Terça-feira, 19 de Maio de 2009
Doenças Cardíacas - Introdução (por Maria Elisa Domingues)

O programa Serviço de Saúde, da RTP 1, do dia 19 de Maio de 2009, debruçou-se sobre as Doenças Cardiovasculares que, no seu conjunto, constituem a primeira causa de morte em Portugal. 

Num programa anterior debruçámo-nos exclusivamente sobre os AVC (acidente vascular cerebral), cuja taxa de incidência no nosso país continua a ser a mais alta da União Europeia.

Hoje vamos conversar sobre outras doenças cardiovasculares, nomeadamente sobre o Enfarte, já que só ele mata uma média de 24 portugueses todos os dias, procurando saber com os nossos convidados especialistas, como evitá-las ou, no caso de isso ser impossível, como tratá-las.
 
Mais de 40% dos portugueses são hipertensos e, essa, é a primeira causa dos seus problemas cardiovasculares. Se juntarmos à hipertensão o excesso de peso, o álcool, o hábito de fumar, as gorduras e o açúcar em excesso, a falta de actividade física e o stress, temos um conjunto de razões suficientes para explicar muitos dos nossos problemas de saúde, que contrariam os fantásticos progressos alcançados pela medicina e pela tecnologia nas últimas décadas.
 
A nossa reportagem esteve esta semana em Lisboa e em Vila Nova de Gaia.

 



publicado por servicodesaude às 20:55
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Doenças Cardíacas - Reportagem

São doentes cardíacos num programa de reabilitação.

Aos 79 anos este cirurgião reformado, ex-director do Hospital Pulido Valente e avô de 26 netos, já tem quatro bypass. Cansa-se menos nos treinos do que no dia-a-dia.
 
Francisco Oliveira Dias (79 anos): “Muitas vezes chego cá cansado e depois do aquecimento e de andar por aí, sinto-me bem.
 
No caso de Mário Ribeiro, um dos alunos que integrou este projecto, o coração foi vítima da mesa. Bom garfo, nunca se privou de nada.
Operado em 1990, os médicos que lhe fizeram quatro bypass, sentenciaram-lhe quatro anos de vida. Mário não se conformou. Alterou o seu estilo de vida e de alimentação e hoje, 18 anos passados, beneficia das vantagens de uma vida regrada.
 
Mário Ribeiro (75 anos): “Foram quatro enfartes intercalados e o quarto levou-me mesmo à cirurgia; fui ressuscitado no hospital”.
 
Com apenas 49 anos, José Matias não ganhou para o susto quando a 16 de Maio de 2008, o coração ameaçou parar. Não era fumador, mas tinha peso a mais, antecedentes familiares e uma vida carregada de stress. Depois do enfarte, este fervoroso adepto do Benfica rapidamente deixou o desporto de bancada e entrou em campo.
 
José Matias (50 anos): “A vida vai-nos tirando tempo, vamos sempre optando por outras coisas e vamo-nos esquecendo do desporto. Temos que fazer, temos que fazer, mas… não fazemos. E eu, pessoalmente, não gostava de ir fazer desporto para dentro de um ginásio, com máquinas… sempre achei que era monótono, mas aqui é bastante diversificado”.
 
Este projecto, pioneiro em Portugal, serviu de base a um estudo académico e provou que nos doentes que integram este programa, a doença progrediu menos e houve um maior ganho de qualidade de vida, em relação a outros que fazem apenas exercício aeróbico ou que não fazem exercício nenhum.
 
No caso de Sérgio, a reabilitação faz-se fora do ginásio. O trabalho numa fábrica de tubos plásticos no Norte do país, garante-lhe exercício suficiente. Hoje, faz a primeira prova de esforço no Centro Hospitalar de Gaia.
 
O acompanhamento pós-enfarte passa não só pela reabilitação física mas também pelas consultas de cardiologia e por um programa de reeducação alimentar.
Na noite de 9 de Janeiro, e com apenas 36 anos, começou a sentir os sintomas de um ataque cardíaco.
 
Sérgio Sousa (36 anos): “Comecei com vómitos, a transpirar e com diarreia. A noite foi-se prolongando assim e a partir das seis da manhã, começou a dar-me uma dor no peito; um aperto. E depois, por volta das sete, comecei a sentir formigueiro pelos dois braços. A partir daí comecei a aperceber-me de que era um enfarte. E disse à minha mulher para telefonar para o INEM, “porque me estou a sentir muito mal, e vou morrer”.
 
A sua vida esteve por um fio, mas foi salvo. Sérgio entrou na urgência e foi rapidamente encaminhado através da via verde interna do hospital, que permite o atendimento directo 24 horas por dia, 365 dias por ano, a todos os doentes cardíacos.
 
Vasco Gama Ribeiro (Centro Hospitalar de Gaia): “O doente vem para o laboratório de hemodinâmica onde existe uma equipa médica, constituída por médicos, enfermeiros e auxiliares, que o tratam.
A ideia é abrir a artéria que está tapada com um trombo, ou chupar-lhe o que está impedir, e depois tratá-la, pondo uma pecinha de metal, fazendo com que a artéria fique aberta. Este é um procedimento normal na chamada via verde do enfarto agudo do miocárdio”.
 
Foi neste antigo sanatório, transformado e integrado no Centro Hospitalar de Gaia, que Sérgio foi cateterizado e onde continua a ser seguido. Aqui, a Unidade Coronária, de acordo com as novas directrizes europeias, acolhe todos os doentes cardíacos.
 
Embora o número de mulheres afectadas seja menor que o dos homens, é no sexo feminino que as doenças coronárias têm vindo a aumentar:
 
“De facto hoje em dia, a mulher tem os mesmos stresses, e no trabalho faz as mesmas coisas, faz os mesmos consumos, e também fuma. Em termos hormonais, quando se dá a menopausa, a doença coronária quase como que explode, e normalmente é de forma muito severa.
 
Maria Isabel é de Ponte de Lima e está reformada das lides de professora. É adepta de caminhadas e foi durante um dos últimos passeios diários que começou a sentir-se mais cansada que o normal:
 
Maria Isabel Felgueiras (56 anos): “Comecei a sentir-me indisposta, sem vontade de trabalhar; não me estava a sentir bem”.
 
O diagnóstico de ruptura na válvula mitral obrigou à intervenção.
O recurso à cirurgia tem vindo a decrescer nos últimos anos, graças aos resultados positivos obtidos através de cateterismos. Portugal está vanguarda de meios técnicos e humanos no que toca à cardiologia.
Foi também no Centro Hospitalar de Gaia que se fez pela primeira vez uma técnica que permite substituir a válvula aórtica, sem operação:
 
Vasco Gama Ribeiro (Centro Hospitalar de Gaia): “É possível introduzir uma válvula aórtica artificial pela perna do doente, não recorrendo a cirurgia, fazendo a mesma coisa. O doente tem alta passados dois ou três dias, passando depois a fazer uma vida normal e com resultados muitíssimo bons”.
 
Para a maioria dos doentes cardíacos, os factores de risco são bem conhecidos:
- Excesso de peso
- Hipertensão
- Sedentarismo
- Tabagismo
 
Neste caso, a adopção de práticas saudáveis pode minimizar, ou mesmo evitar, algumas doenças.
 
Bem diferente é o que acontece quando o problema é congénito. Cerca de 8%, em cada mil bebés, nascem com problemas de coração.
A Unidade de Cardiologia Pediátrica no Hospital de Santa Marta, em Lisboa, recebe crianças de todo o território nacional e dos países de língua oficial portuguesa (PALOP).
 
É o caso de Wesa Ferreira, uma angolana de 9 anos, que precisou de vir a Portugal para tratar o coração.
Todos os anos cerca de mil crianças nascidas nos PALOP são tratadas em Portugal. Enquanto estão internadas todos os custos são suportados pelo hospital mas, assim que têm alta, muitos vêm-se a braços com grandes dificuldades.
 
Luís Frederico (assistente social): “Ele não tem comida em casa? Porque é que não comeu?”
Pai da criança: “Porque saímos antes das oito horas. Antes de comer.
Luís Frederico (assistente social): “E já pediu aí alguma coisa?
Pai da criança: “Não, não”.
 
Luís Frederico (assistente social): “Esta é uma criança que já foi operada e, infelizmente para ele, vai ter que permanecer em Portugal para toda a vida. Foi uma informação que tivémos dos médicos.
Neste momento estamos numa fase de pedir autorização de residência ao SEF (Serviço de Estrangeiros e Fronteiras), para ficarem cá e terem acesso a outro tipo de recursos. O pai terá que tentar arranjar um trabalho…”.
 
Fátima Pinto: “Este tipo de casos, para além de médicos, são também casos de problemas socioeconómicos muito importantes. Primeiro, porque vêm desinseridos do país de origem; segundo, desinseridos da família. Muitas vezes vêm só com o pai ou com a mãe e é muito raro virem com os dois progenitores. Depois, porque têm uma série de problemas, ou de saúde pública, ou de cuidados primários, e nós temos que colaborar na sua resolução, porque se não, nunca conseguiremos tratar eficazmente o problema cardíaco.
Não há dúvida que são casos “acima” da medicina ou, se calhar, ao contrário, da verdadeira medicina, que tem que ser isto mesmo: a integração da medicina curativa nos problemas socioeconómicos”.
 
Embora a taxa de mortalidade tenha vindo a decrescer nos últimos 20 anos, os óbitos por enfarte do miocárdio, só em 2005, superaram os oito mil.
 
No seu conjunto, as doenças do aparelho circulatório continuam a ser a primeira causa de morte em Portugal.


publicado por servicodesaude às 19:06
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Doenças Cardíacas - Apresentação Convidados

Dr. José Roquette – Cirurgião cardiotorácico. Desde 2006, director clínico do Hospital da Luz, em Lisboa. Foi durante vários anos director da Cirurgia Cardiotorácica do Hospital de Santa Marta, em Lisboa.

Além disso, foi duas vezes presidente do Colégio da Especialidade de Cirurgia Cardiotorácica da Ordem dos Médicos e presidente de outras sociedades como, por exemplo, a Sociedade Portuguesa de Cirurgia Cardiotorácica e Vascular.
 
Dr. António Leitão Marques – Cardiologista com subespecialização em Cardiologia de Intervenção. É director da Unidade de Intervenção Cardiovascular do Centro Hospitalar de Coimbra, além de ser presidente de uma ONG: a “Cadeia de Esperança – Associação Médica Humanitária”, que procura apoiar projectos em África, ao nível das doenças cardiovasculares.
 
Dr. Rui Cernadas – Médico de família, na Unidade Familiar da Aguda, em Vila Nova de Gaia. É assistente graduado de clínica geral, e é também especialista em Medicina do Trabalho.


publicado por servicodesaude às 18:08
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Doenças Cardíacas - Causas

Nas doenças cardiovasculares (e deixando de parte os AVC, que já abordámos isoladamente neste programa), deparamo-nos com as mesmas causas: o excesso de consumo de sal em Portugal, de gorduras, de açúcares e de álcool.

Para além disso, temos o stress, comum na vida de todos nós, e um sedentarismo cada vez maior. Ligado a esse sedentarismo, temos um problema de obesidade também cada vez maior, que está a começar já nas crianças.
Este facto pode distorcer as estatísticas que indicam um sentido de diminuição de AVC e de outras doenças coronárias. Com esta obesidade e alimentação errada logo nas crianças, provavelmente estes valores voltarão a disparar, se nada for feito nesse sentido.
 
Relativamente à alimentação e à falta de exercício tenho a impressão que é um pouco como os consumidores de drogas duras: não é pela falta de informação que continuam a tomá-las. Tal como temos a sensação de que todos os dias existem alertas para o consumo excessivo de sal, de açúcares, de gorduras, de álcool…
O que é que não faz os portugueses passarem a ter hábitos de vida mais saudáveis?
Dr. Rui Cernadas (médico de família): Naturalmente é um conjunto de factores. Do ponto de vista económico, se perguntarmos às pessoas, numa reportagem de um telejornal, elas vão dizer que é mais barato fazerem uma refeição num fast food, do que num restaurante tradicional de comida portuguesa.
E isto de certa forma mudou muito o fim-de-semana de muitas famílias. A ida a um centro comercial, a um shopping, transformou-se numa festa para as crianças porque vão encharcar-se em gordura, quer do hambúrguer, quer das batatas fritas.
 
Entendo essa causa socioeconómica mas porventura não é exacta, porque uma refeição com uma boa sopa e uma boa salada, feita em casa, não sai mais cara…
Pois não! Nenhum de nós estará convencido, mas na prática é disso que as pessoas se convencem, porque acaba por ser mais rápido, e porque as crianças e os próprios adultos acham piada.

Repare que as palavras-chave nesta discussão inicial apontam todas num sentido: o consumo. E o consumo chegou a um tal ponto, que em algumas fast food podemos chegar de carro, ter a prioridade de sermos servidos no carro e comer no carro. Isto mostra como o paradoxo do sedentarismo e do consumo abusivo destas gorduras vai ter, obviamente, um preço importante a pagar.



publicado por servicodesaude às 16:10
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Doenças Cardíacas - Estilo de vida e consequências futuras

O que é que se pode fazer para alterar os hábitos, que estão errados, na vida dos portugueses? Maus hábitos alimentares e de falta de exercício físico que, como vimos, são as principais causas das doenças cardiovasculares, entre outras...

Dr. José Roquette (cirurgião cardiotorácico e director clínico Hospital da Luz): É um problema complexo, multifactorial. Não podemos legislar nesse sentido porque a legislação não adianta, porque as pessoas não cumprem.
Comer um sorvete no McDonald´s, ou em outra cadeia de fast food, é agradável, é doce, é saboroso. Têm que se arranjar alternativas que façam com que as pessoas percebam realmente o que é que estão a comer e que prejuízo é que isso lhes está a causar em termos de saúde, e no futuro.
Não há uma relação de causa-efeito imediata. Quando a pessoa come algo que está estragado, e logo a seguir isso tem reflexos, a pessoa tem uma indisposição grande e percebe que há qualquer motivo. Aqui não.
Existia uma alimentação tradicional, mediterrânica, que era extremamente benéfica do ponto de vista da doença coronária, como a sopa, as saladas, o peixe, a fruta – a alimentação tradicional no tempo dos avós – que hoje em dia foi substituída por outro tipo de alimentação muito mais orientada para uma civilização rápida, de consumo, e isso só se vai sentir a longo prazo.
As pessoas não percebem que têm que ser educadas nesse sentido. Tem que haver um enorme esforço de educação.
 
O Sr. tem três filhos. Quando eles eram pequenos e lhe pediam um gelado, explicava-lhes, olhos nos olhos, que os gelados estão cheios de gordura e de açúcar?
Dr. José Roquette (cirurgião cardiotorácico e director clínico Hospital da Luz): Não, dava-lhes o gelado e comia eu também um. Mas não os deixava ir a esses sítios, de que falámos há pouco (restaurantes fast food).
Uma das coisas que mais me perturba nesse tipo de ambientes é o cheiro, o cheiro a queimado.
 
Mas não é o cheiro que vai levar a acumular gordura nas artérias…
Mas é uma questão de protecção. Não levo os meus filhos ou os meus netos a sítios como esses. Comigo, não vão.
 
Mas comiam essas coisas, gelados, por exemplo…
Então não acha que era às crianças que se devia explicar, os efeitos que isso vai ter nas suas vidas, aos 20, aos 30 e aos 40 anos?
Acho que sim. Mas não vejo uma criança com 12, 15, ou 16 anos pensar que vai correr o risco de ter um enfarte aos 40 ou aos 50 anos. Não vai. Até uma certa idade achamos que somos imortais e, a partir de certa altura, começamos a perceber que afinal não somos. Não sei quando é que isso acontece. É muito variável. Uns é só aos 50; outros é quando têm o primeiro enfarte.
As crianças não sentem esse problema; tem que ser de facto pela educação.
 
A questão é que habitualmente essas refeições, que são mais saudáveis, são também muito mais caras. E as pessoas defendem-se.

Por outro lado, a tradição portuguesa de comermos um belo cozido, uma boa feijoada; aquilo é bom e as pessoas gostam. Ao lado de um peixe ou de um bifinho grelhado, é difícil; mas tem que ser feito.



publicado por servicodesaude às 15:14
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Doenças Cardíacas - Prevenção pela educação

Vamos todos esperar calmamente até à hora do enfarte?

Dr. António Leitão Marques (cardiologista): Este é de facto um problema complexo e multifactorial.
Vejam-se todas as campanhas que se fazem para prevenção do tabagismo, com todos os alertas nos maços de tabaco. Diminuiu o número de cigarros consumidos por dia, mas veja-se o número de fumadores… Se fosse fácil já se tinha conseguido mudar este panorama em muitos países.
 
Concordo que muitas crianças não têm a noção do que estão a consumir, mas muitos pais podem ser alertados.
Há hoje nessas doenças – hipertensão arterial, hipercolestrolémia (elevação do colestrol) e na diabetes – uma predisposição familiar importante. E quando são detectadas nos pais, ainda jovens, e que tiveram um enfarte do miocárdio, por exemplo, investigamos o seu nível de colesterol, do açúcar, da tensão arterial. Ou seja, os factores de risco. E os filhos dessas pessoas têm, muito mais que as outras pessoas, que ser orientadas para a prevenção, porque potencialmente têm muito mais riscos de virem a ter o mesmo problema.
 
Este é um processo educativo complexo que tem que começar nos pais, nos adultos, para que as crianças também tenham consciência disso. Depois há medidas sociais que muitas vezes têm mais impacto que aqueles pequenos actos individuais.
Hoje come-se muito comida produzida industrialmente, de onde vêm a maior parte dos alimentos com sal; cerca de 70%. (Os outros 30% vêm do sal que acrescentamos à comida e do sal natural dos alimentos).
Se a legislação for feita sobre a comida produzida industrialmente, o impacto é muito maior do que a acção individual de cada pessoa.
 
Este problema da prevenção é de facto muito complexo, sobretudo o da prevenção primária. Na prevenção secundária, depois dos doentes terem um problema, aí conseguimos muitas vezes, de facto, modificar o estilo de vida.
 
Mas ainda ao nível da prevenção gostava de chamar aqui a atenção para um livro “O Livro do Coração” – Viver Mais e Viver Melhor, da autoria do Prof. Fernando Pádua, há muito conhecido dos espectadores da RTP.
Ele, que também é cardiologista, defende que hoje estas campanhas de sensibilização devem começar pelos sub-20, para evitar o número de crianças e jovens que já sofrem de problemas de obesidade, diabetes tipo 2, etc.
 
Porque é que o gelado, aparentemente bom, faz mal?
Dr. António Leitão Marques (cardiologista): Em pequenas quantidades não creio que seja um dos factores mais importantes. Agora, são açúcares de absorção rápida e às vezes é prático, porque mata a fome mais depressa. Mas também tem gordura. São produtos que têm que ser usados moderadamente. (Não é o gelado isolado que é responsável pela aterosclerose).
 
Agora é verdade que as pessoas que têm níveis de açúcar altos, ou que tenham uma história familiar com diabetes, têm que ter mais cuidado e serem educadas nesse sentido.

A predisposição genética para o açúcar ou para a gordura, juntos com o estilo de vida e os factores de risco, vai rapidamente predispor à doença cardiovascular, porque vai provocar uma diabetes ou uma hipercolestrolémia, mais cedo.



publicado por servicodesaude às 14:32
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Doenças Cardíacas - O que é a aterosclerose, idade e sexo

Vamos tentar descodificar algumas expressões mais difíceis: a aterosclerose é o quê, exactamente?

Dr. Rui Cernadas (médico de família): Imaginemos que temos um tubo de uma mangueira. Se estiver em boas condições, e não tiver nenhuma aterosclerose, estará limpo e lisinho, com a sua estrutura e dimensão inicial.
O processo da aterosclerose fará com que essa mangueira fique de cada vez mais estreita, de forma não regular em toda a sua extensão, com momentos em que terá um maior ou um menor calibre. E é isto que irá facilitar alterações na velocidade e nos fluxos sanguíneos que depois, numa fase posterior, necessitarão da ajuda dos meus “colegas” da Cardiologia de Intervenção, ou da Cirurgia.
 
E as “mangueiras” são todas as artérias e vasos sanguíneos que interferem na circulação…

A aterosclerose é essa deposição, dos vários tipos de gordura circulantes, em camadas de gordura, que depois não escoa. O resultado pode ser a obstrução ou a libertação de pequenos fragmentos, com complicações igualmente temíveis, pois podem entupir em calibres mais estreitos, a jusante deste local.

 

Há uma idade própria para a existência de aterosclerose?

Dr. José Roquette (cirurgião cardiotorácico e director clínico Hospital da Luz): Não há uma idade específica. Há, sim, uma idade em que é mais frequente.
Os homens têm mais aterosclerose coronária, a que estamos a falar mais aqui, e é mais precoce; aparece sobretudo entre os 40 e os 60.
As mulheres começam a ter mais tarde, sobretudo na pós-menopausa. Mas hoje em dia, com a utilização de alguns não-ovulatórios, a aterosclerose também aparece mais precocemente.
 
E hoje também temos um número cada vez maior de mulheres a fumar, o que é mais um factor de risco…

É verdade. E é aí que eu acho que as medidas legislativas podiam ser mais agressivas. Se é mais difícil contrariar todos os aspectos relativos à alimentação de que já falámos, relativamente ao tabaco tem-se vindo a fazer uma campanha muito forte mas penso que ainda podia ser mais agressiva.



publicado por servicodesaude às 13:34
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Doenças Cardíacas - Enfarte do miocárdio: prevenção, sintomas e actuação

Dizíamos na reportagem que os enfartes do miocárdio continuam a fazer vinte e tal vítimas por dia em Portugal. Uma das razões porque isso acontece é porque entre o aviso que a pessoa recebe, os primeiros sintomas, e a chegada a um sitio onde a pessoa possa ser tratada, ainda decorre, por vezes, um tempo excessivo.

 
Dr. António Leitão Marques (cardiologista): Ainda relativamente à aterosclerose, a pessoa é doente durante muitos anos sem saber, porque a doença é silenciosa; não tem sintomas. O mesmo com a hipertensão, a diabetes ou o colesterol elevado. Mas é uma doença que começa muito cedo.
Sabe-se hoje que pagamos mais tarde aquilo que começou quando éramos jovens. Isto não é uma doença de velhos, é uma doença que não nos deixa chegar a velhos, o que é diferente.
Temos que ir activamente procurar estes factores de risco e não esperar que eles dêem sinal.
 
É bom passar a mensagem que todos nós somos responsáveis pela nossa saúde, embora nem todos tenhamos acesso, por exemplo, a um médico de família….
Há muitos locais onde se pode medir a tensão arterial e fazer análises. Até certo ponto é relativamente fácil.
 
O Prof. Pádua diz que “para andar de carro todos os portugueses se conformam com a necessidade de pagar o exame periódico, mas resignamo-nos e não procuramos fazer exames simples, que são o mínimo para sabermos se estamos bem. Exactamente.
 
Dr. António Leitão Marques (cardiologista): O problema do enfarte de miocárdio passa por três questões que são ao mesmo tempo muito simples e muito complexas.
Primeiro, o diagnóstico precoce. Depois, submeter o doente a uma terapêutica que vai abrir a artéria (farmacologicamente ou mecanicamente), para que o músculo cardíaco não morra e as células, que ficam sem oxigénio e sem nutrientes, possam sobreviver.
Por último, adoptar todas as medidas preventivas activas para que não se volte a repetir um evento deste tipo.
 
O primeiro, o diagnóstico precoce, também depende muito do doente porque ele tem que estar alertado para os sinais da doença, que são normalmente marcantes: não é uma dor qualquer. É uma dor demorada, que não passa, e tem certas características: é opressiva e, muitas vezes, irradia para os braços e para o pescoço.
 
Às vezes dá dores de cabeça…
Dr. António Leitão Marques (cardiologista): Ou dores gástricas. Mas não é uma dor qualquer, que demora dois ou tês minutos e depois o doente fica bem.
Nessa altura existem mecanismos que têm que ser activados. Há um número de emergência médica – o 112 – e um serviço – a Via Verde Coronária, que vai activar uma ambulância médica e o doente é levado para o local onde lhe podem fazer o tratamento que precisa.
Aí, abrem-lhe a artéria e se isto for feito de forma rápida, idealmente na primeira hora, o músculo cardíaco pode recuperar quase integralmente.
 
O que acontece em Portugal, é que cerca de 30% dos doentes não efectuam nenhum tipo de tratamento, porque chegam tarde ao hospital, muitas vezes depois das 12 horas, porque ficaram à espera que passasse a dor, tomaram mezinhas caseiras, e perderam aquelas primeiras horas que são fundamentais.
Hoje já temos bons recursos nesta área, mas temos que encontrar formas de organização que mais depressa coloquem os doentes numa posição de serem assistidos. E alertar as pessoas para os sinais com que se devem preocupar.
 

Um fumador, por exemplo, se a certa altura começa ter dor, não pode pensar que é algo inocente, tem obviamente que procurar um serviço que o possa tratar ou diagnosticar.



publicado por servicodesaude às 12:37
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Doenças Cardíacas - Enfarte do miocárdio: hipertensão arterial e ginástica (telefonema)

Telefonema de Bernardete Cruz, 67 anos, de Oeiras:

Em 2002 tive um enfarte, sou asmática e tinha grandes crises. Numa dessas crises de asma, fui de urgência para o hospital e, segundo os médicos, tive um enfarte.
Entretanto fui internada e fiz o cateterismo. Deixei de trabalhar, comecei a fazer ginástica, para não me ir abaixo, mas também por conselho médico.
Como sinto que tenho força faço muita musculação. O que queria saber é se estou a exagerar, já que chego a pegar, por exemplo nos agachamentos, com 10 kg de cada lado, fora a barra que também é pesada.
De noite acordo, por vezes, com uma dor sobre o lado esquerdo que parece uma mágoa, uma angústia e sinto uma espécie de toques de dor, embora relativamente leves. Às vezes vou ver a tensão e chega a estar a 17/10, mas começo a beber água, a andar um pouco, acalmo; e volta a baixar.
Estou a tomar medicamentos e não sei se será algum pesadelo porque isto só me acontece de noite.
 
Dr. António Leitão Marques (cardiologista): Preocupou-me algumas coisas que a telespectadora disse. Teve um enfarte, logo, tem que fazer uma reabilitação orientada. Não pode fazer todos os esforços que entenda.
Outro aspecto que me preocupou foi os valores de tensão muito elevados - 17/10 - quando, sobretudo, esforços de pesos fazem subir a tensão arterial.
Ela está a ser medicada, mas provavelmente não será suficiente porque não tem a tensão arterial controlada. (Isto acontece a muitos hipertensos: tomarem a medicação, mas não terem a tensão arterial controlada).
Provavelmente o que deverá fazer é dirigir-se ao serviço de Cardiologia onde foi acompanhada no seu enfarte, para avaliar melhor essa dor que sente.
Uma pessoa que teve um enfarte pode voltar a ter dor e às vezes é uma doença que se repete e que tem que ser controlada.
 
Referiu que esta telespectadora devia fazer reabilitação. O Prof. Pádua refere que a reabilitação cardíaca é a parente pobre do Serviço Nacional de Saúde e que muito poucas pessoas têm a possibilidade de a fazer. É verdade ou não?
De facto sim, é verdade. A reabilitação inicial, quando os doentes são internados, todos os serviços fazem, como sensibilizarem os doentes para alguns factores de risco, mas a reabilitação de ginásio, contínua, ainda não existe em muitos serviços e há de facto um atraso nessa área.
Temos óptimos equipamentos de cariz tecnológico. Quase todos os doentes que têm um enfarte são cateterizados, é analisada a sua árvore coronária e são tratadas outras lesões.
 
Dr. Rui Cernadas (médico de família): Há um risco enorme decorrente deste gosto súbito dos portugueses pela ginástica e pelos ginásios. Haverá com certeza excepções, de ginásios que seleccionam as pessoas e fazem uma boa análise, mas a maior parte funciona naquele sistema tipo ad-hoc.
Deve-se sublinhar a necessidade de as pessoas fazerem verdadeiros exames médicos e não se preocuparem apenas com a apresentação de um papel do médico a dizer que podem praticar ginástica. Normalmente podem e devem, mas convém verem se têm indicações para isso e que tipo de ginástica poderão praticar.
 
Esse papel entregue nos ginásios provavelmente não inclui o facto daquela pessoa já ter tido um enfarte…
Exactamente. E depois é necessário que os ginásios tenham pessoas capacitadas para orientar estes doentes. A ginástica tem que ser diferente conforme se trate de pessoas em reabilitação ou de pessoas saudáveis.

Depois, para além da assistência do seu Serviço de Cardiologia deverá ser acompanhada pela Medicina Geral e Familiar, ou seja, pelo seu médico de família. E é esse que, em primeira linha, deverá responder a estas questões.



publicado por servicodesaude às 11:41
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Doenças Cardíacas - Homenagem Dr. Fernando Pádua (peça)

O Dr. Fernando Pádua é uma figura incontornável da cardiologia portuguesa. Professor catedrático aos 39 anos, foi um dos pioneiros na chamada de atenção para o papel que a televisão podia desempenhar, como por exemplo alertar a população sobre o consumo excessivo de sal.

 
Médico e investigador com mais de 300 trabalhos científicos publicados, fundou o Instituto Nacional de Cardiologia Preventiva, do qual ainda é presidente, e a Fundação Portuguesa de Cardiologia.
 
Num dos seus livros, Fernando Pádua descreveu um dos paradigmas do coração: “um órgão extraordinariamente sensível. Dói por ter enfartes do miocárdio e dói também pelo desgosto. Palpita por uma arritmia grave e palpita por uma. Dilata por doença e enche o peito por alegria”.
 
Uma pequena nota de homenagem ao Dr. Fernando Pádua, pelo seu papel na medicina portuguesa: um grande médico, um grande cardiologista e um grande professor, catedrático desde os 39 anos, até se jubilar.

É autor do “Livro do Coração – Viver mais e melhor”, da Academia do Livro, que a todos recomendamos.



publicado por servicodesaude às 10:47
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Doenças Cardíacas - Enfarte do miocárdio: reacção imediata

Disse que muitas vezes os doentes só chegavam ao hospital 12 horas após terem tido o enfarte do miocárdio ter acontecido, porque não ligavam aos sintomas. Mas apesar de já haver muito bons equipamentos, razoavelmente distribuídos por todo o país, para aqueles que não têm facilidades de acesso (em termos de ligações viárias e de transporte dos doentes), não é assim tão fácil.

Nem toda a gente tem a possibilidade de chamar o INEM através do 112 e de ser imediatamente encaminhado para um centro onde existam os cuidados necessários para ser tratado.
 
Dr. António Leitão Marques (cardiologista): É verdade. É claro que contactar o INEM é o ideal porque muitas vezes o diagnóstico é feito imediatamente no local, com um electrocardiograma, e o doente é encaminhado para o sítio onde pode receber o melhor tratamento.
É verdade que o INEM não cobre todo o país mas há outras formas de chegar ao hospital, às vezes através dos bombeiros, por exemplo, ou até por transporte próprio.
 
Mas e as pessoas mais velhas? Até pela situação de emoção em que ficam, às vezes não ficam com o discernimento suficiente para agir correctamente, como chamar o 112, ingerir meia aspirina, meter a nitroglicerina sublingual; muitas pessoas não têm a calma necessária para dar esses passos, pois não?
Dr. António Leitão Marques (cardiologista): E é também muitas vezes nessas pessoas, mais idosas, que o enfarte é mais atípico e que os doentes preferem deixar para o dia seguinte qualquer atitude. Sobretudo que vivem sozinhas.
Mesmo nos meios urbanos isso também acontece. E as pessoas têm que se lembrar que o grande risco do enfarte é logo nas primeiras horas. A maior mortalidade ocorre na primeira hora.
Não se pode facilitar perante um quadro doloroso, incomodativo, que dura vinte minutos, meia-hora, e que persiste. Por vezes a dor é acompanhada de vómitos, de uma dor que irradia para os braços… Na dúvida, mais vale chamar o 112.
Temos que fazer mais campanhas que alertem para essa dor que pode corresponder a um enfarte do miocárdio. “O tempo é músculo”, já que quanto mais cedo tiverem assistência, mais músculo cardíaco irão salvar.

 



publicado por servicodesaude às 09:55
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Doenças Cardíacas - Preço medicamentos para tensão arterial (telefonema)

Telefonema de Joaquim Martinho, 63 anos, de Sintra:

Fiz quatro cateterismos e fui muito bem tratado no Hospital Amadora-Sintra.
A medicação que estou hoje a tomar para controlar a tensão arterial, que era elevadíssima, obriga-me a pagar uma quantia exorbitante.
Ou seja, qualquer pessoa reformada, como eu, que sou reformado do Estado e até ganho uma pensão média de mil euros, gasta cerca de 200 euros em medicamentos caríssimos!
 
O que está a dizer é: “Como é que podem fazer as pessoas cujo valor da reforma é aproximadamente aquilo que gasta em medicamentos”?
Exactamente. E é uma doença comum, que mata um número extraordinário de pessoas em Portugal…
 
Cerca de 40 por cento dos portugueses têm hipertensão arterial…
E no entanto a medicação tem um preço exorbitante!
 
Deve ter casos parecidos e, se calhar, com rendimentos muito inferiores?
Dr. Rui Cernadas (médico de família): Temos todos. Mas se pensarmos o que este senhor paga e os outros portugueses na mesma situação, e pensarmos no que custa ao Serviço Nacional de Saúde (na comparticipação que o Estado faz nos medicamentos, e que de certa forma todos ajudamos a pagar), isto prova a importância da prevenção e justificaria um esforço financeiro muito maior.
 

O controlo da pressão arterial, o deixar de fumar, o beber álcool em quantidades muito reduzidas, o ter cuidado com as gorduras alimentares, o praticar exercício físico, o controlar o peso físico, obviamente vão ser medidas muito rentáveis a longo prazo. Quer do ponto de vista do Estado, quer particular. E não estamos a contabilizar o sofrimento pessoal que cada um de nós passa nestas situações.



publicado por servicodesaude às 08:57
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Doenças Cardíacas - Desporto nas empresas e no dia-a-dia: andar a pé

Há muitos países onde o espírito da prática do exercício físico é inculcado nas próprias empresas e algumas, com uma certa dimensão, são mesmo obrigadas a destinar um espaço para que os seus trabalhadores façam exercício físico.

Acha que podia ser uma medida útil também aqui em Portugal e que faria poupar também muito dinheiro ao Estado?
Além de que provavelmente os trabalhadores estariam mais motivados e mais bem dispostos…
 Dr. José Roquette (cirurgião cardiotorácico e director clínico Hospital da Luz): Acho que seria uma óptima medida. Não sei se é exequível; obrigar ou estimular as pessoas para fazerem exercício...
Mas há um óptimo exercício que as pessoas por vezes se esquecem, que é andar. Sair numa estação de metropolitano antes daquela a que têm que chegar, ou deixar o carro um pouco mais longe e andar um pouco a pé.
Temos um excelente clima e andar 20 a 25 minutos por dia, a pé, é um óptimo exercício. E contraria algum sedentarismo. Pode-se subir do 1º ao 2º andar pelas escadas e não apanhar o elevador…


publicado por servicodesaude às 07:58
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Doenças Cardíacas - Acesso tratamentos: serviço público e privado

Já dirigiu um grande serviço de um hospital público, o Serviço de Cirurgia Cardiotorácica do Hospital de Santa Marta e é actualmente director clínico de um hospital privado, moderno, com poucos anos.

O atendimento desta população, com problemas cardiovasculares, é muito diferente num hospital do Estado, público, e num hospital privado?
Dr. José Roquette (cirurgião cardiotorácico e director clínico Hospital da Luz): Não acho que haja diferenças muito significativas. O investimento que foi feito nas instituições públicas para fazerem cirurgia cardíaca e cardiologia foi muito grande.
 
O que acho diferente na nossa instituição é que fomos buscar tecnologia muito sofisticada e aquilo que se consegue em termos de alternativas ainda não se consegue fazer no público.
Por exemplo, já temos equipamento que permite fazer algumas angioplastias guiadas por um joystick; guiadas por robótica. Também temos um equipamento sofisticado nas ablações nomeadamente na fibrilhação auricular e outras patologias, e que facilita muito os estudos arrítmicos. Os estudos arrítmicos convencionais são muito demorados e não têm esta possibilidade.
Quando implantámos este equipamento só havia quatro na Europa e foi uma aposta forte, pois conseguimos reduzir muito ao nível do tempo, e melhorámos ao nível da fiabilidade.
 
O Hospital da Luz tem serviços convencionados com várias instituições…
Temos uma cobertura muito grande com todas as ADSE, instituições militares e todos os subsistemas convencionados de seguros.
 
Ou seja, um português não deixa de ter acesso a esses equipamentos mais sofisticados por não ter dinheiro para os pagar?

Exactamente.



publicado por servicodesaude às 06:00
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Doenças Cardíacas - Colesterol elevado na infância (telefonema)

Telefonema de Izélia Puga, jornalista, 36 anos:

Sou mãe de três filhos e o mais novo vai fazer um ano. As outras duas têm quatro e seis anos. Desde muito cedo, quando tinham dois anos e meio, três anos, foi-lhes diagnosticado um colesterol muito elevado, alarmante, através de análises de rotina.
A partir daí começaram a fazer prevenção cardiovascular no Hospital de Santa Maria, e exames de seis em seis meses.
Eu e o pai delas costumamos ter o colesterol elevado e a minha mãe também o tem.
A minha questão é: elas sendo crianças podem vir a deixar de ter o colesterol alto, com uma vida regrada, ou será sempre uma preocupação ao longo da vida, por terem essa predisposição?
 
Elas já fazem dieta ou, pelo menos, têm uma alimentação com limitações?
Mais ou menos, porque em casa não somos muito de excessos. Mas compramos leite e iogurtes magros e raramente fazemos fritos.
 
Que perspectivas poderão estas duas crianças vir a ter no futuro? Até porque parece existir aqui uma predisposição familiar…
Dr. Rui Cernadas (médico de família): Claro.Esta situação poderá estar relacionada com um quadro clínico a que chamamos de dislipidémia primária: uma forma de chamar às doenças que alteram os níveis de gordura no sangue – colesterol e triglicerídios – que ficam mais altos por uma causa genética.
E se for uma causa genética, estas crianças vão ter este factor de risco acrescido ao longo da sua vida. Terão que ser sempre vigiadas e ter cuidados adicionais, maiores do que outras crianças, da mesma idade, quer ao nível da alimentação como do exercício físico.
É também o caso dos filhos de indivíduos que já tenham tido enfarte do miocárdio, que têm um risco acrescido, só por esse facto.
 
E não só os filhos, também o próprio. Uma pessoa que já tenha tido um enfarte do miocárdio tem muito mais probabilidade de vir a desenvolver outro, não é?  Claro.
 
Dr. António Leitão Marques (cardiologista): Outro aspecto importante é que, cada vez mais, procuramos analisar o risco global. Não é só o colesterol. Também vai ser importante que se vigie os outros factores, por exemplo que estas filhas não venham a fumar.
Quando os factores de risco se associam são muito mais graves. É diferente ter só o colesterol alto, ou ser hipertenso. Ter colesterol alto e ser fumador cria um risco muito mais elevado.
 
Dr. Rui Cernadas (médico de família): As nossas crianças, em geral, por diversas razões, cada vez andam menos. Vemos poucas crianças a jogar futebol na rua, a andar de bicicleta, são levadas de carro até às portas das escolas e regressam da escola para o computador. Não há hábitos de exercício físico. E provavelmente daqui a 20 ou 30 anos vamos estar a falar de enfartes aos 25 ou 30 anos. É muito provável que haja uma alteração do perfil epidemiológico destas doenças.


publicado por servicodesaude às 05:02
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Doenças Cardíacas - Cardiologia de Intervenção e Cirurgia Cardiotorácica

Nas situações mais simples por vezes é suficiente a Cardiologia de Intervenção: quando se trata de ir desentupir o tal vaso que está com as paredes espessadas, em que o sangue já não corre com a mesma fluidez…

 
Dr. António Leitão Marques (cardiologista): A Cardiologia de Intervenção é umatécnica mais recente; a cirurgia é mais antiga. Foi uma das áreas da medicina que mais evoluiu nos últimos anos. Desde logo tem uma enorme vantagem: quando fazemos o diagnóstico destas doenças, temos que fazer um cateterismo, um exame que permite visualizar a rede coronária.
Durante muitos anos diagnosticávamos a doença e depois ou era tratada medicamente ou a pessoa tinha que ser enviada para uma equipa cirúrgica para a colocação de bypass.
Nos últimos 20 anos esta área deu um grande salto e passou a ser possível, logo na sequência do próprio diagnóstico, ver onde é que está a artéria obstruída e, através de cateteres muito fininhos, dilatar aquela zona e colocar umas próteses especiais, diminuindo muito a probabilidade daquela área voltar a fechar.
Podemos tratar muitos doentes diariamente, e os cirurgiões têm hoje menos trabalho, mas têm também doentes mais difíceis, de maior risco: com problemas mais difusos, com várias resistências, com vasos mais calcificados, e, nesse aspecto, a cirurgia continua a ter um papel extremamente importante.
Mas não podemos dizer aos doentes que se desentupiu tudo, e que “levam ali uma canalização nova”. Não temos ainda a possibilidade de fazer ressets biológicos e os doentes às vezes pensam que, como desentupiram os vasos, “Vida nova! A doença acabou”. Ora é a partir precisamente do momento em que se tratou a doença, que têm que tomar mais cuidado e que a prevenção tem que ser mais activa.
É uma doença progressiva, que pode envolver outros segmentos e outros vasos. E muitos doentes fazem uma angioplastia, voltam, fazem duas… porque não corrigiram os factores de risco que tinham naquela altura.
 
Para o cirurgião cardiotorácico ficam os casos mais desperados, mais difíceis e de maior risco?
Dr. José Roquette (cirurgião cardiotorácico e director clínico Hospital da Luz): Não são os casos mais desesperados. São os casos em que sabemos que as angioplastias e a Cardiologia de Intervenção não conseguiu tornear.
Não são forçosamente situações de grande risco. Sabemos claramente as situações em que se pode fazer Cardiologia de Intervenção e onde se deve fazer Cirurgia.
Os resultados da Cardiologia de Intervenção serão bons a curto prazo, não serão tão bons a médio e a longo prazo, como os da Cirurgia. Não há aqui um antagonismo, há sim uma complementaridade.
Uma realidade é que os nossos doentes são hoje substancialmente mais complicados, porque têm hoje mais morbilidades: mais diabetes, mais insuficiências renais, ou seja, têm mais doenças, e, normalmente, são também mais idosos, porque a nossa esperança de vida aumentou muito.
Às vezes já fizeram três angioplastias e o espaço que mediou entre as angioplastias e o tal aperto das artérias coronárias faz com que os doentes sejam mais idosos.
Não diminuímos a nossa actividade em termos globais, temos um grupo mais restrito de patologias e actuamos em complementaridade.
 

Dr. António Leitão Marques (cardiologista): E há hoje procedimentos que são híbridos: uma parte é tratada pela Cardiologia (de Intervenção) e outra pela Cirurgia (Cardiotorácica). Estamos cada vez mais a caminhar nesse sentido.



publicado por servicodesaude às 04:04
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Doenças Cardíacas - Ficha Técnica

Autoria, coordenação e apresentação

Maria Elisa Domingues
 
Convidados
José Roquette
Rui Cernadas
António Leitão Marques
Álvaro Carvalho
 
Pesquisa
Alexandra Figueiredo
Miguel Braga
 
Reportagem
Buenos Aires Filmes
 
Produção
Miguel Braga
 
Jornalistas
Teresa Mota
 
Gestão e Edição de Conteúdos
(portal Sapo)
Natacha Gonzaga Borges
 
Imagem
Gonçalo Roquette
 
Edição e pós-produção vídeo
Sara Nolasco
 
Peça Fernando Pádua
Texto Miguel Braga
Imagem
Arquivo RTP
 
Atendimento telefónico
Nuno Gaibino
Manuel Rocha
Joana Lourenço
Ana Marta Coelho
 
Câmaras
José Silveira
Rui Machado
Lília Magalhães Santos
Vasco Silva
Gabriel Ramos
 
Mistura de Imagem
Eduardo Guerreiro
 
Controlo de Imagem
Alfredo Marques
 
Som
João Delgado
Jorge Almeida
Manuel Linã
 
Iluminação
Rui Pimpim
 
Electricista
Jorge Carvalho
 
Técnicos de Electrónica
José Borges
Rui Loureiro
 
Assistentes de Operações
José Fernandes
Álvaro Nunes
Nelson ferreira
Alexandre Silva
 
Caracterização
Fátima Tristão da Silva
Ana Filipa
 
Assistente de guarda-roupa
Paula Silva
 
Registo Magnético
Sérgio Ribeiro
 
Gerador de Caracteres
Manuel Barreiro
 
Teleponto
Filipe Oliveira
 
Genérico e Grafismos
Nicolau Tudela
Teresa Martins
 
Música genérico
Ari de Carvalho
 
Assistente de Realização
Filipe Vasconcelos
 
Anotadora
Judite Davidson Ribeiro
 
Chefe Técnico de Produção
Fátima Duarte
 
Criação cenográfica
Gil Ferreira
 
Execução cenográfica
Isabel Rodrigues
 
Produção
Filipa Azevedo
 
Realização
Paulo Resende


publicado por servicodesaude às 03:16
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Doenças Cardíacas - Links e Bibliografia

Fundação Portuguesa de Cardiologiawww.cardiologia.browser.pt/

Organização Mundial de Saúde (OMS)www.who.int/tobacco/en
Sociedade Portuguesa de Cardiologiawww.spc.pt
Instituto do Coraçãohttp://institutodocoracao.pt/
Instituto Nacional de Cardiologia Preventiva http://incp.pt/
Fundação Professor Fernando Pádua www.fundacaofernandopadua.pt/menu.swf
American Heart Associationwww.americanheart.org/
European Society of Cardiologywww.escardiology.org/
Fundação Fernando Pádua - http://www.fundacaofernandopadua.pt/
 
INEM - (112) -  http://www.inem.pt/pageGen.asp?sys_page_id=472404&news_id=439
 
Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo - http://www.spedm.org/
Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal - http://www.apdp.pt/default.asp
Enfarte do Miocárdio - http://www.enfarte.com/enfarte-sintomas-descritivos.html
 
Bibliografia
“Livro do Coração – Viver mais e melhor”, da autoria do Dr. Fernando Pádua, editado pela Academia do Livro
 


publicado por servicodesaude às 02:19
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Fevereiro 2010
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9
10
11
12
13

14
15
16
17
18
19
20

21
22
23
24
25
26
27

28