Terça-feira, 1 de Setembro de 2009
Gripe A (H1N1) - Plano de Contigência creches, escolas e outros estabelecimentos de ensino (2/2)

1. Designar um coordenador e respectiva equipa operativa

2. Definir a cadeia de comando e controlo
3. Identificar as actividades essenciais e prioritárias
4. Prever o impacte que os diferentes níveis de absentismo terão nas actividades escolares
5. Definir os recursos humanos mínimos para cada uma das áreas prioritárias e assegurar a sua substituição, por profissionais formados para o desempenho dessas funções.
6. Estabelecer um plano de acompanhamento dos profissionais, incluindo actualização de todos os contactos telefónicos
7. Recomendar aos profissionais que sigam as orientações do Ministério da Saúde, nomeadamente as difundidas através do portal www.dgs.pt
8. Reforçar o plano de higiene da instituição escolar (lavagem das mãos, toalhetes descartáveis, etc)
9. Identificar os parceiros com quem deve ser estabelecida uma adequada articulação e manter uma listagem de contactos actualizada
10. Identificar os fornecedores de bens ou serviços essenciais para o funcionamento da instituição
11. Verificar se os fornecedores de bens ou serviços essenciais garantem os fornecimentos previstos e equacionar, soluções alternativas
12. Assegurar a existência de uma “reserva estratégica” de bens ou produtos cuja
falta possa comprometer o exercício das actividades mínimas ou prioritárias (durante o período crítico da pandemia);
13. Envolver, desde o início, os profissionais na execução do Plano
14. Divulgar o Plano a nível interno e junto da comunidade educativa
15. Elaborar uma estratégia de comunicação interna e externa
16. Avaliar e manter o Plano actualizado.
 


publicado por servicodesaude às 08:54
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Terça-feira, 24 de Março de 2009
Doenças de Pele - Reportagem

Nem tudo o que parece é. Atrás de peles aparentemente perfeitas, escondem-se muitas vezes graves problemas que vão além das questões estéticas. A publicidade e a moda ajudaram a criar padrões de beleza associados a peles jovens, sem borbulhas ou imperfeições e bronzeadas durante todo o ano.

Mas a exposição aos raios ultra-viloleta é responsável pelo fotoenvelhecimento precoce e pelo cancro de pele.
 
Osvaldo Correia (Associação Portuguesa de Cancro Cutâneo): “A maioria dos cancros de pele, cerca de 90%, estão associados a comportamentos errados que tivémos sobretudo quando éramos crianças ou adolescentes. Ou por queimadura solar ou por horas excessivas de exposição ao sol. Ou, ainda, por outras formas de exposição aos raios ultravioleta, como a exposição aos solários, que são uma fonte de ultravioleta agressiva que todos devemos evitar.
 
Em Portugal, mal a temperatura aumenta, as praias enchem-se, independentemente das horas de maior calor e incidência dos raios ultravioleta. Muitas vezes ignoram-se os cuidados que todos sabemos serem necessários para manter uma pele saudável.
 
Osvaldo Correia: “O bronzeado é uma maneira da pele se defender de mais agressões dos ultravioleta e, essa agressão, sabe-se que é ao DNA das células da pele.
Algumas pessoas (umas mais que outras, porque geneticamente as pessoas são diferentes), podem vir a desenvolver cancros de pele sobretudo nos locais onde houve essas queimaduras solares, porque a pele memoriza e acumula essas agressões”.
 
Filipa Galvão (28 anos): “Até aos 18 ou 19 anos os cuidados que tive foram poucos. E mesmo os cuidados que os pais tinham conosco eram menores porque não havia tanta informação”.
 
Apesar das campanhas de informação e da exposição mediática, o cancro da pele continua a ganhar terreno. Segundo a Associação Portuguesa de Cancro Cutâneo estima-se que em Portugal surjam, todos os anos, mais 10 mil novos casos de cancro da pele. Cerca de mil são melanomas, a forma mais temível de cancro da pele.
No seu conjunto estes são os cancros mais frequentes na raça humana. No entanto, a maioria pode ser evitada e, quando a prevenção falha, o diagnóstico precoce pode fazer a diferença entre a vida e a morte.
 
Cecília Moura (Serviço de Dermatologia do IPO de Lisboa): “Nas fases mais avançadas da doença, quando o tumor é mais espesso, são usadas técnicas para pesquisar gânglios que possam estar afectados e, eventualmente, esses gânglios podem ter que ser removidos”..
As fases mais tardias, com metástases à distância, já implicam tratamentos de quimioterapia, que são menos eficazes que a cirurgia e geram mais morbilidade nos doentes.
 
Cancro da Pele em Portugal
 
Carcinoma Basocelular    - 100 novos casos/100 mil habitantes
Carcinoma Espinocelular - 10 mil novos casos/ano
 
Melanoma - 10 novos casos/100 mil habitantes
                     - 1000 mil novos casos/ano
 
Filipa Galvão (28 anos): “Estava no princípio, não havia o perigo de se ter espalhado para o resto do corpo, por isso acho que o melhor que fiz foi ir a um dermatologista naquele instante. E acho que era o que toda a gente devia fazer: dar atenção para não ser tarde demais”.
 
Nunca é tarde demais para prevenir e alterar os comportamentos de risco e estar atento e observar os sinais do próprio corpo.
 
Filipa Galvão (28 anos): “Reparei que tinha um sinal, um pouco mais escuro que os outros, na coxa direita. E quando o sol reflectia era preto, preto, e quase ficava azul de tão opaco. Eu achei estranho, nunca tinha visto um sinal assim em mim”.
 
Osvaldo Correia (Associação Portuguesa de Cancro Cutâneo): “O auto-exame consiste em identificar todas as partes do corpo com toda a atenção para ver se há algum sinal novo”:
 
1 - O rosto (sem esquecer as orelhas)
2 - O couro cabeludo
3 - A palma e as costas da mão, sem esquecer as unhas e os antebraços
4 - Os cotovelos, os braços e as axilas
5 - O pescoço, o peito (no caso das mulheres observar bem a zona por baixo dos seios) e a barriga
6 - À frente de um espelho e com a ajuda de outro espelho, verificar a nuca, os ombros e as costas
7 - As nádegas e a face posterior das coxas
8 - Sentado: observar a face anterior das coxas, as pernas, o peito e a planta dos pés, sem esquecer as unhas e a região genital, com a ajuda de um espelho
 
Osvaldo Correia: “Podemos assim fazer um diagnóstico precoce. Todos temos sinais: há sinais benignos, sinais a que temos que estar atentos (bordo, cor, dimensão, evolução) e há sinais de risco.”
 
A Associação Portuguesa de Cancro Cutâneo, a Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venereologia e a Liga Portuguesa Contra o Cancro, têm promovido várias acções directas nas escolas e praias do país.
 
Osvaldo Correia:: “O que pretendemos com estas acções é que as pessoas alterem as regras de convívio com o sol e também a detecção precoce das lesões de risco.
Sabemos que no caso das crianças os locais mais frequentes de queimaduras solares são nos recreios das escolas”.
 
Irene Santa Comba (coordenadora do Projecto Ecoescola do Colégio do Rosário): “No recreio as crianças podem brincar sem estarem expostas ao sol. Os mais pequeninos são obrigados a usar chapéu. Durante a época balnear usam sempre o protector e, nessa altura, alguns já trazem de casa”.
 
Maria do Carmo Vieira (coordenadora Centro Social e Paroquial Nossa Sr.ª da Ajuda): “Entretanto tentamos fazer uma vigilância o mais apertada possível, principalmente nas horas de maior incidência solar. Não vimos cá para fora. Se somos mães, não vamos fazer aos outros o que não queremos que façam aos nossos”.
 
Se com as crianças o poder dos adultos ainda é efectivo, com os adolescentes o caso é mais complicado.
“Apesar deles estarem sensibilizados, o certo é que continua a preponderar a moda. Os nossos adolescentes, quando começam a surgir os primeiros raios de sol, despem uma boa parte do seu corpo e, apesar de alguns terem cuidado, expõem-se muito ao sol”.
 
Os melanomas são causados por factores ambientais. No entanto, estima-se que 2% dos casos tenham uma origem hereditária. A genética pode aumentar o risco em mais de 50%. No IPO do Porto, uma equipa de investigadores já identificou duas famílias portuguesas portadoras desta mutação genética:
 
Manuel Teixeira (Serviço de Genética do IPO do Porto): A partir de uma análise normal ao sangue, se identificarmos essa mutação genética no indivíduo afectado, é possível estudar todos os familiares directos e ver quais é que têm um risco comparado à população normal. ou os que têm um risco aumentado e que têm que fazer uma vigilância especial”.
 
A investigação tem dado passos importantes mas há ainda um longo caminho a percorrer. Nos E.U.A., um estudo recente estima que uma em cada cinco pessoas de raça caucasiana venha a desenvolver cancro de pele e que um, em cada cinquenta, seja um melanoma. Por enquanto, a prevenção e o diagnóstico precoce são as únicas armas de combate ao aumento da prevalência do cancro cutâneo.


publicado por servicodesaude às 19:32
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Doenças de Pele - Prevenção Cancro – sol, cremes e mitos (1-2)

Em relação ao cancro da pele, aquele que certamente mais nos preocupa é, certamente, o melanoma, a sua forma mais grave. E apesar de todos os anos os médicos procederem aos mesmos avisos, há quem continue a infringir as regras que se sabe serem as mais adequadas, nomeadamente, no que toca às horas “proibitivas” de exposição ao sol. Os pais têm culpa nisso, quando pensamos nas crianças pequenas?

 
Dra. Margarida Apetato (dermatologista e directora do Serviço de Dermatologia do Hospital dos Capuchos): Claro que sim. Vemos as praias cheias a horas que não deveria estar lá ninguém. E é evidente que nessas idades é extremamente importante que a quantidade de radiação ultravioleta recebida seja o mais baixa possível para minimizar eventuais efeitos a longo prazo.
 
As células memorizam toda a informação errada que receberam…
Mais tarde, toda a radiação ultravioleta que a nossa pele recebeu vai ser memorizada e a nossa pele vai ser o espelho disso. O sol é um acelerador.
Agora, a pele das crianças tem características particulares, tem menos defesas que as peles mais maduras. É a pior idade.
Os médicos, a Associação Portuguesa de Cancro Cutâneo e até os pediatras, têm batalhado muito para que no primeiro ano de vida do bebé não haja exposição em absoluto e, no segundo, apenas em algumas horas.
 
A própria indústria dermocosmética põe à venda cremes que provocam nas pessoas a sensação de que têm ali um filtro, ou mesmo um écran total, que não deixa acontecer nada…
Dr. Luís Leite (dermatologista e director clínico da Clínica Médica de Belém): De facto há hoje uma corrente de dermatologistas americanos que diz que os protectores solares não vieram ajudar, mas sim aumentar a incidência do cancro cutâneo.
As pessoas vão para o sol como se tivessem um escudo invisível, despreocupadamente, na ignorância total. E, entre certas horas, nem com os supostos cremes que dizem “écran total”. Eu digo aos meus pacientes que a hora proibitiva é entre o meio-dia e as 16h30.
 
Até às 17h00 ainda é considerado um período “amarelo”, ou seja, não é completamente seguro… Exactamente.
 
Partilha dessa afirmação polémica dos seus colegas americanos de que alguns produtos vieram piorar, em vez de melhorar a prevenção?
Dr. Luís Leite (dermatologista): Partilho, porque as pessoas acabam por apanhar radiação ultravioleta em excesso nas horas mais críticas. E sabemos que as alterações climáticas têm contribuído para isso.
É um mito os pacientes dizerem “não estou permanentemente ao sol, estou na praia de um lado para o outro” ou “estou sempre dentro de água”. Ora, as radiações ultravioleta penetram bem até aos 50cm, às vezes até mais. É necessário desmistificar uma série de mitos.
 
Mesmo as pessoas mais esclarecidas pensam muitas vezes que se puserem o creme e depois o renovarem após o banho, que isso chega. Mas não é assim pois não?
Dra. Martinha Henriques (dermatologista e directora do Serviço de Dermatologia do Hospital de Santo André, em Leiria): Não. À partida os protectores solares devem ser colocados pelo menos 30 minutos antes antes de se ir para a praia. E depois de se ir à água tem que se renovar a aplicação.
Mas há outro problema com os protectores solares. Eles têm um determinado índice de protecção, mas que foi estudado em laboratório, em condições ideais. A maior parte das pessoas não os aplica na quantidade correcta de forma a atingir os 30 ou os 50 de factor de protecção que se pretende.


publicado por servicodesaude às 18:35
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Doenças de Pele - Cancro: tipos, gravidade e detecção precoce

Nos casos mais extremos encontram-se cancros de pele mas, felizmente, nem todos têm a mesma gravidade. Tal como noutras doenças, o fundamental é fazer a detecção precoce?

Dra. Martinha Henriques (dermatologista): Sim, há tumores cutâneos malignos diferentes. Uns que são muito frequentes, como os carcinomas basocelulares e espinocelulares, mais associados à exposição ao sol, e que afectam certos trabalhadores muito expostos ao sol. E depois temos o melanoma, que está mais ligado à exposição aguda e intermitente. Os primeiros são muito frequentes, mas menos agressivos (embora possam ser agressivos localmente e o espinocelular se possa metastizar), mas não têm a gravidade do melanoma.
 
A maior parte das campanhas têm como objectivo alertar para o melanoma que é um dos tumores mais graves. E o tratamento passa por uma detecção precoce.
Para termos uma ideia da importância da detecção precoce; se tirarmos um tumor até 0,75 mm de espessura, depois da excisão da lesão, podemos dizer que aos cinco anos a sobrevida é superior a 95%. Mas se tirarmos um tumor com 3 mm de espessura, a sobrevida aos cinco anos já só é de 60%. E se for um tumor que já esteja metastizado, a taxa de sobrevida aos cinco anos é inferior a 5%.
Estes valores permitem-nos entender a importância do diagnóstico precoce do melanoma.


publicado por servicodesaude às 17:37
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Doenças de Pele - Prevenção Cancro – sol, solários e mitos (2-2)

Se perguntasse aos três dermatologistas aqui presentes, se seria melhor levar uma criança à praia nas piores horas, por impossibilidade das famílias irem mais cedo, ou não as levar de todo à praia, qual seria a resposta?

Dr. Luís Leite (dermatologista): Obviamente, ou não as levar, ou ir depois das 16h30.
Estar à sombra dá alguma protecção, mas apanha-se na mesma com a radiação reflectida: na água, na areia, ou na piscina, através dos muros brancos que a rodeiam.
Tudo serve de factor reflector de radiação ultravioleta. O estar à sombra é também uma solução muito parcial. E se for um toldo, o algodão é o que deixa passar menos, mas também deixa passar os ultravioleta.
(Os australianos são pioneiros na produção de vestuário que confere um certo grau de protecção solar e, mesmo em Portugal, também já existem este tipo de empresas).
 
O dito “escaldão” que muitos adolescentes apanham quando se esquecem de por o protector solar e qualquer pessoa que vá acumulando “escaldões” ao longo da sua vida têm uma maior probabilidade de vir a ter uma patologia cancerígena?
Dra. Margarida Apetato (dermatologista): Claro que sim. Sobretudo quando a exposição não é contínua ao longo do ano. Tem sobretudo a ver com o aparecimento de lesões pigmentadas malignas. Sabe-se que os adolescentes fazem muito isso porque vivem a ansiedade moderna de um bronzeamento rápido.
 
Este novo ideal de beleza veio prejudicar as mulheres? Há um século atrás a mulher era branca, agora o objectivo é estar “queimado” todo o ano?
Dr. Luís Leite (dermatologista): Já não é.  
 
Dizem-nos que não é, mas todos os anos vemos imensos exemplos…
Na minha opinião o ideal já mudou…Veja a Claudia Schiffer, a Juliette Binoche, a Adjani, a Nicole Kidman. Até a Camila do príncipe Carlos se desloca de sombrinha…
 
A propósito de bronzeamento artificial, os solários ainda correspondem a este ideal de beleza; uma forma de se ficar bronzeado…
Dr. Luís Leite (dermatologista): São fábricas de cancro de pele, é preciso dizer isto de uma orma nua e crua. E serão sempre, façam o que fizerem.
 
Dra. Margarida Apetato (dermatologista): São um negócio, que só existe porque as mentalidades ainda não se alteraram, mas são carcinogénicos.
 
Dra. Martinha Henriques: As pessoas são livres de fazerem o que quiserem mas o nosso dever é alertá-las. Porque as pessoas ainda não estão consciencializadas. Há 20 anos ninguém ouvia falar em solários.
Hoje não sabemos quantos existem, quais os locais onde estão a funcionar. Em 2005 saíu um decreto lei que legislou os centros de bronzeamento artificial, de acordo com a legislação comunitária, mas não se trata apenas da utilização de máquinas, de aparelhos.
 
Dr. Luís Leite (dermatologista): Também não há cuidado com os pescadores, os trabalhadores da construção civil e os profissionais que trabalham na agricultura, que têm direito à protecção. É assim em toda a Europa e é assim cá, como se o clima ou as horas de sol fossem os mesmos em todos os países.
 
A DECO (Associação de Defesa do Consumidor) chumbou mais de metade dos 23 solários que visitou, considerando que eles infringem a lei ao não entregarem aos utentes uma declaração com informação sobre riscos e conselhos.
O estudo será publicado em Abril de 2009 na revista da DECO e diz ainda que a maioria não garante o uso seguro dos aparelhos de bronzeamento artificial.
 


publicado por servicodesaude às 16:40
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Doenças de Pele - Crianças ao sol - os riscos

Paula Jorge, 42 anos, nadadora-salvadora, do Seixal (telefonema):

Sou nadadora salvadora desde 1984 e, há uns anos, ainda se via os pais levarem os filhos cedo para a praia, das 8h30 ás 11h, 11h30 da manhã.
As pessoas gostam de dormir de manhã, sobretudo durante os fins-de-semana e nas férias e estamos no serviço e vemo-las a entrar na praia ao meio dia, ou a seguir à hora de almoço, com crianças de berço!
 
Não podemos dizer nada senão ainda somos ofendidos. Mas na formação de um nadador-salvador é-lhe sempre dito que tem a obrigação de chamar a atenção às pessoas, até porque muitas adormecem ao sol.
 
As pessoas de ascendência africana também se fiam demasiado na sua pigmentação da pele. Nunca as vemos a usar protector solar.
 
Outra situação grave é a dos colégios. Certamente devem existir regras a cumprir em termos de vestuário, que proteja melhor as crianças, mas o que acontece é que mesmo quem vai monitorizar as crianças chega à praia de biquíni.
 
Queria no entanto reforçar a primeira parte da minha intervenção. Quando vejo as pessoas a entrar na praia com toda a descontracção a seguir ao almoço, dá vontade de lhes perguntar se querem assassinar os filhos…
Isto revolta-nos como técnicos de emergência médica e como socorristas.

 



publicado por servicodesaude às 15:50
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Doenças de Pele - Tratamento da acne - jovens e adultos

A acne diz sobretudo respeito aos jovens, mas também há acne em pessoas mais velhas?

Dra. Martinha Henriques (dermatologista): A acne é uma doença fundamentalmente dos adolescentes mas há acnes tardios, muitas vezes hormonodependentes.
Mesmo nos homens que têm a pele muito oleosa pode continuar a haver acne do dorso.
Nas mulheres, a acne tardia tem outras características, muitas vezes já não tem tantas púistulas, é mais localizado nas áreas mandibulares, mas pode-se manter.
 
No tratamento da acne o vosso papel enquanto dermatologistas é também muito o de psicólogos ou psiquiatras, porque um jovem com acne pode ser muito penalizado pelo aspecto que transmite aos outros, por vezes de quase repulsa, quando há formas de acne muito violentas…
Dra. Margarida Apetato (dermatologista): Sim, sentimos todos isso. Há um acne ligeiro, que não molesta muito em termos psíquicos. Mas pode ser de grau moderado, e já ter um grau de interferência importante nesta idade, em que a imagem é preponderante. E depois há a acne muito grave.
Embora seja uma doença transitória, própria de uma determinada idade, pode estender-se para lá dela, por isso temos que ajudar sob o ponto de vista psicológico mas sobretudo com as terapêuticas que usamos. Sermos eficazes, conseguirmos resultados, porque hoje em dia há tratamentos eficazes para a acne.
 
Mas também aí há uma plêiade de medicamentos, que prometem resolver o assunto quase de um momento para o outro…
Dr. Luís Leite (dermatologista): Os que são anunciados é porque não são vendidos, portanto, não são para utilizar…
Hoje há estudos que mostram que cerca de 80% dos jovens com acne têm, em maior ou menor grau, depressão. Um dos medicamentos que mais utilizamos na terapêutica da acne é uma substâsncia derivada da vitamina A que se chama isotretitoína.
 
Quero aproveitar para desmistificar os malefícios da isotretitoína, com o qual tenho mais de 30 anos de experiência e nunca tive um problema. Tudo tem a ver com a dose. É uma droga seguríssima e eficaz no tratamento da acne. Evidentemente, prescrita pelo médico.
Uma mulher que esteja a tomar isotretitoína não pode engravidar enquanto durar o tratamento. Se mudar de ideias, tem que interromper o tratamento quatro semanas até poder engravidar.
 
A indústria farmacêutica é um negócio. Antigamente a acne tratava-se com antibióticos e as pessoas andavam anos a tomar antibióticos. Como o filho de um senador morreu de suicídio e andava a tomar esta substância (isotretitoína), daí até concluir-se que causava depressão e que levava ao suicídio, foi muito rápido.
 
A Academia Americana de Dermatologia conduziu um estudo onde foi demonstrado que a isotretitoína não causa depressão. Tenho pacientes que estão a tratar-se de depressão, por outros motivos, e tomam isotretitoína. E mais: a taxa de suicídio em pessoas que tomam isotretitoina é inferior à taxa de pessoas que não tomam.
Mas muitas vezes os farmacêuticos põem em causa a nossa prescrição…


publicado por servicodesaude às 14:55
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Doenças de Pele - Psoríase - Estigma de contágio e terapêutica (1-2)

A psoríase atinge, em todo o mundo, aproximadamente, 2% a 3% da população. É uma doença que levanta muitas dificuldades sociais porque quando é visível (certas feridas), as pessoas sentem-se estigmatizadas e quase têm vergonha de aparecer, socialmente. O objectivo da associação é lutar contra esse estigma…

João Cunha (presidente da Associação Portuguesa de Psoríase): Esse é um dos objectivos da associação. Em primeiro lugar divulgar a doença e passar a mensagem, essencial, de que a psoríase não é contagiosa.
Outro dos objectivos é que haja uma melhoria na qualidade de vida dos doentes. E essa melhoria passa, basicamente, por essas pessoas terem o acesso aos medicamentos.
Hoje existem muitos doentes que não se conseguem tratar, por vários motivos. Em alguns casos por não poderem comprar os medicamentos.
Esta é uma doença crónica, para os doentes e para os médicos, mas não é reconhecida como tal pelo Serviço Nacional de Saúde e esse é justamente outro dos objectivos da associação. E já existem terapêuticas que permitem viver muito melhor com psoríase, têm é que estar ao alcance de todos.
Por fim, outro dos objectivos da associação é criar algumas formas de apoio aos doentes, que passam essencialmente pelo apoio psicológico.
 
A psoríase, para além do aspecto estigmatizante, aparece ainda associada a outras doenças?
Dra. Martinha Henriques (dermatologista): Antes a psoríase estava muito no seu local da pele. Agora a psoríase ultrapassa muito a questão da pele.
Cerca de 20% a 30% dos doentes vêm a ter artritre psoriática, um tipo de artrite. E também se sabe hoje que a psoríase pode estar associada a outras comorbilidades: a diabetes, a obesidade, a dislipidémia, a hipertensão...
Por isso, estamos hoje a tentar abordar o doente de uma forma diferente.


publicado por servicodesaude às 13:57
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Doenças de Pele - Psoríase: estigma de contágio e terapêutica (2-2)

Cremilde Silva, 59 anos, empresária, de Tires (telefonema):

O meu marido tem psoríase. Como tenho uma neta em casa, receio que possa haver contágio.
Também acho que o meu marido se sente estigmatizado e tenho tentado convencê-lo a contactar a associação.
Dra. Margarida Apetato (dermatologista): Tem que se acabar com esse mito de uma vez por todas: a psoríase não é contagiosa. O problema das doenças crónicas cutâneas é que são visíveis. E isso reflecte-se no dia-a-dia das pessoas em termos físicos, psíquicos, sociais, ocupacionais e profissionais.
Se têm lesões visíveis nas mãos fogem muitas vezes do cumprimento de mão; se têm problemas ao nível do couro cabeludo (por vezes uma das zonas mais afectadas) têm alguma dificuldade em ir aos cabeleireiros, aos barbeiros...
Não entendo como certas ideias ainda se mantêm, mas quanto mais se falar da doença e os doentes se ajudarem entre si, melhor viverão.
Hoje existem vários opções de tratamento da psoríase, da moderada à grave, que permitem o controlo da doença. E estão a surgir novas terapêuticas.
 
Mesmo a nível sexual, não há qualquer perigo de contágio?
Dr. Luís Leite (dermatologista): Há formas de psoríase localizadas única e exclusivamente na área genital ou péri-genital. E que podem ser devastadoras para a sexualidade de um casal.
Depois há situações muito pessoais. Lembro-me de uma rapariga com 20 anos, que tinha casado há pouco tempo e andava a fazer fototerapia. O marido não lhe tocava!
As formas de psoríase nos genitais andam muitas vezes mal rotuladas de candidíase, apesar de hoje serem muito bem controladas com substâncias tópicas.


publicado por servicodesaude às 12:59
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Doenças de Pele - Psoríase em crianças

A sua filha tinha dois anos (agora tem nove), quando llhe apareceu a psoríase?

Ana Rodrigues: É verdade. Os primeiros sinais apareceram por volta dos dois anos e levou algum tempo até sabermos que era, de facto, psoríase. O diagnóstico foi difícil e os médicos que consultei disseram-me que não era comum a psoríase aparecer tão cedo. Antes de lhe ter sido feito o diagnóstico correcto foi-lhe diagnosticado eczema, alergias…
Agora tem nove anos, mas tem sido difícil controlar a doença. Já não tanto pelo aspecto da pele, mas muito pelo trauma que lhe ficou pelo tempo em que as manchas e as feridas eram tão visíveis - da cabeça aos pés - que ela se sentia diferente na escola, na praia…
 
Conseguiu que ela se habituasse a essa ideia apenas com a ajuda da família ou pediu outro tipo de ajuda?
Ana Rodrigues: Tem também o acompanhamento de um psicólogo e de um pedo-psiquiatra que, ao longo dos anos, a têm vindo a acompanhar. Por outro lado, ajuda muito o facto do meu marido também ter psoríase e saber lidar bem com a doença.
A ele apareceu-lhe aos 12 anos e depois de ter tentado tudo e mais alguma coisa para lutar contra a patologia, aprendeu a conviver com a situação; o que também ajuda a minha filha.
 
Há alguma evidência científica que haja uma carga genética no caso da psoríase?
Dr. Luís Leite (dermatologista): Há uma predisposição genética. E muitas vezes os pais podem apenas transmitir aos filhos e neles nunca se manifestar, por nunca ter existido contacto com o factor desencadeante.


publicado por servicodesaude às 11:01
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Doenças de Pele - Psoríase: comparticipação medicamentos

Manuel Ferreira, da Trofa (telefonema):

Gostava de perguntar ao presidente da Associação Portuguesa de Psoríase se esperam vir a obter uma maior comparticipação nos medicamentos. Temos que os tomar diariamente e muitas vezes não nos conseguimos tratar pela falta de dinheiro para os medicamentos…
 
João Cunha (presidente da Associação Portuguesa de Psoríase): Agradeço a questão, e desafio-o, desde já, a associar-se.
Como os médicos aqui presentes reconheceram, esta é uma doença crónica, e queremos que seja reconhecida como tal.
Os próprios fármacos, que as pessoas não podem pagar, fazem com que o impacto da doença aumente. Quando se fala que alguns produtos de dermocomética deviam passar a medicamentos, se calhar seria bom pensar o mesmo relativamente a alguns auxiliares terapêuticos utilizados na psoríase. Para nós não são cosmética; são fundamentais.
Na nossa perspectiva sai mais caro ao Estado tratar os doentes com psoríase num estado mais avançado. Parece-me fundamental que a pessoa possa ser logo tratada depois de ter sido diagnosticada a psoríase.


publicado por servicodesaude às 10:03
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Doenças de Pele - Impacto psicológico: acne, psoríase, eczemas

Como noutras doenças, referimo-nos ao seu impacto psicológico. E mesmo a acne, que é tão vulgar, pode provocar grandes perturbações e até levar alguns jovens a pensar em suicídio...

O impacto psicológico é muito grande em idades em que a personalidade não está ainda bem estruturada e em que a imagem corporal tem uma enorme importância?
Dr. Álvaro de Carvalho (psiquiatra, Coordenação Nacional de Saúde Mental): Há uma correspondência entre definição de identidade do adolescente e imagem, muito concentrada no corpo. E quando há um aspecto do corpo que chama a atenção e que dá a sensação de não normalidade, leva a um deslocar dessa distorção e, eventualmente assim, esconder problemas de natureza emocional.
Depois há um outro aspecto que merece a pena salientar. É que a origem embrionária da pele é a mesma do sistema nervoso. Por isso as pessoas dizem que “a pele é o espelho da alma”.
No acne, na psoríase e em alguns eczemas, é muito evidente que há uma corelação entre o estado emocional e a melhoria, o agravamento ou o aparecimento dessas patologias.
Os dermatologistas encaminham os doentes, em muitas destas situações, para um psiquiatra ou um psico-terapeuta, para darem apoio psicológico, porque a situação não tem apenas a ver com a existência de uma doença crónica, mas com a visibilidade dos efeitos e o impacto social que provoca. E depois, a nível pessoal, também com uma certa predisposição para a depressão e situações de ansiedade.


publicado por servicodesaude às 09:05
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Doenças de Pele - Ficha Técnica

Autoria, Coordenação e Apresentação

Maria Elisa Domingues
 
Convidados
Martinha Henriques
Margarida Apetato
Luís Leite
Álvaro Carvalho
Nina de Sousa Santos
 
Pesquisa
Alexandra Figueiredo
Miguel Braga
 
Reportagem
Buenos Aires Filmes
 
Produção
Miguel Braga
 
Jornalistas
Miguel Braga
Teresa Mota
Raquel Amaral
 
Gestão e Edição de Conteúdos
na Web (portal Sapo)
Natacha Gonzaga Borges
 
Imagem
Gonçalo Roquette
Filipe Lopes Graça
Arquivo RTP
 
Edição e pós-produção vídeo
Sara Nolasco
 
Pós-produção aúdio
Miguel Van Der Kellen
 
Atendimento telefónico
Nuno Gaibino
Manuel Rocha
Mariana Sousa
Ana Marta Coelho
 
Câmaras
Pedro Castro Silva
Ricardo Ramalho
Ângelo Assis
Floriano Esteves
João Sardinha
 
Mistura de Imagem
Ana Cristina Madeira
 
Controlo de Imagem
Bruno Arraiolos
 
Som
José Miguel Antunes
Joana Perucho
Tiago Romão 
 
Iluminação
Luís Silvestre 
 
Electricista
João Martins
 
Técnicos de Electrónica
José Borges
Rui Loureiro
 
Assistentes de Operações
José Fernandes
Jaime Silva
Orlando Aurélio
António Costa
 
Caracterização
Fátima Tristão da Silva
Ana Filipa
Rita Craveiro
 
Assistente de guarda-roupa
Paula Sousa
 
Registo Magnético
Bruno Albuquerque
 
Gerador de Caracteres
Manuel Barreiros
 
Teleponto
Luís Pereira Torres
 
Genérico e Grafismo
Nicolau Tudela
Teresa Martins
 
Música Genérico
Ari de Carvalho
 
Assistente de Realização
Pedro Valladas Preto
 
Anotadora
Eva Verdú
 
Chefe Técnico de Produção
Gaspar Fiúza
 
Criação Cenográfica
Gil Ferreira
 
Execução Cenográfica
Isabel Rodrigues
 
Produção
Filipa Azevedo
 
Realização
Jorge Rodrigues


publicado por servicodesaude às 08:08
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Doenças de Pele - Links

Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venereologia

Associação Portuguesa de Cancro Cutâneo
Liga Portuguesa Contra o Cancro  
Associação Portuguesa de Psoríase 
Portuguese Acne Advisory Group 
Academia Europeia de Dermatologia e Venereologia
Associação Americana de Dermatologia
http://www.skincarephysicians.com/acnenet/FAQ.html


publicado por servicodesaude às 07:10
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Doenças de Pele - Questões acne e herpes (telespectadores)

Alzira Bastos: “Tive febre aftosa quando tinha três anos. Desde então, e de acordo com os relatos dos meus pais, fiquei com herpes”.

A questão que coloca é se o herpes é uma sequela, ou não, porque tem um neto que tem febre aftosa e receia que lhe aconteça a mesma coisa.
Dra. Margarida Apetato (dermatologista e directora do Serviço de Dermatologia do Hospital dos Capuchos): De facto ela não teve uma sequela; teve uma reactivação do vírus do herpes. Aos três anos foi o causador da estomatite aftosa, e é tipicamente característico das infecções decorrentes do herpes. O vírus nunca mais ser eliminado do organismo. Fica em estado latente, adormecido, numa raiz nervosa próxima.
As lesões herpéticas são predominantemente orais e o vírus ficará nessa zona. A reactivação mais frequente é labial: é o chamado herpes labial.
Pode surgir por vários factores: de ordem física, por exposição à radiação ultravioleta, ao sol, ao frio, devido ao stress e até por algum desarranjo intestinal.
Portanto, o neto desta senhora vai ter herpes, em princípio até ao resto da vida. E  o vírus vai estar quietinho e um dia será reactivado.
 
Helena Almeida, tem 30 anos e desde os 18 que tem problemas de acne. Já consultou seis dermatologistas e não consegue resolver o seu problema. Fez tratamentos com radiações, peelings e tratamentos com comprimidos, com graves efeitos secundários, o que faz com que hoje tenha um grave problema de auto-estima. Pergunta o que há-de fazer?
Dra. Margarida Apetato (dermatologista): O acne, mesmo numa mulher de 30 anos, pode ser complicado de resolver mas existem tratamentos extremamente eficazes. Um deles é esse que a senhora fala que tem graves efeitos secundários. No entanto, apesar da longa lista de potenciais efeitos, os graves são raríssimos. Em mais de 25 anos de prática nunca tive de interromper esse tratamento.
 
É um tratamento hormonal?
Dra. Margarida Apetato (dermatologista): Não, a senhora pode já ter feito tratamento hormonal, mas esse de que a senhora fala é outro. É extremamente eficaz, mas tem que ser bem administrado em termos de doses e, eventualmente, precisa de outros medicamentos sistémicos para levar o acne à remissão.
A senhora não pode entrar em desespero e desistir porque já vimos que, quando a acne não é controlada, pode gerar diversos problemas de auto-estima.
 
Para quando está previsto o próximo rastreio do cancro de pele em Lisboa?
Dr. João Amaro (dermatologista, ex-director do Serviço de Dermatologia do IPO de Lisboa, pertence à Associação Portuguesa de Cancro Cutâneo): Além de Lisboa, também se realiza no resto do país, em diversas instituições. Está marcado para o dia 27 de Maio (2009) e a lista das instituições aderentes podem ser consultadas no site da Associação Portuguesa de Cancro Cutâneo.
 
 


publicado por servicodesaude às 06:20
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