Terça-feira, 30 de Junho de 2009
VIH/SIDA - Introdução (por Maria Elisa Domingues)

O programa Serviço de Saúde, da RTP 1, do dia 30 de Junho de 2009, debruçou-se sobre o tema HIV/SIDA.

Tal como na actualidade política, cada nova guerra nos faz esquecer outras bem mais mortíferas e prolongadas, também na saúde tiram-se da agenda mediática patologias da maior gravidade, em parte porque ás vezes parece nada mais haver a dizer sobre elas.
A não ser quando alguma nova polémica, como aconteceu na semana passada com as equipas móveis do programa “Cuida-te”, as traz, momentaneamente, para a ribalta.
A Sida é, como já perceberam, o nosso tema central de hoje.
Para Portugal, os números são bastante razoáveis. Estamos em quinto lugar entre os países mais afectados da União Europeia, com a Grã-Bretanha, a Bélgica, o Luxemburgo e a Irlanda, com índices mais elevados.
Há no entanto aspectos preocupantes na nossa realidade, como a maior percentagem de infectados serem heterossexuais e os casos entre os homossexuais estarem a aumentar.
 
A existência de novos medicamentos de maior eficácia, diminuiu o número de mortos pelo vírus VIH mas, por outro lado, terá provocado uma sensação de falsa segurança em muitas pessoas que deixaram por isso de se proteger. E apesar de todos os esforços de prevenção, o estigma e o preconceito associados à doença levam muitas pessoas a viver em processo de negação, procurando, tardiamente, os cuidados médicos.
 
A nossa equipa de reportagem esteve no Hospital Garcia da Horta, em Almada e no Porto, no Hospital de São João, onde também acompanhou uma equipa de rua: a “Arrimo”.
 

 


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VIH/SIDA - Reportagem

"Não se vive com a Sida, quando muito pode-se sobreviver com a Sida…"

"É uma vida muito mais limitada do que a de qualquer outra pessoa…"
"Diariamente somos descriminados nos centros de saúde, nos hospitais, dentistas; em tudo e mais alguma coisa…"
"As pessoas ainda pensam que o estar a falar com elas, um cumprimento… que isto ainda se pega assim…"
"É uma injustiça. Perguntamo-nos tantas vezes: porquê?"
 
Em Portugal, a 31 de Dezembro de 2008, havia cerca de 35 mil casos notificados de VIH/SIDA. Cada um destes casos revela uma história diferente mas cada um deles tem um ponto em comum: pelo menos um comportamento de risco, em algum momento da vida.
 
Joana tinha apenas 12 anos quando iniciou o sinuoso caminho rumo ao álcool e à droga: “Comecei a usar drogas aos 12, a beber copos, a fumar charros e, aos 16, drogas injectáveis. Tudo o que ganhava, gastava rapidamente em cocaína e heroína. Os trabalhos acumulavam-se para suportar o vício.
 
Chegou a trabalhar numa secretaria duma prestigiada universidade de Lisboa e aos 23 anos voltou à escola para fazer um curso técnico-profissional de cabeleireira. Nos exames médicos que foi obrigada a fazer, recebeu uma notícia inesperada. Estava grávida de 5 meses: “Resolvi fazer uma paragem na minha vida e uma paragem com as drogas, para o meu filho não nascer ressacado”.
 
Ingressou no centro de desintoxicação, mas ao fim de três semanas, o vício foi mais forte: “Estive um mês e meio em Coimbra, a pedir. Na altura davam muito dinheiro. Com uma grande barriga, a pedir de porta à porta, a dizer que não tinha dinheiro e que morava na Cova da Piedade. Aquilo rendia 30 a 40 contos por dia e era o que eu queria. Estive lá um mês e meio assim”.
 
Com 23 anos, grávida de oito meses e dependente de drogas, descobriu que era seropositiva. Foi nesta altura que o médico de família a encaminhou para o Hospital Garcia de Horta.
“Caí no hospital de pára-quedas, aos oito meses e meio de gravidez, sem nunca ter feito um exame sequer, uma só ecografia, uma análise… Eu tinha vindo de Viseu sem o meu processo - e que era muito pouco - mas aqui no hospital foram impecáveis. Praticamente andaram comigo ao colo”.
Foi neste hospital que foi acompanhada até ao final da gravidez e também o filho de Joana, hoje com 13 anos, é uma criança saudável.
 
Actualmente, se forem seguidos alguns cuidados básicos, como não amamentar e cumprir a medicação, a percentagem de bebés infectados pelas mães não ultrapassa os 3%.
Neste hospital, nos últimos três anos, 57 mulheres seropositivas deram à luz e nenhum destes bebés foi infectado.
 
Isabel Soares (Hospital Garcia de Horta): “O filho de uma seropositiva, a partir do momento em que tivermos confirmado que não houve transmissão, é uma criança igual a todas as outras que nascem”. A confirmação chega por volta dos 18 meses.
“Só entre os 12 e os 18 meses é que temos a certeza que ela perde os anticorpos da mãe e se surgissem anticorpos positivos eram dela e, portanto, estaria infectada”.
 
O HIV é implacável e basta apenas uma oportunidade para tomar conta das nossas vidas. É o caso de Daniel. Bastou-lhe uma vez. Sabe exactamente o dia em que foi infectado: “Foi nessa tarde de domingo, no final do Euro 2004, e a única vez que tive uma relação sem protecção. Foi a única vez. Nunca pensei que fosse fatal”.
 
Mas foi fatal. E a 12 de Fevereiro de 2007, o teste confirmou o pior: “Mudou a minha forma de pensar, mudou a minha forma de lidar com as outras pessoas. Confesso que me tornei numa pessoa mais fria; confesso que me tornei numa pessoa mais revoltada”.
No início era seguido de três em três meses, agora, cada quatro semanas vai ao hospital para fazer análises. A doença evoluiu e as defesas de Daniel atingiram níveis muito baixos.
 
Os médicos prescreveram-lhe medicação, mas Daniel resiste: “Provoca-me efeitos que me impossibilitam ter uma vida normal. A medicação, a doença, ter que lidar com ela todos os dias, é uma tortura lenta. É algo que não estava habituado a fazer nestes últimos dois anos”.
Apesar dos efeitos secundários, a medicação que Daniel tem hoje à sua disposição é responsável pelo aumento do tempo de vida de pessoas infectadas pelo VIH.
 
Luís faz parte deste primeiro grupo de doentes a receber esta combinação de anti-retrovirais. Os sintomas começaram com 33 anos mas o diagnóstico só chegou cinco anos depois.
Luís Mendão (51 anos): “O último ano antes de ser diagnosticado foi tão deprimente que fiquei quase aliviado por haver uma razão biológica para o que se passava comigo. E portanto disse para comigo: não estou doido, não enlouqueci”.
 
Quando lhe diagnosticaram a infecção pelo VIH, Luís fez as contas. E pensou que lhe restavam apenas de seis meses a um ano de vida. Organizou tudo nesse sentido mas, mais uma vez, a vida surpreendeu-o: “Bom, agora não sei mesmo o que é que hei-de fazer. Já tenho vergonha de atender o telefone porque ainda cá estou, já me despedi de toda a gente, reformei-me, vendi a casa, as coisas estão prontas e agora o que vou fazer?
E depois a vida começou a ser uma vida em aberto, como a de toda a gente.”
 
As fases agudas da doença deixam muitas vezes marcas profundas. Manuel ficou com o rosto desfigurado, devido ao consumo de drogas e ao muito tempo de doença, sem qualquer acompanhamento. Todos os dias sentia o peso da descriminação no olhar das pessoas:
Manuel (48 anos): “O pior era sentar-me, às vezes só existir aquele lugar desocupado, e as pessoas preferirem ir em pé, do que sentarem-se ao meu lado”.
 
Foi no Hospital de São João, no Porto, que apagou do rosto as marcas de abandono às drogas e à doença. A cirurgia plástica foi o melhor método para a reintegração social.
 
Álvaro Silva (cirurgião plástico): “Querem melhorar a sua aparência, a sua auto-estima e é uma maneira de passarem mais despercebidos na sociedade. Mas também de se sentirem mais integrados e não lhes fazerem tantas perguntas, como acontece noutro tipo de patologias e com outros doentes”.
“Fiquei muito contente. Foi a melhor notícia que me podiam ter dado, melhor do que se tivesse recebido a notícia que tinha recebido o Euromilhões”.
 
Mas a sorte não bate à porta de todos e a equipa de rua da Cooperativa “Arrumo” sabe bem disso. Todos os dias percorrem as ruas do Porto e têm contacto com situações de extrema precariedade. Quando há um caso de VIH diagnosticado, o trabalho centra-se na aproximação dos doentes aos cuidados de saúde.
 
Vanessa Branco (psicóloga): “Nos casos de HIV, tentamos trabalhar muito as consultas, a reaproximação ao médico, aos serviços de saúde e a uma rotina de vida diária, necessária para manter uma condição de vida saudável para uma pessoa infectada com HIV. Para isso trabalhamos muito com metadona, temos um programa de baixar o limiar, que pretende exactamente melhorar as condições de vida destes utentes aos serviços de rede.
 
O número de infectados continua a aumentar todos os anos. E ainda não há uma cura. A única arma eficaz contra a doença continua a ser a prevenção.

E assim, fica o conselho: “Use preservativo…”


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VIH/SIDA - Convidados do programa

Drª Ana Jorge - Ministra da Saúde, pediatra; dirigiu o Serviço de Pediatria do Hospital Garcia da Horta, em Almada e, antes, tinha sido presidente da Administração Regional de Lisboa e Vale do Tejo.

Prof. Dr. Henrique de Barros - Coordenador Nacional para a Infecção VIH/Sida, além de doutorado em Medicina e professor de Epidemiologia na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.

Dr. Kamal Mansinho – Chefe do Serviço de Doenças Infecto-contagiosas, do Hospital Egas Moniz (Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental).

E três associações, das mais representativas dos doentes com VIH: a Abraço, a Positivo e o GAT (Grupo Português de Activistas sobre Tratamentos de VIH/SIDA).

 

Outros convidados:

Dr. Álvaro de Carvalho - Coordenador Nacional de Saúde Mental, convidado residente em todos os programas.
Drª Rosário Malheiro - Estomatologista, responde às questões sobre Saúde Oral (programa anterior).

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VIH/SIDA - Prevenção Primária: escolas, discotecas e festivais de música

Sr.ª Ministra, Dr.ª Ana Jorge, quando nos lembramos apenas dos 35 mil doentes com Sida no nosso país – e mesmo assim já é um número muito elevado – esquecemo-nos que a Organização Mundial de Saúde estima que, em 2010, haverá 40 milhões de crianças em todo o mundo, órfãos de pai, mãe ou ambos.

E também que cerca de um terço das pessoas infectadas no mundo têm entre 15 e 24 anos, o que torna desde logo fundamental a prevenção, nomeadamente nas escolas e em todo os locais onde seja possível chegar aos jovens, para lhes lembrar, não só que a Sida existe, mas também que continua a aumentar.

O que difere um pouco são os grupos de risco; pelo que penso que a sua maior preocupação seja, realmente, a prevenção?
Dr.ª Ana Jorge (Ministra da Saúde): É muito importante aumentar a sensibilização para o facto da Prevenção Primária ser de facto o mais eficaz. Há neste momento possibilidades de tratar e de, através de todos os cuidados, tornar a doença numa doença crónica mas, como vimos na reportagem, é difícil viver com a SIDA e o VIH.
E seria fundamental que todos tivéssemos as atitudes e os comportamentos que levassem à prevenção. E essa sensibilização tem que começar muito cedo. É importante falar com as crianças cedo, claro, de acordo com as suas idades, sensibilidades e etapas de desenvolvimento. Mas falar abertamente.
Penso que um dos problemas que Portugal teve durante demasiado tempo foi o de não se falar abertamente em SIDA. Havia algum tabu e isso levou a esconder o problema.
No Ministério da Saúde temos um protocolo com o Ministério da Educação, de desenvolvimento de programas em comum, nas escolas, com os professores, para que possamos todos juntos aumentar a consciência para a importância deste problema: a prevenção primária. 
A propósito desse protocolo, e do Programa “Cuida-te!” ligado ao Instituto Português da Juventude, na semana passada houve uma polémica que a meu entender terá sido mais um mal-entendido, porque o que saiu para a opinião pública é que haveria a ideia de se fazer testes de Sida, a todos os jovens, desde os 12 anos.
Ora eu penso que a ideia base desse programa é esclarecer: ter cinco unidades móveis nas escolas, junto das discotecas e dos grandes festivais de música; nos locais onde os jovens se concentram para os poder informar acerca dos perigos…
Dr.ª Ana Jorge (Ministra da Saúde): Estamos a falar de dois programas completamente diferentes. Há este, de prevenção nas escolas, de prevenção primária, que acabei de falar, que resulta do protocolo com o Ministério da Educação, e que é feito dentro das escolas, com os professores. E este outro, de que falou, o “Cuida-te!”; um programa que foi desenvolvido com o Instituto da Juventude.
O que é essencial é que possamos ter informação e, obviamente, a presença de unidades móveis junto dos locais onde estão mais jovens. É um sinal de alerta e também um meio de facilitação para lhes chegar informação. É preciso passar a mensagem de que nesses festivais é obrigatório o uso do preservativo e haver disponibilidade disso.
Não se trata de um programa de fazer rastreios ou um diagnóstico precoce, embora tenha havido o desejo de que o possamos providenciar. Mas por iniciativa das pessoas, nos centros de diagnóstico, sempre com confidencialidade.
Houve de facto um mal-entendido. E estes dois programas são de facto fundamentais para podermos ter menos doentes infectados e uma maior sensibilização, pelo que este ruído à volta desta questão não vem ajudar em nada.

 


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publicado por servicodesaude às 17:00
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VIH/SIDA - Grupos de Risco e Efeitos da Medicação

A existência desta nova geração de medicamentos extremamente eficazes – os anti-retrovíricos, que prolongam a vida das pessoas e que não deixaram, em muitos casos, que esta se tornasse uma doença mortal, para se tornar uma doença crónica – poderá ter despoletado em muitas pessoas a ideia: “a SIDA já não é perigosa, posso correr o risco, porque a seguir tenho os medicamentos para me tratar… “

Isso pode ter acontecido?
Prof. Henrique de Barros (Coordenador Nacional para a Infecção VIH/Sida): Isso pode ter acontecido. Mas apenas para lembrar os números portugueses, é que a infecção não é igual em todos os lugares.
A forma como se transmite às pessoas mais vulneráveis, a forma como são afectadas, e a resposta, é muito diferente, conforme os países e as regiões.
 
E o primeiro papel de um coordenador para a infecção VIH/SIDA é conhecer as características da população infectada, em cada país, para encontrar as respostas mais adequadas?
Prof. Henrique de Barros: Exactamente. A própria Organização Mundial de Saúde tem dito “Conheça a sua epidemia, saiba qual é a realidade do seu país, onde é que a infecção mais se transmite, como é que podemos estancá-la, quais é que são as barreiras no acesso aos cuidados”.
É necessário haver uma Educação para a Saúde, uma Educação para a Cidadania, para se poder resolver muitos problemas no futuro. Mas não se resolve o problema actual. E o problema da epidemia actual é que está a acontecer em populações com vulnerabilidades especiais.
Temos que ir ao seu encontro e fazer delas nossos parceiros na prevenção. Por exemplo, as pessoas que usam drogas perceberem que não podem partilhar material relacionado com as injecções; as pessoas que praticam sexo de forma comercial perceberem que têm que usar o preservativo. Isto tem que ser do conhecimento de todos.
Mas a questão dos medicamentos é muito importante. Entram como uma resposta para quem está infectado e doente. Mas também são uma importante arma de prevenção porque se as pessoas que contraíram o vírus estiverem bem tratadas isso também diminui as probabilidades de contagiarem outros.
Agora, estar doente implica algumas complicações e não apenas ter que tomar a medicação. Surgem sempre efeitos secundários indesejáveis.

É importante que as pessoas percebam que se infectarem não é o fim do mundo, mas que essa não é a boa opção.


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publicado por servicodesaude às 15:28
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VIH/SIDA - Combater o estigma: dar a cara e recorrer aos tribunais

Saber que se tem VIH não é o fim do mundo mas é, com certeza, um processo difícil, traumático e, como ouvimos dizer na peça, muito estigmatizante. Vimos muitas pessoas infectadas a não quererem dar a cara e a aparecerem em silhueta, numa sociedade que infelizmente ainda descrimina e que ás vezes ainda pensa que a infecção se pega por um aperto de mão, um beijo na face, e por outras vias completamente inócuas…

Prof. Henrique de Barros: Há pessoas que ainda pensam assim, é verdade. Mas era fundamental que do ponto de vista da prevenção fossemos capazes de falar abertamente sobre isto.
E os países onde as coisas avançaram mais foram aqueles em que as figuras públicas - líderes de opinião, em determinados sectores da sociedade – deram o rosto e disseram: “estou infectado”, e funcionaram como motor para a própria prevenção. É o caso de muitos desportistas, actores, etc.
 
O que nunca aconteceu em Portugal, pois não?
Não, mas estão-se a dar alguns passos. O próprio compromisso das empresas portuguesas de assumirem o princípio da não descriminação é importante, mas todos nós, como sociedade, devíamos assumir este compromisso perante todas as pessoas infectadas.
 
As próprias empresas, quando contactadas pela Coordenação Nacional para a Infecção VIH/SIDA, assinam protocolos de não descriminação. O que não quer dizer que se as empresas souberem, na sua contratação diária, que a pessoa é seropositiva, não façam descriminação. Isso, não podemos garantir, de maneira nenhuma?
Não podemos garantir. Mas não nos cansamos de dizer que é fundamental que esses casos sejam publicitados, conhecidos, até porque as leis portuguesas são suficientemente boas na protecção das pessoas. Algumas das quais até são exemplares.
Outra coisa é o medo e a incapacidade de dar a cara.
 
O problema em Portugal normalmente não são as leis, são os tribunais… que não resolvem atempadamente os problemas das pessoas.
Precisamos fazer mais, para que as pessoas se sintam seguras a exigir os seus direitos.

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publicado por servicodesaude às 14:21
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VIH/SIDA - Associações de doentes: Abraço, Positivo e GAT

As principais associações de doentes com VIH/SIDA estão aqui presentes: a Abraço, a Positivo e o GAT (Grupo Português de Activistas sobre Tratamentos de VIH/SIDA)

O Luís Mendão é formado em Bioquímica, é presidente do GAT, pertence à Comissão Directiva do VIH, em Portugal e é, ainda, o vice-presidente do European Aids Treatment Group.
Ouvimo-lo  dizer na reportagem que as pessoas continuam a ser estigmatizadas e descriminadas…
Luís Mendão: Uma das coisas que na área do VIH se tem vindo a pôr em prática é a necessidade de integrar na discussão e, em pé de igualdade, os representantes das associações de doentes ou que prestam cuidados na área do VIH/SIDA.
 
Mas tanto quanto sei, o GAT participa nas discussões da Coordenação Nacional para a Infecção do VIH/SIDA?
Sim, temos um Fórum Nacional da Sociedade Civil, que é um organismo composto pelas várias organizações que têm como objecto social o vírus VIH/SIDA e que têm um papel sobretudo de monitorização do programa.
Acho que foram dados passos qualitativos mas quanto a mim estamos longe de chegar à situação ideal.
 
Qual é que seria, para si, a situação ideal?
Que os vários parceiros intervenientes nesta área sejam reconhecidos como parceiros e tenham mecanismos institucionais permanentes de acordo, de condições de trabalho.
Num estado democrático os governos decidem mas também manda a boa governança que haja verificação dos compromissos e processos de monitorização.
Da Suíça à França, da Alemanha à Inglaterra, os modelos de resposta à SIDA têm integrado mais os diferentes parceiros.
 
O Prof. Henrique de Barros é o Coordenador Nacional para a Infecção VIH/SIDA. De certa forma, o que disse Luís Mendão é uma crítica: o que é que se poderia fazer mais para integrar as associações de doentes nas plataformas de decisão?
Dr. Henrique de Barros: Eu penso que se têm dado passos. E que ainda existirão alguns aspectos por resolver. Penso que tem a ver sobretudo com a existência duma estrutura muito formalizada de monitorização do programa, na qual os representantes das Organizações Não Governamentais (ONG´s) – de doentes, ou não – têm um papel activo real.
Por outro lado, demorámos a fazer esta integração – é inequívoco – e penso que neste momento ainda não transferimos para as ONG´s, a quantidade de responsabilidades que elas devem e podem assegurar. E que asseguram melhor…
 
Porque estão no terreno e muitas vezes conhecem melhor a realidade…
Mas quem é que está mais atrasado? É o Estado ou são os empregadores?
Luís Mendão: Ainda voltando à questão da descriminação. Eu pertenço ao grupo de pessoas que a partir de certa altura decidiu aparecer publicamente como uma pessoa que vive com o VIH e, no meu caso, também com SIDA, para além de estar infectado com o vírus da Hepatite C.
De facto tem que se entender porque é que figuras públicas ou mesmo individualmente, não sendo figuras públicas, as pessoas não assumem essa diferença. Tenho aqui ao meu lado o Amílcar que, quando assumiu publicamente que era seropositivo, foi despedido.
Conheço várias pessoas que trabalhavam, gente qualificada que, quando os empregadores souberam que eram seropositivos, alegaram a falta de confiança, que nunca os teriam empregado, com o motivo de que não haviam sido leais. Este problema é real e de um enorme peso.
É preciso ter uma grande coragem, não ter medo de nada ou se ser inconsciente para se assumir que se é seropositivo. Também porque, a partir daí, a família, os amigos, todo um círculo de pessoas, fica afectado. E as pessoas passam-nos a ver primeiro com a doença, do que como uma pessoa, que vive com aquela doença. Há muito a fazer nesta área.
 
Embora isso não aconteça apenas no caso do doente com Sida… Há muitas outras pessoas, com muitas outras patologias, em relação ás quais nos esquecemos que são pessoas, e passam muitas vezes a ser apenas pessoas com cancro, cegos, velhos...
Mesmo a idade pode ser uma enorme segregação…
Luís Mendão: Há uns dias fomos ao Grupo Permanente para o VIH/SIDA, à Assembleia da República, que finalmente foi constituído… (ao fim de 20 anos de trabalho!…) e que conta com representantes de todos os partidos políticos. Está interessante, activo, com vontade de trabalhar.

Fomos entregar uma declaração onde fazíamos algumas recomendações, quer ao Governo, quer à Assembleia da República, como também às forças políticas que vão concorrer às eleições. Um dos nossos pedidos é que quando houver um processo de revisão constitucional, a não discriminação baseada no estado de saúde seja incluída. E não o facto de se ter VIH/SIDA. Sabemos que este objectivo abarcará muitas outras situações.


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publicado por servicodesaude às 13:36
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VIH/SIDA - Reforma sendo seropositivo

Telefonema de Pedro Caetano, 47 anos, economista, de Lisboa:

Fui reformado porque tinha uma lesão na coluna e não por ser seropositivo.
O que eu gostaria de saber é quais é que são os parâmetros de avaliação para um caso destes. Reformaram-me com uma reforma menor do que teria, não tendo sido levado em consideração pela junta médica o facto de ser seropositivo. Gostaria de saber porquê, com base na lei, nomeadamente o Dec. Lei 336/93.
 
O Pedro tinha ou não condições para exercer a sua profissão?
Não, não tinha. Fui reformado depois da questão da coluna, mas já sabiam que era seropositivo. E a minha reforma seria outra. A Srª Ministra sabe perfeitamente disto.
 
A Sr.ª ministra não deve estar a par das tabelas salariais relativas às reformas… Talvez o Dr. Henrique de Barros possa responder.
Dr. Henrique de Barros: Há vários anos, desde o princípio da infecção, quando o prognóstico era pior e diferente do que é actualmente, era mais fácil obter a reforma, por causa da infecção.
Os valores não são extraordinários, mas também as coisas estão a mudar e hoje em dia as pessoas vivem com a infecção, podendo exercer a sua profissão, o seu trabalho.
Se a detecção da infecção for feita o mais cedo possível, durante um largo período a pessoa até nem tem que fazer tratamento nenhum, tem apenas que fazer vigilância como qualquer outra pessoa.
 
Drª Paula Policarpo (jurista e vice-presidente da associação Abraço): Acho que tenho uma ideia do que este telespectador quis dizer. É que o facto de ser reformado através desta legislação, tem uma fórmula de cálculo superior, e não é assim tão pouco Dr. Henrique de Barros...
Acontece-nos muitas vezes na Associação Abraço, as pessoas serem seropositivas e terem outros problemas de saúde associados e não conseguirem reformar-se.
Agora a doença pode ou não ser incapacitante, isso depende dos casos. Muitas vezes as pessoas que querem reformar-se entendem que é através desse decreto de lei, mas as juntas médicas entendem que não.

Há uns anos era comum; hoje é muito difícil, as pessoas obterem a reforma com o dec.lei antigo. Não estou a dizer que é má vontade dos médicos. É porque entendem que os critérios clínicos não impossibilitam as pessoas da sua actividade, pelo facto de terem a infecção.


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publicado por servicodesaude às 12:44
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VIH/SIDA - A epidemia hoje: Protecção e Risco (1/2)

Queria mostrar um livro, o “Manual Prático para a Pessoa com VIH

(Autores: Dr. Kamal Mansinho, António Vieira, Francisco Antunes, Amílcar Soares e Pedro Silvério Marques. Edição: Penalptier Portugal).

Esta edição não encontrarão à venda, mas foi financiada por um laboratório farmacêutico – Boehringer Ingelheim - TEL: 21 313 53 00, que disponibiliza o livro. O livro tem conselhos extremamente práticos, desde conselhos médicos ás disposições jurídicas, acerca da SIDA e é de consulta muito fácil.
 
Na primeira parte falámos no preconceito e estigma ligados à doença. Acha que esse estigma continua a ser o principal obstáculo – mesmo quando as pessoas se apercebem de que poderão estar infectados – a que mais rapidamente se dirijam ao médico e comecem a receber os tratamentos necessários…
Dr. Kamal Mansinho: De facto o estigma e também a negação da doença, numa fase inicial, são factores importantes que inibem a primeira iniciativa de quem teve um comportamento de risco de se dirigir a um estabelecimento de saúde e propor que seja feito o diagnóstico.
 
O facto de se ter ou não um comportamento de risco é algo polémico. De facto, segundo o último relatório publicado pelo Instituto Nacional Dr.Ricardo Jorge, diminuíram bastante os casos de pessoas infectadas na sequência da toxicodependência, mas aumentaram, por outro lado, nomeadamente no último ano, o número de pessoas infectadas através de relações homossexuais e também heterossexuais.
O número de homens é muito maior que o número de mulheres, mas muitas vezes (sobretudo no caso das mulheres, quando estão numa relação estável e o companheiro tem um comportamento de risco) há um dos parceiros que não está informado.
Aí não se trata de um comportamento de risco
Dr. Kamal Mansinho: A epidemia foi evoluindo ao longo do tempo. Numa fase inicial conseguíamos definir muito bem alguns comportamentos de risco e a doença esteve associada durante algum tempo a esses comportamentos de risco.
Durante quase 30 anos a epidemia e os comportamentos das pessoas evoluíram muito.
Hoje certas associações vão ficando mais esbatidas, pelo aumento da longevidade dos doentes com VIH, pelos avanços na terapêutica e porque muitas pessoas adquiriram a sua autonomia física, profissional e social, e acabaram por readquirir as suas competências para prosseguir os seus projectos pessoais.
Nessa perspectiva, a probabilidade de haver encontro, por via sexual, entre a comunidade das pessoas infectadas e a comunidade das pessoas não-infectadas, vai sendo cada vez maior. E esta diferença entre comportamentos de risco começa a esbater-se. Estamos numa fase da epidemia em que o “factor de risco” pode apenas ser-se monógamo e o nosso parceiro não ter conservado essa reciprocidade.
 
E sobretudo não se ter protegido nessa relação extraconjugal…
Dr. Kamal Mansinho. A questão da protecção é muito importante. Devemos ter em atenção contudo que, por vezes, incidimos demasiado nessa questão, desenquadrando-a, isto é, a protecção, o preservativo, é uma entre várias medidas que têm que ser disponibilizadas para que a epidemia comece a ficar controlada.
A protecção pelo preservativo é essencial. Mas também é preciso dizer que, como qualquer dispositivo de segurança, pode provocar danos e pode falhar.
Sem querer, a comunidade “leu”, entendeu, que o preservativo seria uma protecção absoluta, o que não é verdade. O preservativo pode romper, pode ser mal utilizado, pode estar sem eficácia, por estar fora de prazo ou porque foi submetido a altas temperaturas, por exemplo, por ter estado algumas horas num tablier de um carro… Logo, é preciso dizer que esta protecção não oferece “risco zero” às pessoas, até porque isso não existe na vida.
É muito importante a indicação de utilização do preservativo e aqui as equipas de rua têm um papel importante. Em algumas comunidades as mensagens não passam pelas vias tradicionais, pelo que terá que haver medidas suplementares para comunidades que estão à margem.
 
Num artigo seu sobre as relações entre a Sida e a Pobreza lembra que a falta de alimentação e de acesso a cuidados médicos são factores que podem propiciar o contacto com a infecção…
É, mas a relação entre ambas é uma relação bidireccional, isto é, em termos de pobreza as pessoas que têm menos recursos estão mais predispostas a contrair uma infecção por VIH, uma infecção por tuberculose, ou outra…
As pessoas infectadas por VIH vão ter repercussões alargadas, primeiro na sua vida pessoal e depois na sociedade, porque habitualmente são infectadas no auge da sua vida produtiva, profissional, familiar e social. São adultos jovens e estão no auge dos seus projectos pessoais.

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publicado por servicodesaude às 11:49
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VIH/SIDA - A epidemia hoje: Protecção e Risco (2/2)

Hoje, Prof. Henrique de Barros, o centro da pandemia está a caminhar para a Europa Oriental, nomeadamente para a Rússia, dada o enorme consumo de drogas nessas regiões…

Prof. Henrique de Barros: Há uma mudança de facto preocupante, que não é ainda evidente, é quase subterrânea mas que se traduz num aumento brutal do VIH em países como a Ucrânia, a Rússia, onde se colocam problemas que Portugal já conheceu. Por exemplo, o não facilitar a diminuição dos danos, permitindo que haja seringas limpas para as injecções ou que haja clínicas de injecção opiáceas.
Concordo com o Dr. Kamal Mansinho no que ele diz sobre o preservativo mas gostava também de dizer que a melhor forma de um preservativo não funcionar “é não ser usado”.
Mesmo nos EUA, onde se tentou passar a ideia de abstinência, de fidelidade e então depois a do uso do preservativo, os profissionais da saúde perceberam que existiam outras letras nesse abecedário.
Em Portugal a infecção ainda está muito focalizada nos homens, o que quer dizer que há seguramente muito sexo entre homens que não é assumido, que não é admitido.
Mas a promoção do preservativo feminino é muito importante para as mulheres, porque significa elas próprias tomarem a decisão sobre a sua defesa. Isto merece ser sublinhado.
A nossa sociedade pode até estar a descobrir coisas que outras sociedades já descobriram há mais anos. O primeiro programa de educação sexual surgiu na Suécia em 1957 e nós ainda estamos a discutir isto no ano de 2009, em Portugal.
O turismo sexual, por exemplo, começou noutros países europeus há mais anos e começa-se agora a falar dele em Portugal. E a própria longevidade, a qualidade de vida e um tempo maior para a sexualidade, vâo pôr certamente outras idades em risco, pelo que falar sobre as formas de protecção é essencial.

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VIH/SIDA - Telefonema - Crédito à Habitação sendo seropositivo

Telefonema de Jorge, 35 anos, empregado de hotelaria, de Almada:

Tenho VIH desde o ano 2000; há nove anos. Quero fazer um crédito à habitação e não é aprovado. E quero fazer um seguro de vida que também não é aprovado, por ser seropositivo. Gostava de saber se isto é descriminação, já que estou óptimo, tenho uma vida activa, estou a trabalhar…
Deparam-se muitas vezes com casos como este, em que os créditos à habitação são negados?
Dr.ª Paula Policarpo (jurista e vice-presidente da Associação Abraço): Sim. Os créditos à habitação superiores a certo montante implicam uma determinada bateria de testes, entre os quais ao VIH. Temos vários casos em que o crédito foi negado ou em que o spread foi agravado. E aí tentamos negociar com os bancos.
Mas há uma lei, a 24/2006, que é muito boa, e que proíbe a descriminação de pessoas num estado agravado de doença nos serviços públicos, bancos e entidades empregadoras. O que inclui obviamente as pessoas com SIDA (embora ter VIH, não quer dizer que já se contraiu a doença).
Compreendo que para as seguradoras seja um risco. Mas valeria a pena, sem querer descriminar, que se chamasse a pessoa para aprofundar a sua situação. Há pessoas que vivem com o VIH 30 e 40 anos.
A lei está regulamentada e acho que as pessoas devem efectuar as suas reclamações junto das associações, dos ministérios, do Instituto Português dos Seguros e do Dr. Henrique de Barros, ou seja, da Coordenação Nacional para a Infecção VIH/SIDA.
Percebo ambos os lados e acho que tem que haver uma solução de compromisso.

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publicado por servicodesaude às 09:00
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VIH/SIDA - Ass. Positivo - Projecto Red Light (apoio profissionais do sexo)

O Amílcar Soares é presidente da associação Positivo, licenciado em Belas Artes, está actualmente a fazer o mestrado em “Sexualidade Humana” e coordena o projecto Red Light, que se dirige fundamentalmente aos profissionais do sexo, porque acharam que haveria aí um vazio no apoio e orientação a estas pessoas…

Amílcar Soares: Estamos situados no Cais do Sodré e, de facto, não havia nenhum projecto de apoio numa zona onde já é praticamente tradicional, o comércio em termos de sexo.
O projecto Red Light tem funcionado bem e não só na zona do Cais do Sodré mas noutras zonas onde temos estado a implementar o projecto.
Apesar da associação Positivo ter sido criada inicialmente como local de encontro entre pessoas seropositivas, o que em 1990 era muito difícil, hoje, nos Grupos de Ajuda já não se fala de como é que vamos “aprender a morrer”, mas de como é que vamos “aprender a viver” com a doença, com a terapêutica, de forma positiva e com qualidade de vida.
O projecto Red Light foi criado para dar respostas a pessoas que se encontram em situação muito fragilizada. Não é apenas uma questão de pobreza, é também uma questão social, o que acontece às pessoas que trabalham com o sexo.
Elas prestam um serviço e socialmente não são aceites. Se não houvesse este tipo de apoio - o sexo -, se calhar havia mais revolta nas nossas sociedades. O sexo funciona como escape para muitas situações… e apercebemo-nos muito bem do tipo de pessoas que procura sexo, porque vêm chateados com o trabalho, com a família, com o chefe, com os colegas. O sexo é uma forma de descompressão.
Começámos por trabalhar com elas, as prostitutas, não no sentido de as retirar daquela vida, mas no sentido de as alertar e de lhes conceder uma maior qualidade de vida. E, neste sentido, é importante cuidarem do próprio corpo para que possam continuar a trabalhar.

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publicado por servicodesaude às 08:02
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VIH/SIDA - Telefonema - A prevenção nas escolas

Telefonema de Alexandra Pereira, 46 anos, directora de Marketing, de Leiria:

Gostava de perguntar o que é que a Coordenação Nacional para a Infecção VIH/SIDA pretende fazer para que a prevenção nas escolas portuguesas seja uma realidade sistemática e universal.
Digo isto porque este ano houve um concurso a todos os níveis excepcional, promovido pela Coordenação, em que se davam prémios invulgares às escolas, num total de 60 mil euros. Este concurso, que se chamava “A Minha Escola e a Prevenção de VIH/SIDA”, teve apenas 200 e poucos projectos concorrentes o que, no universo de uns milhares de escolas, parece-nos pouco.
Por outro lado, no que toca estas questões, que podem ser abordadas na “Educação para a Saúde” (uma área recente nas nossas escolas), os editais deste último ano lectivo revelam que houve apenas 50% de adesão, o que significa que só metade das escolas portuguesas concorreram a projectos de financiamento na área da “Educação para a Saúde” que é, por si só, muito mais abrangente que apenas a prevenção do VIH/SIDA.
 
A questão é que as escolas não estão a tratar este assunto de forma sistemática e universal, por isso pergunto: O que é que a Coordenação Nacional para a Infecção VIH/SIDA pensa fazer para que a prevenção chegue a todos os alunos em Portugal?
 
Prof. Henrique de Barros: É natural, que nuns pontos seja melhor que noutros. A lógica da resposta à infecção é multissectorial. Ou seja, cada área da vida, cada sector, tem que encontrar formas de resolver o problema. E, obviamente, a Educação é um deles.
Claro que interagimos. Antes de haver este projecto havia um outro que mobilizou milhares de estudantes. De acordo com uma avaliação externa teve um enorme impacto. Estamos a usar um spot publicitário que foi feito por jovens no âmbito desse projecto.
Falou-se numa adesão de mais de 200 e tal escolas, ou seja, também estamos a falar de muitos professores que aderiram e muitas centenas de alunos envolvidos.
A imaginação, a vontade de aderir não se faz por decreto de lei. Tem que ser estimulada. E penso que está a ser.

O Ministério da Educação também tem programas nesta área. Mas há dificuldades, por exemplo, os profissionais nas escolas entenderem que esta é uma área fundamental.


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publicado por servicodesaude às 06:08
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VIH/SIDA - Questões psicológicas: sexo e vida afectiva

O Amilcar lembrava, a propósito do trabalho desenvolvido pela Associação Positivo junto da zona dos Cais do Sodré, em Lisboa, com os trabalhadores do sexo, que “o sexo é, muitas vezes, um escape”. E que, “se não fosse o sexo, haveria muito mais revolta e tensões na sociedade”...

De algum modo, também se pode ver assim a prática do sexo? Ter uma vida sexual faz parte da Saúde Mental?
 
Dr. Álvaro de Carvalho (psiquiatra, Coordenação Nacional Saúde Mental): Sim, mas há várias formas de vivenciar a sexualidade. Há uma forma que tem a ver com uma vida afectiva e emocional significativa entre duas pessoas; um compromisso, uma relação.
Outra forma é vivenciar o sexo de uma forma mais instintiva. A sexualidade é uma das vertentes instintivas da natureza humana que tem mais força. É uma área muito sensível e por isso é que tem tantos tabus, anedotas, problemas e “telenovelas”.
 
Quando a sexualidade é vivida como um escape, numa relação não afectiva, as questões de saúde mental dos intervenientes são particularmente importantes.
Alguém que está nessa prespectiva se calhar está a correr mais riscos, ou porque está numa situação de desespero, de solidão, ou com ideias de suicídio, e pode-lhe ser indiferente usar ou não preservativo.
 
E depois temos aquelas situações que têm muito a ver com a educação cívica - e que sabemos, infelizmente, que em Portugal são muito comuns – em que as pessoas têm uma vida conjugal e sexual bastante estável, mas têm contactos de risco, e não tomam os cuidados necessários. E depois voltam a ter relações sexuais com o seu companheiro.
 
E essa será uma das razões pela qual o HIV/SIDA está a aumentar entre os heterossexuais? Seguramente.
 

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publicado por servicodesaude às 04:36
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VIH/SIDA - Gripe A – Prevenção, Grupos de Risco e Vacinas

Gostava de destacar o programa “Vá de férias”, mas os portugueses vão de férias num cenário muito pouco tranquilo. Não é tanto a situação da gripe em Portugal que nos preocupa mas o facto da Organização Mundial de Saúde ter decretado uma “pandemia” pela primeira vez em 40 anos e por chegar informação, de todo o lado, que Outubro poderá ser um mês difícil para todos nós.

Poderá haver uma grande parte da população com gripe e existem algumas publicações que dão o conselho para as pessoas começarem a fazer os seus kits.

Como podemos ir de férias sem ter qualquer preocupação, ou temos, mesmo, que ficar muito preocupados com o que aí vem?
Dra. Ana Jorge (Ministra da Saúde): Neste momento,vamos tendo progressivamente mais casos positivos, mas até agora são todos casos de pessoas que viajaram e que estiveram em países onde já existe uma maior disseminação do vírus H1N1, da Gripe.
Recomendamos hoje que, perante os sintomas da gripe – e do ponto de vista sintomático é igual às outras gripes – sobretudo no caso das pessoas que tenham feito qualquer viagem, em qualquer pais do mundo, que contactem, de imediato, a Linha de Saúde 24, pelo telefone: 808 24 24 24, para saberem o que hão-de fazer e, assim, também ajudarem a conter a disseminação.
Não sabemos ainda quando é que em Portugal podemos atingir níveis de grande disseminação do vírus, mas do ponto de vista da epidemiologia o que se pensa é que Portugal também vai ter muitos casos de Gripe.
Neste momento não é considerada, contudo, clinicamente grave, pelo menos se se comportar como até aqui e não houver nenhuma mutação genética. Abrange é uma população que normalmente não é a mesma que costuma abranger no Inverno; atingirá, pensamos, uma população mais jovem (não sabemos ainda a razão).
Apesar de abranger um grande número de pessoas, na maior parte dos casos as pessoas poderão tratar-se em casa. Serão muito poucos os casos que precisarão de internamento hospitalar.
 
As vacinas vão chegar, em número?
Não sabemos quando vão chegar e não sabemos que número vai ser necessário. E também não sabemos quando é que as empresas as podem fabricar em número suficiente em todo o mundo. E também não sabemos sobre eficácia total da vacina, porque ela não está comprovada.
São muitas incertezas. O que aconselhamos é que as pessoas tomem todas as medidas que envolvem a sua protecção: lavarem as mãos, não andarem em ambientes muito fechados…
 
Os aviões são ambientes péssimos…
São ambientes fechados e as viagens por vezes são longas. Pode acontecer isso, mas hoje as viagens de avião são tão frequentes e tão necessárias para a vida das pessoas, que não podemos pôr limitações. Mas as pessoas devem saber que o risco existe, aguardar e prevenir.
Estamos a acompanhar progressivamente a disseminação e a transmitir a informação às pessoas. Não sabemos se será em Outubro, Setembro, ou mais tarde; sabemos que vai chegar… Não sabemos se será maior ou menor, mas vamos estar atentos e alertar as pessoas.
Pensamos ser uma doença “benigna” para a maior parte das pessoas, com excepção das pessoas com as chamadas doenças crónicas e, essas, têm que ter mais cuidado.

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publicado por servicodesaude às 04:14
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VIH/SIDA - Ficha Técnica

Autoria, Coordenação e Apresentação

Maria Elisa Domingues
 
Convidados
Ana Jorge
Henrique de Barros
Kamal Mansinho
Álvaro Carvalho
Rosário Malheiro
 
Pesquisa
Alexandra Figueiredo
Miguel Braga
 
Reportagem
Buenos Aires Filmes
 
Produção
Miguel Braga
 
Jornalistas
Teresa Mota
Raquel Amaral
 
Gestão e Edição de Conteúdos
na Web (portal Sapo)
Natacha Gonzaga Borges
 
Imagem
Gonçalo Roquette
Daniel Ruela
Arquivo RTP
 
Edição e pós-produção vídeo
Sara Nolasco
 
Pós-produção aúdio
Miguel Van Der Kellen
  
Câmaras
Nuno Freitas
Mário Piteira
Luís Gomes
Duarte Guimarães
Adelino Nogueira
 
Mistura e Imagem
Filipe Costa
 
Controlo de Imagem
Alfredo Marques
 
Som
João Carrasco
Nunes Cachado
Luís Bento
 
Iluminação
Rui Pimpim
 
Electricista
João Martins
 
Técnicos de Electrónica
José Borges
Rui Loureiro
 
Assistentes de Operações
Orlando Aurélio
Pedro Gonçalves
Flávio Trindade
 
Caracterização
Fátima Tristão da Silva
Ana Filipa
 
Registo Magnético
Rita Sousa
 
Gerador de Caracteres
Luís Pereira Torres
 
Teleponto
Filipe Oliveira
 
Genérico e Grafismo
Nicolau Tudela
Teresa Martins
 
Música Genérico
Ari de Carvalho
 
Assistente de Realização
Filipe Vasconcelos
 
Anotadora
Eva Verdú
 
Chefe Técnico de Produção
João Martins
 
Criação Cenográfica
Gil Ferreira
 
Execução Cenográfica
Isabel Rodrigues
 
Produção
Filipa Azevedo
 
Realização
Jorge Rodrigues

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publicado por servicodesaude às 00:02
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VIH/SIDA - Links

O que é a SIDA?

Perguntas Frequentes sobre VIH/SIDA

Coordenação Nacional Para a Infecção VIH/SIDA
Centros de Atendimento e Detecção do VIH (CAD)
 
Manual Prático para a Pessoa com VIH
(Autores: Dr. Kamal Mansinho, António Vieira, Francisco Antunes, Amílcar Soares e Pedro Silvério ) Boehringer Ingelheim - TEL: 21 313 53 00
 
Associações Portuguesas de Doentes com Sida
Abraço
GAT
Positivo  - Projecto Red Light – Apoio aos Profissionais do Sexo
AIDS Portugal
 
Prevenção/Formas de Transmissão/Viver com Sida
Usar Preservativo
Programa “Cuida-te” - Institituto Português da Juventude
Proximidade aos Grupos de Risco
 
Ministério da Educação
Educação para a Saúde 
Educação para a Cidadania
 
Anti-retrovíricos
Adesão à Terapêutica Anti-Retrovírica na Infecção VIH/SIDA
 
Lipodistrofias nos doentes com SIDA
Cuidados nos doentes co-infectados por VIH e Vírus da Hepatite C  
 
European Aids Treatment Group
Organização Mundial de Saúde – VIH/SIDA
Secretário-geral das Nações Unidas – VIH/SIDA
 
 

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publicado por servicodesaude às 00:01
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