Terça-feira, 12 de Maio de 2009
1º Ano do Bebé - Recém-nascido e o choro (1-2)

Os bebés, ao contrário do que muitas pessoas pensam, vêm munidos de muitas capacidades para enfrentar este grande desafio que é a vida, cheia de dificuldades e surpresas, nem sempre agradáveis…

Prof. Dr. João Gomes-Pedro (professor de pediatra): São extraordinárias as competências que um bebé de horas, ou dias de vida, já manifesta. E é importante fazer essa descoberta conjunta com os pais.
Os enfermeiros também desempenham um papel importantíssimo nesta viagem de descoberta, de aliança, logo no nascimento, e a seguir, nas primeiras horas e dias de vida, ao garantirem segurança e orgulho nas competências demonstradas pelo bebé e ao viabilizarem perguntas, num trabalho de aliança que vai começar com quem primeiro viu o bebé: os enfermeiros, mas também nos centros de saúde, nos consultórios e nos serviços de educação.
 
Em muitos casos o único interlocutor dos pais é o enfermeiro. E, nos casos em que os pais vão ao centro de saúde, o médico de clínica geral. Mas em Portugal, infelizmente, ainda há muitas crianças que não têm pediatra…
Uma das situações que mais preocupam os pais é o choro.
 
Um importante pediatra, Brazelton (“A criança e o choro – o Método Brazelton, de T. Berry Brazelton e Joshua D. Sparrow da editorial Presença), cujo método o senhor iniciou em Portugal - constituindo o primeiro centro fora dos EUA -, funciona na Clínica Pediátrica do Hospital de Santa Maria.
Ao lermos o livro deste autor ficamos com a impressão que se os pais olharem bem para o bebé, se estiverem atentos a todas as suas reacções e ao seu olhar, conseguem sempre descodificar as suas preocupações e, de algum modo, acalmá-lo através dos afectos. Mas eu, como mãe, tenho a experiência de que não é bem assim…
 
Prof. Dr. João Gomes-Pedro (professor de pediatra): Antes pensávamos que o desenvolvimento acontecia numa linha ascendente. Hoje sabemos que não é bem assim.
O desenvolvimento processa-se em etapas, em patamares, com paragens e saltos no desenvolvimento (resultado da maturação do sistema nervoso central), que coincidem com períodos de desorganização do bebé e mudanças bruscas que se projectam em toda a vida familiar.
Ora estes pontos de viragem são uma oportunidade para a preparação das etapas seguintes, entre os pais e os profissionais de educação. Para o bebé, são momentos de fortalecimento da confiança e de preparação para o futuro.
 
O choro é uma das linguagens do bebé. Às três semanas de vida, os bebés choram porque começam com as cólicas e estas são um motivo de desorganização.
Muitas vezes os pais dizem que já não aguentam mais. Mas esta é uma oportunidade de reflexão sobre o que está a acontecer ao bebé e sobre o que podem fazer para aliviar este choro incómodo que não os deixa descansar. E também é uma oportunidade para construirem uma base de segurança para o próximo ponto de viragem que pode ser aos dois, aos quatro ou aos seis meses.


publicado por servicodesaude às 16:32
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