Terça-feira, 6 de Outubro de 2009
Cancro colo-rectal: Diagnóstico: colonoscopia e história familiar

 O Dr. Rui Cernadas tem a experiência, enquanto médico de família, de ser a quem o doente primeiro se apresenta.

Tem o hábito de recomendar aos seus doentes com mais de 50 anos, homens e mulheres, que façam o rastreio do cancro do cólon e do recto?
Rui Cernadas (médico de família): Queria primeiro esclarecer as pessoas que, por um lado, estamos a falar de técnicas de imagem – endoscopia e, por outro lado, em métodos de pesquisa de sangue oculto nas fezes.
Quando falamos de métodos de rastreio ou de exames de uma forma geral, em medicina, falamos em especificidade e em sensibilidade.
E o que acontece de facto com a pesquisa de sangue oculto nas fezes é que este método tem especificidades e sensibilidade relativamente baixas, relativamente ao impacto que os meus colegas no início referiram que se pretendia ter na doença.
Nesta questão há sempre o argumento que nos escaparão os tais falsos-negativos ou falsos-positivos. E portanto, fazer um rastreio e passar a ideia para a opinião pública de que já está tudo feito e que já não há nenhum problema, é de facto um erro perigoso.
 
Rui Cernadas (médico de família): Perguntava-me qual era a minha conduta pessoal e ela é aquela que de alguma forma o Estado – através dos programas informáticos -, disponibilizou aos docentes de saúde e aos médicos de família.
O sistema já foi montado há seis anos. Ou seja, quando estou a assistir alguém na minha consulta tenho uma ferramenta que é um registo informático, que tem um painel que se chama “rastreio oncológico”, com o pedido da mamografia e da citologia vaginal, no caso das mulheres (para a detecção do cancro do colo do útero), e tem a pesquisa de sangue oculto nas fezes, já com a indicação para a a colonoscopia, se a pesquisa for positiva.
A diferença é que aqui, a pesquisa de sangue oculto nas fezes que posso recomendar aos meus doentes é feita em laboratórios convencionados com o Estado e não aquele método que vimos na reportagem, que nos permite fazer no próprio consultório, através de uma amostra que o doente nos traz de casa.
 
E se houver uma história familiar, o seu sistema informático já aponta para mandar fazer a colonoscopia esquerda, pelo menos?
Rui Cernadas (médico de família): Os sistemas informáticos são óptimos se forem servidos dos dados que necessitam, se forem bem “alimentados”…
Se a história de família estiver registada, obviamente que a ferramenta permite sugerir ao doente essa necessidade.
 
Isto entronca ainda com outra questão, que um dos intervenientes na reportagem referiu, que é a questão da “vergonha”. Existem muitos doentes que nos narram episódios de hemorragia de sangue, há meses ou anos, sem que nunca tenham procurado ajuda médica, apenas por um sentimento de vergonha, de se sentirem pouco à vontade de contar isto mesmo ao seu médico.
 

São ainda tabus existentes, para além das dificuldades que depois o próprio sistema comporta.



publicado por servicodesaude às 19:42
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Fevereiro 2010
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9
10
11
12
13

14
15
16
17
18
19
20

21
22
23
24
25
26
27

28