Terça-feira, 12 de Maio de 2009
1º Ano do Bebé - Introdução (por Maria Elisa Domingues)

O Serviço de Saúde da RTP 1, do dia 12 de Maio de 2009, debruçou-se sobre um convidado muito especial: o bebé, no seu primeiro ano de vida.

Quer sejam pais, ou pensem vir a sê-lo, avós, educadores, profissionais de saúde, da segurança social, ou da justiça, este programa vai certamente interessar-vos.

 
Com a ajuda de especialistas, vamos falar das etapas mais importantes das vidas dos bebés, da importância dos afectos, em todas elas, dos problemas que podem surgir, do papel dos pais e, também, naturalmente, dos avós.
 
Mas não poderemos esquecer que às famílias tradicionais se junta um número cada vez maior de famílias monoparentais para quem a responsabilidade de um bebé pode ser uma carga excessiva.
 
Do mesmo modo, a pobreza, as doenças crónicas podem originar situações de grande stress ou de ruptura familiar que tenderão, naturalmente, a afectar a vida do recém-nascido.
 
Nascer é, na verdade, a maior das aventuras. E, embora o feto venha bem equipado para se defender, a justiça social e a diferença de oportunidades podem comprometer o seu futuro.
 

Estivémos na Maternidade Alfredo da Costa e no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, na Clínica de Santo António, na Reboleira e na Associação Bem-Estar Infantil, em Vila Franca de Xira, bem como no Centro Paroquial da Nossa Senhora da Anunciada, em Setúbal, com inúmeros bebés que, connosco, partilharam o seu primeiro choro ou os seus primeiros passos.



publicado por servicodesaude às 20:06
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1º Ano do Bebé - Reportagem

Joana é a mais nova de cinco irmãos. Hoje teve o maior desafio da sua curta existência: o confronto com o mundo exterior. Logo nos primeiros minutos são feitos vários exames.

Depois de várias semanas protegidos no ventre da mãe, os bebés têm agora que enfrentar uma realidade que requer vários cuidados, sobretudo se, como no caso das gémeas Francisca e Lara, o período de gestação for inferior a 37 semanas.
 
Mário Costa (pai de Lara e Francisca): “São pequeninas, nasceram só com 32 semanas, embora dentro do período de gestação já seja uma conquista. Como nasceram antes do tempo têm que ser vigiadas; se estão a comer, a respirar bem…”
 
Assim que nasceram foram transferidas para a Unidade de Cuidados Intensivos da Maternidade Alfredo da Costa. Com apenas uma semana já se notam traços distintos nas suas personalidades:
 
“Já noto algumas diferenças. A Lara mexe em tudo, está sempre a puxar os fios… A irmã é mais sossegada, embora de vez em quando também dê o ar da sua graça”.
 
As idas para casa ao fim do dia e a separação entre pais e filhas torna-se mais leve graças a um sistema que permite, via Internet, acompanhar a cada minuto tudo o que se passa com as gémeas.
 
Embora o nascimento seja um marco, a relação com o mundo exterior começou há muito tempo. Alguns dos reflexos primários são adquiridos durante o período intra uterino.
Com apenas dois dias e durante a primeira consulta, o Guilherme mostra alguns dos reflexos adquiridos:
 
João Gomes-Pedro (professor de pediatria): “É uma capacidade extraordinária do sistema nervoso central, de habituação aos estímulos sucessivos: o reflexo plantar, do tornozelo, o tónus do bebé, voltar à posição de flexão…
Claro que vai ter cólicas, como todos os bebés, mas ele tem estratégias para sair das situações, sozinho. Os bebés não são completamente indefesos e estão preparados para se reorganizar face às adversidades do dia-a-dia”.
 
Também o Tomás responde a todos os testes mas, dentro de pouco tempo, estes reflexos desaparecem para darem lugar a outras funções:
 
Eduarda Reis (pediatra Clínica de Santo António): “Quando bruscamente largado para trás, o bebé faz o sinal de abraço com os dois braços. Isto é normal e é simétrico. E depois o reflexo da marcha, outro reflexo primário que irá desaparecer.
Há ainda outro reflexo no período neonatal. Se eu estimular a zona paravertebral ele desvia a anca para o lado que eu acabei de estimular. Mas estas gracinhas vão desaparecer, são reflexos do nosso sistema nervoso mais primitivo”.
 
Aos 59 cm e quase seis quilos, o Afonso já consegue outras proezas.
Por volta das seis semanas os bebés começam a sorrir, reconhecem a voz e o cheiro dos pais e, além do choro, emitem uma série de sons que equivalem a expressões emocionais. Cabe a cada pai identificar o choro do seu filho.
 
Durante o primeiro ano, os bebés têm um calendário apertado no que toca às vacinas.
Este é o plano oficial em Portugal, mas não é igual em todos os países europeus ou nos Estados Unidos.
 
Programa Nacional de Vacinação 
 
Até aos 6 meses
À nascença
BCG – Vacina Contra a Tuberculose - dose única
VHB – Vacina Contra a Hepatite B - 1ª dose
 
Aos 2 meses
DTPa Hib VIP - Vacina Contra a difteria, o tétano, a tosse convulsa (DTPa), as doenças causadas pelo Haemofilus Influenzae b (Hib) e poliomielite (VIP) - 1ª dose
VHB - 2ª dose
 
Aos 3 meses - MenC - Vacina contra as doenças causadas por Neisseria meningitidis C - 1ª dose
 
Aos 4 meses - DTPa Hib VIP - 2ª dose
Aos 5 meses - MenC - 2ª dose
Aos 6 meses - DTPa Hib VIP - 3ª dose e VHB - 3ª dose
 
Muitas vezes a vacina é um episódio de tensão, tanto para os bebés como para os pais.
Há quatro meses nestas andanças, Ana Carolina, levada pela mão da avó, leva mais uma pica.
 
Quando atingem os cinco meses a maioria dos bebés enfrenta um novo desafio: a escola.
O Diogo tem cinco meses e há uma semana que vai para o infantário, numa das várias instituições privadas de solidariedade social espalhadas pelo país que prestam este serviço a pais trabalhadores.
A adaptação correu bem para o Diogo. Foi a mãe Susana quem mais sofreu com a nova etapa: “É horrível… Para eles quanto mais cedo se calhar até é bom, para nós é que é horrível, porque estivémos sempre com ele”.
 
Embora estejam mais expostos a doenças, na escola os bebés são estimulados constantemente, não só pelas profissionais que os acompanham, mas também pelas outras crianças. O convívio potencia o desenvolvimento de novas competências, a vários níveis.
 
Sandra Camolas (ajudante de acção educativa): “Ao fim ao cabo passamos uma grande parte do dia com eles e aqui apercebemo-nos, por vezes, mais rapidamente das coisas do que os pais em casa. Por exemplo a Inês, que é gémea da Raquel, começou a levantar-se mais cedo. A irmã era mais preguiçosa mas depois com muito estímulo, e como via que batíamos palmas, também se foi levantando”.
 
Para as famílias portuguesas a hipótese dos pais ficarem em casa a tomar conta do bebé é cada vez mais difícil mas a Madalena, aos seis meses, ainda não foi à escola.
 
Ana Morais Sarmento (mãe da Madalena): “Felizmente tenho o apoio da minha sogra, que fica com a Madalena, e para mim é um descanso. Claro que quero que ela vá para a escola. Vai em Setembro, já está inscrita. Se não houvesse outra hipótese ia para a cresce aos cinco meses, mas era muito mais violento”.
 
Com a idade da Madalena as crianças começam a criar mais mobilidade e para os pais é importante perceberem que a casa, da perspectiva de um adulto, é outra, muito diferente da perspectiva de um bebé.
 
Menos violenta tem sido a descoberta do mundo por parte da Rita e da Carolina.
É ao espelho que aprendem a reconhecer-se, a identificar os amigos e tudo o que existe para além delas. Esta fase é extremamente importante para o desenvolvimento dos bebés, pois é entre os sete e os oito meses que desenvolvem o conceito de permanência. Este ponto dará ao bebé um novo nível de confiança já que aprende, por exemplo, que mesmo quando os pais não estão ao alcance da vista, podem estar presentes.
 
Por volta dos nove meses começa uma nova etapa. Para o Rodrigo está na hora de começar a experimentar a verticalidade e a dar os primeiros passos. Nesta fase os bebés já desenvolveram a motricidade fina e é normal que comecem a procurar encontrar e a agarrar objectos.
 
Aos 12 meses o Joel já quase anda sozinho. Nasceu de uma gravidez de alto risco e os primeiros 14 dias de vida passou-os na unidade de cuidados intensivos da maternidade.
 
Georgeta Loureiro (mãe do Joel): “É uma criança bastante calma, é um bebé amável, brinca, não chateia e tem as coisas normais de todos os bebés: uma febrezinha quando estão a sair os dentes… Fora disso, está tudo em ordem; viémos agora da consulta e o médico disse que está tudo bem”.
 
Chegados ao final do primeiro ano, há certos sinais que podem ser alarmantes no desenvolvimento do bebé, como não aguentar o peso sobre os membros inferiores, permanecer imóvel ou não procurar mudar de posição. Mesmo assim, é importante lembrar que cada caso é um caso e que é fundamental a conversa entre pais, pediatras e, quando existem, profissionais de educação.
 
Dídia Tavares (coordenadora pedagógica “A Nuvem”): “Há muitas situações em que os pais estão ansiosos. Dizem: «O meu bebé tem um ano e não anda e o outro fez 11 meses e já anda». Aí temos que lhes dar exemplos de outras crianças que têm um ano e que também não andam e até outros que só começaram a andar aos 13 ou 14 meses e que são perfeitamente normais. Temos que descansar os pais para o facto de as crianças não serem todas iguais.”
 
Por isso fica a mensagem para os pais: estejam atentos mas não se preocupem, pois embora a ritmos diferentes, no final, todos chegarão onde devem chegar.
 
Etapas do Desenvolvimento
 
6 semanas
Começa a sorrir
Corresponde à face humana expressando agrado
Reconhece a voz e o cheiro dos pais
 
3 meses
Repara nas mãos
Agarra objectos
Estica-se para apanhar um brinquedo
 
6 meses
Rola sobre si próprio
Começa a sentar-se sem apoio
Brinca com os pés e leva-os à boca
 
9 meses
Responde pelo nome
Pode já dar uns passinhos, apoiado
Diz adeus e faz gracinhas
 
1 ano
Pode já andar
Pode dizer palavras com significado
Pode segurar um lápis na mão
 


publicado por servicodesaude às 19:11
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1º Ano do Bebé - Programa Nacional de Vacinação

Idades
Vacinas e respectivas doenças
0 nascimento
BCG (Tuberculose)
VHB – 1.ª dose (Hepatite B)
2 meses
VIP – 1.ª dose (Poliomielite)
DTPa – 1.ª dose (Difteria, Tétano, Tosse Convulsa)
Hib – 1.ª dose (doenças causadas por Haemophilus influenzae tipo b)
VHB – 2.ª dose (Hepatite B)
3 meses
MenC - 1ª dose (meningites e septicemias causadas pela bactéria meningococo)
4 meses
VIP – 2.ª dose (Poliomielite)
DTPa – 2.ª dose (Difteria, Tétano, Tosse Convulsa)
Hib – 2.ª dose (doenças causadas por Haemophilus influenzae tipo b)
5 meses
MenC - 2.ª dose (meningites e septicemias causadas pela bactéria meningococo)
6 meses
VIP – 3.ª dose (Poliomielite)
DTPa – 3.ª dose (Difteria, Tétano, Tosse Convulsa)
Hib – 3.ª dose (doenças causadas por Haemophilus influenzae tipo b) 
VHB – 3.ª dose (Hepatite B)
15 meses
VASPR – 1.ª dose (Sarampo, Parotidite, Rubéola)
MenC - 3.ª dose (meningites e septicemias causadas pela bactéria meningococo)
18 meses
DTPa – 4.ª dose (Difteria, Tétano, Tosse Convulsa)
Hib – 4.ª dose (doenças causadas por Haemophilus influenzae tipo b)

 Fonte: Ministério da Saúde



publicado por servicodesaude às 18:17
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1º Ano do Bebé - Apresentação dos convidados

Prof. Dr. João Gomes-Pedro – Pediatra clínico, director da Clínica Universitária de Pediatria do Hospital de Santa Maria

Iniciou o chamado método Brazelton em Portugal, na Clínica Universitária de Pediatria do Hospital de Santa Maria, o primeiro centro fora dos EUA.

 

Dra. Maria Amélia Silva - Enfermeira pediátrica

Trabalhou com recém-nascidos ao longo de 14 anos, na Neonatologia do Hospital de São Francisco de Xavier e, anteriormente, na Urgência Pediátrica do Hospital da Estefânia.
Hoje, dedica-se sobretudo ao trabalho comunitário, na direcção do Agrupamento dos Centros de Saúde da Amora, Seixal e Sesimbra.
 

Dra. Maria José Gonçalves – Pedopsiquiatra e psicanalista
Fundou e dirigiu a Unidade da Primeira Infância, no Departamento de Pedopsiquiatria do Hospital Dona Estefânia. Actualmente, é presidente da Associação “Ser Bebé".
 
Dra. Fátima Xerepe – Assistente social, pós-graduada em Direito de Menores e coordenadora da Assistência Social da Maternidade Alfredo da Costa, em Lisboa


publicado por servicodesaude às 17:30
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1º Ano do Bebé - Recém-nascido e o choro (1-2)

Os bebés, ao contrário do que muitas pessoas pensam, vêm munidos de muitas capacidades para enfrentar este grande desafio que é a vida, cheia de dificuldades e surpresas, nem sempre agradáveis…

Prof. Dr. João Gomes-Pedro (professor de pediatra): São extraordinárias as competências que um bebé de horas, ou dias de vida, já manifesta. E é importante fazer essa descoberta conjunta com os pais.
Os enfermeiros também desempenham um papel importantíssimo nesta viagem de descoberta, de aliança, logo no nascimento, e a seguir, nas primeiras horas e dias de vida, ao garantirem segurança e orgulho nas competências demonstradas pelo bebé e ao viabilizarem perguntas, num trabalho de aliança que vai começar com quem primeiro viu o bebé: os enfermeiros, mas também nos centros de saúde, nos consultórios e nos serviços de educação.
 
Em muitos casos o único interlocutor dos pais é o enfermeiro. E, nos casos em que os pais vão ao centro de saúde, o médico de clínica geral. Mas em Portugal, infelizmente, ainda há muitas crianças que não têm pediatra…
Uma das situações que mais preocupam os pais é o choro.
 
Um importante pediatra, Brazelton (“A criança e o choro – o Método Brazelton, de T. Berry Brazelton e Joshua D. Sparrow da editorial Presença), cujo método o senhor iniciou em Portugal - constituindo o primeiro centro fora dos EUA -, funciona na Clínica Pediátrica do Hospital de Santa Maria.
Ao lermos o livro deste autor ficamos com a impressão que se os pais olharem bem para o bebé, se estiverem atentos a todas as suas reacções e ao seu olhar, conseguem sempre descodificar as suas preocupações e, de algum modo, acalmá-lo através dos afectos. Mas eu, como mãe, tenho a experiência de que não é bem assim…
 
Prof. Dr. João Gomes-Pedro (professor de pediatra): Antes pensávamos que o desenvolvimento acontecia numa linha ascendente. Hoje sabemos que não é bem assim.
O desenvolvimento processa-se em etapas, em patamares, com paragens e saltos no desenvolvimento (resultado da maturação do sistema nervoso central), que coincidem com períodos de desorganização do bebé e mudanças bruscas que se projectam em toda a vida familiar.
Ora estes pontos de viragem são uma oportunidade para a preparação das etapas seguintes, entre os pais e os profissionais de educação. Para o bebé, são momentos de fortalecimento da confiança e de preparação para o futuro.
 
O choro é uma das linguagens do bebé. Às três semanas de vida, os bebés choram porque começam com as cólicas e estas são um motivo de desorganização.
Muitas vezes os pais dizem que já não aguentam mais. Mas esta é uma oportunidade de reflexão sobre o que está a acontecer ao bebé e sobre o que podem fazer para aliviar este choro incómodo que não os deixa descansar. E também é uma oportunidade para construirem uma base de segurança para o próximo ponto de viragem que pode ser aos dois, aos quatro ou aos seis meses.


publicado por servicodesaude às 16:32
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1º Ano do bebé - Recém-nascido e o choro (2-2)

Vamos a situações concretas. Existem muitos pais que vivem com grande ansiedade a situação do choro. Não é fácil saber se são as cólicas, porque os pais dão aquelas gotinhas e, por vezes, o bebé continua a chorar…

Dra. Maria Amélia Silva (enfermeira pediátrica): Não sei se é fácil ou difícil. É importante perceber como aquela família fala do recém-nascido, como o acolhe, se olham para ele, se os pais o abraçam, se o chamam pelo nome, se referem a parecença com algum membro da família. São tudo pistas de como aquela família está a acolher a criança.
 
A questão do choro tem a ver com o irmos conhecendo o bebé e irmos dando competências aos pais para que eles também o conheçam. Porque cada choro significa uma necessidade. E quando ele perceber, aos dois ou aos quatro meses, num dos tais pontos de viragem, que se chorar, alguém lhe satisfaz essa necessidade e lhe dá atenção, isso permite-nos perceber que estamos num desenvolvimento adequado.

E o papel dos profissionais de saúde é irem preparando os pais para estes momentos do desenvolvimento do seu filho.



publicado por servicodesaude às 15:36
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1º Ano do Bebé - Recém-nascido e famílias monoparentais (1-2)

Tem uma experiência muito grande, resultado do seu trabalho com recém-nascidos ao longo de 14 anos, na Neonatologia do Hospital de São Francisco de Xavier e, anteriormente, na Urgência Pediátrica do Hospital da Estefânia. Hoje, dedica-se sobretudo ao trabalho comunitário, na direcção do Agrupamento dos Centros de Saúde da Amora, Seixal e Sesimbra.

Nesse seu trabalho comunitário, como é que as pessoas de famílias mais carenciadas lidam com o bebé nestas várias fases, por exemplo, quando os bebés choram e nada os parece fazer calar? E qual é o papel do enfermeiro?
Dra. Maria Amélia Silva (enfermeira pediátrica): É muito importante dar competências a estes pais para que possam acompanhar o desenvolvimento do bebé. E, sobretudo, ao nível dos cuidados de saúde primários, voltou-se muito às visitas domiciliárias no puerpério.
A primeira visita ao recém-nascido é feita no domicílio. E aí apercebermo-nos muitas vezes até das dificuldades económicas que não transparecem quando os pais vêm a uma consulta no centro de saúde. E também da saúde mental da mãe, enquanto parturiente, durante a fase do puerpério.
 
Por outro lado, com a nova reforma dos cuidados de saúde primários, os centros de saúde estão a apostar muito no enfermeiro de família: aquele que presta cuidados ao longo do ciclo de vida. Ou seja, acompanha a mãe e aquela família no seu processo de gestação, numa equipa conjunta com o médico de família. Desta forma consegue perceber algumas das ansiedades da futura mãe, logo no momento da gravidez e, depois,  será essa mesma enfermeira que acompanhará o recém-nascido no puerpério.


publicado por servicodesaude às 14:37
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1º Ano do Bebé - Recém–nascido e famílias monoparentais (2-2)

A Dra. Maria José Gonçalves é pedopsiquiatra e psicanalista, fundou e dirigiu a Unidade da Primeira Infância, no Departamento de Pedopsiquiatria do Hospital Dona Estefânia. Actualmente, é presidente da Associação “Ser Bebé”.

Nestas situações de famílias monoparentais ou de disfunções, que vão com certeza perturbar a vida inicial do bebé, o que é que se pode fazer para que a situação do bebé seja o menos agravada possível?
Dra. Maria José Gonçalves (pedopsiquiatra e psicanalista): Ainda em relação ao choro, os bebés choram porque têm necessidades, logo, é importante que se percebam e se acolham essas necessidades. É nessa resposta, dos pais ou de quem deles cuida, que o bebé começa a ter mais consciência de si próprio.
Mas também é preciso perceber que os bebés são diferentes e que há uns muito difíceis de acalmar. Como o Brazelton diz “é preciso ajudar os pais a conhecê-los”.
Os pais, os adultos, têm habitualmente competências para lidar com os bebés, mas há bebés com necessidades especiais e é preciso ajudar os pais a lidar com elas. Depois, para além desta ajuda profissional, também é fundamental o apoio da família alargada porque não há mãe nenhuma que possa estar 24 horas a tomar conta de um bebé.
E esse é o problema das famílias monoparentais. Muitas vezes criam-se ciclos viciosos porque as mães ficam completamente esgotadas no seu trabalho e o apoio psicossocial, da família, de um terceiro elemento que possa dar suporte à mãe é também permitir-lhe adquirir cada vez mais conhecimentos sobre o seu bebé.
 
A maior parte dos livros de pediatria referem-se a famílias ideais, mas hoje a realidade é cada vez menos essa. Quando se trata de famílias monoparentais a grande maior parte são constituidas por mulheres que vivem sozinhas com as crianças, que acabaram por se separar ou divorciar dos seus companheiros, muitas vezes antes do termo da gravidez e que não podem estar com elas 24 horas por dia. E que se despedem dos bebés, com grande desespero, à porta das creches ou dos infantários.
No entanto, sabemos que não existem creches em número suficiente e as crianças ficam muitas vezes em amas que, por sua vez, são pessoas muito menos treinadas para tratar dos bebés.
No livro “Para um sentido de coerência da criança”, da Editorial Europa-América, o Prof. Dr. João Gomes-Pedro diz que quando deviam ser as pessoas mais competentes a tratar dos bebés, é o contrário que se passa. São pessoas muito pouco diferenciadas, em alguns casos menos bem pagas que uma mulher a dias…
Prof. Dr. João Gomes-Pedro (professor de pediatria): Há hoje uma grande necessidade de respeitar e dar prioridade ao bebé. É o que se está a tentar fazer com as visitas domiciliárias e também nos serviços de educação. No fundo, é a possibilidade de ajudar uma mãe sozinha, uma família, de maior ou menor risco, a ler os sinais dos bebés. Eles mostram o que querem mas é preciso saber ler esses sinais. A nossa função, dos profissionais de saúde e de educação, é ajudar a saber ler o comportamento do bebé.
 

Há bebés com os movimentos descoordenados dos membros superiores ou inferiores e, por vezes, basta conter um bocadinho o bebé nos abraços, e ele olha para nós e como que diz “obrigado, que bom, era mesmo isto que eu precisava”. E os pais vêm resolvidas muitas das suas ansiedades porque sentem que têm no profissional de saúde um aliado que partilha das suas preocupações.



publicado por servicodesaude às 13:40
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1º Ano do Bebé - Ida para a creche

Telefonema Sónia Guerreiro, 32 anos, de Lisboa

Apesar de ter a possibilidade de ficar em casa com a minha filha, que tem actualmente cinco meses, gostava de saber qual é a idade ideal para a entrada de uma criança na creche. Penso que é importante a socialização com outras crianças e não sei se o vínculo apenas aos pais não será excessivo…
 
A criança tem mesmo que ir para a creche?
Prof. Dr. João Gomes-Pedro (professor de pediatria): O vínculo do bebé aos pais nunca é demais; a confiança, o ser amado, vão ser determinantes. A forma com vai ver os outros no futuro, a família, os educadores, depende muito da construção de uma relação de amor e dos afectos nos primeiros tempos de vida.
A socialização surge no segundo ano de vida. Mas cada caso é um caso, e o comportamento e desenvolvimento do bebé, a situação familiar, as fantasias e as expectativas de cada mãe e de cada pai, e até a existência, ou não, dos avós ou de alguém que ajude, são variáveis múltiplas.
 
Então este bebé não necessita de entrar já na creche?
Sim, se a mãe até tem a possibilidade de ficar em casa e promover uma relação íntima, devia aproveitar essa oportunidade que nem todos têm.
 
Dra. Maria José Gonçalves (pedopsiquiatra e psicanalista): Estou de acordo. E também no que toca a cada caso ser um caso, porque termos sempre que avaliar diversas variáveis.
E apesar de tudo, a partir dos 24 meses a criança já tem uma certa autonomia. Sobretudo se já não usa fraldas, que dificultam um pouco mais. É importante o contacto não apenas com outros adultos, mas sobretudo com os seus pares.
Antes dos 24 meses isto tudo não faz muito sentido, mas na maior parte das vezes não têm outra possibilidade e têm mesmo que ir para a creche.  


publicado por servicodesaude às 12:51
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1º Ano do Bebé - Licença de maternidade e amamentação

Telefonema Luís Pinto, 31 anos, de Estarreja:

Sou pai há dois meses, de um menino, o Luís. Nasceu no Hospital de Santa Maria da Feira, correu tudo bem, mas nasceu com pouco peso e teve que estar na Neonatologia.
 
Fomos a uma consulta de pediatria do primeiro mês e o médico aconselhou que se houvesse essa possibilidade, até aos seis meses, só se alimentasse com o leite materno. Mas a mãe só tem licença de parto até aos quatro meses, logo, como é que isso será possível nos restantes dois meses?
Dra. Fátima Xerepe (assistente social): Ela poderá, possivelmente, pedir uma licença sem vencimento para poder ficar com a criança em casa, senão não há outra hipótese. Os apoios sociais nestas situações são muito débeis para as mulheres, que precisavam de ficar seis ou sete meses em casa para poderem proporcionar um desenvolvimento harmonioso aos seus filhos. No entanto, o período de licença de maternidade tem vindo a ser aumentado e agora é de cinco meses.
Noutros países, nomeadamente nos países escandinavos, esse período é maior. O que podemos esperar é que no futuro, entre nós, este período possa ser ainda mais alargado.
Prof. Dr. João Gomes-Pedro (professor de pediatria): Em alguns casos as mães conseguem juntar aos cinco meses de licença de parto, o seu período de férias, perfazendo assim os tais seis meses.
Gostaria ainda de realçar o papel do pediatra na promoção do aleitamento materno, logo na fase pré-natal, quer na consulta de gravidez, quer depois em pediatria, nas quais a alimentação constitui um dos temas “obrigatórios” da conversa.


publicado por servicodesaude às 12:44
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1º Ano do Bebé - Licença de maternidade e ida creche

Dra. Maria José Gonçalves (pedopsiquiatra e psicanalista): Acerca da ida das crianças para as creches aos cinco meses, o melhor seria aumentar a licença de maternidade, pelo menos até ao um ano de idade.

Existem muito boas creches, mas até aos cinco meses as crianças não aproveitam tanto a socialização e tiram muito mais proveito do contacto directo com a mãe, com o pai, com a família, porque a relação é muito mais próxima. E a leitura dos sinais e as respostas são muito mais individualizadas, o que ajuda a criança a desenvolver-se melhor.
 
Uma das questões que as creches levantam é, desde logo, o número de crianças que cada profissional tem a seu cargo que, muitas vezes, não é o mais indicado. Por vezes não têm muito mais tempo disponível para além daquele que é dispendido a mudar as fraldas, a dar a alimentação, restando pouco tempo para brincar…
Dra. Maria José Gonçalves (pedopsiquiatra e psicanalista): E, sobretudo, dar aquela atenção, personalizada. O ideal seria aumentar o período de licença da maternidade.
 

Dra. Maria Amélia Silva (enfermeira pediátrica): É também a minha opinião, mas sabemos como é difícil nos empregos e, neste momento, nada aponta que se possa ir nesse sentido.



publicado por servicodesaude às 11:46
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1º Ano do Bebé - Auto-consolação: chucha, dedo e fralda

Falámos há pouco da importância da leitura dos sinais que o bebé fornece…

Prof. Dr. João Gomes-Pedro (professor de pediatria): Cada bebé tem as suas estratégias de auto-consolação, para se reorganizar. O grande desafio é este: desorganização/reorganização. E muitos bebés gostam de levar as mãos à boca para chuchar e são, por exemplo, contrariados com uma chucha.
 
E há pais que pensam que se o bebé tiver o polegar muito tempo na boca ficará com o dedo muito grosso…
Não tem importância nenhuma. No fundo, há que facilitar as suas próprias auto-estratégias para ele se organizar. E assim, a família também sente mais confiança e orgulho nas competências do bebé pelo facto de utilizar as suas próprias mãos para se consolar, por exemplo, quando adormece e não encontra a chucha.
Há outros que preferem chupar a fralda…
Dra. Maria Amélia Silva (enfermeira pediátrica): Sim, e muitas vezes aquilo que para nós é uma fralda que já está muito suja, para eles é importante que contenha aquele cheiro.
 
É uma das funções mais desenvolvidas nos bebés, o olfacto? É a partir do cheiro que começam por reconhecer as mães?

Dra. Maria Amélia Silva (enfermeira pediátrica): Sim, a partir do cheiro e do tacto, obviamente. Mas os objectos de transição são muito importantes porque dão-lhes segurança. Não interessa se para o sítio onde o bebé vai não precisar de os levar. Para o bebé eles são importantes. De vez em quando têm que ser lavados, mas são muito securizantes.



publicado por servicodesaude às 10:48
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1º Ano do Bebé - O papel dos avós

Há uma outra presença que pode ser securizante, que são os avós.

“A razão dos avós” – A importância dos avós na família, de Daniel Sampaio, das Edições Caminho, é uma viagem pela própria família do autor, em que ele defende que não somos nada sem o nosso passado, as nossas raízes. E os avós ajudam a passar essa mensagem, os rituais familiares, as crenças religiosas…
O que pensa relativamente ao papel dos avós?
Dra. Maria José Gonçalves (pedopsiquiatra e psicanalista): A presença dos avós directamente junto dos bebés, mas também dando apoio aos pais, é de facto extremamente importante.
Há 20 anos, quando Brazelton esteve a primeira vez em Portugal, admirava-se e congratulava-se com a nossa cultura, que ainda contava muito com a presença dos avós e que ainda possuía muitas famílias alargadas, ao contrário do que se passava nos EUA, em que os jovens estavam muito sós.
De facto, a importância dos avós tem a ver com a transmissão cultural, a transmissão do saber ser mãe, dos hábitos maternos, que são passados às filhas e às noras, e que lhes dá confiança. Para além de transmitirem coesão à família e socialmente.
 
Prof. Dr. João Gomes-Pedro (professor de pediatria): Os pais são os peritos e os avós são os “mais que peritos” porque eles fornecem paixão no dia-a-dia e constituem uma dupla peritagem. E promovem muito mimo.
 
O mimo dos avós nunca é demasiado? Às vezes os próprios pais queixam-se que os seus pais estragam os seus filhos com mimos a mais…
Dra. Maria José Gonçalves (pedopsiquiatra e psicanalista): Não. O mimo dos pais e dos avós nunca é demasiado. Mas depende: se os avós se substituem aos pais…

Agora se os pais são os líderes da situação e os avós estão ali para amparar um pouco o bebé, numa tarde, numa manhã, para os levar à escola; são situações pontuais. Se estão entregues aos avós, eles têm que fazer o papel de pais, que é, apesar de tudo, educar.



publicado por servicodesaude às 09:50
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1º Ano do Bebé - Risco à nascença: negligência ou maus tratos

Infelizmente, a realidade dos bebés não é sempre a que gostaríamos, a de terem sempre carinho e amor…

Várias crianças são todos os anos consideradas em risco e algumas conseguem ser reabsorvidas pela família, graças à vossa intervenção terapêutica, mas outras têm mesmo que ser institucionalizadas, que é sempre a pior das soluções para os bebés.
Só na Maternidade Alfredo da Costa, no ano passado, 420 crianças foram consideradas em risco, para não falar dos números das próprias comissões de protecção de crianças e jovens, que são na ordem dos milhares; vitimas de maus tratos psicológicos, maus tratos físicos, de abandono, de abuso sexual, etc.
 
Porque é que há tantas crianças em risco, logo quando nascem?
Dra. Fátima Xerepe (coordenadora da Assistência Social da Maternidade Alfredo da Costa, em Lisboa, assistente social e pós-graduada em Direito de Menores): Porque provavelmente há muitas mulheres e muitas mães que não desejaram os seus bebés. Há muitas crianças com factores de risco social, como vimos pelas 420 crianças consideradas em risco, só na Maternidade Alfredo da Costa, no ano passado.
Felizmente, conseguimos que mais de 70% saíssem da maternidade para as suas famílias de origem e apenas um pequeno número foi institucionalizado.
 
À partida, quando a mulher entra na Maternidade Alfredo da Costa tem um acompanhamento psicossocial. E não só a mulher, o apoio é concedido aos dois pais. Vamos tentando proporcionar o que necessitam e a aprendizagem das competências para serem “mais pais” e “mais mães”. Essa é a nossa grande preocupação.
No entanto, há mulheres muito sozinhas, com uma baixa auto-estima, uma pobreza extrema, em que por muito apoio que queiram dar aquela criança, são incapazes, porque elas próprias não estão estruturadas e as crianças têm que entrar temporariamente numa instituição. Por vezes, com a própria mãe.
Em outras situações, verificamos que as mulheres têm a sua capacidade materna muito debilitada. Elas querem muito ter um filho mas não sabem ser mães. E é aí que o apoio e a intervenção social têm que ser feitos junto das famílias, no sentido do superior interesse das crianças.
A nossa grande preocupação é a detecção precoce dos factores de risco, para que quando aquela criança sai do hospital não sofra nem negligências nem maus tratos.
 
Infelizmente, não há uma parceria assim tão grande com outras entidades, nomeadamente com as Misericórdias e com a Segurança Social porque, como me disse, algumas mulheres já estão a ser seguidas antes de chegarem à maternidade, mas essas situações não vos são apontadas.
Se esse trabalho em rede fosse mais significativo, porventura poderiam detectar mais situações ou saber antecipadamente o que se estava a passar?
Dra. Fátima Xerepe (coordenadora da assistência social da Maternidade Alfredo da Costa, em Lisboa, assistente social e pós-graduada em Direito de Menores): Muito se tem feito ultimamente no que diz respeito á articulação dos vários intervenientes, nomeadamente com os Centros de Saúde.
Quando as crianças saíem da Maternidade Alfredo da Costa há uma grande articulação com os Centros de Saúde da área. Todas as crianças são sinalizadas e há um feedback mútuo.
Relativamente à Segurança Social e à Misericórdia de Lisboa, esta articulação é um pouco mais débil e fracassada porque os técnicos ainda não têm o entendimento que gostaríamos, mas pensamos que iremos caminhar nesse sentido.


publicado por servicodesaude às 07:53
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1º Ano do Bebé - Maus tratos ou simples bofetada

Telefonema de Orlando Pinto, 52 anos, da Figueira da Foz:

"Fui vítima de maus tratos, em criança, por parte do meu pai. Fez-me torturas, pôs-me na rua e batia-me na cabeça. Tenho muita pena das crianças que sofrem e que mais tarde vão sentir isso pela vida fora".
 
Este senhor, que terá sido vítima de maus tratos, sobre os quais não poderemos avaliar a dimensão, refere a questão dos pais baterem nos filhos.
Os pais que dão uma bofetada nos filhos achando que isso pode resolver melhor a situação do que qualquer outra atitude é, para si, completamente errado...
Prof. Dr. João Gomes-Pedro (professor de pediatria): Sou completamente contra. Se a atitude for, desde o inicio, a de ter respeito e de tentar, em harmonia, encontrar soluções para cada caso e de criar confiança (mesmo às três semanas e depois por aí fora, aos dois, aos quatro meses), os pais verificam que há soluções variadíssimas.
 
Sobre o facto de muitas mulheres não se sentirem preparadas para ser mães, gostava de referir a importância da consulta pré-natal, centrada na criança, no bebé, porque é desde muito cedo que se prepara a mãe e o pai para a paixão de serem pais e para estas soluções encontradas em conjunto.
Na consulta pré-natal planeia-se o que se vai passar no parto mas também aquilo que se vai passar a seguir, antecipando por exemplo a questão das cólicas.
 
Dra. Maria José Gonçalves (pedopsiquiatra e psicanalista): Este trabalho pré-natal, das visitas domiciliárias, é muito importante, porque detectam-se estas situações de risco e previnem-se os futuros maus tratos nas crianças.
 

Dra. Maria Amélia Silva (enfermeira pediátrica): Muitas vezes é a falta de comunicação entre algumas instituições que impede a antecipação da resolução de alguns problemas e que não permite o encadear do acompanhamento destas situações.



publicado por servicodesaude às 06:56
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1º Ano do Bebé - Bibliografia

“A Criança e o Choro – o Método Brazelton", de T. Berry Brazelton e Joshua D. Sparrow da editorial Presença)

“O Grande Livro do Bebé”, de T. Berry Brazelton

“Para um Sentido de Coerência da Criança”, do Prof. Dr. João Gomes-Pedro, editado pela Europa-América
“O Grande Livro do Bebé – O Primeiro Ano de Vida", do pediatra Mário Cordeiro, editado pela Esfera dos Livros
“Bésame Mucho - Como criar os seus Filhos com Amor", do médico espanhol Carlos Gonzalez, da editora Pergaminho
“Onde Vamos Papá?", do jornalista e realizador francês Jean Louis Fournier (Prémio Femina 2008), editado pela Guerra e Paz:
 
“Dedico-o a todos os pais que, como ele, não tiveram um filho saudável e que tiveram um filho com deficiência. Este livro é um grito contra o preconceito relativamente a essas crianças” (Maria Elisa Domingues)


publicado por servicodesaude às 05:00
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1º Ano do Bebé - Links e telefones de interesse

Número Nacional de Socorro - Tel: 112

Centro de Informação Antivenenos (Centro de intoxicações) - Tel: 808 25 01 43
Saúde 24 / Dói-dói, Trim-Trim - Tel: 808 24 24 00
Farmácias de Serviço – Tel: 118 ou 12 118
Associação para a Promoção da Segurança Infantil (APSI) / Tel: 218 870 161
S.O.S. Criança - Tel: 800 202 851 / 217 931 817
Instituto de Apoio à Criança – www.iacrianca.pt / Tel: 213 817 880
Associação Portuguesa de Apoio à Vitima (APAV) Tel: 707 20 00 77
Associação Portuguesa de Apoio ao Bebé Prematuro

 

Programa Nacional de Vacinação  
Método Brazelton / Livros (Brazelton)
 
 


publicado por servicodesaude às 04:08
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1º Ano do Bebé - Pedopsiquiatria e formação magistrados

Um médico, Dr. Mário Albuquerque pergunta:

Qual é a formação dos magistrados, na área da Psicologia do Desenvolvimento para lidarem com a questão dos abusos às crianças? E qual o parecer da Pediatria da Ordem dos Médicos, sobre este assunto?
Um assunto muito importante, já que há casos em que um parecer de um pedopsiquiatra foi ignorado por um juiz…
 
Dr. Álvaro de Carvalho (Coordenação Nacional de Saúde Mental): O colega fala da Pediatria mas acho que é mais uma questão da Pedopsiquiatria.
É um assunto muito importante. Tanto quanto consegui aperceber-me, numa licenciatura em Direito não há nenhuma cadeira sobre os direitos das crianças. Há apenas algumas abordagens em pós-graduações.
E nos Centros de Estudos Judiciários também não, para onde vão só os licenciados em Direito e, portanto, não terão tido essa sensibilização prévia. Até nos anos em que o Sr. Armando Leandro e o Dr. Laborinho Lúcio foram grandes impulsionadores do CEJ, e tinham uma grande sensibilidade para estas questões.
Até aí os juízes consideravam-se os peritos dos peritos. Há muitas áreas em que isso acontece, mas eu enquanto psiquiatra não me sinto competente para dar um parecer sobre cirurgia ou cardiologia.
Nas decisões médico-legais em que tenho intervido, constatei que há uma posição de certos magistrados, de uma certa omnipotência, e não procuram ouvir a posição dos peritos, quer sejam pedopsiquiatras, quer sejam pediatras, num tempo em que a multidisciplinaridade e a complementaridade das ciências são fundamentais.
Há a necessidade de haver em Portugal uma figura que seja transversal a todas essas situações que é a figura do Provedor da Criança. Somos dos poucos países da Europa que não a tem.
E seria bom que os políticos pudessem de facto criar essa figura; alguém que chame a atenção para as faculdades de Direito, para os Centros de Estudos Judiciários, da Ordem dos Médicos e da Ordem dos Advogados, para a importância de, nesta área tão sensível, haver interdisciplinaridade, diálogo e respeito entre os vários saberes.


publicado por servicodesaude às 03:08
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