Terça-feira, 1 de Dezembro de 2009
Andropausa - Reportagem

VOX POP

Homens: “Andropausa?”, “Assim de repente não sei dizer….”, “Talvez mais as senhoras…”, “Desconheço”; “Como as mulheres têm a menopausa os homens têm a andropausa, com o aspecto sexual, por assim dizer, já debilitado”; “é aquilo que os homens têm”.

 Mulher: “Sei que a tenho e bem agravada; Já tive três anos sem andar”.
 
A Andropausa é uma síndrome caracterizada por uma progressiva diminuição da produção de testosterona nos homens. Não há causa definida nem tão pouco se sabe porque é que afecta mais uns do que outros. E ao contrário da Menopausa, que a determinada altura da vida bate à porta de qualquer mulher; nos homens o caso é diferente.
 
António Rodrigues da Silva é sinónimo disso mesmo. Natural de Matosinhos, este homem admite que a idade já começa a pesar. E, neste campo, quando falamos em idade, também falamos de desejo e de vontade sexual:
 
António Rodrigues da Silva (59 anos): “Já não corro depressa, sexualmente já tenho mais problemas. A “esferográfica” já se esvaziou um bocadinho… Não tenho uma dificuldade a 100 por cento mas já tenho que estar com uma boa parceira; com uma pessoa que me ajude parcialmente no acto sexual”.
 
António esteve fora do país mais de 30 anos e talvez por isso aceite falar de um tema que continua a ser tabu em Portugal. Mesmo entre amigos não é fácil admitir que se tem problemas no quarto:
António Rodrigues da Silva (59 anos): “Eu vivo numa terra de pescadores eum peixe de 20 cm é logo um peixe de um metro e meio. Portanto, é possível que seja timidez, da parte de uns e de outros de se confessarem.
Eventualmente, entre amigos podemos resolver certos problemas: “tenho um amigo, vou-te ajudar, porque ele também teve isso e tomou tal e ficou bom”. Mas não, ainda é tabu.
 
E segundo afirma ainda António Rodrigues, para muitos, não conseguir ter uma relação sexual com uma mulher pode ser confundido com homossexualidade:
 
António Rodrigues da Silva (59 anos): “Não entrei na homossexualidade! Entrei, talvez, como se diz aqui em Matosinhos, na “pilopausa”. Diminuí o rendimento.
Eu comparo isto a uma esferográfica; quando tinha muita carga não escrevia, agora que estou mesmo no fundo da carga, às vezes quero escrever e não se vê a letra”.
 
Numa altura da vida em que o corpo já não tem a vitalidade da mente, o mais importante é ter uma relação franca, sem segredos, feita de afectos:
 
António Rodrigues da Silva (59 anos): “Agora já tenho que ter uma certa preparação, de estar bem com a minha companheira e… admitir que não se pode “ter sido” e “ser”.
 
Manuel Ferreira Coelho (urologista do Hospital Prof. Dr. F. Fonseca): “Isso é um problema do casal. Se o homem não conseguir ter erecção, ou se não tiver vontade, a mulher também fica com carências do ponto de vista sexual e isso vai provocar um desequilíbrio na relação”.
 
Até há pouco tempo pensava-se que depois de certa idade era normal o homem tornar-se mais triste, apático e com perda do apetite sexual. Hoje, sabe-se que as mudanças hormonais podem afectar um homem de 40 como um de 70 anos.
A sintomatologia é variada e pode ir da disfunção eréctil à diminuição da força muscular, ou da libido, até sintomas depressivos:
 
Manuel Ferreira Coelho (urologista Hospital Prof. Dr. F. Fonseca): “Isso, associando a parte hormonal ao normal envelhecimento da parte vascular – das artérias -, aos disparates que fazemos hoje em dia com a alimentação, com o aparecimento muito marcado de diabetes, nomeadamente tipo II; traduz-se num envelhecimento do sistema vascular e uma diminuição da sua performance. Torna-se global”.
 
Mas apesar de existir menos força física em muitos homens, não há qualquer pausa na sexualidade ou na fertilidade:
 
Tiago Rocha (endocrinologista): “A diminuição da função testicular no homem é progressiva e lenta. Não há um momento em que de repente apareça, subitamente, como nas mulheres, com uma determinada sintomatologia”.
 
Se não tratada, a andropausa pode ter uma expressão tanto ou mais severa que a menopausa:
 
Manuel Ferreira Coelho (urologista Hospital Prof. Dr. F. Fonseca): “O que se faz é terapêuticas de substituição hormonal, ou com testosteronas injectáveis ou com patchs (pensos adesivos), para normalizar e fazer subir esses valores hormonais.
 
Antes das terapêuticas de substituição, ajustadas à sintomatologia, fazem-se exames de avaliação dos vários órgãos e sistemas, como por exemplo o ecodoppler que, nos dias de hoje, ganharam crescente importância, servindo muitas vezes de alerta para prevenir doenças cardiovasculares, hormonais, entre outras:
 
Rocha Mendes (director de Urologia do Hospital Curry Cabral): “Se este indivíduo tem uma disfunção eréctil com determinada gravidade e se conseguimos comprovar que as artérias do pénis estão afectadas ou se tem, por exemplo, associado outros factores - ser fumador e ter hipertensão -, é quase fatal que dentro de X tempo vai ter um enfarto do miocárdio ou um acidente vascular cerebral (AVC). É um sinal premonitório; um sinal que vai avisar de algo ainda mais grave que é o AVC.
 
Mas nem todas as causas da falta de erecção são físicas. Assim, depois deste exame e se for confirmado que o problema não é vascular, as atenções viram-se para questões do foro psicológico ou hormonal.
Se, por outro lado, as artérias estiverem danificadas, e se as terapêuticas não funcionarem, a solução pode passar por um tratamento cirúrgico, como por exemplo a colocação de uma prótese peniana.
O problema em Portugal, aliado a uma cultura onde estes assuntos continuam a ser tabu, é uma população com tendência a envelhecer, com uma maior esperança de vida e com uma série de problemas como a obesidade, a diabetes ou a hipertensão, que podem influenciar ou agravar a diminuição de testosterona no organismo masculino.
E para António Rodrigues da Silva, a mudança de mentalidades e a liberdade sexual, característica do século XXI, poderá também ter uma palavra a dizer nestas coisas.
 
António Rodrigues da Silva (59 anos): “O comportamento do português mudou. Agora começam a fazer sexo muito mais cedo. Recordo-me quando era novo e ia ao baile e convidava uma rapariga para dançar. Só no trajecto de ir buscá-la eu já ia com uma erecção grande, claro!
Agora reparo, não tenho tendências homossexuais, mas vou para as discotecas e reparo que eles andam ali agarrados e o sexo está na mesma dentro da cueca e não se mexe. Será uma tendência da liberdade? Será que eles têm mais facilidade? Agora saiem, cada qual a mastigar a sua chiclete. Espero que antes de chegarem à minha idade, que aproveitem! Porque se com aquela idade não vão, com a minha vai ser difícil!”
 
Quanto a medicamentos para melhorar a relação sexual, António tem algumas reservas:
 
António Rodrigues da Silva (59 anos): “Até agora não recorri a esse “Viagra”, que me aconselharam várias vezes, por receio unicamente de me fazer bem ao pénis e estragar-me o coração. As duas coisas são necessárias para viver. E ter uma sem outra, acho que prefiro morrer”. 
 
Tal como em outras patologias, o conselho dos especialistas passa por hábitos alimentares mais saudáveis, actividade física, diminuição de factores de risco, como tabaco, álcool ou sedentarismo e também a diminuição do consumo de sal, açúcares ou gorduras, porque a partir de certa idade, ser saudável, implica também ter mais desejo sexual. E embora não existam estudos sobre a prevalência da andropausa em Portugal, estima-se que depois dos 50 anos, 40 por cento dos homens apresentem sintomas sugestivos de queda dos níveis de hormonas.

 



publicado por servicodesaude às 22:50
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Andropausa - Apresentação dos Convidados

Dr. Rodrigues Guedes de Carvalho – Urologista, foi director do Serviço de Urologia do IPO do Porto. Hoje é o director clínico do Hospital do Terço, no Porto, além de assistente na Universidade Marie Curie, em Paris.

 
Dr. Francisco Allen Gomes – Foi chefe do Serviço de Psiquiatria e responsável pela Consulta de Sexologia dos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC), até à reforma. Foi o fundador da Sociedade Portuguesa de Sexologia Clínica e responsável pela cadeira de Introdução à Sexologia Médica, também na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, além de muitos artigos publicados, de programas feitos na RTP. É ainda autor de dois livros: “Sexualidade Traída – Abuso Sexual Infantil e Pedofilia”, em colaboração com Teresa Coelho e, ainda, outro chamado “Paixão, Amor e Sexo”.
 
Dr. Eduardo Mendes – Médico de família residente no programa. É actualmente director executivo do Agrupamento dos Centros de Saúde do Oeste Sul.
 
Dr. Jose Maria Aragués – Médico especialista em Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo no Hospital de Santa Maria, onde é o responsável pela Consulta de Andrologia. Além disso é co-responsável com o Dr. Galvão Teles por um importante estudo – um dos poucos realizados em Portugal – sobre a disfunção eréctil, com uma amostra populacional de mais de 3 500 pacientes, ouvidos nos Centros de Saúde espalhados por todo o país.


publicado por servicodesaude às 21:52
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Andropausa – Idade, Disfunção Eréctil e Desejo Sexual

Segundo esse estudo, cerca de 48% dos portugueses, em alguma altura da sua vida, sofrerá problemas de disfunção eréctil, o que pode não estar ligado a uma idade em particular, não é?

 
Jose Maria Aragués (endocrinologista): Claro, porque a andropausa e a disfunção eréctil podem ser coisas completamente diferentes; não quer dizer que uma implique necessariamente a outra. Este estudo foi feito entre os 40 e os 70 anos e o que queríamos ver era a prevalência de disfunção sexual eréctil.
 
De qualquer modo há, a partir de uma certa idade, uma diminuição da produção de determinadas hormonas, nomeadamente a testosterona, o que conduz a uma menor capacidade e predisposição do homem para a função sexual.
Há semelhança do que acontece no caso da menopausa para as mulheres, a possibilidade de se fazer uma terapêutica de substituição hormonal, levanta no entanto ainda dúvidas sobre as vantagens ou desvantagens da aplicação dessa terapêutica.
 
Jose Maria Aragués (endocrinologista): Exactamente. É importante definir quando encontramos uma diminuição das hormonas masculinas – a testosterona – se esta é uma diminuição acentuada, para então medicar e substituir essa hormona que falta.
Mas nem todos os doentes que têm disfunção eréctil, têm uma diminuição da testosterona, como já referi. Nesse aspecto a terapêutica será totalmente diferente.
 


publicado por servicodesaude às 20:58
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Andropausa - Terapêuticas: hormonal e vasodilatadora (Viagra)

Uma das dúvidas é se essa terapêutica hormonal de substituição para os homens, não poderá provocar consequências na sua saúde e num órgão extremamente importante que é a próstata. Não há dados muito fiáveis pois não?

 
Rodrigues Guedes de Carvalho (urologista): Não, não há dados fiáveis. E antes havia uma relação com o PSA, que hoje está completamente posta de parte.
 
Falar de Andropausa é algo complicado, porque não está muito bem definida. Trata-se de um envelhecimento do homem. Enquanto a mulher tem quase um marco histórico, que é a perda das suas menstruações; o homem não o tem, mas o envelhecimento é igual.
Provavelmente, aquilo a que se chama Andropausa seja o envelhecimento do sistema arterial, das hormonas, etc. Na realidade, o que a hormona masculina faz mais é provocar alterações no nível de desejo sexual, não é ao nível da erecção. Às vezes há aqui uma confusão entre disfunção eréctil e andropausa, que convém separar.
 
O problema mais importante é que nós temos a idade do nosso sistema vascular, isso é que ainda ninguém percebeu. E ainda não conseguimos, em qualquer altura da nossa vida, saber qual é o estado das nossas artérias.
 
Mas já há uma maneira de saber, não há?
Rodrigues Guedes de Carvalho (urologista): Há, mas ainda dá muitos falsos-negativos e falsos-positivos.
Começou-se a perceber isto justamente com o aparecimento do Viagra. O Viagra estava a ser estudado para ser utilizado na vasodilatação cardíaca. E não dava os efeitos pretendidos, mas tinha como efeito colateral, uma vasodilatação peniana. O Viagra saiu para o mercado pelo seu efeito colateral.
 
O mais importante neste momento, quando não há nenhuma causa aparente para uma disfunção eréctil no homem (se não toma substâncias como anti-hipertensores e não há história nenhuma anterior) e que começa a ter problemas a este nível é que tenha muito cuidado porque mais tarde, muito provavelmente, este homem vai ter problemas cardiovasculares.
 
Hoje ainda é difícil percebermos isto. Aqui há uns anos atrás um doente tinha um enfarto do miocárdio, porque tinha falta de irrigação cardíaca. Tinha o primeiro, o segundo e depois morria. Hoje toda a tecnologia se modificou.
Um indivíduo tem um enfarto do miocárdio ou uma angina de peito, faz uma coronariografia - uma análise às suas artérias - e aquelas são também as do seu pénis. E portanto, é possível recuperar as artérias cardíacas – através da introdução de um bypass ou de uma cirurgia e o homem não tem que ter medo nenhum em utilizar substâncias vasoactivas ao nível do pénis. Esses mitos têm que acabar.
 
Outro mito – este mais para as mulheres – é que se o seu marido tomar essas substâncias não quer dizer que goste menos dela. Provavelmente ele quer dar-lhe mais prazer. Agora, se ele não tiver desejo sexual não vai conseguir erecção, por mais Viagra que tome.
Depois entra a questão psicológica, que realmente entra num turbilhão ansiedade/execução, que o Dr. Allen Gomes explicará melhor do que eu.


publicado por servicodesaude às 19:24
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Andropausa – Influência de Medicamentos na Função Sexual (I)

O médico de família é sempre o primeiro “embate” do doente. E é a ele que o doente deve sempre regressar.

Quais são os medicamentos frequentemente usados que podem vir a constituir algum problema em termos de performance sexual dos homens?
 
Eduardo Mendes (médico de família): Às vezes isso também é um pouco um mito. Se pensarmos que todos os homens que têm hipertensão e que tomam anti-hipertensores, têm efeitos secundários ao nível da sua esfera sexual e da sua capacidade de erecção, estamos a dizer uma falsidade.
 
Há alguns medicamentos, como os diuréticos e os betabloqueantes, por exemplo, que podem ter alguns efeitos secundários nessa área, mas isto não é generalizado. Ou seja, não é por alguém tomar um diurético, que tem um problema de disfunção eréctil. No entanto, em alguns casos, pode acontecer. E há maneira de se contornar essas situações, quando elas são claras e objectivas. E pode-se testar isso, introduzindo ou retirando medicamentos ou diminuindo as doses.
 
Rodrigues Guedes de Carvalho (urologista): O problema não é este. Nós aconselharmos muitas vezes a ida ao cardiologista para mudar alguns desses medicamentos que podem ter influência na sua disfunção eréctil, embora não sejam todos, obviamente.
Depois também depende do estado arterial de cada um. Mas muitas vezes a resposta dos médicos de família é que “é tudo a mesma coisa” e não pode ser assim; não é assim! Muitas vezes é preciso um especialista dizer: “este medicamento para si é melhor do que aquele”.
 
Eduardo Mendes (médico de família): A grande maioria dos doentes hipertensos, em Portugal, é medicada pelos médicos de família. Mal estaríamos nós se, de cada vez que esse problema surgisse na consulta, tivéssemos que ir pedir aconselhamento a um cardiologista. Estavam desgraçados os doentes e os médicos de família.
De facto, nem todos os medicamentos têm essas repercussões e há de facto diferenças no estado arterial que podem influir. E referi dois tipos de medicamentos mas há outros que podem provocar algum grau de disfunção eréctil.
 
Não se pode dizer é que exista uma associação directa e, se isso acontecer, deve ser investigada. É uma obrigação do médico de família, ao fim de algum tempo dessa terapêutica, perguntar ao paciente se tem algum sintoma ou algum efeito secundário nessa esfera. E hoje os doentes, nomeadamente os homens, queixam-se quando há um problema de efeitos secundários real, nesta área. E o médico de família, seguramente, está atento e pode fazer uma série de coisas para tentar resolver esse problema.
Mas gostaria de salientar que a grande causa da disfunção eréctil não é a toma dos anti-hipertensores, embora em alguns casos possa estar relacionado.
 


publicado por servicodesaude às 18:28
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Andropausa – Disfunção Eréctil, Viagra e Ajuda Psicológica

O aparecimento do Viagra veio facilitar muito a forma como os homens abordam este tema e “quebrar” o tabu de falar sobre as dificuldades sexuais, às vezes, mesmo em menor percentagem, numa idade mais jovem.

Penso que também a partir dai os homens começaram, com maior facilidade, a procurar ajuda terapêutica junto de um psiquiatra, quando o problema não releva da parte orgânica, mas sim de outros problemas que é a Psiquiatria a quem compete ajudar, não é?
 
Allen Gomes (psiquiatra): Sim, mas é preciso salientar que em parte foi o facto da disfunção eréctil ter ficado “visível” e digna. Passou a ser um quadro digno e passou também a interessar aos médicos, quer ao nível da cardiologia, quer da parte vascular.
Diz-se que a disfunção eréctil pode ser uma “sentinela”, porque pode prever uma doença coronária no futuro.
Quando se diz que para haver qualidade de vida é preciso haver uma função sexual satisfatória, então realmente tirou-se a disfunção eréctil de um tabu. Foi essa dignificação da disfunção eréctil que acarretou essa transformação e também foi muito importante para o cidadão sénior, que passou a ser um consumidor.
 
É muito interessante quando ouvimos aquele homem na reportagem, António Rodrigues da Silva, porque ele não tem uma disfunção eréctil; ele tem algumas alterações, normais com o envelhecimento. Alterações que fazem surgir os 48% (de portugueses que em algum momento da sua vida têm disfunção eréctil). Se desses 48% retirarmos as ligeiras alterações, sobram 13% de disfunções erécteis.
Se não, estávamos a falar de 500 mil portugueses com disfunção eréctil, o que não é o caso.
 
As pessoas ficam mais velhas, têm mais maleitas, sentem ameaça; têm que passar a ter atenção com a alimentação, com o álcool e com o tabaco para poderem preservar a sua saúde, mas já há uma ameaça porque o próprio envelhecimento assusta, porque nos faz aproximar da morte. E tudo isto também faz tocar uma campanha dentro do nosso sistema nervoso.
E depois a nível sexual os homens têm sido muito protegidos, porque o nosso envelhecimento físico não nos tem tirado capacidade de atracção: a ruga porque dá experiência, os cabelos brancos dão charme, etc. Mas esse charme ao jantar às vezes não tem o seguimento que devia ter na noite que se aproxima.
 
Tudo isto cria um determinado nível de ansiedade/execução que ás vezes transforma um pequeno problema, num problema tremendo. Mas se houver uma coordenação de esforços relativamente à parte arterial, hormonal e psicológica, então pode-se envelhecer mais razoavelmente.
 
Com mais tranquilidade…
 
Rodrigues Guedes de Carvalho (urologista): A disfunção eréctil não tem só a ver com a idade. Cada vez temos mais miúdos de 17, 18, 20 anos, com ansiedade de execução e que têm que recorrer a estas substâncias para ganharem confiança, porque são muitas vezes “mutilados” – passo a força da expressão – pelas namoradas, quando estas dizem: “vai-te tratar porque A, B ou C não é assim”. Isto é um traumatismo tenebroso, que ninguém fala! E cada vez mais me aparecem indivíduos com problemas deste tipo.
 
Muito jovens…
 
Rodrigues Guedes de Carvalho (urologista): Isto não se compadece com uma Medicina Clínica de “tens isto, tomas aquilo e ficas bem”. O que está a desaparecer neste país – tem que ser dito – é a função do médico. O médico tem que ser um indivíduo que ouve e olha, olhos nos olhos, os doentes e que está atento ao que os doentes estão a dizer.
 


publicado por servicodesaude às 17:33
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Andropausa – Influência de Medicamentos no Desejo Sexual e Orgasmo (II)

Telefonema de Francisco Oliveira, 42 anos, bancário, de Aveiro: Há cerca de cinco anos tive um problema pessoal de divórcio. Sei que existem estudos sobre a forma como a morte de um cônjuge, ou de um filho, pode ser causadora de grandes ansiedades.

Gostava de saber se a medicação pode mais tarde vir a provocar andropausa ou disfunção eréctil?
 
Está a referir-se a medicamentos que as pessoas tomam para combater uma grande dor?
Francisco Oliveira (42 anos): Sim, ansiolíticos, antidepressivos, etc.
 
Allen Gomes (psiquiatra): É de facto muito importante porque os modernos medicamentos antidepressivos não têm influência na disfunção eréctil, mas em termos de perturbação do desejo e de perturbação do orgasmo, sim. Às vezes nas mulheres até é mais grave.
Há de facto que ter muita atenção à medicação e fazer uma comparação para ver como era a actividade sexual da pessoa antes e depois da terapêutica.
Não pode haver uma cura isolada da depressão, se essa cura tiver um preço que é o sacrifício da sexualidade de uma pessoa. Não pode.
Mas o que é importante é que a pessoa que está em sofrimento e que tem este problema, vá falando com o médico e vá dizendo: “esta terapêutica está a fazer-me certo efeito, portanto se calhar tem que ser substituída”, não é?
Allen Gomes (psiquiatra): Tem que se habituar a exprimir os seus sentimentos, as suas emoções…É uma cura hedonista.Prescrever um medicamento não muda uma atitude. Ora, se temos determinados problemas porque tivemos determinadas atitudes que não eram as mais indicadas, quer em termos físicos, quer psicológicos, então é bom dar o medicamento e mudar a atitude. Agora, só prescrever o medicamento não resolve.
 
O António Rodrigues da Silva, de Matosinhos, dizia na reportagem que hoje precisa de estar com uma companheira que lhe dê uma certa confiança e um certo afecto.
 
Allen Gomes (psiquiatra): É a melhor pastilha.
 
Rodrigues Guedes de Carvalho (urologista): Ele dizia: “eu com as mulheres dos meus amigos não tenho problemas nenhuns”. Acho que isto diz tudo, a nível psicológico.
O problema é que a disfunção é um conjunto de situações muito vasto. Não é só tomar a “pílula”.
Hoje o português quer uma pílula para cada coisa: para engordar, para emagrecer e depois come anormalidades. Vejoindivíduos obesos que não modificam o seu estilo de vida. E os médicos deviam dizer-lhes: vamos fazer um teste: “o senhor vai emagrecer 20 quilos e a sua tensão vai para o normal”. Mas em vez disso…
 
Fazer exercício físico…
 
Rodrigues Guedes de Carvalho (urologista): Agora não vamos estar a dar pílulas a indivíduos que não querem cumprir as regras básicas.


publicado por servicodesaude às 16:43
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Andropausa - Disfunção Eréctil após traumatismo: soluções cirúrgicas e não cirúrgicas (tel.)

Telefonema de Manuel trindade, 53 anos, motorista, de Carcavelos:

Há cerca de um ano e meio tive um acidente de trabalho. Fui atropelado com uma máquina e, desse acidente, resultou o estrangulamento da uretra. Fiz a reconstrução e mais quatro cirurgias internas.
Acontece que fiquei com disfunção eréctil e o urologista disse-me que pode ter sido do traumatismo. Gostaria de saber se pode haver alguma solução para o meu caso.
 
Rodrigo Guedes de Carvalho (urologista): O traumatismo da uretra é uma coisa; o traumatismo do pénis é outra completamente diferente.
Pode haver um traumatismo da uretra por uma algaliação e a pessoa fica com uma estenose (um aperto da uretra) e isso não ter nada a ver com a disfunção eréctil.
 
Quando há um traumatismo que também apanha os chamados "corpos cavernosos" (como é uma situação vascular e nervosa), a circulação e a sensibilidade peniana pode ficar afectada.
 
Mas faltam-nos muitos dados. Uma coisa é o que ele tem feito a nível da uretra para poder urinar. A outra é a da disfunção eréctil, que pode ter várias causas. Ele pode ter ficado psicologicamente traumatizado, ao julgar que o acidente lhe afectou o "membro" e pode ter desejo sexual mas não conseguir erecção nenhuma.
 
Uma das coisas que se pergunta sempre é se, durante a noite a pessoa acorda com erecções – parciais ou óptimas –, para saber se todo o sistema vascular está a funcionar. Se isso está a acontecer a este indivíduo, ele pode ter uma recuperação não cirúrgica.
Em situações extremas, quando é seccionada a parte dos corpos cavernosos, existe sempre a possibilidade de colocar uma prótese endopeniana, como se viu na reportagem inicial.


publicado por servicodesaude às 15:20
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Andropausa – Disfunção Eréctil após Prostatectomia: importância da masturbação

Rodrigo Guedes de Carvalho (urologista): Sobre o ponto de vista fisiológico hoje está mais do que estudado: quando se opera indivíduos por via de uma prostactectomia radical - que ficam com disfunção eréctil -, deve-se começar a estimulação vasogénea para não haver atrofia peniana.

 
E às vezes muitos médicos de família não estão habilitados para dizer a um indivíduo que tem uma disfunção eréctil que, se a mantiverem durante muito tempo, com os seus anti-depressivos, que deve consultar alguém que lhe receite terapias fisiatricas ou injecções intra-cavernosas  (com determinado tipo de substâncias), para que o indivíduo mantenha a sua actividade sexual.
A principal razão é que quando ele deixar de ter o tal problema psicológico, já não terá a “máquina” a funcionar.
 
Eduardo Mendes (médico de família): Isso prende-se com algo que é tabu nos homens e nas mulheres, mas não nos adolescentes, que é a masturbação.
A masturbação é um acto relativamente normal nos adolescentes e perde um pouco a sua intensidade e frequência na idade adulta, porque há uma vida sexual activa.
 
Se houver uma vida sexual activa…
 
Eduardo Mendes (médico de família): Se colocarmos a questão em termos de média. Nestas situações em que é aconselhável um tratamento fisiátrico, a recomendação pode ser exactamente essa.
Muitas vezes estes doentes têm disfunções erécteis e quando se masturbam isso desaparece. Passam a ter mais confiança e começam a perceber que estão funcionais. É importante dizer aos doentes para experimentarem.
 
E não terem nenhuma culpabilidade…
 
Allen Gomes (psiquiatra): Relativamente aquele doente que tinha um problema de diabetes e de hipertensão, que é problemas frequentes, há uma coisa importante que ele tem que fazer; que é não desistir. Não aceitar isso como uma fatalidade.
 
Como o Dr. Rodrigo Guedes de Carvalho disse, relativamente ao homem que teve um traumatismo peniano, há soluções. Não quer dizer que sejam ideais, mas são soluções possíveis, se a pessoa não desistir e se tiver uma companheira que o acompanha.
 
Nós hoje temos, tecnicamente, uma perspectiva multidisciplinar e podemos ajudar a maioria dos homens que têm problemas.
 
Rodrigo Guedes de Carvalho (urologista): Há algo a dizer relativamente ao desejo das mulheres. Tive um caso dramático que foi um senhor com disfunção eréctil que quis oferecer à sua esposa por comemoração dos 25 anos do casal, a colocação de uma prótese peniana e então fez tudo às escondidas e sabem o que deu? Divórcio.
Não houve discussão entre eles e à mulher não lhe interessava nada aquilo. O marido foi gastar dinheiro numa coisa que não lhe dava prazer nenhum. Não houve conversa prévia e tudo isto baseia-se essencialmente no diálogo.
 


publicado por servicodesaude às 14:41
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Andropausa - Disfunção Eréctil: Hábitos de vida e Depressão

É importante falar uma vez mais dos hábitos de vida e da forma como estes acabam por condicionar todos os aspectos da vida.

Esse é, desde logo, um dos grandes papéis do médico de família: explicar às pessoas que também as disfunções erécteis podem ser evitadas se as pessoas tiverem hábitos de vida saudáveis.
Eduardo Mendes (médico de família): Como é óbvio! Mas deixe-me começar por dizer que provavelmente o nosso órgão sexual mais importante, quer nos homens, quer nas mulheres, é a cabeça; o afecto e a forma como nos sentimos.
 
E falávamos há pouco das ansiedades e das depressões. As ansiedades não tanto mas quando as pessoas estão deprimidas e os médicos perguntam - para enquadrar a sua depressão -, como é que está a sua actividade sexual; na grande maioria dos casos, nas pessoas com depressões médias (nem estou a falar de pessoas com depressões graves), a actividade sexual está diminuída.
 
Para tratar a depressão usam-se antidepressivos e estes têm efeitos secundários. É também um dos grupos de medicamentos que eu juntaria aqueles que referi há pouco.
Os ansiolíticos e os antidepressivos têm efeitos secundários que têm que ser explicados, nomeadamente o seu carácter temporário.
 
Provavelmente, a grande maioria das disfunções erécteis de causa orgânica não palpável, tem uma origem psicológica. E tem a ver com desempenhos, com cansaço, com a vida difícil que as pessoas levam e, ainda, com os hábitos de vida.
Na reportagem, o primeiro entrevistado estava com os amigos num restaurante; tinham bebido vinho e estavam a beber whisky.
 
O álcool, e o seu abuso, é de facto um causador e um potenciador da disfunção sexual.
Numa primeira fase, em idades mais jovens, até pode ser um desinibidor, mas a partir de determinadas idades e quantidades, pode funcionar exactamente ao contrário.
 
Por outro lado, o próprio envelhecimento acontece, quer nos homens, quer nas mulheres, de forma diferente de uns para os outros. As menopausas não são iguais em todas as mulheres, a não ser em termos do termo da menstruação. O resto é tudo diferente.
Nos homens é a mesma coisa. Há um conjunto de hábitos, de sedentarismo, de obesidade….
 
E até das tarefas que se desempenham e da satisfação, ou não, com o trabalho que se faz, não é?
Eduardo Mendes (médico de família): Quer as mulheres, quer os homens, passam hoje a maior parte do dia a trabalhar. E depois tomam conta da casa, dos filhos...
É à meia-noite, ou mais tarde, que vão ter desejo ou apetite sexual? Provavelmente não.
Agora, há situações que têm que ser investigadas, esclarecidas e é obrigação do médico de família, perguntar. E hoje estas questões chegam por várias vias. Chegam por via do homem e, muitas vezes, por via da esposa, que se queixa pois sente que isso afecta o seu marido. E portanto põe esse problema na mesa, às vezes sozinha, apenas com o médico. E o médico pode, posteriormente esclarecer isso com o doente.


publicado por servicodesaude às 14:10
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Andropausa - Falta de Erecção e Desejo (Tel. jovem de 20 anos)

Telefonema de “Filipe”, 20 anos, desempregado, da Lousada:

Tenho 20 anos e tenho uma namorada há seis. O problema é que não consigo manter a minha erecção durante muito tempo. Não tenho desejo sexual e não acho que seja normal, já que tenho 20 anos. Gostaria de saber se é normal, ou não.
 
Não tem desejo sexual pela sua namorada ou por ninguém?
“Filipe” (20 anos): Por ninguém.
 
O resto da sua vida, neste momento, decorre com normalidade?
Filipe” (20 anos): Já tive uma namorada no ano passado e, apesar de não ter desejo sexual, conseguia manter-me erecto e ter relações com ela.
 
Fez uma interrupção nessa relação mais longa e, numa relação mais casual, conseguiu ter desejo. O resto da sua vida é agradável?
“Filipe” (20 anos): Não muito.
 
Sente-se deprimido?
“Filipe” (20 anos): Se calhar não tenho a vida que queria mas isso não tem nada a ver com a minha vida sexual. Acho que sou muito novo e tenho problemas em ir ao médico e, provavelmente, muitos jovens têm o mesmo problema e não vão ao médico.
 
O Filipe não tem mais nenhum problema de saúde?
“Filipe” (20 anos): Tenho epilepsia, mas acho que não tem nada a ver.
 
E está medicado para a epilepsia?
“Filipe” (20 anos): Exacto.
 
Eduardo Mendes (médico de família): Gostava de perguntar ao Filipe o que é que ele quer dizer quando refere que não consegue manter a erecção.
Não consegue manter uma erecção por um tempo suficiente para haver penetração e para atingir a ejaculação? 
 
“Filipe” (20 anos): Enquanto estou nos preliminares com a minha namorada consigo a erecção, mas quando tiro a roupa, perco a erecção.
 
E não chega a haver acto sexual por causa disso?
“Filipe” (20 anos): Não.
 
Rodrigo Guedes de Carvalho (urologista): Este é o tal problema que eu referi, que é frequente em jovens. Na minha opinião isto é uma situação de ansiedade/execução. E para assegurar a sua performance sexual este indivíduo está indicado para tomar substâncias vasoactivas. Não continuamente, porque depois vai certamente resolver o problema.
 
Allen Gomes (psiquiatra): Ele diz coisas importantíssimas. De facto, uma disfunção eréctil numa idade como a dele, 20 anos, é rara. Estatisticamente, é rara.
Mas enquanto um homem mais velho vai ao médico porque pode ter diversas patologias e a disfunção eréctil é mais frequente - logo, há uma maior atenção -, um homem mais novo está “esmagado” por aquilo que ele contou. E, portanto, ir ao médico é um acto de humilhação para um jovem.
 
Pode haver alguma relação com os medicamentos que toma para a epilepsia, ou não?
Allen Gomes (psiquiatra): Pode. Mas há aqui uma coisa muito importante: ele tem erecção nos preliminares e falha na “hora da verdade”. E mais: quando está vestido tem erecção; quando se despe, perde a erecção. Ou seja, ele está sem confiança, está com medo de falhar e antecipa o falhanço.
 
Se querem ver uma disfunção de carácter psicológico, num jovem, é quando ele está num local público, ao pé da namorada e não há possibilidade nenhuma de terem uma relação sexual. Ele toca-lhe, dá-lhe a mão, faz-lhe uma carícia e fica erecto. Quando tem a possibilidade de estar com ela numa cama, tira a roupa e fica a suar frio.
 
Rodrigo Guedes de Carvalho (urologista): Este é o tal problema do mecanismo vasoactivo que aqui está funcionante e, portanto, ele deverá ter uma erecção nocturna. Ele não tem nenhum problema físico; ele tem um problema psicológico.
O problema das substâncias vasoactivas é que é preciso falar com os miúdos e dizer. “vais tomar isto que te vai dar seguramente uma erecção", mas depois é igualmente necessário explicar o mecanismo da erecção e que não têm que ficar agarrados aquilo.
 
Então acha que ele devia tomar um medicamento do tipo Viagra?
Rodrigo Guedes de Carvalho (urologista): Sim, tem que tomar um vasodilatador.
 
Allen Gomes (psiquiatra): Ele tem que ultrapassar o problema que teme. Está desanimado, descrente, infeliz e está desempregado. Na história da disfunção sexual sempre houve uma taxa de prevalência de disfunção eréctil nos desempregados. Sempre, sempre.
 
Por isso é que eu lhe perguntei se tem a vida que queria. E ele disse que não exactamente.
 
Allen Gomes (psiquiatra): Mas isso pode fazer com que ele deixe arrastar o problema no tempo. E ele pode procurar ajuda, com privacidade. Provavelmente, sem ter que pagar por isso.
 
Já procurou ajuda de algum psiquiatra, por exemplo?
“Filipe” (20 anos): Não. Porque é difícil para um jovem de 20 anos procurar ajuda para este tipo de problemas.
 
Allen Gomes (psiquiatra): Eu dava-lhe a sugestão de procurar, por exemplo, na Internet.
Se for ao site da Sociedade Portuguesa de Sexologia Clínica, encontrará os locais onde existem consultas. E também irá verificar algo interessante: outros jovens da sua idade, com problemas semelhantes e que, a certa altura, apenas pelo facto de terem começado a falar sobre o assunto, e saberem que os outros também os têm, muitos resolveram o seu próprio problema.
Quando os problemas ficam na cabeça são como uma bola de pingue-pongue.
 
Eduardo Mendes (médico de família): Tenho quase a certeza que o “Filipe” não tem nenhum problema. O problema do "Filipe "é na esfera dos afectos e com a sua auto-estima. Provavelmente, com uma certeza quase absoluta, ele vai resolver o seu problema.
Para o Filipe e para quase todos os ouvintes, estamos habituados a este tipo de situações e não há qualquer razão para ter qualquer tipo de medo ou receio.
 
Mas há realmente uma grande vergonha, sobretudo no caso dos jovens, em abordar esta questão.
Allen Gomes (psiquiatra): Tem aqui o exemplo da condição masculina.
 
Rodrigo Guedes de Carvalho (urologista):  Nós ouvimos este tipo de coisas todos os dias, por isso não há que ter vergonha em falar com técnicos, que só falam destas coisas. Nem medo, nem receio de nada.


publicado por servicodesaude às 12:10
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Andropausa – Mitos: Erecção e Próstata / Orgasmo e Comprimento do Pénis

No livro “Disfunções Sexuais”, da autoria de Pedro Nobre, com prefácio de Allen Gomes, editado pela Climepsi Editores, são lembrados vários mitos associados ao macho latino. Por exemplo, aquele que se um homem não consegue manter relações sexuais com frequência já não é um homem, ou se um homem faz sexo mas não chega ao orgasmo, a relação não é boa…

Esses mitos existem há muitos séculos e condicionam muito a cabeça das pessoas...
 
Allen Gomes (psiquiatra): Pois condicionam. E os comprimidos são auxiliares fantásticos mas não mudam atitudes. E o que se vê muito bem no livro do Pedro Nobre – que tem estudado isso de uma maneira muito minuciosa, há vários anos -, é que as crenças, e os esquemas cognitivos que se elaboram relativamente á sexualidade, fazem com que seja muito difícil ultrapassar estes problemas. Esses esquemas estão profundamente entranhados na sua personalidade.
 
Rodrigues Guedes de Carvalho (urologista): Uma das crenças, por exemplo, é a relação entre a erecção e a próstata, o que é absolutamente infame que aconteça.
 
Há muito essa ideia, não é?
 
Rodrigues Guedes de Carvalho (urologista): Os doentes não querem ser operados com medo de perderem a erecção. E depois tomam medicamentos para reduzir o tamanho da próstata, que não precisa de ser reduzido, e tomam medicamentos que têm hormonas femininas e ficam sem erecção.
As pessoas têm que começar a perceber que a próstata não tem nada a ver com a erecção. O problema da erecção é basicamente vascular.
 
Outra coisa que as pessoas não sabem é que se pode ter um orgasmo intensíssimo sem metade do pénis. Nós fazemos amputações do pénis e os homens têm na mesma o orgasmo. Porquê? Porque o orgasmo é uma contracção violenta da parede abdominal, da face interna das coxas e ânus.
 
Todos nós já tivemos orgasmos “fraquitos” e grandes orgasmos. Isso depende do estado de relaxamento. E é essa contracção violenta que vai dar o maior prazer. Ora se a pessoa já está semi-contraído, não consegue.
 
E esses homens conseguem?
 
Rodrigues Guedes de Carvalho (urologista): Conseguem ter orgasmo, apesar de terem meio pénis. E as mulheres estão satisfeitas com aquele tipo de relação.
 
Isto tem muito mais a ver do que, por exemplo, o comprimento do pénis; um grande mito entre os miúdos, e até entre os homens, que comparam tamanhos nos balneários.
E ainda por cima não sabem que o pénis em actividade não tem nada a ver com o pénis sem estar em actividade.
 
Um indivíduo pode ter um pénis pequenino e depois na relação tem um pénis enorme. E também pode ter um pénis enorme e depois, na relação sexual, não passar daquele tamanho. São tudo mitos que existem e que é preciso desmistificar.
 
“O Pénis – da Masculinidade ao Órgão Masculino”, da autoria de Nuno Monteiro Pereira, editado pela Lidel, também com prefácio do Dr. Allen Gomes; para quem quiser abordar estas questões com maior profundidade. É um livro extremamente relevante no que toca à masculinidade, ao longo da história e das várias civilizações.


publicado por servicodesaude às 08:23
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Andropausa - Mulheres: Papel nas disfunções sexuais masculinas
 

Qual poderá ser o papel das mulheres nestas dificuldades sexuais que os homens podem ter?

Allen Gomes (psiquiatra): Eu acho que, de forma geral, a mulher de um homem que tem uma disfunção eréctil bem estabelecida, são mulheres muito cautelosas, muito preocupadas em não agravar a situação, mas que também contribuem para a paragem do contacto.
Eles param porque não se querem dar mal; não se aproximam delas para elas não pensarem que….
 
Para não haver expectativas...
Allen Gomes (psiquiatra): Exacto. E elas fazem exactamente o mesmo: param, para eles não pensarem que… E é isso que provoca o afastamento entre o casal.
Por vezes estão ali duas pessoas que ainda têm o afecto mas está parado devido a esta dinâmica do casal. Então é fundamental que a mulher seja envolvida no processo tearapêutico.
 
Rodrigues Guedes de Carvalho (urologista): E há cada vez mais mulheres que vêm com os maridos às consultas.
Primeiro, eles começam a verbalizar coisas que não têm nada a ver com o seu real problema (queixam-se da próstata, por exemplo), e são as mulheres a dar o toque ao companheiro para que ele fale com o médico, porque também elas estão interessadas em ajudar os maridos e sofrem por causa da sua disfunção.
 
Há muitos casos em que o homem tem uma disfunção eréctil com a companheira de toda a vida, ou de muitos anos, e depois porque procura uma pessoa diferente, vai ver um filme pornográfico ou porque procura outro tipo de diversão, já consegue funcionar sexualmente, de uma forma “normal”?
Rodrigues Guedes de Carvalho (urologista): Há as duas coisas. Os que conseguem ter relações fora de casa e não dentro e os que conseguem dentro, mas não conseguem fora de casa.
 
Allen Gomes (psiquiatra): Das coisas que eu acho mais espantosas nas diferenças sexuais, quando se fala de género e se procura ver os estereótipos de cada género, é que os homens muitas vezes falham fora de casa, perante uma amante a quem estão ligadíssimos, e continuam a funcionar regularmente com a esposa, que já não apreciam e relativamente a quem até sentem por vezes alguma hostilidade.
Com as mulheres é ao contrário: quanto mais emoção, fora de casa, melhor funcionam. Ou seja, a emoção muitas vezes ao homem, paralisa-o.
 
Mas não sempre…?
Allen Gomes (psiquiatra): Não sempre.
 
Rodrigues Guedes de Carvalho (urologista): No outro dia tive um caso de um doente que me disse: “Não tenho qualquer desejo ou qualquer prazer, no entanto, funciono e tenho relações normalmente”.
 
Funciona tudo mecanicamente?
 
Rodrigues Guedes de Carvalho (urologista): Ele disse-me: “Funciona tudo bem. Tenho erecção e tudo, mas não tenho desejo, nem prazer, nem orgasmo”.
Não anda a tomar nada em termos de medicamentos e não tem nenhuma patologia.
 
Deve ser muito raro. Como é que se explica. E porque é que continua a tê-las? Para manter uma vida sexual?
 
Allen Gomes (psiquiatra): Eu já tive casos assim. E muitas vezes a pessoa continua a ter relações com a esperança que a questão passe. Agora, resta saber porque é que não sente prazer.
 
Rodrigues Guedes de Carvalho (urologista): Ele disse-me que isso lhe aconteceu há cerca de dois anos, quando estava ter uma relação sexual e ouviu um estalo dentro da cabeça; tipo fusível a rebentar. E que depois, passado um ano, voltou a sentir o mesmo.
Acho que este indivíduo deve fazer um estudo, nomeadamente um TAC (tomografia axial computurizada), porque este indivíduo pode ter qualquer coisa neurológica.
 
Allen Gomes (psiquiatra): Pode ser, ou não, psicológico.
 
Jose Maria Aragués (endocrinologista): Sabemos que é preciso manter níveis normais de testosterona para ter uma boa erecção. É curioso não ter libido, não ter desejo, e ter uma boa erecção. O doente não perdia nada em ver como está a sua parte hormonal.


publicado por servicodesaude às 07:42
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Andropausa - Ficha Técnica

Autoria, coordenação e apresentação

Maria Elisa Domingues
 
Convidados
Allen Gomes
Rodrigues Guedes de Carvalho
Eduardo Mendes
Jose Maria Aragues
 
Reportagem
Buenos Aires Filmes
 
Produção
Miguel Braga
 
Pesquisa
Alexandra Figueiredo
Catarina Fernandes
Miguel Braga
 
Jornalistas
Miguel Braga
Catarina Fernandes
 
Imagem
Gonçalo Roquette
 
Edição
Miguel Guedes
 
Pós-produção vídeo
Sara Nolasco
 
Pós-produção Audio
Miguel Van Kellen
 
Gestão e edição de conteúdos
(portal Sapo)
Natacha Gonzaga Borges
 
Atendimento telefónico
Manuel Rocha
Nuno Gaibino
Tiago Matos
Inês Goulart
 
Câmaras
Eduardo Jorge
Rui Machado
Lília Magalhães Santos
Jorge Guerreiro
Rogério Santos
 
Mistura de Imagem
Ana Cristina Madeira
 
Controlo de Imagem
António Marcos
 
Som
José Miguel Antunes
Manuel Linã
Ricardo Torres
 
Iluminação
Rui Prates
 
Electricista
Jorge Carvalho
 
Técnicos de Electrónica
José Borges
Rui Loureiro
 
Assistentes de Operações
Orlando Aurélio
José Araújo
José Carlos Silva
 
Caracterização
Ana Filipa
 
Cabelos
Fátima Tristão da Silva
 
Assistente de guarda-roupa
Paula Sousa
 
Assistentes de Artes Visuais
Bruno Silva
Jacinto Medeiros
Eurico Lourenço
Joaquim Saraiva
 
Registo Magnético
Paulo Múrias
 
Gerador de Caracteres
Luís Pereira Torres
 
Teleponto
Maria José Branco
 
Genérico e Grafismos
Nicolau Tudela
Teresa Martins
 
Música genérico
Ari de Carvalho
 
Assistente de Realização
Pedro Valladas Preto
 
Anotadora
Judite Davison Ribeiro
 
Chefe Técnico de Produção
Melo Pereira
 
Criação cenográfica
Gil Ferreira
 
Execução cenográfica
Isabel Rodrigues
 
Produção
Paula Paiva
 
Realização
Jorge Rodrigues


publicado por servicodesaude às 06:48
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Andropausa - Links

LINKS NACIONAIS 

Sociedade Portuguesa de Andrologia http://www.spandrologia.pt/?pid=34
Sociedade Portuguesa de Sexologia Clínica - www.spsc.pt
Associação Portuguesa de Urologia - http://www.apurologia.pt/index2.htm
Dossier “ Disfunção Eréctil” - portal SAPO
http://saude.sapo.pt/abc_saude/d/disfuncao_erectil/ver.html?id=902248 
www.vivebem.com 
www.amardenovo.com
www.apurologia.pt
 
Dossier Disfunção Eréctil
http://medicosdeportugal.saude.sapo.pt/content_files/cms/pdf/pdf_57c0531e13f40b91b3b0f1a30b529a1d.pdf
Hormonas Masculinas – Testosterona http://www.fertilityportugal.com/concern/Understanding_Fertility/Importance_of_Hormones/Male_Hormones.jsp 
10th Congress of the European Federation of Sexology - www.efs2010.com
 
LINKS INTERNACIONAIS
The Institute for Advanced Study of Human Sexuality - http://www.iashs.edu/
World Association for Sexual Health -
http://www.worldsexology.org/index.asp
International Academy of Sex Researchers (IASR) - http://www.iasr.org/
European Federation for Sexology (EFS) -
http://www.europeansexology.com/
International Society for Sexual Medicine (ISSM) -
http://www.issm.info/v4/
Institute of Sexology and Sexual Medicine –www.sexualmedizin-charite.de  
Society for the Scientific Study of Sexuality (SSSS) - http://www.ssc.wisc.edu/ssss/
American Federation for Aging Research -
http://www.afar.org/grants.htmlhttp://www.afar.org/grants.html
Sociedade Brasileira de Urologia (Disfunção Eréctil) http://www.sbu.org.br/indexGeral.php?do=saudeUrologica&sub=7
Urologia Online - http://www.uro.com.br/viagra.htm
 
REVISTAS CIENTÍFICAS DE REFERÊNCIA
Archives of Sexual Behavior -
http://www.springer.com/psychology/sexual+behaviour/journal/10508
Journal of Sex Research - http://www.sexscience.org/publications/index.php?category_id=439
Journal of Sex and Marital Therapy
-
http://www.tandf.co.uk/journals/titles/0092623X.html
Annual Review of Sex Research -
http://www.sexscience.org/publications/index.php?category_id=437
Journal of Sexual Medicine -
http://jsm.issm.info/


publicado por servicodesaude às 05:58
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