zonas do país. O resultado não terá validade científica mas é francamente curioso.


publicado por servicodesaude às 23:05
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Sexualidade Feminina - Apresentação dos Convidados

Dr. Francisco Allen Gomes – Psiquiatra, foi chefe do serviço de psiquiatria e responsável pela consulta de Sexologia dos Hospitais da Universidade de Coimbra, até 2001

 
Dra. Ana Alexandra Carvalheira – Doutorada em psicologia da sexualidade, psicóloga clínica e investigadora no campo da sexualidade feminina, em Portugal e no Canadá
 
Dr. Eduardo Mendes – Médico de família, director executivo do Agrupamento de Centros de Saúde do Oeste-Sul
 
Dra. Lisa Vicente – Especialista em Ginecologia e Obstetrícia, pós graduada em Medicina Sexual e responsável pela Consulta de Medicina Reprodutiva da Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal e, actualmente, chefe da divisão de Saúde Reprodutiva da Direcção-Geral de Saúde
 
 


publicado por servicodesaude às 22:09
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Sexualidade Feminina - Mudanças nos últimos anos - desejo, virgindade, masturbação

Hoje existe uma grande desinibição a falar de sexo e a utilizar brinquedos sexuais, eróticos, por parte das mulheres. Uma situação pouco expectável há cerca de 10 ou 15 anos.

 

No entanto, as mulheres parecem menos confortáveis quando se fala de desejo sexual.

Nenhuma mulher admite ter desejo apenas por ver um homem que considera interessante. Atitude porventura muito diferente da dos homens.
 
“Houve uma mudança brutal nos últimos anos”, considera o psiquiatra Allen Gomes. Mais: "As mudanças são estruturais, porque antes a virgindade da mulher era uma questão importante; hoje não é!"
 
O psiquiatra considera a existência de gerações charneira, as que agora rondam os 40, 50 anos, que se "libertaram". E salienta dois aspectos interessantes, o primeiro refere-se ao desejo espontâneo: "Muitas mulheres não o admitem ou apenas nos seus grandes períodos de paixão".
 
Há 10 anos, por outro lado, "diria que era mais fácil no contexto de intimidade de um consultório, uma mulher revelar uma relação extraconjugal do que uma masturbação".
 
Este comportamento não traduz apenas a acção da testosterona – que as mulheres também têm – mas houve uma transformação da sexualidade feminina mediada pelos afectos. "Agora, uma mulher masturba-se deliberadamente para obter prazer", admite o psiquiatra.
 
Lisa Vicente, ginecologista, diz que as pessoas não falam disso directamente numa consulta médica. E quando lhes é perguntado muitas dizem que não a praticam. "Depende muito da relação que cada um tem com o corpo", admitindo porém que hoje as mulheres já  procuram ter prazer sozinhas.

 

Há 20 anos não era fácil abordar este tema com as mulheres. Havia duas oportunidades; nas consultas de planeamento familiar (cuja idade média das mulheres começou a descer) e na gravidez. "A sexualidade durante a gravidez, po exemplo, sempre foi um tabu", comenta Eduardo Mendes, médico de família.

 



publicado por servicodesaude às 21:11
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Sexualidade Feminina - Doença incapacitante e outras formas de ter sexo

Telefonema Fátima Silva, 61 anos, do Porto

Marido tem uma doença: esclerose lateral miotrófica, doença rara que atrofia os músculos e que o afectou sexualmente. Há cerca de um ano e meio que não tem relações sexuais porque ele fica nervoso e muito cansado. Ela, ao saber disso, também fica nervosa, revoltada e angustiada. E prefere que o marido não lhe toque já que sente uma grande ansiedade e antecipa que a relação sexual irá correr mal.
 
“Uma coisa é a busca do prazer, da erecção e do orgasmo. Outra, é a busca da intimidade, de estar junto, de acariciar, da afeição”, diferencia Lisa Vicente, ginecologista.
 
“Em termos biológicos é inquestionável que a doença é incapacitante. No entanto, está a trabalhar-se para as expectativas de “como costumava ser”, “quase todos os dias”. E aí, com esta ou outra patologia, há uma frustração constante e a “antecipação da falha”, conclui, chamando atenção para a importância do casal poder falar do assunto, por exemplo, em terapia sexual.
 
“As pessoas podem não ter a sexualidade que tinham quando estavam bem, mas ainda há uma margem grande para os afectos, para o toque e para a satisfação sexual. Agora se a única forma paradigmática for o coito, em posição de missionária, ele provavelmente não pode fazê-lo”, acrescenta Allen Gomes.
 
Eduardo Mendes resume: “A sexualidade não se pode centrar na genitalidade. Os homens, ao contrário do que muita gente pensa não têm apenas prazer com a erecção, a penetração, o orgasmo e a ejaculação. É necessário explorar novas formas de satisfação e, acima de tudo, não estar um ano sem ter qualquer tipo de relação sexual – num sentido muito amplo – porque quebra o ciclo e cada vez vai ser mais difícil e maior o sofrimento” O médico de família deixa ainda um conselho: “ Aproveitem cada momento com o prazer que cada momento lhes dá”.


publicado por servicodesaude às 20:56
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Sexualidade Feminina - Rejeição sexual pelo marido (tel.)

Telefonema Maria, 48 anos, Paços de Ferreira

Foi operada no ano passado e a partir daí começou a notar que o marido a rejeita.
“Diz que já não sirvo para nada, que estou a ficar velha e isto magoa-me muito”.
Está a ter acompanhamento psicológico mas ainda não falou a nenhum médico sobre o que se passa a nível sexual porque não se sente à vontade.
 
Ana Alexandra Carvalheira, psicóloga, considera o contexto retratado de alguma hostilidade e agressividade. “Se o problema é central na vida dela ela tem mesmo que falar com o psicólogo ou o técnico que a acompanha e, eventualmente, convidar o companheiro a participar numa sessão conjunta”, diz, especulando ainda sobre a possibilidade de já existirem problemas na relação anteriores à cirurgia.
 
“Esse é apenas o móbil que justifica o afastamento físico, após a cirurgia, como acontece com outras doenças. Em cerca de 90% dos casos em que isso acontece há uma degradação prévia da relação”.
 
Quer o cancro da mama, quer a depressão, vão induzir na mulher uma maior dificuldade no relacionamento sexual, confirma Allen Gomes. “É um período de reajustamento, porque são doenças que acontecem muitas vezes num grupo etário que já está em crise; e o aparecimento da doença é demolidor”.


publicado por servicodesaude às 18:57
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Sexualidade Feminina - Efeitos da Depressão e das Cirurgias (mama ou ginecológica)

Lisa Ferreira Vicente, ginecologista, explica que a depressão tem dois lados. “A pessoa tende a relacionar-se menos com o meio, e com os outros, portanto, o relacionamento sexual fica diminuído”.

Depois, associado à depressão podem ainda estar sentimentos de diminuição da auto-estima, essencial no relacionamento, porque esta percepção interfere na sua imagem erótica e sexual.
No entanto, a ginecologista afirma que “nem todos os antidepressivos produzem necessariamente a diminuição do desejo”.
 
“Sabe-se que a depressão afecta o dobro das mulheres relativamente aos homens e que enquanto os antidepressivos podem até ter um efeito benéfico - de estabilizador da ejaculação - no caso dos homens; nas mulheres podem ter um efeito catastrófico”, contrapõe o psiquiatra Allen Gomes.
 
“Para além do cancro da mama e da depressão, a própria cirurgia ginecológica afecta certos imaginários. E muitas vezes o inicio da actividade sexual tarda”.


publicado por servicodesaude às 17:17
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Sexualidade Feminina - Desejo e Relação Extraconjugal (tel.)

Telefonema de Ana Simões, 50 anos, da Figueira da Foz:

Diz que tem um casamento feliz mas assume que continua a sentir um desejo espontâneo  fora da relação. Acha que é normal e sente-se bem. E diz que concretiza esse desejo, ou sozinha ou com a pessoa que é objecto do seu desejo.

Ou seja, admite que tem relações extra-conjugais, neste caso, uma. Diz que não se sente afectada, nem no seu casamento, mas questiona-se simultaneamente se será normal sentir-se assim aos 50 anos.
 
Allen Gomes acha que ela está satisfeita, logo, não precisa de ser consultada. Já a ginecologista Lisa Ferreira Vicente chama a atenção para uma pergunta recorrente; “Eu sou normal?”
 
Ana Alexandra Carvalheira, psicóloga pôe a enfâse no facto deste ser habitualmente um comportamento visto como masculino e desconfia que por detrás do que a telespectadora descreveu exista um certo sentimento de culpabilidade. "As mulheres hoje perseguem o seu objecto de desejo mas no fundo ainda persistem alguns padrões".
 
Padrões que, na sua opinião, são evidentes em certas áreas: "Isso é claro com o tema da masturbação. A mulher é educada duma forma muito mais restritiva e o homem é socializado de uma forma muito mais permissiva. Isto tem consequências ao nível do sexo".
 
Segundo a psicóloga isto gera nas mulheres mais sentimentos de culpa, vergonha e  embaraço. Para além de que " não se masturbam com tanta frequência e se o fazem, não assumem. E dessa forma deixam de conhecer o seu corpo".


publicado por servicodesaude às 16:28
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Sexualidade Feminina - Desejo e Excitação: “A Resposta Sexual das Mulheres – Um Estudo Português”

“As mulheres com prática da masturbação desde a adolescência têm uma possibilidade acrescida de alcançar o orgasmo com maior facilidade. Uma amostra com 3700 mulheres demonstrou isso e que tinham uma maior excitação sexual”, explica Ana Alexandra Carvalheira, psicóloga e autora de “A Resposta Sexual das Mulheres – Um Estudo Português”.

 
O estudo baseou-se numa amostragem de 3687 mulheres. A autora não considera que tenha o valor de amostragem porque foram recrutadas apenas mulheres que utilizam a Internet.
 
Entre as conclusões a que chegou salienta o facto de haver uma percentagem importante de mulheres que inicia a relação sexual sem ter vontade. “A vontade surge depois de a relação ter começado”.
 
Relativamente ao desejo, ele é, inquestionavelmente, muito mais flutuante nas mulheres. A diminuição do desejo sexual é a queixa mais frequente.
 
Por outro lado, salienta, “há uma certa sobreposição entre desejo e excitação sexual, que as mulheres têm dificuldade em distinguir”. Isto, apesar de existir a crença de que se deve iniciar a relação sexual quando se tem desejo e quando estão reunidos vários factores: sentirem-se queridas, compreendidas, terem mimos.
 
“Mas também não haver rotina, não estarem cansadas, bem dormidas, bem alimentadas, bem dispostas e com emoções positivas. Só quando estão reunidas um certo número de condições é que estão disponíveis para a actividade sexual”, remata a psicóloga..
 
Allen Gomes acrescenta que as mulheres têm multitarefas e, como tal, distraem-se com mais facilidade e saltam mais de uma tarefa para a outra. Ou seja, sexualmente, distraem-se muito.
 
E explica uma teoria sua: “Qualquer mulher, em qualquer idade e sociedade, tem que ser mais cautelosa porque numa relação sexual, a todos os níveis, a mulher corre riscos que o homem não corre: podem pagar o sexo com a morte – os homens só começaram a pensar nisso agora com o problema da SIDA e mesmo assim as mulheres têm uma maior probabilidade de serem tocadas - , elas é que engravidam, é que fazem o aborto e que têm que parir. E ainda são elas, muitas vezes, que perdem a reputação, porque se falou delas…”.
 
Por outro lado, diz ainda o psiquiatra, “as mulheres também sabem que quanto mais interessante e estimulante o parceiro é, mais riscos corre. Por conseguinte a distracção faz parte da sua defesa. Sabem que se deixam envolver, a certa altura, há um certo ponto sem retorno”.


publicado por servicodesaude às 15:55
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Sexualidade Feminina - Paraplégica e a descoberta da Internet e do Cybersexo

Telefonema de Joana Cruz, 35 anos, paraplégica, de Matosinhos:

É paraplégica há cerca de dois anos, devido a um acidente. No inicio preocupava-a a adaptação a uma nova realidade.
Tentou abordar algumas questões sobre sexo com enfermeiros e outros profissionais de saúde mas pensa que, para alguns, ainda constitui um tabu.
Foi educada segundo a religião judaico-cristã, transmitida pela mãe, na qual não deverá haver sexo sem amor.
Considera que muita gente, particularmente os jovens, não se apercebem que pessoas deficientes, por exemplo as que tiveram acidentes, ou os idosos, têm vida sexual.
 
"Através da Internet e depois de ter perdido a vergonha do meu corpo,  comecei a explorar,  a obter prazer através da masturbação. Depois de contactar com vários homens, não fisicamente, pela Internet, reparei que não havia um preconceito tão grande como estava à espera relativamente à minha limitação", conta.
 
Considera-se uma mulher atraente, recuperou a auto-estima e sente que também sabe conquistar e fazer o jogo da sedução. E diz ter algum sucesso. "Sei que tenho uma resposta positiva".
 
Ana Alexandra Carvalheira, psicóloga, e o psiquiatra Allen Gomes têm um estudo sobre o Cybersexo. Nesse estudo poderam concluir que cerca de 44% da amostragem são mulheres e 55% homens; talvez uma percentagem porventura diferente da esperada.
 
Ana Alexandra Carvalheira, psicóloga, considerou o testemunho da telespectadora extraordinário, "uma aprendizagem, uma descoberta excelente a partir da Internet, que considero um excelente instrumento para quem é portador de estigmas".
 
Bibliografia: “Paixão, Amor e Sexo”, da autoria de Francisco Allen Gomes, da editora Dom Quixote


publicado por servicodesaude às 14:57
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