Terça-feira, 8 de Setembro de 2009
Gripe A - Links Úteis Actualizados: Nacionais e Internacionais (8 Setembro)

 

Links Nacionais

 
Direcção-Geral de Saúde (microsite Gripe A – H1N1) - www.dgs.pt
http://www.min-saude.pt/portal/conteudos/enciclopedia+da+saude/saude+publica/gripe/virus+h1h1.htm#a14
Toda a informação: relatórios semanais, comunicados da DGS e da Ministra da Saúde, recomendações (alimentação, empresas, escolas, grávidas e amamentação, idosos, viajantes, instituições e outros); plano de contingência e notícias.
 
Portal da Saúde Ministério Saúde / DGS
www.min-saude.pt/...da.../gripe/virus+h1h1.htm
 
Plano de Contingência Nacional do Sector da Saúde para a Pandemia de Gripe. Direcção-Geral da Saúde - http://www.min-saude.pt/NR/rdonlyres/2E032C69-37E0-4FCB-A0D2-E2B70EE436F4/0/plano.pdf
 
Blog "Agir Contra a Gripe" - http://agircontraagripe.blogspot.com/
 
Livro digital "O Nuno escapa à Gripe A" , produzido pelo Plano Nacional de Leitura, no âmbito do Projecto "Ler +, Agir contra a Gripe, informa as crianças, de forma divertida e desdramatizada - http://www.clube-de-leituras.pt/elivrostemp/elivro.php?id=h1n1
 
Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal
http://www.apdp.pt/detalhe_noticia.asp?id=64
 
Instituto Gulbenkian de Ciência - http://www.gripenet.ptAutoridade Nacional de Protecção Civil - http://www.proteccaocivil.pt/Pages/gripe.aspx 

Deco Proteste (Gripe) - http://www.deco.proteste.pt/saude/gripe-a-respondemos-as-suas-duvidas-s562971.htm
 
Instituto Nacional de Dr. Ricardo Jorge
http://www.insa.pt/sites/INSA/Portugues/Paginas/portalInicio.aspx
 
 
Autoridade Nacional de Protecção Civil (gripe A)
http://www.proteccaocivil.pt/Search/Results.aspx?k=gripe%20A
 
 
 
Links Internacionais
 
Organização Mundial de Saúde  (OMS) http://www.who.int/csr/disease/swineflu/en/ Notícias, relatórios e mapas actualizadas sobre a pandemia de Gripe A, a nível mundial, por região do planeta:
 
Europa - http://www.who.int/csr/disease/swineflu/en/
(actualizações 4 Setembro: http://www.who.int/csr/don/2009_09_04/en/index.html)
 
Américas - http://new.paho.org/hq/index.php?option=com_content&task=blogcategory&id=805&Itemid=569  
Mediterrâneo Oriental - http://www.emro.who.int/csr/h1n1/  
África - http://www.afro.who.int/,
Sudeste Asiático - http://www.searo.who.int/EN/Section10/Section2562.htm
Pacífico Ocidental - http://www.wpro.who.int/health_topics/h1n1/
 
Observatório OMS/Europa - www.euroflu.org
Dados referentes a todos os Estados Membros da Organização Mundial de Saúde da Região Europeia. Médicos, epidemiologistas e virologistas de 53 países constituem uma rede em torno da EuroFlu. Publica um relatório semanal.
 
Mapas Actualizados OMS /Europa - www.euroflu.org/html/maps.html           
(Intensidade, Dispersão Geográfica e Impacto da Gripe A na Europa, com pesquisa por país)
 
Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC)  - http://ecdc.europa.eu/
 
European Influenza Surveillance Scheme (EISS) - http://www.eiss.org/
 
Agência Europeia de Medicamentos http://www.emea.europa.eu/htms/human/pandemicinfluenza/novelflu.htm
 
Health Protection Agency (Reino Unido) http://www.hpa.org.uk/webw/HPAweb&page&HPAwebAutoListName/Page/1240732817665?p=1240732817665
 
Centers for Disease Control and Prevention (E.U.A) - http://www.cdc.gov/h1n1flu/
 
Site do governo americano - www.pandemicflu,gov (E.U.A)
 
 
Publicações científicas de Saúde
 
The Lancet - www.thelancet.com/H1N1-flu 
 
British Medical Journal http://pandemicflu-bmj.com   
 

 

 
 

 

 


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publicado por servicodesaude às 23:58
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Gripe A - Introdução ao programa da RTP1 "Serviço Saúde" (8 Setembro)

Por Maria Elisa Domingues:

 

O "Serviço de Saúde" volta hoje, 8 de Setembro, ao contacto semanal com os espectadores da RTP1, para continuar a debater os problemas de saúde que mais preocupam os portugueses.
 
Era inevitável, por isso, começarmos pela gripe A até agora sem consequências graves em Portugal mas que, com a proximidade do Outono e a abertura das escolas, pode tornar-se numa preocupação para uma parte muito significativa da população.
 
Como sempre, temos um painel de especialistas para analisar as implicações da gripe e responder em directo às perguntas que quiserem dirigir-nos, painel esse que inclui o director-geral da Saúde e a responsável clínica pelos laboratórios de referência Instituto Nacional de Dr. Ricardo Jorge - e, nesta 2a série, contaremos também sempre com a presença de um médico de família, visto que são os médicos de família quem está em contacto mais próximo, quer com as populações, quer com a sua realidade social.
 
Apesar das entidades oficiais de todo o mundo esperarem um número de doentes que vai abalar profundamente, não só as estruturas de saúde, mas toda a sociedade, nos inquéritos realizados, os portugueses têm-se mostrado pouco preocupados com a pandemia.
 
Quisemos saber se há uma razão para tal atitude, isto é: estão os nossos serviços fundamentais - de abastecimento, de segurança, as forças armadas, os transportes, as comunicações, a banca -, preparados para uma segunda vaga, bem mais agressiva, do novo vírus? Ao que tudo indica, a resposta é positiva:
 
(Reportagem sobre os Planos de Contingência dos sectores vitais nacionais face a uma 2ª vaga de gripe A mais agressiva, quando chegar o Outono e depois da abertura das escolas).

 


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publicado por servicodesaude às 23:00
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Gripe A - Reportagem: 2ª Vaga Outono - Planos de Contingência - hospitais, escolas, forças armadas, abastecimento

O número de pessoas infectadas com o vírus H1N1 continua a crescer em Portugal. E há vários factores, como a descida das temperaturas ou a abertura das escolas, que podem ser determinantes para a existência de uma segunda vaga, bem mais forte da gripe A.

 
Ana Jorge (ministra da Saúde): Primeiro houve todo este tempo de preparação da população que os outros países não tiveram, porque entre o aparecimento da gripe A e aparecer da epidemia, em Portugal, foi diferente.
Estamos há vários meses, desde Abril, a tentar fazer a preparação, e há de facto bastante sensibilização na população. Isto dá-nos alguma garantia, alguma segurança, que podemos não ter uma situação tão dramática como a que foi vivida em Inglaterra.
 
Apesar do planeamento antecipado, as estruturas de saúde têm carências difíceis de colmatar, se a segunda vaga for mais severa.
Com a Direcção-Geral de Saúde a liderar o processo, foram identificados os grupos de risco com prioridade na vacinação e preparados vários Planos de Contingência que prevêem diferentes actuações em diferentes cenários.
 
Susana Silva (directora-nacional do Planeamento de Emergência – Protecção Civil): Considerámos vários cenários, desde 20% da nossa população interna afectada até ao máximo de 60%. E, portanto, de acordo com os vários cenários, temos planos B para tentar garantir os serviços mínimos. E, depois, garantir aquilo que é essencial, que é a continuidade da assistência ao cidadão.
 
Mas para os planos B funcionarem, a articulação entre os sectores vai ser determinante no combate à gripe.
 
Jorge Abrantes Branco (direcção clínica da Carris): Como deve calcular, por melhor que seja o nosso plano de contingência, se não tivermos abastecimento - de combustível, de pneus, de peças, de catering, de desinfectantes, de electricidade, de água -, o nosso plano de contingência não serve para nada.
 
Daí a necessidade de uma solidariedade intersectorial, seja por desvio de áreas de competência, seja através de propostas inovadoras.
 
Rui Serôdio (presidente do M.A.R.L., SA – Mercado Abastecedor da Região de Lisboa): A nossa ideia é estarmos a postos para a vacinação. Qquando as vacinas estiverem disponíveis, podemos propor ao Ministério da Saúde e ao Delegado Regional de Saúde aqui da zona, de poder disponibilizar um espaço para vacinação, considerando que este possa ser um local de risco. E poder até avançar para a vacinação gratuita, quer para os nossos colaboradores, quer para os nossos operadores e utilizadores do mercado.
 
Silva Graça (coordenador de Acompanhamento do Ministério de Defesa Nacional - MDN ): Está efectivamente previsto que em unidades de internamento suplementar - se as estruturas civis não forem suficientes -,as unidades de saúde militares possam apoiar a sociedade civil.
Assim com também está prevista a intervenção das Forças Armada noutras fases do processo, como eventualmente ao nível da distribuição de medicação ou outro tipo de apoio logístico. Está efectivamente prevista essa intervenção.
 
Na preparação para o surto de gripe A, o investimento não se limita a medidas de prevenção, como a colocação de cartazes e líquidos desinfectantes, nos corredores e casas de banho. Lá fora, por exemplo, com um pouco mais de humor, aproveitou-se a força da banda desenhada para fazer passar a mensagem:
(Filme de animação brasileiro, “Se Liga Nessa - Inimigo Nº1: H1N1”. Autor: Márcio Araújo / Animação: Júlio Bicudo) :  
 
Sem Abraço, Sem Beijinho, Sem Aperto de Mão…
… Não é Desprezo, é Apenas Protecção…”
 
E para protecção de todos, é necessário identificar os sectores vitais e trabalhar com diferentes hipóteses de penetração do vírus:
 
Pedro Coelho (administrador dos CTT): Distribuição de medicamentos, obviamente, distribuição de vales de correio, com as reformas das pessoas. Hoje a utilização do telegrama é menor, porque existe o email… Temos uma série de decisões preventivas sobre o que é que vamos distribuir prioritariamente.
 
Eugénio de Carvalho (administrador da EDP Valor): Estão identificadas todas as funções críticas para que a EDP possa garantir que a electricidade é fornecida a toda a gente, que é o nosso serviço essencial. E também queremos garantir que os colaboradores da EDP, os nossos prestadores de serviços, trabalhem em condições de segurança e higiene.
Por outro lado, também identificámos pessoas que possam substituir, em caso limite, alguns dos trabalhadores que, eventualmente, possam ter gripe A. Uma vez identificados, há sectores que não podem, por e simplesmente, parar.
Em muitos casos está prevista a subcontratação de pessoal, distribuição de Kits individuais, criação de salas de quarentena e outras soluções, como o teletrabalho.
 
Mário Maria (director de Operações da EPAL): Qualquer uma destas pessoas que aqui está tem a possibilidade de, a partir de casa, aceder ao sistema e actuar sobre o sistema, tal e qual como no seu posto de trabalho. Essa potencialidade está instalada aqui na EPAL e pode ser utilizada se, de facto, a incidência da gripe A colocar em baixa um grande número destes funcionários.
 
Num cenário de crise, as forças de segurança também trabalham outras hipóteses, à primeira vista menos prováveis: o pânico colectivo, a corrida às farmácias, ou aos supermercados:
 
Mário Mendes (secretário-geral do Sistema de Segurança Interna): As situações geradoras de pânico, normalmente originam outras, em que há pessoas que as aproveitam para a prática de actos criminais. As corridas aos supermercados ou o açambarcamento de bens, podem envolver o restabelecimento de alguma ordem, para que essas situações não venham a ocorrer.
 
Igualmente legítimos são os receios das grandes superfícies sobre o impacto da gripe sobre os recursos humanos das empresas:
 
José António Rousseau (director-geral da Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição - APED): O que nos preocupa também bastante são os aspectos relacionados com o impacto da gripe nos recursos humanos, em termos das baixas. E também no que respeita ao funcionamento e operacionalidade das lojas, se efectivamente existirem muitos trabalhadores a incorrerem na situação de baixa.
Uma das formas de controlo será através da vacinação. Mais uma vez, a DGS (Direcção-geral de Saúde) definará as prioridades e a forma de actuar.
 
Jorge Rodrigues (supervisor da ANA – Aeroportos de Portugal): Nós, através do Serviço de Saúde Ocupacional, tivemos acesso a uma reserva de Tamiflu, que está disponível para os casos que venham a manifestar-se. Para os sectores excluídos deste lote, resta esperar pela chegada da vacina para a gripe A.
 
E, enquanto se espera, há quem valorize a vacinação para a gripe sazonal:
 
Jorge Abrantes Branco (direcção clínica da Carris): Este ano decidimos fazer um reforço dessa vacinação. Primeiro, porque achamos que vai aumentar as defesas dos nossos trabalhadores e é esse o nosso interesse.
Não está estabelecido, mas parece que não tem influência directa na imunização contra o actual vírus H1N1. E não sabemos se ele irá mudar... mas pelo menos temos a certeza que não irá haver convergência dos dois vírus na mesma pessoa, o que seria seguramente catastrófico para o doente.
 
Com a chegada do Outono, e a descida das temperaturas, prevê-se o aumento de casos de gripe A. Mesmo assim, é difícil prever como reagirá o país.
 
Jorge Abrantes Branco (direcção clínica da Carris): Será 10%? Será 11%? Serão 20% ou 25%, os portugueses afectados pela gripe? Acho que neste momento nem mesmo a Direcção-geral de Saúde sabe. Vai depender da rapidez com que o vírus se dissemine a partir de agora e do regresso total de férias, com o regresso às escolas. Isso vai ter uma influência muito grande.
 
Por isso mesmo, numa operação conjunta entre os dois ministérios – Saúde e Educação -, foi apresentado o Plano de Contingência das Escolas, estando, para já, de lado a hipótese de encerramento das mesmas.
 
Maria da Luz Rodrigues (ministra da Educação): Seria para já totalmente disfuncional que, para garantir a segurança – que não sabemos ainda muito bem qual é -, começarmos por encerrar as escolas. O esforço tem que ser o inverso: dar condições às escolas para que, mesmo no limite, possam funcionar.
 
Para evitar situações limite, os conselhos passam por um maior cuidado com a higiene, espirrar para os braços, e não para as mãos; utilizar lenços descartáveis e, em caso de contágio, ter um quarto em casa que sirva de isolamento.

Mas, como em quase tudo na vida, as condições económicas de cada um vão determinar o sucesso no combate ao vírus H1N1. E, neste caso, a diferença entre uns e outros, pode ser a diferença entre a vida e a morte.


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publicado por servicodesaude às 22:08
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Gripe A - Análises e laboratórios de referência em Portugal

Foi levantado esta semana, na comunicação social, o problema das estruturas do Instituto Ricardo Jorge, aqui em Lisboa, serem demasiado antiquadas; do ar condicionado não existir em todas as salas, algo que seria indispensável.

E que, portanto, devido às altas temperaturas que se têm feito sentir, talvez não se pudesse assegurar a fiabilidade das análises, nomeadamente às análises da gripe A, feitas no Instituto Ricardo Jorge.
 
Cristina Furtado (epidemiologista do Instituto Ricardo Jorge): Acho que o presidente do Instituto Ricardo Jorge já fez referência sobre esse assunto. No que toca às obras, e segundo a direcção, já há um plano estratégico para remediar a situação. Espera-se que no próximo Verão as coisas estejam resolvidas.
Queria alertar para o que me parece mais importante, e ficámos preocupados porque também ouvimos as notícias. Nunca esteve em causa para o Instituto Nacional Dr. o Ricardo Jorge e, concretamente, para o Departamento de Doenças Infecciosas, o rigor das análises laboratoriais.
Temos uma grande equipa de investigadores e técnicos, a noção das nossas funções e responsabilidades, e posso assegurar que no Instituto Ricardo Jorge não há resultados duvidosos ou pouco fiáveis. A qualidade dos resultados é indiscutível.
Temos controlos de qualidade assíduos e somos constantemente vigiados e controlados do ponto de vista d0o diagnóstico laboratorial, pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Temos testes mensais, pelo que falar de falta de rigor não faz sentido.
 
Cristina Furtado (epidemiologista do Instituto Ricardo Jorge): Falando particularmente do Laboratório de Referência da Gripe, posso informar que é o exemplo daquilo que acabei de referir. Em Julho fomos sujeitos a um controlo de qualidade da OMS.
O laboratório recebeu material biológico para analisar, muitos deles com infecções mistas – não eram só vírus da gripe –, ou eram também vários tipos do vírus gripe e recebemos hoje a confirmação, para nosso agrado, que todos os resultados estavam certos. E isso é o essencial.
 
(Obviamente que é um edifício com 30 anos, que tem algumas limitações e problemas. Houve um grande investimento no Instituto Ricardo Jorge do Porto e de Águas de Mouro, que são instalações completamente novas. Acredito que estas instalações vão ser reforçadas em algumas circunstâncias, mas relativamente ao laboratório da gripe, aquele que agora mais nos interessa, tem ar condicionado).
 
Entretanto já abriram, ou pelo menos reequiparam oito laboratórios no país, para o trabalho não se acumular todo no Instituto Ricardo Jorge, aqui em Lisboa, e para também eles poderem fazer as análises ao vírus da gripe, H1N1?
Cristina Furtado (epidemiologista do Instituto Ricardo Jorge): Sim, iniciámos esse processo em Abril, como Instituto Nacional de Referência. Tínhamos como competência a ligação aos outros laboratórios internacionais e europeus, de iniciar o processo de análise e investigação, pelo que montámos as metodologias, os procedimentos laboratoriais, aferimos os controlos positivos, cultivámos os vírus e procedemos à articulação com a OMS.
 
Tivémos também, praticamente logo desde o início, o apoio do laboratório do Hospital Curry Cabral, que também já tem essa tecnologia e esse know-how. E depois de um despacho ministerial da DGS e do Ministério da Saúde, o Instituto Ricardo Jorge teve a incumbência de alargar a rede de laboratórios e garantir que nesta próxima época pudéssemos ter uma rede que rapidamente assegurasse o diagnóstico laboratorial.
Nesse sentido, fizemos formação aos técnicos dos vários laboratórios que tinham o equipamento mínimo necessário para este tipo de análises e que requer, de facto, alguns aparelhos, alguma segurança e equipamentos de biologia molecular que são tecnologias laboratoriais relativamente recentes.
 
É um vírus novo
E esses laboratórios empenharam-se em montar as tecnologias. Logo em Junho, rapidamente, fizemos o primeiro curso e acho que as coisas estão a correr bem.
Neste momento temos oito laboratórios distribuídos pelo Continente, Madeira e Açores. E penso que esta rede de vigilância laboratorial, quer para o H1N1, quer mais tarde para outros agentes microbiológicos, será de certo uma mais-valia para a vigilância do país.
Estamos à espera que abram mais laboratórios: no Hospital de Santa Maria, no Hospital de Évora, e o senhor director-geral de Saúde poderá ainda falar de outros que irão abrir.
 
Então podemos estar descansados quanto aos exames laboratoriais?

Cristina Furtado (epidemiologista do Instituto Ricardo Jorge): Podemos estar descansados.


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publicado por servicodesaude às 20:24
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Gripe A (H1N1): Diferenças Gripe Sazonal (normal)

É natural que os trabalhadores do comércio nos preocupem a todos porque quando houver um número muito maior de doentes, na segunda vaga que se espera, pode estar em risco o abastecimento normal das nossas casas e há, aliás, alguns sites internacionais que recomendam que as pessoas tenham algumas provisões em casa.

Acha que isso deve ser assim ou poderá gerar, por outro lado, um movimento de açambarcamento nos supermercados, que não é recomendável?
O site oficial americano recomenda que as pessoas tenham provisões básicas para duas semanas…
 
Francisco George (director-Geral da Saúde): Começo por dizer que estou tranquilo. E estamos todos muito mais tranquilos do que em Abril.
No dia 22 de Abril recebemos uma nota, através da Organização Mundial de Saúde (OMS): os americanos tinham identificado como causa de gripe em crianças, uma nova estirpe do vírus. Soubemos logo depois que no México, na mesma região epidemiológica (estamos a falar do México e, nos E.U.A, da Califórnia), que o problema também tinha sido identificado com um excesso de mortalidade devido a pneumonias. E a verdade é que surgiu um novo tipo de vírus, identificado pela primeira vez em Atlanta, que explicou esta doença, a gripe A: era originada por um vírus quee tinha, em boa parte, uma origem animal.
No inicio foi dada uma designação errada, de “gripe suína” (em inglês “suine flu”); que alguns meios de comunicação ingleses ainda utilizam, mas que está errada.
 
O vírus é uma partícula muito pequena, mas a sua constituição é conhecida. Tem no seu genoma (estrutura genética) oito segmentos, e há dois que foram identificados como algo de novo, no seguimento do arranjo dos segmentos existentes até então. Foi observado que, esses dois segmentos novos, incorporados na nova estrutura desta estirpe, tinham uma estirpe suína. E também é preciso saber, e é um dado que todos já perceberam; a gripe tem relação com um reservatório que é de todos, que já tem sido falado: as aves. Sobretudo os patos selvagens são um reservatório do vírus da gripe.
 
Aliás, há milhões de pessoas com gripe das aves, em todo o mundo, um dado que por vezes as pessoas se esquecem, não é?
Francisco George (director-Geral da Saúde): Eu até diria mais: não há vírus da gripe que não tenha origem nas aves. E neste vírus, o H1N1, dois dos seus oito segmentos são aviários.
Ou seja, tem dois segmentos suínos novos, outros dois segmentos suínos, de uma estirpe antiga, dois segmentos aviários e um seguramente humano.
O segmento humano tem origem numa estirpe que ainda circula: o H3, que é uma das estirpes sazonais.

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publicado por servicodesaude às 19:29
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Gripe A - Número de casos: em Portugal e na Europa

Francisco George (director-geral da Saúde): Gostava de deixar uma nota clarificadora: foi dito que Portugal ocupava o 2º lugar de incidência de casos de gripe A, a nível europeu. Isto não corresponde à verdade epidemiológica.

Há países que há longas semanas atrás, muito antes de Portugal, decidiram parar a contagem, como o Reino Unido, a Espanha e muitos outros.
 
Estes países abandonaram a etapa de trabalho a que chamávamos de “contenção”, para atrasar a propagação. Nós próprios adoptámos uma nova abordagem estratégica a partir de 21 de Agosto, mas até lá fomos sempre contabilizando os casos novos.
Depois, na semana seguinte, também continuámos a fazer esse exercício e temos actualizado permanentemente os dados que são enviados para a OMS (Organização Mundial de Saúde) e para as estruturas da União Europeia.
 
E cabe aqui assinalar que o site da DGS é de uma enorme actualidade, tem muita informação pelo que aconselhamos a visitá-lo frequentemente.
Francisco George (director-geral da Saúde): Portugal ocupa uma posição de “atraso,” relativamente à actividade da gripe A, se compararmos, por exemplo, a situação de Espanha, do Reino Unido, ou da Alemanha, com a situação portuguesa.
 

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publicado por servicodesaude às 18:34
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Gripe A - Jovens até aos 29 anos: grupo de risco mais afectado

Francisco George (director-geral da Saúde): Muita gente ainda insiste em considerar esta gripe "ligeira", comparável à habitual gripe sazonal. Mas não estamos perante uma gripe sazonal, porque ainda não chegámos à estação fria.

 

Desde 1957, desde a gripe asiática, nunca tivemos no hemisfério norte uma actividade gripal no Verão. Este dado mostra, só por si, que estamos perante uma situação diferente, e que não é comparável a qualquer outra conhecida como gripe do Inverno.
Para além disso, os grupos de idade afectados pela nova gripe, são muito diferentes:
 
 
 
Dos 0 aos 9 anos – 13,4% dos casos
Dos 10 aos 19 anos – 27,4% dos casos (mais de um quarto do total)
Dos 20 aos 29 anos – 37,5% (o grupo mais afectado)
 
Dos 30 aos 39 anos – 10% dos casos
Dos 40 aos 49 anos – 6% dos casos
Mais 50 anos - 4%
 
Francisco George (director-geral da Saúde): Ou seja, cerca de 80% dos casos surgem nos indivíduos até aos 29 anos, entre todos os casos registados e estudados em Portugal, pela rede de Saúde Pública e delegados de saúde pública do país, em conjunto com os hospitais.
O grupo mais afectado tem uma idade inferior a 30 anos. E só 5% tem mais de 50 anos. E esta é a maior diferença face à gripe sazonal, que afecta mais os idosos.

Temos que ter em conta esta marca deixada pela nova epidemia, que teve origem na Califórnia e no México, há pouco mais de 4 meses.


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publicado por servicodesaude às 17:39
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Gripe A - Crianças e abertura das escolas

A questão da idade, em que esta gripe aparece, veio também colocar outro problema; o de ser, ou não, útil que as escolas não abrissem.

O problema pôs-se em Portugal, e na generalidade dos países, e a ministra da Educação tomou a decisão de as abrir, porque a medida não chegaria para evitar a gripe, como arrastaria consigo muitos outros problemas.
Perguntava-lhe, porque trabalha com populações muito carentes, se foi acertado abrir as escolas?
Rui Cernadas (médico de família): Foi, claramente. Não havia, nem há, nenhum dado que, do ponto de vista clínico ou de cidadania, levasse a tomar outro tipo de atitude.
 
Do ponto de vista económico e social, fechar as escolas, ou mantê-las fechadas, implicaria numerosas consequências.
Digamos que as famílias que têm crianças em idade escolar, são famílias jovens. Isto seria de facto uma paralisação completa do tecido social e, por arrastamento, de toda a actividade económica.
Não é que eu preze, ou seja um defensor do primado da actividade económica sobre o resto do mundo, mas é lógico que esta disfuncionalidade, que a ministra da Educação assinalou tem todo o cabimento.
 
Muitos outros países tomaram essa decisão, até porque muitas das crianças recebem as suas principais refeições nas escolas. E esse é um aspecto que ficaria sem ser cuidado…
Rui Cernadas (médico de família): Claro que sim. Mas estamos a falar de uma doença que teve uma propagação à escala planetári,a em meia dúzia de semanas, e que ultrapassou todas as características da gripe sazonal.
No entanto, não nenhuma evidência que nos leve a pensar que o facto de as crianças estarem em casa, sem irem às escolas, as pouparia duma infecção gripal deste tipo. Nenhuma.
 
Os pais iriam trabalhar e contactavam com a doença….
Rui Cernadas (médico de família): Os trabalhadores, os distribuidores…
As crianças não vivem sozinhas e não podem estar permanentemente isoladas. 
 
A Lilian tem um bebé com 15 meses. Se tivesse que o por numa cresce, faria-o sem qualquer receio?
Lilian Guimarães (enfermeira e agente da Linha de Saúde Pública 24): Sim. Temos que manter as nossas funções. E as crianças também sentem as alterações no seio familiar e assustam-se com alarmismos.
As escolas estão devidamente preparadas, têm planos de contingência e, portanto, temos que confiar. Para além de que nós, em casa, também temos a nossa quota-partede responsabilidade, em termos de cuidados de higiene.
 
Se as escolas e as creches não abrissem, os próprios profissionais de saúde – que poderão ser tão necessários -, teriam que ficar em casa a tomar conta das crianças, o que seria ainda um problema acrescido…
A Lilian atende as pessoas que telefonam para a linha de Saúde 24. Há muitas pessoas preocupadas com o que pode acontecer às crianças nas escolas?
 
Lilian Guimarães (enfermeira e agente da Linha de Saúde Pública 24): A minha experiência diz-me que as pessoas não estão preocupadas, estão atentas à situação. E querem estar informadas, o que é fundamental.
Para podermos travar a propagação da doença, temos que nos informar. As pessoas, principalmente os pais, procuram na linha telefónica uma orientação, informação adequada, saber como é que os serviços estão a funcionar e a nossa opinião sobre a situação.

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publicado por servicodesaude às 16:57
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Gripe A - Medidas de Contenção da Pandemia

O presidente americano Obama fez uma alocação, há pouco tempo, a propósito daquilo que poderão ser as consequências de uma segunda vaga da gripe A. E apelou a toda a população ao combate a esta gripe.

Acha que a população, no geral, pode fazer bastante para ajudar a conter a expressão da pandemia?
Lilian Guimarães (enfermeira e agente da Linha de Saúde Pública 24): Penso que sim, sem dúvida alguma. Já foram ditas, mas nunca é demais referir, a importância d a higiene das mãos. Mas tem que ser uma higiene eficaz, não é só passar as mãos pelo sabão e já está.
É importante conhecer a técnica e saber quando e como se faz. Por exemplo, quando se chega da rua a casa, depois de se ir ao supermercado ou ao banco. Ou seja, quando temos contacto com outras pessoas e superfícies.
 
E o contacto com outras pessoas nos transportes públicos? Um espirro, através das gotículas, transporta o H1N1. A que distância se propaga um espirro?
Cristina Furtado (epidemiologista do Instituto Ricardo Jorge): Há um artigo muito importante, um estudo da velocidade de um espirro (que é diferente da velocidade da tosse), onde ficou demonstrado que pode atingir 150km a 180km/hora. E prevê-se que possa chegar a sensivelmente quatro metros de distância.
Relativamente à tosse, já não é tanto assim, rondará um a dois metros; a uma velocidade menor.
 
Rui Cernadas (médico de família): Várias medidas de Saúde Pública relativamente aos cuidados a ter com o espirro, a lavagem das mãos, têm muito a ver com questões de cidadania.
 
O vírus está presente, e actuante, até oito horas?

Rui Cernadas (médico de família): Entre duas a seis horas.


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publicado por servicodesaude às 15:04
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Gripe A - Condições de higiene esquadras PSP (telefonema)

Telefonema de Manuel Marques, 52 anos, agente da PSP, do Porto:

Estou colocado numa esquadra do Comando do Porto, onde colocaram um folheto informativo sobre aquilo que devemos fazer quando lavamos as mãos…
O que é caricato é que temos apenas um bocado de sabão, uma toalha para toda a gente, quando o próprio folheto informativo diz que devemos utilizar papel descartável.
Tiveram o cuidado de nos convocar para uma reunião para sabermos os cuidados a ter e depois não há desinfectante, nem papel, apenas uma toalha que é utilizada por todos.
 
Tenho a certeza que a situação que acabou de referir, nomeadamente as toalhas que são utilizadas por todos, ainda acontece em muitos locais.
E também não estou tão optimista como os intervenientes na nossa reportagem sobre a efectividade de alguns planos de contingência.
Para a PSP fica aqui o aviso que, pelo menos em algumas esquadras não existem os materiais apropriados para a defesa de saúde dos agentes da PSP, que tanta falta fazem, até para uma altura em que podemos ter que enfrentar situações complicadas.

 


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publicado por servicodesaude às 15:00
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Gripe A - Vacinação prioritária e grupos de risco: jovens e grávidas

Quais são os principais grupos de risco? Vamos recapitular.

Francisco George (director-geral da Saúde): Esta é uma outra diferença fundamental face à gripe sazonal. A gripe sazonal tem um problema, que todos conhecem: os problemas que podem surgir, sobretudo em idosos e em doentes com problemas crónicos. Esta gripe é diferente. Já foi dito aqui que afecta sobretudo grupos de idades jovens e, dentro desses grupos, muito em particular, as grávidas.
Pensamos que são vários os factores que explicam este fenómeno de associação de gravidade, no caso de gripe, e o se estar grávida.
 
Pelo facto de uma mulher grávida ter o seu sistema imunitário mais em baixo?
Francisco George (director-geral da Saúde): Existem vários factores. Um deles tem sobretudo a ver com problemas da capacidade de respiração. Sabe que em termos de diagnóstico e terapêutica, as grávidas têm mais problemas que outros doentes. Porquê? Porque não podem fazer raio X (radiografia) que permite diagnosticar rapidamente uma pneumonia.
E ainda, porque quando se está grávida, há habitualmente uma resistência no início dos tratamentos medicamentosos. Espera-se, não se começa logo… Há um certo receio sobre os efeitos que possa ter na criança.
Ou seja, há um certo número de factores que têm que ser levados em consideração e, sobretudo, este (gráfico dos grupos etários mais afectados):
 
Dos 20 aos 29 anos, a faixa etária mais afectada (37, 5%) é também uma das idades em que “mais se fica grávido”. E pode acontecer, que haja por perto outros filhos, sobrinhos, e as crianças veiculam muito facilmente a gripe para o seio familiar.

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publicado por servicodesaude às 14:12
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Gripe A - Plano de Contingência "Família" e doentes crónicos

Francisco George (director-geral da Saúde): Por isso nós dizemos, num Plano de Contingência das Famílias, aquilo que há a fazer, enquanto não chover, e não tivermos o problema da exposição a um risco maior; é ir ao médico e pedir conselhos, orientações.

É preciso ter um protocolo próprio para que quando, e na eventualidade de se contrair a gripe – e isto é verdade para as grávidas, para os diabéticos, para os obesos, para os asmáticos e para os que têm problemas imunitários –, se saber exactamente como proceder. É uma recomendação. É importante que, desde já, os doentes recebam conselhos e orientações.
O diabético tem, ou não, que aumentar a dose de insulina, se tiver a gripe? O que é que deve fazer em termos de alimentação, de exercício físico?
O asmático, por exemplo, o que é que faz relativamente aos medicamentos que está a tomar?
Aconselho todas as pessoas nessas situações a terem um plano próprio e marcarem uma consulta com o seu médico de família para prepararem a eventualidade de poderem contrair a gripe A.
 
E até estudarem uma possível prevenção... Isso significa uma corrida aos médicos de família? Não estou a dizer para irem já amanhã.
 
Mas está a dizer para irem rapidamente?
Não ponho a situação de urgência da forma como está a assinalar.
 
Então é bom que vão gradualmente?
Francisco George (director-geral da Saúde): Os médicos assistentes, os médicos de família que tratam os doentes com esses problemas crónico,s podem ser orientados, desde já, para uma semana fria do ano.

E as pessoas, na eventualidade de virem a ter gripe, saberem exactamente o protocolo de medicamentos que devem seguir, numa perspectiva de “auto-gerir” a sua própria doença.


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publicado por servicodesaude às 11:18
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Gripe A - Vacinação prioritária - doentes crónicos e com problemas de imunidade

Como já referiu, as pessoas com problemas de imunidade fazem parte dos grupos de alto risco, mas não se tem ouvido falar muito deles em Portugal.

Devem ou não estar entre os grupos a ser vacinados, os transplantados? Devem ou não estar entre os primeiros a ser vacinados, os doentes com SIDA que, ao adquirirem gripe A, podem vir a ter mais complicações?
E no caso dos doentes que fazem hemodiálise e que estão à espera de um transplante?
É, ou não, a altura ideal, serem vacinados antes do transplante, para evitarem complicações posteriores?
E ainda os doentes que estão a fazer quimioterapia? Entre os ciclos devem, ou não, ser vacinados prioritariamente?
Francisco George (director-geral da Saúde): Todos os grupos que citou vão integrar o primeiro grupo de vacinação. São considerados grupos prioritários.
E quando as vacinas chegarem – uma vez que as vamos receber de uma forma progressiva -, vão ser administradas a grávidas, a doentes com problemas crónicos, os que citou e, naturalmente, a todos aqueles que têm problemas de imunidade. Por exemplo, os doentes crónicos que fazem corticóides são considerados prioritários, portanto também serão dos primeiros a receber a vacina.
 
E naturalmente os profissionais de saúde, que precisam de estar em forma para poderem tratar os doentes…

Francisco George (director-geral da Saúde): Claro; seguramente.


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publicado por servicodesaude às 10:57
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Gripe A - Tamiflu - recomendações sobre o antiviral (I)

Queria falar sobre a importância dos antivirais. A droga antiviral mais conhecida é sempre lembrada pelo seu nome comercial: Tamiflu. Em que casos deve, ou não, ser administrado, particularmente agora em que ainda não há vacina?

Já foram diagnosticados perto de 2900 casos de gripe A em Portugal e, em certos casos, tem-se dado aos familiares desses doentes…
Rui Cernadas (médico de família): Uma nota prévia:discordo claramente da ideia de fazermos consultas universais, com tratamentos universais para todos os doentes.
Uma consulta médica, mesmo admitindo que todos os doentes têm gripe A, obedece a uma avaliação individualizada. Existirão situações em que haverá necessidade de administrar e outras que não.
O Tamíflu já foi, justamente por esta pressão dos meios de comunicação, mal usado; muitas vezes por pessoas que o fizeram de forma voluntária, intencional e não compreensível. No fundo utilizaram substâncias que só poderão ser eficazes no caso de infecção e, provavelmente, poderão ter prejudicado a sua própria saúde e a saúde pública em geral, ao poderem induzir resistências a um antivírico que poderá vir a ser fundamental. Não só para esta, mas para futuras epidemias ou pandemias.
 
Ainda não chegámos a esse momento, felizmente, mas quando as pessoas se vêem em situações de grande perigosidade, e quando vêm que a gripe ataca as pessoas mais jovens, e pensam nos filhos e nos netos em situações críticas, às vezes não são muito racionais.
E mais: às vezes nem são muito generosas e solidárias, como são quando estão com a cabeça mais fria…
Rui Cernadas (médico de família): É verdade. Até pela própria crença bem portuguesa de que, quando tumo está perdido, vale a pena tentar de tudo.
Mas estamos numa situação em que nada disso aconteceu. A própria resposta do Serviço Nacional de Saúde nem sequer foi ainda experimentada, quanto mais esgotada.

Não haverá razão nenhuma para esse tipo de precipitação. Até porque na fase em que estamos agora, já não é uma fase de prevenção e, portanto, já não há lugar à própria profilaxia com Tamiflu ou outras substâncias para prevenção de contactos de risco.


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publicado por servicodesaude às 09:00
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Gripe A - Tamiflu: recomendações (II)

Telefonema Francisco Xavier, 41 anos, empresário, de Vila Nova de Famalicão:

Porque é que o Tamiflu não é de venda livre nas farmácias? Se eu tiver os sintomas de gripe A, porque é que eu não posso tê-lo em casa e dá-lo a mim e aos meus familiares, e evitar contagiar os outros? Também evitava a transmissão nos Centros de Saúde.
Francisco George (director-geral da Saúde): Como disse o meu colega, é preciso ter em conta que não deve ser administrado pelo próprio. A automedicação é altamente desaconselhada numa situação destas. São critérios médicos. Só depois de um exame, é que este decide, ou não, prescrever o Tamiflu.
Só um em cada três casos tomou o Tamiflu, quando o médico entendeu que estava indicado.
 
As pessoas estão provavelmente convencidas que, com o Tamiflu, evitam a gripe A. E isso não é verdade.
Rui Cernadas (médico de família): É preciso dizer isso. E também é preciso dizer que se a pessoa necessitar do Tamiflu não há a certeza de que vai ser cem por cento eficaz.

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publicado por servicodesaude às 07:04
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Gripe A - Vacina: efeitos secundários

Pensa-se que a vacina irá ter que ser tomada em duas doses, também a nível internacional?

Francisco George (director-Geral da Saúde): Muito seguramente assim será; espaçadas
de três semanas. Ou seja, uma primeira administração seguida de outra dose, três semanas depois. Mas ainda não acabaram os estudos que permitem concluir da necessidade, ou não, desta segunda dose. A primeira, seguramente, será sempre oportuna.
 
Até agora não foram detectados efeitos secundários nessa vacina?
Francisco George (director-Geral da Saúde): Não. A vacina é, como nós dizemos, “morta”. O vírus está morto, inactivado. Não é um vírus como o de outras vacinas. Portanto os riscos são muito, muito pequenos.
Diria que praticamente não há riscos na administração da vacina para a gripe, quer a sazonal, quer para esta, a gripe A. Aliás, o fabrico é muito semelhante.
 
Na vacina da gripe sazonal também se passa o mesmo?
Cristina Furtado (epidemiologista do Instituto Ricardo Jorge): Sim, também é um vírus morto e, portanto, inactivado.
 
Há quem alerte para os efeitos secundários que existiram na gripe de 76, mas isso era uma situação completamente diferente. Neste caso não há quaisquer efeitos secundários descritos?

Francisco George (director-Geral da Saúde): Na outra vacina, em 1976, o fabrico era distinto, a vacina era viva e não é de forma alguma comparável às vacinas de hoje.


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publicado por servicodesaude às 06:07
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Gripe A - Próxima onda epidémica: casos graves e incertezas

Francisco George (director-Geral da Saúde): Não. Só vamos poder antecipar esses cenários, quando tivermos a certeza que estamos perante uma curva ascendente muito acelerada. E seguramente vamos identificar duas a três semanas antes, esse fenómeno.

Neste momento não podemos dizer aquilo que poderá acontecer no princípio do Outono, no fim, ou no Inverno. É absolutamente impossível. Mas asseguramos que vamos sempre comunicar, quando tivermos certezas.
E sublinho uma vez mais: ainda há muitas incertezas. A fotografia ainda é desfocada, e apesar de não estamos a contar com nenhuma situação dramática, estamos certos que vamos ter um stress no Sistema Nacional de Saúde.
 
Já temos médicos a queixarem-se, nomeadamente no Hospital Dona Estefânia; que estão numa situação de stress, porque já viram 700 casos de gripe desde Maio para cá.
Francisco George (director-Geral da Saúde): Sim, mas também é preciso perceber que a grande maioria dos casos, mais de 90%, são formas ligeiras de doença.
Em termos percentuais, o número de casos em que podem surgir complicações graves é pequeno, mas se forem muitos casos; essa percentagem pequena, em números absolutos, representa um grande stress para o Sistema de Saúde.
Por isso é que se justifica que o Sistema de Saúde se esteja a organizar, a preparar. O que não faria sentido era ignorar o problema.
 
Um eventual aumento do número de casos; uma situação de pico de casos com grandes complicações respiratórias, que leve à necessidade dos doentes estarem internados nos Cuidados Intensivos e aí, sempre por um período ligeiramente longo (nunca menos de 8 a 10 dias), com a necessidade de utilizar ventiladores - a que a ministra já se referiu com uma certa preocupação -, não o angustia?
E a possibilidade de não termos camas ou ventiladores, em número suficiente?
Francisco George (director-Geral da Saúde): Não. O facto de o problema ser esperado, de estarmos à espera de uma actividade epidémica mais expressiva, acaba também por gerar mais responsabilidade, por parte dos médicos e dos dirigentes a todos os níveis.
Não faria portanto sentido estar a informar a população dos riscos que podem eventualmente vir a acontecer e as pessoas não se preparavam. Mas não é só o sistema que tem que reorganizar a sua produção, tendo em vista esse problema.
 
Sublinho: os cidadãos, as famílias, devem fazer os seus planos: “Quando a criança estiver doente, quem fica a tomar conta dela? Quando um membro da família, que é asmático, estiver doente; o que é que deve fazer? “

Temos todos que antecipar os protocolos, a começar na própria família. E é isso que os médicos também fazem nos serviços.


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publicado por servicodesaude às 05:10
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Gripe A - Próxima onda epidémica - saúde e empresas

Recorrendo agora à sua experiência enquanto médico da Medicina do Trabalho, acha que as empresas vão ser flexíveis e compreensíveis, em relação aos problemas que as pessoas possam ter, nomeadamente se ficarem em casa a tomar conta dos filhos?

Sabemos que há países onde foi aumentado para 14 dias o número de faltas que os trabalhadores podem dar, mesmo antes mesmo antes de ter que ser apresentado um atestado médico…
Rui Cernadas (médico de família): Eu espero que sejam. Espero que sim. Aliás, a peça inicial e o facto de termos hoje aqui tantas pessoas ligadas à direcção das empresas, mostra que o esforço que a Direcção-geral de Saúde promoveu, ao nível da sensibilização, pegou. E que as próprias empresas, do ponto de vista dos trabalhadores e das administrações, estão sensíveis para esta questão.
 
E as mais pequenas?
As mais pequenas vão ter sempre maiores dificuldades, também do ponto de vista da escala. Vão ter maiores dificuldades na capacidade de resposta.
Agora do ponto de vista da justificação das faltas, há já compromissos colectivos em Portugal, por parte do Ministério da Saúde e da segurança Social, para estabelecer uma plataforma de entendimento, no que toca a prazos.
 
De resto os próprios sistemas informáticos dos Cuidados Primários já estão adaptados e temos a possibilidade de emitir, retroactivamente, um boletim de baixa que vá até aos 10 ou 12 dias anteriores.

Não é por essa razão que o doente terá que sair de casa e ir ao seu médico de família para o levantar. Poderá sempre contactar-nos e emitiremos o boletim de baixa numa data posterior.


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publicado por servicodesaude às 04:12
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Gripe A - "Serviço de Saúde", da RTP 1, online em duas moradas

Maria Elisa: Quero apenas lembrar que o programa Serviço de Saúde já se encontra on-line.

Quer a partir do site da RTP, ou directamente através das moradas www.videos.sapo.pt/servicodesaude e servicodesaude.blogs.sapo.pt) poderá aceder a cada tema abordado em outros programas, mesmo os da primeira série.
Neste site irá encontrar numerosos links que o poderão informar sobre os assuntos aqui debatidos, mas também de muitos outros, que nem sempre, no espaço de um programa é sempre possível chegar a abordar. Esperemos que este site vos seja útil.
 
 
O programa serviço de Saúde, que é semanal, regressa daqui a 15 dias, no dia 22 de Setembro, a excepção é devida a um jogo de futebol que a RTP1 vai transmitir, na próxima 3ª feira.

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publicado por servicodesaude às 02:30
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Gripe A - Ficha Técnica do programa "Serviço da Saúde"

Autoria, coordenação e apresentação

Maria Elisa Domingues
 
Convidados
Rui Cernadas
Cristina Furtado
Francisco George
Lilian Guimarães
 
Reportagem
Buenos Aires Filmes
 
Produção
Miguel Braga
 
Jornalistas
Miguel Braga
Raquel Amaral
 
Imagem
Gonçalo Roquette
Arquivo RTP
 
Edição
Teresa Mota
 
Pós-produção vídeo
Sara Nolasco
 
Pós-produção Audio
Miguel Van Kellen
 
Atendimento telefónico
Sara Serafino
António Soares
 
Internet – edição/gestão de conteúdos
Natacha Borges
 
Câmaras
Rui Machado
Nuno Faneco
Jorge Guerreiro
Fernando Andrade
Gabriel Ramos
 
Mistura de Imagem
Fátima Duarte
 
Controlo de Imagem
António Marques
 
Som
José Miguel Antunes
José Carlos
Ricardo Torres
 
Iluminação
Armindo Caneira
 
Electricista
Jorge Carvalho
 
Técnicos de Electrónica
José Borges
Rui Loureiro
 
Assistentes de Operações
Artur Henrique
Nelson ferreira
Pedro Gonçalves
Victor Rodrigues
 
Caracterização
Fátima Tristão da Silva
Ana Filipa
 
Assistente de guarda-roupa
Paula Silva
 
Assistentes de Artes Visuais
Eurico Lourenço
Jacinto Medeiros
Joaquim Saraiva
 
Registo Magnético
Sérgio Ribeiro
 
Gerador de Caracteres
Luís Pereira Torres
 
Teleponto
Hélio Silva
 
Genérico e Grafismos
Nicolau Tudela
Teresa Martins
 
Música genérico
Ari de Carvalho
 
Assistente de Realização
Filipe Vasconcelos
 
Anotadora
Cecília Gomes
 
Chefe Técnico de Produção
João Duarte
 
Criação cenográfica
Gil Ferreira
 
Execução cenográfica
Isabel Rodrigues
 
Produção
Paula Paiva
 
Realização
Paulo Resende

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publicado por servicodesaude às 02:21
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