Terça-feira, 26 de Maio de 2009
Cancro da Mama - Introdução (por Maria Elisa Domingues)

O programa Serviço de Saúde, da RTP 1, do dia 26 de Maio de 2009, debruçou-se sobre o tema do Cancro da Mama.

 
Todos os anos 4 500 portuguesas são diagnosticadas com Cancro da Mama. Todos os dias, três delas morrem. No entanto, se diagnosticadas logo de início e correctamente tratadas, as probabilidades dessas doentes sobreviverem ao cancro da mama, com boa qualidade de vida é, hoje, muito alta: cerca de 75%.
 
Mas mesmo nestes casos de sucesso, há pelo meio um caminho difícil a atravessar, quer para a mulher, quer para a família, se ela existir. Um caminho feito de perdas, de dor, de dificuldades materiais, às vezes; de dramas emocionais, sempre. De rejeição do corpo, quando há necessidades de uma amputação, de mal-estar com o marido ou com o companheiro, ou até de abandono total da sexualidade.
 
Todas estas dificuldades se ultrapassam mais facilmente quando o meio hospitalar ajuda, quando as instalações estão organizadas de forma menos incómoda para a doente, quando os profissionais estão devidamente treinados para conviver com a doença oncológica.
 
Infelizmente, em muitos locais do país não é isso que acontece, sendo a doente obrigada a deambular de serviço para serviço, enquanto a sua vida é decidida por diversos médicos, às vezes localizados em cidades diferentes, que pouco ou nada falam entre si ou, sobretudo, com ela.
 
Mas também temos estruturas exemplares, como por exemplo, a Clínica da Mama no IPO do Porto; a unidade que trata um maior número de doentes em Portugal, certificada por entidades internacionais de grande prestígio.
 
A nossa equipa de reportagem esteve no Porto e partilhou também o dia-a-dia de uma jovem doente de Santarém.
 


publicado por servicodesaude às 20:39
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Cancro da Mama - Reportagem

A 22 de Março de 2008, com apenas 34 anos, Liliana descobriu um pequeno caroço no peito. Pouco tempo depois, e algumas consultas, recebeu a notícia que tinha cancro pela médica que lhe fez a biópsia, no Hospital de Torres Novas.

“Foi a primeira vez que percebi que tinha cancro da mama. E a primeira associação que fiz, foi: “morte”. Só tenho 34 anos e vou já morrer? Achei que não era nada justo e que até se podiam ter enganado e o exame não ser meu. Foi um dia cheio de emoções, muito complicado. Quis ir a Fátima, passei lá o resto da tarde e chorei muito, rezei muito...
A partir daí foi esperar o resultado dos exames”.
 
Os exames chegaram e para não perder mais tempo dirigiu-se ao Hospital de Stª Maria onde foi recebida e tratada na Unidade de Oncologia.
As viagens de Santarém até Lisboa tornaram-se uma constante na sua vida. O estado avançado do cancro obrigou a sessões de quimioterapia e, posteriormente, a mastectomia.
 
“Fui para a cirurgia e fiz mastectomia radical no dia 29 de Agosto de 2008. Tive uma semana de internamento e fui para casa em repouso. E, passadas três semanas, nova consulta de Oncologia e foi-me desenhado um novo quadro: mais seis tratamentos de quimioterapia, sessões de radioterapia e hormonoterapia”.
 
Liliana entrou agora numa nova fase de exames, de três em três meses. Espera que o cancro não volte a aparecer. E foi na Internet que encontrou poderosas aliadas. “Como uma Fénix” é o nome do blog onde conta o dia-a-dia- da sua luta contra o cancro. Desde Novembro do ano passado, a sua página já recebeu mais de 20 mil visitas.
“O blog ganhou vida própria e descobri mais 20 bloguistas, que passaram pelo mesmo e, embora amigas virtuais, deram-me um apoio imenso”.
 
Liliana reconhece que os Grupos de Ajuda foram fundamentais para acreditar que era possível vencer. Também ela frequentou o Grupo de Ajuda da Associação Portuguesa de Apoio à Mulher com Cancro da Mama (APAM), que se reúne semanalmente no Colégio da doroteias, em Lisboa. Também ela sentiu o apoio que nos dias de hoje é essencial nas vidas de Ana Maria Catarino ou de Isabel Malheiro, diagnosticadas com cancro da mama, há cinco e há dois anos, respectivamente.
 
Ana Maria Catarino (52 anos): “É um fardo que nós carregamos para toda a nossa vida, porque a palavra “cancro” tem uma conotação muito forte na nossa sociedade e nós sabemos. Geralmente associa-se a palavra cancro à palavra “morte”. E não é, não tem que ser.”
 
Mafalda Silva (43 anos): “Encontramos aqui um apoio que nós não encontramos nos hospitais. Os hospitais, a comunidade médica não têm tempo para nós, nem para nos ouvir. Nem têm tempo para nos dar aquele apoio humano que nós precisamos”.
 
Isabel Malheiro (41 anos): “Não consigo falar com a minha família, não consigo falar com os meus amigos, porque eles não sabem do que estou a falar. Por muito que digam que estão ali, que estão a ouvir-me e a apoiar-me; que acham que vai correr tudo bem...”.
 
O cancro da mama é a forma mais comum de cancro nas mulheres, nos países desenvolvidos, e constitui entre 20% a 25% de todos os cancros que afectam a mulher. Em Portugal, são diagnosticados, anualmente, cerca de 4500 novos casos e todos os anos a doença mata aproximadamente mil pessoas, na sua grande maioria, mulheres.
Apesar dos avanços tecnológicos, ainda não são conhecidas as causas do cancro da mama. Daí a urgência de um rastreio cada vez mais eficaz, tal como previsto no Plano Nacional de Saúde 2004-2010. Até porque, nestes casos, prevenir vale sempre mais a pena do que remediar.
 
Maria José Moreira sabe isso melhor do que ninguém.
Maria José Moreira (57 anos): “Pedia a todos os santos que me desse qualquer coisa para ir de urgência para um hospital para que pudessem ver como eu estava. Já estava a dar cheiro, o peito a deitar líquido... a ficar todo deformado e já não havia roupa que acentasse bem. Eu estava a ver se ganhava coragem, se surgia uma luzinha que me guiasse e ir falar com alguém. Mas só tive essa luz ao fim de muito tempo”.
 
O tempo de espera foram dois anos que podiam ter evitado a maratona que passou nas últimas 55 semanas: “São as consultas de grupo, é o penso diário e a quimioterapia. Não há fins-de-semana, não há férias, não há nada... Tem sido o meu dia-a-dia aqui.
Agora espero que com estes oito tratamentos, esteja pronta para ir para a operação”.
 
Apesar do medo que sentiram no passado, tanto Maria José, como o marido, encaram o futuro com mais optimismo.
Agostinho Bárbara Moreira: “Agora estou muito esperançado que aquele nosso erro, de escondermos o mal dela, seja apagado das nossas mentes. Não adianta nada olhar para trás; temos que olhar para a frente e as coisas estão a seguir o seu bom caminho.
 
Também o caminho da ex-trabalhadora da fábrica de electomecânica passa pela Clínica da Mama do IPO. Em conversa com a irmâ mencionou que tinha um pequeno caroço.
Rosinda Silva (68 anos): “Ela disse-me: “Vai ao médico que eles dizem-te o que tens”. Eu nunca tinha feito mamografia nenhuma. Fui e diagnosticaram-me logo que era mau”.
 
Da consulta de Clínica Geral passou de imediato ao IPO. Rosinda Silva, viúva e avó de três crianças foi operada duas vezes e tem na irmâ o apoio necessário para enfrentar a doença.
“A minha irmã também me diz: “há mais pessoas que tiraram os dois peitos, como tu, e ainda vivem”. E se eu vivi até aos 68 anos já não é muito mau”.
 
No combate ao cancro da mama, o diagnóstico precoce salva vidas e continua a ser a melhor arma pois aumenta as hipóteses de cura, evita que o cancro se espalhe, favorece o prognóstico, a recuperação e, também, a reabilitação.
O auto-exame mensal é recomendável e, a partir dos 40 anos, deverá consultar um especialista, anualmente, bem como realizar uma mamografia, todos os anos.


publicado por servicodesaude às 19:44
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Cancro da Mama - Convidados do Programa

Dr. Joaquim Abreu de Sousa: Director do Serviço de Oncologia Cirúrgica do IPO do Porto e vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Oncologia e Director da Clínica da Mama.

Drª Berta Nunes – Médica de família, actualmente directora executiva do Agrupamento de Centros de Saúde do Nordeste, do Alto Trás-os-Montes e, também, doutorada em Saúde Comunitária.
Dr. Zeferino Biscaia Fraga – Director do Departamento de Cirurgia Plástica, Maxilofacial, Estomatologia, Oftalmologia e Otorrinolaringologia, do Hospital Egas Moniz, em Lisboa.
 
Outros convidados:
Dr. Álvaro Carvalho – Especialista em Saúde Mental e Psiquiátrica – convidado residente em todos os programas.
Dr. Rui Cruz Ferreira – Coordenador Nacional de Doenças Cardiovasculares e Director do Serviço de Cardiologia do Hospital de Santa Marta, em Lisboa, (responde às questões que transitam do programa anterior).


publicado por servicodesaude às 18:48
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Cancro da Mama - Diagnóstico Precoce e Mortalidade

O exemplo da Maria José é tudo aquilo que não se deve fazer, não é?

Ela, e também o marido, dizem que esconderam a doença… E, ao contrário do que eu pensava, ainda é uma atitude que acontece com relativa frequência…
Dr. Joaquim Abreu de Sousa: Felizmente cada vez menos. E espero que se possam irradicar a zero este tipo de atitudes.
Sabemos que a doença assusta, mas se for tratada precocemente, com padrões de qualidade bem estabelecidos, é uma doença que permite às pessoas viverem durante muitos anos e com qualidade de vida.
O exemplo da Maria José é um óptimo exemplo para as outras mulheres perceberem que esconder um sinal e diagnosticá-lo tardiamente, é mau.
 
As mulheres vão passar por muito mais sofrimento e vão ter um prognóstico, eventualmente, menos bom.
A taxa de sucesso, contudo, no caso do cancro da mama é hoje de cerca de 75% e, concretamente na Clínica da Mama, são esses os vossos números, o que é bastante encorajador…
Dr. Abreu de Sousa: Fizémos um estudo em doentes tratadas entre 2000 e 2001 e fomos analisando a sua sobrevivência no IPO do Porto. De todas as doentes que deram entrada nesses dois anos, ao fim de cinco, foi essa a taxa de sucesso do tratamento que obtivémos.
É claro que entraram em diferentes estádios: 1, 2, 3 e 4. E, na altura, as doentes em estádio 1 eram apenas carca de 35% dos casos. Hoje são bastantes mais, felizmente.
É de facto um número muito encorajador para as mulheres (e também para os homens que, como se sabe, também podem ter cancro da mama).
 
Os homens também podem ter cancro da mama, mas é uma percentagem ínfima. Porém, quando acontecem, são de pior prognóstico…
Sim, um por cento dos cancros da mama acontece em homens. O prognóstico tem a ver com o facto de estarem menos alertados para o facto de o poderem ter. De facto aquele pequeno caroço, empastelamento, não é valorizado, o que faz com que também sejam diagnosticados tardiamente.
 
Estamos aqui perante a questão mais premente, a do diagnóstico precoce?
Os media têm feito uma grande trabalho e muitas figuras públicas têm ajudado esta causa a ficar mais conhecida, o que terá sido positivo.
É responsável pelo rastreio do cancro da mama na zona transmontana, o que acontece pela terceira vez. Este rastreio tem tido uma taxa de adesão alta?
Drª Berta Nunes: Iniciámos o rastreio (realizado pela Liga Portuguesa Contra o Cancro em parceria com a ARS Norte), a mulheres entre os 45 e os 69 anos, no distrito de Bragança, em 2003.
Logo na 1ª volta tivémos uma taxa de adesão que rondou os 73%. E na 2ª volta aumentou para os 85%, que já era previsível, porque quando as pessoas estão mais informadas da importância do rastreio e do diagnóstico precoce, há uma maior adesão.
De qualquer forma os centros de saúde fazem uma divulgação enorme do rastreio, utilizando os presidentes das juntas de freguesia, os párocos…e têm também uma listagem das mulheres que devem fazer o rastreio dentro destas idades e, quando não vêm ao rastreio, são convocadas.
Todas as mulheres acabam por ser informadas que o rastreio está a decorrer.
 
Todas as mulheres inscritas no Serviço Nacional de Saúde (SNS) estão habilitadas, e têm direito, a fazer esse rastreio, gratuitamente?
 Drª Berta Nunes: Estão habilitadas, desde que o rastreio esteja organizado; o que acontece de cada vez em mais locais. Na zona Norte começou por Bragança mas, neste momento, já há outros distritos que o estão a fazer, e a ARS tem um plano para alargar a toda a zona Norte, dentro de um ano. A ARS Centro e ARS Sul também têm o mesmo tipo de planos.
 
Infelizmente, e já o dissemos várias vezes neste programa, nem todos os portugueses têm médico de família. Este rastreio é acessível a todas as mulheres, independentemente de terem, ou não, médico de família?
Exactamente, até porque todas são convocadas a partir da sua inscrição no centro de saúde.
 
Se sabemos que o cancro da mama pode surgir mais cedo, porque é que o rastreio começa aos 45 anos?
De acordo com vários estudos feitos, concluiu-se que vale a pena fazer o rastreio nestas idades porque há uma diminuição da taxa de mortalidade.
Em idades mais precoces não se demonstrou que existe essa vantagem. Posso dar alguns números.
 
Este rastreio já veio diminuir a taxa de mortalidade?
Só temos números de 2003 a 2005, mas os dados que temos, da Direcção-Geral de Saúde (DGS), são interessantes. No que diz respeito ao Continente, em 2003, tínhamos 28,7 de taxa de mortalidade por 100 mil habitantes e, em 2005, 26,9.
 
Relativamente à zona Norte, tínhamos 22 por 100 mil habitantes, em 2003, e 19,8, em 2005. Bragança mostra já aqui uma diminuição bastante acentuada: 25 de taxa de mortalidade por 100 mil habitantes, em 2003. Em 2005 baixámos para 17,4. É uma descida mais acentuada do que na região Norte e no Continente. Isto traduziu-se em número de óbitos: em 2003 tivémos 19 mulheres que morreram de cancro da mama. Em 2005, só tivémos 13.


publicado por servicodesaude às 17:53
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Cancro da Mama - Auto-exame e Sinais de alerta

Estes rastreios também são importantes porque apesar dos médicos dizerem às mulheres para fazerem o auto-rastreio, ao contrário do que possa parecer, isso nem sempre acontece...

Dr. Abreu de Sousa: As pessoas não têm esse hábito, mas é bom que o tenham. Não é a arma que nos permite detectar as lesões numa fase clínica, antes de dar sintomas. Mas costumo dizer que o auto-exame é importante, sobretudo, porque ajuda a mulher a conhecer-se a si própria.
Alguém que se auto-examina quotidianamente pode detectar mais facilmente quaisquer alterações – às vezes subtis –; sintomas que devem ser denunciados ao médico. Isso é mais fácil acontecer numa mulher que está atenta, alerta, e que faz o auto-exame, que outra que não o faz.
 
Esses sinais não se referem apenas à detecção de pequenos nódulos?
Dr. Abreu de Sousa: Alterações da pele, alterações da forma e do volume da mama, alterações da auréola e do mamilo, alterações que se podem notar com o movimento dos braços, a saída de líquido (escorrência mamilar), mas também o mais vulgar: o nódulo.
É muito importante que mesmo pequenos sinais ou sintomas sejam denunciados ao médico. Por exemplo, uma assimetria mamária – um seio ficar maior que o outro – que não existia. Devem ser relatados ao médico porque às vezes podem ser sinais indirectos de patologia, que pode ser grave.


publicado por servicodesaude às 16:55
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Cancro da Mama: Sinais e Meios de Diagnóstico (telefonema)

Telefonema de Otília Ferreira, 51 anos, Auxiliar de Acção Médica, do Porto:

“Fala-se muitas vezes da prevenção do cancro da mama e do auto-exame mensal, mas quando eu detectei um nódulo na mama fui imediatamente ao médico.
Ele mandou-me fazer uma mamografia. E a mamografia acusava pequenas calcificações, a que o médico do centro de saúde, não deu grande importância. Consultei outro, de imediato; em menos de um ano, que me disse para voltar a fazer a mamografia. E esta já não acusava nada, nem as calcificações.
O tumor estava a aumentar e eles faziam-me as palpações e verificavam que realmente havia qualquer coisa de estranha ali no peito. Andei dois anos a fazer ecografias e mamografias e não se detectava nada de concreto. Só quando já tinha 6 cm é que foi detectável… e então mandaram-me para o Hospital de São João, no Porto.
Dia 25 de Maio faz dois anos que fui operada, para retirar um tumor com dois pequenos nódulos invasores. Retiraram-me a mama, completamente, e já fiz a reconstrução no dia 3 de Fevereiro deste ano, da qual ainda estou em convalescença”.
 
Entre a remoção do tumor e a posterior reconstrução da mama, fez outro tipo de tratamentos, como quimioterapia ou radioterapia?
Otília Ferreira: Estou só a fazer o Tamoxífeno, porque felizmente o chamado gânglio-piloto “deu negativo”.
 
Otília Ferreira: Gostava de saber porque é que as ecografias e mamografias não detectavam nada e até fui a vários laboratórios…
E gostava ainda de alertar os médicos de família, para estarem mais atentos. O meu cancro era muito palpável, era duro; ia do mamilo até à parte de baixo do braço. Era muito grande, já tinha a mama direita com um volume superior à mama esquerda e os médicos não se preocuparam em mandarem-me fazer uma biópsia.
Muitas vezes a prevenção e o alerta não parte só de nós. Alertamos os médicos e estes dizem que as questões são psicológicas…
 
Até ir hà dois anos para o Hospital de São João, andou sempre nos centros de saúde?
Otília Ferreira: Sim, eu não tinha possibilidades de ir aos médicos privados.
 
Estou a perguntar, se alguma vez foi a uma consulta hospitalar de Oncologia. Alguma vez lhe deram uma credencial para isso?
Otília Ferreira: Não, e nunca me mandaram fazer uma biopsia. E faziam a palpação.
 
Este caso é um falso-negativo?
Dr. Joaquim Abreu de Sousa: Provavelmente é um caso de falso-negativo mamográfico. É preciso que as pessoas tenham a noção de que cerca de 10% dos casos de cancro da mama não se detectam na mamografia.
E também preciso lembrar, que a capacidade da mamografia de detectar novas lesões – lesões iniciais -, é tanto menor, quanto menor a idade. E portanto, sobretudo as mulheres na pré-menopausa devem fazer a mamografia a partir dos 40 anos mas esta, por si só, não chega. É fundamental complementar a mamografia com o exame clínico: é preciso visitar o médico.
 
Mas isso foi exactamente o que aquela telespectadora acabou de dizer que fez!
Dr. Joaquim Abreu de Sousa: O médico tem que identificar estes sinais. Uma doente pode ter um exame mamográfico que não sugira malignidade mas se tem um aumento progressivo de uma mama em relação à outra, e se o médico tem dúvidas, só tem que referenciar a doente para o especialista de maior proximidade da sua área.
Os doentes e os prestadores de cuidados de saúde primários têm que estar cientes disto: 10% dos cancros da mama não se detectam na mamografia e isto é particularmente sensível nas mulheres jovens.
 
Mais uma vez, esta Sr.ª estava ciente de que seria necessário fazer mais exames e estes não foram prescritos… Até porque havia calcificações, que poderiam também ser um sinal de alerta…
Dr. Joaquim Abreu de Sousa: Nem todas as micro-calcificações são sinal de cancro ou lesão maligna.
 
Mas não devem suscitar dúvidas no clínico?
O clínico até tem a vida facilitada. O radiologista informa desde logo no exame qual o grau de suspeição da lesão. Por isso, mesmo que o prestador de cuidados de saúde primários não tenha grande experiência, é capaz de identificar no exame um simples código que lhe permite identificar se aquela lesão é, ou não, suspeita e se deve, ou não, referenciar essa lesão ao especialista.
É fundamental esta articulação. E se a doente tem um sintoma, este sintoma deve prevalecer sobre um exame normal. O exame médico - a observação clínica - é o mais importante. Por isso é que os outros se chamam meios “complementares” de diagnóstico.
Ainda por cima se a doente tem um sintoma, que se repete uma e outra vez, o clínico tem que referenciar a doente para um especialista.
 


publicado por servicodesaude às 15:00
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Cancro da Mama - Papel Médico de Família: observação clínica

Dra. Berta, a Sr.ª é médica de família. Já tivémos aqui outras situações em que assistimos a esta dicotomia; por um lado, a falta de experiência do médico de família para detectar certas situações, mas sobretudo o facto de não referenciarem o doente para quem sabe mais do que eles…

Dr.ª Berta Nunes: Não posso estar mais de acordo nesta questão. A observação clínica é o fundamental, só depois é que vêm os exames complementares. Como, se calhar. os exames que chegaram ao clínico vinham “normais”, ele não valorizou a observação clínica, o que foi um erro.
 
Dr. Joaquim Abreu de Sousa: Não é esperado que o médico de família seja um expert em todas as áreas, o que é importante é que os médicos sejam capazes de valorizar as queixas dos doentes.
Às vezes é difícil fazer o diagnóstico, sobretudo em mulheres pré-menopaúsicas, mesmo entre os especialistas. E o problema não é o médico de clínica geral não ter experiência.
 
Drª Berta Nunes: Concordo: é preciso valorizar mais a observação clínica, até porque o radiologista que fez o exame muitas vezes não viu o doente, porque se o tivesse feito, e palpado a mama, certamente não faria aquele relatório. Esse é um erro. Mas também, todos os médicos cometem erros.
Outro problema, é que os médicos de família sabem que há problemas na referenciação e, muitas vezes, só o fazem quando é mesmo necessário.
 
Está a referir-se a listas de espera para consultas hospitalares?
Drª Berta Nunes: Sim. E, por exemplo, no caso de Bragança, se quisermos referenciar uma doente para o IPO, apenas com uma mamografia e a clínica, o IPO pode não aceitar, dizendo que há falta de critérios. Embora se estiver bem justificada, o mais provável é não recusar.
Mas a mulher vai ter que andar cerca de 200 km. E o médico de família pondera todas estas questões.


publicado por servicodesaude às 14:00
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Cancro da Mama - Caso de Biópsia falso-negativa

Temos aqui algumas doentes e ex-doentes. A alguma de vós aconteceu algo de semelhante ao que aconteceu à telespectadora que telefonou (ter detectado um sintoma, mas não ter sido referenciada para um especialista porque os exames deram negativos)?

Carmo Costa (Associação Amigas do Peito, do Hospital Stª Maria):
A 13 de Janeiro de 2005 fiz uma biópsia que deu negativa. E também fiz ecografia e mamografia. Entretanto, comecei a sentir que o braço me estava a prender ligeiramente e voltei ao hospital. Tinha um tumor na axila, um gânglio aumentado, já em estado avançado. E comecei imediatamente a fazer quimioterapia para o reduzir.
 
O que é que levou o seu médico a pedir-lhe a biópsia?
Desde cedo, com cerca de 24, 25 anos, tinha os chamados “quistozinhos”. Tirei um no IPO, mas era benigno - chamavam-lhe tumor filóide -, e comecei a ser vigiada, anulamente. Até que o médico de família achou que deveria ir a uma consulta de Mastologia. E foi aí que fiz várias ecografias, mamografias e uma biópsia; que deu negativa! Isto a 11 de Janeiro.
Mas a 22 de Fevereiro regressei ao hospital, fiz outra, e então deu positiva. Fiz quimioterapia e fui mastectimizada a 30 de Agosto. E também fiz um quadrante na mama esquerda, radioterapia e hoje penso que estou controlada.
 
Tinha quistos desde os vinte e tal anos e fez os exames…
Dr. Joaquim Abreu de Sousa: Voltamos ao mesmo cenário. Existem vários intervenientes no processo: é o clínico que não detecta, o imagiologista, o patologista. É seguramente mais um caso complexo. Felizmente que a maioria das situações clínicas com que nos deparamos são simples. Mas há casos complexos, de diagnóstico difícil, que obrigam muitas vezes à repetição de exames e a uma análise cuidadosa.


publicado por servicodesaude às 13:04
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Cancro da Mama - Factores de Risco e Prevenção

Era importante, simultaneamente, explicar às pessoas quais são os factores de risco, para haver prevenção relativamente ao cancro da mama…

Dra. Berta Nunes: O rastreio tem como objectivo diminuir a mortalidade. Não tem repercussões na incidência, ou seja, no número de novos casos.
O que a prevenção pode evitar é o número de novos casos. E aqui é preciso ter em conta que mais de 50% dos cancros têm origem em certos factores de risco relacionados com o estilo de vida.
O consumo de tabaco - que nas mulheres está a aumentar -, de álcool, em excesso, uma alimentação com demasiadas gorduras e o sedentarismo, constituem factores de risco. Pensa-se que o aumento do consumo de tabaco pelas mulheres, nos últimos anos, possa estar associado ao aumento do número de casos de cancro da mama.
 
Não estamos a falar de factores genéticos, mas daquilo que as pessoas podem fazer por si próprias, para evitar certos factores de risco?
Exactamente. E portanto é muito importante que ao nível dos cuidados primários se incentive as pessoas a adoptarem estilos de vida mais saudáveis.


publicado por servicodesaude às 12:09
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Cancro da Mama - Ajuda Psicológica: a psico-oncologia

Uma doente dizia na reportagem. “Os médicos não têm tempo para nós…” Está hoje, entre nós, uma especialista de uma nova abordagem ao doente oncológico – a psico-oncologia – uma área em que psicólogos e psiquiatras estudam a forma de se relacionarem com o doente.

A Eunice Silva trabalha na Clínica da Mama do IPO do Porto e é hoje responsável pela Unidade de Psicologia do Serviço de Oncologia daquele instituto. E também foi enfermeira. Sente, e os doentes dizem-lhe, que “os médicos não têm tempo para nós?”
Eunice Silva (psicóloga): Sim. O diagnóstico da doença oncológica provoca sempre uma reacção emocional intensa, forte. Mas com o tempo os doentes vão-se organizando; com o apoio dos outros doentes, dos médicos, dos enfermeiros, da informação que vão recolhendo, das associações de apoio e da própria família.
Esta área, a psico-oncologia, permite identificar e prever alguns sinais e, assim, perceber se os doentes vão conseguir ter uma boa resposta emocional, mesmo com o seu sofrimento ou se, pelo contrário, vão ter níveis de sobrecarga emocional, perturbações de ansiedade ou mesmo depressão, e vão ter que ter uma ajuda especializada.
 
No IPO dão essa ajuda psicológica, porque são cinco psicólogas e dois psiquiatras, a tempo permanente? Sim, damos. Os doentes passam por diversas fases críticas e o diagnóstico é uma fase crítica. Muitas vezes mesmo antes de se chegar ao próprio diagnóstico, durante o tempo de espera.
Por exemplo, quando a doente detectou um sinal e disse ao médico, e este não deu uma resposta adequada, são situações de revolta que podem complicar a adaptação à fase inicial da doença.
 
Também é da responsabilidade dos psico-oncologistas ajudarem os outros profissionais, como os médicos e enfermeiros, a comunicarem melhor com o doente oncológico?
Há muitos anos que os profissionais da área psicológica trabalham em conjunto com os outros profissionais da área da saúde oncológica. O que este novo modelo da oncologia traz é a noção de que os profissionais de saúde mental a trabalhar nos hospitais não se devem isolar, dando apenas assistência pontual aos doentes, mas procurarem uma abordagem multidisciplinar. Não só dentro da equipa de psico-oncologia – psiquiatras e psicólogos, mas também com a área da enfermagem, com os médicos, numa perspectiva de partilhar informação e conhecimento que possa facilitar a todos os profissionais o reconhecimento das dimensões do sofrimento psicológico e emocional dos doentes. Para que possam intervir sobre elas, sobretudo ao nível da comunicação.

 



publicado por servicodesaude às 11:13
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Cancro da Mama - Casos de Mastectomia e Reconstrução (1/2)

Ercília Cardoso (Movimento Vencer a Viver): Teve cancro da mama e foi mastectomizada…

Ercília Cardoso: Sou mastectomizada bilateral e fiz reconstrução posteriormente. Acho que a prevenção é a grande arma. Sou muito vigiada no IPO e todos os meus cancros têm sido mais ou menos todos apanhados numa fase inicial, com excepção de um.
É muito importante que conheçamos o nosso corpo. Isto já me tinha acontecido e realmente não valorizei o aumento do seio do lado direito. Quando fui fazer o exame já era realmente um pouco tarde. Facilitei.
 
Qual foi a importância para si da reconstrução mamária?
Fiz, porque acho que a mastectomia do lado direito me provocou uma cova, que me desagradava um pouco.
Inicialmente fiz uma cirurgia conservadora da mama esquerda e a principio não pensei nisso. Mas depois pensei, ainda bem que fiz,  porque estava lá um tumor. Ainda metido numa cápsula.
 
De acordo com a sua experiência, de facto as mulheres ficam muito melhor depois da reconstrução?
Sim. Ficamos totalmente diferentes: uma mutação é sempre uma mutação. Mas hoje existem técnicas que permitem conservar a mesma atracção física.
A reconstrução permite que possamos vestir um soutien qualquer ou um fato de banho, sem ter aquela preocupação das próteses, para aqui e para ali.
Aconselho a reconstrução quando é possível, porque às vezes não é possível.
 
A reconstrução mamária, depois de um cancro da mama, é uma das situações que mais prazer lhe dá, já que pode dar aquela mulher o corpo que tinha antes de ser mastectomizada?
Dr. Biscaia Fraga (Director do Serviço de Cirurgia Plástica do CHLO): A mastectomia representa uma gravíssima mutilação para a mulher; é um grande traumatismo, não só para a mulher, como para a família. A prespectiva de reconstrução é uma esperança e constitui uma hipótese de lhe dar alegria para viver.
A filosofia actual é esta ser feita o mais precocemente possível. Claro, se a mulher estiver motivada e interessada. Embora a cirurgia esteja hoje cada vez mais conservadora do que a praticada há uns anos atrás, que era muito mais uma cirurgia radical”.
 
Há outro aspecto em causa, para além do estético, que é o equilíbrio da própria pessoa, quando se retira apenas uma das mamas?
É um trauma morfológico, físico, postural, psicológico, sexual e social, muito grande.
 
Telefonema de Ivone da Conceição, 53 anos, administrativa, de Almodôvar:
Em Fevereiro de 2001 foi-me diagnosticado um cancro micro-invasivo da mama esquerda. Em Agosto fiz a operação - mastectomia radical -, fiz quimioterapia e o Tamoxífeno.
Depois fui enviada para equipa de reconstrução do Hospital de São José, e fui ficando na lista de espera, mês a mês...
Os meus filhos perguntavam-me quando é que fazia a reconstrução… Tive um grande acompanhamento por parte do meu marido e ainda continuo a ter um bom acompanhamento psicológico e psiquiátrico, aqui em Beja.
 
Está em lista de espera no Hospital de São José há oito anos…
Ivone da Conceição É verdade. Uma pessoa não se sente completa, não se quer ver ao espelho, não tem vontade de se arranjar, de ir para a piscina, que os médicos recomendaram... E tenho um desequilíbrio na coluna e duas hérnias cervicais.
 
A mastectomia perturbou a sua vida mais íntima?
Ao principio não se notava tanto porque estávamos mais preocupados com os tratamentos e com a evolução da doença. Mas prejudicou muito, sim.
 
Dr. Biscaia Fraga, espero que no Serviço de Cirurgia Estética do Hospital Egas Moniz, a espera não seja tão demorada, como estes oito anos?
Dr. Biscaia Fraga: Não é tão acentuada. Mas tivémos obras, durante quatro meses, e neste momento temos 90 mulheres à espera, o que é dramático.
O SNS tem que dar resposta a estes casos. Às vezes temos um, dois ou três momentos operatórios, pelo que em 90 senhoras são 300 momentos operatórios.
 
Dr. Abreu de Sousa: No IPO do Porto temos uma larga experiência no serviço de cirurgia plástica e temos exactamente o mesmo problema. Apesar das taxas de mastectomia serem hoje cada vez menores, às vezes pela extensão do tumor, é necessária.
Consideramos uma fase transitória, até à reconstrução e à reabilitação completa.
E temos também um problema com os tempos. Estamos a reconstruir, por ano, mais de 1200 doentes e temos ainda um programa adicional mas, mesmo assim, temos uma larga lista de espera.
 

 



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Cancro da Mama - Casos de Mastectomia e Reconstrução (2/2)

Dr. Biscaia Fraga: Estamos a ver casos de reconstrução mamária:

Este era um caso em que a mulher tinha um peito grande, mas recheado de tumores sólidos enormes e que, depois de tratada, com os seus próprios tecidos, ficou com uma situação mais adequada.
Tinha sido tratada pelo oncologista, mas tinha uma situação potencialmente maligna devido à dimensão dos fibrodenomas.
 
Aqui encontramos um sinal muitas vezes indicador de cancro da mama, que é a retracção do mamilo (embora também possa ser fisiológico); situação que vemos neste caso de uma jovem, em que um dos peitos era perfeitamente normal. O outro foi removido e em quatro meses fez a reconstrução.
 
Quais são os casos em que a reconstrução não é possível?
Dr. Biscaia Fraga: Se o estado geral da paciente não o permitir ou em casos, cada vez mais raros, em que a mastectomia foi feita num estado adiantado da doença.
 
Em que situações é que a reconstrução não pode ser feita logo? Entre a remoção do peito e a possível reconstrução do peito por vezes têm que ser feitos tratamentos...
Dr. Abreu de Sousa: Sempre que a situação obriga a mastectomia, põem-se duas questões: ou se faz imediatamente a reconstrução, ou depois.
Se não tivermos, à priori, nenhum factor que contra-indique – como a necessidade de fazer radioterapia – e principalmente essa, fazemos muitas vezes a reconstrução de imediato. Em termos psico-emocionais é óptimo para a doente.
 
Também é assim no Hospital Egas Moniz?
Dr. Biscaia Fraga: Esta tese que acabou de defender é polémica, é uma corrente. E também é sempre uma decisão de conjunto, multidisciplinar, em termos médicos e uma decisão partilhada com a própria doente.
Há autores que defendem que é preferível expandir e colocar uma prótese efectiva antes da radioterapia:
 
Neste caso a doente fez radioterapia. Tinha um grande escavado na região mamária amputada e a partir de tecidos autólogos - da própria - da parede abdominal, fez-se a reconstrução. Toda a região toráxica estava muito alterada, em termos de pele e músculo, e não aceitava qualquer expansão. Neste caso, como disse o Dr. Abreu de Sousa, protelou-se a reconstrução.
Hoje já é possível transpor aqueles tecidos micro-cirurgicamente, mesmo de forma imediata, logo após a mastectomia.


publicado por servicodesaude às 09:21
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Cancro da Mama - Ficha Técnica

Autoria, Coordenação e Apresentação

Maria Elisa Domingues

 
Convidados
Joaquim Abreu de Sousa
Berta Nunes
Biscaia Fraga
Álvaro Carvalho
Cruz Ferreira
 
Pesquisa
Alexandra Figueiredo
Miguel Braga
Teresa Mota
 
Reportagem
Buenos Aires Filmes
 
Produção
Miguel Braga
 
Jornalistas
Miguel Braga
Teresa Mota
Raquel Amaral
 
Gestão e Edição de Conteúdos
na Web (portal Sapo)
Natacha Gonzaga Borges
 
Imagem
Gonçalo Roquette
Daniel Ruela
 
Edição e pós-produção vídeo
Sara Nolasco
 
Pós-produção aúdio
Miguel Van Der Kellen
  
Câmaras
Lília Magalhães Santos
Elias Barbosa
Ãngelo Assis
Gabriel Ramos
César Pina Duarte
 
Mistura de Imagem
Filipe Costa
 
Controlo de Imagem
Bruno Arraiolos
 
Som
Rafael Braz
Luís Cardoso
Manuel Linâ
 
Iluminação
Rui Pimpim
 
Electricista
Gustavo Lourenço
 
Técnicos de Electrónica
José Borges
Rui Loureiro
 
Assistentes de Operações
António Almeida
Pedro Gonçalves
António Antunes
Mário Sousa
 
Caracterização
Fátima Tristão da Silva
Ana Filipa
Rita Craveiro
 
Assistente de guarda-roupa
Paula Sousa
 
Registo Magnético
Rita Sousa
 
Gerador de Caracteres
Sílvia Santos
 
Teleponto
Filipe Oliveira
 
Genérico e Grafismo
Nicolau Tudela
Teresa Martins
 
Música Genérico
Ari de Carvalho
 
Assistente de Realização
Filipe Vasconcelos
 
Anotadora
Eva Verdú
 
Chefe Técnico de Produção
Carlos Santos
 
Criação Cenográfica
Gil Ferreira
 
Execução Cenográfica
Isabel Rodrigues
 
Produção
Filipa Azevedo
 
Realização
Jorge Rodrigues
 


publicado por servicodesaude às 08:00
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Cancro da Mama - Links

Cancro da mama: o que é, sintomas, diagnóstico e tratamento

Infocancro
Liga Portuguesa Contra o Cancro
Associação Portuguesa de Apoio à Mulher com Cancro da Mama
Amigas do Peito
Ame e Viva a Vida - Associação de Mulheres Mastectomizadas
Movimento Vencer e Viver
Instituto Nacional de Câncer (Brasil)
National Cancer Institute (E.U.A.)
Como uma Fénix  
Laço  
 
Serviço de Oncologia Cirúrgica do IPO do Porto
Clínica da Mama do IPO do Porto
Unidade de Oncologia do Hospital de Stª Maria
Serviço de Cirurgia Estética do Hospital Egas Moniz
 
Prevenção
Diagnóstico precoce
Auto-exame mensal
Sinais ou sintomas
Mamografia 
Quimioterapia, radioterapia e hormonoterapia
Mastectomia
Cirurgia conservadora e “radical”
Reconstrução da mama
Plano Nacional de Saúde 2004-2010
Sociedade Portuguesa de Oncologia
 
 
 

 



publicado por servicodesaude às 07:15
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Cancro da Mama - Questões psicológicas doente oncológico

Segundo dizia a própria Dra. Eunice, uma percentagem muito assinalável dos doentes oncológicos têm critérios em que é possível considerar que têm simultaneamente uma doença mental.

Dra Eunice: Entre 30% a 50% dos doentes oncológicos, de acordo com vários estudos internacionais, realizados ao longo dos anos, têm critérios para ter um diagnóstico DSM IV (manual de diagnóstico em saúde mental). E cerca de 30% do diagnóstico principal está relacionado com as perturbações de adaptação. É uma condição caracterizada ou por estados de ansiedade ou de depressão, reactivos à experiência da doença oncológica.
 
Qual deve ser a atitude dos profissionais da área da Saúde Mental em relação a esta sobrecarga para o doente oncológico?
Dr. Álvaro de Carvalho (psiquiatra, Coordenação Nacional Saúde Mental): Dos estudos que conheço, em média, 30% dos doentes oncológicos acabam por ter ou perturbações de ansiedade ou depressão.
A atitude mais sustentada nesta investigação é que o apoio, nomeadamente psico-terapêutico, é muito importante. Não para fazer grandes investigações sobre as causas da ansiedade – que são óbvias – mas no sentido de ajudar as pessoas a falarem sobre as experiências boas que tiveram na vida, em virtude de estarem num período de crise, e até pelos preconceitos ainda associados à doença.
Felizmente que o cancro já não tem a taxa de mortalidade que tinha há uns anos atrás, mas não deixa de ser uma situação potencialmente perturbadora, traumática. O convidar a pessoa a falar, verbalizar ácerca das coisas boas, dos projectos e das realizações, ao longo da vida, vai seguramente contrariar um pouco aquela tendência depressiva.
 
A D. Ercília dizia que nunca tinha aproveitado tanto os bons momentos da vida desde que teve o primeiro cancro...
Dr. Álvaro de Carvalho (psiquiatra, Coordenação Nacional Saúde Mental): Há aliás um conceito, que é a “realização pelo negativo”, que está relacionado com aquelas pessoas que depois de um enfarte do miocárdio, um cancro, um acidente, ou seja, perante uma alteração súbita e dramática, conseguem reformular de um modo muito consistente a sua vida.
Por outro lado, estes estudos também evidenciam que a existência de um bom suporte social e um nível socioeconómico satisfatório, reflecte-se num melhor prognóstico.
 
Daí a importância dos grupos de auto-ajuda e da família, obviamente. As situações de grupo são importantes para as pessoas partilharem experiências comuns, viverem emoções e descobrirem, como em qualquer psicoterapia de grupo, que há sentimentos, há medos, há receios, há dramas, que não são exclusivos do próprio. E isso tem de facto um efeito terapêutico muito considerável, maior que grandes terapias farmacológicas com antidepressivos e tranquilizantes, que não são tanto aconselhados nestes casos.
 
De acordo com a literatura publicada sobre o assunto, o que é que se pode concluir sobre o impacto na vida do casal - e na sua vida sexual e afectiva - de um dos cancros que mutila e altera o corpo - pelo menos durante um certo tempo - como é o cancro da mama?
Dr. Álvaro de Carvalho (psiquiatra, Coordenação Nacional Saúde Mental): Tal como uma das senhoras que telefonou disse, há primeiro um receio de rejeição por parte da mulher em virtude de ter acontecido essa alteração corporal e, sobretudo, por acontecer num órgão tão sensível para a mulher, como é a mama.
Se o marido ou companheiro não tem uma atitude expressa de apoio e de estímulo...
Numa relação conjugal e, nomeadamente, numa vida sexual sadia, é suposto o aspecto estético do corpo ter um papel relativamente secundário. O que importa é a qualidade e a profundidade da relação afectiva.
Quando isto acontece num casal, mais facilmente os preconceitos e a quebra de auto-estima são ultrapassados.
 


publicado por servicodesaude às 00:01
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