Terça-feira, 16 de Junho de 2009
Saúde Oral - Introdução (por Maria Elisa Domingues)

O programa Serviço de Saúde, da RTP 1, do dia 16 de Junho de 2009, debruçou-se sobre a Saúde Oral

Saude OralApesar do Serviço Nacional de Saúde (SNS) ser uma das grandes realizações do regime democrático, a Saúde Oral foi sempre a sua parente mais pobre. Os portugueses habituaram-se a recorrer aos médicos de família ou aos hospitais quando têm problemas de saúde, e aí ser tratados de forma quase gratuita, e… a ir ao dentista, particular, quando sofrem dos dentes, sabendo que a conta pode ser alta. Por isso, um grande, grande número de pessoas sem recursos resignou-se a perder cedo os dentes ou, no máximo, a pagar para lhe arrancarem os que mais as incomodavam, suportando largos anos de dificuldades em mastigar, de placas velhas e desajustadas e de doenças relacionadas com estas limitações.

Até há pouco tempo atrás, se um político resolvesse anunciar a saúde oral entre as suas prioridades, seria considerado ingénuo ou tonto.
Felizmente esses tempos mudaram. A atribuição dos cheques-dentista a grávidas, aos idosos com complemento solidário e agora a crianças e jovens até aos 16 anos, vem demonstrar que a saúde oral é de extrema importância. E que prevenir, desde cedo, as doenças dos dentes, é muito mais barato que tratar, mais tarde, as complicações associadas. Além de que evitará o absentismo, nas escolas e nos empregos, relacionados com os dentes.
Mas irão os cheques-dentista resolver todos os problemas? Serão suficientes os valores atribuídos? Muitos pensam que não mas que este pode ser um importante ponto de partida.
A reportagem do Serviço de Saúde foi ver as bocas de alguns dos portugueses para quem se pode ter aberto aqui uma luz de esperança.
 
Peça Jornalística
Se há área que tem sido sucessivamente esquecida pelos governos, essa área é a Saúde Oral. Comparativamente há 30 anos, o SNS tem hoje menos estomatologistas e soluções para tratar os cidadãos, excepto em causa de patologias mais graves e que necessitem de acompanhamento hospitalar.
O recurso mais liberal, os seguros privados, são muitas vezes insuportáveis para os bolsos de muitos portugueses, o que quer dizer: ou tem dinheiro, ou terá que arranjar fundos para tratar dos dentes e da boca.
 
Uma vez que Portugal está na cauda da Europa no que diz respeito à boca dos seus cidadãos, em 2000 o governo pôs em andamento o Programa Nacional de Saúde Oral que, em linhas gerais, desenha uma estratégia global de prevenção assente na promoção da saúde, prevenção e tratamento das doenças orais. Também desde o ano 2000 que as crianças e jovens até aos 16 anos têm algum apoio nesse programa.
Mas a novidade chama-se cheque-dentista e está em vigor desde 2008. Este cheque incide em três segmentos da população:
  
Crianças (dos 7 aos 15 anos)

15,3 Milhões de Euros 

Grávidas  

 6,8 Milhões de Euros

Idosos (+ de 65 anos, com complemento solidário)

 3,6 Milhões de Euros

Total 25,4 Milhões de Euros

 

 
 
 
 
 
 
Como é perceptível o grande alvo da prevenção são os mais novos, com um investimento total de 15,3 milhões de euros.
 
A Organização Mundial de Saúde tem como objectivo que, pelo menos até 2020, 80% das crianças com seis anos estejam livres de cáries, embora em Portugal essa percentagem não ultrapasse os 50%.
 
O segundo grupo de risco são as mulheres grávidas. Estudos recentes indicam uma associação entre o nível oral da grávida e a ocorrência de certas patologias.
Para este grupo está previsto um investimento de 6,8 milhões de euros e pensa-se que possa vir a atingir cerca de 60 mil grávidas.
 
No terceiro grupo, os idosos com complemento solidário, cujo processo de envelhecimento requer maiores cuidados, serão aplicados 3,6 milhões de euros.
Os mais velhos têm ainda a posssibilidade de reembolso até 75% da despesa em própteses dentárias removíveis, até um valor máximo de 250 euros. Porém, na maioria dos consultórios, as próteses são muito mais caras.
 

 



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Saúde Oral - Convidados do programa
Dr. Rui Calado - Especialista em Saúde Pública, coordenador do grupo de Saúde Oral da DGS que tem monitorizado o Programa Nacional de Promoção de Saúde Oral, do Ministério da Saúde.

 

Drª Rosário Malheiro - Estomatologista, fundadora da Unidade de Estomatologia Pediátrica do Hospital D. Estefânia, em Lisboa; foi representante da Ordem dos Médicos, na Comissão Técnico-Científica do departamento do Programa Nacional de Promoção de Saúde Oral entre 2005 e 2007 e, actualmente, é a representante da Ordem dos Médicos, do Colégio de Especialidade em Estomatologia, na Comissão Externa de Acompanhamento do SISO (Sistema de Informação para a Saúde Oral).
 
Dr. Paulo Melo - Docente da Faculdade de Medicina Dentária da Universidade do Porto e membro do Conselho Directivo dessa mesma faculdade, além de ser o representante da região Norte, no Conselho Directivo da Ordem dos Médicos Dentistas.
 
Prof. Francisco Salgado - Estomatologista, professor de Cirurgia Oral e Maxilo-facial da Faculdade de Medicina de Lisboa e director do Hospital de Stª Maria, em Lisboa, além de presidente da Federação Europeia de Saúde Oral.
 
 


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Saúde Oral - Prevenção: passado e presente

A Saúde Oral tem sido o parente pobre da Saúde Pública em Portugal... contemplada de uma forma diminuída no SNS, uma vez que existem muitos hospitais onde não existe qualquer serviço de Estomatologia e, em outros, ele existe, mas não é suficiente para as necessidades, assim como acontece nos centros de saúde...

Esta intervenção mais directa, dos cheques-dentista e continuando o programa de saúde oral que já existia, vem permitir aos portugueses, nomeadamente aos mais desfavorecidos, efectuar as intervenções mais urgentes?
Dr. Rui Calado: O que vimos na peça é o resultado de muitos anos de negação da doença. Não havia resposta no nosso país.
Não sei se a saúde oral foi a parente pobre da saúde pública. Lembro-me que a saúde pública em Portugal tinha outros parentes pobres e o país progrediu nos últimos anos. Em função desse progresso foi preciso criar as condições para que a saúde oral pudesse aparecer.
Em 1974 não havia médicos dentistas em Portugal, estavam a iniciar a sua formação; não havia higienistas orais...
 
Mas havia estomatologistas...
Dr. Rui Calado: Os estomatologistas sempre foram médicos preparados para os hospitais, não para prestarem os cuidados básicos de saúde oral às populações. Portugal precisava de profissionais habilitados a efectuar estes tratamentos básicos, que são hoje feitos pelos dentistas.
Hoje já existem em número suficiente, o que nos permitiu avançar em 2000 com programas em que já se incluía a referenciação das pessoas com problemas de saúde oral para os médicos dentistas.
 
Hoje estamos na situação inversa; temos quase 20% de dentistas desempregados?
Dr. Rui Calado: Não sei qual a percentagem de desempregados, mas sei que o rácio que Portugal tem de médicos dentistas, neste momento, relativamente à sua população, é um rácio médio quando comparado com a União Europeia.
Sem profissionais de saúde, não se pode fazer saúde. Em 2000 já havia em número suficiente para dar o salto para a referenciação em medicina dentária.
Mas já antes, em 1985, a Direcção Geral de Saúde iniciou a promoção e a prevenção de doenças e organizou uma divisão – a Divisão de Saúde Oral – que fazia a prevenção primária nas escolas. Mas nesta altura havia muito poucas possibilidades de se tomarem medidas gerais para a população.
 
Essa continua, porventura, a ser uma das medidas mais importantes; a de fazer educação nas escolas para a promoção da saúde oral...
Dr. Rui Calado: Seguramente. Temos que aprender a higienizar a boca, a ter cuidado com os alimentos que são prejudiciais e temos ainda que aprender que existem produtos que tornam os dentes muito mais resistentes às agressões. Só assim os níveis de doença poderão diminuir.
O enfoque inteligente, numa sociedade normal e evoluída, deve ser na prevenção primária. Os casos de doença acumulada, que a prevenção não consegue resolver, também devem, contudo, ter resposta.
E a resposta começa a ser dada em Portugal e de forma organizada, para atingir grupos populacionais que são mais vulneráveis e que, de uma forma clara, estamos interessados em previligiar no primeiro acesso.
Estou-me a referir às grávidas que, por motivos diversos, são pessoas mais receptivas a mensagens. Não apenas às que se referem a questões de higiene oral mas também àquelas que as preparam para o nascimento do novo filho. Uma grávida preparada em termos de saúde oral, vai-nos seguramente preparar crianças com muito melhores dentições.
Por outro lado, uma pessoa que adquire bons hábitos de higiene e de alimentação durante os primeiros 15, 16, anos, vai mantê-los durante toda a vida, tendo condições para manter uma excelente dentição durante muitos anos.


publicado por servicodesaude às 14:00
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Saúde Oral - Prevenção "dentes de leite" e cheque-dentista

Esta solução do cheque-dentista veio, de algum modo, perturbar o Programa Nacional de Saúde Oral que estava em curso e que talvez enfatizasse mais a prevenção junto das escolas...

Drª Rosário Malheiro: Eu penso que há dois aspectos muito importantes neste programa, no que diz respeito à área infantil. Quando se torna um programa de maior proximidade e maior acesssibilidade, facilita-se a saúde.
Porém, na minha prespectiva sim, perturbámos a evolução no grupo etário dos quatro, cinco anos, que já encontrava neste programa algum tipo de protecção.
 
Mas neste programa do “cheque-dentista” também há algum tipo de apoio; existindo cerca de 20 mil cheques para tratar os chamados “dentes de leite” das crianças...
Drª Rosário Malheiro: É verdade, mas tenho a ideia de que já se tinha uma visão mais clara e definida sobre a necessidade de actuar na área profiláctica: quando pretendemos evitar uma doença, devemo-nos aproximar mais da origem do problema e, assim, da época do primeiro dente.
Há doença dentária e periodental a partir do momento em que existem dentes, ou seja, a partir dos 6 meses. Se considerarmos que os dentes erupcionam nessa altura, temos que considerar que a informação e as boas práticas de saúde oral devem ser implementadas cada vez mais perto desse momento zero, da existência dos dentes.
 
Já vimos noutros programas desta série do “Serviço de Saúde”, que as cáries estão a aparecer cada vez mais cedo, resultado das “festinhas” de aniversário no primeiro ano escolar e nos infantários em que, infelizmente, as crianças começam logo a comer gomas, bolos de chocolate...
Vimos isso num programa sobre a Obesidade, nomeadamente sobre Obesidade Infantil. Confirma isso...
Drª Rosário Malheiro: É verdade e isso é um problema global. De facto, em todos os países – dos mais ricos aos mais pobres – o compromisso da dentição de leite está a aumentar, o que reforça a necessidade de prevenção desta dentição neste Programa Nacional de Promoção da Saúde Oral. Gostava de a ver mais protegida, não só pela implementação ainda mais precoce de bons hábitos de vida, como também mais focada.
Hoje são internacionalmente reconhecidas como um grupo de risco, as crianças das idades mais baixas, devido à sua dentição de leite.
A minha sensibilidade relativamente a este programa – que festejo sobre muitos pontos de vista – relaciona-se com a minha inserção no mundo infantil. Gostaria de ver potenciada esta preocupação com as idades muito baixas, que considero ser um dos melhores investimentos em saúde pública.
 


publicado por servicodesaude às 10:00
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Saúde Oral - Prevenção de cáries: os bairros sociais

Drª Sandra Ribeiro

(Higienista oral, docente na Faculdade de Medicina Dentária da Universidade de Lisboa e vice-presidente da Associação Portuguesa de Higienistas Orais.

 
Conhece experiências que evitam uma eventual perigosidade decorrente da troca de escovas entre as crianças, nas escolas?
Drª Sandra Ribeiro: Sim, existem algumas boas práticas no que toca a manter fora de contacto umas escovas com as outras. Uma colega higienista trabalha no programa “Óbidos a Sorrir”, que é o resultado de uma parceria entre a câmara municipal, algumas empresas e as escolas, em que foi criado um sistema de aproveitamento das embalagens das garrafas de plástico que depois são colocadas num suporte, o que permite que cada criança tenha a sua escova e a sua pasta própria para escovar os dentes. E existem muitas outras experiências deste género.
Penso, no entanto, que a escovagem não foi desincentivada. Pelo contrário, ela é cada vez mais incentivada. Se por acaso se deixou de fazer em algumas escolas é porque houve má informação, ou informação que não se sabe de onde é que apareceu. Reconheço que ela apareceu, hà alguns anos, mas não tem qualquer fundamento. Desde que sejam mantidas as condições de higiene, a escovagem pode e deve manter-se nas escolas.
 
É um objectivo da Organização Mundial de Saúde que, em 2020, 80% das crianças não tenham cáries. Os números em Portugal oscilam entre os 33% e os 50%...
Dr. Rui Calado: O número de crianças portuguesas sem cárie é de 51% aos seis anos, de acordo com o último Estudo Nacional de Prevalência de Doenças Orais, feita em parceria entre a DGS e as faculdades de Medicina Dentária.
 
Relatou-me uma experiência interessante que fez no Bairro Padre Cruz, em Lisboa, em duas escolas públicas. Qual foi a realidade que encontrou?
Drª Sandra Ribeiro: Os rastreios que efectuámos são muito recentes, de Abril. E quero lembrar que o Bairro Padre Cruz é um bairro social, inserido numa realidade difícil, em que os valores de existência de cárie dentária são muito mais elevados: menos de 30% das crianças não têm cárie, o que é um número muito elevado comparativamente à média nacional.
Outras experiências que realizámos noutras escolas mostram médias igualmente muito superiores, com muitas crianças que já perderam os dentes molares, os dentes definitivos, aos 10 anos. E também se vêm muitas em que se tiverem 10 dentes de leite, 10 dentes estão careados. A gravidade de cárie na dentição de leite é realmente elevada.
 

 



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Saúde Oral - Boas práticas de higiene escolares

Drª Helena Amaral

(Higienista oral no Centro de Saúde de Sete Rios)
 
Também é esta a realidade que conhece; crianças com uma elevada percentagem de cáries dentárias?
Drª Helena Amaral: A nossa realidade é um pouco diferente, talvez porque o Programa de Promoção Oral está a funcionar há muito tempo.
Também temos algumas escolas inseridas em bairros sociais, mas noutras temos uma elevada percentagem de crianças sem cárie; que estão habituadas a lavar os dentes e que têm hábitos de higiene oral desde muito cedo.
Penso que isso também se deve ao facto do nosso centro de saúde ter um programa muito efectivo ao nível da saúde escolar, com muitos profissionais a trabalhar este tema há alguns anos. Refiro-me não apenas à saúde oral mas também ao tema da alimentação, em que tentamos passar a ideia de que só temos uma boa saúde oral se tivermos uma alimentação correcta.
Também falamos com as grávidas; nos cuidados a ter logo que a criança nasce e, depois, com o aparecimento do primeiro dente.
No jardim de infância tentamos incentivar à escovagem e que, nas tais “festinhas” de aniversário, em vez de se porem gomas e chocolates nos saquinhos, porque não oferecer uma escova ou uma pasta de dentes? Pode de facto ser qualquer coisa didáctica e em benefício da saúde oral, em vez de serem alimentos cariogénicos.
 
É claro que os vossos grandes aliados são os professores?
Drª Helena Amaral: Sim, porque estão diariamente com as crianças.
 
Os higienistas vão às escolas de quanto em quanto tempo?
Drª Helena Amaral: A nossa equipa, como abrange um grande parque escolar, tenta ir pelo menos uma vez por semana a cada escola. Ou sempre que a escola solicite o nosso apoio: ou para prestar informação ou para verificar alguma situação urgente que possa surgir.
 
Também reforça a ideia de que é extremamente importante escovar os dentes...
Drª Helena Amaral: Devido à azáfama do dia-a-dia, muitas crianças saiem de casa, de manhã, sem escovar os dentes, ou vão dormir sem escovar os dentes.
Por isso a escovagem na escola, a seguir à refeição, ao almoço, era de extrema importância. Assim teríamos a certeza de que seria feita. Por isso estamos a incentivar os professores para que ela faça parte do currículo diário da criança na escola.


publicado por servicodesaude às 06:00
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Saúde Oral - Telefonema médico dentista: integração no SNS e cheque-dentista

Telefonema Telespectador João Pimenta, médico dentista, 51 anos, de Barcelos

Fiz parte da secção de Medicina Dentária da Ordem dos Médicos, que por sua vez daria origem à Ordem dos Médicos Dentistas.
Sempre lutámos pela integração dos médicos dentistas no Serviço Nacional de Saúde, quer a nível hospitalar, como nos centros de saúde. A insensibilidade política que encontrámos foi sempre total e absoluta.
O cheque-dentista é, na minha opinião, uma medida enganosa; uma tentativa de camuflar uma falta de assistência pública notória e evidente. E gostava de ver os políticos com os famosos 75 ou 80 euros por ano a tratarem da sua saúde oral.
Na minha opinião, a solução passaria pela integração dos médicos dentistas no SNS.
 
Onde é que acha que deviam estar os médicos dentistas em maior número?
João Pimenta: Essencialmente nos centros de saúde, mas também deviam estar integrados a nível hospitalar.
A saúde oral foi sempre o parente pobre da saúde pública e vai continuar a ser.
 
Mas não acha que para as pessoas que não tinham nada e que já recorreram ao cheque-dentista, esta medida significa o princípio de alguma coisa?
João Pimenta: É um princípio, mas é um mau princípio. O Dr. Rui Calado sabe que é nos centros de saúde que os médicos dentistas deviam estar integrados.
 
Essa questão não é mais uma questão de classe, corporativa, da vossa legítima intenção de incorporarem o SNS, do que uma questão que tenha a ver com a saúde oral dos portugueses?
João Pimenta: Não. Gostava de saber quantas cáries se podem tratar, utilizando boas práticas clínicas, com 80 euros; que é o valor do cheque-dentista. Ou se 250 euros serão suficientes para fazer uma prótese...
 
Partilha esta opinião, de que os médicos dentistas deviam estar integrados no SNS?
Dr. Paulo Melo: É uma questão que, como foi dito, pela qual lutamos praticamente desde o aparecimento dos médicos dentistas. Durante muito tempo pugnámos por isso: como todos os médicos, também devíamos estar integrados no SNS.
Eu e o actual bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas, o Dr. Orlando Monteiro da Silva, tentámos perceber qual a sensibilidade política relativamente a esta questão. E estávamos a ver a deterioração da saúde oral da população.
A verdade é que durante todos estes anos (e já faço parte da direcção da Ordem dos Médicos Dentistas há 8 anos), não encontrámos nenhuma abertura política.
Mas também, a realidade nacional mudou muito. Neste momento, temos instalada por todo o país uma quantidade de meios significativa, disponíveis a toda a população. Seria completamente desadequado obrigar o SNS a gastar um grande volume de recursos, ou em equipamento ou em pessoal, quando tudo isso já está instalado e os profissionais já estão em campo.
Mas é um facto que o Plano Nacional de Saúde 2004-2010 continha no seu conteúdo uma indicação de que os médicos dentistas deveriam ser integrados nos hospitais.
 
Há inclusivé hospitais novos, a serem criados de raíz, sem serviço de Estomatologia. O que é algo dificil de perceber...
Dr. Paulo Melo: É dificil perceber. As pessoas estão internadas, têm problemas de saúde oral e veêm, eventualmente, as suas intervenções retardadas, mesmo tendo uma infecção facilmente tratável. Ou seja, poupava-se em internamentos...
De facto há, na nossa opinião, uma necessidade de integração hospitalar e de criação de uma carreira hospitalar para os médicos dentistas..
 
Mas qual é a sua opinião sobre o cheque-dentista?
Dr. Paulo Melo: Entendemos que existem deficiências e a questão dos pagamentos preocupa-nos, mas também entendemos que é um programa que se está a iniciar e que poderá ter alguns problemas. A meta de pagamento ao fim de 30 dias é uma meta audaz e que pode ser concretizada a breve trecho.
Em termos de estratégia de Saúde Oral, entendemos que o cheque-dentista é um passo inicial, não é de forma alguma a resposta às necessidades da população.
É óbvio que os passos seguintes têm que ser o acompanhamento das crianças pelo médico-dentista, anualmente, até aos 16, 17, 18 anos, e só isso é que faz sentido.
Andamos a dizer isto desde 2000; desde que fazemos parte destes grupos de trabalho da DGS, mas também o alargamento aos idosos e a outros grupos, até agora excluídos.
É o caso dos diabéticos, que têm necessidades preementes ao nível da sua saúde.
 


publicado por servicodesaude às 05:00
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Saúde Oral - Exclusão de grupos do cheque-dentista e doenças orais

O Dr. Francisco Salvado tem sorte de ter uma equipa alargada de 10, 12 pessoas no Hospital de Stª Maria, na medida em que não é uma situação comum a outros hospitais.

A Drª Rosário, por exemplo, tem apenas três estomatologistas a trabalhar consigo, naquele que é um dos hospitais de referência, em Lisboa e não só.

O que pensa desta política do cheque-dentista?
Dr. Francisco Salvado: Não podemos perder mais tempo a falar do cheque-dentista. Estamos a monopolizar um programa que, na realidade, só abrange um milhão de pessoas.
Quanto a mim, estes programas têm que ser integrados na saúde geral, holística. Ou seja, não se pode prever um programa de saúde oral, sem prever a integração dos clínicos gerais; dos médicos de medicina geral, famíliar.
O Hospital de Stª Maria trabalha com alguns centros de saúde e quando se diz que o médico de família está incluido no programa do cheque-dentista, não é isso que tenho visto. Só está integrado porque é ele que entrega o cheque.
 
Mas é o médico de família que referencia o doente. Isso é importante...
Dr. Francisco Salvado: Não quero dizer que o cheque-dentista é uma má política, acho que é um bom princípio. O meu receio é que se gastem demasiados recursos com o alargamento do cheque-dentista e que se abandonem os outros campos: a saúde escolar e, nomeadamente, o desenvolvimento da saúde oral nos centros de saúde, através do clínico geral o que, na minha opinião, é obrigatório. A saúde oral pertence à saúde geral, não é algo à parte, feito pelos dentistas.
E, finalmente, é necessário estabelecer uma escala de referências. Na verdade, onde é que são tratados os deficientes que não podem ser tratados pelo cheque-dentista? Onde é que são tratados os idosos que não se podem deslocar? A não ser que haja um cheque-dentista para o transporte...
 
O que também se aplica às grávidas que não se podem deslocar...
Dr. Francisco Salvado: Há pouco falou-se dos diabéticos. Mas existem muitas outras doenças e situaçõoes preementes. Onde é que são tratados os doentes oncológicos que fazem citoestática? E os que fazem radioterapia? Então e os doentes que têm tumor da cavidade oral? Esses doentes não estão incluídos na Saúde Oral?
 
E as doenças da cavidade oral estão a aumentar?
Dr. Francisco Salvado: Estão, todos os anos aumentam. É o caso do cancro oral que, ainda por cima, tem uma característica perigosa: todos os anos aumenta a mortalidade associada, numa doença que, aparentemente, até é uma doença relativamente fácil de prevenir.
 
Quais são os maiores factores de risco?
Dr. Francisco Salvado: O tabaco e o álcool que, se andarem juntos, então fazem uma mistura explosiva.
Mas, o que nos interessa perceber é qual é a capacidade instalada. Não concordo exactamente com o Prof. Paulo Melo, porque não é por termos muitos consultórios que os vamos integrar nos centros de saúde. Isso seria óptimo para os hospitais privados... Também não é a política correcta.
Como disse, tenho a experiência do Hospital de Stª Maria e a sorte de ali se apostar na Estomatologia. Atingimos cerca de 25 mil consultas por ano – o que é muito, até para a capacidade instalada e profissionais existentes – mas a experiência que temos é que a grande dificuldade não são apenas os mais carenciados economicamente, são também outro tipo de pessoas. São todos aqueles que não podem ser tratados no consultório dentário. E esses são cada vez mais.
É aqui que passamos para o idoso. Na realidade, o idoso é hoje um idoso diferente... Hoje as pessoas têm uma velhice mais duradoura e precisam por isso de cuidados especiais.


publicado por servicodesaude às 04:00
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Saúde Oral - Custos elevados, próteses e falta de dentes

Volto à mesma questão com que abri o programa, chamando à Saúde Oral de "parente pobre" da Saúde Pública. Por exemplo: os portugueses hoje se têm uma doença cardíaca grave, fazem uma intervenção no coração – que é extremamente onerosa -, se têm uma doença do foro hematológico, da mesma maneira, e com toda a justiça.

Mas não têm ninguém que lhes pague uma prótese que vá além dos 250 euros...
Dr. Francisco Salvado: Por uma razão muito simples: é que a doença oral não é considerada doença. “O mais que pode acontecer é ficarmos sem dentes e como os dentes não fazem falta nenhuma...”
 
Como médico, pode explicar, de forma breve, toda a falta que os dentes fazem...?
Dr. Francisco Salvado: Os dentes fazem parte da homeostase geral. Se não mastigar bem vou ter um certo tipo de patologias, se tiver infecções orais, irei ter outro tipo de consequências. Hoje está provado, por exemplo, que a patologia dentária gera partos prematuros. E sabemos das suas consequências, para além do factor económico.
Sabemos que a incidência de doença cardíaca é aumentada quando temos patologia periodental; patologia nas gengivas.
Se sabemos que todas estas patologias pertencem à saúde em geral, porque é que as separamos? Porque é que não integramos a saúde oral na saúde geral?
 
Não quero falar de classes. O sistema deve ser vertical e integrar o profissional de medicina oral e o de medicina geral e familiar, que continuará a ser o pivot de todo o processo. A medicina é humana, não se pode basear apenas em números.
 
A propósito de números, relativamente aos que ficam de fora da assistência na saúde oral... De fora ficam os mais de 400 mil portugueses que não têm médico de família já que, se não têm médico assistente, não podem ser referenciados para os médicos dentistas...
Dr. Francisco Salvado: É ainda um outro problema, mas também penso que se irá resolver.
Quando falou há pouco das despesas; fala-se muito que os estomatologistas, os higienistas e a medicina dentária, em geral, envolve tratamentos muito caros.
Mas tudo isso tem a ver com algo muito importante, que é a percepção do custo.
 
Quando os portugueses vão aos hospitais e pedem para fazer TAC´s, ressonâncias magnéticas, não sabem quanto é que custam...
Dr. Francisco Salvado: Porque só pagam um bocadinho, o resto é pago pelo Estado. Nos dentistas, como pagam a totalidade dos tratamentos, é que têm a percepção geral do custo.
O Estado que somos todos nós, e que nos esquecemos, às vezes...
 


publicado por servicodesaude às 03:00
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Saúde Oral - Caso de grávida: cheque-dentista

Muitos problemas orais podem dar origem a partos prematuros. A Estela Araújo tem 32 anos e está grávida, pela primeira vez, de sete meses. E teve a necessidade de recorrer ao cheque-dentista. Conseguiu tratar os problemas que tinha?

Estela Araújo: Sim, consegui tratar as cáries.
 
Mas a Estela tem outros problemas que não podem ser tratados pelo cheque-dentista. Quais?
Estela Araújo: Sim, tenho outro problemas; precisava de fazer implantes.
 
O que é que a Estela precisava fazer que o cheque-dentista não permite?
Drª Filipa Palma:  A Estela tem falta de quatro dentes e precisava de fazer implantes dentários; algo mais definitivo do que a placa que neste momento tem.
 
Para lhe permitir uma boa mastigação ou apenas por uma questão estética?
Drª Filipa Palma: A placa funciona para a mastigação e, ao nível da estética, é razoável. Mas o ideal é sempre o que queremos alcançar e, neste momento, seriam os implantes.
Convém realçar que as próteses ou outros tratamentos restauradores, como as coroas, também não estão contemplados; não são comparticipados dentro do cheque-dentista, quer para os idosos, quer para as grávidas. E são tratamentos básicos e prioritários nesta altura, por exemplo, da gravidez.
 


publicado por servicodesaude às 02:00
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Saúde Oral - Ficha Técnica

Autoria, Coordenação e Apresentação

Maria Elisa Domingues
 
Convidados
Rosário Malheiro
Paulo Melo
Francisco Salvado
Rui Calado
 
Pesquisa
Alexandra Figueiredo
Miguel Braga
Teresa Mota
 
Reportagem
Buenos Aires Filmes
 
Produção
Miguel Braga
 
Jornalistas
Miguel Braga
Teresa Mota
Raquel Amaral
 
Edição de Conteúdos
na Web (portal Sapo)
Natacha Gonzaga Borges
 
Imagem
Gonçalo Roquette
Daniel Ruela
Arquivo RTP
 
Edição e pós-produção vídeo
Sara Nolasco
 
Pós-produção aúdio
Miguel Van Der Kellen
 
Atendimento telefónico
Nuno Gaibino
Manuel Rocha
 
Câmaras
Carlos Duarte
Jorge Guerreiro
Elias Barbosa
 
Mistura e Imagem
Ana Claúdia Gageiro
 
Controlo de Imagem
Alfredo Marques
 
Som
João Carrasco
Joana Perucho
Tiago Romão
 
Iluminação
Armindo Caneira
 
Electricista
João Martins
 
Técnicos de Electrónica
José Borges
Rui Loureiro
 
Assistentes de Operações
Carlos Vieira
Daniel Comédias
Luís Rodrigues
 
Caracterização
Fátima Tristão da Silva
Ana Filipa
 
Assistente de guarda roupa
Paula Sousa
 
Registo Magnético
João Barradas
 
Gerador de Caracteres
Manuel Barreiros
 
Teleponto
Filipe Oliveira
 
Genérico e Grafismo
Nicolau Tudela
Teresa Martins
 
Música Genérico
Ari de Carvalho
 
Assistente de Realização
Pedro Valadas Preto
 
Anotadora
Dinah Costa
 
Chefe Técnico de Produção
Gaspar Fiúza
 
Criação Cenográfica
Gil Ferreira
 
Execução Cenográfica
Isabel Rodrigues
 
Produção
Filipa Azevedo
 
Realização
Jorge Rodrigues 
 
Agradecimentos
Associação Portuguesa de Higienistas Orais
Centro Médico de Estomatologia e Ortodontia


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Saúde Oral - Questões colocadas telespectadores

Alexandra Matos diz que tem uma filha de três anos que tem umas “pintinhas”pretas nos dentes da frente, que se estão já a alastrar aos dentes de trás. Tem sido acompanhada pelo pediatra que lhe disse para não se preocupar porque deveria ser acidez da boca e que não precisava de ir ao dentista. Tem dúvidas e gostava de ver esclarecida esta questão.

Dra. Rosário Malheiro (estomatologista, fundadora da Unidade de Estomatologia Pediátrica, do Hospital Dona Estefânia): As “pintinhas pretas” podem ser muita coisa. É relevante observar para se ter a noção do que é que se passa. Mas é muito frequente em crianças, assim pequenas, às vezes até terem umas linhas junto das gengivas.
Esses pequenos pontos correspondem muitas vezes a placa bacteriana que tem características especiais. E é capaz de ir buscar ferro da saliva e formar sais desse ferro, que não se dissolvem e dão essa coloração aos dentes.


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Saúde Oral - Links
Função dos dentes
Higiene oral e Saúde Oral
Escova de dentes e Flúor
Dentição de Leite: os primeiros dentes
 
Cárie dentária 
Patologia periodental
Cancro oral
Tratamentos restauradores
Implantes dentários
 
Programa Nacional de Saúde Oral
Alargamento do Programa Nacional de Saúde Oral
Programa Cheque-dentista
Estudo Nacional de Prevalência de Doenças Orais
Associação Portuguesa de Higienistas Orais
Ordem dos Médicos Dentistas
Sociedade Portuguesa de Pediatria  
Hospital de Stª Maria: Serviço de Estomatologia
SISO (Sistema de Informação para a Saúde Oral)
 
Plano Nacional de Saúde 2004-2010
Inquérito Nacional de Saúde 2005-2006
 
 


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