Terça-feira, 16 de Junho de 2009
Saúde Oral - Prevenção nas escolas: escovagem e flúor

Há algum tempo, nos infantários e nas escolas primárias, ensinava-se às crianças muito pequenas a escovar os dentes. E elas faziam-no. Depois, não sei se foi decretado, ou se simplesmente passou a ser assim, passou a circular uma noção de perigo, de que as crianças poderiam ser cantagiadas com doenças como hepatites, Sida, ou outras, através da troca de escovas.

E as crianças deixaram de escovar os dentes nos infantários, nas escolas, nos colégios... Mas, na verdade, como sabemos, os bebés agarram as chupetas uns dos outros, apanham coisas do chão e pôem na boca, não havendo um acompanhante para cada criança em cada infantário.
Haverá alguma vantagem em desincentivar a escovagem dos dentes nos infantários e nas escolas?
Drª Rosário Malheiro: Não, penso mesmo que é das situações mais graves do ponto de vista da saúde pública. Existem vantagens conhecidas – e que constituem uma evidência científica – sobre a relevância de escovar os dentes pelo menos duas vezes por dia, utilizando pastas com flúor, desde a existência do primeiro dente. Logo, é evidente que é um retrocesso brutal relativamente a todas as crianças que já não tenham esse tipo de cuidados.
É uma falsidade que essa prática não deva ser seguida; pelo contrário. E foi durante muitos anos uma prática incentivada pela DGS, a de implementar estas medidas de uma forma tão extensa quanto possível. Para além disso, são brutais os ganhos em saúde que se obtêm com a implementação destas práticas.
As crianças devem ter nas escolas a sua escova de dentes, a sua pasta de dentes fluoretada, para terem os dois factores de protecção bem geridos.
 
O melhor factor de protecção é então escovar os dentes com uma pasta que contenha flúor?
Drª Rosário Malheiro: O recurso ao flúor é o maior factor de protecção das superfícies dentárias. Os fluoretos são factores de remineralização dos dentes e são factor de um eventual estacionamento e protecção das cáries. O contacto com o flúor é de facto uma grande medida de saúde pública.
 
Mas não estamos propriamente a falar de tomar comprimidos de flúor ou de bebidas que dizem conter flúor, apenas por uma questão de marketing?
Drª Rosário Malheiro: O mundo está por assim dizer dividido em duas facções científicas. Nos E.U.A., por exemplo, continua a advogar-se a fluoretação das águas e com demonstrações de sucesso. A visão europeia da questão, que assenta em estudos epidemiológicos, não tem essa leitura.
Na verdade, se a criança não tiver nenhum tipo de protecção com fluoretos na sua pasta de dentes, certamente lucrará alguma coisa com a água fluoretada, se isso constituir o seu único contacto com o flúor. Mas se a pasta contiver flúor, é evidente que será mais eficaz.
 


publicado por servicodesaude às 09:00
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