Terça-feira, 27 de Outubro de 2009
Dor - A sua dor é real e tem um nome - 2 a 8 Novembro no Colombo

Entre 2 e 8 de Novembro os visitantes do “Espaço Dor” no Centro Colombo podem informar-se e tirar dúvidas sobre a dor neuropática e os sintomas sugestivos desta doença. Os interessados têm a oportunidade de responder a um questionário que ajuda a reconhecer se a pessoa tem sintomas que indicam a presença de dor neuropática. O “Espaço Dor” vai estar na Praça dos Navegantes, no Piso 0, de segunda a domingo das 10h às 24h.
 
Esta acção de sensibilização surge no âmbito da campanha “A sua dor é real e tem um nome”, que pretende alertar a população para uma doença que mais de 70% dos portugueses nunca ouviu falar.
 
A campanha pretende também desvendar e incentivar a utilização de uma linguagem comum para descrição dos sintomas sugestivos da dor neuropática. A sensação de PICADA, FORMIGUEIRO, QUEIMADURA ou CHOQUES ELÉCTRICOS, podem querer dizer que a pessoa sofre da doença, altamente incapacitante.
 
Esta é uma campanha da Associação Portuguesa para o Estudo da Dor (APED), do Instituto Português de Reumatologia (IPR), da Sociedade Portuguesa de Medicina Física e de Reabilitação (SPMFR) e da Pfizer.


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publicado por servicodesaude às 23:59
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Dor - Introdução (por Maria Elisa domingues)

Hoje vamos falar de um tema familiar a todos os telespectadores: a dor.

Para 30% dos que estão a ver-nos neste momento, ela é mesmo uma doença constante, muitas vezes desvalorizada pelos médicos, sobretudo quando a sua causa não tem indícios físicos.
 
Um dos objectivos deste programa é sensibilizar os doentes para os seus direitos: desde 2003, a Direcção-Geral da Saúde considera que “o controlo eficaz da dor é um dever dos profissionais de saúde, um direito dos doentes que dela padecem e um passo fundamental para a humanização das Unidades de Saúde”.
 
Sabemos, infelizmente, que estas recomendações nem sempre são observadas, em particular se a doença é de difícil diagnóstico e o doente se apresenta de boa cara. Isso explicará, em parte, que só 1% dos doentes que sofrem de dor crónica chegue às Unidades de Dor; mais de 50 espalhadas pelo país.
A nossa própria cultura leva muitos doentes a encarar a dor como algo inevitável, que têm de viver com resignação, como se uma fatalidade se tratasse.
 
Vamos ver na reportagem como um tratamento adequado da dor pode dar sentido a uma vida que se julgava perdida e também como as redes de apoio social, a começar pela família, podem ser determinantes: Reportagem

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publicado por servicodesaude às 23:54
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Dor - Reportagem

Leonor Matias: “Sentia muita comichão, não conseguia dormir… e os meus pés estavam realmente maus…, tinha que estar deitada na cama, com os pés para cima…”.

 
Sandra Matias (mãe da Leonor): Ela só dizia: “tenho muitas saudades de andar…” e, realmente, dói muito ver uma criança assim. Queremos sempre o melhor para os nossos filhos; não foi nada fácil! O único tempo que não estava com ela era para dar atenção às outras duas crianças que também tenho. Não foi nada fácil, senti muito medo!”.
 
Este ano Leonor Matias venceu o primeiro prémio da APED - Associação Portuguesa do Estudo da Dor. Desde muito pequena que sofre de alergias mas foi este ano, em Julho, que as coisas pioraram. Uma picada de mosquito provocou uma estranha infecção:
Sandra Matias (mãe da Leonor): “Tinha muitas dores, muito inchaço. Ela precisava de ajuda para comer, para ir à casa de banho... Uma criança com 10 anos, que é super independente para tudo, precisava de ajuda para as mais pequenas coisas…”.
 
Os remédios, as comichões e os hospitais são agora recordações dolorosas, mas talvez por isso Leonor, como a mãe, também sente medo:
 
Leonor Matias: “Tenho um bocadinho…”.
 
De acordo com o estudo “Dor na Europa, estima-se que em Portugal uma em cada cinco pessoas sofra de dor crónica, moderada a intensa.
A dor da Leonor foi mais aguda mas nem por isso se deve menosprezar o que sentiu. Ainda para mais porque a dor pediátrica é tantas vezes esquecida.
Um outro estudo da APED revelou que cerca de 30% dos portugueses sofre de dor crónica:
 
Prevalência da Dor Crónica em Portugal
Dor Crónica – 31% (2.700.000 pessoas)
Dor Moderada a Forte – 14,3% (1.240.000 pessoas)
 
As regiões em que se situam as populações mais afectadas são o Litoral Alentejano e a Beira Alta.
As razões principais da dor crónica foram identificadas e entre elas estão as patologias osteo-articulares, como as lombalgias ou a própria osteoporose. Traumatismos, artrite reumatóide ou cefaleias constantes, são outro tipo de dor prevalente na população portuguesa.
Por isso mesmo, de acordo com o Programa Nacional de Controlo da Dor, existem cerca de 50 unidades especializadas onde os doentes habitualmente chegam, depois de esgotarem outras hipóteses do circuito hospitalar e sempre encaminhados pelo médico de família.
 
Foi isso mesmo que aconteceu a Laurinda Santos. Apesar de submetida a três operações à coluna, as dores continuaram:
 
Laurinda Santos: “Se eu me tentar vestir da cintura para baixo tenho que pedir ajuda e sentar-me numa almofada dentro de guarda-fatos. Não me consigo dobrar e a certa altura as dores são insuportáveis, até ao ponto de não conseguir andar”.
 
Esta foi apenas a terceira visita de Laurinda à Unidade de Dor do Hospital dos Capuchos. Tal como outros doentes, Laurinda é observada por uma equipa multidisciplinar que, em conjunto, tentará minorar a sua dor:
 
Ana Carina Resina (Unidade Terapêutica da Dor): “Tentar perceber um pouco como é que a pessoa está do ponto de vista emocional, nomeadamente do ponto de vista do controlo da dor; de adaptação psicológica à dor. Aquela é uma pessoa que aprendeu a conviver com a sua dor, ou não? O que é que é preciso mudar para ter um confronto mais adaptativo à sua dor?”.
 
Telmo Barroso (dietista da Unidade Terapêutica da Dor): “Um dos vértices do problema nestes doentes é normalmente a obesidade ou o excesso de peso. Portanto, tentamos que melhorem nesse aspecto; que percam peso. Muitas vezes existem problemas osteoarticulares graves associados, que impedem a mobilidade, e até que saiam de casa. E metem baixas... Tudo isso faz com que a vida não corra habitualmente bem”.
 
Numa sociedade cada vez mais tecnológica, estas unidades têm também um forte elemento humano nas consultas, permitindo aos doentes serem ouvidos por quem melhor os compreende:
 
Teresa Patto (coordenadora da Unidade Terapêutica da Dor): Muitas vezes dizemos que fazemos uma medicina mais humana do que técnica mas a medicina deve ser assim. Um doente não é um sintoma; é uma pessoa, uma realidade familiar e social. E se não se intervém em vários campos, não se melhora aquilo que pretendemos, que é a dor crónica”.
 
Marco é enfermeiro e há 13 anos sofreu um grave acidente de viação:
 
Marco Gomes (enfermeiro do Centro de Saúde Nº2, Vila Real): “Daí resultou uma fractura-luxação, paraplegia - sem controlo dos esfíncteres - e o resultado foi uma cadeira de rodas. Passo a minha vida há mais de 13 anos numa cadeira de rodas”.
 
Depois do acidente, Marco tinha dores nos membros inferiores, sobretudo no joelho direito e os médicos não o convenceram que sofria da chamada “dor fantasma”. Por isso, da médica de família foi encaminhado para a Unidade da Dor do Hospital de Vila Real, onde chegou com a dor e a revolta à flor da pele:
 
Marco Gomes (enfermeiro do Centro de Saúde Nº2, Vila Real): ”A dor era lancinante, tipo choques eléctricos, picadas tipo agudas, e impedia-me de fazer a minha actividade naquela altura”.
 
Rosário Abrunhosa (responsável pela Unidade da Dor, Vila Real): Foi um caso interessante porque quando o Marco veio à consulta já era uma pessoa com um determinado grau de cultura e já conhecia determinado tipo de fármacos: os mais fortes e os outros, mais fracos.
O Marco chegou e disse: “Dêem-me morfina senão eu vou buscá-la onde ela existe…”.
 
A verdade é que nos dois anos que se seguiram, o Marco tem sido um doente exemplar, conseguindo inclusive dominar a dor com a ajuda da medicação:
 
Rosário Abrunhosa (responsável pela Unidade da Dor, Vila Real): “Creio que o Marco hoje, dois anos depois de andar na nossa consulta, é um profissional activo, que faz a sua medicação, que gere a sua medicação duma forma já muito cuidada e madura.
Quando está melhor pergunta-me se pode reduzir o opióide que faz. E há alturas em que está melhor e podemos reduzir e alturas em que está pior e temos que aumentar.
Mas já não há nada daquele pânico inicial, em que dizia “ou me dá algo…”.
Colocam-se sempre alguns problemas no início, sobretudo quando está em causa o uso dos opióides, em doentes não oncológicos. Tem que se fazer uma avaliação psicológica importante”.
 
A dor crónica atinge 30% da população portuguesa, mas apenas 1% é seguido em Unidades de Dor, talvez porque muitos doentes passam por um longo percurso até conseguirem chegar aqui.
Foi o que aconteceu a Manuel António. Há dois anos, uma dor na anca levou-o a procurar um médico. Esteve internado e, já sem dores, voltou para casa convencido que sofria de ciática. Porém, o caso era mais grave e Manuel voltou ao hospital, onde ficou internado um mês:
 
Manuel António Meireles: “Cheguei ao Hospital de Santo António e o médico disse-me logo de caras o que era. Disse-me que tinha um problema muito grave, que era um linfoma sanguíneo.
 
Antigo electricista, Manuel está de baixa há dois anos, tal foi a massa muscular que perdeu na perna direita. Hoje, divide o tempo entre a sua arte e momentos em que apenas contempla a beleza da sua região. O importante, diz, é que ao menos agora a dor está controlada.
 
Manuel António Meireles: “Para mim a Unidade da Dor foi funcional em todos os aspectos. Foi, no fim de contas, o que me pôs a andar. Tirou-me a dor e além disso deu-me funcionalidade. Quando tinha as dores não conseguia movimentar a perna. E só quando a dor abrandou é que comecei a ter os primeiros movimentos”.
 
De volta a Lisboa e à Unidade de Dor do Hospital dos Capuchos. Aqui entram cerca de 3 mil doentes por ano.
 
Nuno Mendes é hoje uma presença habitual. Trabalhava na construção civil mas um acidente obrigou-o a mudar de vida. Tinha fortes dores na zona lombar:
 
Nuno Mendes: “Aquilo revoltou-me de tal maneira, porque eu não conseguia suportar a dor. Era uma dor muito intensa. Em casa tornei-me agressivo… verbal, e então encaminharam-me para a Unidade da Dor”.
 
Na Unidade da Dor teve acompanhamento psicológico, foi medicado e fez vários tratamentos, como infiltrações ou choques eléctricos. Obrigado a deixar a sua actividade na construção civil, Nuno foi aconselhado a apostar na sua formação. Assim fez e actualmente é técnico da TV Cabo.
A poucos dias de ser pai pela segunda vez, recorda como o apoio da família também foi importante na sua recuperação:
 
Nuno Mendes: “Tive muito o apoio da minha família, principalmente da minha esposa, que andou sempre comigo para todo o lado. Foi sempre o meu apoio, porque eu bati mesmo lá no fundo”.
 
Apesar das limitações impostas pela dor na sua vida, Nuno está feliz com a família e com o seu novo rumo. E este acaba também por ser o grande objectivo destas Unidades de Dor. E Laurinda espera um dia poder vir a acordar assim:
 
Laurinda: Só quero ter alguma coisa que me ajude, por exemplo a fazer a vida de casa. Que eu me levante da cama e diga “hoje não me dói nada”.
 

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publicado por servicodesaude às 22:58
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Dor - Apresentação dos Convidados

José Romão - Anestesiologista, coordenador da Unidade de Dor Crónica do Hospital de Santo António, no Porto e, actualmente, presidente da Associação Portuguesa para o Estudo da Dor (APED).

 
Rui Cernadas – Médico de família, actualmente director clínico do Agrupamento de Centros de Saúde de Espinho e Gaia.
 
Viviana Tavares – Reumatologista do Hospital Garcia da Horta, em Almada, e também presidente da Associação Nacional Contra a Osteoporose. É ainda vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Reumatologia.
 
José Manuel Castro Lopes – Professor catedrático na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, é também o coordenador do Estudo sobre a Prevalência da Dor Crónica em Portugal e o presidente da Comissão Nacional de Controlo da Dor, da Direcção Geral de Saúde.

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publicado por servicodesaude às 21:00
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Dor - Pediátrica e nos Idosos – A consulta no médico família

Começaria pela reportagem e pelos desenhos em que as crianças tentam traduzir a sua dor. Alguns deles muito curiosos - uns mais exuberantes, outros mais tristes - até pela forma muito simples em que se apresentam, como aquela menina que está a pentear-se no espelho e que tem um cancro e que, por isso, revela o que para si é o sinal mais triste: a queda do cabelo.

A dor pediátrica é muito difícil de gerir, de tratar? Por um lado as crianças muito pequeninas têm muita dificuldade de se expressar, por outro, porque quando o fazem, têm tendência para uma certa fantasia.
Como é que um médico se orienta no mundo da dor pediátrica?
 
Rui Cernadas (médico de família): É obviamente uma situação particular, até pelo escalão etário, pelas dificuldades que enumerou e pela situação de integração familiar dessa criança, que coloca problemas de características diversas.
Do ponto de vista da prática clínica temos não só que ver a criança do ponto de vista da sua individualidade mas no contexto da relação que tem com os seus pais.
É muito difícil colocar questões às crianças na nossa prática nos centros de saúde, sem que os pais se antecipem à criança e dêem uma resposta. Nem deixam a criança falar. Muitas vezes há aqui um algum esforço de tradução, que nos desvia do essencial ou nos perturba o entendimento da queixa inicial. E isso acontece de forma geral em todos os fenómenos de sintomatologia dolorosa.
Sempre que o doente vem acompanhado por familiares ou amigos, há uma tentativa da parte de quem o acompanha de tentar traduzir através de outras nuances o sintoma inicial.
 
Penso que depois isso volta a ter uma grande expressão nos doentes idosos. Quando vão ao médico acompanhados, os acompanhantes também têm tendência a substituir-se ao doente, como se este já fosse incapaz de se exprimir, não é?
 
Rui Cernadas (médico de família): Isso também é verdade. E muitas vezes acontece com o idoso uma situação peculiar: o idoso queixa-se quando está só, porque quando está acompanhado não quer importunar, não quer incomodar. E isto pode resultar numa subavaliação do contexto da sintomatologia do doente.
 
Nesses casos o que é que o médico faz? Pede ao familiar para sair?
Rui Cernadas (médico de família): Julgo que essa situação tem que ser bem gerida. No âmbito da Medicina Familiar acabamos por lidar com a família durante anos e, portanto, conseguimos nos aperceber duma forma mais fácil, do que no âmbito, por exemplo, da Medicina Hospitalar, em que há uma menor proximidade e dificuldade no acesso. Embora tenha que haver algum cuidado na gestão desta relação.
 
Em muitas situações acho que o médico – dentro dos princípios da cortesia e da clareza -, deve informar que numa fase preliminar a consulta incluirá a presença de terceiros mas que, depois, será necessário consultar a pessoa sozinha.

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publicado por servicodesaude às 20:01
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Dor - Crónica e Causas Reumáticas: lombalgia, cervicalgia e artrose

A sua especialidade – Reumatologia – contribui de uma forma muito significativa para a quantidade de doentes que sofrem de dor. E de dor crónica em particular.

Estima-se que cerca de 30% dos portugueses sofram de dor crónica; mais de 3 milhões de pessoas, o que é algo de brutal. Muitos desses doentes vêm da Reumatologia que, em si, congrega um número enorme de doenças. Quais são as patologias mais vulgares?
 
Viviana Tavares (vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Reumatologia): As patologias mais vulgares que provocam dor crónica são a lombalgia e a cervicalgia. As chamadas “dores nas costas” e “dores no pescoço”, como as pessoas identificam. E também as doenças relacionadas com a artrose: do joelho, da anca, dos dedos das mãos, ou mesmo a artrose na coluna.
Depois serão, provavelmente, as doenças reumáticas inflamatórias, como a artrite reumatóide e a espondilite ancilosante . Ou seja, o grosso das patologias que provocam dor crónica está relacionado com as dores nas costas e com a osteo-artrose.
 
As dores nas costas podem ser provocadas pelas mais diversas patologias, portanto, primeiro procura-se a causa, não é?
Viviana Tavares (vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Reumatologia): Primeiro procura-se a causa. Procurar a causa é um princípio fundamental para a dor, já que esta é um sintoma de que alguma coisa está mal.
Muitas vezes conseguimos identificá-la, mas no caso das dores nas costas e pescoço, por vezes não há uma causa aparentemente visível. Pode ser uma contractura muscular…
As dores na coluna são as mais difíceis de identificar e tratar porque têm múltiplas razões.
A dor relacionada com a artrose, ou outra doença reumática, é habitualmente mais fácil de identificar. E as pessoas podem ter artrose e não terem dor.
A dor não tem sempre as mesmas características. E para quem já tem uma causa de dor, muitas vezes pode existir, na mesma região, uma dor com outra causa.
 
Acha que os médicos acreditam naquilo que os doentes lhes dizem?
Viviana Tavares (vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Reumatologia): Claro que acreditam, é um princípio básico acreditar naquilo que o doente diz. É evidente que a dor é uma experiência que não se vê. Cada um sente de maneira diferente.
 
E o grau de tolerância à dor também é diferente, bem como as circunstâncias em que se sente a dor, não é?
Viviana Tavares (vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Reumatologia): Ograu de tolerância à dor é diferente, as circunstâncias em que se sente a dor também.
A dor é um fenómeno que tem muito de emocional e de social; é um fenómeno muito próprio de cada um.
 
Mas não deixa de ser dor e de existir, não é?
Viviana Tavares (vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Reumatologia): A pessoa até pode estar com um ar sorridente e feliz e ter uma dor crónica. Não é preciso estar sempre com um ar infeliz e desgraçadinho.
O que acontece muitas vezes com a patologia músculo-esquelética - as doenças reumáticas - é o próprio doente, ao sugerirmos algum tipo de tratamento, como tomar um simples analgésico ou um anti-inflamatório, dizerem: “eu aguento a dor, ou “só tomo na última”.
 
Ouve-se muito: “Eu não gosto de tomar remédios, só tomo na última”.
Viviana Tavares (vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Reumatologia): Dizem-nos: “consigo aguentar”. E quando perguntamos: “Tem feito a medicação?”, respondem-nos: “já são muitos medicamentos”.
Há por vezes a tendência para desvalorizar a dor quando podia ser fácil tratar enquanto estava localizada, acabando por vezes por se tornar uma dor mais generalizada e difícil de tratar.

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publicado por servicodesaude às 19:03
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Dor - Medicação ou tolerância

Porque é que tantos doentes não querem tomar medicamentos?

Castro Lopes (coordenador do Programa Nacional de Controlo da Dor): A dor crónica atinge 30% da população; há poucas patologias que atingem tanta gente no país.
Em relação ao aspecto que focou, no estudo epidemiológico que fizemos, perguntávamos às pessoas se tomavam medicamentos. E perante aquelas que respondiam não, perguntávamos porque é que não tomavam medicação. Chegámos a conclusões curiosas. Em primeiro lugar, é que cerca de 75% das pessoas tomam medicação. Apenas um pequeno grupo não quer tomar. Ou porque acham que os medicamentos lhe fazem mal, ou porque já tomam muitos medicamentos.
As pessoas com dor crónica são muitas vezes de uma certa idade, que são polimedicadas e já têm por exemplo o medicamento para a tensão, outro para o colesterol, para a diabetes, etc., e é mais um medicamento que têm que tomar.
Outros não tomam porque entendem que a medicação não é eficaz e, em alguns casos, provavelmente estão mesmo a receber medicação que não é eficaz.
Outros ainda, não tomam por questões culturais. É o tal: “eu aguento, não preciso tomar nada porque ainda sou capaz de suportar esta dor”. E esse aspecto cultural vai ainda demorar muito a combater.
Ainda temos aquele fatalismo: “tenho 70 anos e reumatismo; que remédio tenho?” ou “fui operado, cortaram-me a barriga, tem que me doer”.
É um aspecto sociocultural que está enraizado nos países do sul da Europa, não existe apenas em Portugal.
 
O que tem certamente a ver com a nossa raíz, a nossa matriz judaico-cristã, com o nosso tipo de educação que, de algum modo, fazia a apologia do sofrimento.
Castro Lopes (coordenador do Programa Nacional de Controlo da Dor): Valorizava, valorizava o sofrimento.
Nas apresentações que faço mostro muitas vezes um slide que mostra um pedaço de azulejo que encontrei na capela mais antiga de São Miguel, nos Açores, onde se pode ler: “Se a dor te dilacera, não desesperes nunca. Ora, confia e espera”. Isto é precisamente o contrário do que a medicina moderna nos diz para fazer.
 
Nas cerimónias de Fátima vimos aquelas pessoas que vão cumprir promessas de joelhos, embora muitas delas sejam doentes, e depois obviamente esses sintomas não podem deixar de se agravar após aquelas caminhadas.
Não devia também haver aqui uma intervenção de bom senso, por parte dos médicos?
Castro Lopes (coordenador do Programa Nacional de Controlo da Dor): As pessoas devem ter a liberdade de fazer aquilo que querem, desde que estejam informadas das consequências dos seus actos.
 
Mas estarão informadas?
Castro Lopes (coordenador do Programa Nacional de Controlo da Dor): Pois, eu penso é que não estarão suficientemente informadas. Enquanto um soldado está num campo de batalha não sente a dor. Depois, quando está na retaguarda, só quer ser evacuado. Há múltiplos factores que influenciam a percepção da dor.
E essas pessoas que estão a cumprir promessas provavelmente não sentem tanta dor enquanto estão a cumprir aquele acto…
 
O fervor religioso funciona um pouco como no caso do soldado no campo de batalha, o que lhes dá uma outra percepção da dor.

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publicado por servicodesaude às 18:05
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Dor - Pós-operatória - controlo e grau de dor

Falou também da dor pós-operatória, que afecta muitas pessoas.

Lembro-me que fui operada à coluna cervical, não há muitos anos, e toda a gente me assustou imenso com as dores horríveis que ia ter a seguir à operação. E não tive dores nenhumas, felizmente. Penso que isso ainda depende realmente dos anestesistas.
Hoje é perfeitamente possível que as pessoas não tenham dor, não é?
 
Castro Lopes (coordenador do Programa Nacional de Controlo da Dor): Pelo menos que tenham uma dor controlável. A ausência de dor não pode ser nunca um objectivo. Aliás, a dor é um sinal de alarme fundamental, mas tem que ser suportável e absolutamente controlável.
No caso da dor aguda pós-operatória é realmente difícil de perceber como é que essa dor não é controlada, porque sabemos que vai acontecer, porquê e como a devemos combater. Portanto, eticamente, é a mais reprovável de não ser tratada.
Mais uma vez a culpa não está só no sistema, está um bocadinho nos doentes: os doentes não se queixam, aguentam. Por vezes, se o médico os visita dizem que não sentem nada e, depois, vem o enfermeiro e dizem que estão cheios de dores e que precisam de um analgésico.
 
É muito importante a norma que instituiu a dor como um sinal vital em Portugal. Norma em que fomos pioneiros e na qual somos talvez o primeiro país da Europa, e até do mundo, que a instituiu como mecanismo generalizado. Isto faz com que em todos os serviços de saúde, nomeadamente nos hospitais, seja obrigatório que os enfermeiros perguntem ao doente a intensidade da sua dor; e que a avaliem e registem, para além dos outros “quatro sinais vitais”: pressão arterial, frequência cardíaca, frequência respiratória e temperatura corporal.
 
Através de uma escala?

Castro Lopes (coordenador do Programa Nacional de Controlo da Dor): Sim, há escalas que estão padronizadas. E isso torna a dor visível. Mesmo que o doente não queira queixar-se, se o enfermeiro lhe pergunta, é muito mais difícil que o doente não diga. Mas, infelizmente, a norma ainda não está aplicada em todos os serviços de saúde.

 
Também tive a oportunidade de o comprovar. Quanto muito perguntam: Está com dores? Não me lembro de ninguém me perguntar numa escala de 1 a 10, qual era o grau da minha dor…
Castro Lopes (coordenador do Programa Nacional de Controlo da Dor): Eu tenho a experiência contrária. Também fui operado e vieram-me explicar.
 
E não sabiam que era médico, professor de medicina?
Não sei se sabiam, mas se calhar nem alguns professores de medicina sabem as escalas da dor.

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publicado por servicodesaude às 17:07
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Dor - Queixa ou desvalorização

Porque é que os doentes ainda não se queixam de dor no pós-operatório? É porque têm medo dos médicos?

José Romão (presidente da Associação Portuguesa do Estudo da Dor): Há uma cultura instituída, não só em Portugal mas em todo o mundo, de desvalorização da dor.
Aquele “não deve doer tanto como está a dizer”, ou “lá está; se doesse tanto não usava saltos altos…”.
É uma cultura difícil de desmontar e que se reflecte, por um lado nos profissionais e, por outro, nos doentes, nos familiares e na população, de um modo geral. Do lado dos clínicos começa logo na faculdade.
Quando nos andamos a preparar para ser médicos não saímos da escola devidamente sensibilizados para o assunto nem devidamente “armados” com os conhecimentos, que deveríamos ter. Portanto, começa logo de pequenos. Depois, a partir daí, é tudo mais difícil.
 
ESCALA da DOR
0
1-2-3 – Dor Ligeira
4 -5-6 – Dor Moderada
7 -8-9 – Dor Intensa
10 – Dor Insuportável
 
Do lado dos doentes há também medo dos efeitos colaterais dos medicamentos e alguns mitos: “não quero tomar para não ficar dependente”, “não me quero intoxicar” ou “quero deixar mais para o fim, para quando verdadeiramente precisar”. Como se, por ventura, pudéssemos saber quando é que vai acontecer esse fim.
Acredito que uma boa parte de nós acredita nos seus doentes, mas tenho a certeza que muitos de nós duvida permanentemente dos seus doentes. E ouve-se muito dizer: “O meu médico não acredita em mim”.

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publicado por servicodesaude às 16:16
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Dor - Encaminhamento Unidades de Dor (telefonema)

Telefonema de Alice Nogueira, 54 anos, doméstica, de Marinhais:

A minha médica de família não me quer encaminhar para um serviço de Reumatologia ou de Dor.
Gostaria de saber o que é que posso fazer e onde me posso dirigir, porque tenho imensas dores e as minhas mãos a ficarem todas tortas. Durante a noite, muitas vezes não consigo dormir com dores nas pernas e nos joelhos e ela não me encaminha. Como é que posso evitar tantas dores?
 
Qual é a justificação que a sua médica de família dá para não a encaminhar?
Alice Nogueira (54 anos): Simplesmente, que as análises não acusam nada de reumatologia, nem artroses, nem nada.
 
Não tem, obviamente, dinheiro para ir a uma consulta privada; tem que ir ao médico através do Sistema Nacional de Saúde?
Alice Nogueira (54 anos): Exactamente.
 
Porque é que um médico de família toma esta atitude, já com a doente a apresentar deformações e a queixar-se constantemente de dor? Lá está: não acreditam na doente…
Rui Cernadas (médico de família): Provavelmente, há uma certa desvalorização da dor perante este perpetuar da queixa, que muitas vezes leva a que o médico não equacione outras pistas de diagnóstico.
A senhora falou em análises… Deve discutir outra vez com a sua médica de família num contexto mais alargado. Até pode haver de facto razão para o médico de família não referenciar a doente para uma consulta de Reumatologia.
O médico obedece a um conjunto de regras definidas: o hospital de referência tem que estar definido; a especialidade, em função do diagnóstico da situação clínica. Aí o médico irá solicitar ao hospital o tratamento ou o esclarecimento do diagnóstico. Mas pode acontecer que esta senhora não tenha critérios de referenciação para uma consulta específica de Reumatologia.
Mas há provavelmente outras hipóteses, como uma Unidade de Dor, que pode ajudar.
 
Para acabar com o seu mau estar e as dores que sente.
Rui Cernadas (médico de família): E privilegiar a relação entre o doente e o seu médico de família, que é de facto o objectivo da Medicina Familiar.

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publicado por servicodesaude às 15:18
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Dor - Medidas não farmacológicas e Unidades de Dor (tel.)

Telefonema de Maria José, 70 anos, reformada, de Lisboa:

Estou reformada do Ministério da Cultura. Desde os 40 anos que sofro com imensas dores. Os meus médicos são do SAMS. Cada vez que digo que quero ir a um médico da “dor” ele ri e diz-me para tomar mais qualquer coisa.
Não consigo estar muito tempo deitada, nem de pé. Levo imensa cortisona, estou com 94 Kg neste momento, o que me está a afectar muito as pernas e os joelhos, que estão cheios de injecções.
 
Tem algum diagnóstico de doença feito?
Maria José (70 anos): Tenho fibriomialgia.
 
E receitaram-lhe cortisona para a fibriomialgia?
Maria José (70 anos): Para as dores. Mas também tenho asma. Em Fevereiro tive uma crise e tive que ir para o hospital e levei cortisona.
 
Então o que é que pretendia? Acha que ir a uma Unidade de Dor a podia ajudar?
Maria José (70 anos): Queria saber como é que eu chego a um médico de “dor”.
 
Tem um médico reumatologista?
Maria José (70 anos): Tenho um médico de família e, neste momento, uma consulta de Reumatologia marcada. Já fui acompanhada por um reumatologista mas tive dias de tomar três comprimidos Benuron de 1gr. Até que o fisiatra me disse que eu não podia tomar tantos Benuron, porque isso também me ia dar cabo do fígado.
 
Portanto faz algum tipo de fisioterapia?
Maria José (70 anos): Tenho feito, há três meses que não faço. Às vezes parece que venho de lá pior. Andei bastante tempo na hidroterapia, na piscina, mas como tenho problemas de asma fazia-me mal. E continuo com muitas dores, apesar de ser uma pessoa com muita genica.
 
E têm-na mantido dos 40 aos 70 anos?
Maria José (70 anos): Sim, reformei-me há três anos. Mas ainda estive dois ou três anos com o meu ortopedista, que me disse que já não podia fazer aquele horário todo e passei a sair às 15h30.
Tenho ADSE e SAMS e queria saber se me posso dirigir directamente a um médico da “dor”.
 
Estamos perante um caso de fibriomialgia mas também de asma. Cortisona…
Viviana Tavares (vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Reumatologia): Penso que esta senhora poderá ter fibriomialgia mas não terá sido por esse motivo que terá feito aqueles tratamentos ou o motivo porque tem tantas dores.
Pelo que foi dito provavelmente esta senhora terá uma artrose nos joelhos, se calhar com indicação operatória que, por qualquer motivo, não avançou, mas para a qual tem feito infiltrações. O peso não está a ajudar nada e portanto deve perder peso.
 
Há pouco falava-se de medidas não farmacológicas e há muitas que devem ser tidas em atenção quando falamos em artroses. Mas muitos doentes acabam por recusá-las como recusam certos medicamentos para a dor. Por exemplo: usar uma canadiana para descarga. É uma medida simples que pode ajudar muito os doentes a reduzir a dor.
O exercício físico vai ajudar a perder peso e a fortalecer a musculatura e, tudo isso, é essencial para reduzir a dor.
 
E uma ida a uma Unidade de Dor podia ajudá-la, ou não?
Depende também do que ela já fez em termos de medicação. Se só tomou o Paracetamol (Benuron) – numa dose perfeitamente aceitável e normal (3 gr/dia); se já fez anti-inflamatórios ou opióides, mesmo os mais fracos, como por exemplo o Tramadol. Evidentemente se não conseguiu tratar a dor, poderá ser necessário passar para uma outra fase.
A cirurgia é por vezes uma hipótese que os doentes não consideram logo mas hoje a cirurgia de substituição articular é muito mais simples, tem uma recuperação muito mais rápida e é altamente eficaz.
Vivemos cada vez mais anos. Pôr uma prótese aos 70 ou 80 anos é, hoje em dia, algo de perfeitamente normal. Quando os doentes a recusam deviam pensar que, se calhar, ainda irão viver mais 20, 30 ou 40 anos e, aí, com uma péssima qualidade de vida.
 
Rui Cernadas (médico de família): Queria sublinhar este aspecto; de que a prótese ortopédica é muitas vezes uma solução. É verdade que aqui há uma condicionante que é o peso, o que também reforça a necessidade de movimento e de manutenção de função.
 
Gostava ainda de esclarecer a dúvida que esta senhora tem, e que se calhar é partilhada por muita gente, que é a ideia de médico da “dor”. 
O que estamos aqui a falar é de Consultas da Dor e de Unidades de Dor. Ou seja, estamos a falar da participação de vários profissionais, de várias áreas disciplinares, de vários níveis de intervenção, e não de um médico específico.
A solução que esta senhora pede é trocar o seu médico por outro, o que não resolve. Só uma abordagem global.
 
No seu caso, que precisa perder peso, e estando já provavelmente martirizada por 30 anos de dor, precisaria talvez de um psicólogo, pelo que a ida a uma Unidade de Dor não me parece totalmente despropositada...
 
José Romão (presidente da Associação Portuguesa do Estudo da Dor): Que não se pense também que as Unidades de Dor são santuários, onde as pessoas entram doentes e saiem curadas. Os profissionais são como os outros, dominam alguns conhecimentos nesta área, um pouco melhor que outros colegas, mas têm as suas limitações.
A medicina tem limitações. Vivemos muitos anos e é quase inevitável que um dia venhamos a ter este tipo de problemas.
 
Algumas avarias na máquina…
José Romão (presidente da Associação Portuguesa do Estudo da Dor): Como um carro, mas não somos propriamente um, em que tiramos uma peça e metemos outra…
As Unidades de Dor têm à sua disposição recursos enormes e por vezes imensamente eficazes para reduzir e tratar completamente a dor, mas nem sempre isso é possível, ou, pelo menos, na totalidade.

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publicado por servicodesaude às 14:20
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Dor - Cancro e Unidades de Dor Crónica

 Não podemos acabar o programa sem falar da dor ligada ao cancro…

Castro Lopes (coordenador do Programa Nacional de Controlo da Dor): Aproveito para desmistificar a associação directa da dor crónica à dor do cancro.
É um facto que o cancro, sobretudo na fase avançada da doença, dá dor e, por vezes, muito intensa. A dor crónica existe na dor do cancro mas é uma fracção pequena.
 
Fala-se muito deste tipo de dor porque é intensa, em fases avançadas, mas também porque o cancro é uma doença prevalente - é a segunda causa de morte em Portugal – e, ainda, porque muitas vezes é uma dor que requer meios avançados. Aqui sim, é por vezes necessário recorrer às Unidades de Dor Crónica.
 
As Unidades de Dor Crónica não são, contudo, a solução universal. Um dos princípios orientadores do Plano Nacional de Controlo da Dor é precisamente esse: o tratamento diferenciado da dor.
Há 30% de portugueses com dor crónica. Se todos fossem às Unidades de Dor, tendo em conta que em Portugal temos pouco mais de cem médicos com conhecimentos de Medicina da Dor, isso significaria que cada médico teria 30 mil doentes, o que era impossível. E indesejável.
É através do médico de família e dos Cuidados de Saúde Primários que os doentes têm que ser tratados; mesmo a dor oncológica. Obviamente, têm que ser referenciados e esse é um dos aspectos que o Programa Nacional de Controlo da Dor está a trabalhar. Tem que haver uma rede de referência para que os doentes com determinados critérios e características não andem perdidos quando querem ir a uma Unidade de Dor. As Unidades de Dor não são contudo uma panaceia, embora permitam uma qualidade de vida aceitável.

 


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publicado por servicodesaude às 13:22
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Dor - Ficha Técnica

Autoria, coordenação e apresentação

Maria Elisa Domingues
 
Convidados
Rui Cernadas
Castro Lopes
José Romão
Viviana Tavares
 
Reportagem
Buenos Aires Filmes
 
Produção
Miguel Braga
 
Pesquisa
Alexandra Figueiredo
Miguel Braga
 
Jornalistas
Miguel Braga
com Catarina Fernandes e Raquel Amaral
 
Imagem
Gonçalo Roquette
 
Edição
Teresa Mota
 
Pós-produção vídeo
Sara Nolasco
 
Pós-produção Audio
Miguel Van Kellen
 
Gestão e edição de conteúdos
(Portal Sapo)
Natacha Gonzaga Borges
 
Atendimento telefónico
Tiago Matos
Sara Cerdas
Pedro Canastreiro
Renato Nogueira
 
Câmaras
Eduardo Jorge
Elias Barbosa
Rui Cardoso
Fernando Andrade
Adelino Nogueira
 
Mistura de Imagem
Fátima Duarte
 
Controlo de Imagem
Alfredo Marques
 
Som
João Delgado
Nunes Cachado
 
Iluminação
Rui Prates
Electricista
Jorge Carvalho
 
Técnicos de Electrónica
José Borges
Rui Loureiro
 
Assistentes de Operações
José Fernandes
Álvares Nunes
António Almeida
Pedro Gonçalves
 
Caracterização
Fátima Tristão da Silva
Ana Filipa
 
Assistente de guarda-roupa
Paula Silva
 
Assistentes de Artes Visuais
Bruno Silva
Eurico Lourenço
Luís Marques
 
Registo Magnético
Paulo Múrias
 
Gerador de Caracteres
Sílvia Santos
 
Teleponto
Sofia Van-Dunem
 
Genérico e Grafismos
Nicolau Tudela
Teresa Martins
 
Música genérico
Ari de Carvalho
 
Assistente de Realização
Filipe Vasconcelos
 
Anotadora
Paula Macedo
 
Chefe Técnico de Produção
João Martins
 
Criação cenográfica
Gil Ferreira
 
Execução cenográfica
Isabel Rodrigues
 
Produção
Paula Paiva
 
Realização
Jorge Rodrigues

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publicado por servicodesaude às 12:24
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Dor - Links e Bibliografia

Bibliografia

 

“A Dor Cancerosa e o seu Tratamento – Abordagem Global em Cuidados Paliativos”, de Lucie Hacpille, Edições Piaget.
 
Links
 
Dor Neuropática (tipo queimadura, formigueiro, picada ou choque) - www.dormisteriosa.com.pt
 
Associação Portuguesa para o Estudo da Dor (APED) - http://www.aped-dor.org/scid/apedweb/
 
Unidades de Tratamento da Dor -  http://comunidadedor.org/index.php?option=com_qcontacts&view=category&catid=70%3Aunid-tratamento-dor&Itemid=61
 
Associação Nacional Contra a Osteoporose - http://www.aporos.pt/
 
Sociedade Portuguesa de Reumatologia - http://www.spreumatologia.pt/
 
Instituto Português de Reumatologia - http://www.ipr.pt/
 
Sociedade Portuguesa de Medicina Física e de Reabilitação - http://www.spmfr.org/
 
Direcção-Geral de Saúdewww.dgs.pt
 
Comissão Nacional de Controlo da Dor - http://www.min-saude.pt/portal/conteudos/a+saude+em+portugal/noticias/arquivo/2008/9/comissao+dor.htm
 
Programa Nacional de Controlo da Dor (2008) - http://www.min-saude.pt/NR/rdonlyres/6861126B-C57A-46E1-B065-316C0CF8DACD/0/ControlodaDor.pdf
 
Plano Nacional de Luta Contra a Dor (2001) http://www.dgs.pt/upload/membro.id/ficheiros/i005651.pdf
 
Dor na Europawww.painineurope.com/
http://translate.google.pt/translate?hl=pt-PT&langpair=en|pt&u=http://www.painineurope.com/&prev=/translate_s%3Fhl%3Dpt-PT%26q%3DDor%2Bna%2BEuropa%2B2003%26tq%3DPain%2Bin%2BEurope%2B2003%26sl%3Dpt%26tl%3Den  (Estudos comparativos)
 
Dor Cancerígena (Estudo Europeu 2007) - http://translate.google.pt/translate?hl=pt-PT&langpair=en|pt&u=http://www.painineurope.com/&prev=/translate_s%3Fhl%3Dpt-PT%26q%3DDor%2Bna%2BEuropa%2B2003%26tq%3DPain%2Bin%2BEurope%2B2003%26sl%3Dpt%26tl%3Den
 
Dor Crónica no Idoso (A Dor Crónica de Origem Não Maligna) http://www.dgs.pt/upload/membro.id/ficheiros/i005647.pdf http://www.app.com.pt/seminario-controlo-da-dor-cronica-no-idoso

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publicado por servicodesaude às 11:25
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Dor - Estudo revela que 30% dos portugueses sofre de dor crónica (1)

Um estudo realizado por investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade do
Porto, coordenado pelo Prof. José M. Castro Lopes, revelou que mais de 30% da população portuguesa sofre de dor crónica.

Neste estudo, realizado integralmente por um grupo de investigadores da Faculdade de
Medicina da Universidade do Porto e financiado através de um protocolo estabelecido entre
aquela Faculdade e as empresas Grünenthal, Janssen-Cilag e Laboratórios Pfizer, foram
entrevistados em todo o país mais de 5.000 indivíduos maiores de 18 anos.


Cerca de 31% dos entrevistados referiram ter dor várias vezes por mês nos últimos 6 meses, e em quase metade destes a intensidade média da dor era moderada ou forte (igual ou superior a 5, numa escala de 0 a 10). A dor atinge significativamente mais as mulheres e os indivíduos mais idosos (ver quadro 1)

 

Quadro 1 – Distribuição da prevalência da dor crónica moderada ou forte de acordo com o sexo e a idade.

 

A população do Litoral Alentejano e parte da Beira Alta apresenta uma prevalência maior de
dor crónica moderada ou forte, a qual é mais baixa na região do Ave, Entre Douro e Vouga,
Baixo Vouga, Ribatejo e Alto Alentejo (ver quadro 2).

 

 


Quadro 2 – Prevalência da dor forte moderada ou forte nas várias regiões do país.


À semelhança do que se passa nos outros países desenvolvidos em que foram feitos estudos semelhantes, as causas principais da dor crónica são as patologias osteoarticulares, em particular as lombalgias que atingem mais de 40% dos indivíduos. A osteoporose é também uma causa frequente de dor crónica, seguindo-se os traumatismos, a artrite reumatóide e as cefaleias (dores de cabeça).

 

Ao contrário da ideia mais ou menos generalizada, a dor provocada pelo cancro representa apenas 1% das dores crónicas, percentagem semelhante à da fibromialgia e atrás da dor crónica que surge em consequência de cirurgias (3%).
O estudo debruçou-se também sobre a interferência da dor crónica na qualidade de vida dos
doentes. Quase 50% dos indivíduos com dor crónica referiu que esta interferia de forma
moderada ou grave nas actividades domésticas e laborais. A este propósito, 4% dos
indivíduos perdeu o emprego e 13% teve mesmo a reforma antecipada por causa da dor.
Refira-se ainda que foi diagnosticada depressão a 17% dos indivíduos com dor crónica, e mais de 20% refere que não tem prazer na vida a maior parte do tempo ou sempre (ver quadro 3).

 


Quadro 3 – Resposta dos indivíduos com dor crónica à pergunta “Sente-se incapaz de gozar (sentir prazer) a sua vida?”.


Os doentes procuram maioritariamente o seu médico de família para o tratamento da dor,
22% recorrem a especialistas, mas apenas 1% são seguidos em Unidades de Dor.
Cerca de 3/4 dos doentes com dores crónicas toma medicamentos regularmente, mas estes medicamentos são muito ou completamente eficazes no alívio da dor em menos de metade dos doentes que tomam a medicação, sendo que 28% dos doentes refere que mesmo com os medicamentos têm dores muito frequentemente ou sempre (ver quadro 4).

 


Quadro 4 – Resposta dos indivíduos com dor crónica à pergunta “Com que frequência sente dor sob a acção dos medicamentos?”


Para além dos medicamentos, muitos doentes utilizam outras modalidades de tratamento,
como o exercício físico, a massagem, o calor, a fisioterapia ou a acupunctura.
Por fim, refira-se que, de uma forma geral, 35% dos doentes considera que a sua dor não está a ser bem tratada ou controlada, na maior parte devido à ineficácia dos medicamentos, mas também devido à pouca importância que o seu médico dá ao controlo da dor.

As principais conclusões do primeiro estudo epidemiológico sobre a dor crónica realizado em Portugal foram apresentadas dia 12 de Junho de 2008, na abertura do Forum Dor das Ilhas Atlânticas, que decorreu no Funchal até ao dia 14, data em que se assinala o Dia Nacional de Luta Contra a Dor.


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publicado por servicodesaude às 10:57
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Dor - Estudo sobre a Prevalência da Dor Crónica em Portugal (2)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


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publicado por servicodesaude às 10:55
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