Terça-feira, 9 de Junho de 2009
Doenças Hematológicas - Introdução (por Maria Elisa Domingues)

O programa Serviço de Saúde, da RTP 1, do dia 9 de Junho de 2009, debruçou-se sobre as Doenças do Sangue, em particular as mais frequentes, como as anemias, a hemofilia, as leucemias e os linfomas.

 

Apenas os nomes, em alguns casos, despertam legítimos terrores. No entanto, a esperança de vencer estas patologias, mesmo as mais graves, não pára de aumentar.

Todos recordam a resposta mobilizadora que o país deu ao drama da pequena Marta, de 5 anos, que precisava desesperadamente de um dador de medula. Já antes, casos como o de Inês Botelho, em 2003, suscitaram grandes movimentos de adesão de dadores. Mas subsistem dúvidas, temores e, sobretudo, todos os dias, aqui ou em qualquer parte do mundo, novos doentes esperam ansiosamente a generosidade de alguém para não morrer.
Antes de debatermos as questões de fundo, vamos ver a nossa reportagem que nos levou, entre outros locais, ao Hospital de Vila Real.



publicado por servicodesaude às 23:59
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Doenças Hematológicas - Convidados do programa

Prof. Dr. António Parreira - Hematologista, director do Departamento de Hematologia do IPO de Lisboa, presidente do Conselho Científico da Associação Portuguesa Contra a Leucemia, além de professor de Hematologia na Faculdade de Ciências Médicas de Lisboa.

Drª Inês Nolasco - Hematologista pós-graduada. Foi chefe de Serviço de Hematologia do IPO de Lisboa até 2007, quando se reformou.
Drª Letícia Ribeiro - Hematologista, presidente da Sociedade Portuguesa de Hematologia e directora do Departamento de Hematologia do Centro Hospitalar de Coimbra.
 
Outros convidados:
Dr. João Nascimento - Director clínico do Instituto de Retina e Diabetes Ocular de Lisboa, que responde às perguntas relativas ao programa anterior, sobre doenças oftalmológicas.
Dr. Álvaro de Carvalho - Coordenador Nacional de Saúde Mental, convidado residente em todos os programas.


publicado por servicodesaude às 23:58
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Doenças Hematológicas - Escassez de hematologistas em Portugal: causas

A abertura do serviço de Hematologia no Hospital de Vila Real, corresponde a um colmatar de escassez de hematologistas que existe no país ou, pelo menos, à sua distribuição harmoniosa...

Prof. Dr. António Parreira: Temos de facto poucos hematologistas; somos provavelmente cerca de 100 por todo o país, o que é um número relativamente menor, se compararmos com a maior parte dos países europeus. A Grécia, que possui uma população comparável à nossa, possui cerca de 600 hematologistas.
O problema está relacionado com diversas circunstâncias, mas essencialmente porque os centros de formação nesta especialidade estão muito centralizados nos três grandes centros populacionais: Lisboa, Porto e Coimbra, onde se situam os hospitais universitários e os IPO.
É uma especialidade que tem tido pouco recrutamento no país. Uma das dificuldades está relacionada em particular com a área de Oncologia. A componente emocional invariavelmente se traduz numa taxa de desistência importante comparativamente a outras especialidades. No internato constatamos que entram com grande entusiasmo mas depois, durante a formação, concluem que preferem outras áreas.
 
Também tem a ver com o facto de ser uma actividade que envolve grandes recursos financeiros e que só pode ser desenvolvida em grandes centros urbanos. Para além disso, parece ser pouco atractiva do ponto de vista financeiro...
Prof. Dr. António Parreira: Tem a sua importância. A Hematologia é uma especialidade essencialmente hospitalar e a actividade no domínio privado é relativamente escassa.
Depois também é uma actividade muito exigente do ponto de vista da multidisciplinariedade que os hospitais têm que ter para que os doentes sejam tratados de forma adequada, o que envolve o esforço de muitas especialidades.
 
É exigida uma disponibilidade total em termos de horários?
Prof. Dr. António Parreira: Sim, os especialistas da área hematológica trabalham muitas horas por semana já que, para além do trabalho normal, todos eles têm que fazer urgências.
Por exemplo, qualquer serviço que faz transplante de medula óssea tem que ter uma escala de médicos permanente de 24 horas; por vezes com dois médicos de serviço para dar uma resposta adequada, porque as primeiras horas que se seguem a um transplante são absolutamente críticas.
 
Como presidente da Sociedade Portuguesa de Hematologia, estão a pensar dinamizar as coisas de forma a captar novos hematologistas, tão necessários no nosso país?
Drª Letícia Ribeiro: Tem entrado pouca gente e muitos estão à beira da aposentação, portanto o problema é altamente preocupante. A Sociedade Portuguesa de Hematologia não tem um papel determinante na decisão, apenas de influência. Esse tipo de decisões passa mais pela Ordem dos Médicos e pelo Colégio da Especialidade. Queixamo-nos da dificulade imensa que temos para fazer passar esta mensagem mesmo junto destas entidades.
Para além da especialidade ser pouco atractiva, pelos motivos já focados, também não são abertas novas vagas, o que é um contrasenso. Não há especialistas suficientes nos hospitais centrais, que são no fundo os de última linha, mas também estão cheios de doentes que podiam ser tratados em hospitais distritais.
 
No Algarve há um hematologista; no Alentejo há um hematologista. É uma situação complicada porque é muito difícil exercer hematologia sozinho. Tem que haver uma equipa, pois para além do peso emocional que estes doentes representam, é absolutamente necessário discutir com os colegas as melhores opções porque os próprios tratamentos não são lineares. Por isso não é de todo aconselhável um hematologista trabalhar sozinho.
A situação no país é muito grave e isso vai ficar aqui demonstrado quando a Drª Inês Nolasco mostrar que, além do mais, este tipo de doenças não pára de aumentar.


publicado por servicodesaude às 23:00
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Doenças Hematológicas - Caso Diogo Monteiro e Marta

Portugal regista, anualmente, mil novos casos de leucemia. E uma das variantes mais agudas tem elevada incidência em jovens e crianças.

 
Caso Diogo Monteiro
Tem 14 anos; tinha 12 quando detectou um caroço no pescoço. Era um tumor linfático e Diogo seria encaminhado para o IPO de Lisboa.
Em 2007, conta o pai, Afondo Monteiro, o Diogo sofreria um AVC. E, apesar de ter recuperado de um coma e do AVC, ficaria com epilepsia. 
Desde então, não pode ficar sozinho. Pôs os livros de lado por algum tempo e a falta de defesas provocadas pela leucemia não o deixam sair de casa. É através do computador e do telemóvel que fala com os amigos.
Passaram dois anos desde o aparecimento do tumor linfático que, entretanto, evoluiu para uma leucemia. Agora precisa de um transplante de medula.
À semelhança de muitos outros casos, uma elevada percentagem de doentes com leucemia precisa de um transplante de medula óssea como recurso terapêutico final que lhe garanta a sobrevivência.
 

Caso Marta

A Marta passou pelo mesmo processo. Com apenas quatro anos foi-lhe diagnosticada leucemia.
Amigos e família iniciaram uma campanha on-line para conseguir um dador compatível. Uma corrente de solidadriedade fantástica que, a 22 de Maio, acabou por conseguir encontrar um dador compatível junto do Centro de Histocompatibilidade do Sul e do Registo Português de Dadores de Medula Óssea.
O dador da Marta não é português, foi encontrado através desta rede de solidariedade mundial que reúne todos os registos nacionais de dadores de medula óssea e que se traduz num universo de mais de 13 milhões de pessoas.
Com o slogan “Solidários até à Medula”, a Associação Portuguesa Contra a Leucemia, criada pelo Dr. Duarte Lima - que se inspirou numa fundação congénere, do tenor Josep Carreras -, tem promovido várias iniciativas de dádiva e recolha por todo o país.


publicado por servicodesaude às 22:00
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Doenças Hematológicas - Casos Marco Araújo e Maria Rosário Augusto

Caso Marco Araújo

Marco tem 30 anos. Não foi preciso encontrar um dador. Depois de muitos tratamentos de quimioterapia, foi um autotransplante de medula, efectuado há 15 meses, que o ajudou a vencer um linfoma de células T. Esteve à morte, agora encontra-se numa fase de remissão.
O hematologista Manuel Cunha explica que o transplante foi feito no IPO do Porto, mas foi no Serviço de Hematologia do Hospital de Vila Real (que abrange as populações de Bragança, Vila Real e uma parte de Viseu, num total de 450 mil habitantes), que foi seguido desde o início. Estas são localidades onde a população é muito envelhecida e que regista uma maior incidência de doença hematológica.
Só em 2008 efectuaram-se mais de seis mil consultas, tendo-se produzido cerca de 250 diagnósticos de novos doentes hemato-oncológicos. A principal dificuldade, como em outros hospitais portugueses, é a falta de meios humanos médicos.
 
Caso Maria do Rosário Augusto
Tem 73 anos e sofre de uma aplasia medular; doença rara que a acompanha há mais de 25 anos. Como Marco, a sua doença também é crónica. Ambos vão ter que ser seguidos sempre.


publicado por servicodesaude às 21:00
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Doenças Hematológicas - Leucemia e Linfomas: incidência a aumentar

 As leucemias e os linfomas estão a aumentar, apesar de se irem encontrando soluções terapêuticas cada vez mais avançadas para responder a um grande número de novos casos...

Drª Inês Nolasco: Tenho aqui um gráfico que representa estudos epidemiológicos feitos no National Cancer Institute, nos E.U.A., e que se referem a um período dos últimos 30 anos, mais precisamente entre 1975 e 2006 (dados actualizados em Maio de 2009).
Percebemos que o gráfico tem uma curva perfeitamente ascendente, que nunca pára de crecer e que se refere à incidência de linfomas por mil habitantes. O estudo foi dividido por raça e sexo, mas todos eles evoluem da mesma forma.
Esta incidência praticamente duplica o número de casos em 30 anos, o que é preocupante. Mais em Portugal que, como vimos, não possui médicos hematologistas suficientes para tratar este tipo de patologias.
Mas o gráfico também traz uma mensagem de esperança e optimismo reais, já que se olharmos para a curva que representa a mortalidade por linfoma, verificamos que nos últimos 30 anos a mortalidade está mais ou menos ao mesmo nível, quando a incidência praticamente duplicou.
Muitas destas doenças – linfomas e leucemias – tornaram-se curáveis, graças ao transplante de medula óssea, embora nem todas. Por outro lado, também tem havido um aumento do número de ferramentas terapêuticas para as combater.
Há de cada vez uma medicação mais vasta, não só a clássica quimioterapia mas também outro tipo de fórmulas que por vezes não chegam para curar, mas que vieram tornar estas patologias nas chamadas “doenças crónicas”.
As pessoas vivem com o seu linfoma ou leucemia como uma doença crónica ao longo dos anos, de forma controlada, com intervalos em que estão livres das suas manifestações, o que lhes permite uma qualidade de vida normal.


publicado por servicodesaude às 20:00
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Doenças Hematológicas - Linfomas: o que são?

Telefonema da telespectadora Ana Dantas, 37 anos, estudante, da Falagueira

Gostava de saber, em concreto, o que são os linfomas.
Prof. Dr. António Parreira: Os linfomas são doenças potencialmente malignas. No fundo, são formas de cancro que atingem as células do sistema linfático (e que resultam do crescimento anormal destas células), que por sua vez faz parte da medula óssea.
A medula óssea é um órgão muito importante. Está espalhado por todo o nosso esqueleto – no fundo é o tutano dos ossos – e produz todas as células do sangue, incluindo as células do sistema imunitário, que são as células linfáticas.
Depois, estas células distribuem-se por órgãos periféricos: os chamados gânglios linfáticos, presentes em todos os pontos do organismo e, inclusivamente, até fora dos próprios gânglios (aquilo a que se chama de sistema linfático extra) e, em todos esses locais, podem surgir células que crescem desordenadamente e que dão origem a linfomas.
Genericamente, podemos dizer que os linfomas – que incluem também as leucemias – representam cerca de 10% a 15% dos tumores existentes; de todos os cancros humanos.
É claro com as suas particularidades de incidência, de distribuição, que variam consoante os tipos e os grupos etários. Mais em...
 


publicado por servicodesaude às 19:00
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Doenças Hematológicas - Leucemias e Linfomas: frequência com a idade

Os linfomas e as leucemias surgem mais em que faixas etárias?

Drª Inês Nolasco: Depende do tipo de linfoma. Se olharmos de uma maneira geral para as doenças hemato-oncológicas, elas vão aumentando a sua frequência com a idade. No entanto, há certo tipo de linfomas e leucemias que são mais frequentes em idades jovens e, alguns, em crianças.
Linfomas são um mundo de doenças de diferentes etiologias. Têm uma origem comum: o sistema linfóide, mas depois as manifestações clínicas, as formas de tratamento e os prognósticos são completamente diferentes.
As pessoas deviam ter esta noção para aliviar certas angústias que os doentes e as famílias sentem quando lhes é dado um diagnóstico como este.

Contudo, se uns doentes podem, em certos casos, esperar pela terapêutica; outros não podem esperar mais do que algumas horas. Uns fazem quimioterapia, outros transplantação, outros não. Mas todos deviam ser esclarecidos pelo seu médico relativamente à tipologia do seu linfoma.



publicado por servicodesaude às 18:00
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Doenças Hematológicas - Leucemias e Linfomas: hereditárias?

Uma dúvida que surge frequentemente é se estas doenças – linfomas e leucemias – são hereditárias...

Prof. Dr. António Parreira: Não é óbvio, nem fácil, responder a essa questão. Temos a presunção de que há determinadas famílias que possuem uma constituição genética que torna mais provável o aparecimento deste tipo de doenças. Por vezes constatamos pela história clínica de que existe mais que um membro na família que sofre deste tipo de doença.
Mas não é uma doença hereditária, já que não existe um padrão que nos diga: esta pessoa tem um linfoma, logo, os filhos também irão ter. De forma nenhuma.


publicado por servicodesaude às 17:00
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Doenças Hematológicas - Caso telespectadora: linfoma e sono

Telefonema da telespectadora Maria Gonçalves, 62 anos, reformada, de Carcavelos:

O marido tem um linfoma cutâneo e graves perturbações de sono. É seguido no IPO e já fez vários tratamentos: quimioterapia, fototerapia, mas os problemas de saúde continuam a agravar-se, nomeadamente o problema do sono. Mesmo com medicação, não consegue dormir.
Gostava de saber se existe alguma relação entre o centro neurológico da doença e do sono.
Prof. Dr. António Parreira: Não é possível que haja uma relação directa. Trata-se de uma variedade de linfoma cutâneo que, em alguns doentes, afecta essencialmente a pele e tem manifestações incómodas como prurido permanente. Às vezes, é muito dificil de controlar medicamente e isso pode ser um factor de desassossego permanente, já que o doente pode não conseguir dormir.
Mas pode haver outras situações, do ponto de vista neurológico, que possam estar na base das perturbações do sono.

Aqui está um bom exemplo da necessidade de multidisplinariedade da acção médica, com a contribuição de especialistas de várias áreas que nos ajudam a resolver problemas muito concretos, complexos e que podem surgir mesmo com os próprios tratamentos.



publicado por servicodesaude às 16:00
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Doenças Hematológicas - Criopreservação Sangue do Cordão Umbilical: eficaz contra a leucemia?

Telefonema da telespectadora Mara Lourenço, 25 anos, animadora sócio-cultural, de Turquel. Está grávida de 33 semanas e pergunta se a criopreservação das células estaminais do sangue do cordão umbilical, no momento do parto, pode ou não ser uma esperança para uma criança com leucemia...

Prof. Dr. António Parreira: A opinião quase generalizada dos especialistas que trabalham especificamente nesta área do transplante do sangue do cordão umbilical é que será aconselhável o desenvolvimento de bancos de sangue de cordão umbilical, mas para utilização pública.

Não é provavelmente muito útil fazer a criopreservação de células estaminais do cordão umbilical para utilização própria, porque a probabilidade dessas células virem a ser úteis é muito remota.
Basta lembrar que o efeito do tratamento anti-leucémico que se obtém com o transplante de medula óssea alogénica vem exactamente da diferença de constituição genética do dador e a do doente; o receptor.
É necessário que se crie essa reacção - a que chamamos de enxerto contra o hospedeiro – para obter um efeito terapêutico anti-leucémico.
Quando transplantamos um doente com células geneticamente iguais às suas, já não há um efeito terapêutico adequado. Isso foi verificado há muitos anos com a transplantação em gémeos. Se um dos gémeos tem uma leucemia e recebe um transplante de outro gémeo saudável, esse transplante não tem eficácia terapêutica.

O transplante tem que ser de uma pessoa diferente, mas não muito diferente, para que o efeito desejável se desencadeie.



publicado por servicodesaude às 15:00
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Doenças Hematológicas - Campanha "Ajudar a Marta"

Recentemente surgiu o caso extremamente mediático da pequena Marta, que já tem dador, mas que despoletou um grande movimento de solidariedade de pessoas, que ocorreram em massa aos centros de recolha de medula óssea.

O Pedro Coelho, do movimento “Ajudar a Marta”, é um amigo da família que se juntou espontaneamente a outros durante a época da Páscoa, a partir do momento em que recebeu um email. Hoje estão empenhados em não parar, mesmo depois de encontrado um dador compatível para a Marta. O objectivo é que surjam mais e mais dadores...
Pedro Coelho: Somos recentemente chegados a esta causa, já que tudo surgiu num curto espaço de tempo, por causa da filha de um amigo que não encontrava um dador compatível de medula óssea entre as suas duas irmãs.
Organizámo-nos espontaneamente pela Internet, mas foram surgindo também organizações espontâneas dentro de empresas, perfazendo um total de 120 locais de recolha, como centros comerciais, escolas...
O Centro de Histocompatibilidade do Sul sentiu um pico de afluência de dadores - mesmo uma avalanche, a certo momento - mas obtivémos a melhor das respostas.

Depois começámos a utilizar a Internet de forma mais estruturada e por via do Facebook – que é uma rede social -, conseguimos que cerca de 14 mil pessoas se associacem a esta causa. Hoje, já estamos igualmente presentes no Hi5 e no Second Life.



publicado por servicodesaude às 14:00
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Doenças Hematológicas - Campanha "Juntos pela Teresa"

Este é também uma caso como o de Diogo, falado na reportagem. E temos um amigo, o José Farinho, também aluno da Escola Secundária Diogo de Gouveia, em Beja, com o mesmo objectivo: arranjar mais dadores de medula óssea e assim, um dador compatível com a Teresa...

José Farinho: A Teresa tem 17 anos. Em Setembro, descobriu que tinha uma leucemia linfoblástica aguda que foi logo considerada grave. Fez um primeiro ciclo de quimioterapia e como não respondeu da melhor forma foi considerada uma doente de muito elevado risco. Sabíamos que havia a necessidade de encontrar um dador compatível para fazer o transplante de medula óssea.
Em Outubro criámos panfletos e distribuimos pela escola. Depois o movimento ampliou-se; criámos vídeos e colocámo-los no Youtube. E passámos a campanha para os jornais e para as televisões com o slogan “Juntos pela Teresa”.

Hoje, a totalidade dos vídeos no Youtube já chega às 18 mil visualizações e a nossa caixa de email "explodiu".

Muitas dúvidas que nos chegam continuam a referir-se a se “Posso, ou não, ser dador de medula óssea?”



publicado por servicodesaude às 13:00
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Doenças Hematológicas - Ass. Port. de Luta Contra a Leucemia: fundação e objectivos

Pode acontecer a qualquer um, que se sinta absolutamente saudável e que um dia vai fazer análises – por exemplo para efectuar um seguro de vida – e de repente descobre que tem um grave problema de saúde.

Foi isso que aconteceu ao Dr. Duarte Lima, que depois acabou por fazer uma grande obra; a criação da Associação Portuguesa Contra a Leucemia, que nos recordará como essa experiência o alterou enquanto ser humano...
Dr. Duarte Lima: Não se passa indiferentemente sobre a experiência do cancro quando se sobrevive. É uma experiência transformadora, não tanto por nós, que sobrevivemos (no meu caso tive a sorte de descobrir a tempo, de ter uma excelente equipa clínica e de ter um irmão cem por cento compatível comigo), mas também por causa dos verdadeiros heróis desta causa, que são aqueles que morreram, porque não encontraram um irmão compatível ou um dador numa base mundial que, na altura tinha 6,5 milhões de pessoas e que hoje, felizmente, tem cerca de 13 milhões.
A associação acabou por nascer por acaso. O Rui Veloso visitava-me com frequência e também uma outra criança que estava no quarto ao lado do meu. Um dia essa criança já lá não estava, tinha partido. Tal como eu, ele também ficou muito impressionado.
As possibilidades de ter um irmão compatível são de uma em quatro. Então dissémos: todos temos que pensar nisto. Contei-lhe que o Dr. António Parreira (que foi quem me recebeu no IPO) e o Dr. Abecassis (que me transplantou), diziam que já há muitos anos queriam criar uma associação ou uma fundação "que ajudasse a sociedade civil a ajudar", e a lidar com todas as dificuldades reais que a área hematológica tem.
E decidimos. Inspirámo-nos na Fundação José Carreras, que aliás convidámos a estar presente no nosso primeiro concerto.
 
A criação da Associação Portuguesa Contra a Leucemia tinha, e tem, um triplo objectivo:
1) Sensibilizar a opinião pública portuguesa para a doação de medula óssea e para a desmistificação da doação, que muita gente ainda hoje confunde com “espinal medula” e que, até então, era ainda considerado algo de perigoso.
Hoje existem técnicas novas que fazem da doação de medula óssea um processo simples, indolor, fácil e rápido.
2) Um segundo objectivo era criar, em Portugal, um verdadeiro registo de dadores benévolos de medula óssea.
Existe hoje uma tendência para as famílias serem nucleares, dos pais terem apenas um ou dois filhos. Ou seja, é muito difícil encontrar um dador compatível no seio da própria família. Quando era necessário um transplante alogénio e não havia um irmão, as células vinham sempre do estrangeiro.
O nosso segundo objectivo era, assim, o de ajudar as instituições públicas, nomeadamente os Centros de Histocompatibilidade do Norte, Centro e Sul, nesta tarefa.
3) O terceiro grande objectivo era também o de apoiar a investigação científica na área das doenças hemato-oncológicas.
Tudo anda ligado. É muito importante a doação de medula óssea mas esta não resolve tudo. A montante existe a investigação e os médicos podem fazer tanto melhor, quanto melhor for o progresso da ciência.
 
Mas os grandes heróis são os que já partiram: a Inês Botelho, o Tiago Norton – pessoas que conheci e que deram o exemplo de um heroísmo extraordinário e que não encontraram um dador compatível. É a eles que dedicamos este trabalho.

Existe uma associação, a Associação Inês Botelho, com o nome da menina que não encontrou em vida um dador compatível de medula óssea, e que prossegue os mesmos objectivos que a Associação Portuguesa Contra a Leucemia, criada pelo Dr. Duarte Lima.



publicado por servicodesaude às 12:00
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Doenças Hematológicas - Ass. Port. de Luta Contra a Leucemia: espectáculo "Solidários até à Medula", de recolha de fundos

 São de grande importância os espectáculos que a Associação Portuguesa de Luta Contra a Leucemia promove, como o que irá decorrer no próximo dia 2 de Julho, intitulado "Solidários até à Medula", no qual o Dr. Duarte Lima tem vindo entusiasticamente a investir o seu tempo...

Dr. Duarte Lima: Este concerto é a nossa grande iniciativa de recolha de fundos. Mais uma vez o evento vai ser coberto pela RTP e tem mais uma vez o alto patrocínio do Sr. Presidente da República. Vai contar com a participação do José Cura, do Rui Veloso, da Mariza, do Camané, do Luís Represas, do Pedro Caldeira Cabral e da Orquestra Sinfónica do Teatro São Carlos.

Ao longo do dia haverá uma linha telefónica solidária da PT (Portugal Telecom), para que as pessoas que queiram ajudar possam fazer chamadas que revertem a favor da Associação Portuguesa de Luta Contra a Leucemia.
Por forma a garantir aos portugueses que os recursos postos à disposição da associação – que é uma entidade auditada – são correctamente utilizados, criámos um conselho de acompanhamento desta iniciativa.
Este conselho é composto por três antigos ministros das Finanças – o Prof. Eduardo Catroga, o Prof. Luís Campos e Cunha e o Prof. Bagão Félix e, ainda, um representante da Procuradoria-Geral da República, justamente o seu vice-presidente, o Dr. Mário Gomes Dias; a quem fornecemos um relatório de execução, de três em três meses, relativamente à área científica, à área de registo de dadores e à área de ajuda social aos doentes, para não existir qualquer tipo de dúvida sobre a forma de como os recursos são aplicados.

Pensamos que é um exemplo de uma ONG (Organização Não-Governamental) que não utiliza os recursos do Estado e que faz questão em não utilizar, porque achamos que o Estado não tem a obrigação de fazer tudo e que a sociedade civil tem muito que fazer.

Linha Solidária da PT: 760 20 70 80

 

 



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Doenças Hematológicas - Ass. Port. de Luta Contra a Leucemia: atribuição de bolsas de investigação

Como já foi referido, existe em Portugal uma grande falta de especialistas na área hematológica e uma das funções que a Associação Portuguesa Contra a Leucemia se atribui foi também a de proporcionar bolsas de estudo, de investigação científica, nesta área...

Prof. Dr. António Parreira: Sim, achamos que a formação científica é fundamental. Estabelecemos uma parceria com a Fundação Calouste Gulbenkian, que nos financia o nosso programa de formação para técnicos de saúde que queiram fazer estágios, de curta ou média duração no estrangeiro, para aprender tecnologias diferenciadas.
Qualquer técnico de saúde, que esteja integrado numa equipa e que apresente um projecto coerente para adquirir uma especialização particular, pode concorrer.
E criámos um programa de bolsas de investigação científica que tem vindo a crescer significativamente desde 2003, principalmente porque tivémos a preocupação que esse programa de atribuição de bolsas tivesse um conselho científico internacional de grande credibilidade.
Tivémos o previlégio de contar com grandes figuras da ciência hematológica e da actividade científica mundial, como é o caso do Prof. António Coutinho, do Prof. Eduardo Guimarães - que é professor de Hematologia na Universidade do Porto - e, ainda, com grandes personagens do mundo da hematologia: o Prof. John Goldmund, o Dr. Henrique Carrera e o Prof. Joaquim Lococo, da Universidade de Roma.
Este conselho científico tem a função de nos fornecer orientações na atribuição de bolsas em áreas em que vale a pena investir no nosso país, em termos de investigação, tendo em conta a nossa realidade.
Todos os anos temos esse prazer: existem muito mais projectos a candidatarem-se do que o número de bolsas que podemos atribuir.
 
Ainda relativamente à investigação científica, há um programa, talvez dos mais importantes que a Associação Portuguesa de Luta Contra a Leucemia tem em curso, com o Departamento de Biotecnologia e Engenharia do Instituto Superior Técnico, o IPO de Lisboa, a Lusotransplante e a José de Mello Saúde, que é um projecto que visa, em termos correntes, dar resposta à rejeição dos transplantes que, nas formas mais graves não tem cura e que, em último caso, provoca a morte.
Em Portugal, este programa já foi testado com grande sucesso no IPO, em sete doentes.


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Doenças Hematológicas - Caso Sofia Norton de Matos (linfoma)

Caso Sofia Norton de Matos (arquitecta)

Companheira do Dr. Duarte Lima, passou por um processo semelhante ao seu. Quando tinha acabado de ter um bebé, há oito anos, descobriu que tinha um linfoma de Hodgkin...
Tive a sorte de ser seguida pela Drª Inês Nolasco, no IPO. Mas não foi fácil. Numa primeira fase fiz quimioterapia e radioterapia e parecia que tudo caminhava bem, mas menos de um ano depois do primeiro diagnóstico tive uma recaída e a equipa do IPO achou que deveria fazer um transplante de medula óssea.
Tive sorte porque a minha medula estava boa e pude efectuar um autotransplante.
O facto de ter um bebé em casa à minha espera deu-me imensa força e foi fundamental a corrente de solidariedade dos amigos e da família. E tive casos muito graves perto de mim. Por exemplo, o caso do Tiago Norton, meu primo direito, a quem foi diagnosticada uma leucemia grave, cerca de dois meses depois de me terem diagnosticado o linfoma.
O Tiago acabou por falecer dois meses depois de eu ter ido para transplante. E mesmo na noite em que fui internada, morreu uma menina de 9 anos, o que foi, para mim, muito complicado.

Só soube uns meses depois que tinha menos de 50 por cento de probabilidades de sobreviver, mas disse a mim própria: “Vou sair daqui”. E saí!...



publicado por servicodesaude às 09:00
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Doenças Hematológicas - Posso ser dador de medula óssea?

Sabemos que o processo é hoje mais fácil e totalmente indolor, mas como pode alguém ser dador de medula óssea?

Drª Inês Nolasco: As pessoas deverão dirigir-se aos Centros de Histocompatibilidade do Norte, Centro e Sul, através do telefone ou do email, onde lhes será dada toda a informação de como podem ser dadores.



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Doenças Hematológicas - Pergunta telespectadora: doar medula tendo epilepsia

Telefonema da telespectadora Ana Dantas, 37 anos, estudante, da Falagueira

Aos 18 anos, depois de ter desmaiado, foi-lhe diagnosticada epilepsia. Mais tarde deu à luz um menino com uma malformação congénita no fígado, que acabaria por falecer cinco anos depois. Na altura foi-lhe dito que não podia dar sangue.
Agora, gostaria de saber se tendo epilepsia pode, ou não, ser dadora de medula óssea.
Prof. Dr. António Parreira: A maior parte dos centros de recolha de sangue e de medula óssea só aceita, por definição, pessoas que sejam estritamente saudáveis. É uma regra geral, mesmo que se assuma que a epilepsia não é uma doença transmissível.

Os centros de recolha partem do princípio que a pessoa dadora não tem antecedentes médicos. Logo, provavelmente isso não será possível.



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Doenças Hematológicas - Anemias: leite em excesso e outras causas

A propósito das anemias, muitas pessoas, muitos pais, não sabem que podem estar a fazer mal aos seus filhos se lhes derem leite em excesso...

Drª Letícia Ribeiro: A anemia por falta de ferro é muito frequente em duas faixas etárias: em crianças muito pequenas, nos dois primeiros anos de vida, ou em raparigas adolescentes, porque perdem sangue nas menstruações e não conseguem ingerir ferro em quantidade suficiente.
No caso das crianças muito pequenas, os motivos são diversos: parasitoses, ou outras doenças, como a celíaca, por exemplo, embora a maior parte esteja relacionada com déficites alimentares.
Constatamos que as crianças bebem demasiado leite. No primeiro ano de vida devem apenas ingerir, ou leite de fórmula ou leite materno, mas depois podem ingerir o leite de pacote normal. Mas esse leite tem um elevadíssimo teor de cálcio e fósforo, o que faz com que o ferro seja menos bem absorvido pelo organismo.
As pessoas, os pais e os avós, fazem-no com a melhor das intenções, muitas vezes porque a criança não comeu bem e depois esta habitua-se e ela própria passa a exigi-lo.

Dar leite às crianças após as refeições pode ser extremamente nocivo e ter, inclusivé, repercussões para toda a vida, nomeadamente no que toca ao seu desenvolvimento cognitivo. Ou seja, a criança pode ficar com menos capacidades para a aquisição de conhecimentos.



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Doenças Hematológicas - Anemias: o que são?

A sua área de especialidade, as anemias, tal como os linfomas, são uma enorme família de diferentes doenças...

Drª Letícia Ribeiro: É uma família enormíssima. Inclui a simples anemia, por falta de ferro, mas também as anemias mais complexas e complicadas para os doentes.
Existem anemias que são doenças do sangue, como sejam as anemias congénitas e depois há todo um enorme conjunto de anemias que são uma manifestação de outras doenças.
A anemia, por definição, é uma baixa dos níveis de hemoglobina, quando comparada com os valores normais em indivíduos do mesmo sexo e idade. Mas podem estar associadas a um grande conjunto de doenças, umas mais graves que outras.


publicado por servicodesaude às 05:06
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Doenças Hematológicas - Anemia por deficiência de ferro (1/2)

Anemia por deficiência de ferro

O organismo recicla o ferro: quando os glóbulos vermelhos morrem, o ferro presente neles volta à medula óssea para ser reutilizado na formação de novos glóbulos vermelhos. O corpo perde importantes quantidades de ferro quando se perdem grandes quantidades de glóbulos vermelhos durante uma hemorragia.
O défice de ferro é uma das causas mais frequentes de anemia. Nos adultos, este défice deve-se essencialmente à hemorragia, enquanto nos bebés e crianças, que precisam de mais ferro por estarem em idade de crescimento, a causa principal deste défice é uma dieta pobre em ferro. Nas mulheres durante a pós-menopausa e nos homens, o défice de ferro indica habitualmente uma perda de sangue pelo aparelho gastrointestinal.
A hemorragia menstrual pode causar défice de ferro em mulheres durante o período pré-menopáusico. Habitualmente o ferro contido numa dieta considerada normal não pode compensar a perda do mesmo por uma hemorragia crónica, já que o corpo tem uma reserva muito pequena de ferro. Por conseguinte, o ferro perdido deve ser reconstituído com suplementos.
As mulheres grávidas tomam suplementos de ferro porque o feto em desenvolvimento consome grandes quantidades deste elemento.
Nos países desenvolvidos, a dieta média contém aproximadamente 6 mg de ferro por cada 1000 calorias de alimento, pelo que a pessoa consome uma média de 10 mg a 12 mg de ferro por dia. Muitos alimentos contêm ferro, mas a carne é a sua melhor fonte. As fibras vegetais, os fosfatos, o farelo e os antiácidos diminuem a absorção do ferro ao uniram-se a este. A vitamina C (ácido ascórbico) pode aumentar a absorção do ferro. O corpo absorve de 1 mg a 2 mg de ferro diariamente por meio dos alimentos, que é praticamente igual à quantidade que o corpo perde normalmente todos os dias.


publicado por servicodesaude às 04:31
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Doenças Hematológicas - Anemia por deficiência de ferro (2/2)

Sintomas e Diagnóstico

A anemia pode chegar a causar fadiga, falta de ar, incapacidade para fazer exercício e outros sintomas. O défice de ferro pode produzir os seus próprios sintomas, como a malacia (apetência por elementos não alimentícios como gelo, terra ou amido puro), a inflamação da língua (glossite) e cortes nas comissuras da boca (queilose) e nas unhas, que se deformam, adoptando uma forma semelhante a colheres (coiloníquia).
Para diagnosticar uma anemia efectuam-se análises de sangue e também provas para detectar o défice de ferro. No sangue, determinam-se os valores do ferro e da transferrina (proteína que transporta o ferro quando ele não se encontra nos glóbulos vermelhos) e comparam-se entre si. Se menos de 10 % da transferrina se encontrar saturada com ferro, é provável que exista um défice de ferro.
Contudo, a análise mais sensível para detectar o défice deste é a avaliação da quantidade de ferritina (proteína que armazena o ferro). Um valor baixo da ferritina indica um défice de ferro. No entanto, por vezes detecta-se um défice de ferro apesar de os valores de ferritina serem normais, porque estes podem aumentar artificialmente devido a uma lesão do fígado, uma inflamação, uma infecção ou um cancro.
Em alguns casos, são precisas análises mais sofisticadas para se chegar ao diagnóstico. A análise mais específica é um exame das células da medula óssea no qual se examina ao microscópio uma amostra destas células para determinar o seu conteúdo em ferro.
 
Tratamento
Sendo a hemorragia excessiva a causa mais frequente do défice de ferro, o primeiro passo é localizar a sua origem e deter a hemorragia. Os medicamentos ou a cirurgia podem ser necessários para controlar a hemorragia menstrual excessiva, para tratar uma úlcera sangrante, para ressecar um pólipo do cólon ou para tratar uma hemorragia renal.
Habitualmente, o tratamento inclui a reposição do ferro perdido. A maioria dos comprimidos de ferro contém sulfato ferroso, gluconato férrico ou um polissacárido. Esses comprimidos são melhor absorvidos quando se ingerem 30 minutos antes das refeições.
Em geral, um comprimido de ferro por dia é suficiente, mas por vezes são precisos dois. Sendo limitada a capacidade do intestino para absorver ferro, é um desperdício dar doses maiores, que, além disso, podem causar indigestão e prisão de ventre. O ferro quase sempre escurece as fezes (um efeito secundário normal e não prejudicial).
A correcção da anemia por défice de ferro com suplementos deste metal demora entre 3 e 6 semanas, mesmo depois de a hemorragia ter cessado. Depois de corrigida a anemia, o indivíduo deve continuar a tomar suplementos de ferro durante 6 meses para repor as reservas do corpo. Efectuam-se análises de sangue de forma periódica para garantir que o suplemento de ferro ingerido é suficiente e que a perda de sangue foi estancada.


publicado por servicodesaude às 04:30
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Doenças Hematológicas - Hemofilia: o que é?

O que é a hemofilia?

A hemofilia é um distúrbio hemorrágico hereditário. O sangue contém muitas proteínas, chamados factores de coagulação que actuam para parar a hemorragia. As pessoas com hemofilia têm níveis baixos ou ausência de um destes factores da coagulação no seu sangue.
As pessoas com hemofilia não sangram mais rápido do que as outras pessoas, e não se esvaem em sangue até à morte devido a um corte ou ferimento menor. O principal problema são as hemorragias internas, essencialmente nas articulações e músculos.
A hemofilia é bastante rara. Cerca de uma em cada 10 mil pessoas nasce com hemofilia A e cerca de uma em cada 50 mil nasce com hemofilia B.
 
Diferença entre hemofilia A e B
Existem dois tipos de hemofilia: hemofilia A e hemofilia B (chamada por vezes doença de Christmas). Ambas causadas por um baixo nível ou ausência das proteínas do sangue (factores) que controlam as hemorragias.
A hemofilia A é causada por uma deficiência de factor VIII e a hemofilia B é causada por uma deficiência de factor IX. Não existe nenhuma diferença entre os dois tipos de hemofilia, excepto que a hemofilia B é cerca de cinco vezes mais comum do que a hemofilia A
Existem ainda diversas diferenças de factor que também causam hemorragias anómalas. Estas incluem deficiência dos factores I, II, V, VII, X, XI, XII e o factor von Willebrand. As formas mais graves destas deficiências são ainda mais raras do que a hemofilia A e a hemofilia B.
A hemofilia é uma deficiência genética, que é normalmente hereditária. Não pode ser contraída ou transmitida, excepto por transmissão hereditária, de pais para filhos.
Cerca de um terço de novos casos são causados por uma nova mutação do gene na mãe ou na criança. Nestes casos não existe história prévia de hemofilia na família.
As formas mais graves de hemofilia afectam maioritariamente os homens. Mas as mulheres que têm o gene da hemofilia são chamadas portadoras e podem transmiti-lo aos seus filhos. Quando a mãe é portadora e o pai é normal, para cada criança que nasce existe uma probabilidade de 25% de ser um rapaz e ter hemofilia e 25% de ser uma rapariga e ser portadora.
 
Precauções antes de engravidar
É importante que o hematologista de uma mulher portadora, esteja envolvido no acompanhamento da gravidez e que exista alguma ligação com o obstetra antes do parto.
Não é necessário realizar um diagnóstico pré-natal só para acompanhar a gravidez, no entanto este é feito quando o casal coloca a hipótese de interrupção da gravidez. 
 
A hemofilia pode ser adquirida?
Em casos raros, uma pessoa pode, mais tarde, desenvolver hemofilia. A maioria dos casos envolve pessoas de meia-idade ou mais velhas, ou mulheres jovens que tiveram recentemente um bebé ou que estão no último estádio da gravidez.
A hemofilia adquirida é normalmente causada pelo desenvolvimento de anticorpos ao factor VIII (o sistema imunitário do corpo destrói o seu próprio factor VIII, produzido naturalmente).
 
 
 


publicado por servicodesaude às 01:15
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Doenças Hematológicas - Ficha Técnica

Autoria, Coordenação e Apresentação

Maria Elisa Domingues
 
Convidados
Inês Nonasco
António Parreira
Letícia Ribeiro
Álvaro Carvalho
João Nascimento
 
Pesquisa
Alexandra Figueiredo
Miguel Braga
Teresa Mota
 
Reportagem
Buenos Aires Filmes
 
Produção
Miguel Braga
 
Jornalistas
Teresa Mota
Raquel Amaral
 
Gestão e Edição de Conteúdos
na Web (portal Sapo)
Natacha Gonzaga Borges
 
Imagem
Gonçalo Roquette
Daniel Ruela
Arquivo RTP
 
Edição e pós-produção vídeo
Sara Nolasco
 
Pós-produção aúdio
Miguel Van Der Kellen
 
Atendimento telefónico
Ana Marta Coelho
Nuno Gaibino
Manuel Rocha
 
Câmaras
Rui Machado
Pedro Emanuel Pereira
Bruno Rosado
João Melo
 
Mistura e Imagem
Claúdia Gageiro
 
Controlo de Imagem
Cecília Furtado
 
Som
Rafael Braz
Manuel Machado
Rui Ventura
 
Iluminação
Armindo Caneira
 
Electricista
João Martins
 
Técnicos de Electrónica
José Borges
Rui Loureiro
 
Assistentes de Operações
José Araújo
Orlando Aurélio
Samuel Ribeiro
Alexandre Silva
 
Caracterização
Fátima Tristão da Silva
Ana Filipa
 
Registo Magnético
Maria João Fragateiro
 
Gerador de Caracteres
Filipe Oliveira
 
Teleponto
Sofia Van Dunen
 
Genérico e Grafismo
Nicolau Tudela
Teresa Martins
 
Música Genérico
Ari de Carvalho
 
Assistente de Realização
Carlos Cid Carmo 
 
Anotadora
Paula Macedo
 
Chefe Técnico de Produção
Moreira Nunes
 
Criação Cenográfica
Gil Ferreira
 
Execução Cenográfica
Isabel Rodrigues
 
Produção
Filipa Azevedo
 
Realização
Paulo Resende


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Doenças Hematológicas - Links


publicado por servicodesaude às 00:30
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Doenças Hematológicas - Questões colocadas telespectadores

Alda Caldeira, de Évora

Diz que tem um irmão com linfoma de Hodgkin e várias pessoas na família que faleceram com diversos tipos de cancro. Pergunta qual é, para si, o peso da hereditariedade?
Dr. Manuel Abecassis (Director do Serviço de Transplantação de Medula Óssea do IPO de Lisboa): Não é fácil responder a essa pergunta. Penso que pode haver um factor de coincidência. Quando diz que tem vários familiares com tumores, estes podem ser em condições muito variadas: um cancro de pulmão, um cancro da mama...
Se haverá algum tipo de fio condutor entre todas essas doenças, o estado actual da ciência não nos permite dizer que sim.
Gostaria de dizer que não vejo motivo para estar especialmente preocupada. O aumento das doenças neoplásicas explica-se também pelo próprio aumento da esperança de vida.
Há que estar atento a sintomas e sinais que podem ser indiciadores de uma doença neoplásica maligna, mas não tem que estar preocupada com essa incidência que poderá parecer um pouco anormal na sua família.
 
António Santos, 43 anos, do Montijo
Teve um mieloma múltiplo e fez um autotransplante. Pergunta qual a relação e a diferença entre o linfoma e o mieloma?
Dr. Manuel Abecassis: São doenças completamente diferentes. Mas são doenças cuja origem celular tem alguma proximidade, apesar de terem uma evolução e um tratamento diferente.
Existem dezenas de tipos de linfomas, cuja gravidade é muito variável. Existem linfomas graves e outros que quase dispensam tratamento.
 
Maria Gonçalves, 42 anos de Carcavelos
O marido sofre de linfoma de Hodgkin e tem muita dificuldade em dormir. Pergunta qual é a relação entre a doença e o centro doo sono?
Dr. Manuel Abecassis: Não há nenhuma relação. É natural quando as pessoas têm alguma doença que as preocupa, terem dificuldades em dormir. E poderão até necessitar de algum acompanhamento na área da psicoterapia, que é hoje uma área cada vez mais importante.
Na minha opinião trata-se sobretudo de um factor psicossomático que está na base de não conseguir dormir e não tem nada a ver com o linfoma de Hodjkin.
 
Alzira Pacheco, 40 anos, da Maia
O marido também tem 40 anos; as “plaquetas baixas”e os glóbulos vermelhos altos. Pergunta até que ponto é grave, tendo em conta que tem dores e hematomas no corpo?
Dr. Manuel Abecassis: A exposição é pouco específica. Acho que a primeira coisa a fazer é consultar o seu médico assistente, de família, para que este faça a observação clínica e veja os resultados das análises.
Pode ser, e é provável, que tenha que recorrer a uma consulta de especialidade, de Hematologia, mas primeiro deverá consultar o seu médico de família.
(Quando as pessoas dizem que têm as plaquetas baixas, isso pode ser relativo. O normal é as plaquetas situarem-se entre as 150 mil e as 450 mil, mas há uma variação relacionada com as técnicas laboratoriais que fazem essa determinação).
 
Inês Rodrigues, 42 anos, do Porto
Devido a várias intervenções cirúrgicas já fez muitas transfusões de sangue. Pergunta se um número elevado de transfusões pode provocar leucemias, linfomas, ou outras doenças do foro hematológico?
Dr. Manuel Abecassis: Definitivamente não. Pode estar tranquila. Pode haver outros problemas relacionados com transfusões – se são em número muito elevado, em que há uma acumulação de ferro no organismo -, mas não há uma relação causal entre transfusões e leucemias ou linfomas.
 
Fátima Beirão, de Vila Franca de Xira
Tem um número muito baixo de glóbulos brancos e infecções com muita frequência. Pergunta se é motivo de preocupação?
Dr. Manuel Abecassis: Éuma situação que tem obrigatoriamente que ser vista com muita atenção. O meu conselho é que consulte o seu médico de família e lhe mostre o resultado das análises.
Glóbulos brancos baixos pode querer dizer muita coisa. Temos alguns patamares pré-definidos a partir dos quais temos protocolos de investigação. Mas o primeiro passo é ir ao seu médico assistente para ele observar os resultados laboratoriais e depois, provavelmente, ir a uma consulta de hematologia.
 
No caso do jovem, o Diogo, que está à espera de um dador, acho que ele deu a impressão que não está desesperado, mas está, e há uma frase em que ele diz: “Ponho todos estes problemas para trás das costas". Como se fosse possível a qualquer um de nós, pôr para trás das costas um problema desta dimensão, em que não sabe se vai ter a possibilidade, ou não, de viver.
As pessoas nestas circunstâncias precisam concerteza de um grande acompanhamento psicológico e até psiquiátrico...
Dr. Álvaro Carvalho (Coordenador Nacional de Saúde Mental): Sobretudo apoio psicológico. E estou-me a lembrar do que já falámos sobre a psico-oncologia e sobre o conjunto de profissionais da área de saúde mental que dão apoio específico às pessoas com problemas oncológicos, ou de natureza crónica grave.
Efectivamente, temos a capacidade dentro dos nossos recursos psicológicos, de tentar por os problemas para trás das costas, mas as preocupações vão-se manifestar por insónias, ansiedade, alterações do apetite, hipertensão, ou seja, de múltiplas formas, quer a nível físico como emocional.
Se a área dele é Sesimbra, e se está fechado em casa, devia ver-se a possibilidade de encontrar um psicólogo ou um profissional da área de saúde mental que o pudesse acompanhar.
 
É um desafio que deixamos às associações aqui presentes, que possam dar apoio a este jovem.
 


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