Terça-feira, 13 de Outubro de 2009
Gripe A (H1N1): Introdução (por Maria Elisa Domingues) e Convidados

O programa Serviço de Saúde (2ª série) do dia 13 de Outubro debateu pela segunda vez o tema da gripe A.

Apesar do Outono ter chegado apenas no calendário e a maior parte do país continuar com temperaturas de Verão, a gripe A fez ontem a sua terceira vitima: uma jovem mãe de 32 anos, que estava nos cuidados intensivos do Hospital Curry Cabral, em Lisboa, há quase dois meses.

Era uma pessoa perfeitamente saudável, tal como o paciente que morreu no Hospital de São João, no Porto, há três dias, o que prova quão diferentes são os alvos e o comportamento deste vírus, em relação aos da gripe sazonal.
 
Ao mesmo tempo, nos últimos dias multiplicaram-se declarações de profissionais de saúde sobre a decisão de não serem vacinados, devido à alegada falta de segurança da vacina, que é no entanto fabricada segundo processos em tudo idênticos aos da vacina contra a gripe sazonal. O próprio bastonário da Ordem dos Médicos criticou “o excesso de alarme e de zelo” na resposta à gripe A, considerando-a “uma doença banalíssima”.
 
Estas atitudes daqueles que, pelo menos aos olhos da opinião pública, são os mais informados sobre a pandemia exigem, em nossa opinião, um debate esclarecedor com verdadeiros especialistas na matéria. Até porque o plano de vacinação começa no próximo dia 26 e muitas das pessoas incluídas nos grupos de risco – como, por exemplo, as grávidas – podem estar confundidas com a disparidade do que ouvem e do que lêem.
 
Os convidados de hoje são:
 
- A Pof. Dr.ª Cristina Sampaio, neurofarmacologista especialista em Farmacologia Clínica e directora da Unidade de Farmacovigilância de Lisboa e Vale do Tejo;
 
- O Dr. António Diniz, pneumologista, coordenador da Unidade de Imunodeficiência do Hospital Pulido Valente e, também, colaborador da DGS (Direcção-Geral de Saúde) e da ARS (Administração Regional de Saúde) de Lisboa e Vale do Tejo, especificamente na área da gripe.
 
- O Dr. Mário Freitas, médico de Saúde Pública, actualmente a fazer um doutoramento em Saúde Comunitária e delegado de saúde pública na ilha de São Miguel, nos Açores;
 
- O Dr. Rui Cernadas, médico de família, director clínico do Agrupamento dos Centros de Saúde Espinho-Gaia, que mais uma vez nos acompanha.

 

 

Vamos recordar o que pensam algumas das classes profissionais chave no combate à gripe A, e que influência essas pessoas; essas opiniões, podem exercer: Reportagem


publicado por servicodesaude às 23:53
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Gripe A (H1N1) - Opiniões contraditórias das autoridades de Saúde

Gostava de fazer a todos a mesma pergunta. Depois de verem a reportagem e de ouvirem opiniões de médicos, de enfermeiros e as declarações do vosso bastonário – que não se disponibilizou para fazer mais declarações para esta reportagem – que efeito é que estas declarações podem ter no grande público?

Mário Freitas (especialista em Saúde Pública): Penso que neste momento a informação que a população tem recebido de diversos meios já lhe permite “distinguir o trigo do joio”.
Já toda a gente percebeu que estamos a viver uma situação preocupante a nível mundial. Mas isto é uma pandemia, não é um “pandemónio”. Requer preocupação e esforços conjuntos da sociedade e é fundamental que a comunidade intervenha.
Foi um grande passo que se deu, trabalhar com as escolas, porque sabemos que as crianças e as escolas constituem um dos principais meios de contágio. Também o readquirir hábitos de higiene vai ter benefícios secundários inevitáveis.
 
Ou seja, desvaloriza as opiniões de profissionais de saúde - quer de médicos, quer de enfermeiros - que dizem que não vão vacinar-se porque consideram que a vacina não é suficientemente segura?
Mário Freitas (especialista em Saúde Pública): Temos que valorizar as opiniões credenciadas e baseadas em evidências científicas.
E penso que em termos de evidências, a OMS é uma entidade suficientemente respeitável para acreditarmos quando esta declara uma Fase 6, de uma Pandemia.
Penso que o director-geral da Saúde e a senhora ministra da Saúde são pessoas com provas dadas e de reconhecida competência, que não nos andariam a fazer andar a perder tempo, com planos de contingência e outras medidas se isto não merecesse realmente atenção.
 
E o Comité Científico da Agência Europeia do Medicamento também tem a mesma opinião, não é?
Mário Freitas (especialista em Saúde Pública): Exactamente.
 
No entanto, este fenómeno não existe só em Portugal. Estas reacções contra a vacina surgiram noutros países, é preciso que se diga, nomeadamente em Inglaterra e em França.
No entanto, alguns desses países já tomaram medidas, como é caso do EUA e nem sempre as decisões dos órgãos colectivos da classe médica foram no sentido daquilo que aconteceu aqui em Portugal...
Mário Freitas (especialista em Saúde Pública): A comunicação é um aspecto muito importante. Não podemos esquecer que a comunicação em Saúde nunca pode ser contraditória.
Há aspectos de saúde pública que é preciso respeitar e as entidades de saúde pública nacionais e internacionais têm sido muito claras na mensagem que têm transmitido.
É preciso ter muito cuidado porque há pessoas que têm um papel na sociedade, demasiado relevante para dizerem informações completamente contraditórias relativamente ao que as instituições internacionais têm dito.
 
É também essa a sua opinião?
António Diniz (pneumologista no Hospital Pulido Valente): Estou de acordo com o meu colega.
Tenho a impressão em que há períodos em que se começa a instalar, de forma insinuosa, na sociedade, uma certa tranquilidade excessiva relativamente a esta questão.


publicado por servicodesaude às 21:06
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Gripe A (H1N1): Certezas: pandemia diferente da gripe “sazonal” (2)

O que eu acho estranho nas declarações que algumas pessoas fizeram acerca da perigosidade da vacina é o facto de ninguém referir os estudos que já foram feitos com base no que aconteceu no hemisfério sul, em que houve países que já tiveram uma experiência de alguns meses de convivência com esta estirpe, nomeadamente a Austrália, a Nova Zelândia e alguns territórios sob administração francesa.

 
No caso da Austrália, por exemplo, acabou-se por concluir que a idade média das pessoas que morreram foi de 53 anos, o que é algo de diferente do que nos têm dito até agora…, embora numa gripe normal, costume ser de 83. 
António Diniz (pneumologista no Hospital Pulido Valente): Exactamente. Há pouco tempo tive acesso a um estudo dos resultados preliminares de mortalidade da gripe sazonal, em Portugal, feito por colegas do INSA (Instituto Nacional de Saúde dr. Ricardo Jorge) e 82% dos casos de mortalidade ocorreram acima dos 75 anos.
Numa gripe pandémica a faixa em que se prevê que haja ocorrências situa-se, no máximo, entre os 20 e os 49 anos. Não tem nada a ver.
É também sabido que mesmo relativamente à gripe sazonal as grávidas são mais susceptíveis, devido a perturbações hormonais e imunitárias, mas atenção: a gripe sazonal não tem a taxa de complicações que tem a gripe pandémica.
 
Isto não é assustar as pessoas, é dar a informação que já se dispõe, porque devemos todos colaborar. Não são só as estruturas de saúde que têm a obrigação de participar neste esforço.
Neste caso uma grávida tem o mesmo risco de contrair uma gripe pandémica que uma jovem não grávida, mas no caso de contrair essa gripe, o risco de ter complicações é quatro vezes superior. E isto deve levar as pessoas a adoptar medidas de saúde individual que contribuam para o colectivo.

 



publicado por servicodesaude às 19:15
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