Terça-feira, 15 de Dezembro de 2009
Obesidade Infantil - Introdução (Por Maria Elisa Domingues)

A obesidade e a pré-obesidade nas crianças e nos adolescentes é um problema cuja dimensão tem vindo a aumentar a um ritmo assustador. De tal forma, que é hoje em Portugal a doença pediátrica mais comum, constitiuindo assim um grave problema de saúde pública.

A doença surge em crianças cada vez mais novas, às vezes ainda bebés.

 

Uma criança ou um adoescente com excesso de peso é mais vulnerável a outras doenças graves, como as cardiovasculares, a diabetes tipo II, a hipertensão arterial, a asma, mas também perturbações do sono e do foro psíquico, menor rendimento escolar e dificuldades de relacionamento social.

 

As causas da obesidade podem ser genéticas, mas só uma percentagem reduzida. O que torna as crianças demasiado gordas é o tipo de alimentação - tanto em casa, como na escola - e a falta de actividade física, a vida demasiado sedentária em frente à televisão ou ao computador.

 

A globalização do mercado alimentar, a publicidade, a urbanização das cidades - onde os espaços públicos são cada vez menos -, são os grandes responsáveis pela situação que absorve 4% do orçamento do Serviço Nacional de Saúde.

 

Por isso, estas crianças e adolescentes correm o risco, pela primeira vez em cem anos, de virem a ter uma esperança de vida inferior à dos pais. Mas são os pais, a família, as escolas, as autarquias, quem pode e deve alterar atitudes e comportamentos.



publicado por servicodesaude às 23:07
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Obesidade Infantil - Resumo Reportagem

Em Portugal, 18 crianças já colocaram um balão intra-gástrico. O objectivo é travar a evolução da obesidade numa fase essencial da vida, em que ainda se consegue alterar comportamentos.

 

De acordo com Carla Rego, doutorada em obesidade pediátrica e responsável pela consulta  da especialidade no Hospital de São João, no Porto, "as crianças têm que ser muito bem seleccionadas por uma equipa multidisciplinar. Esta equipa tem que obter a garantia que houve uma mudança nos hábitos de vida e que, tanto a criança como a família, irão aderir à terapia no período em que o balão vai ser introduzido".

 

Desde 1980 que a prevalência da obesidade pediátrica triplicou nos países europeus. Portugal ocupa uma posição preocupante, com mais de metade da população adulta com excesso de peso, cerca de 30% das crianças com peso a mais e 10% obesas.

 

Peso a mais na infância aumenta o risco de outras patologias no futuro. "As crianças obesas denotam uma maior agressividade em casa e têm um menor rendimento escolar.  Depois, se têm uma personalidade extrovertida são os divertidos do grupo. Mas quando isto não acontece, isolam-se e o problema acaba por dexar marcas na sua trajectória futura em termos de saúde mental.

 

Apesar das escolas estarem rodeadas de ofertas calóricas, a Organização Mundial de Saúde estabeleceu como objectivo que qualquer criança que nasça no novo milénio deva estar livre de doenças cardiovasculares, pelo menos até aos 65 anos.



publicado por servicodesaude às 22:21
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Obesidade Infantil - Apresentação dos Convidados

Prof. Dr. Júlio Martins - doutorado e docente em Ciências do Desporto
Prof. Dra. Carla Rego - doutorada em obesidade pediátrica e coordenadora da consulta de obesidade pediátrica no Hospital de São João, no Porto
Dr. Eduardo Mendes - médico de família e director do Agrupamento de Centros de Saúde do Oeste Sul
Dra. Teresa Sancho - nutricionista na ARS do Algarve; responsável pelo gabinete de nutrição e por vários programas de combate à obesidade infantil na região algarvia

 



publicado por servicodesaude às 21:49
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Obesidade Infantil - Balão Intra-gástrico em crianças

O balão intra-gástrico é um processo inovador a nível mundial, que não implica cirurgia. O gastroenterologista pediátrico introduz o balão através de um endoscópio.Tal como no caso dos adolescentes e adultos, o balão permanece cerca de seis meses e depois é retirado.

 

O processo implica uma selecção rigorosa das crianças por parte duma equipa multidisciplinar que avalia a adesão à terapia por parte quer da criança, quer da família, mas também as características do tecido adiposo da criança.

 

 



publicado por servicodesaude às 20:54
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Obesidade Infantil - Hábitos alimentares e o papel das famílias e da escola

“Faz sentido falar em “obesidades”, já que há indivíduos que têm uma maior susceptibilidade para engordarem e, outros, que não tendo nenhum factor de risco específico, também engordam, apenas devido a factores comportamentais”, afirma Carla Rego, doutorada na área da obesidade pediátrica. E adianta que “a susceptibilidade genética não é facilmente definível”.

 
Segundo Eduardo Mendes, médico de família, “a obesidade é o resultado da sociedade em que vivemos e da forma como produzimos os alimentos”, logo,” tem que ser enquadrada enquanto questão civilizacional”.
 
“Hoje, as famílias facilitam muito em termos alimentares e os miúdos são sujeitos a uma enorme pressão, visível no período concedido pelas televisões à publicidade de produtos alimentares”, reflecte o médico, não deixando de chamar atenção para o facto de nas cantinas escolares as ementas ainda incluírem fritos em excesso, com demasiada gordura e calorias.


publicado por servicodesaude às 19:46
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Obesidade Infantil - Alimentação saudável e questão financeira

"Os estudos dizem que existe uma relação directa entre a capacidade socioeconómica da população e a prevalência do excesso de peso, pré-obesidade e obesidade”, afirma Teresa Sancho, nutricionista.

Com excepção da Grã-Bretanha, os países com condição socioeconómica mais baixa, da orla mediterrânea (como Portugal, Espanha e Itália), apresentam uma prevalência mais alta de excesso de peso, na infância e no adulto, ao contrário dos países escandinavos, por exemplo.
E se, à partida, a dieta mediterrânica era considerada das melhores do mundo, devido à inclusão do azeite, das frutas e dos produtos hortícolas, o paradigma civilizacional tem vindo a alterar-se. As profissões caloricamente mais exigentes, mais braçais, por exemplo, têm vindo a extinguir-se em detrimento de outras mais poupadoras de energia.
 
“É um engano dizer que a alimentação mediterrânea é muito abundante em produtos hortícolas. O sol do Sul da Europa é muito seco e os produtos hortícolas são consumidos sazonalmente. Ou seja, agora consumimos favas e ervilhas o ano inteiro enquanto antes só eram consumidos na Primavera”, constata a nutricionista.
E são justamente os produtos hortícolas que mais encarecem o cabaz de compras, enquanto “os produtos mais pobres a nível nutricional (em vitaminas, sais minerais e fibras alimentares) são os alimentos mais baratos”, conclui Teresa Sancho.


publicado por servicodesaude às 18:02
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Obesidade Infantil - Actividade física fundamental

O Fundão faz parte de um conjunto de municípios que, em conjunto (Montijo, Oeiras, Seixal e Viana do Castelo), integraram um projecto -  o chamado MUN-SI -, que visa combater a obesidade infantil.

Júlio Martins, doutorado em Ciências do Desporto, aponta o facto das crianças terem deixaram de brincar por questões de segurança e que esta é uma questão que atravessa toda a sociedade.

 
O projecto, que abrange cinco municípios, e que vai de encontro às escolas do 1º ciclo (2º, 3º e 4º anos) visa uma intervenção na alimentação e na actividade física. Daqui a três anos o resultado desta intervenção será avaliado.
 
"Há muito a modificar. Por exemplo: os espaços de actividade física nas escolas estão fechados ao fim-de-semana, quando podem estar abertos com um segurança, os pais ou professores de educação física a monitorizar algumas actividades", aponta Júlio Martins. "Para além disso, podem-se criar zonas pedonais, mais iluminadas, parques infantis de exploração e de aventura".
Há estudos que demonstram que se as estruturas desportivas ou os parques infantis forem colocados longe, as pessoas não os frequentam.
 


publicado por servicodesaude às 17:24
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Obesidade Infantil - Mãe alarmada excesso de peso do bebé (tel)

Telefonema Susana Rios, 30 anos, de Santa Maria da Feira:

Tem um filho de nove meses que pesa 11 kg. Como o irmão mais velho, com seis anos, já tem obesidade mórbida, está preocupada.
 
De acordo com a professora Carla Rego, há que distinguir uma obesidade que decorre duma síndrome e, outra, que aparece em crianças sem nenhuma doença de base, à partida saudáveis.
 
"Cada criança tem o seu padrão de crescimento próprio e este depende, à partida, do peso com que nasceu. O pediatra e o médico de família são os principais responsáveis por fazerem o seguimento dessa criança. Há crescimentos acima da média e que não são alarmantes, particularmente se os aumentos de peso não forem muito bruscos", refere a doutorada em obesidade pediátrica.
 
As características morfológicas até ao um ano de vida constituem um factor determinante de vir a desenvolver obesidade. Portanto, um dos objectivos neste período crucial é evitar aumentos muito bruscos de peso.


publicado por servicodesaude às 16:39
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Obesidade Infantil - MUN-SI - Programa de Combate à Obesidade em Crianças do Ensino Básico

Crianças do Concelho têm excesso de peso

Na Freguesia de Donas 77 por cento das crianças apresentam excesso de peso, enquanto na Soalheira nenhuma criança apresenta esse problema.
As crianças que frequentam o Ensino Básico no Concelho do Fundão apresentam uma taxa de 27,1 por cento de excesso de peso, sendo que 13,4 por cento revelam pré-obesidade e 13,7 por cento, obesidade.
 
Este foi um dos resultados apresentados no âmbito do Programa Integrado de Avaliação do Estado Nutricional, Hábitos Alimentares e Abordagem do Sobrepeso e Obesidade em Crianças do Ensino Básico, no Concelho do Fundão, dado a conhecer no final do mês de Novembro, numa sessão realizada na Escola Profissional do Fundão.
 
Refira-se que esta sessão surgiu integrada no programa MUN-SI, que consiste num plano de monitorização e combate da obesidade em Portugal, inserido no Programa Contra a Obesidade.
De recordar, também, que o programa MUN-SI nasceu de um protocolo entre os municípios de Fundão, Montijo, Oeiras, Seixal e Viana do Castelo e a Universidade Atlântica, que tem como objectivo apoiar políticas de prevenção primária e secundária da obesidade infantil e desenvolver um modelo explicativo sobre estas.
 
O estudo, no que respeita ao Concelho do Fundão, revela igualmente que o excesso de peso tem maior prevalência entre os meninos, com 30,8 por cento, em comparação com as meninas, com 23 por cento.
Por outro lado, há a destacar a maior prevalência de excesso de peso no grupo etário acima dos nove anos, comparativamente com os restantes.
 
No estudo, realizado no ano lectivo 2008/2009, no Concelho do Fundão havia 1.093 alunos inscritos no 1º Ciclo do Ensino Básico, dos quais 267 no 2º ano de escolaridade, sendo que o objectivo geral consistia na avaliação do estado nutricional (peso e altura) em crianças matriculadas neste ano de escolaridade.
Ao todo, o estudo, em que trabalhou a equipa de investigação constituída por Ana Rito, João Breda, Ana Lúcia Silva, Filipa Coelho e Júlio Martins, teve 448 alunos participantes (dos seis aos 11 anos) e foram avaliadas 26 das 28 escolas do 1º Ciclo do Ensino Básico do Concelho.
 
(…) A notícia continua na íntegra na edição impressa do Jornal.
 09-12-2009 | Edição: 1095
 


publicado por servicodesaude às 16:36
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Obesidade Infantil - Prevenção: actividade física e alimentação

De acordo com vários estudos internacionais, as indicações são para que as crianças dispendam no máximo até duas horas diárias em frente à televisão e ao computador, juntos. Algo que não acontece hoje em dia, nomeadamente em Portugal, em que se tem registado um sedentarismo crescente devido a estes dois meios de comunicação.

 
Júlio Martins, doutorado em Ciências do Desporto, é da opinião que o Ministério da Educação devia implementar professores de educação física no 1º ciclo, como faz no 2º e 3º ciclos e no secundário, "porque é nestas idades pediátricas que se deve actuar na prevenção".
 
“Hoje as orientações que nos são dadas pelos estudos internacionais já não são de uma prática de actividade física diária de uma hora, mas sim de 90 minutos, se quisermos reduzir o excesso de peso. Sempre coadjuvado com o controle alimentar", explica Júlio Martins. E acrescenta que "só a actividade física reduz muito pouco; ao contrário do controle alimentar que possibilita a transformação da massa gorda em massa magra e a tonificação da massa muscular".

 



publicado por servicodesaude às 15:46
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Obesidade Infantil - É uma doença que causa muitas outras

obesidade é uma doença, em si, mas pode também desencadear muitas outras doenças.

 

Eduardo Mendes, médico de família, chama a atenção para o facto de termos deixado de comer sopa e de tomar o pequeno-almoço: "A grande maioria das crianças vai para a escola apenas com um copo de leite no estômago, o que em termos de saúde é gravíssimo. Os miúdos estão em jejum, com os níveis de açúcar  muito baixos e depois comem um bolo na escola e isso constitui uma “injecção” de açúcar na veia, porque a glicémia sobe".
 
O médico garante que este comportamento "em serrote" (altos e baixos) pode, a longo prazo, condicionar e propiciar o aparecimento da diabetes tipo II e doenças cardiovasculares.
 
Nas crianças e adolescentes obesos ou pré-obesos impõe-se, desde logo, uma detecção precoce da possibilidade de virem a ter doenças cardiovasculares. Carla Rego, doutorada em obesidade pediátrica (e autora do livro: “A Obesidade em Idade Pediátrica”), diz que, ao contrário do que anteriormente se pensava, é hoje frequente encontrar, só na dependência da obesidade, crianças com sete, oito anos, com alterações do metabolismo da glicose, risco de diabetes e com hipertensão arterial.
 
"Na nossa consulta, e perante os dados dos últimos 11 anos, encontramos uma prevalência de hipertensão arterial na faixa etária entre os dois e os 18 anos sobreponível à da população portuguesa, só na exclusiva dependência da obesidade".
 
Carla Rego frisa a necessidade de pensar a obesidade não apenas como uma questão estética mas como uma doença, em que mesmo quando resolvida na trajectória da vida deixa marcas e riscos futuros em termos de patologia cardiovascular. "Mesmo as crianças obesas que sejam tratadas e que deixem de ser obesas, ficam com a memória da obesidade gravada e o risco de doença cardiovascular".
 
A mudança de hábitos é mais fácil num bebé ou numa criança do que num adolescente e quanto mais massa gorda se acumula mais difícil será fazê-la desaparecer.
 
"É preciso ter a noção de que para intervir, e ter a certeza de que é possível reverter a situação em 100 por cento, a idade limite anda pelos seis, sete, oito no máximo. Se a partir daqui se deixar avançar a obesidade, a probabilidade de cura na adolescência é progressivamente menor", garante a doutorada na área da obesidade pediátrica.


publicado por servicodesaude às 14:01
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Obesidade Infantil - Educadora de infância critica lanches escolares (tel)

Leonor Cardeira, 51 anos, educadora de infância, de Lisboa:

"As recomendações que os professores e educadores fazem junto dos pais relativamente aos lanches e à alimentação que os filhos levam para a escola não são, por vezes, muito bem aceites pelos pais".
 
A educadora de infância considera que existe um excesso de permissividade por parte dos encarregados de educação e que "é muito mais fácil ceder aos pedidos das crianças, que pedem alimentos carregados de açúcar, chocolates e gorduras - comprados muitas vezes a caminho da escola -, do que controlarem uma birra".
 
Eduardo Mendes, médico de família, é da opinião que responsabilizar não é culpabilizar e que para trazer os pais para "esta guerra", o caminho não pode começar pela culpabilização.
 

"Falei na sopa e no pequeno-almoço. Sabe-se hoje também que a prevalência da obesidade e do excesso de peso está associada a déficits de sono nas crianças. Os miúdos dormem pouco. É fundamental que as crianças tenham sonos regulares, de pelo menos oito ou nove horas, com excepção dos dias de festa", conclui o médico.



publicado por servicodesaude às 13:17
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Obesidade Infantil - Idade para introduzir certos alimentos

Em que idade as crianças deviam começar a ingerir açúcar, chocolates, entre outros?

Carla Rego, doutorada na área de obesidade pediátrica, diz que se quiséssemos ser fundamentalistas diríamos "em nenhuma" mas isso seria a antítese do prazer da vida.
 
No entanto, a médica salienta: "de acordo com as recomendações internacionais dos comités de nutrição, não deve haver introdução de sal, açúcar ou mel, na dieta de um lactente, ou seja, até aos 12 meses".
Até porque o paladar também se treina, sobretudo durante o primeiro ano e depois este vai progressivamente estabilizando no segundo e terceiro ano de vida: "Se sabemos que é essa trajectória que vai definir o comportamento alimentar no futuro, quanto mais tarde introduzirmos certos alimentos, melhor".
 

 



publicado por servicodesaude às 12:37
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