Terça-feira, 17 de Março de 2009
Doenças Respiratórias: Introdução (por Maria Elisa Domingues)

Se é fumador, o Serviço de Saúde de hoje é para si. Se não é, mas vive em ambientes onde os outros fumam, também não perca este programa. E se sofre de qualquer doença respiratória, hoje vamos falar dos seus problemas em particular.

 
Para a esmagadora maioria dos portugueses DPOC pouco ou nada quererá dizer. Trata-se no entanto de uma grave doença respiratória que atinge mais de 5% da população activa portuguesa e é uma das principais causas de mortalidade no mundo.
A DPOC é, assim, um gravíssimo problema de saúde pública, cuja causa é o tabaco.
 
Mas doenças respiratórias são, como todos sabem, várias infecções. Algumas das mais vulgares são a pneumonia, a asma, o cancro do pulmão e a tuberculose.
O cancro do pulmão é actualmente o que mais mata, provocando, mesmo nas mulheres, mais vitimas que o cancro da mama. A sua causa é, na esmagadora maioria dos casos, o tabaco.
 
Mas o tabaco é ainda o factor causal de outros cancros, por exemplo da cavidade oral, da laringe, da faringe, mas também do esófago, do pâncreas e do estômago.
Fumar, está provado, aumenta o risco de doenças cardiovasculares, de morte súbita, de infertilidade, além de provocar o envelhecimento precoce da pele.
 
A dependência física e psíquica da nicotina é tão forte que a maior parte dos fumadores não consegue largá-la, comprometendo a sua vida, dos seus familiares e prejudicando até a comunidade, em termos económico-financeiros.
 
Doença respiratória gravíssima é também a tuberculose que, embora a diminuir, se apresenta hoje sob formas multi e ultra resistentes.
Em Portugal, só em 2008, houve 2916 novos casos. E receia-se que este número possa vir a aumentar nos próximos anos, devido à crise, já que a pobreza e as más condições de vida favorecem o seu aparecimento, assim como o de outras patologias respiratórias.

Antes do debate em estúdio, a reportagem:



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Doenças Respiratórias: Reportagem

Esmeralda Mateus (presidente da Associação de Moradores de Aldoar): Como vêem, isto é uma miséria. Viémos de Xangai há 41 anos, morávamos num “barraco” à beira da praia e não tínhamos esgotos. Eu nasci lá. Esta mulher veio de Xangai, do Bairro da Liberdade. Eu acho que era melhor viver num “barraco”, que numa casa nesta situação.

 
Maria Celeste (58 anos): Tive pneumonia duas vezes, três vezes infecção nos pulmões, tenho bronquite, falta de ar, diabetes e tenho problemas de coluna. Não posso fazer uma cama, fico logo a bufar. Começa logo a faltar-me o ar. Eu não posso viver nesta casa, não posso viver aqui. Isto é matar-me.
 
Maria Celeste aguarda que a Câmara do Porto, proprietária da casa onde reside, resolva a situação.
 
Esmeralda Mateus (presidente da Associação de Moradores de Aldoar): Humidade nestas casas… Estamos agora numas obras tão lindas, mas é por fora. E os medicamentos? Nem se tem dinheiro para comer, com o rendimento mínimo. São 180 euros. Quer dizer as pessoas aqui lutam com as maiores dificuldades.
 
As doenças respiratórias são transversais a toda a sociedade e afectam, no seu conjunto, dois milhões de portugueses.
 
Mortes por Doença Respiratória em Portugal
 
Pneumonia                3601
Cancro do Pulmão   3417
DPOC                          2716
Tuberculose               345
Asma                            183
 
(Fonte: Estatísticas de Saúde, INE 2005. Dados relativos ao ano de 2002)
 
Entre as mais prevalentes, e com maior percentagem de mortalidade e morbilidade associadas, estão as infecções como a pneumonia, a asma, o cancro do pulmão ou a DPOC - a Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica -, uma patologia progressiva que abrange um largo espectro de doenças respiratórias, como a bronquite crónica ou o enfisema pulmonar. Cerca de 85% dos casos são provocados pelo tabaco.
 
Cristina Bárbara (pneumologista Hospital Pulido Valente): A DPOC é uma doença respiratória crónica que não tem cura e que se caracteriza pela existência de obstrução ao nível das vias respiratórias dos doentes. Essa obstrução condiciona ou limita a entrada ou a saída de ar dos pulmões.
Nas fases avançadas da doença, respirar para estas pessoas é bastante difícil, a tal ponto que até condiciona as actividades da sua vida diária.
 
O Ministério da Saúde implementou um projecto-piloto com vista a implementar uma rede de diagnóstico da DPOC em todos os centros de saúde do país. Para já, são abrangidas as unidades da área de influência do Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia e Espinho e do Centro Hospitalar de Lisboa Norte. O objectivo é travar o avanço da DPOC.
 
Cristina Bárbara (pneumologista no Hospital Pulido Valente): É um projecto muito importante, que teve como substrato o seguinte: o diagnóstico da DPOC está a ser feito muito tardiamente, só em fases muito avançadas da doença, em que os doentes são altamente sintomáticos. São geradores de internamento e o que temos para oferecer é muito menos do que se actuássemos precocemente.
 
Paula Simão (pneumologista no Hospital Pedro Hispano): Nenhum médico pode hoje por a etiqueta de DPOC se não tiver feito uma espirometria ao doente.
A espirometria é um teste respiratório extremamente simples, feito com um equipamento muito simples e barato, em que o doente faz várias manobras respiratórias através de um tubinho e um bucal.
No fundo conseguimos ver a capacidade, ou a quantidade de ar e a rapidez com que esse ar entra e sai dos nossos brônquios.
 
Aos 38 anos, com uma média de três maços de tabaco diários, foi-lhe diagnosticada uma DPOC. O confronto com a realidade da doença obrigou a medidas drásticas.
 
Jorge Almeida (38 anos): Caso não interviesse e tomasse uma atitude positiva, nomeadamente deixar o tabaco, e não deixasse de me expor a ambientes de fumo agressivos, seria esta situação – que está por detrás de mim – que me esperava a curto prazo.
Felizmente a evolução do meu quadro clínico revela que deixei de ter muitos dos sintomas associados à DPOC. Embora não seja totalmente progressivo, no espaço de um ano consegui recuperar mais 10% da minha capacidade respiratória.
 
Desde 1996 que a OMS considera o tabagismo como uma doença.
Em Portugal têm sido feitas algumas campanhas de prevenção e disponibilizados alguns meios, mas até há data não existe nenhum programa nacional de prevenção e tratamento do tabagismo.
 
O tabaco é responsável por cerca de 85% do número total de cancros do pulmão. Todos os dias 10 pessoas morrem vítimas deste tipo de cancro e todos os anos registam-se mais 4 000 novos casos.
 
Consumo de tabaco em Portugal: 19,7%
(Fonte: Inquérito nacional de Saúde 2005-2006)
 
Fumadores entre os 15 e os 24 anos: 22,4%
(Fonte: Eurostat)
 
O consumo de tabaco tem vindo a aumentar sobretudo nas faixas etárias mais baixas, o que compromete o futuro no que diz respeito às doenças respiratórias.
 
Existe um nexo de causalidade entre tabaco e doença respiratória, particularmente do cancro do pulmão e a DPOC. Mas também sabemos que favorece o aparecimento ou o agravamento da asma, patologias do interstício, que é uma patologia rara mas que também está relacionada com o tabagismo.
Portanto, se reduzirmos a prevalência, o número de fumadores e o tabagismo passivo, estamos a actuar no sentido da melhoria ou da promoção da saúde respiratória.
 
Luísa Branco criou a Associação “Respira” depois de dois internamentos provocados pelo tabaco. Hoje, passa dezoito horas diárias ligada ao oxigénio.
 
Luísa Soares Branco (presidente da Associação “Respira”): Tive um ano e meio, praticamente dois, sem fumar, mas como todos os fumadores, e todas as pessoas dependentes, o problema é que a gente retoma sempre.
Um dia dá-se uma passa ou fuma-se um cigarro e dizemos: “não vou continuar, já estou há tanto tempo sem fumar…” e depois ficamos outra vez “agarrados” e continuamos a fumar.
Só deixei de fumar definitivamente em 2001, quando estive internada. Depois de ter alta fiz algumas consultas de cessação tabágica e deixei de fumar.
Percebi, e foram muito claros comigo, que se continuasse a fumar, morria.
 
No Hospital Pulido Valente, em Lisboa, fazem-se todos os meses cerca de 300 consultas de tabagismo. A taxa de êxito anual ronda os 30%.
 
Eduarda Pestana (coordenadora da Consulta de Tabagismo do Hospital Pulido Valente): É uma dupla dependência: é uma dependência física mas também há uma grande componente psicológica e comportamental.
 
Vítima de um enfisema pulmonar, Helena começa hoje o percurso que a vai libertar do cigarro. As noites adivinham-se o período mais difícil:
 
Helena: É há noite, quando a pessoa está mais só, que o puxar de um cigarro passa a ser uma certa companhia.
 
José Miranda (56 anos): Esta é a história de um fumador que iniciou aos 13 anos e que só terminou dois ou três dias depois de fazer 47 anos e que, nos últimos quinze anos, fumava quase três maços de tabaco por dia.
 
A Organização Mundial de saúde reconhece que as doenças respiratórias são a principal causa de morte em todo o mundo e a sua prevalência tende a aumentar.
O tabaco continua a ser o inimigo número um da saúde respiratória, mas nos países com elevado índices de poluição regista-se também um aumento do número de afectados.


publicado por servicodesaude às 22:55
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Doenças Respiratórias: Apresentação dos convidados

 

Prof. Segorbe Luís - Pneumologista e presidente da Sociedade Portuguesa de Pneumologia; professor na Faculdade de Medicina de Coimbra e coordenador nacional da DPOC)
 
 
Prof. Carlos Robalo Cordeiro – Pneumologista doutorado e coordenador do Centro de Pneumologia da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra.
As suas principais áreas de investigação são principalmente a influência do meio ambiente na patologia respiratória e na patologia intersticial pulmonar.
 
Dra. Conceição Gomes - Pneumologista
Dra. Cecília Longo – Pneumologista
Dra. Cristina Freitas Martins - Médica de família do Centro de Saúde da Lousã


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Doenças Respiratórias: Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC)

A DPOC é, com este nome, uma entidade muito pouco conhecida dos portugueses embora afecte de forma tão impressiva os doentes e abranja um leque muito variado de patologias, não é?

Segorbe Luís (pneumologista): Antes dizia-se que era a bronquite do fumador e aceitava-se como uma realidade adquirida e não muito incapacitante. Dizia-se também “aquele fumador tem enfisema” e isso era um rótulo pesadíssimo, de quase condenação. E era um péssimo prognóstico.
São situações com grandes inconvenientes porque a maior parte das pessoas, dos fumadores que vêem a desenvolver DPOC, têm uma componente de bronquite e outra de enfisema. Logo, o termo abrangente de Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica.
Actualmente começa a ter o devido lugar em termos dos media e da população em geral.
 
Se está bem definida enquanto entidade clínica, para o diagnóstico ser exacto necessita deste exame chamado de espirometria, que não é complicado, nem sequer caro, mas que ainda é pouco frequente em Portugal, não é?
Segorbe Luís (pneumologista): É verdade. É um exame que só os centros especializados é que o ofereciam e alguns centros privados.
Nos centros de saúde só lentamente é que se foi instalando a espirometria aqui e ali, mas não de uma forma sistemática, organizada, para que os dados possam ser reunidos.
 
A importância do diagnóstico através da espirometria, é que quanto mais cedo for feito este diagnóstico maiores possibilidades há de a tornar reversível até certo ponto…
Segorbe Luís (pneumologista): O resultado da espirometria, e ao afirmar a DPOC numa fase evoluída, é uma janela de oportunidade para referenciar o doente para a cessação tabágica. E é um ponto importante para a pessoa interessada em deixar de fumar.
É a medida com mais marcado benefício tem na evolução da DPOC: nenhum medicamento tem tão bom resultado como o abandono tabágico.
E logo aí, deixando de fumar, essa oportunidade repercute-se na DPOC, na patologia cardiovascular e em muitos outros riscos.


publicado por servicodesaude às 20:55
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Doenças Respiratórias: Detecção precoce DPOC – espirometria e médico de família

Muitos portugueses só têm contacto com o médico através do médico de família (aqueles que o têm). Tem possibilidade de mandar os doentes fazer este exame?

Cristina Freitas Martins (médica de família): Realmente o primeiro contacto que o doente tem no centro de saúde é com o seu médico de família, a quem atribui uma confiança que é estabelecida com a continuidade da prestação de cuidados de saúde. E a quem é devido a detecção, o diagnóstico precoce de situações que podem levar a co-morbilidades: identificar grupos de risco que possam desenvolver patologia crónica respiratória, fazer o ensinamento da cessação tabágica e o desincentivo do consumo de tabaco por parte de populações mais jovens, já que cada vez se começa a fumar cada vez mais novo.
 
A espirometria tem sido gradativamente disponibilizada em vários centros de saúde do país, mas não efectivamente em todos. E é para nós extremamente difícil fazer o diagnóstico precoce sem termos acesso ao resultado desse exame.

Muitas vezes com as condições que temos, fazendo o exame clínico e perante uma suspeição, fazemos a referenciação para um hospital. Sobretudo quando as queixas são severas e resistentes a todas as atitudes terapêuticas até aí tentadas pelo médico de família.



publicado por servicodesaude às 19:14
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Doenças Respiratórias: Tuberculose e condições socioeconómicas

Ainda ontem ouvimos a propósito do número de novos casos de tuberculose em 2008, mais de 2900, o responsável da Direcção-geral de Saúde dizer que estava muito preocupado com o facto da crise instalada – não só em Portugal, mas em todo o mundo -, poder vir a aumentar este número, uma vez que as condições de vida e socioeconómicas são muito importantes para o desenvolvimento deste tipo de patologias.

Na sua área de actuação, na Lousã, os problemas económicos, do emprego precário ou desemprego, afectam muito as populações que a consultam?
 
Cristina Freitas Martins (médica de família): Vem-se notando as condições habitacionais precárias de determinadas pessoas. Sobretudo naquela área de residência e, naturalmente, dada essa exposição, muitas vezes a ambientes com mais humidade que fomentam o aparecimento de doenças oportunistas respiratórias E as pneumonias motivam cada vez mais internamentos hospitalares, com a agudização da DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica).
 
O médico tem um papel importantíssimo nestes casos porque tem que saber sinalizar essas situações - juntamente com a sua equipa multi-profissional -, às assistentes sociais dos centros de saúde (às estruturas da Segurança Social), à equipa de enfermagem… Ou seja, accionar todos os meios que tem ao seu dispor de forma a prestar um cuidado directo e, se for necessário, prestar um cuidado domiciliário.
A proximidade do médico de família com o doente é cada vez maior.
 
No índice de desenvolvimento dos países é tido em conta a relação de proximidade com as equipas de rua e, nomeadamente, com o enfermeiro; índice que em Portugal ainda está pouco trabalhado.
As pessoas querem um médico e não ficam contentes apenas com o enfermeiro que podia prestar, e presta, importantes funções na comunidade.
Cristina Freitas Martins (médica de família): Mas na prestação dos cuidados domiciliários não é apenas o enfermeiro que se desloca, mas também o médico, sempre que percebe que é imprescindível a sua presença in loco, para observar, no local, as condições em que as pessoas vivem…
 
A situação das pessoas que vivem naquelas casas, que vimos na reportagem no Porto; as vossas equipas encontram muitas casas assim?
Cristina Freitas Martins (médica de família): Sem dúvida. Há realmente pobreza naquela zona. Não direi em larga escala, mas existe. E isso condiciona o aparecimento de doenças crónicas e infecções oportunistas, sobretudo respiratórias e, nomeadamente, a pneumonia.
 
Sempre que é oportuno, o médico acompanha, e toda a equipa que está accionada deve ser optimizada a fim de dar a melhor resposta e a mais atempada possível.
A luta que é transversal a todo o SNS é a de se tornar cada vez mais acessível: ser mais próxima na resposta ao utente que procura auxílio numa fase aflitiva. Ou não. Na nossa perspectiva de cuidados primários também abordamos o doente quando ele não tem patologia.
 
A pessoa que vai ao médico apenas para ver se está bem. Ou que vai com o seu bebé… E sabemos, por exemplo que se começa a fumar cada vez mais cedo…
Cristina Freitas Martins (médica de família): Exactamente.


publicado por servicodesaude às 18:18
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Doenças Respiratórias: Deixar de fumar e consulta de cessação

Telefonema de Luís Pinheiro, 49 anos, empregado de escritório, de Odivelas:

O meu problema é fumar. Fumo desde os 13 anos. Fui para o liceu Veiga Beirão, em Lisboa, e não por minha iniciativa mas por praxe, fui quase obrigado a fumar. E depois também gostei…continuei. Desde essa altura que continuei a fumar. Já tentei deixar de fumar várias vezes, mas realmente o tabaco é mais forte que eu.
 
Já foi a alguma consulta de cessação tabágica?
Luís Pinheiro (49 anos): Já. Há seis anos tive um problema no miocárdio e fui acompanhado no Hospital de Santa Maria. E andei muito bem durante oito meses mas depois não consegui resistir.
 
No hospital, disseram-lhe obviamente: “o senhor tem que deixar de fumar”?
Luís Pinheiro (49 anos): Disseram, disseram. E toda a equipa foi impecável, os meus agradecimentos. Eu é que realmente não resisti. Preciso quase de um tratamento de choque porque tenho esposa, dois filhos, gosto muito da vida e, neste momento, sinto que preciso de um aconselhamento mais forte. E solicitava ajuda para que este vício desaparecesse.
 
Mas já foi a alguma consulta de cessação tabágica, destinada a ajudá-lo a deixar de fumar?
Luís Pinheiro (49 anos): Já. Fui ao Hospital de Santa Maria e até ao Dr. Pádua; toda a gente me tentou ajudar, mas não resisti e voltei a fumar porque o tabaco está sempre presente… isto é uma dependência.
 
Pode fumar no seu escritório?
Luís Pinheiro (49 anos): Não, agora é proibido, mas escapamo-nos um bocadinho e vimos à rua fumar.
 
Quantos cigarros fuma por dia?
Luís Pinheiro (49 anos): Em média, em 24 horas, fumo um maço de tabaco.
 
Levanta-se de noite para fumar? Há pessoas que fazem isso…
Não, isso não, nunca fumo durante a noite.
 
Mas o que é que espera, um milagre?
Um milagre não! Eu sei que milagres não há!
 
Então o que é que lhe falta; força de vontade?
Luís Pinheiro (49 anos): Precisava, era de ajuda. E acho que as pessoas que estão ai no programa são as indicadas. Precisava de algum aconselhamento e que me indicassem um local onde me possa dirigir. E que me apoiassem, para que eu conseguisse. Era importante para mim e para a minha família. A minha mulher e o meu filho não fumam e empesto a casa toda… E tenho que ter algum amor-próprio por mim também.
 
Vamos enviar-lhe alguma documentação que o vai certamente incomodar e talvez seja um forte incentivo para deixar de fumar…
 
Vou falar com doentes que passaram a mesma situação e que conseguiram deixar de fumar. Por exemplo a Luísa Branco, presidente da Associação Respira, que também fumou durante muitos anos. Quantos?
Luísa Branco (presidente da Associação Respira): Fumei durante 20 anos.
 
Só quando teve o diagnóstico de DPOC é que a Luísa arranjou coragem suficiente para deixar de fumar? Identifica-se com o que o Luís disse?
Luísa Branco (presidente da Associação Respira): Sim, porque fiz várias tentativas para deixar de fumar.
 
O que é que há de tão poderoso no tabaco?
Luísa Branco (presidente da Associação Respira): O tabaco, pelo menos para mim… Nunca vou deixar de ser fumadora. Sou uma fumadora que não fuma, como um alcoólico ou um toxicodependente. E sinto que se pegasse num cigarro hoje continuaria a ter o mesmo prazer.
Deixei de fumar no internamento, no Hospital de Santa Marta. Foram claríssimos comigo, disseram-me exactamente o que ia acontecer se eu não deixasse de fumar.
Fiz consultas de cessação tabágica.
Tive três semanas internada. Quando saí fiz mais quatro sessões de cessação tabágica e depois deram-me alta. Tenho controlado. Não me custa habitualmente estar ao pé de pessoas que fumam, a não ser que o espaço seja fechado. Numa esplanada não me faz impressão.
Agora, acho que não são os médicos que fazem milagres. Todos nós somos agentes da nossa saúde. Eu não vou por a responsabilidade da minha saúde respiratória nas mãos de outra pessoa, se eu não faço o esforço. O esforço tem que ser feito.
 
A Luísa faz 18 horas de oxigénio por dia…


publicado por servicodesaude às 17:20
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Doenças Respiratórias: Deixar de Fumar - dificuldades e prevenção

As suas principais áreas de investigação são principalmente a patologia respiratória e a influência do meio ambiente na patologia respiratória e na patologia intersticial pulmonar. O que é que há de tão difícil na cessação tabágica? Porque é que este apelo é tão forte? E porque é que as campanhas são tão pouco sucedidas e há de cada vez mais jovens a fumar?

Carlos Robalo Cordeiro (pneumologista): De facto o tabagismo é uma adição muito forte, como outras adições, permitidas ou não permitidas.
Tendo também em conta o que vimos na peça, faz pensar que de facto o mais importante é a prevenção primária, porque é muito difícil deixar de fumar.
Temos ajudar todos os doentes que fumam e todas as pessoas que fumam e ainda não estão doentes, mas acho que onde devemos incidir mais incisivamente é no ensino secundário; na fase em que as pessoas começam a fumar.
 
No ensino secundário, ou mesmo no primário?
Carlos Robalo Cordeiro (pneumologista): No primário e no secundário. O pico do início do hábito tabágico, andará pelo 9º ano de escolaridade.
 
O telespectador – o Luís - disse que começou a fumar aos 13 anos e que não era por sua vontade. Era da praxe, era uma espécie de iniciação, de ritual…
E mesmo com todas as campanhas que há, com tudo o que se sabe sobre o tabaco – vimos na reportagem os pulmões de alguém todos pretos – as pessoas esquecem-se que o tabaco faz mal a quase todos os outros órgãos. Porque é que continuam a fumar?
Carlos Robalo Cordeiro (pneumologista): Claro. Continuam porque é muito difícil deixar de fumar.
 
E porque é que começam a fumar?
Carlos Robalo Cordeiro (pneumologista): Isso é outra questão. Começam a fumar por múltiplos aspectos. Por uma natureza social, de afirmação, por uma questão de companhia.
É uma imagem que nos foi passada e que está enraizada até pelas imagens que nos foram sendo mostradas, de algum bem-estar. Hoje felizmente que isso já está afastado.
 
E até uma imagem de uma certa virilidade. Lembramo-nos do anúncio da Marlboro, com o cowboy…
Carlos Robalo Cordeiro (pneumologista): Actor que, por acaso, já morreu com carcinoma da laringe, causado pelo hábito tabágico.
Mas esse paradigma mudou. O personagem Lucky Luck, que nós víamos com o cigarro ao canto da boca, mudou o cigarro por uma palhinha. E isso foi anunciado pelo Morris, como uma mensagem que queria passar. E isso de facto tem funcionado.
 
Os primeiros estudos que relacionam directamente o tabaco com os efeitos nocivos que tem, nomeadamente o cancro, foram publicados nos anos 60, nos E.U.A. E estamos aqui, em 2009, a discutir porque há cada vez mais pessoas a começarem a fumar.
Na Ordem dos Médicos é o responsável pelo Colégio de Pneumologia.
A formação dos médicos é adequada a essa prevenção que deve ser feita junto dos doentes?
Carlos Robalo Cordeiro (pneumologista): Sim, esse é um aspecto que é privilegiado em todas as áreas de formação de um médico e num pneumologista, neste caso.
O pneumologista tem que ter várias valências para ser especialista; algumas em cuidados de saúde primários, outras na área das consultas relacionadas com o tabagismo e a prevenção são áreas, a todos os títulos, privilegiadas.
Estamos a falar do tabagismo activo mas também no que se refere ao tabagismo passivo.
O telespectador que telefonou também apontou um aspecto muito importante; o facto de também estar a prejudicar os outros que estão em casa, os filhos e a mulher.
 

De facto, hoje sabemos – é um dado conhecido relativamente ao tabagismo passivo -, que tem influência nas infecções e nas crises de asma, que pode provocar em crianças, mais tarde.



publicado por servicodesaude às 16:24
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Doenças Respiratórias: Estatísticas de “morte” pelo tabaco

Do ponto de vista da comunidade, financeiramente, podemos medir as implicações dos internamentos, das operações, dos cuidados farmacêuticos, das mortes e até do absentismo provocado pelo tabaco?

Segorbe Luís (pneumologista): Os custos são enormes. Posso dizer que 12% das mortes em Portugal são atribuídas ao tabaco. Os números são enormes. São custos de morbilidade e custos de saúde, directos e indirectos, que são difíceis de quantificar: em qualidade de vida, em compromissos familiares e sociais que o tabaco acarreta.
 
E através das várias doenças respiratórias que podem estar associadas, há também um certo número de absentismo?
Segorbe Luís (pneumologista): De absentismo e até da própria produtividade.
A questão também se coloca num outro plano, que é o plano da morte prematura e dos dias perdidos de vida. Ou seja, há os dias perdidos com má qualidade de vida e há os dias perdidos por morte prematura. Morre-se mais por se ser fumador.
 
A esperança de vida de um fumador diminui cerca de 10 anos.
Segorbe Luís (pneumologista): Ou mais. E voltamos ao caso preocupante dos adolescentes já que o vício da nicotina é adquirido rapidamente; é adquirido em semanas.
 
A nicotina actua no cérebro exactamente como outras drogas. Até mesmo como algumas drogas duras, não é?
Segorbe Luís (pneumologista): Os medicamentos modernos simulam os efeitos da “satisfação”da nicotina nos receptores. É um fenómeno orgânico. Um dependente de nicotina sofre com a falta dela.
 
Sofre a síndroma da abstinência, como outras pessoas dependentes de outras drogas, de outros consumos…
Por exemplo a terapêutica de substituição da nicotina tem maus resultados: pensos transdérmicos, pastilhas, gomas… os melhores resultados que conseguiram obter andarão pelos 12%.
 
O que é francamente medíocre…
É mau. Um aumento sério do custo do tabaco não anda nesse valor, mas quase. Está demonstrado. Com muitos efeitos nos adolescentes, por exemplo.
 
Defendia um aumento sério do custo do tabaco?
Segorbe Luís (pneumologista): Já o fizeram, mas o tabaco em Portugal ainda é relativamente barato, principalmente quando comparamos com outros países da Europa.
 
Embora a Espanha tenha um índice de consumo tabágico muito superior ao nosso.
O aumento do custo do tabaco, quando é significativo, reduz logo a população fumadora em 5% a 6%.
As medidas que tivemos com a publicação da lei que saiu em fins de 2007 – e que entrou em vigor no inicio de 2008 - trouxe um beneficio de redução de fumadores no país que não atingiu ainda os 10%.
 
E também se sabe muito pouco ainda sobre a aplicação da lei.
Há muitas pessoas que deixaram de fumar tanto em público mas porventura passaram a fumar mais em privado.
Segorbe Luís (pneumologista): Há sociedades em que é assim. Temos sociedades onde existem medidas muito restritivas em termos sociais quanto ao tabagismo. Mas, os números do cancro do pulmão são muito atrasados…
Agora vamos ter as DPOC, consequência do tabagismo nos anos 70. As consequências são retardadas.
 
E são silenciosas também, não é? Enquanto as consequências do alcoolismo tem uma expressão muito violenta, próxima do consumo; aqui há uma diferença temporal grande…
Carlos Robalo Cordeiro (pneumologista): Se é verdade que esta legislação fez com que entre 5% a 10% da população deixasse de ser fumadora, também é verdade que cerca de 25% dos fumadores diminuíram bastante o consumo. As razões são óbvias: não têm tempo para consumir mais, começam cada vez a consumir menos e eventualmente deixarão a adição.
 
Não há índices de consumo seguros. Há estudos recentes que provam que mesmo o consumo de cinco cigarros por dia tem consequências desastrosas a nível da saúde, não é?
Carlos Robalo Cordeiro (pneumologista): Claro que sim, por exemplo a nível cardiovascular qualquer cigarro afecta seriamente. O risco de cancro de pulmão é linear ao número de cigarros consumidos.
 
Qualquer consumo tem algum risco?
Segorbe Luís (pneumologista): Tem, até o passivo. E as mulheres têm mais risco de desenvolver cancro do pulmão.


publicado por servicodesaude às 15:27
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Doenças Respiratórias: Transplante de pulmão

Telefonema Maria Helena, 60 anos, reformada, da Figueira da Foz:

Sou fumadora passiva e já tenho muitas complicações, desde o DPOC, bronquite asmática, enfisema pulmonar e fibrose quística no pulmão esquerdo.
Se continuasse a andar em Pneumologia, aqui nos hospitais da Figueira… Ainda mudei de um médico para outro a pensar que ficava melhor…
Depois informaram-me de um médico em Coimbra, o Dr. Celsos Vieira, director da Pneumologia dos Hospitais da Universidade de Coimbra, e foi quem me valeu.
A senhora que está aí passa 18 horas ligada ao oxigénio. Eu estou durante 24 horas, além da medicação que faço.
 
Portanto, deixou de trabalhar?
Maria Helena (60 anos): Já há muitos anos, fui reformada por invalidez porque não podia mesmo trabalhar.
Ter ido para Coimbra foi a minha salvação. Tive um internamento de mais de meio ano, por duas vezes, em 2005, e no ano passado foi-me proposto – estão a estudar o caso – um transplante do pulmão esquerdo, que é o que tem fibrose quística (ambos têm enfisema pulmonar).
Mas não sei se serei operada em Coimbra, porque os médicos só estão a operar pessoas em fase terminal, com três a cinco meses de vida, que ainda não é o meu caso.
 
Os transplantes do pulmão, como sabe, são extremamente complexos…
 
É verdade que só propõem para transplante de pulmão, doentes em fase terminal, com poucos meses de vida?
Carlos Robalo Cordeiro (pneumologista): Há indicações, e também contra-indicações rigorosas, para referenciar um doente para transplante pulmonar. Por exemplo doentes com determinadas patologias; algumas aqui citadas e que fazem parte dessa lista.
É evidente que só se referenciam doentes para transplante pulmonar em situações de fim de linha, nos casos em que outras terapêuticas falharam. Não quer dizer que sejam situações de fim de vida, e que têm três a seis meses de vida. Mas são de facto situações que já estão bastante evoluídas, que têm uma esperança de vida mais baixa, mas que têm também que cumprir certas condições mínimas para serem submetidas a esse transplante.
 
De qualquer forma estes transplantes são extremamente complexos?
Carlos Robalo Cordeiro (pneumologista): São extremamente complexos, mas não do ponto de vista técnico, sobretudo na fase posterior - no acompanhamento -, porque dão origem a várias complicações. Não só no pós-operatório imediato, porque o pulmão é um órgão muito reactivo, com uma grande riqueza imunológica e nós estamos muitos expostos ao exterior, mas também em todo o interior, através da ligação à circulação.
E como o pulmão é um órgão imunologicamente muito rico, tem que se submeter estes doentes a drogas imuno-supressoras, de facto em dosagens importantes.
 
Que podem depois induzir a outros efeitos secundários complicadíssimos?
Carlos Robalo Cordeiro (pneumologista): Infecções oportunistas, por exemplo. Se bem que a rejeição também pode acontecer, por causa do pulmão ser um órgão imunitário relevante. Este é um factor muito importante do insucesso do transplante.
 
Hoje em dia, por enquanto, fazem-se muito poucos transplantes do pulmão em Portugal. E há uma ligação cada vez mais acentuada com a Corunha, para onde são mandados muitos doentes portugueses. Porquê?
Carlos Robalo Cordeiro (pneumologista): É verdade. Tem havido alguma irregularidade na realização dos transplantes pulmonares em Portugal e a Corunha tem tido de facto um papel muito importante para algumas dezenas de doentes portugueses que já lá foram transplantados.
E neste momento muitos órgãos que são colhidos em Portugal têm como destino a Corunha precisamente porque eles dão um apoio muito forte.
Neste momento penso que está em elaboração um protocolo para que possa acontecer em breve um programa de transplante pulmonar, precisamente no nosso Hospital da Universidade de Coimbra, dentro da cirurgia cardiotorácica.


publicado por servicodesaude às 13:30
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Doenças Respiratórias: Fumadores passivos - o caso dos bombeiros

Fumadores passivos, não fumadores, mas sujeitos ao contacto com partículas e ambientes altamente nocivos, são os bombeiros.

A Dra. Cecília Longo é a presidente da Associação Chama Saúde que procura definir melhor o perfil dos bombeiros e interessar-se mais pela quantidade de substâncias que de uma forma altruísta muitos desses homens são obrigados a ingerir. Neste caso não é porque queiram fumar mas porque o trabalho assim os obriga, não é?
 
Cecília Longo (pneumologista): Tudo veio através da poluição atmosférica pela qual sempre me interessei. Os bombeiros voluntários não eram seguidos do ponto de vista da saúde respiratória nem de nenhum órgão. Fiquei muito admirada na altura e começámos a reunir pessoas e esforços.
Neste momento estamos a fazer rastreios cardiorespiratórios e tentamos dar apoio fazendo apelo às entidades, nomeadamente ao MAI, ao Ministério da Administração Interna e ao Ministério da Saúde, de forma que estes homens possam ser seguidos do ponto de vista respiratório.
Fizémos um estudo em 2007, e já apresentámos os resultados da parte respiratória. Constatámos que mais de 20% dos nossos bombeiros, dos corpos de primeira intervenção, tinham problemas respiratórios, sintomas.
E quando fomos avaliar a espirometria havia 16,3% de casos. E estamos a falar de uma população muito jovem, com uma média de idade de 30 anos.
A DPOC aparece sobretudo a partir dos 40, em pessoas que tenham começado a fumar aos 13, aos 15 ou aos 20. E portanto, ao encontrarmos esta patologia respiratória nos bombeiros, alerta-nos para a quantidade de substâncias a que estão sujeitos, por isso eles têm que se proteger. Ou os turnos serem mais pequenos, embora a maioria deles seja voluntário e vá atacar os fogos.
 
Sobretudo quando há fogos de grande escala, não devem com certeza pensar no número de horas a que estão expostos a essas substâncias…
O professor Carlos Robalo Cordeiro, em Coimbra, trabalha num centro de investigação que também se preocupa com a saúde dos nossos bombeiros e, em articulação com a Universidade de Aveiro, está a desenvolver um projecto de investigação neste âmbito.
 
Carlos Robalo Cordeiro (pneumologista): Temos um projecto de três anos aprovado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia. É uma colaboração com o Departamento de Ambiente e Ordenamento da Universidade de Aveiro, a Faculdade de Ciência e Tecnologia de Coimbra e o nosso centro, e que visa sobretudo três tarefas.
A primeira é estudar os efeitos da exposição por parte dos bombeiros. Já foi feito um estudo basal, com inquéritos clínicos, estudo da função respiratória, a espirometria e que incluiu o estudo de diversos gases, também importantes para a avaliação das consequências. (Esta foi uma fase inicial que incluiu quatro corporações na região centro).
Uma segunda fase teve a ver com a medição da exposição. A medição foi feita no ano passado, em situação de fogo experimental, na região da Lousã, aproveitando a experiência do Dr. Xavier Viegas nesses estudos de queimas experimentais.
 
O ano passado foi um “mau ano” para esse tipo de experiências, porque houve poucos fogos e teve que ser experimental… Mas felizmente que houve poucos fogos.
Carlos Robalo Cordeiro (pneumologista): Os bombeiros que combatiam esses fogos tinham um equipamento onde constava um detector de partículas, de gases, e um GPS, para se perceber em que zonas dos fogos é que estavam sujeitos e expostos a um maior número de gases tóxicos e partículas nocivas.
Foi uma fase muito interessante, que motivou inclusive o interesse de investigadores internacionais: austríacos, italianos, gregos e espanhóis, que vieram testar sensores de som, que podem vir a permitir, de forma precoce, perceber o início de um incêndio.
 
A terceira fase tem a ver com a modelação da exposição. Aproveitando a capacidade instalada da Universidade de Aveiro, que tem um laboratório móvel da qualidade do ar, irá ser transferido para as zonas de combate, para se perceber de que forma é que se pode modelar a qualidade do ar na exposição dos bombeiros a estes fogos.


publicado por servicodesaude às 12:41
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Doenças Respiratórias: Tuberculose multi-resistente

Foram divulgados esta semana os números mais recentes relativamente à tuberculose: mais de 2900 casos em Portugal, em 2008.

A manter-se esta tendência não vão ser alcançados os objectivos que estão desenhados pela Organização Mundial de Saúde. A tuberculose devia estar a diminuir mais.
Foi uma grande fumadora, venceu já uma tuberculose multi-resistente. Tem ao seu lado a sua médica, Conceição Gomes, pneumologista no Centro Pneumológico da Amadora, que a tem tratado. Além da tuberculose a Sandra tem também um enfisema. E confessou-me que ainda não deixou completamente de fumar.
Sandra Fernandes (37 anos): Sim, ainda fumo três a cinco cigarros por dia. Mas consegui chegar aqui sozinha, não fiz tratamento nenhum para deixar de fumar. Para mim é uma pequena vitória mas o que quero realmente é deixar de fumar definitivamente. Tem mesmo que ser.
 
Está de baixa e não trabalha há seis anos, justamente devido aos problemas que se geraram por fumar. Porque é que ainda não conseguiu deixar completamente? Porque é tão difícil?
Sandra Fernandes (37 anos): Porque é muito difícil. E depois a própria situação da doença é geradora de muito stress. Mesmo assim deixei logo de fumar; com excepção destes cigarros que ainda mantenho.
 
Dizia-me que apesar da Sandra ainda não ter deixado completamente o tabaco, que é uma heroína…
Conceição Gomes (pneumologista): O facto de a Sandra ter tido uma tuberculose multi-resistente, a quantidade de medicamentos que toma e a ida, todos os dias, ao meu serviço para fazer a sua medicação, pode ser considerado um caso de sucesso dentro da área da tuberculose multi-resistente.
Em relação ao tabaco, penso que a Sandra vai conseguir deixar de fumar estes três ou cinco cigarros. Cada vez que ela vai à consulta faço uma sensibilização sobre o tabaco. Mas a partir de agora, que vai ter alta no seu tratamento, a Sandra vai deixar de fumar, estou convencida.
 
O stress provocado pela doença acaba por dificultar ainda mais a adesão a outro tipo de medicação que podíamos fazer como adjuvante do tratamento que a Sandra fez para deixar de fumar.


publicado por servicodesaude às 11:43
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Doenças Respiratórias: Dimensões psico-sociais do tabaco

Se existe alguma coisa que realmente constitui um problema de saúde mental, é este do tabaco.

É um dos responsáveis do programa de acção contra o alcoolismo e pela respectiva legislação desenhada pelo Ministério da Saúde.
Para além da legislação que está cá fora, em vigor, é muito mais difícil que as pessoas deixem esta adição – do tabaco – com custos sociais tão grandes, não é?
Álvaro Carvalho (coordenador nacional de Saúde Mental e psiquiatra): Não havia essa noção há uns anos, mas de facto o tabaco é mesmo aditivo, dá mesmo dependência.
Algumas pessoas não chegam a ter mesmo dependência da nicotina, mas têm aquilo que se chama “dependência de boca”, um grau de satisfação e de dependência psicológica.
Toda a gente conhece pessoas que se o tabaco acabar durante a noite (mesmo que não fumem durante a noite), têm que ter um maço em casa.
 
E vamos ser francos; mesmo na classe médica?
Álvaro Carvalho (coordenador nacional de Saúde Mental e psiquiatra): Mesmo na classe médica. Já se fumou menos.
 
E mesmo não só na classe médica, dentro do meio dos profissionais de saúde há muita gente que fuma? O que é péssimo para os doentes…
Álvaro Carvalho (coordenador nacional de Saúde Mental e psiquiatra): Sim, sim. Sobretudo quando se fuma em frente aos doentes. Há uma responsabilização maior dos profissionais de saúde relativamente aqueles que não o são.
 
Quando o doente sabe que o médico que lhe está a dizer: “deixe de fumar”, e ele próprio também fuma…
Álvaro Carvalho (coordenador nacional de Saúde Mental e psiquiatra): Pois, é uma situação muito complicada. Mas é uma situação em que houve uma posição política a nível internacional.
A OMS Europa tomou a resolução de condicionar a publicidade ao consumo de tabaco, nomeadamente nas provas de Fórmula 1 que, como se sabe, eram tradicionalmente muito apoiadas pelas grandes tabaqueiras.
E já que falou no álcool; é uma situação que ainda não foi possível alargar às bebidas alcoólicas.
 
Em relação ao tabaco e ao álcool, e no outro dia falávamos aqui de obesidade, há de facto situações que causam dependência, embora neste momento também haja uma maior consciência a nível social e a nível médico, das suas repercussões.
Há situações de natureza emocional que levam as pessoas a procurar qualquer uma destas situações.
 
Uma senhora dizia na reportagem: “é a solidão”, que a levava a fumar.
Álvaro Carvalho (coordenador nacional de Saúde Mental e psiquiatra): É também o caso do jovem, por uma necessidade de identificação com o grupo, por uma questão de virilidade. Já se falou da questão dos actores de cinema e de uma época em que era moda e uma referência masculina.
Hoje em dia, infelizmente para o sexo feminino, é um hábito que está a começar a invadir de forma impressionante as mulheres, tal como o álcool; fruto de um conjunto de alterações a nível sociológico.
É uma situação mais complexa. As pessoas têm a noção de que têm a sua vida limitada, que têm uma vida dificultada inclusive pela redução significativa do número de anos de vida, e continuam a fumar.
Há necessidade de não prescindir da vertente da saúde mental, que não é fácil. É multidisciplinar, não há psicoterapias, mas vão aparecendo alguns fármacos que ajudam a controlar o craving – a apetência para fumar.
 
Mais do aquele sucesso tão incipiente que o Dr. Segorbe Luís lembrava há pouco, relativamente aos pensos transdérmicos e às pastilhas…?
Álvaro Carvalho (coordenador nacional de Saúde Mental e psiquiatra): São substâncias relativamente recentes, têm poucos anos, mas há casos em que respondem melhor do que a nicotina.


publicado por servicodesaude às 10:45
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Doenças Respiratórias: Ficha Técnica

Autoria, coordenação e apresentação

Maria Elisa Domingues
 
Convidados
Segorbe Luís
Robalo Cordeiro
Cristina Freitas Martins
Álvaro Carvalho
 
Pesquisa
Alexandra Figueiredo
Miguel Braga
 
Reportagem
Buenos Aires Filmes
 
Produção
Miguel Braga
 
Jornalistas
Teresa Mota
 
Imagem
Gonçalo Roquette
 
Edição e Pós-produção vídeo
Sara Nolasco
 
Pós-produção Audio
Miguel Van Kellen
 
Gestão e edição conteúdos Internet
Portal SAPO
Natacha Borges
 
Atendimento telefónico
Nuno Gaibino
Miguel Rocha
Mariana Sousa
Ana Marta Coelho
 
Câmaras
Rui Machado
Ricardo Ramalho
Elias Barbosa
Paulo Alexandre
Carlos Abreu
 
Mistura de Imagem
Filipe Costa
 
Controlo de Imagem
Alfredo Marques
 
Som
Henrique d´Assumpção
Ricardo Correia
Manuel Linã
 
Iluminação
Luís Silvestre
 
Electricista
Bruno Bernardino
 
Técnicos de Electrónica
José Borges
Rui Loureiro
 
Assistentes de Operações
José Fernandes
Luís Ferro
Pedro Gonçalves
Luís Rodrigues
 
Caracterização
Ana Filipa
Margarida Santos
 
Assistente de guarda-roupa
Paula Silva
 
Registo Magnético
Margarida Almeida
 
Gerador de Caracteres
Luís Pereira Torres
 
Teleponto
Hélio Silva
 
Genérico e Grafismos
Nicolau Tudela
Teresa Martins
 
Música genérico
Ari de Carvalho
 
Assistente de Realização
Pedro Vlladas Preto
 
Anotadora
Paula Macedo
 
Chefe Técnico de Produção
João Martins
 
Criação cenográfica
Gil Ferreira
 
Execução cenográfica
Isabel Rodrigues
 
Produção
Filipa Azevedo
 
Realização
Jorge Rodrigues


publicado por servicodesaude às 09:46
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Doenças Respiratórias: Links Úteis

Associação “Respira”www.respira.pt/

ANTDRwww.antdr.com
Associação Portuguesa de Asmáticos www.apa.org.pt
Observatório Nacional das Defesas Respiratórias www.ondr.org 
Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica www.spaic.pt
Sociedade portuguesa de Pneumologia www.sppneumologia.pt
Portugal Sem Fumo www.portugalsemfumo.org
Para Que Não Lhe Falte Ar www.paraquenaolhefalteoar.com
Por Uma Vida Sem Tabaco – pt.help-eu.com/pages/índex-17.html
Tabagismowww.tabagismo.info
Introduction to Action and Smoking on Health www.ash.org
Doctors and Tobacco www.tobacco-control.org
European Network for Smoking Prevention www.ensp.org
Organização Mundial de Saúdewww.who.int/tobacco/en

Direcção Geral de Saúde - http://www.dgs.pt/ (Circular Informativa nº 40/DSPCD de 20/10/2009: Assunto: Orientações Técnicas sobre Reabilitação Respiratória na Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) - Para: Todos os Médicos - Contacto na DGS: Direcção de Serviços de Prevenção e Controlo da Doença).



publicado por servicodesaude às 08:48
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