Terça-feira, 9 de Fevereiro de 2010
Sexualidade Feminina II - Introdução (por Maria Elisa Domingues)

A Sexualidade Feminina volta a ser o tema do Serviço de Saúde de hoje.

Na passada semana foram levantados, quer pela nossa reportagem, quer através de telefonemas de telespectadoras, questões da maior importância para a saúde sexual a que não houve tempo de responder.
 
As disfunções sexuais, a vivência da sexualidade na doença crónica, as consequências da menopausa, são alguns aspectos da sexualidade feminina que hoje iremos analisar com os meus convidados Drs. Allen Gomes, Lisa Vicente, Eduardo Mendes e Ana Carvalheira.
 
Fomos de novo ouvir mulheres de todas as idades, na região Centro e do Norte do país, desde muito jovens – 16 anos – até aos 70, para termos o testemunho, na primeira pessoa, das suas vivências. De forma empírica, mas muito viva, eis uma demonstração expressiva de como o país mudou nas últimas décadas. Pelo menos, no que toca à sexualidade feminina…
 
Reportagem


publicado por servicodesaude às 23:05
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Sexualidade Feminina II - Apresentação dos Convidados
Dr. Francisco Allen Gomes – Psiquiatra, foi chefe do serviço de psiquiatria e responsável pela consulta de Sexologia dos Hospitais da universidade de Coimbra, até 2001
 
Dra. Ana Alexandra Carvalheira – Doutorada em psicologia da sexualidade, psicóloga clínica e investigadora no campo da sexualidade feminina, em Portugal e no Canadá
 
Dr. Eduardo Mendes – Médico de família, director executivo do Agrupamento de Centros de Saúde do Oeste Sul
 
Dra. Lisa Vicente – Especialista em Ginecologia e Obstetrícia, pós graduada em Medicina Sexual e responsável pela Consulta de Medicina Reprodutiva da Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal e, actualmente, chefe da divisão de Saúde Reprodutiva, da Direcção-Geral de Saúde

 



publicado por servicodesaude às 22:07
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Sexualidade Feminina II - Falta de Desejo ou de Iniciativa?

Nos anos 70 e 80, a falta de desejo não era uma queixa comum. As questões que os pacientes colocavam aos médicos dirigiam-se sobretudo à forma de obter prazer e excitação, porque havia muita ignorância.

 
“A partir de certa altura começaram a aparecer cada vez mais mulheres - e cada vez mais jovens -, a dizer que não lhes apetece ter relações sexuais, embora não tenham quaisquer dificuldades”, conta Allen Gomes.
 
“Quando as têm é óptimo, sem inibições e os companheiros apreciam. Portanto, é como dizer: são capazes, mas não lhes apetece. Ou, pelo menos, com determinada frequência.
As próprias dizem sentir um certo "desconforto”, porque, dizem: “eu não era assim”, reafirma o psiquiatra,   
 
No livro “Disfunções sexuais”, da autoria do psicólogo Pedro Nobre, são abordados vários estudos sobre o tema.
Enquanto disfunção sexual, estima-se que a falta de desejo possa afectar cerca de 30% de mulheres; ou seja, quase um terço do total de mulheres abordadas nesses estudos.
 
Lisa Vicente, ginecologista, percepciona o fenómeno de outra forma: “As mulheres vêm muitas vezes o seu desejo sexual diminuído mas relativamente a um padrão do que deverá ser o seu desejo normal, veiculado pela informação que lhes é disponibilizada”.
 
E explica: "Muitas vezes o “eu não tenho desejo”, deve ler-se “eu não tenho a iniciativa” e, durante muito tempo, isso foi classificado como uma disfunção sexual.
Existem muitos estudos que demonstram que mesmo em relações em que as mulheres consideram satisfatórias, 30% afirma que o seu desejo não é espontâneo, ou seja, que não são elas a tomar a iniciativa".
 
Por isso, a ginecologista reforça que essas mulheres, devidamente estimuladas, e num certo contexto, depois entusiasmam-se e a relação sexual corre bem.
 

Ana Carvalheira, psicóloga, concorda com o facto de o fenómeno ser complexo e de sofrer a interacção de diversas variáveis, entre as quais o processo de educação e socialização. Admite que a perda do interesse sexual é a queixa mais frequente, no entanto avança que "As disfunções sexuais são raras; o que existem são determinados problemas”.

 
“Um grande número de mulheres de facto inicia a actividade sexual sem ter vontade e depois de estimulada passa a ter. No entanto, quanto mais tempo se interrompe a actividade sexual, mais difícil é. Na actividade sexual, quanto menos se faz, menos apetece fazer; quanto mais se faz; mais apetece fazer”, acrescenta Eduardo Mendes.
 
O médico de família explica ainda que em determinados níveis culturais, uma infecção ginecológica vulgar (como fungos ou uma candidíase, por exemplo), pode ser entendido como tendo sido "pegado” o que, por si só, pode causar um certo estigma na mulher e na forma como encara a sua sexualidade.


publicado por servicodesaude às 21:08
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Sexualidade Feminina II - Idade e Desejo Sexual (tel.)

Telefonema de Maria Palma, 55 anos de Odivelas

Depois de se divorciar teve uma paixão “colorida” e só nesse momento é que considera ter aprendido a gostar de fazer amor e sexo.
Entretanto, fez uma histerectomia, ou seja, tirou o útero e os ovários. E também encontrou um novo amor, que designa de “mais calmo”. E diz ter fantasias com frutas, cheiros, perfumes, lingerie… E pergunta: “Será que é demais, que é doença?”
 
A ginecologista Lisa Vicente diz que ouve este tipo de relato vezes sem conta, em mulheres com 50, 60 ou 70 anos, que julgam não ser normais apenas por continuarem a ter desejo sexual numa certa idade: "Há um prazer inegável que esta mulher sente e um desejo de uma determinada performance".
 
A psicóloga Ana Carvalheira considera ainda existir um grande peso da tradição judaico-cristã, já que mesmo assim a telespectadora demonstrou sentir vergonha pelo facto de continuar a sentir desejo.
 
A ginecologista diz ainda que é comum em mulheres de uma certa idade já se sentirem mais confortáveis com o seu corpo e, se tiverem um parceiro de longa duração, também adquirem um certo conforto com o corpo do parceiro, conhecem-no e já sabem o que gostam e o que não gostam de experimentar.
 
Allen Gomes chama atenção para o facto da telespectadora ter tirado todos os órgãos femininos e, esse motivo, não ter implicado falta de desejo sexual: “Há outros factores psicológicos e relacionais que se sobrepõem a essas carências, insuficiências e alterações hormonais; inclusive uma boa vivência da sexualidade no passado”.
 


publicado por servicodesaude às 20:23
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Sexualidade Feminina II - Esposa com carcinoma

 
Telefonema de Óscar Rosas, 61 anos, de Oeiras:
O testemunho do marido conta que a esposa teve um carcinoma na mama há oito anos à qual se sucedeu uma mastectomia radical. E conta como o seu aspecto relacional e sexual se manteve inalterado.
Estão casados há 35 anos e têm dois filhos. Diz que nunca a deixará de apoiar e considera “uma crueldade o abandono da companheira num momento assim, em que esta se encontra particularmente frágil”.
 
Testemunho importante para se perceber que não existe um comportamento padrão e que as mulheres com uma doença deste tipo não são necessariamente abandonadas pelo seu parceiro, afirmaram todos os profissionais de saúde presentes em estúdio.



publicado por servicodesaude às 19:30
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Sexualidade Feminina II - Reacção e relação com o médico de família

De que forma é que um médico lida com a sexualidade de uma mulher que teve, por exemplo, um carcinoma da mama, tendo em conta que o seu primeiro objectivo é salvar vidas?

 
Eduardo Mendes, médico de família diz que há dez anos este tipo de questão passava despercebida nos serviços de Oncologia hospitalares. "Hoje já há consultas dirigidas para este tipo de problemas e mesmo os médicos de família estão muito mais alerta. As próprias mulheres colocam a questão em cima da mesa, não há como fugir".
 


publicado por servicodesaude às 18:33
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Sexualidade Feminina II - Falta de Desejo, Diabetes e Histerectomia (tel)

Telefonema de Margarida Gonçalves, 58 anos, do Seixal:

Tem imensa dificuldade em ter relações sexuais, apesar da boa relação com o marido.
Evita o contacto inventando desculpas como ter dores de cabeça, uma má digestão e ao ir deitar-se tardiamente, de forma propositada.
Nunca falou a médicos sobre o seu problema, nem ao de família. Questiona-se se estará relacionado com o facto de ter diabetes e de ter feito uma histerectomia há cerca de 12 anos.
Nunca tomou nenhum medicamento para a menopausa precoce que teve.
 
A ginecologista Lisa Vicente aponta o facto da senhora ter entrado em menopausa e ver-se subitamente privada de estrogéneos: “Basta ter dor e a lubrificação estar diminuída para a mulher evitar ter relações. Por outro lado, a própria diabetes também concorre com as questões da lubrificação".
 
Eduardo Mendes faz, por outro lado, questão em realçar: "Vi milagres com lubrificantes, apesar do pudor ainda existente. Cremes vaginais, com estrogéneos, para a secura do trato vaginal, ainda vá, agora quando se recomenda um lubrificante... ainda existem muitas barreiras a ultrapassar".


publicado por servicodesaude às 16:37
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Sexualidade Feminina II - Falta de Desejo, Diabetes e Histerectomia (tel)

Telefonema de Maria, 55 anos, de Parenhas da Beira

Relato de ausência de desejo e actividade sexual devido à existência de dores após mastectomia (efectuada há 10 anos).
O marido também teve um carcinoma mas continua a sentir desejo. Ela é que não, e sente um grande desconforto com esse facto. Nunca falou com nenhum profissional de saúde sobre o problema, nem mesmo com o seu médico de família.
 
Perante casos destes, de falta de actividade sexual durante tantos anos, Eduardo Mendes reforça a ideia de que "Há uma necessidade de reaprender a intimidade”.
 
Afirmação que valeu a concordância da psicóloga Ana Carvalheira: "Viu muitos médicos mas a situação não ficou resolvida. E é natural que esta mulher tenha a sua autoestima e a percepção sobre o corpo, muito abaladas. Há, efectivamente, uma grande necessidade de reapreender a viver em intimidade".


publicado por servicodesaude às 15:43
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