Terça-feira, 19 de Janeiro de 2010
Doenças do Fígado - Introdução (por Maria Elisa Domingues)

Depois de termos abordado na passada semana, os consumos abusivos do álcool e de drogas ilícitas, vamos hoje falar das doenças do fígado, até porque há uma estreita ligação entre aqueles consumos e estas patologias.

 

As principais doenças do fígado, um órgão essencial a grande parte das funções do nosso organismo, são as hepatites, as cirroses e os tumores.
 
Entre as hepatites, são especialmente graves a B e a C: sabia, por exemplo que a hepatite B é 100 vezes mais perigosa que a SIDA? È esse facto que torna a prevenção e o rastreio tão importantes, já que uma grande parte dos casos não está sequer diagnosticada.
 
Por outro lado, a cirrose alcoólica é a que mais mata em Portugal, visto que somos dos maiores consumidores de etanol do mundo. Sendo o álcool cancerígeno, é fácil perceber por que razão tantas cirroses se transformam em cancro.
 
Estas e outras doenças do fígado, menos frequentes mas também perigosas, levam a que o nosso país tenha um número de candidatos a transplante do fígado muito elevado. E como, felizmente, temos muitos dadores, fazemos, com êxito, um número assinalável de transplantes.
 
A reportagem de hoje leva-nos a Viseu e ao Porto, para conhecer as histórias de Joaquim, de Catarina e de Ana, três doentes para quem o transplante representa a possibilidade de viver.
 


publicado por servicodesaude às 23:57
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Doenças do Fígado - Resumo Reportagem

Em Portugal os candidatos a transplante de fígado são doentes com patologia hepatobiliar progressiva e não reversível, não passível de tratamento, ou que constitua a única forma de tratamento alternativo para a sua doença. E desde que não haja contra-indicação para o transplante.

 

E apesar de o álcool ser o principal responsável pela cirrose, doença que pode causar a morte e evoluir para o cancro do fígado, existem outros factores que podem levar à necessidade do transplante.
 
Portugal é o líder mundial no transplante de fígado por milhão de habitantes e o segundo em colheita de órgãos, também por milhão de habitantes.
 
A Sociedade Portuguesa de Hepatologia já alertou para a necessidade de rastreio da Hepatite C em grupos de risco sublinhando que na próxima década esta doença pode fazer aumentar a incidência da cirrose e do tumor do fígado em 62%. E apesar de não existirem números actualizados e fidedignos, estima-se que cerca de 1,8 milhões de pessoas estejam afectadas em Portugal por alguma forma de doença hepática.


publicado por servicodesaude às 22:01
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Doenças do Fígado - Apresentação dos Convidados

Dr. Eduardo Barroso – Cirurgião e director do Centro Hepatobiliopancreático e de Transplantação do Hospital Curry Cabral, em Lisboa, e ex director-geral da Autoridade para os Serviços de Sangue e de Transplantação

 
Dr. Guilherme de Macedo – Director do Serviço de Gastrenterologia do Hospital de São João, no Porto e professor na faculdade que aí funciona, além de ser actualmente o presidente da Sociedade Portuguesa para o Estudo do Fígado
 
Dr. Eduardo Mendes - Médico de família e actualmente director do Agrupamento de Centros de Saúde do Oeste-Sul
 
Dr. Jorge Daniel – Director do Programa de Transplantação Hepática do Hospital de Santo António, no Porto e também professor auxiliar da cadeira de Clínica Cirúrgica, no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar.


publicado por servicodesaude às 21:04
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Doenças do Fígado - Diagnóstico precoce de Hepatites, Cirroses e Tumores

Há um grande número de casos de doenças do fígado por diagnosticar em Portugal, hepatites e outras, ou seja, necessitamos de fazer uma detecção mais precoce e mais alargada.

 

Eduardo Mendes, médico de família, reconhece que é aos consultórios como o seu que os doentes primeiro chegam, pelo que os médicos de família devem estar alertados para a necessidade de fazerem um diagnóstico precoce e de avaliarem o funcionamento hepático dos doentes, sobretudo os de maior risco.
 
Quando são detectadas patologias os doentes devem ser encaminhados para especialistas nos hospitais centrais; os melhor apetrechados para o efeito, para despistar o que se passa.
A maior parte das doenças do fígado são silenciosas, mas “os médicos de família percebem quando é que há um grupo com comportamentos de risco, ou seja, abuso de álcool, de drogas ou com práticas sexuais pouco seguras e, sobre esses, deve exercer uma maior vigilância”.
 
Por outro lado, as próprias análises de rotina, embora não permitam um diagnóstico, “permitem pelo menos despistar algumas alterações da função hepática e alertar para a necessidade de investigar mais, o que pode passar pela biopsia hepática”.
 
Quando se encontram alterações da função hepática que não têm um carácter agudo e que têm o risco de se tornar crónicas, então o médico de família encaminha os doentes para um gastrenterologista ou hepatologista.
 
Consequências da detecção tardia
Guilherme Macedo, gastrenterologista e presidente da APEF (Associação Portuguesa para o Estudo do Fígado) diz que a maior parte das doenças do fígado, entre elas as hepatites víricas, ocorrem de forma muito discreta, “debaixo do pano”, silenciosamente, embora possam ser detectadas de forma muito fácil, se fossem pesquisadas.
 
Há análises, testes, relativamente simples e muito baratos - provas sanguíneas -, que permitem identificar se há um ou mais problemas no fígado. “O melhor truque é as pessoas não esperarem por nenhum sintoma: em relação às doenças de fígado não se deve esperar, deve-se procurar”, aconselha, por isso, o gastrenterologista.
 
A sobrecarga de peso, ou a obesidade, deve ser um critério para investigar porque é uma causa comum de alterações das provas do fígado.
 
Além disso, em Portugal, estima-se que existam cerca de 170 mil pessoas com hepatite C e cerca de 130 mil hepatites B. No caso da primeira, por exemplo, pensa-se que apenas um terço estará identificado. Ou seja, no caso da hepatite C, existirão cerca de 80 mil pessoas, com sinais discretos, mas que não sabem que têm a doença.
 
“Inflamação para nós é uma má notícia já que pode indicar a presença de um problema mais sério. Por isso o nosso grande objectivo é, em primeiro lugar, conseguir anular ou reduzir a inflamação. Em relação à obesidade, de facto a sobrecarga de peso provoca muitas vezes inflamação no fígado”.
 
Tal como os vírus das hepatites, que provocam inflamação crónica no fígado, uma cicatrização excessiva e a perda da função hepática, cria-se uma estrutura anormal – aquilo que se chama de fígado cirrótico – e que é favorável ao aparecimento de uma das complicações mais temíveis: o cancro do fígado.

 



publicado por servicodesaude às 20:06
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Doenças do Fígado - Funções do Fígado e Terapias diferenciadas

Eduardo Mendes, considera o fígado é "um órgão interessantíssimo; o nosso maior órgão, pesa cerca de um quilo e meio".

 

Algumas hepatites poderão ser tratadas apenas com anti-virais. Ao contrário de outros órgãos como o coração, o rim, ou o pulmão, o fígado não pode ser auxiliado pela tecnologia. Quando o fígado entra em falência, ou é substituído ou então é muito complicado.
 
O fígado tem mais de cinco mil funções; está incluído no sistema circulatório e recebe cerca de 25% do sangue que o nosso coração bombeia.
 
Quando tomamos um medicamento é muito difícil ser absorvido pelo organismo da forma como o tomamos. É absorvido e degradado no fígado; transforma-se em varias coisas e se calhar só duas ou três é que têm efeito terapêutico.
 
Por isso os médicos aconselham a não tomar bebidas alcoólicas com medicamentos. “Há uma sobrecarga hepática com o medicamento e se o tomamos com álcool a sobrecarga é ainda muito maior. Para além disso, a absorção do medicamento também é menor e mais lenta", explica Eduardo Mendes.
 
O médico de família adianta que "o fígado também é o órgão do nosso corpo que mais facilmente se regenera. E por isso é que pode ser transportado aos bocados, não é preciso transplantá-lo por inteiro".
 
É também o caso da hepatite A, que se cura normalmente sem nenhum tratamento específico.
Há, aliás, muitas doenças hepáticas que têm cursos benignos. Existem outras, contudo, que exigem formas terapêuticas extremamente agressivas, como é o caso do transplante.


publicado por servicodesaude às 19:15
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Doenças do Fígado - Transplante Hepático e Doação em Portugal

Quando as técnicas terapêuticas não chegam e a pessoa está em risco de vida, é necessário fazer um transplante; transplante que se faz com grande êxito em Portugal. Da mesma forma, também se pode afirmar que a doação é um sucesso devido ao elevado número de dadores entre nós.

 

Questionado sobre a existência de doentes que morrem por falta de dador, em Portugal, Eduardo Barroso, cirurgião e director do Centro Hepatobiliopancreático e de Transplantação do Hospital Curry Cabral, em Lisboa, admite que sim, já que “os dadores nunca são em número suficiente em parte nenhuma do mundo”. No entanto, reconhece, “temos um suplemento de fígados que os outros países não têm”.
 
"Nos últimos dois anos fizemos uma média de 130, 140 transplantes, mas 40 ou 50 desses transplantes foram feitos com fígados de doentes com Paramiloidose que, amavelmente, os cederam. Esta foi uma ideia do Dr. Linhares Furtado, que iniciou esta técnica de transplante sequencial em Portugal.
 
Pedro Magalhães Ribeiro representa uma das associações ligadas ao fígado, neste caso, “Um Fígado pela Vida”, e pertence ao núcleo dirigente da Associação Portuguesa de Paramiloidose (doença dos Pezinhos).
 
"Herdei a doença através do meu pai. Os primeiros sintomas, por volta dos 30 anos, foram os de um doente com Paramiloidose, ou seja, perca de sensibilidade, perda de peso, perda de força muscular e arritmias. Tive a felicidade de ser um desses doentes. De ser dador e também receptor".
 
Pedro Magalhães Ribeiro Admite que passou uma fase de negação da doença e alerta as pessoas para que quando detectem os primeiros sinais se desloquem ao médico para efectuarem o diagnóstico.


publicado por servicodesaude às 18:21
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Doenças do Fígado - Perfil e acompanhamento psicológico do doente

Jorge Daniel, cirurgião, fala sobre a doente abordada na reportagem: "Tem 19 anos e até há dois meses era absolutamente saudável. É portadora duma doença genética associada a um cromossoma, o 13; doença esperada na população portuguesa com uma incidência de um para 30 mil".

 

A doença foi detectada através de análises sanguíneas. Normalmente, evolui para cirrose ou então para uma insuficiência hepática aguda; o fígado entra em falência.
 
Nestes casos há um apelo a nível nacional para encontrar um fígado: "Esta paciente entrou em contacto connosco no Hospital de Santo António 48 horas antes de ser transplantada. O apoio psicológico é fundamental e irá acontecer agora no pós-operatório. Esta paciente tem uma rede social, composta pelos pais e esse apoio social e psicológico é muito importante nestes doentes, nomeadamente no pré-transplante".
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Eduardo Barroso, cirurgião e co-autor da "Abordagem Psiquiátrica do Doente Transplantado", salienta que "é obrigatório, para que muitos dos doentes possam entrar numa lista activa, que tenham o aval da pequena equipa constituída por uma psicóloga e por um psiquiatra, que se desloca ao Curry Cabral três vezes por semana".
 
"Procura-se avaliar a capacidade do doente cumprir escrupulosamente a medicação no pós-operatório, nomeadamente os imunodepressores que se seguem à operação".
 
O transplante hepático é uma operação cara`(custa cerca de 100 mil euros ao Serviço Nacional de Saúde) e os órgãos são escassos, logo, por muito que sejamos generosos na doação em Portugal, vão sempre faltar órgãos para outros doentes.
 
Por exemplo, em relação aos alcoólicos, é exigido um determinado tempo de abstinência, para se ter a certeza que o doente não vai cair novamente nos factores de risco e perder o novo fígado.
 
Mesmo assim, a taxa de recaída do alcoolismo,  após a cirurgia de transplante hepático, é de cerca de 30%, o que continua a ser um número expressivo. "Temos que ter a certeza que a pessoa que vai receber o novo fígado o merece".
 
Jorge Daniel, director do Programa de Transplantação Hepática do Hospital de Santo António, no Porto, diz que neste hospital é traçado um perfil psicológico a quem vai receber o transplante.
 
"É importante porque o doente muda e torna-se mais fácil perceber como é que vai ser o seu comportamento perante as complicações hipotéticas no pós-operatório e ajudá-lo nesse sentido".


publicado por servicodesaude às 17:26
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Doenças do Fígado - Tumor nas Vias Biliares e Cirurgia (tel.)

Telefonema de Joana Brito, 26 anos, das Caldas da Rainha

A sua mãe com 58 anos está internada no hospital. Tinha pedra na vesícula e ao retirá-las foi detectado um tumor nas vias biliares. Deram-lhe três meses de vida porque o tumor já tinha alastrado, mas já passaram sete meses. Para além disso disseram-lhe que tinha o fígado obstruído.
A doente nunca bebeu álcool, sempre teve uma alimentação equilibrada. A filha gostava de saber se valeria a pena a mãe efectuar um transplante de fígado.
 
Eduardo Barroso diz que não se fazem transplantes por tumores malignos da vesícula (também está incluída nas vias biliares), nem das vias biliares extra-hepáticas: "O transplante não resulta porque as pessoas recidivam rapidamente. Portanto, neste caso, não está indicado o transplante".
 
No entanto, em certos casos de tumores nas vias biliares existem outras operações, sem ser o transplante, que podem ser feitas, mais uma vez "com grande sucesso, e com uma taxa de sobrevida até superior à do transplante, mas que devem ser feitas apenas em grandes hospitais - de referência -, porque são cirurgias muito mais complexas que o transplante", explica o cirurgião.
 
Só no ano passado, o Centro Hepatobiliopancreático e de Transplantação do Hospital Curry Cabral, em Lisboa, fez cerca de 300 cirurgias do fígado e das vias biliares, fora dos transplantes ao fígado, que foram 126. E fora as muitas cirurgias efectuadas ao pâncreas.
 
"Os centros de referência como o nosso permitem a discussão caso a caso, com todos os especialistas na mesma sala, ou seja uma equipa multidisciplinar com todas as valências e muita experiência", admite Eduardo Barroso.


publicado por servicodesaude às 16:53
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Doenças de Fígado - Cirroses, Tumores e Tratamento

Eduardo Barroso considera a Hepatite C um problema de saúde pública em Portugal. Até porque depois temos as cirroses e os tumores. "E os tumores do fígado gostam muito de cirroses".

 

Há outros tumores no fígado, contudo, muito mais frequentes, que são as metástases hepáticas – ramificações dos tumores primitivos – que, em relação ao cólon e ao recto, têm tratamento:

 
"Podem ser ramificações do tumor, no cólon e no recto, e por isso Eduardo Barroso pede: “por favor, referenciem-nos estes doentes porque em muitos casos têm solução e a única hipótese de viverem um longo tempo é fazerem estas operações”.
 
As regras oncológicas têm é que ser as correctas e não se devem fazer transfusões de sangue por norma, nestes casos já que, mais tarde, facilitam o reaparecimento dos tumores.
 
O cirurgião sublinha que “este tipo de intervenções devem ser feitas apenas em Centros de Referência, como o do Hospital Curry Cabral, "onde a taxa de sobrevida aos cinco anos é excelente e até melhor que as taxas europeias”.
 


publicado por servicodesaude às 13:26
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